ENCALHE

junho 6, 2009

"Castigo extra", por Delfim Netto

Castigo extra
Mais um vez assistimos à penalização do setor exportador brasileiro devido à enorme flutuação a que está exposta a taxa de câmbio. Além da queda do volume do comércio mundial em decorrência da crise financeira, nossas empresas passaram a lidar mais recentemente com a perda de competitividade devido à forte valorização do Real. Um pedaço dessa valorização – todos sabemos – é o espelho da desvalorização do dólar que produz efeito parecido na moeda dos demais países, mas no caso brasileiro, estamos submetidos a um castigo extra: nos últimos meses, o Real foi exposto a um processo de supervalorização sem paralelo, devido ao ingresso de capitais atraídos pelo diferencial de juros interno e externo. A taxa de juros que oferecemos continua sendo a mais generosa do mundo para todo tipo de investimento financeiro. O Real foi a moeda que mais se valorizou neste período pós-crise, tirando a condição de nossos exportadores de enfrentarem a dura competição nos mercados. Isso acontece exatamente quando os concorrentes “forçam a mão” oferecendo substanciais descontos nos preços e “retornos” disfarçados em condições, digamos, heterodoxas. Nós vivemos um momento bastante curioso. Quando veio a crise, Brasil e China estavam em condições razoavelmente adequadas para enfrentar a situação externa, o Brasil talvez um pouquinho melhor porque é um mercado menos aberto que o chinês. Em relação a seus mercados internos os dois foram na mesma direção de estimular o consumo popular e acelerar investimentos na infra-estrutura para ocupar mão-de-obra, garantir empregos e sustentar a renda. Apesar de embaraçado com as questões ambientais, o Brasil vem avançando (liberou as usinas do Madeira, mas se enrola nas rodovias); perde longe, porém, para a China que liberou em um mês mais de cem projetos de construção de rodovias que estavam encrencados na burocracia ambiental. No campo externo, os chineses foram eficientes ao manter a moeda desvalorizada frente ao dólar e se tornaram ainda mais agressivos nas exportações, atropelando concorrentes em todos os cantos do mundo. Vão perder produto como os demais, mas saem de um crescimento de 9% para 7% este ano, menos 2% de PIB. O Brasil está ameaçado de não crescer este ano, uma forte queda em relação aos 5.1% de crescimento de 2008. A diferença em termos de eficiência entre os dois países é gigantesca: por conta de recuos desnecessários na política monetária, o Brasil não lançou mão a tempo da musculatura que estava disponível para defender seu setor produtivo do “apagão do crédito” importado e ainda permite a penalização extraordinária das empresas que investem e enfrentam os riscos no exterior. Não há justificativa para continuar segurando a queda das taxas de juro. É preciso eliminar os inconvenientes enormes dessa política, dentre os quais o maior deles é a volatilidade dramática da taxa de câmbio.
Antonio Delfim Netto

maio 5, 2009

Números da crise: tchau, marolinha?

Filed under: CNI, crise econômica mundial, economia brasileira, exportações, IBGE, IEDI, IPEA — Humberto @ 9:13 pm
Presidente da CNI vê sinais de recuperação na indústria
05/05/2009
Agência CNI

