ENCALHE

março 8, 2009

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

Filed under: FAPESP, Fazenda Sant'Anna, Fernando Henrique Cardoso, Jovelino Mineiro, Pecuária — Servílio Gentil Lavapés @ 6:34 am
É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

Eu não entendo dessas coisas, mas a FAPESP pode "fazer convênio" com empresa de sócio / compadre de FHC?

É o seguinte: eu achei uma Globo Rural novinha, do mês, no busão, e comecei a ler. Certa altura, a matéria ” A ciência da boiada” surge e eu – leigo, claro – começo a acompanhar. Fala de DNA, GENOMA, essas coisas.
Aí, topo com esse trecho: ” ( … ) Proprietário da fazenda Sant’Anna, nos arredores de Uberaba, o pecuarista Jovelino Mineiro foi um dos financiadores ( mmmm… ) do chamado Genoma Funcional do Boi, projeto montado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), o que o tornou pioneiro no desvendamento do genoma do nelore. Orçado em 1 milhão de dólares, o trabalho tinha por objetivo ‘identificar genes que pudessem ser utilizados para melhorar a qualidade da carne’. Corria o ano de 2003 e Jovelino declarou então que ‘as informações obtidas podem servir de base para marcadores genéticos, medicamentos e outros produtos.’ É o que está acontecendo. Ele tem propriedades ainda em Rancharia e Pardinho ( Central Bela Vista ), no interior paulista, e mantém em Uberaba um show room de seu rebanho apurado de brahman. Jovelino, além de criar brahman, nelore e brangus, vende cerca de mil tourinhos por ano. Segundo Luiz Roberto Furlan, professor da Unesp de Botucatu, que mantém um convênio científico com a Central Bela Vista ( … )”.
Aí eu parei. Fapesp e Unesp [ há tempos isso vem ocorrendo, eu é que sou ignorante ], conveniadas com um sócio e “compadre de FHC”[ expressão que não surgiu uma única vez no texto da revista, aliás ]? Que também é sócio-fundador e membro do conselho deliberativo do IFHC? A relação algo umbilical entre o Jovelino e o FHC [ de conhecimento público ] é bem ilustrada por essa matéria da vEJA, de 1999:
Os bois do presidente
Fazenda de Fernando Henrique Cardoso brilha em leilão de gado no interior de São Paulo
O boi “326″ da Córrego da Ponte ( foto menor), a filha Luciana Cardoso ( centro) e o amigo Jovelino Mineiro (à dir.) : a fazenda do presidente quer vender 180 animais por ano
A voz do leiloeiro anunciou com toda a solenidade:
– E agora, minha gente, um dos melhores bois do dia. É o boi do presidente Fernaaando Henriiiiqueee Cardoooosoooo!!!
As 700 pessoas presentes ao leilão de gado ocorrido na cidade de Rancharia, a 600 quilômetros de São Paulo, no sábado 12, aguardavam aquele momento com expectativa. Estaria entrando na arena o primeiro dos 27 touros pertencentes à Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de FHC. Catalogado pela organização do evento com o número 326, um dos bois recebeu vários lances e acabou arrematado por quase 4.000 reais. O resultado final foi excelente. Mesmo com a forte concorrência de sete grandes criadores da raça brangus, a Córrego da Ponte vendeu mais da metade dos touros que levou ao leilão e arrecadou cerca de 30.000 reais. É evidente que as pessoas não compraram os bois de FHC para homenageá-lo, mas porque a fazenda cria animais de boa qualidade e de uma raça com bastante aceitação no mercado. O brangus é uma mistura sintética produzida a partir de experiências genéticas, nos Estados Unidos, cuja carne é extremamente macia. É uma das mais apreciadas nos bons restaurantes. “Pode até ter gente que compra os bois porque eles são do presidente, mas a razão principal é que mantemos ali um gado bom mesmo”, diz Luciana Cardoso, filha de FHC, que esteve presente ao leilão em companhia do marido, o historiador Getúlio Vaz.
Desde que o ministro das Comunicações Sergio Motta morreu, é Luciana quem administra todas as contas da Córrego da Ponte e as 300 cabeças de gado. O casal mora em Brasília e viaja todo final de semana para a fazenda, que fica em Buritis, no interior de Minas Gerais, a quase 300 quilômetros do Distrito Federal. “Meu pai vai para a fazenda para descansar. Eu vou para trabalhar. Passei um ano preparando o gado para esse leilão”, diz Luciana, que durante o evento, além de vender, arrematou um boi para a fazenda e manteve contato com possíveis compradores. Além de Luciana, compareceu ao leilão outro representante da Córrego da Ponte. É Jovelino Carvalho Mineiro, conhecido entre os amigos do presidente pelo apelido carinhoso de “Primeiro-vaqueiro”. É Mineiro quem cuida da engenharia genética do gado presidencial. Rico, dono de três fazendas e 10.000 cabeças de gado, Mineiro conheceu o presidente na França, onde foi seu aluno na Universidade de Sorbonne. Depois de se formar em sociologia e economia, decidiu dedicar-se à agropecuária. A relação entre os dois é tão próxima que Mineiro foi padrinho de dois netos de Fernando Henrique e em todos os aniversários do presidente é seu filho Breno, de 11 anos, quem apaga as velas do bolo. Foi ele quem avisou o presidente do resultado do leilão. “Ele sempre gosta de saber como foi”, diz Mineiro, que após a morte de Sergio Motta comprou a parte da viúva do ex-ministro na fazenda por 100.000 reais.
A Córrego da Ponte participa de leilões há apenas dois anos e, como sua produção é limitada, a venda não é muito grande. Com o sucesso na feira, a meta agora é vender 180 animais por ano. A fazenda pretende estar em dois outros leilões até dezembro. O próximo ocorrerá em setembro, na cidade de Presidente Prudente, também no interior de São Paulo. Além de gado, a Córrego da Ponte produz soja e algodão e o próximo passo é plantar café. “Será um desafio, porque o café vai melhor no solo úmido e o cerrado tem solo seco”, diz Mineiro. Desde que FHC comprou a fazenda, em 1989, ela passou por uma grande transformação. Há dez anos era improdutiva e, nas viagens que fazia em companhia de Serjão, o carro de Fernando Henrique ficava atolado na lama da estrada. Hoje, quando vai a Buritis, a cada quarenta dias, de helicóptero, o cenário que Fernando Henrique encontra é totalmente diferente. “Estamos trabalhando pesado”, afirma Luciana.
Eles chegam voando
Endereço aéreo: fácil, com o GPS
A exemplo do leilão em que foram vendidos os bois do presidente Fernando Henrique Cardoso, os convites para grandes eventos do interior estão diferentes. Além do endereço tradicional, com indicação da estrada a seguir e da quilometragem, eles trazem agora as coordenadas aéreas do local da festa. A novidade surgiu porque, no Brasil rico do interior, há cada vez mais fazendeiros se deslocando com aviões e helicópteros. No leilão, havia fazendeiros com avião próprio oriundos da Argentina.
O endereço aéreo é um ponto preciso no planeta, fruto da fusão de dois números extensos: um referente à latitude (sigla LAT) e outro referente à longitude (sigla Long). Para voar até esse endereço aéreo basta digitar os dois números num aparelho que quase toda aeronave tem, o GPS, sistema de posicionamento global, e traçar a melhor rota para atingi-lo. O GPS “lê” os sinais transmitidos por 24 satélites ao redor do planeta e evita que as pessoas se percam. É mais fácil que chegar por terra.
