ENCALHE

julho 23, 2008

Diplomacia espacial

Diplomacia espacial
Discussão sobre a validade do envio de mensagens ao espaço para travar contato com extraterrestres
Ciência Hoje, ed. 249
Junho 2008
O projeto Pesquisa por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem por objetivo buscar sinais de inteligência fora de nosso planeta. Os principais instrumentos utilizados por sua equipe são radiotelescópios que varrem o universo – já há algumas décadas – em busca de sinais que indiquem a existência de civilizações, em algum ponto do espaço exterior, que desejam se comunicar. Até o momento o estudo não rendeu resultados animadores, mas a pesquisa prossegue. Mais recentemente, os radioastrônomos ligados ao projeto e impacientes com a demora na obtenção de resultados ponderaram que talvez não seja suficiente permanecer em um papel passivo, de rádio-escuta, apenas recebendo e analisando os sinais. Seria melhor, segundo eles, tentar enviar mensagens a supostos extraterrestres. Essa postura mais ativa (o novo programa é chamado, em inglês, de Active Seti) teria a vantagem de selecionar regiões que sabidamente têm sistemas planetários que poderiam abrigar vida inteligente.


Uma das estratégias atuais para identificar eventuais sinais transmitidos por civilizações extraterrestres é o uso de radiotelescópios que captam sinais de rádio, como os da imagem acima, instalados no Novo México (EUA).

Devemos lembrar que há muito tempo foram enviados ao espaço sinais de rádio e de televisão, mas estes, além de fracos, têm um conteúdo heterogêneo e duvidoso em termos de comunicação intergaláctica. A idéia de transmitir sinais, porém, não agradou a todos os cientistas. Para alguns, existe certa dose de risco, pois as mensagens, se captadas, poderiam não agradar aos ‘ouvintes’. Os argumentos usados apóiam-se principalmente na suposição de que, apesar de nossas fraternas intenções, não se pode prever como os alienígenas reagiriam ao estímulo. Tal preocupação foi resumida na declaração de certos participantes de um congresso realizado em 2006 em Valência, na Espanha: “Não há garantia de que todas as civilizações extraterrestres serão benignas, e de que, mesmo que o contato fosse feito com uma civilização pacífica, não houvesse repercussões graves.” Isso foi dito seriamente e os demais cientistas reunidos acataram o aviso. Portanto, ainda não há transmissões, pelo menos oficiais, que possam agilizar o tão desejado encontro.

Inversão do problema

Qual a razão por trás dessa cautela exagerada? Para tornar a situação um pouco mais concreta, vamos inverter o problema. Um belo dia, chega à Terra uma mensagem genuinamente extraterrestre. Depois de compreender a sintaxe, traduzir e interpretar o texto, concluímos que existe ali causa para incômodo. Após as infinitas discussões de praxe, alguém pode acreditar que optaríamos por organizar uma expedição até a fonte da mensagem para tirar satisfações pessoalmente? Nesse caso, a missão teria que dispor não só da tecnologia adequada a essa epopéia, mas também de uma tripulação ( incluindo seus descendentes ) preparada para passar milênios viajando. Para exemplificar, digamos que a mensagem tenha partido da região de Proxima Centauri, a estrela que fica mais perto do Sol e do sistema que abriga a Terra. Só a viagem de ida até essa estrela, que, segundo os astrônomos, provavelmente não tem à sua volta um sistema de planetas, demoraria 23 mil anos. Isso, em termos humanos, representaria quase mil gerações, muito mais que as registradas desde as primeiras civilizações humanas, na Mesopotâmia. Seguramente esse intervalo seria suficiente para o esquecimento de qualquer desavença ou incidente diplomático. E se o planeta causador da discórdia estivesse a duas vezes essa distância? Risível, não? Há que considerar ainda a possibilidade de que uma das civilizações envolvidas no qüiproquó tenha se extinguido nesse intervalo. O fato é que as distâncias envolvidas proíbem qualquer averiguação direta, a menos que as velocidades das espaçonaves possam atingir valores muito maiores que aqueles com os quais os físicos e engenheiros trabalham atualmente. O mais curioso é constatar que uma espécie dita inteligente como a nossa – que, em sua grande maioria, não se preocupa muito com o próprio planeta – possa expressar tamanho tato para com mundos ainda desconhecidos.

