ENCALHE

dezembro 8, 2007

Demissão de funcionários da antiga FEBEM resulta em denúncia contra Geraldo Alckmin no Ministério Público

Deputado entra na Justiça contra Alckmin por prejuízos ao tesouro estadual
O deputado petista Rui Falcão protocolou junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, em 5/12, uma representação para instauração de inquérito civil contra o ex-governador Geraldo Alckmin e do ex-presidente da antiga Febem Alexandre de Moraes pelo prejuízo direto causado aos cofres públicos do Estado de, aproximadamente, R$ 32 milhões, pela demissão arbritária e em massa na fundação.
A situação gerou o ingresso de mais de uma centena de ações civis de reparação de danos morais e foi anulada pela Justiça e todos os 1.674 demitidos pelo “plano radical” promovido pelo governo Alckmin, para acabar com possíveis torturadores, foram reintegrados à Fundação Casa.
Conforme decisão judicial, em novembro/07, as demissões foram prematuras, sem a observância do devido processo legal e sem as garantias mínimas quanto à individualização da conduta de cada um dos demitidos. Com isso, o Estado arcará, além de indenizações, com o pagamento imediato de 27 salários dos funcionários afastados.
Rui Falcão explica que “diante disso, o Estado de São Paulo sofrerá um dano enorme e desproporcional, pela política mal orquestrada, que visava unicamente uma resposta social, ante o grande número de acusações de péssima gestão e falta de critérios educacionais para os adolescentes apenados por atos infracionais”, e completa “foi omissão culposa na condução da máquina administrativa”.
Na representação, o deputado evidencia que o ex-governador, Geraldo Alckmin, e o ex-presidente da Febem feriram os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência.

PT na Alesp
06/12/07

novembro 23, 2007

Justiça reconduz ao cargo a presidente da Fundação Casa

De volta à casa
A presidente da Fundação Casa (ex-Febem), Berenice Maria Giannella, ganhou de volta o cargo por decisão do presidente do Tribunal de Justiça, Celso Limongi. Berenice havia sido afastada, na semana passada, pelo Departamento de Execuções da Infância e Juventude (DEIJ), braço do Judiciário paulista.
A decisão, no entanto, mantém parte da sentença anterior da juíza Mônica Ribeiro de Souza Paukoski que interdita a unidade Tietê, do complexo Vila Maria, na Zona Norte da capital paulista, e transfere os cerca de 100 internos para outras unidades da Fundação Casa.
Limongi atendeu parte do recurso da Fundação Casa e entendeu que o afastamento de Berenice poderia causar risco na solução de programas da entidade, com instabilidade nas relações contratuais necessárias para reformas e construções de novas unidades.
No despacho, a juíza citou laudos de instituições como o Conselho Regional de Enfermagem, o Conselho Regional de Psicologia, a Vigilância Sanitária e a Contru (Departamento de Controle do Uso de Imóveis). Segundo a juíza, os órgãos inspecionaram a unidade e concluíram pela total inadequação da estrutura física do local, que por suas condições extremamente precárias de higiene, salubridade e habitabilidade, colocam em risco a saúde e a integridade dos adolescentes e funcionários que lá permanecem.
Em maio do ano passado, o mesmo argumento foi usado pelo DEIJ para determinar a interdição da unidade e afastar a presidente da Fundação Casa. Dois dias depois, Limongi seguiu o mesmo caminho desta semana e mandou Berenice de volta ao cargo.
Revista Consultor Jurídico
22 de novembro de 2007

novembro 17, 2007

Castelo de Caras: Presidente da Fundação Casa ( ex-FEBEM, tantas vezes denunciada pelo pe. Júlio Lancelotti ) é afastada do cargo, sem motivo!!!!

Filed under: ECA, FEBEM, Fundação Casa, Padre Júlio Lancelotti, violência — Humberto @ 12:12 am
Internação insalubre
Justiça afasta do cargo a presidente da Fundação Casa
A presidente da Fundação Casa, antiga Febem de São Paulo, Berenice Maria Gianella, deve ser afastada do cargo. A Unidade de Internação Tietê da Fundação Casa (antiga Febem), na capital paulista, também deve ser fechada definitivamente. A determinação é do Departamento de Execuções da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, assinada pela juíza Mônica Ribeiro de Souza Paukoski.