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou nesta terça-feira (05) que a alta de 0,7% da produção industrial em março, em comparação com fevereiro, mostra que a queda-livre experimentada pelo setor no fim do ano passado e no começo deste foi interrompida.
“Há sinais tênues de que a atividade possa estar evoluindo de forma positiva neste segundo trimestre”, disse Monteiro Neto, que participa, ao comentar dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de prever um início de recuperação, Monteiro Neto ressaltou que não se deve exagerar no otimismo. “No segundo trimestre teremos um desempenho melhor, mas há uma ponta de preocupação de que voltemos a ter uma forte queda na produção industrial, que conseqüentemente gerará forte queda no PIB industrial.”
O presidente da CNI lembrou que em 2009 o PIB industrial será negativo em relação a 2008, mesmo com certa recuperação a partir deste trimestre, ou mais provavelmente no segundo semestre. “Teremos, no ano, crescimento do PIB próximo de zero, e a indústria contribuirá de forma negativa, com queda de 2,5% a 3% na produção industrial.”
Armando Monteiro Neto disse que os resultados divulgados hoje pelo IBGE não surpreenderam. “Eles vieram em linha com os indicadores antecedentes.”
Produção industrial teve alta em março
A produção da indústria brasileira cresceu levemente em março sobre fevereiro, com alta de 0,7%. É o terceiro aumento consecutivo na comparação com o mês anterior. Sobre março de 2008 houve queda.
Agência Brasil , 05.05.09
Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira teve leve alta na passagem de fevereiro para março, registrando crescimento de 0,7%. O resultado aponta a terceira elevação consecutiva nesse tipo de comparação. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o setor sofreu forte queda, de 10%. Com o resultado de março, a atividade fabril fechou o primeiro trimestre de 2009 com recuo de 14,7% ante igual período de 2008. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a taxa ficou em -7,9%. Nos dois últimos trimestres, a perda acumulada pelo setor é de 16,7%, a mais elevada desde o segundo trimestre de 1990 (-19,8%). Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de -1,9%. De acordo com dados divulgados hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento verificado em março atingiu 11 das 27 atividades pesquisadas. O destaque foi a indústria de veículos automotores (7,0%), seguida pela farmacêutica (9,0%), por outros produtos químicos (3,5%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e óticos (20,8%) e indústrias extrativas (2,4%).Em movimento contrário, as principais quedas foram observadas nos setores de outros equipamentos de transporte (-15,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,3%), máquinas e equipamentos (-3,3%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-5,5%). Já em relação a março de 2008, a pesquisa aponta que houve retração em 20 dos 27 ramos pesquisados. As principais pressões negativas partiram de máquinas e equipamentos (-27,2%), veículos automotores (-18,5%), metalurgia básica (-29,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,9%). O levantamento do IBGE destaca que este ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que em 2008.
Exportação aos árabes volta a crescer forte
Embarques do Brasil para a região renderam US$ 807 milhões em março, um aumento de 50% sobre o mesmo mês do ano passado. O volume de negócios reverteu dois meses seguidos de queda.
São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes voltaram a ter forte crescimento em março deste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, os embarques renderam US$ 807,35 milhões, um aumento de mais de 50% em comparação com março do ano passado e de 66,6% em relação a fevereiro de 2009.O desempenho do mês anulou a queda registrada em janeiro e fevereiro, fez com que as vendas acumuladas no primeiro trimestre crescessem 4,1% sobre o mesmo período do ano passado e chegassem a US$ 1,84 bilhão. Em março as exportações totais do Brasil recuaram 6,37% em comparação com o mesmo mês de 2008. No acumulado do primeiro trimestre, elas caíram 19,4%.“Nesses três primeiros meses já houve uma recuperação e um crescimento, o que nos dá mais ânimo”, comentou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin. “Estou mais otimista hoje do que em janeiro”, acrescentou.Desde que assumiu a presidência da entidade em janeiro, Schahin já viajou para Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Líbano, Catar e Egito e conversou com lideranças políticas e empresariais desses países. “A percepção é de que o mundo árabe não vai sofrer tanto com a crise como as economias centrais”, afirmou. “O que houve foram perdas de investimentos feitos [pelos árabes] nas nações desenvolvidas”, declarou.Embora ressalte que é difícil fazer previsões sobre como os negócios vão se comportar até o final do ano, ele destacou que a crise tem dado sinais de arrefecimento. No caso do Brasil, por exemplo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) voltou a crescer de forma relativamente constante, ultrapassando os 50 mil pontos ontem (04), maior nível desde setembro de 2008, e há menor flutuação no mercado de câmbio.Na avaliação do presidente da Câmara Árabe, as exportações do Brasil ao mundo árabe deverão continuar a crescer. Ele acredita ser possível um aumento de dois dígitos até o final de 2009. No caso das importações o cenário é diferente, uma vez que o preço do petróleo está muito abaixo do que estava no ano passado e a produção nacional da Petrobras voltou a ser maior do que o consumo do país.Salim destacou que durante o ano ainda vão ocorrer eventos que poderão dar mais impulso aos negócios com os árabes, como a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita, na segunda quinzena de maio, e a vinda ao Brasil de uma missão da Câmara de Comércio e Indústria de Jeddah no final do mês.ProdutosEm março houve principalmente crescimento das exportações de minério de ferro, açúcar, aviões, soja em grãos, óleo de soja, fumo, tratores, vergalhões, milho, gado vivo, farelo de soja e motores elétricos.Em relação aos destinos, destaque para a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 170 milhões do Brasil, um aumento de 26% em comparação com março de 2008; Egito, com US$ 147,5 milhões, um crescimento de 119%; e Emirados Árabes Unidos, com US$ 111 milhões, um acréscimo de 41%. Houve crescimento acima da média nas vendas para o Líbano (213%), Marrocos (150%), Mauritânia (144%), Síria (53%), Líbia (92%) e Iraque (57%).As importações brasileiras de produtos árabes, por sua vez, caíram de US$ 804 milhões em março de 2008 para US$ 233 milhões em março deste ano, e de US$ 2,17 bilhões no primeiro trimestre do passado para US$ 737 milhões no mesmo período de 2009, resultando em um saldo comercial favorável ao Brasil em US$ 574 milhões no mês e em US$ 1,1 bilhão no ano. Houve redução nas vendas de petróleo, combustíveis e fertilizantes.
Varejo continua gerando empregos, segundo Ipea
Da Agência Brasil
O varejo de consumo e a prestação de serviços às famílias (ensino, medicina, odontologia, veterinária) estão entre os setores que mais criaram postos de trabalho em meio à crise financeira, segundo a pesquisa Crise Internacional: Impactos sobre o Emprego no Brasil e o Debate para a Constituição de uma Nova Ordem Global, divulgada nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Ipea constatou que o consumo no varejo manteve saldo positivo no saldo de postos de trabalho relativo aos dois períodos. Entre outubro de 2007 e março de 2008, foram criados 172.577 empregos. De outubro de 2008 a março de 2009, os novos postos somaram 39.601 vagas.
Quanto às faixas salariais, antes mesmo da crise, a participação do segmento de dois salários mínimos já vinha diminuindo. Após outubro do ano passado, a tendência de queda passou a atingir também os postos de trabalho com remuneração entre um e dois salários mínimos. “Até então, esta faixa vinha obtendo ganhos”, diz diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. “Parte disso se deve ao aumento do salário mínimo e ao fato de os salários mais elevados tenderem a não receber reajustes semelhantes.”
Segundo ele, esse movimento mostra que o mercado formal é muito focado no salário mínimo, “que se apresenta como elemento central da política de geração de emprego”.
Vendas em shoppings crescem 12% em março
As vendas em shopping centers aumentaram 12% no mês de março na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O aumento teve forte influência das lojas âncoras, que responderam por 21,4% das vendas, seguidas por artigos diversos, com 18,7%, conveniência e serviços, com 17,7, e 13% para as lojas satélites. O restante ficou dividido ente alimentação, vestuário, artigos do lar, megalojas e lazer e entretenimento
Comércio espera alta no faturamento para o Dia das Mães
Considerada a segunda data de maior movimento para o Comércio, a expectativa dos comerciantes para o Dia das Mães é positiva, impulsionada principalmente pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos. A medida pode contribuir para o faturamento dos lojistas no período que antecede a comemoração, em 10 de maio.
A redução do IPI para a linha branca é um fator novo no atual cenário econômico, avalia Fábio Bentes, da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Vai haver uma ajuda nas vendas, já que os empresários podem repassar a redução do imposto para o preço final dos produtos”, diz o economista. A recuperação do crédito – cujo volume, no sistema financeiro nacional, chegou a R$ 1,241 trilhão em março – também é um bom sinal para os comerciantes. “Em 2008, as vendas desses produtos já estavam crescendo em ritmo forte, até que, no último trimestre do ano, pioraram. Mas, com o aumento gradual do crédito e a queda do câmbio que estamos verificando desde o início de 2009, os preços dos produtos podem cair”. De acordo com Bentes, a estimativa da Divisão Econômica da CNC para as vendas totais do comércio até o fim deste ano é de crescimento na ordem de 2,5%. Com a redução do IPI, pode chegar a 2,8%.
Fábio Pina, economista da Federação do Comércio de São Paulo, acredita que a redução do IPI para geladeiras, fogões, tanques e máquinas de lavar seja um estímulo ao consumidor, que terá a oportunidade comprar um bem mais durável, seja para presentear ou adquirir novos eletrodomésticos para si próprio. “É como se fosse um prêmio. O setor é grande e pode influenciar nos resultados finais. Mas ainda assim acredito que os resultados podem variar entre -2,55% e +2,5%, em São Paulo”. O economista aponta a queda da confiança do consumidor como fator que pode prejudicar os resultados do comércio – o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas, caiu 0,7% de fevereiro para março, menor nível da série, iniciada em setembro de 2005.
Vamberto Santana, economista da Federação do Comércio do Paraná, concorda com a opinião sobre a influência do IPI nas vendas. “As condições para que a população adquira mais produtos da chamada linha branca é muito grande, e pode gerar comprar adicionais”. Santana explica: ao comprar um fogão, o consumidor pode adquirir, por exemplo, produtos de culinária. Outro fator que pode alavancar as vendas no Paraná é o salário-mínimo diferenciado – o aumento para seis faixas salariais, que vão de R$ 605,52 a R$ 629,65, beneficia diretamente 174 mil empregados domésticos, no comércio e em atividades rurais, entre outras categorias. “O reajuste passa a valer a partir de 1.º de maio, e atinge inclusive os trabalhadores que não são contemplados em acordos coletivos de trabalho, o que é um bom incentivo para as compras ”, explica.
