ENCALHE

maio 27, 2009

Enquete ( * ) no site de senador tucano Álvaro Dias indica que população considera Lula o melhor presidente que o Brasil teve!

A dica foi do ONIPRESENTE. Eu respirei fundo, tapei o nariz e fui ao blog do AD para dar uma sapeada. Taí:

Esta “tela congelada” eu peguei no site do ONI
( * ) Falando em “enquetes”, que tal votarem na nossa enquete sobre o “professor Oliveira” ( mais conhecido como “Óli” ), o único professor da rede estadual de SP a receber o “embrômus da Inducassaum” no valor de R$ 15.000,00, tal como divulgaram o Governo, a Secretaria da Educação e os órgãos de imprensa do governo estadual, também conhecidos como “jornais e revistas”?
ONDE ESTÁ “ÓLI”?

maio 2, 2009

"Falsos moralistas?", por Jasson de Oliveira Andrade

Tenho desconfianças de moralistas. Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Todos nós temos erros, pecadilhos. As denúncias sobre o uso indevido, embora legal, de passagens aéreas por parlamentares, as farras aéreas, comprovam essa minha assertiva. Vamos dar alguns exemplos.
Fernando Gabeira ganhou respeito quando criticou os erros (mensalão) do PT em discurso na Câmara Federal e abandonou o partido, indo para o PV. Esta atitude moralista agradou muita gente, principalmente a classe média carioca e mesmo do Brasil. Candidato a prefeito do Rio de Janeiro quase venceu as eleições. Agora se descobriu que até ele usou passagens para familiares. O Estadão noticiou: “Filha de Gabeira também viajou com bilhete oficial”, acrescentando: “Deputado diz ainda não saber ao certo quantas passagens cedeu a terceiros”. No artigo “De um passo foi ao chão” (Estado, 21/4/2009), a jornalista Dora Kramer afirma: “Pioneiro na constatação pública de que a permanência de Severino Cavalcanti na presidência da Câmara era inaceitável e crítico contumaz da política à moda antiga, Fernando Gabeira confessa que demorou a entrar de peito aberto no debate [sobre as passagens] porque estava debaixo de um telhado de vidro. (…) Assim como os colegas, ele também cedeu passagens de sua cota para familiares”. O mesmo aconteceu com a deputada Rita Camata (PMDB-ES), que foi candidata a vice-presidente de José Serra, em 2002: ela também tem telhado de vidro. Quando o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) fez um pronunciamento com graves acusações ao seu partido, a deputada escreveu um artigo na Folha (23/2/2009), sob o título “Outro PMDB”, dizendo: “(…) considero as colocações do senador Jarbas Vasconcelos um ato de coragem. Expôs seu descontentamento com o grupo que controla o partido e que, por isso mesmo, se dá o direito de marginalizar os que não comungam de seus métodos e ações”. Adiante afirmou: “O escândalo da semana passada será facilmente esquecido quando surgir um novo”. Ela nunca iria imaginar que o novo escândalo se referia a ela e ao marido. A Folha (21/4) assim noticiou a denúncia: “Mesmo morando em apartamento próprio em Brasília, o senador Gerson Camata e a mulher dele, a deputada Rita Camata, ambos do PMDB do Espírito Santo, recebem auxílio-moradia do Senado e da Câmara. No total, são R$ 6.800 por mês para o casal”. O senador, então, pronunciou um discurso, que mereceu essa manchete do jornal: “Camata chora no plenário do Senado e pede afastamento do Conselho de Ética”. Ele também desmentiu as denúncias de seu assessor por 19 anos, Marcos Vinícius Andrade, que o acusou de apresentar à Justiça Eleitoral recibos falsos para esquentar sobras de dinheiro [Caixa 2] da campanha de 2002, de ter recebido propina da construtora Odebrecht e de usar de forma irregular verbas do Senado. Sem comentários! Existe ainda o caso da filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assessora do senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Agora, em 28 de abril, pediu demissão. Justificou o seu pedido: “(…) não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos [do senador] nem sobre minha conduta”. O jornalista Josias de Souza, da Folha, em seu blog, comentou essa passagem da carta dela: “Em verdade, o afastamento de Luciana [Cardoso] livra de “constrangimentos”, além do senador, o pai da demissionária. (…) Dias antes de Luciana ganhar o noticiário na condição de servidora fantasma [ela declarou à repórter Mônica Bergamo, também da Folha: “trabalho mais em casa, na casa do senador”], FHC discursara na Associação Comercial de São Paulo. (…) Discorrera sobre um fenômeno que, na opinião dele, alastra-se sob Lula: a “cupinização” do Estado brasileiro. (…) Pela lógica, nada poderia deixar FHC mais contrafeito do que ver uma Cardoso na condição de xilófaga, a roer a bolsa da Viúva sem a contrapartida do suor”.
Aí ficam três exemplos de moralistas!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
28 de abril de 2009