( O governo tucano sempre se prezou em garantir a ressociabilização dos jovens e não mediu esforços na busca da qualidade de vida para os internos da instituição. A juíza que decidiu pelo afastamento da presidente da Fundação Casa só pode ser petista. )

A Justiça fixou prazo de 15 dias para a transferência de todos os adolescentes internados na Unidade Tietê “para unidades adequadas, que atendam os requisitos da Lei Federal 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente)”.
Em seu despacho, a juíza Mônica cita laudos de instituições como o Conselho Regional de Enfermagem, o Conselho Regional de Psicologia, a Vigilância Sanitária e a Contru, entre outras, “que inspecionaram a unidade e concluíram pela total inadequação da estrutura física do local, que por suas condições extremamente precárias de higiene, salubridade e habitabilidade, colocam em risco a saúde e a integridade dos adolescentes e funcionários que lá permanecem”.
O afastamento da presidente da Fundação Casa baseia-se no artigo 97 do Estatuto da Criança e do Adolescente. “A presidente da Fundação assenta-se no cargo há mais de dois anos, sendo que as irregularidades envolvendo a Unidade de Internação “Tietê” vêm sendo levadas ao seu conhecimento pessoal e direto, desde o início de sua gestão. Competia-lhe, como dirigente máxima da instituição, dar um basta neste estado de coisas”, diz um trecho da decisão.
As condições de funcionamento da Unidade Tietê já foram motivo de decisão semelhante em junho do ano passado. A medida, contudo, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça.
Revista Consultor Jurídico

14 de novembro de 2007

novembro 14, 2007

Ex-internos da Febem DEFENDEM Júlio Lancelotti. Provavelmente esta notícia terá o mesmo destaque nas capas dos jornais que as acusações tiveram, né?

Dois ex-internos da Febem depõem e defendem padre Júlio
Dois ex-internos da antiga Febem (atual Fundação Casa) disseram à polícia de São Paulo que receberam ajuda financeira do padre Júlio Lancelotti, 58, após deixar a instituição e que o religioso nunca insinuou ou exigiu contatos íntimos.
A Polícia Civil interrogou os dois sexta e ontem. O dinheiro, segundo os ex-internos Marcelo Eduardo de Almeida Brito, o Marcelo Queijeiro, e Luciano Sales Moreti, 25, era dado pelo religioso para que eles pagassem contas domésticas, comprassem comida, fizessem cursos e tirassem documentos. Ambos afirmaram que nunca tiveram relações sexuais com o padre. Um terceiro ex-interno da Febem relacionado na lista de pessoas que receberam auxílio financeiro do padre será convidado pela polícia a relatar como era seu contato com o religioso. Trata-se de Jalber José.
Para chegar aos nomes dos ex-internos, a polícia usou o depoimento do delegado Luiz Carlos dos Santos, conhecido como China, que procurou dia 31 de outubro os responsáveis sobre o suposto caso de extorsão no qual o padre é vítima.
Santos também relatou como a polícia investigou pela primeira vez, em junho de 2005, quatro ex-internos a mando do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. À época dessa investigação, Santos era interinamente delegado-geral da Polícia Civil.
Lancelotti, segundo Santos, disse ao então secretário adjunto da Segurança, Marcelo Martins de Oliveira, que Brito traficava drogas perto de sua igreja.
Por isso, o Palácio dos Bandeirantes e a Secretaria da Segurança determinaram que o Denarc (departamento de narcóticos) investigasse Brito.
No relatório final da investigação, os policiais do Denarc não conseguiram constatar o envolvimento de Brito com tráfico e, ainda na versão do delegado Santos, “tudo aparentava [ser] uma briga entre amigos”.
No dia 26 de outubro deste ano, o quarto ex-interno citado à época ao governo paulista como uma das pessoas que extorquiam dinheiro de Lancelotti, Anderson Marcos Batista, 25, foi preso acusado pelo crime.
A Polícia Civil também investiga se a enfermeira que acusou o padre de ter beijado um ex-interno da Febem na Casa Vida, entre 1999 e 2000, atendeu algum interesse do ex-presidente do Sintraenfa (Sindicato dos Trabalhadores da Febem), Gilberto da Silva, que sempre se opôs às denúncias de tortura na instituição feitas pelo religioso. Silva negou ontem à Folha ser ex-marido da enfermeira.
BOL – Notícias
14/11/07