Repito: não sei se é legal ou não mas, pô, é muita relação próxima envolvida aí, heim? Espero que não seja nada ilegal, pois no caso de a Fapesp ou o governo paulista estarem botando – com os argumentos de estar fomentando umas Parcerias Público-Privadas, por exemplo – alguma grana nessas empreitadas complexas todas, e os beneficiários não estiverem de acordo com as leis referentes, então o Estado estaria dando recursos para atitudes ilícitas, e aí o Gilmar Dantas pode ficar muito puto com isso, e com razão, né? Mais algumas notas para a Ciência:
FAPESP E CENTRAL BELA VISTA LANÇAM GENOMA FUNCIONAL BOVINO
07/05/2003 Internacional
Para o governador Geraldo Alckmin pesquisa representa um salto histórico
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram nesta quarta- feira (07/05) o início do projeto Genoma Funcional do Boi, a primeira iniciativa brasileira na área. Desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica da FAPESP (PITE), o projeto abre novas oportunidades de pesquisa e avança na forma de desenvolver estudos em Genômica, pois realizará, simultaneamente, o seqüenciamento e a análise funcional de genes visando à sua aplicação. O objetivo é identificar genes que possam ser utilizados para desenvolver produtos e tecnologias para aumentar a produção bovina, procurando melhorar a qualidade da carne, a eficiência reprodutiva dos animais e a resistência do rebanho. O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. No lançamento, Carlos Vogt, presidente da FAPESP, José Fernando Perez, diretor científico da Fundação, Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Genoma Funcional do Boi, e Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista Genética Bovina [ aqui também não fala que o Mineiro é compadre do FHC ] explicaram os principais detalhes do projeto. O principal em um projeto como este é a geração de competência, disse Perez, que destacou a importância crescente da biotecnologia como negócio. Meirelles ressaltou a importância econômica do Genoma Funcional do Boi, lembrando que o Brasil detém o maior rebanho de gado de corte do mundo. Este ano, segundo ele, o Brasil deve se tornar o maior exportador mundial de carne bovina, o que aumenta ainda mais a importância do projeto. Este projeto representa um salto histórico, disse o governador Geraldo Alckmin, acrescentando que a pesquisa é de grande relevância econômica para São Paulo e para o Brasil. Vale destacar que o Estado de São Paulo é responsável por 2/3 das exportações brasileiras de carne bovina, disse Geraldo Alckmin. Segundo Jovelino Mineiro, presidente da Central Bela Vista, o projeto do Genoma nasceu do relacionamento entre a Central e a Universidade. O apoio à pesquisa científica e o investimento em tecnologia fazem parte da história da Central Bela Vista. A pecuária é um grande negócio para o Brasil, mas o sucesso comercial depende do conhecimento científico, disse Jovelino. Com um rebanho de 183 milhões de cabeças, as vendas externas de carne bovina em 2002 renderam ao país US$ 1,086 bilhão. Criado a pasto, o boi brasileiro ganhou prestígio lá fora principalmente após a crise da “vaca louca” na Europa e na Ásia. Desde 1999, as vendas para o mercado externo saltaram de 291 mil toneladas para 635 mil toneladas. Este ano, o país deverá abater cerca de 35,5 milhões de cabeças e produzir 7,4 milhões de toneladas de carne. Estima-se que a cadeia produtiva da carne bovina, incluindo insumos, produção animal, indústria, comércio e serviços, seja responsável por cerca de 7 milhões de empregos no país.
Jovelino Mineiro aposta que pecuária brasileira voltará a ser um grande negócio
30/9/2008
Leia entrevista concedida no Anuário DBO de Janeiro 2007
Jovelino Carvalho Mineiro Filho é um dos empresários mais destacados no meio rural quando o assunto é visão empreendedora. Proprietário da Central Bela Vista, de Pardinho, SP ­ que presta serviço na área de inseminação artificial ­ tornou-se, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) ­ pioneiro no desvendamento do genoma do boi Nelore, mapeamento que permite identificar, através de marcadores moleculares, quais genes transmitem características de importância econômica para a produção de carne. Mestre em economia e doutor em sociologia pela Universidade Sorbonne, de Paris, França, Jovelino tem propriedades em Rancharia, no Pontal do Paranapanema [ ahhhh! ] , no extremo oeste de São Paulo, e em Cornélio Procópio, norte do Paraná. É grande produtor de soja em SP, onde também começa a plantar cana-de-açúcar, e selecionador das raças Nelore (mocho e padrão), Brahman e Brangus, com um plantel de 5.000 matrizes registradas. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores Brahman entre março de 2002 e março de 2004, atual diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e do Serviço de Informação da Carne (SIC), conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, Jovelino está convencido de que a precocidade é a última barreira a ser vencida pelo Nelore. Por isso, investiu R$ 1,5 milhão num laboratório montado na Bela Vista para avaliação de qualidade da carne e sua correlação com a genética. “Se o Nelore puder ser terminado rápido e jovem, entre 18 e 22 meses, melhor ficará para o pecuarista, que deve ser um produtor de carne, de filé mignon, de contrafilé. Acho que essa etapa chegou”, diz ele, que também é acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação [ ahhhhhh!! ].
Veja a seguir, a entrevista concedida ao diretor da DBO, Demétrio Costa, e ao editor Moacir José. DBO ­ Como o sr. vê a pecuária brasileira de hoje?
Jovelino – Está acontecendo algo quase esquizofrênico: temos sucessos estrondosos em alguns aspectos e dificuldades quase intransponíveis de outro. É muito dissonante. Nos últimos dez anos, houve uma grande evolução, em todos os aspectos, alavancada pela grande capacidade de empreender do pecuarista brasileiro. Mas com um problema: ninguém pensou para quem venderia a carne. Criou-se um sistema altamente eficiente, com uma idade de abate cada vez menor, que gerou uma superprodução. Só que com uma falta de foco total do produtor.
DBO ­ O grande abate de matrizes nos últimos anos, num processo de ajuste do mercado pecuário, em função também da baixa remuneração da arroba, vai continuar?
Jovelino – Estou convencido de que é preciso enxugar ainda mais o mercado. Hoje o produtor abate matrizes porque tem de pagar suas contas. Se não houver essa pressão contrária à oferta, ele nunca vai ter preço. Se não tem preço, ele não investe. E aí haverá uma redução de oferta pelo pior caminho possível: o sacrifício do próprio produtor. Então, é melhor que ele e as entidades que o representam tenham mais firmeza e decidam por diminuir o rebanho. Todo mundo reclama dos frigoríficos, mas a estrutura deles permite que se aproveitem da situação em alguns momentos de superoferta. Agora, quando o pecuarista vai comprar bezerro para recria e engorda também quer pagar o menor preço possível. O invernista que vai comprar boi magro, idem. Ninguém quer pagar mais caro, então, toda a cadeia tem seus pontos de pressão.
DBO ­ Quem teria de sinalizar para a necessidade de redução do rebanho?
Jovelino – As entidades representativas dos produtores. A CNA, a Sociedade Rural, a ABCZ… A ABCZ, sem dúvida alguma, é a maior entidade representativa da pecuária brasileira. Todas deveriam se ocupar um pouco mais disso.
DBO ­ Mas a imagem mais forte que se tem da ABCZ é a de uma entidade de selecionadores… Jovelino – A imagem é essa, mas o fato não é esse. E estamos lutando para que isso mude. Não queremos ser um clube restrito de criadores. No ano passado, fizemos um encontro interamericano, do qual participaram 11 países vizinhos, para discutir saúde animal, saúde pública. Reunimos toda a cadeia produtiva em Uberaba. Na última Expozebu, houve debates sobre sanidade e outros problemas, e os produtores foram convidados a participar. Então, essa imagem deve ser mudada, porque os selecionadores estão contidos dentro do universo da pecuária.
DBO ­ Não deveria haver uma mobilização maior dos pecuaristas em função dessa crise?
Jovelino – Até por uma questão geográfica, a classe é desunida. Não há uma estratégia permanente. Há apenas uma pontual, como a da acusação de formação de cartel por parte dos frigoríficos (no início de 2005). Também acho que a pecuária é mal representada politicamente. Temos alguns deputados atraentes, mas o conjunto está muito aquém da importância do setor. DBO ­ Sozinha, a ABCZ conseguiria assumir esse papel?
