“Syngenta não é bem-vinda no Paraná”, afirma Requião
30/10/2007
“A Syngenta não é bem-vinda no Paraná”, disse nesta terça-feira (30) o governador Roberto Requião. “É absolutamente inaceitável que milícias privadas executem cidadãos paranaenses, estejam eles certos ou errados”, afirmou, na abertura da reunião semanal da Escola de Governo, realizada no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
“A Syngenta não é bem-vinda no Paraná”, disse nesta terça-feira (30) o governador Roberto Requião. “É absolutamente inaceitável que milícias privadas executem cidadãos paranaenses, estejam eles certos ou errados”, afirmou, na abertura da reunião semanal da Escola de Governo, realizada no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
“Determinei que a Secretaria de Segurança Pública aja com a máxima dureza nesse caso. Sempre que o capital estrangeiro organizar milícias de liquidação, à moda Tropa de Elite, encontrará uma forte resistência no Governo do Paraná. Não é possível assistir com passividade a esse tipo de violência”, falou o governador.
O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, enviou três delegados de outras cidades a Cascavel (Oeste do Estado) para apurar os dois homicídios cometidos durante confronto entre seguranças privados e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que ocupavam a fazenda experimental da multinacional suíça Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste. “Queremos evitar que pressões afetem os rumos da investigação”, explicou Requião.
EXECUÇÃO — Um dos mortos, o líder sem-terra Valmir Mota de Oliveira, o Keno, pode ter sido executado. “Segundo me informa a Polícia Civil, ele teria sido colocado de joelhos e executado com um tiro na cabeça”, afirmou o governador. Requião contou que o MST decidiu fazer a manifestação na fazenda — que fica na área de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu — depois que o presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou a suspensão da produção comercial de transgênicos e determinou a tomada de medidas que reduzam em 50% o uso de defensivos agrícolas no país.
“Por causa disso, o MST resolveu fazer um protesto no espaço da Syngenta. O MST tem seus acertos e seus erros, mas é um movimento social, e assim continuará sendo tratado pelo Governo do Paraná. Os manifestantes entrariam, marcariam uma posição e se retirariam”, disse o governador. “Mas os suíços mobilizaram suas forças de segurança, e um dos manifestantes foi executado”, acrescentou.
FORA DA LEI — Requião lembrou que a Syngenta não pode produzir sementes transgênicas em seu país de origem (a Suíça) decidiu banir organismos geneticamente modificados após realizar plebiscito sobre o assunto. “Se fizessem na Suíça o que fazem aqui, os executivos da Syngenta estariam presos. Mas, aqui, eles conseguiram modificar a legislação brasileira para plantar transgênicos na área de amortecimento de um parque nacional”, afirmou.
“Por isso, como governador, quero deixar claro que a Syngenta não é bem-vinda no Estado do Paraná”.

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