ENCALHE

maio 10, 2008

No páreo: Paulo Henrique Amorim quer comprar BrT e oferece mais

Amorim quer comprar BrT por R$ 1 a mais
Jornalista disse que entrará com medida cautelar contra fusão que criaria a BrOI
ABCD MAIOR
09/05/08
O jornalista Paulo Henrique Amorim disse nesta quinta-feira ( 08/05 ), no ato pelo direito à informação pública, realizado na Câmara de São Bernardo, que entrará com uma medida cautelar na Justiça contra a criação da empresa de telefonia BrOI, resultante da compra da BrT ( Brasil Telecom ) pela OI/Telemar. Amorim quer entrar na disputa dando R$ 1 a mais que os empresários Carlo Jereissati e Sérgio Andrade estão desembolsando na operação. Isso porque, segundo o jornalista, eles não estariam contribuindo com nada, sendo bancados pelo BNDES ( Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ).
A BrOI será a maior empresa de telefonia do País, com 70% do mercado, controlando todos os estados, com exceção de São Paulo. “Hoje (ontem) almocei com um advogado e digo aqui em primeira mão, publicamente, que estou pensando em entrar com uma medida cautelar na Justiça para me candidatar a dono da Brasil Telecom colocando R$ 1 a mais do que Sérgio Andrade e Carlos Jereissati”, afirmou Paulo Henrique Amorim. “Assim eu também quero”, ironizou. Segundo o jornalista, a criação da BrOI está sendo feita dessa forma pelo envolvimento, numa ponta e na outra, do polêmico empresário Daniel Dantas.
“No governo Fernando Henrique Cardoso, Daniel Dantas se apropriou de vários fundos de pensão sem botar um tostão do próprio bolso. Agora, vai sair desse negócio da Brasil Telecom com aproximadamente US$ 1,1 bilhão. Só para sair do negócio. E o dinheiro virá do FAT ( Fundo de Amparo ao Trabalhador ), que é o dinheiro do BNDES”, denunciou Amorim.
Ato - Organizado pelos jornais ABCD MAIOR, Repórter Diário, Ponto Final e pela Rádio ABC, além da Cátedra Celso Daniel da Universidade Metodista, o ato desta quinta-feira reuniu mais de 150 pessoas, entre comunicadores e o grande público. Paulo Henrique Amorim, apresentador do programa “Domingo Espetacular”, na Record, defendeu leis para a imprensa que limite o domínio de várias mídias, como acontece nos Estados Unidos.
“Não podemos permitir que uma mesma emissora tenha veículos na mídia impressa e na televisão, como faz a Rede Globo. É uma forma de dominação da informação, que precisa ser limitada”, reclamou. A operação de compra da BrT pela Oi, de Daniel Dantas, foi outro ponto abordado pelo jornalista, como exemplo da ação dos grandes grupos de comunicação.
O jornalista criticou ainda a forma como a verba em publicidade é distribuída no País, em que uma rede de comunicação detém 70% do que é aplicado em propaganda. “Não tenho nada contra a grande mídia, e até trabalho numa grande emissora, que é a Record. Meu problema é com a Globo, que tem 50% da audiência e 70% da publicidade. Em que País do mundo tem isso? A cada um R$ 1, R$ 0,35 ficam na mão de uma família. Isso é uma oligarquia, e nós vivemos em uma democracia.”
Secretários - Os secretários de comunicação de Santo André e São Bernardo também estiveram presentes no ato. Raimundo Salles, de São Bernardo, disse ser a favor do domínio da mídia. “Quando ele fala do processo de dominação de um veículo, o Paulo Henrique Amorim esquece que ele é fator de integração nacional. Esse sistema de limitar o poder da mídia funciona em um País do tamanho de Sergipe, não em um do tamanho do Brasil”, declarou. Já a secretária de Santo André, Ruth Alexandre de Paulo Mantoan, criticou o jornalismo que é praticado na grande imprensa. “Hoje em dia existe um show de horrores, em que se faz espetáculo com as notícias. Isso acontece também no ABCD. A comunicação precisa ser agente de mudança, não pode haver censura, mas a imprensa tem que ser responsável”, concluiu.
Salles foi criticado durante o evento por negar informações a alguns órgãos de imprensa e pela agressão ao repórter do ABCDMAIOR Diego Sartorato, insultado ao fazer uma pergunta durante um evento na Prefeitura no mês passado. “É preciso reagir a atitudes contra a imprensa como essas”, ressaltou o editor do jornal ABCDMaior, Walter Venturini.
Demissão - O ato contou ainda com a presença do presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo, Guto Camargo, que criticou a demissão do representante do sindicato no jornal Diário do Grande ABC, Hugo Cilo, na quinta-feira (08/05). “Ele foi demitido por justa causa durante o processo de negociação das horas extras. Uma atitude que vem de um jornal que quer comemorar 50 anos de existência, mas se acha acima das leis trabalhistas”, disse. Os vereadores José Ferreira (PT), Oswaldo Camargo (PTB), Wagner Lino (PT) e Tião Mateus (PT) e o deputado federal Vicente de Paula (PT), o Vicentinho, também compareceram ao evento.
O diretor do ABCDMAIOR, Celso Horta, manifestou o desejo de que o debate continue. “Não quero que essa discussão sobre o direito a informação termine aqui. Vamos conversar com o sindicato e as outras mídias que apoiaram o ato para que ele se repita”, ressaltou.
Vanessa Selicani