Jovelino – Acho que sim. Ela tem uma grande representatividade, uma grande força política. Além do mais, em 2002, conseguimos reunir entidades representativas dos produtores na Rural Brasil (CNA, ABCZ, OCB, SRB), numa iniciativa do João Sampaio, que presidiu a Sociedade Rural até dezembro último. Continuaremos junto com a CNA­ cujo presidente, Antônio Ernesto de Salvo, por sinal, é diretor da ABCZ ­, mas acho que a ABCZ terá mais atuação na área pecuária. DBO ­ E quanto ao marketing da carne em momentos de superprodução?
Jovelino – Mais do que o marketing, acho que as marcas serão fundamentais. Veja o exemplo da Associação do Nelore, onde o Carlos Viacava que seguramente é um dos dirigentes com maior experiência no segmento ­ conseguiu criar uma marca para o Nelore. Foi um trabalho extraordinário. Antes disso, o pecuarista produzia boi, não carne. Essa mudança de conceito se deve muito a ele. Hoje na presidência do SIC, ele investe no trabalho de mostrar outras maneiras de se comer carne. Com melhor remuneração ao produtor, teremos carne por região. Carne do Pantanal, do Rio Grande do Sul, enfim, com características diferentes. Mas é necessário ter mais articulação. Na Austrália, por exemplo, ninguém produz sem saber se o produto tem comprador, se será vendido.
DBO ­ Para incrementar ações informativas sobre formas de consumo são exigidos recursos, que entidades como o SIC demandam. Há perspectivas de melhora nesse sentido?
Jovelino – Temos ainda a velha idéia de fazer um fundo para o marketing da carne, que é o que SIC precisa. Mas não vejo consistência política para se estruturar isso na cadeia da carne hoje. Estamos tentando, mas é uma luta longa.
DBO ­ Já somos o quinto maior consumidor de carnes do mundo. Dá para crescer mais?
Jovelino – Algumas ações poderiam incrementar o consumo de carne bovina, sem precisar esperar pela melhora na renda. Incluir o corned beef na cesta básica, por exemplo. Países com renda superior à nossa consomem esse produto, um tipo de “superalmôndega”, de altíssima qualidade e preço baixo, que inclusive exportamos. Populações de renda mais baixa poderiam ter acesso a esse tipo de produto, até porque não dá para todo mundo comer churrasco. Temos mecanismos para fazer isso. A introdução de carne industrializada na cesta básica foi sugerida ao ex-ministro Roberto Rodrigues, mas as coisas andam muito lentamente no País.
DBO ­ Mudando um pouquinho para o lado empresarial, a Central Bela Vista previa incrementar em 20% sua capacidade de estocagem de sêmen em 2006. O ano ruim para a pecuária afetou o negócio?
Jovelino – Sofremos também. Mas, como a CENTRAL tem uma política clara de não vender sêmen, apenas oferecer o serviço de coleta e estocagem, o crescimento foi pequeno, menor do que o dos outros anos, mas houve. Porque os criadores querem continuar otimizando sua base genética. Já na área da pesquisa, nossa equipe está em Michigan, EUA, terminando a validação de alguns marcadores moleculares, voltados para precocidade e qualidade de car ne, os grandes desafios da raça Nelore, para cujo enfrentamento estamos tentando contribuir, modestamente. O laboratório de carne vem para certificar, por exemplo, a ausência de resíduos de metais pesados na carne e uma série de outras características que, acredito, serão muito importantes no futuro próximo. Outra iniciativa que tomamos, com apoio da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, foi propor a três grandes frigoríficos que premiassem a carcaça de animais de inseminação. Isso incentivaria a produção dirigida de animais para abate, valorizando o uso de touros comprovadamente melhoradores para a produção de carne. A proposta também foi feita para a Abiec.
DBO ­ Isso vai exigir rastreabilidade…
Jovelino – Com certeza. Acho que se esperneou muito na questão da rastreabilidade, mas os problemas terão de ser superados para implantá-la no País. Porque não se pode pensar num produto com uma maturação de dois-três anos sem um controle rigoroso.
DBO ­ Como o senhor avalia o combate à aftosa no País?
Jovelino – O trabalho que se fez nos últimos anos foi extraordinário. Mas, depois de um período, relaxamos. Não se deu continuidade às políticas, por exemplo, de um Fundepec na década de 90. Estive recentemente na Europa e vi que eles têm claro que o problema da aftosa são as comunidades indígenas que não querem vacinar e alguns assentamentos onde ocorre algo semelhante. Então, de um lado, há um grande esforço, e de outro se relaxa no combate. Os problemas podem ser contornados, porém. As áreas de circulação viral são conhecidas. São só três, até fáceis de serem atacadas. Parece loucura falar isso, mas é verdade. É preciso que o Brasil assuma a liderança desse processo na América do Sul. O Sebastião Guedes, do CNPC, tem feito um grande trabalho de conscientização nesse sentido. É preciso ter vontade política. Dinheiro até existe.
DBO ­ Que caminhos o senhor vê para o pecuarista nos próximos anos?
Jovelino – Sou muito otimista. Acho que carne no Brasil será um grande negócio. A superprodução forçou os preços para baixo, mas houve a contrapartida da melhoria na qualidade do rebanho. Há muita tecnologia aplicada, como FIV, TE etc., técnicas que proporcionam animais com muita carga genética. Se isso continuar ­ o que acredito vá acontecer, principalmente nos zebuínos ­, junto com a redução do rebanho, teremos uma situação bem melhor em termos de remuneração, uma relação de mercado mais equânime.
DBO ­ Por isso o senhor não reduziu os investimentos na central…
Jovelino – Ao contrário, aceleramos. Estamos reunindo o máximo conhecimento possível sobre carne na central. Fizemos o seqüenciamento genético do Nelore, descobrimos uma porção de coisas importantes, mas estamos cautelosos. Temos o compromisso de apresentar essa novidade ao mercado entre março e abril. Vamos fazer um lançamento restrito, com alguns criatórios importantes, para ver como funciona. Não dá para brincar com isso. Não dá para colocar no mercado um marcador molecular que não possa ser validado, auditado e que represente a verdade. A idéia do marcador é democratizar o conhecimento e não restringir o mercado. Ou seja, vou ser remunerado na medida em que eu possa mostrar ao maior número possível de pecuaristas que caminhos eles podem tomar.
DBO ­ Os marcadores serão uma realidade dentro de quanto tempo? Quatro anos, cinco anos? Jovelino – Antes disso. Várias pesquisas em andamento precisam ser validadas cientificamente, mas o Brasil conseguiu, graças aos cientistas da Fapesp, uma capacidade de trabalho importante na genômica, uma sofisticação muito grande nessa área, coisa que poucos países têm. Como temos o maior rebanho comercial do mundo e o envolvimento de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, nesse processo, rapidamente teremos o quê apresentar nessa área.
DBO ­ Essa tecnologia ficará restrita ao “topo da pirâmide”?
Jovelino – Como eu disse antes, o objetivo dessa tecnologia é democratizar a informação. Um criador pode perfeitamente pegar alguns de seus animais, que considera bons e, mandar fazer uma análise de DNA; se ele tiver boa perspectiva, usa esse animal. Não pode virar uma coisa exclusiva de grandes criadores, para ter conseqüência efetiva na carne.
DBO ­ A comercialização de reprodutores e matrizes teve uma mudança acelerada neste último ano. Como participante bem ativo desse mercado, com venda de 1.000 tourinhos por ano, em leilões e na fazenda, como o senhor está observando essa mudança?
Jovelino – Por motivos distintos, houve uma expansão muito grande da oferta de animais de elite. Em parte por causa dos meios de comunicação, com a televisão à frente, que possibilitaram mostrar ao País inteiro vendas diárias de reprodutores e matrizes. Isso gerou uma superoferta, alimentada também por capitais de outros segmentos que entraram na pecuária. Esses capitais não conseguem ser remunerados e saem da atividade, aumentando ainda mais a oferta, em termos de liquidação de plantéis, principalmente. Essa oferta gera um benefício aos pecuaristas, que é o de comprar bons animais a preço baixo, mas gera um desequilíbrio no mercado de seleção, de genética fina, com a ampliação exagerada das possibilidades de venda. Para esse segmento, leilão virou o pior negócio do mundo, porquê o vendedor paga tudo à vista e vende em 14 parcelas. Tem leilões vendendo com 30 parcelas de pagamento. Isso não tem sentido!
