ENCALHE

fevereiro 25, 2009

Banco Central dos EUA não descarta recuperação econômica ainda neste ano

FED não descarta recuperação da economia em 2009
O cenário não é dos mais favoráveis, mas o presidente do Federal Reserve ( banco central americano ), Ben Bernanke, não descarta a recuperação da maior economia do planeta ainda em 2009. Para tanto, segundo Bernanke, governo e Congresso dos Estados Unidos devem conseguir restaurar a estabilidade do sistema financeiro daquele país.
“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke, ao fazer uma explanação ao Senado norte-americano sobre a política econômica do país. Contudo, ele admitiu que a tendência para o primeiro quadrimestre de 2009 é de aguda retração na atividade econômica.
O presidente do FED também ressaltou que a total recuperação da economia do planeta só deve ocorrer em dois ou três anos. O próximo ano, segundo Bernanke, será um pouco melhor do que 2009, com “tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”.
Ben Bernanke explicou que o panorama global ainda é incerto e defendeu estímulos fiscais e “uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”.
CONGRESSO EM FOCO, 24.02.09

Banco Central dos EUA não descarta recuperação econômica ainda neste ano

FED não descarta recuperação da economia em 2009
O cenário não é dos mais favoráveis, mas o presidente do Federal Reserve ( banco central americano ), Ben Bernanke, não descarta a recuperação da maior economia do planeta ainda em 2009. Para tanto, segundo Bernanke, governo e Congresso dos Estados Unidos devem conseguir restaurar a estabilidade do sistema financeiro daquele país.
“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke, ao fazer uma explanação ao Senado norte-americano sobre a política econômica do país. Contudo, ele admitiu que a tendência para o primeiro quadrimestre de 2009 é de aguda retração na atividade econômica.
O presidente do FED também ressaltou que a total recuperação da economia do planeta só deve ocorrer em dois ou três anos. O próximo ano, segundo Bernanke, será um pouco melhor do que 2009, com “tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”.
Ben Bernanke explicou que o panorama global ainda é incerto e defendeu estímulos fiscais e “uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”.
CONGRESSO EM FOCO, 24.02.09

Banco Central dos EUA não descarta recuperação econômica ainda neste ano

FED não descarta recuperação da economia em 2009
O cenário não é dos mais favoráveis, mas o presidente do Federal Reserve ( banco central americano ), Ben Bernanke, não descarta a recuperação da maior economia do planeta ainda em 2009. Para tanto, segundo Bernanke, governo e Congresso dos Estados Unidos devem conseguir restaurar a estabilidade do sistema financeiro daquele país.
“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke, ao fazer uma explanação ao Senado norte-americano sobre a política econômica do país. Contudo, ele admitiu que a tendência para o primeiro quadrimestre de 2009 é de aguda retração na atividade econômica.
O presidente do FED também ressaltou que a total recuperação da economia do planeta só deve ocorrer em dois ou três anos. O próximo ano, segundo Bernanke, será um pouco melhor do que 2009, com “tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”.
Ben Bernanke explicou que o panorama global ainda é incerto e defendeu estímulos fiscais e “uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”.
CONGRESSO EM FOCO, 24.02.09

Banco Central dos EUA não descarta recuperação econômica ainda neste ano

FED não descarta recuperação da economia em 2009
O cenário não é dos mais favoráveis, mas o presidente do Federal Reserve ( banco central americano ), Ben Bernanke, não descarta a recuperação da maior economia do planeta ainda em 2009. Para tanto, segundo Bernanke, governo e Congresso dos Estados Unidos devem conseguir restaurar a estabilidade do sistema financeiro daquele país.
“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke, ao fazer uma explanação ao Senado norte-americano sobre a política econômica do país. Contudo, ele admitiu que a tendência para o primeiro quadrimestre de 2009 é de aguda retração na atividade econômica.
O presidente do FED também ressaltou que a total recuperação da economia do planeta só deve ocorrer em dois ou três anos. O próximo ano, segundo Bernanke, será um pouco melhor do que 2009, com “tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”.
Ben Bernanke explicou que o panorama global ainda é incerto e defendeu estímulos fiscais e “uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”.
CONGRESSO EM FOCO, 24.02.09