Do Rio de Janeiro, o economista Gabriel Santini, da Fecomércio-RJ, endossa as expectativas. “O consumidor pode até, devido à atual redução do índice de desemprego no Estado, adquirir produtos à vista, sobretudo da linha branca, mais acessíveis para este tipo de negócio”.
O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista/DF), filiado à Fecomercio-DF, aguarda uma redução entre 5 e 10% no preço de produtos como geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar. O presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto de Moraes, acredita que a data vai aquecer em até 6% as vendas de setores como Floriculturas, Vestuário, Perfumaria, Calçados e Jóias. “Apesar da crise financeira, a expectativa é de bom desempenho neste ano. O resultado dos primeiros meses, cujas vendas foram superiores às de 2008, nos deixa otimistas”, analisa.
Preparativos
Para aumentar as vendas no Dia das Mães, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG) realiza nos dias 27, 28 e 29 de abril o curso “Incrementando suas vendas para o Dia das Mães”. O evento é direcionado aos profissionais da área comercial e contratados para serviço temporário, e vai abordar temas como o perfil do novo cliente versus perfil do vendedor de sucesso; técnicas de vendas; vendas adicionais e vendas complementares; e importância da fidelização dos clientes.
A solução da crise leva tempo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacionial do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O mundo está enfermo, resultado de uma “intoxicação de consumo”, durante 20 anos. Agora, precisa descansar algum tempo, para se recuperar. A medicação adotada nos Estados Unidos, na Europa, assim como no Brasil, leva algum tempo para produzir efeito. Intoxicar o “doente” com sucessivas doses de um sem número de medicamentos não vai promover a cura imediata. Leva tempo.
O ritmo de expansão do comércio internacional, que crescia celeremente desde 2003, reconhecida alavanca do crescimento econômico, sofreu uma queda brusca de 20% , no último trimestre de 2008, e não vai voltar tão rapidamente ao nível anterior. Leva tempo. O volume de crédito bancário caiu fortemente, o mercado de capitais está praticamente paralisado e os índices das cotações nas principais Bolsas de Valores do mundo caíram até 50% e não vão se recuperar enquanto não se recuperar a lucratividade (P/L) das grandes empresas. Leva tempo.
As medidas anticíclicas, que estão sendo adotadas, certamente vão restaurar o crédito no sistema financeiro, vão reanimar o consumo e, portanto, vão criar incentivos para que voltem a ocorrer os investimentos privados. No momento, estão deprimidas a propensão a consumir e a propensão a investir. É importante que as medidas monetárias e fiscais se orientem no sentido de compensar a queda dos investimentos e promover a criação de novos empregos, para neutralizar o desemprego gerado pela crise. É preciso um pouco de paciência para aguardar os resultados. Não adianta ir “com muita sede ao pote”, adotando um elenco interminável de medidas. Leva tempo.
Segundo reportagem do Jornal do Comércio, 92% das empresas de porte médio anunciaram que pretendiam investir, em 2008. Neste ano, esse percentual caiu para 70%, um recuo de 24 %, bem maior que o verificado nas pequenas e grandes empresas.
Janeiro de 2009 marcou uma reversão abrupta nos avanços sociais alcançados pelo Brasil, nos últimos seis anos. Em apenas um mês, a classe C, nas seis maiores regiões metropolitanas, perdeu 11% de todo o aumento conseguido no governo Lula. Em janeiro de 2009, 563 mil pessoas saíram da classe C para as classes D e E, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. O recuo na participação da classe C, no total da população dessas regiões metropolitanas, foi de 1,2 ponto percentual, saindo de 53,8%, em dezembro de 2008, para 52,6% atuais.
A economia brasileira teve um desenvolvimento auspicioso ao longo de 2008, crescendo ao ritmo anual de 6,0%, até setembro. A partir de outubro, houve uma reversão dramática, para 3,6% negativos, devido basicamente à queda de 27% nas exportações de novembro e dezembro, que continuaram perdendo força no primeiro trimestre de 2009. Pelo visto, a recuperação das atividades econômicas deverá recomeçar pela retomada das exportações, mas a OECD estima uma queda de 13% no comércio internacional, em 2009. A recuperação, evidentemente, leva tempo.
De acordo com os princípios da teoria shumpeteriana, ou seja, a de que as fases de prosperidade são iniciadas por impulso das ondas de inovações, é bem possível que a atual recessão econômica leve algum tempo para recuperar-se. Uma nova revolução industrial, de consumo e de investimentos, está sendo gerada no campo das pesquisas e da experimentação de novas formas de energia “limpa”. Bilhões de dólares estão sendo investidos em pesquisas no campo de biocombustíveis, de novas fórmulas de etanol celulósico e de algas, de energia solar e nuclear, de geração eólica e marítima, além das enormes expectativas no campo do biodiesel e do hidrogênio. Já se encontram no mercado os veículos flex e já estão chegando os veículos com motores elétricos e as primeiras experiências de gerações de energia com hidrogênio. Essas inovações vão gerar impulso para pôr em marcha uma nova fase de prosperidade, início de um novo ciclo econômico.
Esse será o tempo necessário para entrarem em campo, com maior vigor, os investimentos do PAC, se não faltarem recursos do Governo, que poderão estar sendo utilizados em muitas outras finalidades. Exportações e investimentos na infra-estrutura são, necessariamente, os caminhos da recuperação. Até que chegue a nova onda de inovações.
A análise da crise atual nos revelou que sua origem, sem dúvida, foi a indigestão de consumo e de especulação, muito além das possibilidades permitidas pela efetiva geração da renda resultante das atividades produtivas. Agora, é preciso dar tempo ao tempo, para concluir a digestão da crise. É uma questão matemática e de tempo. Não adianta criar soluções artificiais. Até as jibóias sabem disso…
( Publicado no Jornal do Commercio de 30/04/2009 )
Receita com exportação de açúcar sobe 48% em abril
As exportações brasileiras de açúcar atingiram, em abril, o volume de 1,3 milhão de toneladas. O montante é ligeiramente superior aos 1,297 milhão de toneladas verificados às exportações de março e 36,6% maior que o registrado em igual período de 2008, quando o volume exportado ficou em 951 mil toneladas.
Do total exportado em abril, 964,4 mil toneladas foram de açúcar demerara, alta de 69,4% ante abril de 2008, e 335,7 mil toneladas foram de refinado, queda de 12,16% ante igual período do ano passado. Em abril, a receita obtida com as exportações ficou em US$ 404,7 milhões, queda de 0,5% em relação a março mas alta de 48% ante resultado de abril de 2008, quando as vendas atingiram US$ 273,7 milhões. Do total registrado em março, US$ 289,7 milhões vieram de venda de demerara e US$ 115 milhões da venda de refinado.
ENTREMENTES…
ANÁLISE IEDI, 05.05.09:
Indústria – O momento difícil
Só na aparência os resultados da indústria em março, divulgados hoje pelo IBGE, podem ser considerados positivos. Houve de fato um aumento da produção industrial com relação a fevereiro com ajuste sazonal, sendo este o terceiro aumento consecutivo, mas o desse último mês foi o menor, e, além disso, foi muito pouco expressivo, de apenas 0,7%. Nos meses anteriores a variação positiva tinha chegado a 2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Houve também uma redução expressiva na queda da produção industrial de março último com relação a março do ano passado, -10,0%, contra reduções de 17,5% e 16,8% em janeiro e fevereiro. Contudo, essa “melhora” decorreu muito mais de um fator calendário ou de um fator estatístico do que qualquer outra coisa. É que no corrente ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que março do ano passado e, ademais, o resultado da produção industrial nesse último mês fora muito baixo, portanto formando uma base baixa de comparação.
Os dados relevantes para se aferir o estado da produção industrial do país não são esses, mas sim, o que informa que na média dos últimos 3 meses a indústria opera em um nível de produção quase 15% inferior ao do mesmo período do ano passado. A outra informação relevante é que o coração de um sistema produtivo, ou seja, a sua indústria de bens de capital, que espelha a intenção de investir da economia, não pára de aprofundar sua queda. Com ajuste sazonal, a comparação da produção desse setor em março com fevereiro apresentou recuo de 4,7%, acumulando dois meses de mega retrações, já que em fevereiro o declínio chegara a 7,1%. Isso significa que esse setor desde o início da crise já perdeu, em seis meses, 33% de sua produção, sem que apresente qualquer sinal de reação. Em si, esse é um desempenho que deprime os resultados da indústria como um todo, que caiu 16%, também comparando-se a produção de março com o auge anterior à crise verificado em setembro do ano passado. Mas, mais do que isso, o colapso em bens de capital é revelador de que o investimento na economia brasileira está tendo um declínio de grandes proporções. As variações do investimento têm o poder de determinar à frente os aumentos de renda e emprego, razão pela qual os negativos indicadores em bens de capital devem ser tomados com extrema preocupação.
No momento atual, a economia brasileira vem acumulando resultados favoráveis. Tem sido assim na área do emprego, do comércio varejista, do comércio exterior, na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, na inflação, denotando que sob muitos critérios a crise internacional não afeta o Brasil tão negativamente como em outras épocas, o que pode ser indicativo de que a economia do país desfruta de capacidade para superar a atual etapa adversa com antecedência a outras economias. Tudo isso é verdadeiro, menos com relação ao eixo central da dinâmica econômica, que no Brasil, assim com em qualquer outro lugar do mundo, tem no investimento o seu centro irradiador. E o investimento no Brasil vai muito mal.
O governo tem realizado reduções de impostos em segmentos de bens duráveis, o que contribuiu para minimizar a queda de vendas e de produção nesses setores. Mas até agora não instituiu nenhum mecanismo adicional de incentivo para as empresas que, mesmo diante do horizonte incerto causado pela crise internacional, venham a se aventurar em projetos de investimento. Não deve ser minimizado o conjunto de medidas, extremamente relevantes, para ampliação dos recursos para o BNDES. Elas asseguraram que por falta de financiamento não haverá descontinuidade dos investimentos na economia. Mas não somente por falta de financiamento os investimentos deixam de ser realizados, se, como é o caso no presente momento econômico, há uma queda generalizada e profunda nas expectativas, deprimindo a demanda por novos investimentos. Reduções de impostos na compra de bens de capital ajudariam nessa direção, mas seria importante um incentivo extra, tal como a redução de tributos (IR e outros impostos e contribuições federais) em contrapartida aos gastos com investimentos realizados, digamos nesse e no próximo ano. (
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Números da crise: tchau, marolinha?