DBO ­ Mas não é porque está todo mundo sem dinheiro?
Jovelino – É, mas algumas coisas vão ter de ser negociadas, para que esse mercado continue existindo. Porque ele é importante. Então, há uma certa intranqüilidade por parte dos pecuaristas que vivem da atividade quanto à credibilidade de alguns sistemas.
DBO ­ Intranqüilidade em que sentido? Jovelino – Há uma sensação de que pode haver manipulação de preço. E isso pode ser fatal para o sistema de comercialização. Por outro lado, a estratégia de muitas parcelas para puxar o preço para cima não funciona. Isso não vai continuar por muito tempo. Porque a conta não vai fechar. Haverá muitas liquidações. Porque nesse mercado de genética, se você não ganhar dinheiro com o animal, acabou o negócio. Por isso, a transparência vai ser fundamental. Recentemente estive em Dallas, nos Estados Unidos, onde vi um sistema muito interessante de comercialização de animais. São leilões virtuais de gado de corte, o dia inteiro, com uma mesa operadora, o leiloeiro, os pisteiros e, uma área destinada ao público que circula por ali, sem dar lances, mas assiste e vê o sistema funcionar. Isso dá um grau de confiabilidade muito grande. Algo bem diferente do que vem ocorrendo com nossas leiloeiras… É um mecanismo que pode dar um pouco mais de ordem ao sistema de comercialização. Acho que a Internet também vai ajudar no processo de transparência na comercialização. Na verdade, nem vai ser leilão; a oferta está lá e você compra ou não.
DBO ­ Os leilões físicos vão acabar?
Jovelino – Creio que não, mas a tendência da comercialização virtual é crescente e irreversível. Eu vejo as leiloeiras se direcionando mais para o gado comercial, animais de recria, de engorda e de reprodutores comerciais que vão servir as matrizes que geram esses outros animais, gado que movimenta um volume de recursos muito expressivo no Brasil. O que acabará levando a preços mais realistas. Para o gado comercial a medida vai ser o peso. Acho que estamos numa fase de ajuste.
DBO ­ Esse ajuste dura quanto tempo?
Jovelino – O pecuarista ainda está com problemas financeiros e precisa de tempo para se estruturar. Leva 2007 se arrumando e em 2008 pode ficar melhor. Mas já estamos saindo do fundo do poço.
Texto extraído da Revista ANUÁRIO DBO 2007.

Lembrando que a pecuária é uma atividade altamente, talvez a maior, consumidora de recursos hídricos. Quem também gosta de investir em nelore, são Daniel Dantas, Ivete Sangalo e seu irmão Jesus ( do golpista Cansei ) e outras personagens muito empreendedoras, como Fernando Eduardo Cardoso, sobrinho de FHC. Acho que vou entrar nessa.

janeiro 9, 2008

Catadão: CESP na degola, FAPESP, HC, propina paulistana, Requião e os portos, tucanalha a favor dos bancos, CPMF, IOF, FHC…

Para Fernando Henrique, aumentar IOF é natural
O ex-presidente Fernanado Henrique Cardoso recebeu com naturalidade o pacote anunciado pelo governo Lula na quarta-feira, dia 2.
De acordo com ele, aumentar o IOF era a atitude natural a ser tomada com o fim da CPMF.
“Fiz igual no meu governo, quando não conseguimos aprovar a renovação da CPMF”, afirmou.
Só houve um erro, na sua avaliação, que foi o de o presidente Lula ter insistido na votação da CPMF no fim do ano.
FHC afirma que essa foi uma decisão pessoal de Lula para testar a sua base de apoio no Senado.
Para o ex-presidente, ao perceber que a derrota seria inevitável, o governo deveria ter aumentado provisoriamente o IOF no início deste ano, como acabou fazendo agora, e depois voltado à tona para aprovar a CPMF.
Foi, na verdade, o que o próprio Fernando Henrique fez no início de 1999, quando o seu governo aumentou o IOF por um período de três meses e depois conseguiu aprovar a CPMF.
Ao ser questionado se, de todo modo, era o pai da idéia ( o aumento do IOF ), o ex-presidente respondeu que não tem mais idade para ser pai de ninguém. “No máximo, avô”, completou Fernando Henrique, dando risada.
Publicado em:
Folha de São Paulo, pg. B2, seção “Mercado Aberto”
06 de Janeiro de 2008
Serra anuncia que privatização selvagem começará pela Cesp
O governo do Estado de São Paulo anunciou que vai entregar a Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp), responsável por 60% da produção de energia de São Paulo e por 10% da gerada no Brasil. A Cesp é a terceira maior geradora do país. “Agora é uma questão de tempo, possivelmente no primeiro trimestre de 2008”, disse a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Seli Pena.
Governo de SP acelera entrega do patrimônio privatizando a Cesp
A terceira maior empresa de geração do país é a primeira de uma série de 18 estatais do povo paulista na lista privatista dos tucanos de plantão
O governo do Estado de São Paulo anunciou que vai entregar a Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp) no primeiro trimestre deste ano. Na véspera do Natal, dia 21 de dezembro, sexta-feira, o conselho diretor do Programa Estadual de Desestatização (PED) comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que “recomendou” o governador José Serra (PSDB) a dar prosseguimento aos “estudos” para a privatização da empresa.
“Agora é uma questão de tempo. Assim que for concluída a modelagem para a privatização, vamos realizar o leilão que, possivelmente, sairá no primeiro trimestre de 2008”, disse a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Seli Pena, em entrevista ao jornal “Gazeta Mercantil”, sem precisar a data e o valor mínimo para o leilão.
No dia 23 de outubro, a secretaria estadual da Fazenda havia anunciado a contratação do consórcio liderado pelo Citibank e banco Fator para avaliar, modelar e executar a venda das ações da Cesp em mãos do governo do estado. A participação do governo paulista no capital ordinário da Cesp é de 95,31%, e 43,31% no capital social. O valor da Cesp foi estimado em R$ 14 bilhões.
Sobrevivente do desmonte do setor energético promovido pelos sucessivos governos do PSDB em São Paulo, a Cesp é a terceira maior empresa de geração do país, responsável por 60% da energia produzida no estado e por 10% da gerada em todo o Brasil. A estatal conta com seis usinas hidrelétricas – Primavera, Ilha Solteira, Jupiá, Três Irmãos, Paraibuna e Jaguari – que juntas respondem por uma capacidade instalada total de 7.456 megawatts (MW). A maior delas, a de Ilha Solteira, no Rio Paraná, tem sozinha capacidade instalada de 3.444 MW.
Para se ter uma idéia de sua capacidade, a Cesp gera mais energia do que as duas hidrelétricas projetadas para o Rio Madeira – Santo Antonio e Jirau –, que juntas vão produzir 6,45 mil MW. Além disso, a Cesp já contratou a venda de toda a energia que produzirá até 2012, e conta com créditos fiscais acumulados em torno de R$ 2 bilhões.
Para ser privatizada e, consequentemente, desnacionalizada, o governo do PSDB injetou mais de R$ 5,5 bilhões para “sanar” a estatal. Para tal, a Cesp vendeu R$ 2 bilhões em ações preferenciais classe B no final de julho do ano passado, sendo que a operação de “saneamento” foi iniciada com a privatização da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) por R$ 1,2 bilhão. Também foram emitidos R$ 2 bilhões em debêntures, além da renovação do Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (Fidc) no valor de R$ 650 milhões. A operação foi realizada para abater e alongar o prazo da dívida da Cesp, estimada em mais de R$ 10 bilhões.
