ENCALHE

outubro 25, 2007

Jaz São Paulo ( 7 ): Ataques a Julio Lancelotti e Valdênia Paulino. Higienização paulistana volta à carga. Quem comanda o Alto-Comando higienista?

Claro que os ataques aos direitos humanos – a começar dos mais prosaicos -aqui na Cidade não cessam. Poucos, realmente despendem tempo e energia para denunciar este estado de coisas, além das possíveis vítimas. As vítimas – aos montes – são tratadas assim: montes de cidadãos de outra dimensão, que morrem aos montes, por motivos variados. Nosso desprezo é um desses motivos, talvez o principal, o que garante a continuidade do massacre. Encaramos o dia-a-dia dos massacrados – e daqueles que se sensibilizam e a eles se unem e tentam garantir sua voz – como se fosse coisa de outro mundo, como se tratasse de algo que somente a eles dissesse respeito. Se fosse futebol, seria algo similar a não nos importarmos com as finanças ou o plantel do time rival, já que é o time rival. Pensando bem, muitas vezes a campanha do outro time causa muito interesse a nós. Acho que não valeu a comparação.
Eu não estou acompanhando direito, mas minha irmã me deu o toque, e minha mãe vem, todo dia com alguma manchete que viu nos jornais do dia.
O padre Júlio Lancelotti, santo homem e protetor da população que “mora” nas ruas voltou a ser atacado. Se me recordo, ele denunciou à polícia alguém que o teria “chantageado” ( dependendo de onde você pega a informação ) ou “extorquido” ( dependendo de onde, etc. ).
Qual a diferença, digamos, semântica entre os dois termos? Simples, e menciono uma manchete que minha irmã leu – ela acha que foi no Jornal da Tarde – e o uso proposital do termo “chantagem” serve justamente ao propósito de insinuar ou implicar alguma culpa a alguém. O chavão “quem não deve não teme” é um sofisma dos piores, se lembrarmos que estamos no Brasil do “Cansei”, que quer derrubar presidente pau-de-arara, à custa de praticamente querer enfiar na goela da população a lorota de que Lula pessoalmente derrubou o Boeing em Outubro de 2006 ( que, estranhamente, só serviu para prejudicar o próprio Lula, em véspera de eleição, pois certo delegado da PF tomou todos os espaços, e quem leu a Carta Capital sabe do que estou falando ) e passou graxa na pista de Congonhas para o avião da TAM explodir e matar centenas de pessoas, só por maldade.
Já “extorquir” funciona de outra forma: digamos: “se o senhor não me der a quantia “x”, eu dou um jeito de visitar a sua ONG, planto alguma droga lá, e a casa cai para todo mundo. Seus protegidos vão para a cadeia e sua Obra cai em desgraça. Pense neles”. Você é vítima clara de extorsão, e ninguém pode plantar suposições a seu respeito. “Chantagem” é outra coisa.
Há alguns dias, acho que até mencionei aqui, o prefeito de São Paulo Andréa Matarazzo ( aquele que doou – sozinho – cerca de R$ 3 milhões de reais à campanha da reeleição de FHC em 1998 ) lançou uns petardos contra Júlio Lancelotti, dizendo que o religioso quer “monopolizar” os moradores de rua e outros tantos desgraçados. Pena que o padre não é Onipotente pois, se fosse, não teria havido o massacre da Tabatingüera, porcamente investigado pela Polícia da Higiene do PSDB.
