ENCALHE

outubro 31, 2007

"A porta da rua é serventia da casa. Sygenta deve arrumar a trouxa e ir embora do Paraná", diz Requião ( São Paulo vai estender o tapete vermelho? )

“Syngenta não é bem-vinda no Paraná”, afirma Requião
AEN/ PR
30/10/2007
“A Syngenta não é bem-vinda no Paraná”, disse nesta terça-feira (30) o governador Roberto Requião. “É absolutamente inaceitável que milícias privadas executem cidadãos paranaenses, estejam eles certos ou errados”, afirmou, na abertura da reunião semanal da Escola de Governo, realizada no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
“Determinei que a Secretaria de Segurança Pública aja com a máxima dureza nesse caso. Sempre que o capital estrangeiro organizar milícias de liquidação, à moda Tropa de Elite, encontrará uma forte resistência no Governo do Paraná. Não é possível assistir com passividade a esse tipo de violência”, falou o governador.
O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, enviou três delegados de outras cidades a Cascavel (Oeste do Estado) para apurar os dois homicídios cometidos durante confronto entre seguranças privados e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que ocupavam a fazenda experimental da multinacional suíça Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste. “Queremos evitar que pressões afetem os rumos da investigação”, explicou Requião.
EXECUÇÃO — Um dos mortos, o líder sem-terra Valmir Mota de Oliveira, o Keno, pode ter sido executado. “Segundo me informa a Polícia Civil, ele teria sido colocado de joelhos e executado com um tiro na cabeça”, afirmou o governador. Requião contou que o MST decidiu fazer a manifestação na fazenda — que fica na área de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu — depois que o presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou a suspensão da produção comercial de transgênicos e determinou a tomada de medidas que reduzam em 50% o uso de defensivos agrícolas no país.
“Por causa disso, o MST resolveu fazer um protesto no espaço da Syngenta. O MST tem seus acertos e seus erros, mas é um movimento social, e assim continuará sendo tratado pelo Governo do Paraná. Os manifestantes entrariam, marcariam uma posição e se retirariam”, disse o governador. “Mas os suíços mobilizaram suas forças de segurança, e um dos manifestantes foi executado”, acrescentou.
FORA DA LEI — Requião lembrou que a Syngenta não pode produzir sementes transgênicas em seu país de origem (a Suíça) decidiu banir organismos geneticamente modificados após realizar plebiscito sobre o assunto. “Se fizessem na Suíça o que fazem aqui, os executivos da Syngenta estariam presos. Mas, aqui, eles conseguiram modificar a legislação brasileira para plantar transgênicos na área de amortecimento de um parque nacional”, afirmou.
“Por isso, como governador, quero deixar claro que a Syngenta não é bem-vinda no Estado do Paraná”.

outubro 30, 2007

Investigações descobrem indícios de tentativa de execução de sem-terra

Filed under: chacina, Estado do Paraná, execução, Justiça, massacres, MST, NF Seguarança, Sygenta — Humberto @ 5:12 pm
AEN
29/10/2007
As investigações sobre o tiroteio na fazenda experimental Syngenta Seeds, conduzidas pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), derrubaram a versão dos seguranças da empresa NF, que alegaram apenas ter reagido a ataque dos trabalhadores sem terra. No fim de semana, a polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, nas casas dos seguranças, na sede da fazenda, e na empresa de segurança. Na casa de um dos seguranças foi encontrada uma pequena quantidade de maconha. Na NF, a polícia encontrou três revólveres calibre 38. “Aos poucos e com muitas provas e fortes indícios estamos desvendando o que aconteceu na fazenda, naquele domingo”, disse o delegado do Cope, Renato Bastos Figueiroa.
Na manhã desta segunda-feira (29), 11 trabalhadores rurais reconheceram três dos sete seguranças que estão presos como os mesmos homens que estiveram na área da fazenda da multinacional Syngenta. A Justiça determinou que a NF apresente todas as suas armas num prazo de 24 horas a pedido do Cope. Segundo a Polícia Federal, a empresa tem 18 armas registradas. “É necessário termos as armas para que sejam periciadas”, disse o delegado.
A polícia encontrou provas que não houve segurança refém e conseguiu fortes indícios que a sem-terra Izabel Nascimento de Souza, ferida gravemente com um tiro no olho, teria sido vítima de tentativa de execução. Além disso, o mesmo segurança acusado de atirar em Isabel teria várias passagens pela polícia, entre elas a de formação de quadrilha e roubo. Os policiais, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no fim de semana, encontraram maconha na casa de um dos seguranças envolvidos.
Segundo Figueiroa, Izabel teria sido obrigada a se ajoelhar antes de ser baleada. Ela teria sido confundida pelo segurança, com Célia Aparecida Lourenço, uma das líderes da Via Campesina, jurada de morte desde março deste ano. “Antes de atirar, o segurança teria ainda perguntado se ela era a Célia”, disse Figueiroa. Izabel já reconheceu, através de diversas fotografias levadas pelos policiais ao hospital onde está internada, o segurança Alexandre de Jesus como o autor do disparo. De acordo com Figueiroa, além de calúnia e difamação e porte ilegal de armas, Alexandre de Jesus também tem passagens por formação de quadrilha e roubo.
Sobre o caso de Izabel, o delegado aguarda agora o parecer de um médico legista para apontar a trajetória da bala no corpo da sem-terra. “Se o laudo do legista mostrar que o tiro foi dados de cima para baixo ficará comprovado que houve intenção de executar a Izabel”, explicou o delegado. Segundo o delegado, outra testemunha reconheceu o segurança Rodrigo de Oliveira Ambrósio como a pessoa que matou o agricultor Valmir Mota de Oliveira.
FARSA – Também neste fim de semana, o delegado descobriu que é falsa a acusação que os sem-terra tivessem mantido o segurança Fábio Ferreira refém. Segundo o delegado, a própria esposa de Ferreira afirmou, em depoimento, que ele já estava em casa por volta das 9h daquela manhã, momento que teria sido feito refém. “Os seguranças falaram que retornaram para área por volta das 13h30, para buscar o Fábio, mas na verdade o Fábio estava junto com eles e não era mantido refém”, disse.
Outra testemunha diretamente ligada aos seguranças confirmou para a polícia que viu os seguranças armados num barracão abandonado, nas proximidades da fazenda da multinacional Syngenta. Além dela, outra testemunha foi ouvida, sábado (27), e confirmou que os seguranças estavam armados. Ele afirmou que viu também uma van branca saindo do local. “Provavelmente as armas foram retiradas por este veículo. Quando os seguranças foram presos, a polícia não encontrou armas”, informou Figueiroa. Segundo o delegado, o vídeo entregue pelos sem-terra mostra claramente um dos seguranças empunhando uma pistola.
A acusação de que os policiais do Cope estariam coagindo os seguranças presos para adquirir informações sobre o caso é falsa e caluniosa. Segundo o delegado chefe do Cope, Miguel Stadler, os advogados da defesa estão tentando desviar o foco das atenções depois que os policiais descobriram os indícios de execução no caso.
Durante o reconhecimento, um dos seguranças apontou o sem-terra Celso Ribeiro Barbosa como o autor da morte do segurança Fábio Ferreira. Segundo o delegado Renato, esse reconhecimento foi suspeito já que os seguranças chegaram conversando sobre Celso.

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