Banco Central dos EUA não descarta recuperação econômica ainda neste ano

FED não descarta recuperação da economia em 2009
O cenário não é dos mais favoráveis, mas o presidente do Federal Reserve ( banco central americano ), Ben Bernanke, não descarta a recuperação da maior economia do planeta ainda em 2009. Para tanto, segundo Bernanke, governo e Congresso dos Estados Unidos devem conseguir restaurar a estabilidade do sistema financeiro daquele país.
“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke, ao fazer uma explanação ao Senado norte-americano sobre a política econômica do país. Contudo, ele admitiu que a tendência para o primeiro quadrimestre de 2009 é de aguda retração na atividade econômica.
O presidente do FED também ressaltou que a total recuperação da economia do planeta só deve ocorrer em dois ou três anos. O próximo ano, segundo Bernanke, será um pouco melhor do que 2009, com “tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”.
Ben Bernanke explicou que o panorama global ainda é incerto e defendeu estímulos fiscais e “uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”.
CONGRESSO EM FOCO, 24.02.09

dezembro 18, 2008

"Um banco central heterodoxo ", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“BRASILEIRO não pode viajar”, dizia Nelson Rodrigues. Nada mais verdadeiro, nada mais profundo. Desde que me mudei para os Estados Unidos, estou desenvolvendo pelo Federal Reserve uma admiração de subdesenvolvido nato e hereditário.
O leitor dirá, com certa razão, que o banco central americano não merece lá tanta admiração. Sob o comando de Ben Bernanke, o Fed talvez tenha sido lento na reação à crise financeira na fase inicial. E, sob o comando do seu antecessor, Alan Greenspan, o Fed teve sem dúvida grande responsabilidade na gestação da crise. Greenspan, antes considerado um gênio, está hoje mais sujo que pau de galinheiro.
Mas, convenhamos, tudo é relativo. Comparado com outros bancos centrais, o Fed de Bernanke está demonstrando grande flexibilidade e criatividade. Vem atuando, nos meses recentes, de forma agressiva e heterodoxa, acionando os mais diversos instrumentos e políticas para estabilizar o sistema financeiro e evitar o aprofundamento da recessão nos Estados Unidos.
O Fed ainda está longe de alcançar os resultados pretendidos. Atuando em conjunto com o Tesouro e outras instituições oficiais, o banco central conseguiu evitar o colapso do sistema financeiro, mas o crédito ainda não foi normalizado. A recessão continua se intensificando. O nível de preços ao consumidor (ajustado sazonalmente) caiu em outubro e novembro. Os preços no atacado (o índice de preços ao produtor para bens acabados) vêm caindo desde agosto.
A eficácia dos instrumentos tradicionais de política monetária diminuiu muito, como se sabe. Com a decisão de terça-feira, a meta do Fed para a taxa básica nominal se aproximou de zero. Mas a reativação da demanda depende das taxas de juro de mercado, e estas permanecem ainda bastante elevadas.
Isso levou Bernanke a trabalhar, cada vez mais, com instrumentos não-convencionais de política monetária. O Fed vem criando uma série de mecanismos para injetar liquidez na economia e oferecer crédito a instituições financeiras e outras empresas, com regras mais flexíveis em termos de acesso e aceitação de garantias. Em conseqüência, o balanço do banco central americano registrou expansão fenomenal nos últimos meses.
No seu comunicado de terça-feira, o Federal Open Market Committee (mais ou menos equivalente ao Copom brasileiro) antecipou que as taxas básicas de juro devem permanecer “em níveis excepcionalmente baixos por algum tempo”, tentando assim reforçar os efeitos da taxa quase zero sobre as taxas de juro de mercado. Além disso, indicou que pretende “apoiar o funcionamento dos mercados financeiros e estimular a economia por meio de operações de mercado aberto e outras medidas que sustentam o balanço do Federal Reserve em nível elevado”.
Isso significará, por exemplo, adquirir grandes quantidades de títulos emitidos por Fannie Mae e Freddie Mac e outros títulos lastreados em hipotecas. Significará, também, a implementação no início de 2009 de uma linha para facilitar a extensão de crédito a pessoas físicas e pequenas empresas.
O Federal Open Market Committee declarou que está avaliando a possibilidade de comprar títulos do Tesouro de prazo mais longo e que continuará a considerar meios de utilizar o seu balanço para apoiar os mercados de crédito e a atividade econômica.
Em suma, leitor, heterodoxia é coisa para rico. Aos subdesenvolvidos, a ortodoxia -de galinheiro.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR

novembro 18, 2008

"Assaltantes do povo", por Mauro Santayanna

Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem
O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.
Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.
Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.
“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson. Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.
E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.
.
Publicado na Revista do Brasil, edição 29, Novembro / 2008