Por quê a preocupação com o destino do padre, se ele é inocente? Bom, moramos no país do “Cansei” e das denúncias que valem por si, das acusações em que provas não significam nada, do deputado “corajoso” que faz o maior bololô com suas afirmações e depois perde o mandato por denunciar sem provas, mas leva consigo alguns dos que inculpou com suas denúncias sem provas; do país onde o deputado outrora considerado “corajoso” por tornar público um “suposto mensalão” não é levado tão a sério quando diz que o que consta na “Lista de Furnas” é verdadeiro. Das CPIs que, quando começam, têm todos os holofotes sobre si mas, quando no andamento, descobrem coisas contra gente da própria CPI ( ou de seus chegados, de hotéis na Bahia e fundos de pensão lesados por coronéis baianos ) vão murchando, murchando…
Algumas dessas comissões causam muito furor. E o imprensalão tá lá, firme e forte, fiscalizando os desmandos do Lula, ops, dos responsáveis, sejam quem forem. Mas quando essas CPIs terminam, melancolicamente, sem conseguir derrubar o presidente, ops, provando que a culpa foi dos pilotos americanos ou do manete mal-manejado, ou trazendo à superfíce ( de forma não intencional ) questões que envolvem o governo anterior para depois devolvê-las às ombras, os jornais preferem botar um receita de bolo na capa. E, finalmente, o país onde a falta de comprovação quanto a supostos ilícitos alheios é retratada como “pizza”, ou seja, acordo espúrio.
Acho que foi em meados de Janeiro de 2006, a famigerada revista vEJA – ou a vEJINHA, não me lembro – publicou extensa matéria que obteve repercussão e causou revolta à muita gente que trabalha com a assistência aos desvalidos. A matéria “A solução é derrubar” celebrava a limpeza social que se iniciava ( ou, se preferirem, reforçava ) na cidade então administrada por Serra, sempre, claro tendendo a mostrar a seus leitores que o lixo humano que habita as ruas ou imóveis abandonados de São Paulo afugenta os “investidores”. E gente como o padre Júlio Lancelotti “incentivaria” as ações da gentalha fedorenta.
A propósito desta matéria da vEJA, enviei uma carta à revista da Abril que, óbvio, não foi publicada. Mas o Observatório da Imprensa acolheu e botou no ar. Quem se interessar, pode clicar aqui: “Sobre o pogrom higienista” .
Pois bem. Voltou-se a cerrar baterias contra Júlio Lancelotti. A mando de quem? Não sei, como já disse, não estou acompanhando. Lembro de ter lido, na semana passada, um editorial do frequentemente citado aqui jornal de bairro “O Paulistano” ( de propriedade dos mesmos editores da desaparecida “Revista de Fato” – WAS Editores, leia-se Wagner Salustiano, do PSDB -, envolvida com verbas publicitárias da Nossa Caixa durante a gestão Alckmin no governo estadual – mais uma das 69 CPIs que receberam o tratamento tucano de jogar denúncias contra si na gaveta, o “choque de engavetamento” ) em que se insinua e se joga no ar e, por meio de frases marotas ( mas sem se comprometer com afirmação alguma ) pretende levar o leitor a achar que Lancelotti fornicava com a molecada da sua Obra. Sabe como é: aquela associação de palavras ou expressões-chave ” padre católico + chantagem + garotos de rua + ‘quem deve não teme’ + dava dinheiro para ex-menor de rua”. E deixar com que a imaginação das pessoas, alimentada por manchetes, boatos e insinuções safadas, faça o resto. Mencionar que uma senhora, não sei se moradora próxima à Obra do padre, ou à Febem do Tatuapé disse que “muitos moradores achavam que o religioso não era flor que se cheirasse”, não passa de canalhice do pior quilate. Simplesmente não quer dizer nada. Tratar uma fofoca como “denúncia” importante. Por quê existe tanto lixo vivendo nesse mundo e referindo-se a si próprio como “cidadão de bem” é um Mistério ( com maiúscula mesmo, tipo “Mistérios da Santíssima Trindade” ) para mim.
( pausa para eu fazer uma pesquisa na Internet )
Ato reúne centenas em São Paulo para relembrar ataques contra moradores de rua
Agência Brasil
20 de Agosto de 2007
Prefeitura e padre Lancelotti divergem quanto política aos moradores de rua
Outubro 05, 2007
O Secretário Municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, falou nesta semana sobre as ações da prefeitura da Prefeitura direcionadas aos moradores de rua da cidade, durante uma apresentação na Câmara Americana de Comércio (AMCHAM). O tratamento a ser dado a essa questão gera divergências de opinião entre Matarazzo e o padre Júlio Lancelotti, fundador da entidade de apoio Casa Vida.
