ENCALHE

julho 26, 2008

Trechos de duas entrevistas: Fernando Morais e Carlos Lessa

Em vermelho, trechos que merecem certa atenção, concorde-se ou não com os entrevistados.
CARLOS LESSA à ISTOÉ ( ed. 2017, 02.07.08 )
(…)
ISTOÉ – O sr. ficou surpreso com as denúncias que envolveram recentemente financiamentos do BNDES?
Lessa - Duvido que essas coisas tenham acontecido. A estrutura de decisão e de operações do banco tem uma quantidade muito grande de filtros. Para haver corrupção, tem de corromper de cima a baixo. Por exemplo, todo o pleito passa pela comissão de prioridades, que é formada por todos os superintendentes do banco. E a decisão final é da presidência do banco. Vai ver que tem firma de consultoria vendendo o que não tem para entregar.
(…)
ISTOÉ – Mas a ministra Dilma Rousseff tem chances, apesar de todo o tiroteio contra ela, antes do início da campanha?
Lessa - Qualquer um que não for o nome querido do mercado de capitais e do sistema de bancos vai tomar pancada de todos os lados. A Dilma está apanhando de maneira injusta. Acho que o Palocci é a figura de eleição do mercado. Se não podem fazer o Meirelles candidato a presidente, então que seja o Palocci.
ISTOÉ – Como o sr. avalia as chances do deputado Ciro Gomes, que seria o candidato de seu partido, o PSB?
Lessa - O Ciro seria um bom candidato. Gosto muito da idéia, do ponto de vista regional, de fazer uma aliança que não seja paulista. O Brasil precisa de um candidato que não seja paulista. A “paulistocentria” é excessiva. Gosto muito da idéia de que Minas esteja na composição presidencial. Gosto muito do Aécio, uma pessoa de muito potencial, e gosto muito do Ciro. Se eu fosse Deus e pudesse escolher, comporia uma chapa com os dois. A questão da cabeça de chapa ficaria para depois. Mas sou um ilustre marginal.
ISTOÉ – O senhor votaria no governador José Serra para presidente?
Lessa - Eu gosto imensamente do Serra do ponto de vista pessoal. Inclusive sou padrinho de casamento dele com a Mônica. Estudou economia comigo no Chile nos anos 60. Eu era professor, e ele, aluno. E acho que o Serra não aproveitou o governo de São Paulo para se projetar como um homem da Nação brasileira apesar de ele ser nacionalista ( SIC ). Qual é a posição do Serra sobre a Amazônia? Ninguém sabe. Qual é a posição do Serra sobre a transposição do rio São Francisco? Ninguém sabe. O que ele pensa em matéria de bioenergia?
(…)

ISTOÉ – Qual é a avaliação que o sr. faz do presidente Lula?
Lessa - Acho que o Lula sabe o que é povo. Instintivamente, ele faz gestos e propostas que coincidem com o ânimo popular. Mas ele não sabe o que é nação. Não tem a menor idéia do que é nação e Estado nacional. Prova disso é a inércia do governo diante dos maustratos a cidadãos brasileiros, como se viu recentemente na Espanha. E a política econômica é uma catástrofe. Costumo dizer que o Brasil deixou de ser a República de Empreiteiras para ser o Império dos Banqueiros. E a empreiteira é mais conveniente, porque empurra o País para adiante. O presidente Lula fica deslumbrado pelo aplauso mundial. Ele é aplaudido por quem? Pelos parceiros dos banqueiros brasileiros.
COMENTÁRIO: Brilhante observação de Lessa. O PIG faz de tudo para desqualificar o Lula, mostrando-o como um ignorante ( para deleite de uma classe-média cabotina ), só faltando exigir ao presidente que explique teorias de Física Quântica, mas do Serra… Do Serra não se sabe coisa alguma. É como se ele fosse uma entidade inquestionável, a quem não se deve testar. Qual é a opinião dêle sobre estes temas, feitos por Lessa? E por quê não lhe é perguntado?
FERNANDO MORAES à TOP MAGAZINE ( ed. 115 )
(…)
TOP – E aquele artigo do Jerônimo Teixeira, na vEJA, dizendo que o seu “problema é que você é muito solidário com quem deveria estar na cadeia”?
Moraes - O problema é que a vEJA faz um jornalismo sórdido e seria uma ingenuidade supor que eu iria dar a eles o direito de escolher meus amigos. Se eu vou ou não ser amigo do Fidel [ Castro ] , do Hugo Chávez, do Zé Dirceu, do Evo Morales, do Daniel Ortega… Eu escolho os meus amigos. Eu tenho saudade da vEJA, onde eu trabalhei. Publicamos a 1ª. entrevista que o Fidel deu para uma publicação brasileira depois do golpe de 64 e foi capa.
TOP – O que você acha do jornalismo atual em geral?
Moraes - Um horror, um horror. Eu acho que uma revista tem todo direito de ser um partido político, mas precisa jogar limpo: “Nós somos um partido político de direita, defendemos o capital sobre o trabalho, defendemos os fortes…”. Abre o jogo, não tem problema. Mas tinha a obrigação de dizer isso para o leitor. Como não leio mais a vEJA, ela não entra mais na minha casa… Eu leio os quatro jornais, doi do Rio [ Globo e Jornal do Brasil ] e dois de São Paulo [ Folha de São Paulo e Estado de São Paulo ].
(…)
TOP – E o governo Lula?
Moraes - Foi menos do que eu esperava, mas eu sou lulista ( OBS: Moraes é filiado ao PMDB ). Estou com vontade de fazer uma camiseta: “Fica, Lula”.
TOP – Então você é a favor do terceiro mandato?
Moraes - Eu sou. Sou a favor de quantos mandatos o povo quiser. Sou a favor na Venezuela, porque vou ser contra no Brasil? O povo que decide.
TOP – Mas rotatividade não é boa para [ a ] democracia?
Moraes - É claro que sim, mas quem decide se vai ter rotatividade ou não? O povo que decida. Vocês não queriam a democracia? Democracia é isso, pô!
TOP – Mas você acha que o Lula vai baixar um decreto para o terceiro mandato?
Moraes – Não. Tive uma audiência com ele e saí de lá convencido de que Lula não é candidato. Não está com cara, com jeito de quem está preparando uma armadilha, não.
(…)

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.