"Falsos moralistas?", por Jasson de Oliveira Andrade

Tenho desconfianças de moralistas. Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Todos nós temos erros, pecadilhos. As denúncias sobre o uso indevido, embora legal, de passagens aéreas por parlamentares, as farras aéreas, comprovam essa minha assertiva. Vamos dar alguns exemplos.
Fernando Gabeira ganhou respeito quando criticou os erros (mensalão) do PT em discurso na Câmara Federal e abandonou o partido, indo para o PV. Esta atitude moralista agradou muita gente, principalmente a classe média carioca e mesmo do Brasil. Candidato a prefeito do Rio de Janeiro quase venceu as eleições. Agora se descobriu que até ele usou passagens para familiares. O Estadão noticiou: “Filha de Gabeira também viajou com bilhete oficial”, acrescentando: “Deputado diz ainda não saber ao certo quantas passagens cedeu a terceiros”. No artigo “De um passo foi ao chão” (Estado, 21/4/2009), a jornalista Dora Kramer afirma: “Pioneiro na constatação pública de que a permanência de Severino Cavalcanti na presidência da Câmara era inaceitável e crítico contumaz da política à moda antiga, Fernando Gabeira confessa que demorou a entrar de peito aberto no debate [sobre as passagens] porque estava debaixo de um telhado de vidro. (…) Assim como os colegas, ele também cedeu passagens de sua cota para familiares”. O mesmo aconteceu com a deputada Rita Camata (PMDB-ES), que foi candidata a vice-presidente de José Serra, em 2002: ela também tem telhado de vidro. Quando o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) fez um pronunciamento com graves acusações ao seu partido, a deputada escreveu um artigo na Folha (23/2/2009), sob o título “Outro PMDB”, dizendo: “(…) considero as colocações do senador Jarbas Vasconcelos um ato de coragem. Expôs seu descontentamento com o grupo que controla o partido e que, por isso mesmo, se dá o direito de marginalizar os que não comungam de seus métodos e ações”. Adiante afirmou: “O escândalo da semana passada será facilmente esquecido quando surgir um novo”. Ela nunca iria imaginar que o novo escândalo se referia a ela e ao marido. A Folha (21/4) assim noticiou a denúncia: “Mesmo morando em apartamento próprio em Brasília, o senador Gerson Camata e a mulher dele, a deputada Rita Camata, ambos do PMDB do Espírito Santo, recebem auxílio-moradia do Senado e da Câmara. No total, são R$ 6.800 por mês para o casal”. O senador, então, pronunciou um discurso, que mereceu essa manchete do jornal: “Camata chora no plenário do Senado e pede afastamento do Conselho de Ética”. Ele também desmentiu as denúncias de seu assessor por 19 anos, Marcos Vinícius Andrade, que o acusou de apresentar à Justiça Eleitoral recibos falsos para esquentar sobras de dinheiro [Caixa 2] da campanha de 2002, de ter recebido propina da construtora Odebrecht e de usar de forma irregular verbas do Senado. Sem comentários! Existe ainda o caso da filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assessora do senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Agora, em 28 de abril, pediu demissão. Justificou o seu pedido: “(…) não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos [do senador] nem sobre minha conduta”. O jornalista Josias de Souza, da Folha, em seu blog, comentou essa passagem da carta dela: “Em verdade, o afastamento de Luciana [Cardoso] livra de “constrangimentos”, além do senador, o pai da demissionária. (…) Dias antes de Luciana ganhar o noticiário na condição de servidora fantasma [ela declarou à repórter Mônica Bergamo, também da Folha: “trabalho mais em casa, na casa do senador”], FHC discursara na Associação Comercial de São Paulo. (…) Discorrera sobre um fenômeno que, na opinião dele, alastra-se sob Lula: a “cupinização” do Estado brasileiro. (…) Pela lógica, nada poderia deixar FHC mais contrafeito do que ver uma Cardoso na condição de xilófaga, a roer a bolsa da Viúva sem a contrapartida do suor”.
Aí ficam três exemplos de moralistas!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
28 de abril de 2009