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Presidente da CNI vê sinais de recuperação na indústria
05/05/2009
Agência CNI

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou nesta terça-feira (05) que a alta de 0,7% da produção industrial em março, em comparação com fevereiro, mostra que a queda-livre experimentada pelo setor no fim do ano passado e no começo deste foi interrompida.
“Há sinais tênues de que a atividade possa estar evoluindo de forma positiva neste segundo trimestre”, disse Monteiro Neto, que participa, ao comentar dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de prever um início de recuperação, Monteiro Neto ressaltou que não se deve exagerar no otimismo. “No segundo trimestre teremos um desempenho melhor, mas há uma ponta de preocupação de que voltemos a ter uma forte queda na produção industrial, que conseqüentemente gerará forte queda no PIB industrial.”
O presidente da CNI lembrou que em 2009 o PIB industrial será negativo em relação a 2008, mesmo com certa recuperação a partir deste trimestre, ou mais provavelmente no segundo semestre. “Teremos, no ano, crescimento do PIB próximo de zero, e a indústria contribuirá de forma negativa, com queda de 2,5% a 3% na produção industrial.”
Armando Monteiro Neto disse que os resultados divulgados hoje pelo IBGE não surpreenderam. “Eles vieram em linha com os indicadores antecedentes.”
Produção industrial teve alta em março
A produção da indústria brasileira cresceu levemente em março sobre fevereiro, com alta de 0,7%. É o terceiro aumento consecutivo na comparação com o mês anterior. Sobre março de 2008 houve queda.
Agência Brasil , 05.05.09
Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira teve leve alta na passagem de fevereiro para março, registrando crescimento de 0,7%. O resultado aponta a terceira elevação consecutiva nesse tipo de comparação. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o setor sofreu forte queda, de 10%. Com o resultado de março, a atividade fabril fechou o primeiro trimestre de 2009 com recuo de 14,7% ante igual período de 2008. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a taxa ficou em -7,9%. Nos dois últimos trimestres, a perda acumulada pelo setor é de 16,7%, a mais elevada desde o segundo trimestre de 1990 (-19,8%). Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de -1,9%. De acordo com dados divulgados hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento verificado em março atingiu 11 das 27 atividades pesquisadas. O destaque foi a indústria de veículos automotores (7,0%), seguida pela farmacêutica (9,0%), por outros produtos químicos (3,5%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e óticos (20,8%) e indústrias extrativas (2,4%).Em movimento contrário, as principais quedas foram observadas nos setores de outros equipamentos de transporte (-15,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,3%), máquinas e equipamentos (-3,3%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-5,5%). Já em relação a março de 2008, a pesquisa aponta que houve retração em 20 dos 27 ramos pesquisados. As principais pressões negativas partiram de máquinas e equipamentos (-27,2%), veículos automotores (-18,5%), metalurgia básica (-29,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,9%). O levantamento do IBGE destaca que este ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que em 2008.
Exportação aos árabes volta a crescer forte
Embarques do Brasil para a região renderam US$ 807 milhões em março, um aumento de 50% sobre o mesmo mês do ano passado. O volume de negócios reverteu dois meses seguidos de queda.
São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes voltaram a ter forte crescimento em março deste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, os embarques renderam US$ 807,35 milhões, um aumento de mais de 50% em comparação com março do ano passado e de 66,6% em relação a fevereiro de 2009.O desempenho do mês anulou a queda registrada em janeiro e fevereiro, fez com que as vendas acumuladas no primeiro trimestre crescessem 4,1% sobre o mesmo período do ano passado e chegassem a US$ 1,84 bilhão. Em março as exportações totais do Brasil recuaram 6,37% em comparação com o mesmo mês de 2008. No acumulado do primeiro trimestre, elas caíram 19,4%.“Nesses três primeiros meses já houve uma recuperação e um crescimento, o que nos dá mais ânimo”, comentou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin. “Estou mais otimista hoje do que em janeiro”, acrescentou.Desde que assumiu a presidência da entidade em janeiro, Schahin já viajou para Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Líbano, Catar e Egito e conversou com lideranças políticas e empresariais desses países. “A percepção é de que o mundo árabe não vai sofrer tanto com a crise como as economias centrais”, afirmou. “O que houve foram perdas de investimentos feitos [pelos árabes] nas nações desenvolvidas”, declarou.Embora ressalte que é difícil fazer previsões sobre como os negócios vão se comportar até o final do ano, ele destacou que a crise tem dado sinais de arrefecimento. No caso do Brasil, por exemplo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) voltou a crescer de forma relativamente constante, ultrapassando os 50 mil pontos ontem (04), maior nível desde setembro de 2008, e há menor flutuação no mercado de câmbio.Na avaliação do presidente da Câmara Árabe, as exportações do Brasil ao mundo árabe deverão continuar a crescer. Ele acredita ser possível um aumento de dois dígitos até o final de 2009. No caso das importações o cenário é diferente, uma vez que o preço do petróleo está muito abaixo do que estava no ano passado e a produção nacional da Petrobras voltou a ser maior do que o consumo do país.Salim destacou que durante o ano ainda vão ocorrer eventos que poderão dar mais impulso aos negócios com os árabes, como a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita, na segunda quinzena de maio, e a vinda ao Brasil de uma missão da Câmara de Comércio e Indústria de Jeddah no final do mês.ProdutosEm março houve principalmente crescimento das exportações de minério de ferro, açúcar, aviões, soja em grãos, óleo de soja, fumo, tratores, vergalhões, milho, gado vivo, farelo de soja e motores elétricos.Em relação aos destinos, destaque para a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 170 milhões do Brasil, um aumento de 26% em comparação com março de 2008; Egito, com US$ 147,5 milhões, um crescimento de 119%; e Emirados Árabes Unidos, com US$ 111 milhões, um acréscimo de 41%. Houve crescimento acima da média nas vendas para o Líbano (213%), Marrocos (150%), Mauritânia (144%), Síria (53%), Líbia (92%) e Iraque (57%).As importações brasileiras de produtos árabes, por sua vez, caíram de US$ 804 milhões em março de 2008 para US$ 233 milhões em março deste ano, e de US$ 2,17 bilhões no primeiro trimestre do passado para US$ 737 milhões no mesmo período de 2009, resultando em um saldo comercial favorável ao Brasil em US$ 574 milhões no mês e em US$ 1,1 bilhão no ano. Houve redução nas vendas de petróleo, combustíveis e fertilizantes.
Varejo continua gerando empregos, segundo Ipea
Da Agência Brasil
O varejo de consumo e a prestação de serviços às famílias (ensino, medicina, odontologia, veterinária) estão entre os setores que mais criaram postos de trabalho em meio à crise financeira, segundo a pesquisa Crise Internacional: Impactos sobre o Emprego no Brasil e o Debate para a Constituição de uma Nova Ordem Global, divulgada nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Ipea constatou que o consumo no varejo manteve saldo positivo no saldo de postos de trabalho relativo aos dois períodos. Entre outubro de 2007 e março de 2008, foram criados 172.577 empregos. De outubro de 2008 a março de 2009, os novos postos somaram 39.601 vagas.