A Cesp começou a ser descapitalizada em 1998, quando sofreu um processo de esquartejamento para que o setor energético em São Paulo fosse entregue aos estrangeiros. A estatal foi então dividida em várias empresas para viabilizar a alienação do patrimônio público, sendo elas a Elektro, Cesp Tietê, Cesp Paranapanema, CTEEP e Cesp. Todas as dívidas ficaram com a Cesp, e as demais empresas foram leiloadas sem qualquer ônus para os “investidores” estrangeiros.
O resultado foi que a Elektro caiu nas mãos da Enron em julho de 1998, a Cesp Parapanema açambarcada pela Duke Energy em julho de 1999 e a Cesp Tietê pela AES em outubro de 1999 – as três norte-americanas. Em junho do ano passado foi a vez da CTEEP, entregue à colombiana Interconexión Eléctrica (ISA).
O governador tucano negava sistematicamente que privatizaria a Cesp, assim como outras 17 empresas estatais que restaram em São Paulo e que já foram avaliadas pelo banco Fator, entre elas a Sabesp (saneamento básico e abastecimento de água), Nossa Caixa, Metrô, Imprensa Oficial, CDHU (habitação), CPTM (transporte), Dersa (construção, fiscalização e administração de estradas), Emae (energia), Cosesp (seguros), Cetesb (saneamento ambiental), Prodesp (processamento de dados) e EMTU (transporte).
LUIZ ROCHA
Antonio Neto, presidente da CGTB:
“Tucanos querem alienar o que resta de estatal em SP”
“O que está em jogo não é simplesmente a transferência do patrimônio do setor público para o privado, e sim a eliminação de instrumentos vitais de nosso progresso, de nossos empregos e de nossa soberania”, afirmou Neto
“Privatizar o que ainda resta de estatal no governo de São Paulo – boa parte já foi entregue à iniciativa privada pelas sucessivas administrações tucanas – é a decisão do governador José Serra, que pediu ao Banco Fator uma avaliação das empresas públicas estaduais, ”, afirmou Antonio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e vice-presidente da Federação Sindical Mundial (FSM). No final de 2007, o Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização aprovou a alienação da CESP, que havia sido negada pelo governador.
Neto lembrou que “esse ciclo privatista dos tucanos iniciou-se em 1991 com a implantação do Plano Estadual de Desestatização (PED), sendo que a última empresa pública a ser entregue foi a Cteep (transmissão de energia), em junho do ano passado”. “Ao longo desse desastroso período, as privatizações representaram desemprego em massa, precarização dos serviços públicos prestados à população e a redução drástica da capacidade de investimentos por parte do Estado”, denunciou.
“Fazem parte do pacote de empreses que estão na mira de serem entregues para o setor privado a CESP (energia elétrica), Nossa Caixa (crédito imobiliário, crédito rural etc.), Sabesp (saneamento básico a abastecimento de água), Metrô (transporte), CDHU (habitação), CPTM (transporte), Dersa (construção, fiscalização e administração de estradas), EMAE (energia), Cosesp (seguros), Cetesb (saneamento ambiental), Prodesp (processamento de dados), EMTU (transporte) e até a Imprensa Oficial (gráfica)”, apontou o presidente da CGTB.
Neto alertou que “o Banco Fator é o mesmo, junto com a Booz-Allen, que estabeleceram o preço mínimo de R$ 1,85 bilhão para a entrega do Banespa, quando na época (em 2002) contava com um patrimônio líquido avalizado em mais de R$ 11 bilhões, fora o lucro do ano que era estimado em R$ 1 bilhão. Já para fazer à dita ‘modalidade’ de ‘venda’ das estatais paulista foram pré-qualificados o Citi, o consórcio JP Morgan/Fator e o Merril Linch, responsável pelo edital de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, no qual simplesmente não foram levados em conta as riquezas minerais – ferro, nióbio, bauxita, ouro e um complexo empresarial que englobava 54 empresas”.
Para dar continuidade ao processo danoso de privatização, Neto alertou que “os tucanos tentarão prejudicar o governo Lula, utilizando-se da concessão das rodovias federais. Mas a realidade conspira flagrantemente contra eles, pois o modelo utilizado na área federal, longe de representar uma privatização, estará permitindo a cobrança de tarifas reduzidas de pedágios, bem ao contrário do que acontece em nosso Estado desde que os tucanos espalharam os seus verdadeiros caça-níqueis em praticamente em todas as rodovias estaduais”.
DIFERENÇAS
“A diferença entre as concessões federais e as que ocorrem sob o governo do PSDB é gritante. Apenas para citar um exemplo, basta dizer que, em se tratando de tarifas dos pedágios, de acordo com o levantamento feito pala Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, o custo médio dos pedágios no sistema Anhanguera/Bandeirantes, que liga a capital ao interior é de R$ 0,12 por quilômetro rodado. Já os valores apresentados pelas concessionárias das rodovias federais ficaram em R$ 0,02 por quilômetro”, ressaltou o presidente da CGTB, sublinhando que assim, “mais uma vez o Estado encontra-se ameaçado em sua capacidade de desempenhar, minimamente, o seu papel de propulsor do desenvolvimento, distanciando-se, ainda mais, do papel que cumpriu até o final dos anos 80, quando, em sua esteira, permitiu o surgimento e o fortalecimento de inúmeros segmentos privados”.
“Diante dessa situação não nos resta outra alternativa senão promover uma ampla mobilização de todos os segmentos identificados com o desenvolvimento de São Paulo, em defesa de nosso Estado, pois o que está em jogo, mais uma vez, não é simplesmente a transferência do patrimônio do setor público para o privado, e sim a eliminação de instrumentos vitais de nosso progresso, de nossos empregos e de nossa soberania”, completou Neto.

Incêndio no Hospital das Clínicas: Alerta de risco foi feito em 2006
Administrado pela Secretaria de Estado da Saúde, hospital funcionava sem autorização dos Bombeiros
O incêndio que atingiu o Hospital das Clínicas de São Paulo na véspera do Natal foi um incêndio anunciado. Apesar das investigações sobre as causas do acidente terem apenas começado, as primeiras evidências já revelam o abandono em que se encontra o maior complexo médico-hospitalar da América Latina.
O HC, uma autarquia do Estado, com superintendente nomeado pelo governador e coordenação administrativa da Secretaria de Estado da Saúde, estava funcionando sem autorização do Corpo de Bombeiros e com recomendações técnicas feitas à sua direção de necessidade urgente de reforma em sua rede de energia elétrica e no sistema de combate a incêndio do Prédio dos Ambulatórios, onde ocorreu o incêndio. Segundo lei de 1975, o atestado de segurança dos bombeiros é documento obrigatório para o funcionamento de um prédio como o do HC.
A pedido do Ministério Público, em agosto de 2006, o Corpo de Bombeiros fez uma vistoria no prédio e conclui, em documento assinado pelo coronel João dos Santos de Souza: “Há um risco potencial aos ocupantes da edificação se um sinistro vier a acontecer”.
EMERGÊNCIA
Para o promotor de Justiça Reynaldo Mapelli, do Gaesp (Grupo de Atuação Especial da Saúde Pública) do Ministério Público de São Paulo, “o HC não tinha um plano de emergência para enfrentar incidentes como o incêndio, ele só não terminou em tragédia graças ao heroísmo de profissionais”.
Segundo o engenheiro Lívio Luksys, responsável pela manutenção da Fundação Pró-Sangue, que trabalha no 1º andar do edifício, “os vazamentos de vapor de água, a uma temperatura de 150°C, provenientes da água utilizada em esterilização – capaz de derreter a proteção de cabos elétricos -, eram um problema constante nos andares baixos do prédio dos ambulatórios do HC”.
A direção do Hospital das Clínicas confirmou que estava prevista uma licitação de reforma da subestação de energia, mas que, em outubro, o edital foi adiado, pois precisava de uma revisão.
Os vazamentos já haviam sido denunciados anonimamente por funcionários e o próprio engenheiro Luksys afirmou ter relatado o problema a superiores do hospital.
