ENCALHE

julho 7, 2008

Comemorando o 9 de Julho: Dono do "Estadão" propôs Ato Institucional que assustou até mesmo os generais da ditadura!!

O artigo a seguir foi extraído de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista” ( pág 269 a 271 ) de Jasson de Oliveira Andrade, tendo sido publicado, anteriormente em “O Regional” em 24 de janeiro de 2003. Mais abaixo, Jasson comenta a “Moção de Aplausos” a seu livro, recebida junto à ALESP, por iniciativa do deputado Simão Pedro ( PT ). Pelo trecho a seguir, pode-se vislumbrar o valor da obra de Jasson.
A censura do “Estadão”
O “Estadão”, designação adotada pelo próprio O Estado de São Paulo, foi perseguido por Getúlio Vargas, então ditador ( Estado Novo ). Houve mesmo intervenção no jornal. Os Mesquita, seus proprietários, se exilaram. Muitos anos depois, Júlio Mesquita Filho tornou-se líder civil do Golpe de 64.
No início da ditadura militar, segundo Élio Gaspari no seu livro A Ditadura Envergonhada, “foram inúmeras as propostas de demolição das franquias constitucionais”. Entre elas – revela Gaspari – “uma vinha do jornalista Júlio Mesquita Filho, proprietário do O Estado de São Paulo. Redigida com a colaboração do advogado Vicente Ráo, catedrático de Direito Civil da Universidade de São Paulo e ministro da Justiça no Estado Novo ( Vargas ), foi a primeira a chamar-se Ato Institucional. Sugeria a dissolução do Senado, Câmara e assembléias legislativas, anulava o mandato dos governadores e prefeitos, suspendia o habeas-corpus e pressupunha que seria o primeiro de uma série” ( pág. 122 ). Uma contradição: o colaborador dele serviu ao governo do algoz ( Getúlio Vargas ) de sua família! O Ato não foi adotado: era muito autoritário!
O Ato Institucional sugerido pelo dono do “Estado” foi seguido pelo AI-5, em 13/12/1968, instituindo a censura no Brasil. Entre os censurados, os jornais dos Mesquita!
No dia 11/12/2002, na matéria “Júlio de Mesquita faria 80 anos hoje ( Memória )”, O Estado de São Paulo prestou uma homenagem póstuma ao ex-diretor, falecido a 05/06/1996. Nela há um relato que merece transcrição: “Submetido à censura prévia pelo Ato Institucional nº. 5, o ‘Estado’ publicava trechos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, nos espaços reservados às informações e reportagens vetadas… No Jornal da Tarde, os leitores encontravam receitas de doces e bolos. Essa foi a saída que os dois jornais encontraram para escapar à autocensura que nunca aceitaram”.
Outra revelação do jornal: “Intimado a prestar depoimento num inquérito policial militar ( IPM ), Júlio Neto respondeu a um curto interrogatório que ficou antológico na história do governo Médici”.
- O senhor é diretor-responsável do jornal O Estado de S.Paulo?
- Não, respondeu o jornalista.
- Então, quem é?
- O ministro da Justiça, professor Alfredo Buzaid, que todas as noites tem um censor na tipografia do jornal.
Um Ato Institucional proposto pelo pai de Júlio Mesquita Neto – o de nº. 5 – atingiu também o “Estadão”, censurando-o. Era o feitiço contra o feiticeiro! Outros “revolucionários” também foram punidos. Mas essa é outra história.
Meu livro: Moção do deputado Simão Pedro
Jasson de Oliveira Andrade
O deputado Simão Pedro apresentou uma Moção de Aplausos ao livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, sob o Nº 37, datado de 28 de maio de 2008 e que foi publicada em 6 de junho. A Moção tem o seguinte teor: “O Livro Golpe de 64 em São João da Boa Vista idealizado por Francisco de Assis Martins Bezerra – editor e por Jasson de Oliveira Andrade – autor relata momentos importantes da história política de São João da Boa Vista. Embasado em pesquisas e fatos vivenciados, o autor Jasson de Oliveira Andrade, ex-preso político, relata os acontecimentos que precederam o Golpe militar de 1964 e os efeitos do mesmo sob o enfoque local, permitindo que a população de São João da Boa Vista conheça sua história e os principais protagonistas que refletiam as forças políticas da época e os interesses representados em seu município.
Esta brilhante e corajosa obra literária permite que conheçamos melhor a história deste importante município paulista, para que possamos entender a atualidade e assim, buscar maior desenvolvimento cultural, social e até mesmo econômico.
A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO, aplaude os Senhores Jasson de Oliveira Andrade -autor e Francisco de Assis Martins Bezerra – editor pelo importante trabalho histórico-literário que resultou na publicação do livro Golpe de 64 em São João da Boa Vista que tornou acessível a todos, as circunstancias e fatos que envolveram este período sombrio da história de nosso país, sob um corajoso enfoque local que permite identificar as forças políticas e interesses da época, compará-los aos dias de hoje e estimular o surgimento de novas lideranças” .
A iniciativa do deputado petista reflete a repercussão que obteve o livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, confirmando a boa venda dele em São João (PAPYRUS) e em Mogi Guaçu (LIVRARIA NOBEL). Recebi também mensagens de elogios ao livro. Entre outras, destaco duas. Uma da escritora sanjoanense Yola Oliveira Azevedo, autora de A RECONQUISTA. Outra do professor Messias Prado, que leciona em Mogi Guaçu.
Yola assim se manifestou: “Acabei de ler seu livro – com muita atenção”.
“É excelente – tanto pela redação como pelo cuidado ao mostrar documentos que comprovam abusos incríveis de supostas “autoridades” – armadas – na época. Há momentos chocantes, tristissimos, que muito me comoveram”.
Parodiando Drummond – temos de lembrar para nunca esquecer”.
O professor Messias, de Mogi Guaçu, escreveu: “Terminei de ler seu excelente livro. Realmente é um registro de eventos que não devem mais acontecer… Interessante que, à medida que vamos lendo, vamos nos identificando e adquirindo simpatia com alguns personagens, enquanto em relação a outros nossos sentimentos são de raiva e em alguns momentos passamos a detestá-los. Enfim, como já cantaram Plabo Milanês e Chico Buarque:
“E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória?
A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue.”
(Cancion por la unidad de Latino América)
Obrigado por nos passar sua experiência e sua vivência através de importante registro em livro.”
Esses depoimentos, e outros que recebi, mostram que valeu a pena escrever GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é sanjoanense e jornalista em Mogi Guaçu.
Postado em: 01/07/2008
Portal Mogi Guaçu

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