outubro 28, 2007

Serra, Kassab e (PSDB) perseguem Padre Julio Lancelotti

Domingo, 28 de Outubro de 2007
Helena
Blog Amigos do Presidente Lula
Há mais de três décadas, o padre Júlio Lancelotti, de 58 anos, dá assistência à população marginalizada em São Paulo. Ele se dedica a ajudar moradores de rua, adolescentes em conflito com a lei e crianças abandonadas. É uma das referências brasileiras na defesa dos direitos humanos. Ao denunciar abusos e omissões do poder público, também passou a colecionar inimigos. Sua imagem de integridade foi maculada nos últimos dias.
A razão da perseguição ao Padre Julio Lancelotti é sua ligação com o PT , pelo trabalho e pelos moradores de rua,e por ter sido contra a rampa anti- mendigo fascista da dupla Serra/ Kassab.
À mando de Serra/ Kassab, no início de 2006, a “Veja” publicou um artigo do mais puro mau- jornalismo: matéria sem pesquisa e comprovação de dados.
A matéria é feita por uma jornalista que não faz mais nada da vida a não ser digitar o que o patrão manda no escritório da Veja.
A matéria em 96 tentava jogar por terra décadas de trabalho pelos menos favorecidos, atitude típica da Veja e seu partido de aluguel, o PSDB/DEM…
Só quem não conhece pessoalmente o Padre Júlio Lancelotti, pode acreditar nas infâmias contra um homem dedicado aos menos favorecidos. O que ele está sofrendo não deve ser brincadeira. Perseguido por que foi o primeiro a fazer muito pelas crianças com AIDS, ele se destacou também na luta pelos Sem Teto. Venceu na Justiça e pode manter a Casa que abriga centenas de crianças com HIV. Pe. Júlio é um ícone da bondade, do amor aos seres humanos e à vida. É um trabalhador da fé,e de amor ao próximo .
Quer ler mais sobre esse assunto? Veja uma matéria no blog Vi o Mundo do Azenha (aqui), lá você encontra a matéria da Veja detonando o Padre…
Comentário do Blog:
Acho que poucos de nós se deram conta que, o que pode ter começado com uma, digamos assim, mentira para uma quadrilha se safar, deverá atingir uma dimensão muitíssimo maior, pois é uma questão que envolve o Vaticano.

Revelado o motivo da extorsão: mãe de pe.Júlio, de 80 anos, espancada 2 vezes!!