Quanto às faixas salariais, antes mesmo da crise, a participação do segmento de dois salários mínimos já vinha diminuindo. Após outubro do ano passado, a tendência de queda passou a atingir também os postos de trabalho com remuneração entre um e dois salários mínimos. “Até então, esta faixa vinha obtendo ganhos”, diz diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. “Parte disso se deve ao aumento do salário mínimo e ao fato de os salários mais elevados tenderem a não receber reajustes semelhantes.”
Segundo ele, esse movimento mostra que o mercado formal é muito focado no salário mínimo, “que se apresenta como elemento central da política de geração de emprego”.
Vendas em shoppings crescem 12% em março
As vendas em shopping centers aumentaram 12% no mês de março na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O aumento teve forte influência das lojas âncoras, que responderam por 21,4% das vendas, seguidas por artigos diversos, com 18,7%, conveniência e serviços, com 17,7, e 13% para as lojas satélites. O restante ficou dividido ente alimentação, vestuário, artigos do lar, megalojas e lazer e entretenimento
Comércio espera alta no faturamento para o Dia das Mães
Considerada a segunda data de maior movimento para o Comércio, a expectativa dos comerciantes para o Dia das Mães é positiva, impulsionada principalmente pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos. A medida pode contribuir para o faturamento dos lojistas no período que antecede a comemoração, em 10 de maio.
A redução do IPI para a linha branca é um fator novo no atual cenário econômico, avalia Fábio Bentes, da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Vai haver uma ajuda nas vendas, já que os empresários podem repassar a redução do imposto para o preço final dos produtos”, diz o economista. A recuperação do crédito – cujo volume, no sistema financeiro nacional, chegou a R$ 1,241 trilhão em março – também é um bom sinal para os comerciantes. “Em 2008, as vendas desses produtos já estavam crescendo em ritmo forte, até que, no último trimestre do ano, pioraram. Mas, com o aumento gradual do crédito e a queda do câmbio que estamos verificando desde o início de 2009, os preços dos produtos podem cair”. De acordo com Bentes, a estimativa da Divisão Econômica da CNC para as vendas totais do comércio até o fim deste ano é de crescimento na ordem de 2,5%. Com a redução do IPI, pode chegar a 2,8%.
Fábio Pina, economista da Federação do Comércio de São Paulo, acredita que a redução do IPI para geladeiras, fogões, tanques e máquinas de lavar seja um estímulo ao consumidor, que terá a oportunidade comprar um bem mais durável, seja para presentear ou adquirir novos eletrodomésticos para si próprio. “É como se fosse um prêmio. O setor é grande e pode influenciar nos resultados finais. Mas ainda assim acredito que os resultados podem variar entre -2,55% e +2,5%, em São Paulo”. O economista aponta a queda da confiança do consumidor como fator que pode prejudicar os resultados do comércio – o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas, caiu 0,7% de fevereiro para março, menor nível da série, iniciada em setembro de 2005.
Vamberto Santana, economista da Federação do Comércio do Paraná, concorda com a opinião sobre a influência do IPI nas vendas. “As condições para que a população adquira mais produtos da chamada linha branca é muito grande, e pode gerar comprar adicionais”. Santana explica: ao comprar um fogão, o consumidor pode adquirir, por exemplo, produtos de culinária. Outro fator que pode alavancar as vendas no Paraná é o salário-mínimo diferenciado – o aumento para seis faixas salariais, que vão de R$ 605,52 a R$ 629,65, beneficia diretamente 174 mil empregados domésticos, no comércio e em atividades rurais, entre outras categorias. “O reajuste passa a valer a partir de 1.º de maio, e atinge inclusive os trabalhadores que não são contemplados em acordos coletivos de trabalho, o que é um bom incentivo para as compras ”, explica.
Do Rio de Janeiro, o economista Gabriel Santini, da Fecomércio-RJ, endossa as expectativas. “O consumidor pode até, devido à atual redução do índice de desemprego no Estado, adquirir produtos à vista, sobretudo da linha branca, mais acessíveis para este tipo de negócio”.
O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista/DF), filiado à Fecomercio-DF, aguarda uma redução entre 5 e 10% no preço de produtos como geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar. O presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto de Moraes, acredita que a data vai aquecer em até 6% as vendas de setores como Floriculturas, Vestuário, Perfumaria, Calçados e Jóias. “Apesar da crise financeira, a expectativa é de bom desempenho neste ano. O resultado dos primeiros meses, cujas vendas foram superiores às de 2008, nos deixa otimistas”, analisa.
Preparativos
Para aumentar as vendas no Dia das Mães, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG) realiza nos dias 27, 28 e 29 de abril o curso “Incrementando suas vendas para o Dia das Mães”. O evento é direcionado aos profissionais da área comercial e contratados para serviço temporário, e vai abordar temas como o perfil do novo cliente versus perfil do vendedor de sucesso; técnicas de vendas; vendas adicionais e vendas complementares; e importância da fidelização dos clientes.
A solução da crise leva tempo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacionial do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O mundo está enfermo, resultado de uma “intoxicação de consumo”, durante 20 anos. Agora, precisa descansar algum tempo, para se recuperar. A medicação adotada nos Estados Unidos, na Europa, assim como no Brasil, leva algum tempo para produzir efeito. Intoxicar o “doente” com sucessivas doses de um sem número de medicamentos não vai promover a cura imediata. Leva tempo.
O ritmo de expansão do comércio internacional, que crescia celeremente desde 2003, reconhecida alavanca do crescimento econômico, sofreu uma queda brusca de 20% , no último trimestre de 2008, e não vai voltar tão rapidamente ao nível anterior. Leva tempo. O volume de crédito bancário caiu fortemente, o mercado de capitais está praticamente paralisado e os índices das cotações nas principais Bolsas de Valores do mundo caíram até 50% e não vão se recuperar enquanto não se recuperar a lucratividade (P/L) das grandes empresas. Leva tempo.
As medidas anticíclicas, que estão sendo adotadas, certamente vão restaurar o crédito no sistema financeiro, vão reanimar o consumo e, portanto, vão criar incentivos para que voltem a ocorrer os investimentos privados. No momento, estão deprimidas a propensão a consumir e a propensão a investir. É importante que as medidas monetárias e fiscais se orientem no sentido de compensar a queda dos investimentos e promover a criação de novos empregos, para neutralizar o desemprego gerado pela crise. É preciso um pouco de paciência para aguardar os resultados. Não adianta ir “com muita sede ao pote”, adotando um elenco interminável de medidas. Leva tempo.
Segundo reportagem do Jornal do Comércio, 92% das empresas de porte médio anunciaram que pretendiam investir, em 2008. Neste ano, esse percentual caiu para 70%, um recuo de 24 %, bem maior que o verificado nas pequenas e grandes empresas.