“Esse era um problema crônico deste lugar. Como às vezes vazava na parte de funcionários, colocávamos tapumes. Mas até o tapume já tinha cozinhado em uma ocasião”, disse o engenheiro.
DESCASO
Para Lídia Correa, presidente da Federação de Mulheres Paulistas (FMP), e membro da executiva do diretório Estadual do PMDB, “o que houve foi um total descaso com a saúde do povo de São Paulo”. Lídia destacou que “o HC é importante para Estado e para o Brasil e é uma referência para a população”. “Chegar a esse ponto, onde a falta de manutenção já havia sido apontada, demonstra a política de desmonte desse governo. Uma parte considerável de hospitais do Estado foram entregues e a cada ano acompanhamos o deterioramento do HC e nenhuma atitude é tomada. É uma falta de compromisso e sensibilidade”, denunciou.
Sem um plano de desocupação previamente estabelecido de como e para onde os pacientes deveriam ser conduzidos, na noite do incêndio a correria e o improviso tomou conta do lugar, com internos removidos às pressas para a rua. Por volta das 22 horas, duas pessoas pularam da janela do primeiro andar. Segundo um dos diretores do hospital, uma enfermeira e um paciente recém-saído de uma cirurgia tiveram apenas ferimentos leves e foram encaminhados a hospitais da região. O paciente Raimundo Azevedo, que estava no prédio dos ambulatórios, faleceu durante o acidente. Segundo sua filha, Cláudia Maria Azevedo, ele pode ter morrido por causa do incêndio: “Faltou energia no prédio. Houve um apagão e tudo indica que faltou aparelho para acompanhar o meu pai”, disse.
A fumaça e a fuligem atingiram todos os andares e danificaram equipamentos.
Somente no primeiro dia útil após o acidente, 1.543 consultas e exames originalmente
agendados para ocorrer no prédio dos ambulatórios foram reagendados. Desde quarta-feira, 26, primeiro dia útil após o fogo, mais de 4.000 consultas e exames foram adiados.
O governador José Serra esteve no local e disse que nada de grave ocorreu. Questionado sobre o fato das portas de emergência do prédio estarem trancadas no momento do incêndio, o governador não respondeu e passou a pergunta ao comandante dos bombeiros presente no local.
ANA BRAIA
Requião destaca que poder público sobre portos é indispensável para o país
“É fundamental que a porta de entrada e saída do país pertença aos brasileiros”
“É fundamental que a porta de entrada e saída do País fique nas mãos dos brasileiros”, afirmou o governador do Paraná Roberto Requião. “E o Paraná mostra ao Brasil que o porto público é mais eficiente que o privado”, destacou ao defender a manutenção dos portos pelo poder público e demonstrando o bom desempenho registrado pelos portos paranaenses. “A receita cambial dos Portos de Paranaguá e Antonina saltou de pouco mais de US$ 4 bilhões em 2002 para US$ 11,8 bilhões em 2007”, informou Requião.
De acordo com o governador, o sucesso obtido nos portos públicos do Estado levou o governo federal à decisão de retirar do Programa Nacional de Deses-tatização (PND) oito companhias docas responsáveis pela administração de portos marítimos e fluviais. “A partir de nossa experiência, o governo federal retirou do programa de privatizações as docas de Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Ceará, Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Espírito Santo. Além disso, resolveu criar companhia pública para gerenciar os portos de Alagoas, a partir do exemplo dos portos do Paraná e de Rio Grande”, comemorou Requião.
Os a-vanços conquistados pelos portos públicos paranaenses são percebidos também pelas categorias de trabalhadores que atuam nos portos. Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), entre os meses de janeiro e novembro de 2007, houve aumento médio de 58,98% nos valores pagos aos 2.878 trabalhadores das seis categorias sindicais que atuam no Porto de Paranaguá. Durante esse período, foram pagos R$ 11,65 milhões aos trabalhadores que dividem-se em estivadores, conferentes, consertadores, arrumadores, vigias e bloco.
Requião destacou também a importância da manutenção pública dos portos para a defesa do território brasileiro e da soberania nacional.
“Começamos 2008 de forma gloriosa. Mostramos que vale a pena ser brasileiro, brigar pelo que acreditamos, conseguindo acumular vitórias. Não são vitórias do Governo do Estado, mas do povo do Paraná e do Brasil. Que o ano todo transcorra com vitórias a favor da nossa gente, do Paraná e do Brasil”, declarou Requião.
José Alencar: “articulistas defensores de juros altos são economistas ligados ao sistema financeiro”
O vice-presidente da República, José Alencar, condenou a “ameaça de articulistas” defensores dos juros altos. Segundo Alencar, esses articulistas “são economistas ligados ao sistema financeiro, que é muito organizado, e que colocam quase como alternativa: ou nós mantemos esses juros ou mais uma vez vamos ter uma inflação violenta no país”.
Crítico dos juros altos promovidos pelo Banco Central, Alencar defendeu o fortalecimento do Conselho Monetário Nacional. “Nunca deixei de condenar. A inflação não era de demanda, não exigia taxas de juros daquele patamar”, disse referindo-se a taxa Selic.
José Alencar destacou que o presidente Lula “é um sujeito ultra-responsável e tem a preocupação com a inflação”. “Eu e Lula nos entendemos muito bem, ele sabe dessa minha encrenca com relação aos juros. Ele nunca me pediu que não falasse. E digo para você, se ele tivesse pedido, eu não falaria mais, mas nunca me pediu”.

Jucá: “se a oposição quer defender o lucro dos bancos, vamos discutir”
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), comentou na segunda-feira a decisão da oposição tucano-pefelista de entrar com ações no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do sistema financeiro. “A oposição tem toda legitimidade de defender os lucros dos bancos”, declarou o peemedebista.
“O governo atuou onde não teria impacto sobre o sistema produtivo, mas é legítimo que a oposição queira defender o lucro dos bancos”, prosseguiu. “Mas só vi político reclamar, banqueiro, não”, provocou Jucá. Ele acrescentou que a atitude da oposição em relação às medidas anunciadas pelo governo para garantir o Orçamento é pura encenação. “Ela vai chiar porque quer visibilidade política”, destacou.
“O governo entendeu que esse era o melhor caminho (aumento na CSLL e no IOF), oneraria menos os setores da economia e fez a proposta. Se a oposição tem outra proposta para apresentar, ótimo, vamos discutir a proposta da oposição também”. “Qualquer partido que queira defender o lucro dos banqueiros, nós viremos para a discussão”, continuou. O DEM/PFL protocolou duas adins (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) no STF contra o aumento da tributação do lucro dos banqueiros.
Jucá explicou que, com relação ao ajuste do IOF, houve uma transferência da cobrança da CPMF para este imposto e lembrou que houve isenção da cobrança do IOF sobre várias operações que atingem diretamente a sociedade, como, por exemplo, a poupança e o financiamento habitacional.
Ele afirmou ainda que continuará negociando com todos os partidos para a aprovação das medidas tributárias e garantiu que apesar do nervosismo da oposição não cortará relações com esses setores. “Mesmo que a oposição esteja magoada, triste, nós vamos fazer carinho na oposição. Não vamos cortar relações”, sinalizou.
Oposição tira férias na praia e o governo age
Planejamento cogita excluir R$ 14 bilhões do superávit primário
Caminho para compensar CPMF inclui taxar bancos e operações financeiras
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o governo poderá usar parte do superávit primário – a reserva para pagar juros – em obras de transporte e saneamento. Com o aumento da taxação sobre o lucro dos bancos e do IOF, incluindo o fim da isenção sobre as remessas de lucros das multinacionais, o governo arrecadaria R$ 10 bilhões. Com o aumento geral da arrecadação, outros R$ 10 bilhões. Com os recursos do superávit, mais R$ 13,8 bilhões. Ao todo, R$ 34 bilhões. Para chegar aos R$ 40 bilhões da CPMF, bastaria uma pequena taxação sobre os especuladores ainda isentos.