Advogado: Padre Julio “cedeu à extorsão”
Luiz Carlos Azenha
Vi o Mundo
28/10/07
Ganhei o prêmio Embratel de reportagem investigativa, em 2007. Doei o valor que me coube ao padre Julio Lancelloti. Ele tem crédito com a sociedade brasileira e merece, no mínimo, ter amplo direito de resposta às acusações que sofreu.
Reproduzo o texto do advogado Rildo Marques de Oliveira, que recebi por e-mail:
“Recentemente tive contato com várias pessoas que acompanham os trabalhos de Pe. Julio Lancellotti e soube de questões ainda desconhecidas da população porque a imprensa não tem o cuidado de noticiá-las.
1 – É público e notório que Pe Julio, ao longo de sua vida, foi um profeta em prol dos desfavorecidos e desvalidos, assumindo a ponta de projetos cuja proposta tinha como enfoque o ser humano e não o sistema, e, com êxito, conseguiu, em muitos casos, resgatar seres humanos vítimas de um sistema vil e voraz, no qual as políticas públicas e aparelhos de Estado apenas aumentaram a exclusão desses seres;
2 – É público e notório que, muitas vezes, para poder comprovar, na prática, que políticas públicas adequadas e voltadas aos seres humanos, quando bem realizadas, podem obter resultados positivos, o Pe. Julio teve que enfrentar os Barões do Poder, digladiar com os “príncipes” donos da opinião pública e, muitas vezes, desentender-se com acadêmicos, mas, sobretudo, indispor-se com chefes do Poder Executivo no que tange à condução da FEBEM e à Segurança Pública;
3 – Pe. Julio é tido como inimigo público número um dos defensores da pena de morte e dos cúmplices da tortura;
4 – É pública e notória a admiração que o Pe. Julio construiu em torno de si pelos segmentos humanitários e também a repulsa obtida pelos contrários à propagação dos direitos humanos;
5 – É publico e notório que a postura do Pe. Julio sempre foi a de viver o evangelho ecumenicamente e, para isso, adotar posturas humanas incompreensíveis aos cidadãos comuns;
Com isso, Pe. Julio passou a ser odiado por funcionários da FEBEM quando eram por ele denunciados pelas torturas e práticas abusivas da dignidade humana, e milhares de jovens vivenciaram o resultado de sua proteção, de proferir discursos e empreender práticas na defesa da integridade dessas pessoas.
Pe. Julio sempre prestou assistência às presas e presos de São Paulo e, não obstante, também denunciou os desmandos e violências do sistema prisional. Pe. Julio denunciou muitos policiais que cometiam abusos de direito, com tortura, extorsão e ameaças aos meninos e meninas desfavorecidos.
Sempre esteve à frente de lutas pela moradia, pela povo da rua, pelas crianças e adolescentes, denunciando todo e qualquer tipo de violação dos direitos humanos, desde o menino espancado por monitores na Febem até a falta de material escolar na rede de ensino pública.
Muita gente do Poder não gosta do Pe. Julio. No entanto, ao lidar com meninos, muitas vezes perigosos (infratores contumazes) e com muita dificuldade de apreender sob a égide de uma pedagogia do amor, da benevolência e da compaixão, Pe. Julio se sentia isolado com esta técnica de compreender o outro, com a técnica da não-violência e, por isso, enfrentou, sozinho, um desafio, a despeito da descrença até de seus colaboradores.
Quando se viu envolvido numa trama, acuado em seu próprio projeto, contemplando a ruína de seu próprio desafio, Pe. Julio preferiu tentar e tentar até as últimas possibilidades de sua força humana. Os episódios que ocorreram antes da compra do carro do Anderson foram três assaltos à casa do Pe. Julio, nos quais, por duas vezes, sua mãe, de quase 80 anos, foi agredida na rua.
Essa foi apenas uma entre outras ameaças contumazes feitas ao Pe. Julio. Ele sabia quem eram as pessoas que coordenavam as intimidações, motivo pelo qual decidiu ceder recursos para proteger não só sua mãe, mas também a si, ao seu projeto e aos seus colaboradores, pois todos estavam na mira dos delinqüentes. [ grifo meu ]