Franklin Rumjanek

Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro

franklin@bioqmed.ufrj.br

Diplomacia espacial

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Discussão sobre a validade do envio de mensagens ao espaço para travar contato com extraterrestres
Ciência Hoje, ed. 249
Junho 2008
O projeto Pesquisa por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem por objetivo buscar sinais de inteligência fora de nosso planeta. Os principais instrumentos utilizados por sua equipe são radiotelescópios que varrem o universo – já há algumas décadas – em busca de sinais que indiquem a existência de civilizações, em algum ponto do espaço exterior, que desejam se comunicar. Até o momento o estudo não rendeu resultados animadores, mas a pesquisa prossegue. Mais recentemente, os radioastrônomos ligados ao projeto e impacientes com a demora na obtenção de resultados ponderaram que talvez não seja suficiente permanecer em um papel passivo, de rádio-escuta, apenas recebendo e analisando os sinais. Seria melhor, segundo eles, tentar enviar mensagens a supostos extraterrestres. Essa postura mais ativa (o novo programa é chamado, em inglês, de Active Seti) teria a vantagem de selecionar regiões que sabidamente têm sistemas planetários que poderiam abrigar vida inteligente.


Uma das estratégias atuais para identificar eventuais sinais transmitidos por civilizações extraterrestres é o uso de radiotelescópios que captam sinais de rádio, como os da imagem acima, instalados no Novo México (EUA).

Devemos lembrar que há muito tempo foram enviados ao espaço sinais de rádio e de televisão, mas estes, além de fracos, têm um conteúdo heterogêneo e duvidoso em termos de comunicação intergaláctica. A idéia de transmitir sinais, porém, não agradou a todos os cientistas. Para alguns, existe certa dose de risco, pois as mensagens, se captadas, poderiam não agradar aos ‘ouvintes’. Os argumentos usados apóiam-se principalmente na suposição de que, apesar de nossas fraternas intenções, não se pode prever como os alienígenas reagiriam ao estímulo. Tal preocupação foi resumida na declaração de certos participantes de um congresso realizado em 2006 em Valência, na Espanha: “Não há garantia de que todas as civilizações extraterrestres serão benignas, e de que, mesmo que o contato fosse feito com uma civilização pacífica, não houvesse repercussões graves.” Isso foi dito seriamente e os demais cientistas reunidos acataram o aviso. Portanto, ainda não há transmissões, pelo menos oficiais, que possam agilizar o tão desejado encontro.

Inversão do problema

Qual a razão por trás dessa cautela exagerada? Para tornar a situação um pouco mais concreta, vamos inverter o problema. Um belo dia, chega à Terra uma mensagem genuinamente extraterrestre. Depois de compreender a sintaxe, traduzir e interpretar o texto, concluímos que existe ali causa para incômodo. Após as infinitas discussões de praxe, alguém pode acreditar que optaríamos por organizar uma expedição até a fonte da mensagem para tirar satisfações pessoalmente? Nesse caso, a missão teria que dispor não só da tecnologia adequada a essa epopéia, mas também de uma tripulação ( incluindo seus descendentes ) preparada para passar milênios viajando. Para exemplificar, digamos que a mensagem tenha partido da região de Proxima Centauri, a estrela que fica mais perto do Sol e do sistema que abriga a Terra. Só a viagem de ida até essa estrela, que, segundo os astrônomos, provavelmente não tem à sua volta um sistema de planetas, demoraria 23 mil anos. Isso, em termos humanos, representaria quase mil gerações, muito mais que as registradas desde as primeiras civilizações humanas, na Mesopotâmia. Seguramente esse intervalo seria suficiente para o esquecimento de qualquer desavença ou incidente diplomático. E se o planeta causador da discórdia estivesse a duas vezes essa distância? Risível, não? Há que considerar ainda a possibilidade de que uma das civilizações envolvidas no qüiproquó tenha se extinguido nesse intervalo. O fato é que as distâncias envolvidas proíbem qualquer averiguação direta, a menos que as velocidades das espaçonaves possam atingir valores muito maiores que aqueles com os quais os físicos e engenheiros trabalham atualmente. O mais curioso é constatar que uma espécie dita inteligente como a nossa – que, em sua grande maioria, não se preocupa muito com o próprio planeta – possa expressar tamanho tato para com mundos ainda desconhecidos.

