ENCALHE

novembro 8, 2007

Com 45,9% da BRA, estrangeiros levam empresa aérea à bancarrota

Nesta quarta-feira, a empresa aérea BRA anunciou a suspensão “temporária” de suas atividades, cancelando todos seus vôos e seus 1.100 funcionários entraram em aviso prévio de 30 dias a partir da terça-feira. De acordo com Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, o sindicato sequer foi comunicado oficialmente sobre a decisão da empresa: “Não sabemos quem está respondendo pela empresa. A gente desconhece quem está no comando”. Ela defendeu a intervenção do Estado para salvar a empresa.
Fundada em 1999 pelos irmãos Humberto e Walter Folegatti, a BRA dedicava-se inicialmente a vôos charter. A partir de 2005, passou a operar em vôos regulares, atingindo neste ano 4,6% do mercado da aviação civil. No final do ano passado, foi tomada por bancos e agiotas estrangeiros agrupados na Brazil Air Partners, sediado nas Ilhas Cayman, que tem entre seus representantes a Gávea Investimentos, de Armínio Fraga – ex-presidente do Banco Central no governo de FHC e sócio do megaespeculador George Soros. A Brazil Partners Ltd é formada pelo Bank of America, Darby, BBVA, Development Capital, Goldman Sachs, HBK Investments e Millennium Global Investments.
Na época, o dito fundo adquiriu 20% do capital da BRA por R$ 180 milhões com a promessa de novos investimentos, que não ocorreram. Nos últimos meses, a empresa começou a passar por dificuldades financeiras e operacionais, comprometendo a manutenção das aeronaves e o serviço de bordo.
Com o controle da empresa nas mãos, a Brazil Air Partners condicionou realizar investimentos à renúncia de Humberto Folegatti da presidência da empresa, o que ocorreu no início deste mês. Apesar de a legislação brasileira limitar a participação estrangeira na aviação civil, parecer favorável da Advocacia Geral da União, de 13 de fevereiro deste ano, mostra que “a operação consiste no ingresso de investidores estrangeiros no capital da BRA, após sua transformação em uma sociedade por ações e redistribuição de seu capital para refletir o ingresso da BAP Participações, sendo essa última uma holding sediada nos Estados Unidos e controlada integralmente pela holding Brazil Air Partners Ltd., sediada nas ilhas Cayman. Destacam que por força de resultado de Assembléia Geral Extraordinária da BRA, a BAP Participações e a F&F permutaram participações societárias de modo que aproximadamente 16% das ações da BRA passaram a ser detidas pela BAP Participações, além da possibilidade de subscrição integralização de ações da BRA em 15.01.07 e 23.12.07 que conferem à BAP uma participação equivalente a 20% do total das ações ordinárias com direito a voto e 71,8% das ações preferenciais, sem direito a voto, totalizando 45,9% do capital social da empresa, colacionando aos autos fotocópia do Acordo de Acionistas, datado de 11.12/2006, objeto de autuação em apartado revestido de confidencialidade”.
HORA DO POVO
ed. 2618
09 a 13/11/07

outubro 11, 2007

Falências registram 9ª queda consecutiva no ano

Os pedidos de falências de empresas registraram a nona queda consecutiva no ano, segundo levantamento da Serasa. Os requerimentos tiveram queda de 57% em setembro de 2007, quando comparado a setembro de 2006, em todo o país, noticiou a Folha Online.
De acordo com o levantamento da Serasa, houve 181 pedidos de falência no nono mês deste ano, ante 421 no mesmo período do ano passado.
As falências decretadas também recuaram em setembro de 2007. Foram registrados 125 decisões em todo o país contra 141 no mesmo mês de 2006. A queda foi de 11,3%.
De janeiro a setembro, foram requeridas 2.141 falências, em todo o país, enquanto nos nove meses de 2006, o total de requerimentos foi 3.205, o que significou um recuo de 33,2%.
No acumulado dos nove meses de 2007 também houve queda no volume de falências decretadas. O decréscimo foi de 25,2% no período, sendo que de janeiro a setembro deste ano, foram decretadas 1.175 falências, contra 1.570 no acumulado do ano passado.
Quanto às recuperações judiciais requeridas, foram 208 nos nove meses de 2007, ante 190 no mesmo período de 2006, representando uma alta de 9,5%. As deferidas totalizaram 152 no acumulado de janeiro a setembro de 2007. No ano passado, houve 118 deferimentos. A alta foi de 28,8% no período.
Segundos os técnicos da Serasa, os fatores que proporcionaram a queda das falências e o aumento das recuperações no período foram o crescimento da atividade econômica, determinado pelo bom desempenho da indústria e do comércio, e a recuperação do agronegócio, que elevou a rentabilidade das empresas do setor.
PEGN
10/10/07