Pe. Julio não podia mais ver seu próprio projeto voltando-se contra a proposta de vida e pedagógica e, mais do que isso, voltando-se contra sua equipe e sua família. Seria derrotado em seus objetivos, não pelos poderosos, mas pelo seu próprio meio. A dor da solidão e da amargura de ver ruir anos de construção pedagógica o fez tomar atitude isolada que apenas o comprometeu: ele cedeu à extorsão.
No entanto, Pe. Julio não quis revelar que a mulher de Anderson estava envolvida com atividades ilícitas, certamente com acertos com homens do Poder, da Segurança Pública. Não quis revelar, tampouco, os crimes que Anderson ainda cometia, até pelo sigilo que deve manter como sacerdote;
Quanto à denuncia de abuso sexual contra um adolescente, a mentira aparecerá por dois motivos:
1 – porque a denunciante tem ligação com monitores da FEBEM que há anos coordenaram espancamentos e outros crimes no interior da FEBEM, espancamentos que eram combatidos veementemente por nós;
2 – porque jamais essa pessoa poderia ingressar na Casa Vida à noite sem que alguém lhe abrisse a porta do prédio por dentro;
3 – A pessoa supostamente abusada, segundo a denunciante, está sendo localizada para desmentir esta senhora, que deverá ser presa por denunciação caluniosa e responderá por danos morais. Outro fato que nos chama muito a atenção é o de que uma semana antes de o caso sair na imprensa, Pe. Julio foi escoltado por veículo da Presidência da República para ir a um evento e foi notada a presença de veículos estranhos na porta de seu trabalho;
Semanas antes, a agente de direitos humanos Valdenia Paulino (Sapopemba), com histórico semelhante ao de Pe. Julio nas denúncias a policiais civis e militares e monitores da FEBEM, foi acusada na imprensa de ser ligada ao PCC. Meses antes, defensores de direitos humanos denunciantes de policiais militares e civis na zona Norte, como Cícero Pinheiro Nascimento, também foram acusados de guardar armas do PCC.
Tudo para dizer que defensores de direitos humanos possuem estreita ligações com o crime organizado, quando, na verdade, sabemos que quem tem essas ligações são certos policiais. Nos parece que todos os agentes de direitos humanos que denunciam policiais civis, militares e atacam as idéias e projetos do Governo do Estado e da Prefeitura de SP e são simpatizantes do Governo Federal estão sofrendo algum tipo de perseguição na imprensa com ilações de ligações com o PCC e outros crimes. Será coincidência? Saberemos em breve…
São algumas questões iniciais.
Muitas coisas ainda serão esclarecidas, mas faço estes esclarecimentos iniciais para que vocês possam entender melhor algumas questões.
Quem quiser apoiar ao Pe. Julio, pode enviar mensagem a mim que farei chegar até a ele. Meu e-mail é centroezequiel@uol.com.br
Atenciosamente
Rildo Marques de Oliveira
Advogado.”
Publicado em 28 de outubro de 2007
COMENTÁRIOS DO BLOG:
1 – Um caso a ser levado à OEA?
2 – “Testemunhas” , ouvidas pelo imprensalão, que “viram” o padre fazendo “coisas erradas” na FEBEM, são justamente os funcionários, espancadores de internos, denunciados constantemente pelo padre.
3 – Uma campanha coordenada lançada contra figuras de destaque nas denúncias de violações aos direitos humanos cometidas no âmbito do Estado de São Paulo. Alguma nota oficial por parte do governo, comentando estes acontecimentos?
4 – Do limão, faça-se uma limonada: Cidadão comum, fique de olho e jamais esqueça das pessoas, em seu círculo de convivência que, desde o primeiro segundo, prontamente aderiram e acolheram alegremente as denúncias, como se estas já fossem um veredito e, claro, condenando o padre. De olho nessas pessoas – estes Pilatos – , quero dizer, nas pessoas de seu dia-a-dia, as pessoas comuns: pode ser seu vizinho, parente, porteiro do prédio, esposa, namorada, cunhado, sogra, jornaleiro, taxista. Tal comportamento diz muito sobre o caráter delas. Corte-as. Depure sua vida. Mude a sociedade mudando a sua sociedade. Pois o próximo acusado e julgado, antes de qualquer investigação ( esse é o principal problema ) começar, pode ser você no futuro. A opinião pública, à época de Jesus, estava muito bem informada, lia todos os jornais e revistas, mandava correntes moralistas por email. Quando consultada, essa opinião pública mandou soltar Barrabás.