“É lindo ver o padre Lancelotti falar do ‘povo da rua’. É o máximo termos pena deles, faz bem para a nossa culpa cristã, mas não resolve o problema do coitado que está lá. Sabemos que 80% dos moradores de rua tem algum transtorno mental ou dependência química grave, e o dever do poder público é cuidar dessas pessoas. O padre fala que sou higienista, que quero tirá-los da rua, e quero mesmo, tirá-los da rua, fazer dormir na cama, comer na mesa, tomar banho no banheiro”, afirma Matarazzo.
Ainda segundo ele, os projetos da prefeitura têm se mostrado mais atrativos para os moradores de rua. “O Hospital das Clínicas está criando agora uma liga de médicos especializada em tratamento de moradores de rua, de doenças mentais e de dependência química grave. E o interessante é que o ‘povo de rua’ dele [padre Lancelotti] tem migrado para nós, pois eles dizem que preferem ter vida aqui na Terra, e o pós-Terra vão se preocupar depois. O padre Lancelotti recebe dinheiro da prefeitura todo mês para bater na gente como ele faz”.
Para o padre Júlio Lancelotti, a principal diferença entre seu trabalho e as ações da prefeitura está no caráter distinto delas. “A prefeitura é poder público, e nós não. Somos sociedade civil e nosso papel é lutar para que os direitos assegurados nas leis sejam postos em prática. Mandar jogar água nas pessoas, retirar seus pertences, são sim práticas higienistas. As ações da prefeitura estão voltadas para tirar as pessoas de um local tão visível como o centro, e não para a garantia de direitos”.
O padre Lancelotti acredita que a política ideal a ser adotada pela administração pública já existe no papel. “A prefeitura deveria aplicar a lei municipal 12.316/97 [exige instalação e manutenção de uma rede de serviços e de programas públicos que garantam mínimos direitos sociais e de cidadania a esse segmento social, incluindo direito de se localizar e referir na cidade, não discriminação e não violência, unidade familiar, restabelecimento da dignidade, da autonomia e da convivência comunitária], que foi construída em conjunto com a própria população de rua. Porém, o fato de ela não ser colocada em prática revela que eles continuam sendo alvo constante de preconceitos”.
Portal Higienópolis
Recente, e já mostra uma possível origem da nova campanha ( sim, sem meios-termos: vejo uma campanha em movimento; da classe-média? das companhias imobiliárias?; ainda não sei ) contra Júlio Lancelotti. Bom, colhi alguns links para reportagens do imprensalão desses últimos dias. Vamos tentar montar o quebra-cabeças.
Ex-interno da FEBEM é acusado de extorquir o Padre Julio Lancelotti
Diário de São Paulo – 16/10/07 – extraído do site do MNDH
Vítima de extorsão, padre Júlio Lancelotti diz se sentir ameaçado
Quadrilha exigia que religioso pagasse prestações de carro. Polícia prendeu um dos criminosos e procura outros três
Portal G1 – 16/10/07
Padre Júlio Lancelotti denuncia extorsão de R$ 50 mil
O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor de São Paulo, sofre ameaças e denuncia extorsão de R$ 50 mil. Parte da quadrilha está foragida.Veja na reportagem de Rodrigo Hidalgo.
Terça-feira, 16 de outubro de 2007 – Band News ( Vídeo )
Padre Júlio Lancelotti vai receber proteção policial
O padre Júlio Lancelotti, diretor da Casa Vida que trata de crianças com aids, vai receber proteção policial. O religioso denunciou que era vítima de extorsão e ameaças por um ex-interno da Fundação do Bem-estar do Menor (Febem), hoje Fundação Casa. A informação é do Jornal Nacional.
