( No instantâneo, vemos um contrariado FHC sendo obrigado, sob a mira de fuzil empunhado discretamente por Felipão, a posar com a Seleção e, pior fazer cara de vencedor. Não se sabe se Felipão votou em Serra naquele ano, ou no FH nas eleições anteriores. Mas ninguém esquecerá que o técnico elogiou Pinochet. OBS: a foto acima e esta legenda não fazem parte do artigo enviado por Jasson. Mas eu não ia deixar passar. )
Hitler quis transformar a Olimpíada de 1936, realizada no Estádio Olímpico de Munique, em um fato histórico para provar a superioridade da raça ariana (Entre os modernos teóricos do racismo alemão, diz-se dos europeus de raça supostamente pura, descendentes dos árias, sem ascendência judaica – Dicionário Folha/ Aurélio). Na reportagem “DÁ PARA APAGAR O PASSADO?”, sobre a Copa de 2006, na Alemanha, a revista Época diz: “Os alemães remodelaram o Estádio Olímpico de Berlim para que ele seja lembrado no futuro como palco da final da Copa [vencida pela Itália] – e não mais como sede das Olimpíadas de Hitler”. A respeito desse passado a revista comenta: “Construída para celebrar o III Reich de Adolf Hitler, a arena [Estádio Olímpico] é um exemplo do que se convencionou chamar de “arquitetura nazista”, com seu pórtico de entrada grandioso e linhas neoclássicas. O estádio foi projetado para abrigar as Olimpíadas de 1936, em que Hitler queria celebrar a pretensa superioridade da raça ariana. O herói dos jogos acabou sendo um dos maiores atletas de todos os tempos, o americano Jessé Owens, um negro. Era uma época na qual o esporte servia à propagação de idéias políticas. Antes dos jogos da Copa de 1938, na França, a seleção alemã se dirigia ao público com o braço erguido na saudação nazista “Heil Hitler”.
Outro ditador que explorou o esporte, no caso o futebol, foi o terceiro General-Presidente Emílio Garrastazu Médici, eleito, indiretamente, em 25/10/1969. Ele costumava ir ao Maracanã com um rádio de pilha no ouvido. Em 1983, o jornalista Geneton entrevistou João Saldanha, então treinador da seleção brasileira e depois demitido (Saldanha não quis convocar Dario Maravilha a pedido de Médici. Foi substituído por Zagalo. O Brasil foi campeão naquele ano, 1970). Ele perguntou ao ex-técnico: “A imagem do general Médici naquela época, com o radinho de pilha no ouvido para ganhar popularidade, incomodava João Saldanha?” Resposta: “Devia incomodar a ele aquele rádio desligado. Pois, segundo as pessoas próximas, tratava-se de um rádio sempre desligado, o que era demagógico. Isso podia incomodar a ele, porque é chato ficar com o braço levantado fingindo que ouve rádio… E, francamente, não acho que seja atraente. Mas me incomodar, não. (…) Não tenho nada pessoalmente com ele. Nem o conheço! Só o vi de longe. Não sei direito como é a cara. Nunca falei com ele nem ele comigo. Quando houve uma reunião em Porto Alegre com ele, chamaram a cúpula da seleção, mas não compareci. (…) Eu não teria prazer em apertar a mão de um homem que tinha matado vários amigos meus – ou mandado matar ou deixado matar. Não sei nem se foi ele quem mandou ou deixou. O caso é que, coincidentemente, trezentos e tantos morreram naquele governo, o mais assassino da história do Brasil” (Blog geneton, 4/6/2006). Não apenas os governantes exploram politicamente o esporte. Jogadores e dirigentes também. Vários deles foram eleitos parlamentares (deputados federais, estaduais e vereadores). Entre eles, Eurico Miranda do Vasco da Gama. Como o seu time não estava bem nos campeonatos que disputou, o dirigente vascaíno não se reelegeu. Em 2008, jogadores de futebol e esportistas serão candidatos a vereador na Capital. Alguns, certamente, se elegerão!
Mais recentemente, na Copa de 2006, o jogador Ronaldo teve uma polêmica com o presidente Lula, que foi muito explorada politicamente. Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo em 2014, embora sendo candidato único, muitos governantes estiveram presentes na FIFA a 30 de outubro de 2007.
Lá estiveram o presidente Lula e mais 12 governadores. Entre eles, os tucanos José Serra, governador de São Paulo, e Aécio Neves, governador de Minas Gerais. Em entrevista ao Estadão, o primeiro está preiteando que o jogo inaugural seja em São Paulo e o segundo no Mineirão. Já é a briga para as eleições de 2010! Lula por sua vez brincou: “O Brasil saberá, orgulhosamente, realizar uma Copa do Mundo perfeita, para argentino nenhum botar defeito”.
A exploração política do esporte não vai parar por aí. No futuro, continuará. Como aconteceu no passado e também no presente!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

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