Janeiro de 2009 marcou uma reversão abrupta nos avanços sociais alcançados pelo Brasil, nos últimos seis anos. Em apenas um mês, a classe C, nas seis maiores regiões metropolitanas, perdeu 11% de todo o aumento conseguido no governo Lula. Em janeiro de 2009, 563 mil pessoas saíram da classe C para as classes D e E, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. O recuo na participação da classe C, no total da população dessas regiões metropolitanas, foi de 1,2 ponto percentual, saindo de 53,8%, em dezembro de 2008, para 52,6% atuais.
A economia brasileira teve um desenvolvimento auspicioso ao longo de 2008, crescendo ao ritmo anual de 6,0%, até setembro. A partir de outubro, houve uma reversão dramática, para 3,6% negativos, devido basicamente à queda de 27% nas exportações de novembro e dezembro, que continuaram perdendo força no primeiro trimestre de 2009. Pelo visto, a recuperação das atividades econômicas deverá recomeçar pela retomada das exportações, mas a OECD estima uma queda de 13% no comércio internacional, em 2009. A recuperação, evidentemente, leva tempo.
De acordo com os princípios da teoria shumpeteriana, ou seja, a de que as fases de prosperidade são iniciadas por impulso das ondas de inovações, é bem possível que a atual recessão econômica leve algum tempo para recuperar-se. Uma nova revolução industrial, de consumo e de investimentos, está sendo gerada no campo das pesquisas e da experimentação de novas formas de energia “limpa”. Bilhões de dólares estão sendo investidos em pesquisas no campo de biocombustíveis, de novas fórmulas de etanol celulósico e de algas, de energia solar e nuclear, de geração eólica e marítima, além das enormes expectativas no campo do biodiesel e do hidrogênio. Já se encontram no mercado os veículos flex e já estão chegando os veículos com motores elétricos e as primeiras experiências de gerações de energia com hidrogênio. Essas inovações vão gerar impulso para pôr em marcha uma nova fase de prosperidade, início de um novo ciclo econômico.
Esse será o tempo necessário para entrarem em campo, com maior vigor, os investimentos do PAC, se não faltarem recursos do Governo, que poderão estar sendo utilizados em muitas outras finalidades. Exportações e investimentos na infra-estrutura são, necessariamente, os caminhos da recuperação. Até que chegue a nova onda de inovações.
A análise da crise atual nos revelou que sua origem, sem dúvida, foi a indigestão de consumo e de especulação, muito além das possibilidades permitidas pela efetiva geração da renda resultante das atividades produtivas. Agora, é preciso dar tempo ao tempo, para concluir a digestão da crise. É uma questão matemática e de tempo. Não adianta criar soluções artificiais. Até as jibóias sabem disso…
( Publicado no Jornal do Commercio de 30/04/2009 )
Receita com exportação de açúcar sobe 48% em abril
As exportações brasileiras de açúcar atingiram, em abril, o volume de 1,3 milhão de toneladas. O montante é ligeiramente superior aos 1,297 milhão de toneladas verificados às exportações de março e 36,6% maior que o registrado em igual período de 2008, quando o volume exportado ficou em 951 mil toneladas.
Do total exportado em abril, 964,4 mil toneladas foram de açúcar demerara, alta de 69,4% ante abril de 2008, e 335,7 mil toneladas foram de refinado, queda de 12,16% ante igual período do ano passado. Em abril, a receita obtida com as exportações ficou em US$ 404,7 milhões, queda de 0,5% em relação a março mas alta de 48% ante resultado de abril de 2008, quando as vendas atingiram US$ 273,7 milhões. Do total registrado em março, US$ 289,7 milhões vieram de venda de demerara e US$ 115 milhões da venda de refinado.
ENTREMENTES…
ANÁLISE IEDI, 05.05.09:
Indústria – O momento difícil
Só na aparência os resultados da indústria em março, divulgados hoje pelo IBGE, podem ser considerados positivos. Houve de fato um aumento da produção industrial com relação a fevereiro com ajuste sazonal, sendo este o terceiro aumento consecutivo, mas o desse último mês foi o menor, e, além disso, foi muito pouco expressivo, de apenas 0,7%. Nos meses anteriores a variação positiva tinha chegado a 2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Houve também uma redução expressiva na queda da produção industrial de março último com relação a março do ano passado, -10,0%, contra reduções de 17,5% e 16,8% em janeiro e fevereiro. Contudo, essa “melhora” decorreu muito mais de um fator calendário ou de um fator estatístico do que qualquer outra coisa. É que no corrente ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que março do ano passado e, ademais, o resultado da produção industrial nesse último mês fora muito baixo, portanto formando uma base baixa de comparação.
Os dados relevantes para se aferir o estado da produção industrial do país não são esses, mas sim, o que informa que na média dos últimos 3 meses a indústria opera em um nível de produção quase 15% inferior ao do mesmo período do ano passado. A outra informação relevante é que o coração de um sistema produtivo, ou seja, a sua indústria de bens de capital, que espelha a intenção de investir da economia, não pára de aprofundar sua queda. Com ajuste sazonal, a comparação da produção desse setor em março com fevereiro apresentou recuo de 4,7%, acumulando dois meses de mega retrações, já que em fevereiro o declínio chegara a 7,1%. Isso significa que esse setor desde o início da crise já perdeu, em seis meses, 33% de sua produção, sem que apresente qualquer sinal de reação. Em si, esse é um desempenho que deprime os resultados da indústria como um todo, que caiu 16%, também comparando-se a produção de março com o auge anterior à crise verificado em setembro do ano passado. Mas, mais do que isso, o colapso em bens de capital é revelador de que o investimento na economia brasileira está tendo um declínio de grandes proporções. As variações do investimento têm o poder de determinar à frente os aumentos de renda e emprego, razão pela qual os negativos indicadores em bens de capital devem ser tomados com extrema preocupação.
No momento atual, a economia brasileira vem acumulando resultados favoráveis. Tem sido assim na área do emprego, do comércio varejista, do comércio exterior, na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, na inflação, denotando que sob muitos critérios a crise internacional não afeta o Brasil tão negativamente como em outras épocas, o que pode ser indicativo de que a economia do país desfruta de capacidade para superar a atual etapa adversa com antecedência a outras economias. Tudo isso é verdadeiro, menos com relação ao eixo central da dinâmica econômica, que no Brasil, assim com em qualquer outro lugar do mundo, tem no investimento o seu centro irradiador. E o investimento no Brasil vai muito mal.
O governo tem realizado reduções de impostos em segmentos de bens duráveis, o que contribuiu para minimizar a queda de vendas e de produção nesses setores. Mas até agora não instituiu nenhum mecanismo adicional de incentivo para as empresas que, mesmo diante do horizonte incerto causado pela crise internacional, venham a se aventurar em projetos de investimento. Não deve ser minimizado o conjunto de medidas, extremamente relevantes, para ampliação dos recursos para o BNDES. Elas asseguraram que por falta de financiamento não haverá descontinuidade dos investimentos na economia. Mas não somente por falta de financiamento os investimentos deixam de ser realizados, se, como é o caso no presente momento econômico, há uma queda generalizada e profunda nas expectativas, deprimindo a demanda por novos investimentos. Reduções de impostos na compra de bens de capital ajudariam nessa direção, mas seria importante um incentivo extra, tal como a redução de tributos (IR e outros impostos e contribuições federais) em contrapartida aos gastos com investimentos realizados, digamos nesse e no próximo ano. (
Leia mais… )