Franklin Rumjanek

Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro

franklin@bioqmed.ufrj.br

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O projeto Pesquisa por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem por objetivo buscar sinais de inteligência fora de nosso planeta. Os principais instrumentos utilizados por sua equipe são radiotelescópios que varrem o universo – já há algumas décadas – em busca de sinais que indiquem a existência de civilizações, em algum ponto do espaço exterior, que desejam se comunicar. Até o momento o estudo não rendeu resultados animadores, mas a pesquisa prossegue. Mais recentemente, os radioastrônomos ligados ao projeto e impacientes com a demora na obtenção de resultados ponderaram que talvez não seja suficiente permanecer em um papel passivo, de rádio-escuta, apenas recebendo e analisando os sinais. Seria melhor, segundo eles, tentar enviar mensagens a supostos extraterrestres. Essa postura mais ativa (o novo programa é chamado, em inglês, de Active Seti) teria a vantagem de selecionar regiões que sabidamente têm sistemas planetários que poderiam abrigar vida inteligente.


Uma das estratégias atuais para identificar eventuais sinais transmitidos por civilizações extraterrestres é o uso de radiotelescópios que captam sinais de rádio, como os da imagem acima, instalados no Novo México (EUA).

Devemos lembrar que há muito tempo foram enviados ao espaço sinais de rádio e de televisão, mas estes, além de fracos, têm um conteúdo heterogêneo e duvidoso em termos de comunicação intergaláctica. A idéia de transmitir sinais, porém, não agradou a todos os cientistas. Para alguns, existe certa dose de risco, pois as mensagens, se captadas, poderiam não agradar aos ‘ouvintes’. Os argumentos usados apóiam-se principalmente na suposição de que, apesar de nossas fraternas intenções, não se pode prever como os alienígenas reagiriam ao estímulo. Tal preocupação foi resumida na declaração de certos participantes de um congresso realizado em 2006 em Valência, na Espanha: “Não há garantia de que todas as civilizações extraterrestres serão benignas, e de que, mesmo que o contato fosse feito com uma civilização pacífica, não houvesse repercussões graves.” Isso foi dito seriamente e os demais cientistas reunidos acataram o aviso. Portanto, ainda não há transmissões, pelo menos oficiais, que possam agilizar o tão desejado encontro.

Inversão do problema

Qual a razão por trás dessa cautela exagerada? Para tornar a situação um pouco mais concreta, vamos inverter o problema. Um belo dia, chega à Terra uma mensagem genuinamente extraterrestre. Depois de compreender a sintaxe, traduzir e interpretar o texto, concluímos que existe ali causa para incômodo. Após as infinitas discussões de praxe, alguém pode acreditar que optaríamos por organizar uma expedição até a fonte da mensagem para tirar satisfações pessoalmente? Nesse caso, a missão teria que dispor não só da tecnologia adequada a essa epopéia, mas também de uma tripulação ( incluindo seus descendentes ) preparada para passar milênios viajando. Para exemplificar, digamos que a mensagem tenha partido da região de Proxima Centauri, a estrela que fica mais perto do Sol e do sistema que abriga a Terra. Só a viagem de ida até essa estrela, que, segundo os astrônomos, provavelmente não tem à sua volta um sistema de planetas, demoraria 23 mil anos. Isso, em termos humanos, representaria quase mil gerações, muito mais que as registradas desde as primeiras civilizações humanas, na Mesopotâmia. Seguramente esse intervalo seria suficiente para o esquecimento de qualquer desavença ou incidente diplomático. E se o planeta causador da discórdia estivesse a duas vezes essa distância? Risível, não? Há que considerar ainda a possibilidade de que uma das civilizações envolvidas no qüiproquó tenha se extinguido nesse intervalo. O fato é que as distâncias envolvidas proíbem qualquer averiguação direta, a menos que as velocidades das espaçonaves possam atingir valores muito maiores que aqueles com os quais os físicos e engenheiros trabalham atualmente. O mais curioso é constatar que uma espécie dita inteligente como a nossa – que, em sua grande maioria, não se preocupa muito com o próprio planeta – possa expressar tamanho tato para com mundos ainda desconhecidos.