"Falsos moralistas?", por Jasson de Oliveira Andrade

Tenho desconfianças de moralistas. Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Todos nós temos erros, pecadilhos. As denúncias sobre o uso indevido, embora legal, de passagens aéreas por parlamentares, as farras aéreas, comprovam essa minha assertiva. Vamos dar alguns exemplos.
Fernando Gabeira ganhou respeito quando criticou os erros (mensalão) do PT em discurso na Câmara Federal e abandonou o partido, indo para o PV. Esta atitude moralista agradou muita gente, principalmente a classe média carioca e mesmo do Brasil. Candidato a prefeito do Rio de Janeiro quase venceu as eleições. Agora se descobriu que até ele usou passagens para familiares. O Estadão noticiou: “Filha de Gabeira também viajou com bilhete oficial”, acrescentando: “Deputado diz ainda não saber ao certo quantas passagens cedeu a terceiros”. No artigo “De um passo foi ao chão” (Estado, 21/4/2009), a jornalista Dora Kramer afirma: “Pioneiro na constatação pública de que a permanência de Severino Cavalcanti na presidência da Câmara era inaceitável e crítico contumaz da política à moda antiga, Fernando Gabeira confessa que demorou a entrar de peito aberto no debate [sobre as passagens] porque estava debaixo de um telhado de vidro. (…) Assim como os colegas, ele também cedeu passagens de sua cota para familiares”. O mesmo aconteceu com a deputada Rita Camata (PMDB-ES), que foi candidata a vice-presidente de José Serra, em 2002: ela também tem telhado de vidro. Quando o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) fez um pronunciamento com graves acusações ao seu partido, a deputada escreveu um artigo na Folha (23/2/2009), sob o título “Outro PMDB”, dizendo: “(…) considero as colocações do senador Jarbas Vasconcelos um ato de coragem. Expôs seu descontentamento com o grupo que controla o partido e que, por isso mesmo, se dá o direito de marginalizar os que não comungam de seus métodos e ações”. Adiante afirmou: “O escândalo da semana passada será facilmente esquecido quando surgir um novo”. Ela nunca iria imaginar que o novo escândalo se referia a ela e ao marido. A Folha (21/4) assim noticiou a denúncia: “Mesmo morando em apartamento próprio em Brasília, o senador Gerson Camata e a mulher dele, a deputada Rita Camata, ambos do PMDB do Espírito Santo, recebem auxílio-moradia do Senado e da Câmara. No total, são R$ 6.800 por mês para o casal”. O senador, então, pronunciou um discurso, que mereceu essa manchete do jornal: “Camata chora no plenário do Senado e pede afastamento do Conselho de Ética”. Ele também desmentiu as denúncias de seu assessor por 19 anos, Marcos Vinícius Andrade, que o acusou de apresentar à Justiça Eleitoral recibos falsos para esquentar sobras de dinheiro [Caixa 2] da campanha de 2002, de ter recebido propina da construtora Odebrecht e de usar de forma irregular verbas do Senado. Sem comentários! Existe ainda o caso da filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assessora do senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Agora, em 28 de abril, pediu demissão. Justificou o seu pedido: “(…) não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos [do senador] nem sobre minha conduta”. O jornalista Josias de Souza, da Folha, em seu blog, comentou essa passagem da carta dela: “Em verdade, o afastamento de Luciana [Cardoso] livra de “constrangimentos”, além do senador, o pai da demissionária. (…) Dias antes de Luciana ganhar o noticiário na condição de servidora fantasma [ela declarou à repórter Mônica Bergamo, também da Folha: “trabalho mais em casa, na casa do senador”], FHC discursara na Associação Comercial de São Paulo. (…) Discorrera sobre um fenômeno que, na opinião dele, alastra-se sob Lula: a “cupinização” do Estado brasileiro. (…) Pela lógica, nada poderia deixar FHC mais contrafeito do que ver uma Cardoso na condição de xilófaga, a roer a bolsa da Viúva sem a contrapartida do suor”.
Aí ficam três exemplos de moralistas!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
28 de abril de 2009