PORTAL TERRA – 17/10/07
Para arcebispo, padre Júlio Lancelotti foi vítima de sua atividade
Folha Online - 17/10/2007
Ex-interno negociava carros e tinha uma pensão
Foragido, Anderson Batista, acusado de extorsão , era investigado por enriquecimento ilícito
Jornal da Tarde - 18/10/07
Comissão do Senado aprova apoio ao padre Lancelotti
Agência Estado -18/10/07
Advogado relata amizade entre Padre Julio e suposto achacador
“Não era apenas o Anderson que procurava o padre; ele também era procurado”, afirma advogado
O Estado de São Paulo - 18/10/07
Acusado nega extorsão contra padre e diz que denúncia é vingança
Folha Online - 18/10/2007
Padre Lancelotti deve depor na Assembléia de SP
O padre Júlio Lancelotti deve depor na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo. O convite, segundo a Folha de S.Paulo, foi aprovado ontem. O padre deverá prestar esclarecimentos sobre a extorsão que ele afirma ter sofrido.
Portal Terra - 19/10/07
Direitos humanos na encruzilhada
A violência fragilizou os poucos agentes que se dispõem a lutar pela humanidade dos que perecem no abandono
José de Souza Martins, Professor de Sociologia da USP
Estado de São Paulo – 21/10/07
Polícia investiga contrato de ONG de padre Júlio Lancelotti
Folha Online - 23/10/2007
ONG nega que Julio Lancelotti tenha acesso a recursos
REVISTA FÓRUM, 23 de Outubro de 2007
Diante da investigação da polícia ao padre Julio Lancelotti, o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto divulgou nota à imprensa afirmando que o sacerdote é apenas conselheiro fiscal não-remunerado da entidade e, portanto, não tem acesso a seus recursos.
A resposta é publicada no momento em que os jornais divulgaram que a entidade era investigada pela polícia civil por conta da acusação do padre ao ex-interno da antiga Febem (atual Casa) Anderson Marcos Batista, foragido da Justiça, de tê-lo extorquido por quase três anos em cerca de R$ 50 mil.
Julio Lancelotti se tornou conhecido pelo trabalho que realiza na Dioscese da Sé na luta pelos direitos de crianças e adolescentes e junto ao povo da rua. Em 2006, foi o alvo de uma polêmica junto ao então subprefeito da região, Andrea Matarazzo, a respeito do revestimento e dos bancos conhecidos como “anti-mendigos”.
Diz a nota: “A Entidade não tem dívidas. Mantém sua Prestação de Contas em dia, e verificadas pelos financiadores conforme suas exigências. A Secretaria do Estado e do Município tem acesso e verificam mensalmente as prestações de contas de seus convênios.”
Leia a íntegra
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto tem 60 anos de existência. Está localizado na Zona Leste de São Paulo.
É uma Entidade sem fins lucrativos, reconhecida de Utilidade Pública nas esferas federal, estadual e municipal. Seus recursos financeiros vêm prioritariamente de convênios com órgãos públicos.
Atende gratuitamente 8.000 pessoas por dia através de diversos programas, incluindo as Casas Vida I e II, a Liberdade Assistida e o Espaço de Convivência para a população em situação de Rua.
Emprega 1.110 pessoas. Tem 250 voluntários, e dentre eles os integrantes do Conselho Deliberativo, da Diretoria e do Conselho Fiscal que não são remunerados.
A Entidade tem, por Estatuto, o Conselho Deliberativo, o Conselho Fiscal e a Diretoria.
O Conselho Deliberativo decide, em reunião, as grandes questões da Entidade. Nenhum Conselheiro decide por si só. O Padre Julio Lancellotti é simplesmente um Conselheiro do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto.
Portanto, não decide fora de reunião do Conselho e não tem acesso aos recursos financeiros da Entidade.
Somente a Presidente junto com o 1º Tesoureiro e, na falta destes, a Vice-Presidente e o 2º Tesoureiro podem movimentar as contas bancárias.
A Entidade não tem dívidas. Mantém sua Prestação de Contas em dia, e verificadas pelos financiadores conforme suas exigências. A Secretaria do Estado e do Município tem acesso e verificam mensalmente as prestações de contas de seus convênios.
A Contabilidade é auditada interna e externamente. Conforme determina seu Estatuto, publica balanço anual inclusive com parecer da Auditoria. Os três últimos foram publicados no Jornal “O São Paulo”.