agosto 13, 2007

Caveanha e as fraudes na Secretaria do Trabalho

Jasson de Oliveira AndradeNo artigo “Corrupçăo Tucana”, abordei alguns aspectos da administraçăo do PSDB, principalmente no Estado de Săo Paulo, com suspeitas de fraudes. Neste, pretendo focalizar suspeitas de irregularidades na Secretaria do Trabalho, na administraçăo de Geraldo Alckmin. Em março, no texto “Contas da Secretaria do Trabalho, na gestăo Alckmin, foram reprovadas”, comentei: “A revista VEJA desta semana, com data de 21 de março, na coluna RADAR, assinada pelo jornalista Lauro Jardim, publicou uma nota que pode estar relacionada com a gestăo de Walter Caveanha na Secretaria Estadual do Trabalho”.
Referia-me a esse relato do jornalista: “as contas da Secretaria Estadual do Trabalho, que o entăo governador Geraldo Alckmin presenteou ao PTB, foram totalmente reprovadas por auditores do Ministério do Trabalho. Agora, o governo Serra está sendo convidado a devolver ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) nada menos que 200 milhơes de reais. Efeito retardado”. Depois, acrescentei: “A palavra agora está com Walter Caveanha, ex-secretário do Trabalho de Alckmin. Como ele substituiu outro secretário, precisa explicar se realmente foi em sua gestăo que as contas foram totalmente reprovadas. Enquanto ele năo se manifestar, fica a dúvida”. Caveanha năo se manifestou, ficando, portanto, a dúvida. Quase dois meses após essa grave denúncia, a Gazeta Guaçuana publicou, em 5/5/2007, uma reportagem sob o título “MP investiga gestăo de ex-secretários”. Nela, se comenta mais uma vez as gravíssimas acusaçơes, desta vez publicadas no Correio Braziliense, de 29/4, citando as gestơes de dois ex-secretários de Secretaria do Trabalho no governo Alckmin: Francisco Prado Ribeiro e Walter Caveanha. Ouvido pelo jornalista Leandro César Martins, da Gazeta Guaçuana, o ex-prefeito de Mogi Guaçu disse que cumpriu as exigências dos convênios, afirmando ainda que “a prestaçăo de contas do Sert referente a 2006 ainda năo foi concluída, portanto os dados citados no relatório da CGU săo de períodos anteriores”. No entanto, em reportagem no Estadăo, datada de 9/8, e sob o título “S. Paulo suspeita de fraude com verbas do Fat”, fala-se também da gestăo de Walter Caveanha. É o que vamos ver.
A reportagem do Estadăo revela: “Cursos fantasmas, falsificaçơes de documentos e superfaturamentos estariam acontecendo nos programas de qualificaçăo. Afif Domingos diz que já foi aberta uma sindicância para apurar as suspeitas. “A qualificaçăo năo era qualificada. Está aparecendo pepino de tudo quanto é lado”, disse Afif. Segundo o jornal, “apesar de a sindicância em Săo Paulo apurar fraudes até o ano passado, na gestăo de Walter Caveanha, o relatório 537 da Controladoria Geral da Uniăo (CGU), assinado em 2005, mostra que já eram públicos, há algum tempo, os indícios de que o montante repassado ao Estado estava “ecoando pelo ralo”. (…) Foi para năo repetir o erro, explica o atual chefe da pasta do Trabalho [Afif], que sua secretaria năo recebeu neste ano o R$ 10 milhơes que viriam de Brasília para programas do setor. “Para quem năo sabe para onde vai dinheiro, qualquer caminho serve. Até hoje năo se sabe qual é a realidade em Săo Paulo”, afirma o atual secretário. O Estadăo entrevistou os dois ex-secretários. Francisco Prado confessou: “Nós năo tínhamos um planejamento”, admitiu ainda que os recursos em sua gestăo “poderiam ter sido melhor aplicados”. O jornal ouviu também o ex-prefeito de Mogi Guaçu: “Walter Caveanha, no posto entre julho de 2005 e dezembro 2006, disse que chegou a abrir sindicância para dar continuidade ao processo da CGU. Primeiramente, disse que foi no final da gestăo. Logo após, questionando se năo deveria ter aberto a investigaçăo assim que assumiu, alegou năo lembrar a época – e também năo soube explicar o porquê de tal averiguaçăo năo ter sido encerrada, passados mais de 15 meses. O ex-secretário NĂO NEGOU QUE POSSA TER HAVIDO DESVIO, MAS AFIRMOU QUE PROCUROU ‘FAZER O TRABALHO DA MELHOR FORMA” (destaque meu)”.
Neste ano, Walter Caveanha foi nomeado pelo governador Serra para a Ouvidoria da Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte do Estado de Săo Paulo). A Gazeta Guaçuana, no Tome Nota, comentou: “Nem mesmo as denúncias de supostas irregularidades durante a gestăo na Sert foram empecilhos para a nomeaçăo de Caveanha para o cargo”. Apurei que a Artesp é uma agência reguladora criada no bojo dos processos de privatizaçăo e concessăo de serviços do Estado à iniciativa privada, devendo regular e fiscalizar a concessăo das estradas no Estado. Como parte dessa agência, existe a Ouvidoria, cargo para o qual Caveanha foi nomeado, que é um órgăo para ouvir as reclamaçơes dos usuários. O PTB controla a ARTESP e este cargo (Ouvidoria) ficou com o partido. O seu presidente, deputado Campos Machado, provavelmente o preencheu com a nomeaçăo do ex-prefeito de Mogi Guaçu. O salário da Ouvidoria deve ser menor do que aquele recebido por Caveanha como Secretário do Trabalho. Espera-se agora que a sua atual gestăo năo seja tăo polêmica como aquela que ocupava até dezembro de 2006!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista de Mogi Guaçu
agosto de 2007

Postado por Redaçăo Portal Mogi Guaçu

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