Franklin Rumjanek

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O projeto Pesquisa por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem por objetivo buscar sinais de inteligência fora de nosso planeta. Os principais instrumentos utilizados por sua equipe são radiotelescópios que varrem o universo – já há algumas décadas – em busca de sinais que indiquem a existência de civilizações, em algum ponto do espaço exterior, que desejam se comunicar. Até o momento o estudo não rendeu resultados animadores, mas a pesquisa prossegue. Mais recentemente, os radioastrônomos ligados ao projeto e impacientes com a demora na obtenção de resultados ponderaram que talvez não seja suficiente permanecer em um papel passivo, de rádio-escuta, apenas recebendo e analisando os sinais. Seria melhor, segundo eles, tentar enviar mensagens a supostos extraterrestres. Essa postura mais ativa (o novo programa é chamado, em inglês, de Active Seti) teria a vantagem de selecionar regiões que sabidamente têm sistemas planetários que poderiam abrigar vida inteligente.


Uma das estratégias atuais para identificar eventuais sinais transmitidos por civilizações extraterrestres é o uso de radiotelescópios que captam sinais de rádio, como os da imagem acima, instalados no Novo México (EUA).

Devemos lembrar que há muito tempo foram enviados ao espaço sinais de rádio e de televisão, mas estes, além de fracos, têm um conteúdo heterogêneo e duvidoso em termos de comunicação intergaláctica. A idéia de transmitir sinais, porém, não agradou a todos os cientistas. Para alguns, existe certa dose de risco, pois as mensagens, se captadas, poderiam não agradar aos ‘ouvintes’. Os argumentos usados apóiam-se principalmente na suposição de que, apesar de nossas fraternas intenções, não se pode prever como os alienígenas reagiriam ao estímulo. Tal preocupação foi resumida na declaração de certos participantes de um congresso realizado em 2006 em Valência, na Espanha: “Não há garantia de que todas as civilizações extraterrestres serão benignas, e de que, mesmo que o contato fosse feito com uma civilização pacífica, não houvesse repercussões graves.” Isso foi dito seriamente e os demais cientistas reunidos acataram o aviso. Portanto, ainda não há transmissões, pelo menos oficiais, que possam agilizar o tão desejado encontro.

Inversão do problema

Qual a razão por trás dessa cautela exagerada? Para tornar a situação um pouco mais concreta, vamos inverter o problema. Um belo dia, chega à Terra uma mensagem genuinamente extraterrestre. Depois de compreender a sintaxe, traduzir e interpretar o texto, concluímos que existe ali causa para incômodo. Após as infinitas discussões de praxe, alguém pode acreditar que optaríamos por organizar uma expedição até a fonte da mensagem para tirar satisfações pessoalmente? Nesse caso, a missão teria que dispor não só da tecnologia adequada a essa epopéia, mas também de uma tripulação ( incluindo seus descendentes ) preparada para passar milênios viajando. Para exemplificar, digamos que a mensagem tenha partido da região de Proxima Centauri, a estrela que fica mais perto do Sol e do sistema que abriga a Terra. Só a viagem de ida até essa estrela, que, segundo os astrônomos, provavelmente não tem à sua volta um sistema de planetas, demoraria 23 mil anos. Isso, em termos humanos, representaria quase mil gerações, muito mais que as registradas desde as primeiras civilizações humanas, na Mesopotâmia. Seguramente esse intervalo seria suficiente para o esquecimento de qualquer desavença ou incidente diplomático. E se o planeta causador da discórdia estivesse a duas vezes essa distância? Risível, não? Há que considerar ainda a possibilidade de que uma das civilizações envolvidas no qüiproquó tenha se extinguido nesse intervalo. O fato é que as distâncias envolvidas proíbem qualquer averiguação direta, a menos que as velocidades das espaçonaves possam atingir valores muito maiores que aqueles com os quais os físicos e engenheiros trabalham atualmente. O mais curioso é constatar que uma espécie dita inteligente como a nossa – que, em sua grande maioria, não se preocupa muito com o próprio planeta – possa expressar tamanho tato para com mundos ainda desconhecidos.