outubro 3, 2007

Escândalo na aviação. Ministro sabia?

Filed under: Airbus, AMF, EADS, escândalo financeiro, falência, França — Humberto @ 6:46 pm
Cúpula da EADS é acusada de uso de informação privilegiada
Crescem as especulações sobre atos ilícitos no conglomerado aeroespacial e armamentista EADS. Relatório da organização francesa AMF revela informações comprometedoras.

O organismo de controle do mercado financeiro na França (AMF) entregou à Procuradoria Geral nesta quarta-feira (03/10) um relatório provisório de suas recentes investigações. Segundo informantes da Justiça francesa, o documento cita uma venda de ações “simultânea e intensa” por parte de 21 executivos do consórcio aeronáutico EADS e de sua subsidiária Airbus, entre novembro de 2005 e março de 2006. Os dois grandes acionistas Lagardere e DaimlerChysler também foram mencionados no relatório, cuja divulgação contribuiu para uma inquietação visível nos mercados financeiros.
Informação tardia
O diário parisiense Le Figaro noticia que a AMF (Autoridade de Mercados Financeiros) acusa os altos executivos tanto da EADS quanto da DaimlerChrysler e da Lagardere de terem recorrido à informação privilegiada, para faturar milhões com a venda das ações da EADS, antes que os problemas de produção do Airbus A380 se tornassem públicos. O mercado, neste momento, não havia sido informado sobre a crise do A380.
O uso ilícito de informação privilegiada é punido com multas e pagamento de indenização por perdas e danos. Principalmente as ações da Lagardere despencaram após a divulgação do relatório. A direção da empresa anunciou que vai tomar medidas jurídicas contra “as acusações infundadas”. O presidente da EADS, Louis Gallois, afirmou que “confia na Justiça” e a Airbus se negou a comentar o assunto.
Ganho fácil
O que está por trás do escândalo é supervalorização das ações da EADS – que chegaram a atingir os 35 euros –, ocorrida no primeiro semestre de 2006, em função das expectativas em torno do Super Airbus A380. E a queda rápida das mesmas ações após a divulgação dos problemas com a produção da aeronave. Quando a questão veio à tona, no dia 14 de junho de 2006, as ações da EADS se desvalorizaram em quase 27% num único dia. Hoje, estão avaliadas abaixo de 22 euros. Antes da queda, a Lagardere e a DaimlerChrysler venderam suas ações. O mesmo aconteceu com vários executivos do alto escalão, que lucraram absurdamente com a venda das ações “na hora certa”. No início de julho, o então vice-presidente da EADS, Noel Forgeard, teve que deixar o cargo em função de problemas com o A380. A AMF deve dar início a um processo contra os acusados, por uso ilícito de informações em proveito próprio. Já em junho de 2005, o Conselho Administrativo da EADS havia informado a respeito de problemas na produção das aeronaves A350 e A380.
“A consciência a respeito das dificuldades levou os executivos e acionários da Airbus e da EADS a venderem suas ações”, resumem os investigadores da organização AMF. “Se os fatos forem realmente comprovados, eles são extremamente comprometedores para os acusados”, diz Jean-Pierre Jouyet, encarregado de assuntos europeus no Ministério francês do Exterior.
Ministro informado
Além da AMF, também a Procuradoria de Paris investiga o caso há quase um ano, informa o Le Figaro. Segundo o jornal, a AMF aponta que o então ministro francês das Finanças, Thierry Breton, sabia de tudo. Ao ser confrontado com a acusação, Breton afirma apenas que o Estado francês se posicionou de forma correta, não tendo vendido nenhuma ação da EADS ou da Airbus.
DW
03/10/07

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