março 28, 2009

LUCIANA CARDOSO ABRE O JOGO PARA MÔNICA BERGAMO

“O Senado é uma bagunça”
Funcionária do Senado para cuidar “dos arquivos” do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado “é uma bagunça”. A coluna telefonou por três dias para o gabinete, mas não a encontrou. Na última tentativa, anteontem, a ligação foi transferida para a casa de Luciana, que ocupa o cargo de secretária parlamentar. Abaixo, um resumo da conversa:
FOLHA – Quais são suas atribuições no Senado?
LUCIANA CARDOSO – Eu cuido de umas coisas pessoais do senador. Coisas de campanha, organizar tudo para ele.
FOLHA – Em 2006, você estava organizando os arquivos dele.
LUCIANA – É, então, faz parte dessas coisas. Esse projeto não termina nunca. Enquanto uma pessoa dessa é política, é política. O arquivo é inacabável. É um serviço que eternamente continuará, a não ser que eu saia de lá.
FOLHA – Recebeu horas extras em janeiro, durante o recesso?
LUCIANA – Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo [o dinheiro]. Quem manda pra mim é o senador.
FOLHA – E qual é o seu salário?
LUCIANA – Salário de secretária parlamentar, amor! Descobre aí. Sou uma pessoa como todo mundo. Por acaso, sou filha do meu pai, não é? Talvez só tenha o sobrenome errado.
FOLHA – Cumpre horário?
LUCIANA – Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar “vem aqui”, eu vou lá.
FOLHA – E o que ele te pediu nesta semana?
LUCIANA – “Cê” não acha que eu vou te contar o que eu tô fazendo pro senador! Pensa bem, que eu não nasci ontem! Preste bem atenção: se eu estou te dizendo que são coisas particulares, que eu nem faço lá porque não é pra ficar na boca de todo mundo, eu vou te contar?
NOTA DO BLOG: Que entrevista esquisita…

LUCIANA CARDOSO ABRE O JOGO PARA MÔNICA BERGAMO

“O Senado é uma bagunça”
Funcionária do Senado para cuidar “dos arquivos” do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado “é uma bagunça”. A coluna telefonou por três dias para o gabinete, mas não a encontrou. Na última tentativa, anteontem, a ligação foi transferida para a casa de Luciana, que ocupa o cargo de secretária parlamentar. Abaixo, um resumo da conversa:
FOLHA – Quais são suas atribuições no Senado?
LUCIANA CARDOSO – Eu cuido de umas coisas pessoais do senador. Coisas de campanha, organizar tudo para ele.
FOLHA – Em 2006, você estava organizando os arquivos dele.
LUCIANA – É, então, faz parte dessas coisas. Esse projeto não termina nunca. Enquanto uma pessoa dessa é política, é política. O arquivo é inacabável. É um serviço que eternamente continuará, a não ser que eu saia de lá.
FOLHA – Recebeu horas extras em janeiro, durante o recesso?
LUCIANA – Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo [o dinheiro]. Quem manda pra mim é o senador.
FOLHA – E qual é o seu salário?
LUCIANA – Salário de secretária parlamentar, amor! Descobre aí. Sou uma pessoa como todo mundo. Por acaso, sou filha do meu pai, não é? Talvez só tenha o sobrenome errado.
FOLHA – Cumpre horário?
LUCIANA – Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar “vem aqui”, eu vou lá.
FOLHA – E o que ele te pediu nesta semana?
LUCIANA – “Cê” não acha que eu vou te contar o que eu tô fazendo pro senador! Pensa bem, que eu não nasci ontem! Preste bem atenção: se eu estou te dizendo que são coisas particulares, que eu nem faço lá porque não é pra ficar na boca de todo mundo, eu vou te contar?
NOTA DO BLOG: Que entrevista esquisita…

LUCIANA CARDOSO ABRE O JOGO PARA MÔNICA BERGAMO

“O Senado é uma bagunça”
Funcionária do Senado para cuidar “dos arquivos” do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado “é uma bagunça”. A coluna telefonou por três dias para o gabinete, mas não a encontrou. Na última tentativa, anteontem, a ligação foi transferida para a casa de Luciana, que ocupa o cargo de secretária parlamentar. Abaixo, um resumo da conversa:
FOLHA – Quais são suas atribuições no Senado?
LUCIANA CARDOSO – Eu cuido de umas coisas pessoais do senador. Coisas de campanha, organizar tudo para ele.
FOLHA – Em 2006, você estava organizando os arquivos dele.
LUCIANA – É, então, faz parte dessas coisas. Esse projeto não termina nunca. Enquanto uma pessoa dessa é política, é política. O arquivo é inacabável. É um serviço que eternamente continuará, a não ser que eu saia de lá.
FOLHA – Recebeu horas extras em janeiro, durante o recesso?
LUCIANA – Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo [o dinheiro]. Quem manda pra mim é o senador.
FOLHA – E qual é o seu salário?
LUCIANA – Salário de secretária parlamentar, amor! Descobre aí. Sou uma pessoa como todo mundo. Por acaso, sou filha do meu pai, não é? Talvez só tenha o sobrenome errado.
FOLHA – Cumpre horário?
LUCIANA – Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar “vem aqui”, eu vou lá.
FOLHA – E o que ele te pediu nesta semana?
LUCIANA – “Cê” não acha que eu vou te contar o que eu tô fazendo pro senador! Pensa bem, que eu não nasci ontem! Preste bem atenção: se eu estou te dizendo que são coisas particulares, que eu nem faço lá porque não é pra ficar na boca de todo mundo, eu vou te contar?
NOTA DO BLOG: Que entrevista esquisita…