Em 2000, 2003 e 2006 recebeu da Kanitz o Prêmio Bem Eficiente.
O Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto prima pela transparência. Mantém sua documentação em dia e está sempre à disposição para qualquer tipo de fiscalização pelos Órgãos competentes.
São Paulo, 23 de Outubro de 2007.
Assinam esta nota de esclarecimento:
Conselho Deliberativo e Diretoria Executiva do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto
Polícia abre inquérito e investiga padre Júlio
Caso veio à tona depois que padre fez denúncias à polícia
EPTV/ Portal G1 – 24/10/07
Polícia investiga denúncia de corrupção de menor contra padre Júlio Lancelotti
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Folha Online - 24/10/2007
O PADRE E O MOÇO
Júlio Lancellotti anuncia que foi chantageado por ex-protegido, que conheceu como menor infrator e o acuava com acusação do pior dos crimes: pedofilia
Anderson Batista, 25 anos, tem um prontuário pesado na polícia de São Paulo. Foi interno na Febem e, já maior de idade, acumulou doze boletins de ocorrência por denúncias que vão de tráfico de drogas a lesão corporal. Um dos boletins é por homicídio culposo: atropelou, involuntariamente, o próprio filhinho de 3 anos ao dar ré num carro. O padre Júlio Lancellotti tem um currículo venerado entre organizações de defesa de moradores de rua, adolescentes infratores e crianças flageladas pelo vírus da aids. É capaz de pegar o telefone, pedir para falar com o presidente Lula e receber um retorno em poucos minutos. O presidente já passou quatro vésperas de Natal em obras sociais coordenadas por ele. Além de prestígio, Lancellotti também acumulou capacidade de angariar recursos. Organizações não-governamentais sob sua égide têm convênios da ordem de 10,6 milhões de reais anuais com a prefeitura de São Paulo, não obstante os atritos e as acusações de discriminação, na questão dos moradores de rua, feitas pelo padre. O dinheiro é usado no atendimento a 8.000 necessitados. Por que uma pessoa como Lancellotti cederia à chantagem de um elemento como Batista? Sob “todo tipo de constrangimento”, disse o padre ao jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, quando anunciou publicamente que, há um mês, havia procurado a polícia para denunciar as extorsões sofridas desde 2004 nas mãos de uma quadrilha comandada por Batista. A coação mais grave envolvia a ameaça de denunciá-lo pelo terrível crime tristemente associado à Igreja Católica: abuso sexual de menores colocados em confiança na esfera de influência de padres pervertidos.
Segundo a própria denúncia, Lancellotti pagou no total 56.000 reais aos extorsionários. Uma parte do dinheiro foi dirigida ao financiamento de uma caminhonete Mitsubishi Pajero, avaliada em 65.000 reais. O padre apresentou cartas e gravações para comprovar a acusação. Nas primeiras, Batista pede dinheiro em tom de familiaridade, até com uma certa gentileza. Nas segundas, a barra pesa. Numa das conversas, Conceição Eletério, mulher de Batista, intimida: “Vou dizer tudo. O senhor fica mexendo com as crianças de 3 anos, com meu filho. Meu filho está indo para a imprensa”. Um dos intermediários dos chantagistas foi preso em um flagrante armado pela polícia e com o conhecimento do padre no momento em que ia receber 2 000 reais. A Justiça decretou a prisão de Batista, de Conceição e de um terceiro acusado, todos foragidos.