Franklin Rumjanek

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Diplomacia espacial
Discussão sobre a validade do envio de mensagens ao espaço para travar contato com extraterrestres
Ciência Hoje, ed. 249
Junho 2008
O projeto Pesquisa por Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês) tem por objetivo buscar sinais de inteligência fora de nosso planeta. Os principais instrumentos utilizados por sua equipe são radiotelescópios que varrem o universo – já há algumas décadas – em busca de sinais que indiquem a existência de civilizações, em algum ponto do espaço exterior, que desejam se comunicar. Até o momento o estudo não rendeu resultados animadores, mas a pesquisa prossegue. Mais recentemente, os radioastrônomos ligados ao projeto e impacientes com a demora na obtenção de resultados ponderaram que talvez não seja suficiente permanecer em um papel passivo, de rádio-escuta, apenas recebendo e analisando os sinais. Seria melhor, segundo eles, tentar enviar mensagens a supostos extraterrestres. Essa postura mais ativa (o novo programa é chamado, em inglês, de Active Seti) teria a vantagem de selecionar regiões que sabidamente têm sistemas planetários que poderiam abrigar vida inteligente.


Uma das estratégias atuais para identificar eventuais sinais transmitidos por civilizações extraterrestres é o uso de radiotelescópios que captam sinais de rádio, como os da imagem acima, instalados no Novo México (EUA).

Devemos lembrar que há muito tempo foram enviados ao espaço sinais de rádio e de televisão, mas estes, além de fracos, têm um conteúdo heterogêneo e duvidoso em termos de comunicação intergaláctica. A idéia de transmitir sinais, porém, não agradou a todos os cientistas. Para alguns, existe certa dose de risco, pois as mensagens, se captadas, poderiam não agradar aos ‘ouvintes’. Os argumentos usados apóiam-se principalmente na suposição de que, apesar de nossas fraternas intenções, não se pode prever como os alienígenas reagiriam ao estímulo. Tal preocupação foi resumida na declaração de certos participantes de um congresso realizado em 2006 em Valência, na Espanha: “Não há garantia de que todas as civilizações extraterrestres serão benignas, e de que, mesmo que o contato fosse feito com uma civilização pacífica, não houvesse repercussões graves.” Isso foi dito seriamente e os demais cientistas reunidos acataram o aviso. Portanto, ainda não há transmissões, pelo menos oficiais, que possam agilizar o tão desejado encontro.

Inversão do problema

Qual a razão por trás dessa cautela exagerada? Para tornar a situação um pouco mais concreta, vamos inverter o problema. Um belo dia, chega à Terra uma mensagem genuinamente extraterrestre. Depois de compreender a sintaxe, traduzir e interpretar o texto, concluímos que existe ali causa para incômodo. Após as infinitas discussões de praxe, alguém pode acreditar que optaríamos por organizar uma expedição até a fonte da mensagem para tirar satisfações pessoalmente? Nesse caso, a missão teria que dispor não só da tecnologia adequada a essa epopéia, mas também de uma tripulação ( incluindo seus descendentes ) preparada para passar milênios viajando. Para exemplificar, digamos que a mensagem tenha partido da região de Proxima Centauri, a estrela que fica mais perto do Sol e do sistema que abriga a Terra. Só a viagem de ida até essa estrela, que, segundo os astrônomos, provavelmente não tem à sua volta um sistema de planetas, demoraria 23 mil anos. Isso, em termos humanos, representaria quase mil gerações, muito mais que as registradas desde as primeiras civilizações humanas, na Mesopotâmia. Seguramente esse intervalo seria suficiente para o esquecimento de qualquer desavença ou incidente diplomático. E se o planeta causador da discórdia estivesse a duas vezes essa distância? Risível, não? Há que considerar ainda a possibilidade de que uma das civilizações envolvidas no qüiproquó tenha se extinguido nesse intervalo. O fato é que as distâncias envolvidas proíbem qualquer averiguação direta, a menos que as velocidades das espaçonaves possam atingir valores muito maiores que aqueles com os quais os físicos e engenheiros trabalham atualmente. O mais curioso é constatar que uma espécie dita inteligente como a nossa – que, em sua grande maioria, não se preocupa muito com o próprio planeta – possa expressar tamanho tato para com mundos ainda desconhecidos.