abril 15, 2009

CRISE HORROROSA E APOCALÍPTICA LEVA BRASIL A EXPORTAR no 1º. trimestre, 50% MAIS ARROZ QUE NO MESMO PERÍODO DE 2008

E AÍ? Achou meio esquisita essa chamada do post? Quando você ler a matéria que reproduzo a seguir, vai entender menos ainda. Sugiro, inclusive, que você visite ESTE POST primeiro, antes de seguir em frente. [ Pode ir que a gente espera... ]
Exportações de arroz crescem no primeiro trimestre de 2009
13 de abril de 2009
As vendas externas de arroz totalizaram 70,4 mil toneladas no mês de março, um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Rio Grande do Sul contribuiu com 88% das operações. Do volume exportado, no mês, 91% correspondeu ao arroz beneficiado.
Para o assessor de Mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Marco Tavares, o perfil do produto exportado, concentrado em arroz industrializado, que agrega valor, contribuiu para que, no primeiro trimestre de 2009, o faturamento, apresentasse crescimento de 111% sobre as exportações do mesmo período em 2008, alcançando U$ 58, milhões.
Os principais destinos das exportações foram: Benin 29,8 mil toneladas e África do Sul 16,1 mil toneladas, com destaque para a inclusão de um novo cliente no portfólio brasileiro, Camarões com 9,2 mil toneladas, que identifica a importância da diversificação de mercados.
No primeiro trimestre de 2009 (ano comercial), as exportações atingiram, em volume, 173 mil toneladas, base casca. O dado representa um crescimento de quase 50% sobre o mesmo período do ano anterior. As vendas externas continuam fluindo em 2009 – destaca Tavares.
O fato contribui, decisivamente, para o fortalecimento dos preços internos, “atualmente estabilizados em plena safra e com boas possibilidades de recuperação nas próximas semanas”, juntamente com a farta disponibilidade de recursos para o carregamento dos estoques do governo federal e a implantação do programa de leilões de opções públicas a partir da próxima semana”, analisa.
As importações em março alcançaram 74,5 mil toneladas. O volume ultrapassou as exportações, com incremento de 35% sobre o mês anterior. Nesse trimestre, as importações alcançaram 230 mil toneladas.
Segundo Tavares, a projeção da Conab é de 500 mil toneladas para as exportações e 950 mil toneladas, mas o desempenho do primeiro trimestre permite projetar possíveis alterações nestes números, reduzindo os estoques finais projetados em 1,250 milhão de toneladas, “e que muito vai depender dos preços do mercado internacional e do câmbio ao longo do ano safra”, observa.
Em 2008, as exportações alcançaram 790 mil toneladas, enquanto as importações foram de apenas 590 mil toneladas.
Fonte: Irga
ENTENDEU? Seguinte: naquele post indicado, você leu o artigo do Bernardo Kucinski. E o que ele diz? Explico de meu modo tôsco: ele disse que o imprensalão, golpista e tucano, tem usado a crise para tentar minar um pouco da popularidade do Lula, além de tentar vender-nos a candidatura do Serra. Para não correr o risco de ver a Dilma Roussef ganhar do tucano em 2010 e, com isso, continuar o mandato do Lula ( o terceiro ). Por isso, aproveitando-se da crise econômica mundial iniciada nos EUA e que respingou aqui ( honestamente, não creio que saiba-se quanto ), o PIG tem publicado manchetes e notícias com tons mais apocalípticos que o próprio Roubini, o chamado “Profeta do Apocalipse”. Que, por sinal, excetuando a Carta Capital, era um completo e ignorado desconhecido pelos nossos jornais e revistas apesar de, muito antes do negócio estourar mesmo, ele já alertava o mundo. Enfim, se o Roubini é o “Profeta do Apocalipse”, os nossos jornais e revistas são os “Proxenetas da Crise”, que a usam e abusam da forma que lhes convir, contanto que ela sirva para derrubar o Lula.
Então, voltando ao Kucinski, ele escreveu o seguinte:
“Uma das edições do principal jornal de economia do país , Valor Econômico, trouxe no início de março nada menos que 15 manchetes e títulos com a palavra “crise”. Era “crise” para todo lado, quando havia e quando não havia. “Teles lucram mais apesar da crise.” Se lucram mais, não há crise para elas, então por que dizer “apesar da crise”? Ou “Mesmo com crise, JBS aposta nos EUA”. Ou ainda: “Contra a crise Volvo investe na AL”. Nessas manchetes, o fato noticiado é a negação da crise, mas o sentido transmitido é de crise.
Manchetes revelam como os editores querem que o leitor receba a notícia. Direcionam o modo de leitura. E muitos leitores ficam só nas manchetes. Imagine o empresário lendo essa edição do Valor. Depois de a palavra “crise” tanto martelar sua cabeça, imediatamente manda rever os investimentos, cortar gastos e horas extras ( … ) A palavra “crise” virou o que o filósofo francês Roland Barthes chamou de “mito”, não no sentido de lenda, e sim como um conjunto de significações que vão além da própria palavra. Nosso empresário pensou imediatamente em queda brutal nas encomendas, atrasos nos pagamentos, necessidade de agir rápido para evitar o fim de sua querida firma. O fim do seu mundo. O fim do mundo. A narrativa da crise virou a narrativa do fim do mundo. “Crise” tornou-se obsessão linguística e editorial. Editores destacam toda informação que corrobore o estado de crise e escasseiam as que negam ou confrontam esse estado ( … ) Assim, o jornalismo econômico abandonou o modo triunfalista, que remetia à ideia da modernidade e da pujança. Em seu lugar entrou a profecia do fim do crescimento econômico, do fim das exportações, do fim do emprego, do fim do mundo.Essa nova narrativa busca o enfoque mais negativo possível. Em janeiro, por exemplo, depois de três meses de declínio, a produção da indústria brasileira cresceu 2,3%, mas a assustadora manchete de primeira página da Folha, “Indústria tem a maior queda em 19 anos”, privilegiou a comparação com janeiro de 2008, e não com o mês anterior. No caderno de economia a manchete foi “Indústria tem o pior resultado desde Collor”. Também nesse caso, observou o ombudsman do jornal, a assertiva é falsa, já que a produção hoje é de qualquer forma muito maior do que na era Collor ( … )”.
O que isso tem a ver com o arroz? Bem, seguindo o modelo da “narrativa” ( como diria Kucinski ) do imprensalão, eu botei logo no título um “apesar da crise”, que costuma adornar as chamadas e manchetes da vida real, ainda que eles estejam passando uma receita de bolo:
BOLO DE CENOURA ( 6 PORÇÕES, APESAR DA CRISE )
10 ovos ( se, devido à crise, você tiver apenas 9 unidades, não tem problema, complete com Maisena – ou um genérico, que é mais barato );
4 cenouras grandes ( mas se, por causa da crise, você não tiver 4 cenouras ou elas não sejam grandes e sim médias, então ponha mais uma unidade, ou substitua-a por mandioquinha ou giló );
E por aí vai. ( Gostei da idéia. Se der, vou postar uma receita de verdade, “à moda da crise”. )
Então: acrescentei a expressão famigerada, que ficou contrastando bizonhamente com o enunciado: a exportação cresceu 50% apesar da crise. Não só. Eu creditei diretamente à crise o aumento destas exportações. Uma bobagem, claro. Algo péssimo causando algo bom, digamos. Não mostrei quaisquer evidências de que a crise tenha feito aumentar as exportações de arroz. A palavra “crise” ficou como uma saliência, um apêndice desnecessário e fora do contexto. Outra coisa: no exemplo de Kucinski, ele reclama que o jornal mostrou ( privilegiou ) a queda da produção indústrial ( “A maior em 19 anos” ) destacando os números obtidos com a comparação entre “janeiro de 2009 ( depois de 3 meses de declínio ) e o mesmo mês, de 2008″ e não “janeiro de 2009″ com “dezembro de 2008″, quando haveria uma ligeira melhora a reportar ao público. Na manchete do nosso post fiz a mesma coisa: primeiro trimestre de 2009 “em relação ao mesmo período do ano anterior”, houve um crescimento de 50% ( OPS! “Apesar da crise”… ) ; o faturamento cresceu: 111% sobre as exportações do mesmo período de 2008. Em relação aos meses, março de 2009 X março de 2008, 30% a mais exportado [ e é arroz industrializado ].
A bem da verdade, esse artigo falando do arroz parece bem comedido, pois os números – confesso que nem arroz eu sei fazer, quanto mais analizar o mercado agrícola… – apresentados por ele ( crescimento de 30, 50 e 111%, qualquer que seja a base de comparação ) soam muito bons mesmo. Enfim.