LUCIANA CARDOSO ABRE O JOGO PARA MÔNICA BERGAMO

“O Senado é uma bagunça”
Funcionária do Senado para cuidar “dos arquivos” do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado “é uma bagunça”. A coluna telefonou por três dias para o gabinete, mas não a encontrou. Na última tentativa, anteontem, a ligação foi transferida para a casa de Luciana, que ocupa o cargo de secretária parlamentar. Abaixo, um resumo da conversa:
FOLHA – Quais são suas atribuições no Senado?
LUCIANA CARDOSO – Eu cuido de umas coisas pessoais do senador. Coisas de campanha, organizar tudo para ele.
FOLHA – Em 2006, você estava organizando os arquivos dele.
LUCIANA – É, então, faz parte dessas coisas. Esse projeto não termina nunca. Enquanto uma pessoa dessa é política, é política. O arquivo é inacabável. É um serviço que eternamente continuará, a não ser que eu saia de lá.
FOLHA – Recebeu horas extras em janeiro, durante o recesso?
LUCIANA – Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo [o dinheiro]. Quem manda pra mim é o senador.
FOLHA – E qual é o seu salário?
LUCIANA – Salário de secretária parlamentar, amor! Descobre aí. Sou uma pessoa como todo mundo. Por acaso, sou filha do meu pai, não é? Talvez só tenha o sobrenome errado.
FOLHA – Cumpre horário?
LUCIANA – Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar “vem aqui”, eu vou lá.
FOLHA – E o que ele te pediu nesta semana?
LUCIANA – “Cê” não acha que eu vou te contar o que eu tô fazendo pro senador! Pensa bem, que eu não nasci ontem! Preste bem atenção: se eu estou te dizendo que são coisas particulares, que eu nem faço lá porque não é pra ficar na boca de todo mundo, eu vou te contar?
NOTA DO BLOG: Que entrevista esquisita…

LUCIANA CARDOSO ABRE O JOGO PARA MÔNICA BERGAMO

“O Senado é uma bagunça”
Funcionária do Senado para cuidar “dos arquivos” do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado “é uma bagunça”. A coluna telefonou por três dias para o gabinete, mas não a encontrou. Na última tentativa, anteontem, a ligação foi transferida para a casa de Luciana, que ocupa o cargo de secretária parlamentar. Abaixo, um resumo da conversa:
FOLHA – Quais são suas atribuições no Senado?
LUCIANA CARDOSO – Eu cuido de umas coisas pessoais do senador. Coisas de campanha, organizar tudo para ele.
FOLHA – Em 2006, você estava organizando os arquivos dele.
LUCIANA – É, então, faz parte dessas coisas. Esse projeto não termina nunca. Enquanto uma pessoa dessa é política, é política. O arquivo é inacabável. É um serviço que eternamente continuará, a não ser que eu saia de lá.
FOLHA – Recebeu horas extras em janeiro, durante o recesso?
LUCIANA – Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo [o dinheiro]. Quem manda pra mim é o senador.
FOLHA – E qual é o seu salário?
LUCIANA – Salário de secretária parlamentar, amor! Descobre aí. Sou uma pessoa como todo mundo. Por acaso, sou filha do meu pai, não é? Talvez só tenha o sobrenome errado.
FOLHA – Cumpre horário?
LUCIANA – Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar “vem aqui”, eu vou lá.
FOLHA – E o que ele te pediu nesta semana?
LUCIANA – “Cê” não acha que eu vou te contar o que eu tô fazendo pro senador! Pensa bem, que eu não nasci ontem! Preste bem atenção: se eu estou te dizendo que são coisas particulares, que eu nem faço lá porque não é pra ficar na boca de todo mundo, eu vou te contar?
NOTA DO BLOG: Que entrevista esquisita…

março 8, 2009

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

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