Como em qualquer outro caso do gênero, existem três hipóteses: 1) Lancellotti está dizendo a verdade e foi vítima de uma armação; 2) não cometeu nenhum crime, mas cedeu à chantagem porque tinha algo que preferia não ver revelado; 3) a extorsão se baseava num fato real. No caso da primeira hipótese, a reação imediata e natural é o popular quem não deve não teme. Por que pagou tanto dinheiro por tanto tempo? Em entrevistas que deu sobre a acusação, Lancellotti disse que as ameaças só se tornaram mais graves a partir de setembro deste ano. Antes, acreditava que conseguiria demover Batista, que conheceu ainda recolhido na Febem e por quem foi procurado mais tarde, com um pedido de ajuda. Com o passar do tempo, os pedidos tornaram-se cada vez mais insistentes. Em um dos doze bilhetes enviados ao padre, Batista diz que quer 1.500 reais “para ficar lá na praia”. Além de vinte parcelas do financiamento da caminhonete Pajero, Batista também conseguiu comprar um terreno e alugar uma casa via extorsão. O advogado de Batista, Nelson Bernardo da Costa, indica a linha com que vai defender seu cliente: ele sustenta que o dinheiro foi dado espontaneamente, “em função da amizade até íntima” entre ambos.
Lancellotti tornou-se padre tardiamente, aos 37 anos. Antes, trabalhava na Febem, da qual continua a ser funcionário, com salário de 2.480 reais. Na semana passada, VEJA entrevistou funcionários e ex-funcionários da Febem, além de técnicos que acompanham o trabalho desenvolvido por Lancellotti em suas ONGs. Muitos conheciam a proximidade entre Lancellotti e Batista e comentaram o comportamento sexual do padre, que só poderá ser objeto de inquirição se entrar no campo delituoso. Algumas lacunas deixadas pela denúncia de chantagem podem ser preenchidas se a polícia encontrar Anderson Batista e confrontá-lo com fatos bem apurados. “Só o depoimento dele poderá esclarecer as perguntas que ainda estão sem resposta nessa história toda”, disse o delegado André Luiz Pimentel, que investiga o caso. Para o padre, para Batista e para qualquer outro cidadão, valem as mesmas palavras ditas por Lancellotti quando cobrou providências no caso do assassinato de sete moradores de rua, em 2006, em São Paulo: “Nós não vamos nos esquecer. Vamos continuar cobrando até que a Justiça dê uma resposta”.
( Matéria da vEJA, edição 2031, 17 a 24/10/07. É da vEJA, portanto nada a estranhar. Da raiz do cabelo para baixo é tudo canela, e a gente vai na maldade. Apesar de um pretenso tom “vamos ouvir as duas partes, isentamente”, o uso de frases como “(…) Além de prestígio, Lancellotti também acumulou capacidade de angariar recursos. Organizações não-governamentais sob sua égide têm convênios da ordem de 10,6 milhões de reais anuais com a prefeitura de São Paulo, não obstante os atritos e as acusações de discriminação, na questão dos moradores de rua, feitas pelo padre (…)” [ traz aqui a manjada equação "ONGs e recursos financeiros" ou seja, sorvedouro de dinheiro sem quaisquer controles e, por outro lado traz a contrabando a informação: "o padre 'recebe' grana da bondosa Prefeitura do Kassab/Matarazzo e, mesmo assim, fica com esse papo de comunista" ] ou este postulado, tirado de algum roteiro de seriado policial – ou de Ed Wood – ” (…) Como em qualquer outro caso do gênero, existem três hipóteses: 1) Lancellotti está dizendo a verdade e foi vítima de uma armação; 2) não cometeu nenhum crime, mas cedeu à chantagem porque tinha algo que preferia não ver revelado; 3) a extorsão se baseava num fato real. No caso da primeira hipótese, a reação imediata e natural é o popular quem não deve não teme. Por que pagou tanto dinheiro por tanto tempo? (…)” [ as duas últimas hipóteses falam contra a vítima e uma perguntinha retórica as acompanha, travestida de genuína curiosidade acêrca do assunto, ] ou, ainda a ficha do padre, trazendo “informações” como “(…) Antes, trabalhava na Febem, da qual continua a ser funcionário, com salário de 2.480 reais (…)” [ N. do Blog: leia-se "marajá do