Franklin Rumjanek

Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro

franklin@bioqmed.ufrj.br

abril 17, 2008

Riolândia planeja ‘Semana dos ETs’

Agora, a farra, pessoal. Roswell e Varginha, pontos turísticos por aficcionados ( a maioria de última hora, penso eu ) por UFOS e afins, terão em sua companhia o município de Riolândia. Resta esperar que as pessoas que tentam levar o assunto minimamente a sério evitem gastar seu dinheiro com estes oportunistas.
Riolândia planeja ‘Semana dos ETs’
A Cidade
12/04/08
POR QUE OS OVNIS POUSARAM NO CANAVIAL? Segundo charge de jornal de São José do Rio Preto, a nave precisava de combustível
Riolândia não quer perder uma oportunidade que parece ter caído do céu.
O vice-prefeito Sávio Nogueira Franco Neto diz que a cidade pretende “aproveitar ao máximo” a história dos objetos voadores não-identificados que teriam pousado em canaviais da zona rural. “Embora estejamos no Estado de São Paulo e perto do rio Grande, aqui recebemos poucos visitantes. É uma cidade agrícola. Para complicar, a rodovia literalmente termina aqui, é fim de linha, já que não há ponte ligando Riolândia a São Francisco de Sales (MG). Para atravessar o rio Grande, só mesmo de balsa”, comenta, numa referência à SP-322, que começa em Ribeirão Preto e termina justamente em Riolândia, 280 km depois.
Para o vice-prefeito, a história dos “ETs de Riolândia” é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.
“Se temos outra vocação que não a agrícola, com certeza é o turismo”, explica.
Prainha desaparece
Ele destaca que a principal atração de Riolândia, a prainha do rio Grande, só atrai muita gente durante quatro meses, o período das chuvas. “Estamos ao lado da represa de Água Vermelha, que guarda água para a usina hidrelétrica localizada na cidade de Ouroeste”, explica.
A partir de maio, com o início do período da estiagem, a margem da represa, onde foi construída a prainha artificial, recua em até 1.200 metros.
“Fica só o leito do rio, que é perene. A prainha continua aberta, mas vem pouca gente, já que você tem de caminhar até 1.200 metros para chegar na água”, conta Neto.
Segundo ele, após 20 de janeiro, quando surgiram os primeiros sinais em canaviais, alguns ramos do comércio acusaram um movimento bem acima do normal.
“Principalmente hotéis e restaurantes. Mas ainda não são curiosos, turistas que procuram Riolândia para tentar ver ovnis. Nessa primeira leva, eram estudiosos. Agora a gente quer atrair visitantes que nos procurem por causa dos Óvnis [ N. do Blog: "E os 'estudiosos' procuraram Riolândia por causa de quê? Da sua Administração Municipal sagaz?” ], explica.
O próximo plano da Prefeitura já está sendo esboçado. “Como tudo começou em janeiro, e nesse mês a represa está cheia, pretendemos criar uma semana dedicada aos extraterrestres. Assim, todos os anos, em janeiro, teríamos um fluxo de turistas garantido”, revela.
Canavial tombado agora aparece na cidade de Jaci (SP)
Depois de Riolândia, Macondésia ( distrito de Monte Azul Paulista ), Suzanóplis, Araraquara, Tanabi e Limeira, agora chegou a vez da pequena Jaci, cidade de cerca de 6 mil habitantes na região de São José do Rio Preto.
Na noite do dia 4 de abril, uma sexta-feira, moradores do sítio São Jorge, na zona rural, viram estranhas luzes – descritas como “clarões”.
No dia seguinte, três grandes áreas de um canavial amanheceram tombadas, sempre para o mesmo lado – exatamente como ocorreu em Riolândia, cerca de 120 Km de distância.O sítio em questão tem 80 alqueires, sendo que três deles são ocupados por canaviais. Nessa área surgiram três círculos de cana tombada – o maior deles, com mais de cem metros de raio.
O ufólogo Jorge Nery, do Inape (Instituto Nacional de Astronomia e Pesquisas Espaciais), que desde janeiro esteve várias vezes em Riolândia, chama a atenção para a semelhança entre os fenômetros – tanto em Jaci quanto na “pioneira” Riolândia ocorreram episódios de avistamento de luzes, seguidos do encontro de áreas de canavial tombado.