"Assaltantes do povo", por Mauro Santayanna

Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem
O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.
Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.
Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.
“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson. Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.
E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.
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Publicado na Revista do Brasil, edição 29, Novembro / 2008

"Assaltantes do povo", por Mauro Santayanna

Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem
O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.
Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.
Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.
“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson. Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.
E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.
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Publicado na Revista do Brasil, edição 29, Novembro / 2008

"Assaltantes do povo", por Mauro Santayanna

Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem
O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.
Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.
Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.
“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson. Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.
E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.
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Publicado na Revista do Brasil, edição 29, Novembro / 2008

"Assaltantes do povo", por Mauro Santayanna

Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem
O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.
Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.
Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.
“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson. Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.
E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.
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Publicado na Revista do Brasil, edição 29, Novembro / 2008

setembro 19, 2008

"Crepúsculo dos ídolos", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Caro leitor, estou perplexo. Não sei por onde começar. O desastre financeiro aqui nos EUA é de proporções impressionantes. Nunca vi nada igual em minha vida. E olhe leitor, posso lhe assegurar que já vi e vivi muita coisa: a crise da dívida externa dos anos 80, as crises cambiais da década de 90, entre muitos outros episódios.
Mas a atual crise é muito diferente desses episódios. Ela tem como epicentro o sistema financeiro dos EUA – o maior, o mais sofisticado e, até recentemente, o mais respeitado do mundo. Na década de 90, as crises tinham origem na periferia da economia mundial, em lugares como México, Tailândia ou Rússia. Agora, a maior economia do mundo é o palco de acontecimentos tenebrosos.
A confiança nos EUA e, em especial, nas suas instituições financeiras foi profundamente abalada. Depois do que aconteceu com Bear Stearns, Fannie Mae, Freddie Mac, Lehman Brothers, Merrill Lynch, AIG – todas elas instituições de tradição e credibilidade –, ninguém acredita mais em ninguém.
A tempestade financeira parece não ter fim. Os preços dos imóveis continuam caindo. O sistema financeiro ainda tem muitas bandas podres, não só nos EUA como também na Europa Ocidental. Outras instituições de porte e renome devem falir ou precisar de socorro oficial.
Há uma certa ironia na situação atual. Um governo comprometido com o livre mercado, avesso à regulação financeira e à participação do Estado na economia, está sendo forçado a praticar uma das maiores intervenções da história. Na prática, grande parte do sistema financeiro está sendo nacionalizada.
Aliás, a aversão à regulação do sistema financeiro foi um dos fatores que contribuíram para o acúmulo de graves distorções e vulnerabilidades. É provável que um dos resultados da crise venha a ser o fortalecimento da regulação e a supervisão não apenas dos bancos, mas de um conjunto maior de agentes financeiros. Após a crise, o sistema financeiro será provavelmente menor e menos livre do que foi até agora.
O Tesouro e o BC americanos enfrentam um dilema que é clássico, mas que raramente se apresenta de forma tão aguda. Por um lado, o governo precisa socorrer as instituições de grande porte para fazer face ao chamado risco sistêmico, isto é, o risco de que o colapso de uma grande firma leve a uma destrutiva reação em cadeia dentro do sistema financeiro. Por outro, essas intervenções costumam ter um custo elevado para as contas públicas e, em última análise, para o contribuinte.
Além disso, elas podem envolver um “risco moral”, isto é, solapar a disciplina no mercado e estimular comportamentos arriscados.
Em situações de extrema instabilidade, como a atual, o risco sistêmico tende a ganhar precedência em relação ao custo fiscal e ao “risco moral”. Porém, no fim de semana passado, o governo americano tomou uma decisão muito arriscada: resolveu permitir o colapso do Lehman Brothers, um dos maiores e mais tradicionais bancos de investimento dos EUA. Alguns afoitos se aventuraram a celebrar a vitória das preocupações com o “risco moral”.
Bem. A hegemonia do “risco moral” não durou 48 horas. O colapso do Lehman desencadeou um pandemônio nos mercados. No final da terça-feira, o Fed teve que anunciar uma intervenção muito maior do que teria sido a do Lehman: US$ 85 bilhões para salvar uma das maiores seguradoras do mundo -a AIG. Não obstante, os mercados ainda estão extremamente nervosos.
A crise continua.
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