funcionalismo público" ]; “(…) vEJA entrevistou funcionários e ex-funcionários da Febem, além de técnicos que acompanham o trabalho desenvolvido por Lancellotti em suas ONGs. Muitos conheciam a proximidade entre Lancellotti e Batista e comentaram o comportamento sexual do padre (…)” [ N.do B e grifo meu : aqui se disse alguma coisa? O que estas "testemunhas" - quem são, aliás? - falaram sobre qual "comportamento sexual do padre"? Da abstinência imposta pela Igreja Católica e aceita alegremente pelo Opus Dei? Ah, não. Aqui se quer dizer "comportamento sexual é coisa de quem tem um comportamento sexual e padre não pode, ainda mais com essa história de padre pedófilo que os jornais falam todo dia, o Júlio Lancelotti devia saber disso, mas agora é tarde, já foi"... ou seja, acima uma frase típica de ter saído da cabeça de um editor ou chefe de redação filho-da-puta. Nem que Júlio Lancelotti fizesse sexo bestial à força com algum interno essa frase teria algum significado, além da mera insinuação velada. Bomba no Vestibular, no mínimo ]; “(…) Algumas lacunas deixadas pela denúncia de chantagem [ N.do B: "a denúncia" deixou lacunas? Trata-se, então, de uma denúncia vazia, uma invenção criada pelo padre? O que eles - a polícia, a vEJA, o PSDB, a Cyrella - querem saber que o padre não disse ao apresentar a denúncia? E por quê não lhe perguntaram no ato? Acho que é por isso que o Luciano Huck não procurou a polícia para denunciar o suposto roubo de seu Rolex: talvez ele tivesse que prestar muitas explicações que não quisesse dar. Mas para a Veja, perdão, a vEJA, o Huck é vítima sim, e ninguém tasca. Já o padre que denuncia, hmmm, muito suspeito... ]… podem ser preenchidas se a polícia encontrar Anderson Batista e confrontá-lo com fatos bem apurados… [ N.do B: esse trecho é demais. A denúncia tem lacunas que "eles" - a polícia, a vEJA, etc. - julgam dificultar as investigações, ou seja, impede que se consiga uma boa apuração; mas se conta com uma possível confrontação entre o meliante e os "fatos bem apurados". Que tal prender o cara e, com isso, conseguir novos fatos, que só ele poderia saber? Resumindo: só teremos "fatos bem apurados" com a sua prisão, e o trecho a seguir confirma isso ] (…)”Só o depoimento dele poderá esclarecer as perguntas que ainda estão sem resposta nessa história toda”, disse o delegado André Luiz Pimentel, que investiga o caso. Para o padre, para Batista e para qualquer outro cidadão, valem as mesmas palavras ditas por Lancellotti quando cobrou providências no caso do assassinato de sete moradores de rua, em 2006, em São Paulo: “Nós não vamos nos esquecer. Vamos continuar cobrando até que a Justiça dê uma resposta”. [ N.do Blog: Trágico. Ameaçam-lhe com suas próprias palavras. Aqui se diz, claramente: "o padre encheu o saco de todos os 'cidadãos de bem' quando a escumalha que dormia na Tabatingüera foi finalmente removida, e agora tem o troco. Vamos sangrá-lo". Até a frase final serve ao propósito de deixar dúvidas quanto ao 'proceder' do pe. Júlio Lancelotti. Eles tiveram de ter a última palavra ].
Polícia abre inquérito para investigar padre Júlio Lancellotti
Padre contou à polícia que vinha sendo extorquido por jovens há três anos, tendo pago R$ 80 mil
OESP, Cidades, 24/10/07
CNBB repudia denúncias e envia carta de apoio a padre Júlio Lancelotti
Folha Online - 25/10/2007
Funcionária da Casa Vida defende padre Júlio de acusações
Polícia apura denúncia de “ato libidinoso” feita por ex-funcionária que trabalhou com o padre na fundação
OESP, Cidades, 25/10/07
Para finalizar, não deixando dúvidas a respeito de minha opinião abalizada sobre as questões mais intrigantes da Humanidade: Foda-se a classe média paulistana, a tucanalha, o imprensalão e os Jardins e Higienópolis, os capitães Nascimentos e os “cidadãos de bem” que os contratam para chacinar os Morlocks de São Paulo.
Pronto! Agora me sinto bem melhor.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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