Governo quer usar verba drenada para os juros em obras públicas
Ministro do Planejamento disse que o governo vai agir para compensar a perda com a CPMF
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou na segunda-feira que o governo poderá usar uma parte do superávit primário – a reserva orçamentária com a finalidade de pagar juros – para compensar as perdas com a não renovação da CPMF. Em suma, o governo descontaria o Plano Piloto de Investimentos (PPI), cujos itens mais importantes são as obras nas áreas de transporte e saneamento, do superávit primário, colocando recursos antes destinados aos bancos em obras públicas. Desde 2004, depois de negociação com o FMI, as verbas do PPI podem ser subtraídas do cálculo do superávit primário, mas esta é a primeira vez que o governo usaria tal mecanismo – já aventado, no fim de 2006, pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
“Se houver uma execução boa do PPI e não tivermos receitas tão boas, poderemos usar”, declarou o ministro do Planejamento, frisando que havia aumentado a probabilidade do governo lançar mão de parte dos recursos esterilizados pela drenagem do Estado para os bancos.
Bernardo observou que, quanto a cortar R$ 20 bilhões do Orçamento, “todos concordam mas não há entendimento de onde cortar”. Portanto, sem dúvida, é preferível recorrer a outras soluções para o rombo causado pela não prorrogação da CPMF. Como diz o ministro, “o que não dá é para ficar chorando e dizendo que o mundo é cruel. Vamos trabalhar para resolver o problema”.
O custo total das obras do PPI equivale a 0,5% do Produto Interno Bruto – um máximo de R$ 13,8 bilhões, de acordo com as projeções do PIB para este ano. A meta de superávit primário de 2008 é de 3,8% do PIB. Com a dedução do PPI, o superávit primário desceria para 3,3%.
Realmente, nada mais justo que tirar recursos reservados para a especulação financeira e endereçá-los ao investimento em obras públicas, ou seja, colocá-los a serviço do aumento do emprego, da renda e do crescimento do país.
Da mesma forma, o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos, de 9 para 15%. Que setor lucrou mais – e mais indecentemente, isto é, de forma parasitária – nos últimos anos do que os bancos?
Quanto ao aumento do Imposto sobre as Operações Financeiras (IOF), o governo agiu corretamente ao estabelecer um adicional de 0,38% em geral. O IOF tem alíquotas diferentes dependendo da operação. Por exemplo, a empresa que adquiria um imóvel comercial pagava 1,5% – e passará a pagar 1,5% mais 0,38%. É verdade que as “pessoas físicas” tiveram um aumento de 1,5% para 3% (mais o adicional de 0,38%) enquanto as empresas ficaram em 1,5% (mais o adiconal 0,38%). Mas também é verdade que as operações financeiras das empresas não se equiparam, pelo montante e freqüência, às das “pessoas físicas”.
É sintomático que a oposição queira fazer escândalo em torno desse aumento, e pela forma como foi feito, por decreto. Quando ela estava no governo, Fernando Henrique aumentou o IOF quando a prorrogação da CPMF atrasou – e por decreto. Todos esses cavalheiros apoiaram esse aumento e a forma como foi feito. Mas, agora, o presidente é Lula – e eles passaram a achar o contrário do que achavam anteontem…
O que, aliás, aconteceu com a própria CPMF – e não há dúvida sobre quem são os responsáveis pelo aumento do IOF: aqueles que impediram que a CPMF fosse prorrogada. Naturalmente, esperavam que Lula fosse obrigado a cortar os programas sociais e os recursos para a saúde. Agora, reclamam porque essa não foi a opção do presidente, que preferiu aumentar a taxação sobre os lucros dos bancos e acabar com a isenção de IOF nas remessas de lucros das multinacionais. Mas é evidente que aprontariam uma presepada se a opção do presidente fosse cortar programas sociais – aliás, só estavam esperando isso.
A grande novidade do IOF é o fim de uma série de isenções. O governo manteve as isenções definidas na lei, mas acabou, com uma única exceção importante, com as “alíquotas zero”, que na prática eram a mesma coisa que isenções, apesar de não definidas pela lei. Assim, todas as operações financeiras que tinham zero de alíquota passarão a pagar 0,38% de IOF. A principal das isenções que acabaram, é a alíquota zero da remessa de lucros ao exterior das multinacionais, agora taxada em 0,38%. Ainda é pouco, considerando o montante de remessas e o seu caráter predatório para a economia do país, mas já é um começo: era uma formidável injustiça que qualquer cidadão tivesse que pagar IOF, enquanto as filiais de multinacionais eram isentas quando remetiam lucros fabulosos para suas matrizes.
A exceção importante foi o investimento especulativo estrangeiro em Bolsa de Valores. O governo manteve a alíquota zero. Imediatamente apareceram uns elementos, desses que limpam as pantufas do Civita na redação da “Veja”, reclamando que é injusto o investimento direto estrangeiro (compra de mais de 10% das ações de uma empresa) pagar o IOF e o capital especulativo estrangeiro da Bolsa ficar isento. Pois bem, nesse caso estamos de pleno acordo com eles – mas não com a solução deles, que é a de isentar também o investimento direto estrangeiro. Propomos que, para acabar com isso, também o capital especulativo bursátil seja taxado. Vamos acabar com as injustiças, ora essa!
Com o aumento da CSLL dos bancos mais o aumento da alíquota do IOF, o governo projeta uma arrecadação de R$ 10 bilhões. Com o aumento geral da arrecadação, outros R$ 10 bilhões. Para cobrir o rombo de R$ 40 bilhões com o fim da CPMF, o governo, a princípio, pensou em cortar gastos – custeio e investimento – do Orçamento no valor de R$ 20 bilhões.
O problema é, como disse o ministro do Planejamento, onde cortar. Sem dúvida, cortar os reajustes salariais do funcionalismo – inclusive aqueles já acertados com os servidores públicos – é uma idéia muito boa para o ex-PFL e o PSDB. O governo puniria o funcionalismo por aquilo de que não é culpado, o fim da CPMF, enquanto os verdadeiros culpados receberiam como presente um vasto e ressentido caldo de cultura para a demagogia – tanto a golpista quanto a eleitoreira. Da mesma forma, o corte de emendas das bancadas e dos parlamentares da própria base governista – que sustentaram a CPMF até o final – serviria para explodir a base parlamentar do governo, e só para isso.
Se houve alguém no governo pensando que isso seria alternativa, acreditamos que foi um pensamento fugidio, passageiro, e, talvez, vadio. Pior que isso, só cortar os programas sociais e as verbas para a saúde, principais setores afetados pela não prorrogação da CPMF. Em suma, seria tudo o que a oposição e a mídia golpista querem.
Portanto, o ministro Paulo Bernardo tem razão ao se preocupar em criar outras alternativas. Uma delas é o mencionado abatimento dos recursos do PPI do superávit primário. Só com isso, já estaríamos com R$ 34 bilhões garantidos sem precisar de corte algum no Orçamento.
A outra alternativa que nos parece muito interessante é, como já mencionamos, a cobrança do IOF sobre o capital especulativo estrangeiro que entra nas Bolsas. Aliás, há outra injustiça que precisa acabar: o especulador brasileiro – há alguns ainda – é obrigado a pagar IOF por suas operações na Bolsa. O estrangeiro, não. É isento. Sua alíquota é zero. Pelo menos alguma isonomia, para não falar de igualdade, há que se ter entre os especuladores.
E, mais ainda, alguma isonomia é preciso que exista entre os especuladores estrangeiros e a população em geral, que paga IOF, IR e mais 72 tributos – federais, estaduais e municipais – para sustentar o Estado e o país, enquanto os que somente saqueiam o Estado e o país ficam livres de impostos. Além do que, com isso, os ministros não terão que quebrar a cabeça imaginando onde cortar o Orçamento – ou pensando em como farão para resistir aos cortes.