Círculos em canavial viram atração em Jaci
Desde terça-feira, curiosos não páram de chegar ao sítio São Jorge, localizado na cidade de Jaci. Três sinais circulares apareceram no canavial da propriedade, deixando a planta tombada para um mesmo lado. “Vieram pessoas de Rio Preto, das fazendas vizinhas e da cidade”, diz Nivaldo Santana de Oliveira, proprietário do local. Segundo ele, os visitantes chegam incrédulos, mas saem de lá certos de que algo estranho aconteceu. “Todos ficam impressionados e com medo.”
Rádio Vale do Tietê
11/04/08

fevereiro 18, 2008

Riolândia atrai “caçadores” de extraterrestres

Filed under: extraterrestres, OVNIs, Riolândia ( SP ), ufologia, Ufos — Humberto @ 1:17 pm
A Cidade
16/02/08
SUPOSTA pegada de ET: rastros podem ser do mão-pelada, um parente dos quatis e dos guaxinins

A febre de óvnis continua mobilizando boa parte da população de Riolândia, cidade a 280 km de Ribeirão Preto, na divisa com Minas Gerais. Desde o mês passado, estranhas marcas aparecem em canaviais e luzes não identificadas riscam o céu durante a madrugada.

Até o início de fevereiro, apenas um hóspede da pousava Piapara, onde tudo começou, havia conseguido filmar o que seriam objetos voadores não identificados. Agora, vários moradores e até o dono da pousada gravaram as luzes e já surgem depoimentos de pessoas que garantem ter visto, de perto, um óvni.

O depoimento do lavrador Aparecido Marques Alves de Souza, 25 anos, é um dos mais fortes. “Era de madrugada, dia 19 do mês passado. Eu e meu irmão estávamos de barco, pescando no rio Grande. De repente, escutei um barulho estranho, vindo de cima, achei que era um avião”, conta ele.

“Olhei para cima e avião não era, era quadrado, parecia um vagão de trem. O troço passou devagar sobre a gente e desceu num canavial”, lembra.

O pescador não gostou do que viu. “Virei pro meu irmão e falei – Vamos vazar que isso é coisa de assombração”, conta. O depoimento, filmado, foi coletado pelo ufólogo Roberto Affonso Beck, 74 anos, e pelo auxiliar Herbert Brüggemann, 51 anos, da equipe da Entidade Brasileira de Estudos Extraterrestres, que desde a semana passada mantém um esquema de vigília nas noites de Riolândia – durante o dia, gravam depoimentos de moradores que teriam testemunhado a aparição do óvni.

“É bonito”

Rodolpho Probio Bueno, 18 anos, balconista, exibe orgulhoso, num computador, as imagens gravadas por ele às 4h do último dia 7.

“Eu já tinha visto, mas estava sem a filmadora. Aparece primeiro uma luz, que depois vira duas e no final, três. Essa última é sempre a maior, meio avermelhada. Elas formaram um triângulo no céu e depois foram em direção ao rio Grande”, descreve. “É muito bonito e de longe não dá para ter medo. Se elas viessem em minha direção, aí não sei não…”, brinca.

Segundo Rodolpho, vários amigos seus também já viram as estranhas luzes no céu de Riolândia. “Virou divertimento, a gente fica acordado durante a madrugada vasculhando o céu”, explica.

Planeta, não

Pesquisando óvnis há 51 anos, o ufólogo Roberto Beck recomenda que se concentrem as atenções sobre as marcas nos canaviais, e não sobre as luzes no céu.“Todas as possíveis causas naturais estão descartadas, e não é por nós, mas pelo agrônomo e pelo meteorologista que a Prefeitura de Riolândia trouxe para cá em janeiro. A primeira coisa a fazer é descobrir como surgem essas marcas nos canaviais”, comenta.

Segundo Victor Diogo da Silva, 20 anos, filho do dono da pousada, já são mais de cem as áreas tombadas nos canaviais. A maior tem cerca de 60 metros de diâmetro. A cana amanhece apenas tombada – os pés não se quebram. Por isso, em pouco dias os pés voltam ao normal e os donos da cana não reclamam de prejuízo.“Nas áreas maiores, a cana só tomba e continua verde. Nas menores, além de tombar, a cana amarela, fica seca de uma vez”, explica.

Jorge Nery, da Ong Instituto Nacional de Astronomia e Pesquisas Espaciais, enviou essa semana uma ofício à Aeronáutica, pedindo ajuda para esclarecer o que ocorre em Riolândia.Contatado, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão do governo federal, disse não ter registro de nada de anormal na área de Riolândia. O ufólogo Beck, porém, insiste: “Uma coisa grande está andando por aqui”.

Música debocha de ET

Desde o mês passado não se fala em outra coisa em Riolândia – os óvnis que estariam pousando em canaviais ao lado do rio Grande são o grande (e único) assunto da cidade de menos de dez mil habitantes.