outubro 27, 2007

Testando hipóteses no caso Lancelotti ( mesmo sabendo que o julgamento já saiu )

Vou tentar entender – didaticamente – o que estaria ocorrendo, baseado apenas no que diz o artigo do BOL [ abaixo do meu texto ]:
Digamos que Júlio tenha dado o dinheiro. Se existe um caso de extrorsão, como o padre diz, a grana que o ( s ) sujeito ( s ) recebeu ( ram ) é fruto de crime. O dinheiro só foi chegar em suas mãos por meio de um crime, uma exigência ilegal, uma pressão violenta e ameaçadora. Até aqui, tudo bem, né?
Por outro lado, existiriam outros motivos que fariam o padre dar algum dinheiro para estes personagens. Um trabalho remunerado, por exemplo. Uma tarefa, encher laje. Ganhariam o dinheiro, sem recorrer ao uso da força. Um motivo, certo? Mas, se estou acompanhando corretamente, isso está descartado, ou sequer foi mencionado. Eles não trabalharam para o padre.
Chegamos à espinhosa questão do romance amoroso. O padre sucumbiu aos prazeres carnais e proibidos:
- com Batista, interno da Febem, por tentativa de roubo e bem antes de 2001 ( 1 );
- Batista estava foragido da Febem, em 2000 ( 2 ) quando começou a pedir dinheiro para o padre, no que foi atendido e Lancelotti, para piorar sua situação, não denunciou o foragido à polícia ou à FEBEM;
- Batista, com 25 anos atualmente, teria em 2000 a idade de 17 ou 18 anos ( não entendo muito disso, mas acho que o rapaz não devia estar na FEBEM )**;
- em 2001, o padre pagou ao advogado cerca de R$ 6000 ( em seis depósitos bancários ), pela prestação de serviços advocatícios ( 3 ), defendendo Batista em uma acusação de assassinato. De acordo com a anotação 2 , à essa época o padre já dava dinheiro para Batista;
- de acordo com o advogado, os valores recebidos por seu cliente, desde 2000, chegam à casa de “700 mil reais” ( 3 ) tudo a título de gratificações – não só dinheiro, parece;
- o advogado é um bom advogado, atendendo Batista desde 2000/2001 e permanecendo a seu serviço durante estes últimos 6 ou 7 anos;
- desde outubro de 2006, Batista está casado ( 4 ), com uma mulher 16 anos mais velha, e que não devia ter sabido do passado homossexual do marido, ou sabia e não ligava, ou então é amor mesmo. O relacionamento entre os dois ( padre e ex-interno ) acaba, mas por algum motivo ( que não a extorsão ou chantagem ) Lancelotti continua a fornecer dinheiro para Batista;
Vamos testar as hipóteses, como faz o melhor do jornalismo caboclo:
1. Padre e interno têm ( tiveram ) um relacionamento amoroso, o que justifica o fornecimento de dinheiro, sem que o ex-presidiário tivesse que recorrer à força. Ou seja: amor não caracteriza crime. Nessa linha, a defesa provando que Júlio tinha um lance homossexual com Batista, quer dizer que não haveria crime, nem chantagem, nem extorsão. Portanto, nem cadeia para a gangue. Eles têm obrigação de provar o romance para livrar a cara.
2. Padre e interno têm ( tiveram ) um relacionamento amoroso, mas que se acabou. O padre continuaria dando dinheiro para Batista, de livre e expontânea vontade. Lancelotti denuncia, talvez por ciúme, uma suposta extorsão ou chantagem, sem se preocupar que um romance proibido torne-se público e ele acabe se transformando em um tipo de pária, aos olhos de uma sociedade e imprensa que o têem em alta conta, e que ficariam aterrorizados com a revelação.
3. Não houve relacionamento. Houve chantagem ou algum tipo de extorsão, a partir de certa data. O padre, renomado e odiado defensor dos moradores de rua e internos da FEBEM ( inclusive já tendo sido ameaçado e jurado de morte ) paga durante algum tempo, mas se cansa e denuncia os autores. Estes, talvez já com um plano em mente há tempos, aproveitam que denúncias de pedofilia, tendo padres católicos como protagonistas, surgiram nos noticiários há alguns anos e causaram comoção mundial ( há até um documentário inglês a respeito ); decidem, então, que esta será a linha de defesa: “não houve crime, o padre está inventando uma chantagem; existia, isso sim, um romance ( que não é crime ) desde minha estadia na FEBEM”. O padre torna-se, então, um estranho algoz: pedófilo que teve um caso com alguém internado na FEBEM, e que já era maior de idade**.
Acho que até aqui, diante do quadro que a notícia a seguir apresenta, as hipóteses acima não estão fora de cogitação. O melhor é esperar. Sempre. Acho que o Brasil economizaria muito se substituísse os caríssimos tribunais de marajás do Judiciário por redações jornalísticas que, de acordo com algumas opiniões, custam muito pouco. A mão de obra é barata e mal-paga e não liga para direitos trabalhistas e nem Direitos Humanos.
Vamos ao artigo:
Advogado de ex-interno afirma ter recebido pagamento do padre Júlio Lancelotti
27/10/2007
BOL Notícias
O advogado de defesa de Anderson Marcos Batista, 25, Nelson Bernardo da Costa, afirmou neste sábado ter recebido R$ 6 mil em honorários do padre Júlio Lancelotti. O pagamento seria referente à defesa em um caso de homicídio e teria sido quitado em 2001 ( 3 ).
Batista foi preso na sexta-feira ( 26 ), juntamente com sua mulher Conceição Eletério, 44, e Evandro Guimarães, 28, em um prédio na rua Riachuelo ( região central ), todos acusados de extorquir o padre.
O advogado negou que seu cliente tenha praticado extorsão e afirma que o dinheiro e os presentes eram dados pelo padre a título de “gratificação”.
De acordo com Costa, o pagamento foi feito por meio de depósito bancário, em seis parcelas de mil reais. Na época, Batista era acusado por homicídio doloso após matar a tiros um homem em uma briga de bar.
Relacionamento amoroso
Ex-interno da Febem, Batista teria conhecido e iniciado um relacionamento amoroso com o padre na instituição, onde foi internado por roubo ( 1 ) . Em 2000, após fugir da instituição ( 2 ), teria começado a solicitar ajuda financeira ao sacerdote e, mais tarde, passado a exigir uma soma cada vez maior em dinheiro.
O advogado afirma que o valor dos bens recebidos por seu cliente foi de “quase 700 mil reais ( 3 )” e que o relacionamento entre o padre e ex-detento acabou após Batista ter se casado, em outubro de 2006 ( 4 ).
O delegado da SIG ( Setor de Investigações Gerais ), André Luis Pimentel, informou que irá pedir a quebra do sigilo bancário do padre para apurar o valor total da extorsão. De acordo com ele, foram comprados cerca de cinco carros de luxo com o valor.
A polícia também informou que Cúria Metropolitana de São Paulo ( setor administrativo da Igreja Católica ), pediu no início da semana passada sigilo de Justiça para o caso.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.