CARLOS LOPES
Notícias publicadas em:
HORA DO POVO
ed. 2631
09 e 10 de Janeiro de 2008
Celso Lafer toma posse na FAPESP
( OBS: antiga, mas fiquei sabendo hoje, e achei que valeria um registro aqui em nosso blog )
26/09/2007
Agência FAPESP
Celso Lafer tomou posse na quarta-feira (26/9) como presidente da FAPESP, em cerimônia realizada na sede da Fundação, na capital paulista. O professor titular do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) foi nomeado pelo governador José Serra para um mandato de três anos.
Além do governador, estiveram presentes à cerimônia Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, José Carlos Vaz de Lima, deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa, Carlos Vogt, secretário do Ensino Superior e ex-presidente da FAPESP, Alberto Goldman, vice-governador e secretário de Desenvolvimento e Aloysio Nunes Ferreira Filho, secretário da Casa Civil, entre outras autoridades.
De acordo com o crítico e ensaísta Antonio Candido de Mello e Souza, também presente, do qual foram alunos tanto Lafer como Vogt, a excelência da FAPESP se reflete nos nomes escolhidos para presidir a instituição.
“O professor Celso Lafer é um dos maiores intelectuais brasileiros e um homem com um profundo senso do serviço público. Com essa qualidade e com sua competência científica, ele é um nome ideal para a Fundação”, disse à Agência FAPESP.
Em seu discurso de posse, Lafer enfatizou a importância da Fundação paulista na comunicação entre a cultura literária e humanística e a cultura científica. “Um dos extraordinários méritos da FAPESP, desde a sua criação, é ser o locus por excelência do encontro das duas culturas. Com efeito, o seu objeto de trabalho é o avanço, com rigor, do conhecimento em todas as áreas: ciência, tecnologia, artes, literatura, filosofia, ciências humanas”, disse.
José Serra ressaltou que o mandato do lingüista e poeta Vogt expressa de forma destacada a ponte entre as duas culturas. Para ele, o perfil de Lafer, “que compatibiliza vivência intelectual e uma notável visão prática do mundo”, é o ideal para dar continuidade às conquistas da instituição e enfrentar novos desafios.
“Um importante desafio para a FAPESP, com base em sua autonomia e experiência, é o de, simultaneamente, enfatizar a pesquisa básica, que constrói o futuro explorando e desenvolvendo possibilidades, e a pesquisa aplicada, que deve ter, cada vez mais, impacto social e econômico”, disse o governador.
Kassab ressaltou que a escolha do novo presidente é coerente com a importância dada pelo governador ao conhecimento e à educação. “A nomeação de Celso Lafer não poderia ser mais feliz, por seu currículo, por sua experiência, por seu preparo e por sua biografia. A FAPESP, ao longo da história do país, tem estado presente em todos os grandes momentos da pesquisa e ele dará continuidade a essa excelência”, disse.
O novo presidente destacou ainda o papel da Agência FAPESP e da revista Pesquisa FAPESP na promoção do acesso à multiplicidade de conhecimentos que envolvem a instituição. “Os dois veículos dão uma significativa contribuição para conscientizar a opinião pública do relevante e indispensável nexo entre as áreas do conhecimento no mundo contemporâneo”, disse.
Segundo Lafer, a chave da qualidade e do bom funcionamento da FAPESP está alicerçada em três fatores: a autonomia, o repasse de recursos realizado com pontualidade pelo Poder Executivo e a interação constante e em rede da Fundação com a comunidade acadêmica.
“É essa interação que sustenta a qualidade que caracteriza o exercício da autonomia da FAPESP, que é feito com todo o rigor dos melhores padrões do conhecimento. É com esse rigor e seriedade que a Fundação executa o seu orçamento e que tem feito o sucesso da pesquisa em São Paulo – sucesso de inquestionável irradiação nacional e internacional”, afirmou.
Lafer foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (1999) e ministro das Relações Exteriores em duas ocasiões, em 1992 e de 2001 a 2002, além de embaixador do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e embaixador do Brasil junto à Organização das Nações Unidas, de 1995 a 1998.
Doutor honoris causa da Universidade de Buenos Aires (2001) e da Universidade Nacional de Córdoba (2002), na Argentina, recebeu, em 2001, o Prêmio Moinho Santista na área de Relações Internacionais. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências, eleito em 2004, e da Academia Brasileira de Letras, eleito em 2006.
O discurso de posse de Celso Lafer na presidência da FAPESP pode ser lido em:
www.fapesp.br/publicacoes/lafer_discursoposse1.pdf
Serra nomeia dirigentes da FAPESP
22/11/2007
José Arana Varela, Ricardo Renzo Brentani, Joaquim José de Camargo Engler e Carlos Henrique de Brito Cruz são escolhidos para mandatos de três anos Em decreto publicado no Diário Oficial de São Paulo de 22 de novembro de 2007, o governador José Serra nomeou o novo vice-presidente e os dirigentes da FAPESP para os próximos três anos.
Os nomes foram escolhidos a partir de listas tríplices encaminhadas ao governador no dia anterior pelo secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt, e pelo presidente da FAPESP, Celso Lafer. As listas foram anunciadas no mesmo dia pelo Conselho Superior da Fundação.
José Arana Varela foi escolhido para exercer a função de vice-presidente da Fundação. Professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, Varela foi diretor da Associação Brasileira de Cerâmica, da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais e da Sociedade Brasileira de Materiais. Integra diversos conselhos de instituições internacionais, como a Academy of Ceramics, o International Institute for the Science of Sintering e a American Ceramic Society.
Ricardo Renzo Brentani foi nomeado diretor-presidente, em recondução a partir do término de seu mandato, em dezembro. Professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Brentani é diretor presidente do Hospital do Câncer A.C. Camargo e coordenador do Centro Antonio Prudente para Pesquisa e Tratamento do Câncer, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da FAPESP. Foi diretor do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer.
Joaquim José de Camargo Engler exercerá a função de diretor administrativo, em recondução, a partir de fevereiro, quando termina o seu atual mandato. Professor titular do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), Engler foi diretor da Esalq, coordenador da Comissão de Especialistas de Ensino de Ciências Agrárias do Ministério da Educação, coordenador de Administração Geral da USP, coordenador e prefeito do campus da USP em Piracicaba, diretor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e chefe de gabinete do reitor da USP.
Carlos Henrique de Brito Cruz foi nomeador para o cargo de diretor científico da FAPESP, em recondução a partir do término de seu mandato, em abril. Professor titular no Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brito Cruz foi presidente da FAPESP de 1996 a 2002 e reitor da Unicamp de 2002 a 2005. Foi diretor do Instituto de Física Gleb Wataghin e pró-reitor de Pesquisa da Unicamp.
Notícias publicadas em:
Agência FAPESP
Investidores imobiliários, histórias estranhas – e solenemente ignoradas pelo imprensalão – envolvendo incorporadoras, lançamentos não autorizados pela Prefeitura de São Paulo e pagamento de propinas.
Pré-lançamentos em xeque
Incorporadoras que estão lançando empreendimentos sem a devida aprovação na prefeitura paulistana devem ficar atentas. A venda de unidades é ilegal, alerta uma consultoria jurídica. O pior é que algumas empresas chegam a denunciar concorrentes ao Poder Público para atrasar os empreendimentos. Um fornecedor de materiais de construção confirma a onda de pré-lançamentos: “Temos dificuldades para faturar as vendas, pois, sem a aprovação, oficialmente o endereço de entrega não existe”.
Desaprovação de projetos?
Segundo uma assessoria fiscal paulista, um de seus clientes na área de incorporação de imóveis teria se surpreendido com o motivo para a demora na aprovação de um de seus empreendimentos residenciais. Depois de consultar algumas fontes, teria descoberto que uma incorporadora, com lançamentos na mesma região, pagara propina [ grifo do blog ] para atrasar a aprovação do projeto do seu cliente na prefeitura.
Publicadas em:
Revista Construção e Mercado, seção “EM OFF”
ed. 77, pg.29
Dezembro de 2007
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