Por isso, o locutor de rodeios, cantor e compositor Jorge Moisés, 35 anos, que ganhou fama local com letras de suco sentido, não perdeu tempo e compôs “ET de Riolândia”, já gravada em CD.

A letra é hilária. O ufólogo Roberto Beck ouviu e não gostou. “Isso é gozação, é brincadeira com coisa séria”, reclama.

O comerciante Marcos, 35 anos, irmão do compositor, contou na última quinta-feira que Jorge Moisés estava em São Paulo, “colocando arranjo na música”, já que a gravação original é só com violão.“O sucesso da música aqui na região é tão grande que ele quer lançá-la em nível nacional”, explica.

A letra conta a história de um pescador convidado a ir com os ETs. Trechos selecionados:“Eu estava no rio dando uma de pescador/ quando eu vacilei meu anzol afundou/dei um puxão na vara que o peixe levantou/quando eu olhei para cima vi um disco voador”.“Eu fiquei com medo e comecei a tremer/tudo iluminado lotadinho de ET/chamou para ir com eles e tive de responder/então eu respondi/Vâmo-Ete, Vâmo-Ete”.“E sobe ET/e desce ET/cavuca ET/Vâmo-Et/Vâmo-Et”.

Pousada compra filmadora

Toda a polêmica sobre óvnis em Riolândia começou com Maurício Pereira da Silva, 39 anos, dono da pousada Piabara, que na madrugada de 19 de janeiro teria sido o primeiro a ver a o objeto voador não identificado.

Ele tinha acordado de madrugada e da janela da cozinha avistou um grande objetivo pairando sobre um canavial.Assustado, Maurício voltou para o quarto e se trancou. Ao amanhecer, foi até o local e descobriu a primeira área com cana tombada.

Nos dias seguintes, vários hóspedes avistaram e mesmo filmaram estranhas luzes no entorno da pousada. E Maurício, sem máquina fotográfica ou filmadora, apenas acompanhava a movimentação noturna de seus hóspedes.“Aí não agüentei mais. Fui até São José do Rio Preto e comprei uma filmadora e um tripé. Também queria ter a chance de gravar essas imagens”, conta ele, que desembolsou mais de R$ 1 mil no equipamento.

E deu certo. Na madrugada de quarta para quinta-feira última, durante sua vigília noturna, a luz voltou a aparecer e foi devidamente gravada. E a emoção dele aparece claramente durante a exibição das imagens.

Quando a luz aparece, ouve-se uma voz nervosa: “Está gravando? Está gravando?”. Fora do tripé, a filmadora treme na mão do experiente pescador, acostumado com outro tipo de apetrecho.“Mas valeu a pena. Agora eu não descrevo o que vi. Eu mostro a gravação”, comemora.

“Rastro de ET” ou de bicho

A febre de óvnis em Riolândia é tal que até rastros de ETs são procurados em meio aos canaviais. E tem gente que encontra, filma e exibe rastros diferentes como se fossem de seres extraterrestres.

Uma das filmagens que mais sucesso faz entre os moradores é a de pegadas de um animal com cinco dedos.

A Cidade exibiu fotos das pegadas para o zootecnista Alexandre Gouvêa, do Bosque e Zoológico Municipal “Fábio Barreto”, de Ribeirão Preto.“Primeiro descartamos os felinos. Onça, jaguatirica, nada disso combina com essas marcas, que já os rastros deles têm apenas quatro dedos”, explica Gouvêa.“Primatas, também não pode ser, já que o dedo equivalente ao nosso polegar estaria na horizontal em relação aos demais dedos”, destaca.

“A única espécie que existe naquela região e deixa marcas semelhantes é o mão-pelada, um carnívoro”, afirma Gouvêa. “Se o solo estiver bem úmido, e for um animal adulto, pode deixar rastros como esses”, diz.

O mão-pelada (Procyon cancrivorus) é um mamífero carnívoro da família dos procionídeos bastante parecido com os quatis e os guaxinins (mas sem as patas esbranquiçadas). Essa espécie habita uma extensa região que vai da Costa Rica ao Uruguai. Medem cerca de 60 cm e têm patas com cinco dedos. Também são conhecidos pelos nomes de cachorro-do-mangue, iguanara, jaguacampeba e jaguacinim.

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