CRISE HORROROSA E APOCALÍPTICA LEVA BRASIL A EXPORTAR no 1º. trimestre, 50% MAIS ARROZ QUE NO MESMO PERÍODO DE 2008

E AÍ? Achou meio esquisita essa chamada do post? Quando você ler a matéria que reproduzo a seguir, vai entender menos ainda. Sugiro, inclusive, que você visite ESTE POST primeiro, antes de seguir em frente. [ Pode ir que a gente espera... ]
Exportações de arroz crescem no primeiro trimestre de 2009
13 de abril de 2009
As vendas externas de arroz totalizaram 70,4 mil toneladas no mês de março, um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Rio Grande do Sul contribuiu com 88% das operações. Do volume exportado, no mês, 91% correspondeu ao arroz beneficiado.
Para o assessor de Mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Marco Tavares, o perfil do produto exportado, concentrado em arroz industrializado, que agrega valor, contribuiu para que, no primeiro trimestre de 2009, o faturamento, apresentasse crescimento de 111% sobre as exportações do mesmo período em 2008, alcançando U$ 58, milhões.
Os principais destinos das exportações foram: Benin 29,8 mil toneladas e África do Sul 16,1 mil toneladas, com destaque para a inclusão de um novo cliente no portfólio brasileiro, Camarões com 9,2 mil toneladas, que identifica a importância da diversificação de mercados.
No primeiro trimestre de 2009 (ano comercial), as exportações atingiram, em volume, 173 mil toneladas, base casca. O dado representa um crescimento de quase 50% sobre o mesmo período do ano anterior. As vendas externas continuam fluindo em 2009 – destaca Tavares.
O fato contribui, decisivamente, para o fortalecimento dos preços internos, “atualmente estabilizados em plena safra e com boas possibilidades de recuperação nas próximas semanas”, juntamente com a farta disponibilidade de recursos para o carregamento dos estoques do governo federal e a implantação do programa de leilões de opções públicas a partir da próxima semana”, analisa.
As importações em março alcançaram 74,5 mil toneladas. O volume ultrapassou as exportações, com incremento de 35% sobre o mês anterior. Nesse trimestre, as importações alcançaram 230 mil toneladas.
Segundo Tavares, a projeção da Conab é de 500 mil toneladas para as exportações e 950 mil toneladas, mas o desempenho do primeiro trimestre permite projetar possíveis alterações nestes números, reduzindo os estoques finais projetados em 1,250 milhão de toneladas, “e que muito vai depender dos preços do mercado internacional e do câmbio ao longo do ano safra”, observa.
Em 2008, as exportações alcançaram 790 mil toneladas, enquanto as importações foram de apenas 590 mil toneladas.
Fonte: Irga
ENTENDEU? Seguinte: naquele post indicado, você leu o artigo do Bernardo Kucinski. E o que ele diz? Explico de meu modo tôsco: ele disse que o imprensalão, golpista e tucano, tem usado a crise para tentar minar um pouco da popularidade do Lula, além de tentar vender-nos a candidatura do Serra. Para não correr o risco de ver a Dilma Roussef ganhar do tucano em 2010 e, com isso, continuar o mandato do Lula ( o terceiro ). Por isso, aproveitando-se da crise econômica mundial iniciada nos EUA e que respingou aqui ( honestamente, não creio que saiba-se quanto ), o PIG tem publicado manchetes e notícias com tons mais apocalípticos que o próprio Roubini, o chamado “Profeta do Apocalipse”. Que, por sinal, excetuando a Carta Capital, era um completo e ignorado desconhecido pelos nossos jornais e revistas apesar de, muito antes do negócio estourar mesmo, ele já alertava o mundo. Enfim, se o Roubini é o “Profeta do Apocalipse”, os nossos jornais e revistas são os “Proxenetas da Crise”, que a usam e abusam da forma que lhes convir, contanto que ela sirva para derrubar o Lula.
Então, voltando ao Kucinski, ele escreveu o seguinte:
“Uma das edições do principal jornal de economia do país , Valor Econômico, trouxe no início de março nada menos que 15 manchetes e títulos com a palavra “crise”. Era “crise” para todo lado, quando havia e quando não havia. “Teles lucram mais apesar da crise.” Se lucram mais, não há crise para elas, então por que dizer “apesar da crise”? Ou “Mesmo com crise, JBS aposta nos EUA”. Ou ainda: “Contra a crise Volvo investe na AL”. Nessas manchetes, o fato noticiado é a negação da crise, mas o sentido transmitido é de crise.
Manchetes revelam como os editores querem que o leitor receba a notícia. Direcionam o modo de leitura. E muitos leitores ficam só nas manchetes. Imagine o empresário lendo essa edição do Valor. Depois de a palavra “crise” tanto martelar sua cabeça, imediatamente manda rever os investimentos, cortar gastos e horas extras ( … ) A palavra “crise” virou o que o filósofo francês Roland Barthes chamou de “mito”, não no sentido de lenda, e sim como um conjunto de significações que vão além da própria palavra. Nosso empresário pensou imediatamente em queda brutal nas encomendas, atrasos nos pagamentos, necessidade de agir rápido para evitar o fim de sua querida firma. O fim do seu mundo. O fim do mundo. A narrativa da crise virou a narrativa do fim do mundo. “Crise” tornou-se obsessão linguística e editorial. Editores destacam toda informação que corrobore o estado de crise e escasseiam as que negam ou confrontam esse estado ( … ) Assim, o jornalismo econômico abandonou o modo triunfalista, que remetia à ideia da modernidade e da pujança. Em seu lugar entrou a profecia do fim do crescimento econômico, do fim das exportações, do fim do emprego, do fim do mundo.Essa nova narrativa busca o enfoque mais negativo possível. Em janeiro, por exemplo, depois de três meses de declínio, a produção da indústria brasileira cresceu 2,3%, mas a assustadora manchete de primeira página da Folha, “Indústria tem a maior queda em 19 anos”, privilegiou a comparação com janeiro de 2008, e não com o mês anterior. No caderno de economia a manchete foi “Indústria tem o pior resultado desde Collor”. Também nesse caso, observou o ombudsman do jornal, a assertiva é falsa, já que a produção hoje é de qualquer forma muito maior do que na era Collor ( … )”.
O que isso tem a ver com o arroz? Bem, seguindo o modelo da “narrativa” ( como diria Kucinski ) do imprensalão, eu botei logo no título um “apesar da crise”, que costuma adornar as chamadas e manchetes da vida real, ainda que eles estejam passando uma receita de bolo:
BOLO DE CENOURA ( 6 PORÇÕES, APESAR DA CRISE )
10 ovos ( se, devido à crise, você tiver apenas 9 unidades, não tem problema, complete com Maisena – ou um genérico, que é mais barato );
4 cenouras grandes ( mas se, por causa da crise, você não tiver 4 cenouras ou elas não sejam grandes e sim médias, então ponha mais uma unidade, ou substitua-a por mandioquinha ou giló );
E por aí vai. ( Gostei da idéia. Se der, vou postar uma receita de verdade, “à moda da crise”. )
Então: acrescentei a expressão famigerada, que ficou contrastando bizonhamente com o enunciado: a exportação cresceu 50% apesar da crise. Não só. Eu creditei diretamente à crise o aumento destas exportações. Uma bobagem, claro. Algo péssimo causando algo bom, digamos. Não mostrei quaisquer evidências de que a crise tenha feito aumentar as exportações de arroz. A palavra “crise” ficou como uma saliência, um apêndice desnecessário e fora do contexto. Outra coisa: no exemplo de Kucinski, ele reclama que o jornal mostrou ( privilegiou ) a queda da produção indústrial ( “A maior em 19 anos” ) destacando os números obtidos com a comparação entre “janeiro de 2009 ( depois de 3 meses de declínio ) e o mesmo mês, de 2008″ e não “janeiro de 2009″ com “dezembro de 2008″, quando haveria uma ligeira melhora a reportar ao público. Na manchete do nosso post fiz a mesma coisa: primeiro trimestre de 2009 “em relação ao mesmo período do ano anterior”, houve um crescimento de 50% ( OPS! “Apesar da crise”… ) ; o faturamento cresceu: 111% sobre as exportações do mesmo período de 2008. Em relação aos meses, março de 2009 X março de 2008, 30% a mais exportado [ e é arroz industrializado ].
A bem da verdade, esse artigo falando do arroz parece bem comedido, pois os números – confesso que nem arroz eu sei fazer, quanto mais analizar o mercado agrícola… – apresentados por ele ( crescimento de 30, 50 e 111%, qualquer que seja a base de comparação ) soam muito bons mesmo. Enfim.

novembro 6, 2008

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
+
“Lucro da Vale quase triplica no 3º. trimestre e atinge recorde histórico”, 23.10.08
+
“Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra”, 23.10.08
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“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
+
“Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério”, 18.02.08
-
“Vale interrompe embarque de finos de ferro para China”, 29.09.08
=
“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
[ Continua aqui... ]
Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
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“Lucro da Vale quase triplica no 3º. trimestre e atinge recorde histórico”, 23.10.08
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Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
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Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
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“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
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“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
[ Continua aqui... ]
Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
+
“Lucro da Vale quase triplica no 3º. trimestre e atinge recorde histórico”, 23.10.08
+
“Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra”, 23.10.08
+
“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
+
“Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério”, 18.02.08
-
“Vale interrompe embarque de finos de ferro para China”, 29.09.08
=
“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
[ Continua aqui... ]
Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
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“Lucro da Vale quase triplica no 3º. trimestre e atinge recorde histórico”, 23.10.08
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“Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra”, 23.10.08
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“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
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“Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério”, 18.02.08
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“Vale interrompe embarque de finos de ferro para China”, 29.09.08
=
“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
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Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

setembro 9, 2008

FIPE revê para baixo sua previsão de inflação no ano; Brasil tem maior colheita de grãos da história

Filed under: abastecimento, commodities, Conab, exportações, FIPE, inflação, safra de grãos — Humberto @ 2:18 am
FIPE revê para baixo sua previsão de inflação para 2008
O IPC-FIPE (índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo) de agosto manteve a tendência de desaceleração observada nos dois meses anteriores e fechou em alta de 0,38%. O resultado mostra inflação menor que a de julho, cujo índice foi 0,45%, e que a de junho (0,96%). Porém, maior que o medido na terceira quadrissemana de agosto, de 0,35%. De acordo com o coordenador da pesquisa da FIPE, professor Antonio Evaldo Comune, a inflação dá sinais de que parou de desacelerar na cidade de São Paulo. Ainda assim, o IPC de agosto foi mais baixo do que o previsto há um mês (0,60%), registrando o menor resultado mensal desde março, quando apontou 0,31%. Esse é um dos motivos que levaram a FIPE a revisar para baixo a previsão da inflação no ano na cidade de São Paulo: de 6,50% para 6,40%. Em agosto, os alimentos tiveram deflação de 0,49%, a maior queda desde junho de 2006 (-1,36%). A FIPE divulgou os resultados fechados de agosto na quarta-feira, 3 de setembro.
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Brasil tem maior colheita de grãos da história
O Brasil acaba de concluir a maior safra de grãos da sua história. A informação foi divulgada hoje (8) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento da Conab indica uma colheita de 143,87 milhões de toneladas, 9,2% maior do que a anterior.
A colheita de milho alcançou 58,5 milhões de toneladas, 14% maior. A de soja ficou em 1,66 milhões de toneladas, 2,8% maior. A safra de trigo cresceu 71% para 3,82 milhões de toneladas. Os estados brasileiros que mais produziram foram Paraná, com 21,1% do total, seguido por Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Goiás.
O resultado deve impulsionar as exportações brasileiras. Até o final deste ano devem ser embarcadas 52,1 milhões de toneladas de milho, soja, feijão e algodão do Brasil para o exterior. Até julho, as exportações destes produtos já renderam ao país US$ 13,29 bilhões.
A área plantada com grãos no país também aumentou. Saiu de 46,21 milhões de hectares para 47,36 milhões de hectares. As culturas que mais tiveram crescimento na área plantada foram milho e soja, de acordo com informações divulgadas pela Conab. O volume da safra poderá será ainda maior com a colheita do milho safrinha do Nordeste, em conclusão neste mês.

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