Eis aí o testemunho honesto de um administrador de pedágios que, nas horas vagas, “cuida” de estradas: as empresas não investem onde não dá retorno, a menos que “o governo” participe. Ou que o governo se arrisque primeiro, e com bastante vigor para, depois de ter criado um “cenário propício para atrair os investidores”, deixar ( “concessões” ) para estes ultimos o butim. Entendem agora a lógica e do porquê o Correio ( que entrega cartas do RS no PI por alguns centavos ) não poder ser privatizado ou que suas atividades mais lucrativas não podem passar à iniciativa privada? Portanto, assim até eu!
Concessão de estradas não vinga no Nordeste
Autor(es): AGNALDO BRITO
Folha de S. Paulo – 16/08/2009
Para presidente da CCR, modelo do Sudeste não é usado no Norte e no Nordeste devido ao baixo desenvolvimento das regiões
Renato Vale afirma que a iniciativa privada não se arriscará em novos projetos nessas regiões do país sem a participação do governo
O baixo desenvolvimento econômico do Norte e do Nordeste do país excluiu e continuará a excluir aquelas regiões das concessões de rodovias adotado na região Sudeste.
Para Renato Vale, presidente da CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), dona de concessões como a NovaDutra, a ponte Rio-Niterói, o complexo Anhanguera-Bandeirantes e o trecho oeste do Rodoanel, a iniciativa privada só se arriscará em projetos rodoviários nessas regiões do país com a participação pública. Sozinhas, as empresas não irão, diz Vale.
A empresa mira agora novas concessões, entre as quais trechos do Rodoanel metropolitano de São Paulo. A CCR já controla o trecho sul. Segundo Vale, a empresa prepara planos para atrair os investidores que andam descontentes com a renda fixa. A seguir, trechos da entrevista.
FOLHA – Por que as concessões avançaram no Sul e no Sudeste e não no Norte e no Nordeste?
RENATO VALE – É, praticamente não há rodovias concedidas naquelas regiões. Estão concentradas no Rio, em São Paulo, no Paraná. Vai continuar assim, a menos que haja um subsídio do governo, uma PPP [Parceria Público-Privada], que possa jogar a tarifa para baixo. O valor agregado dos produtos transportados lá é muito mais baixo do que o daqui. Não há receita para pagar as tarifas. Então, é o governo que tem de investir para desenvolver as regiões.
FOLHA – Então aquelas são regiões que estão condenadas a ter infraestrutura precária?
VALE – Não. Tem de ter investimento público. O atual modelo que vigora hoje no Sudeste não cabe lá. O que pode vingar é um modelo de PPP no qual o governo põe uma parte do dinheiro, cobra uma tarifa mais baixa e cria as condições de desenvolvimento. Só depois é possível aplicar o modelo adotado aqui.
FOLHA – Infraestrutura pode se tornar opção de aplicação para o pequeno investimento? Os rentistas estão em xeque?
VALE – Estão, sem dúvida. Nós, brasileiros, somos muito mal-acostumados. Você recebe o seu dinheiro, aplica não sei onde e agora, que o juro está abaixo de 1% ao mês, todo mundo começa a achar que é o fim do mundo. No mundo todo, investidores ganham 2% ao ano. Estávamos acostumados a receber 12%, 14% ao ano. Agora, a tendência é receber 3% ou 4%.
FOLHA – A CCR quer ser o destino desse capital?
VALE – Acho que naturalmente será, não só a CCR. Negócios de infraestrutura não rendem 15% ou 20% ao ano, não é isso, mas também não são negócios que rendem só 1% ou 2% ao ano.
FOLHA – Como a CCR se prepara para abrigar esse “novo capital”?
VALE – Essa necessidade se mostrou, como tendência clara, nos últimos tempos, quando os juros realmente começaram a baixar. A discussão sobre caderneta de poupança não é por outro motivo. A CCR desenha agora “veículos de investimento” que sejam adequados para financiar os projetos de infraestrutura. Isso está sendo estudado aqui dentro e vai ser estudado por todo mundo. A turma tem de ir à luta.
FOLHA – Mas pode ir à luta sem medo de virada de mesa?
VALE – O marco regulatório para investimento em infraestrutura já foi testado. Não houve por parte dos governos estaduais e federal intervenção unilateral nos contratos. Não é à toa que há um bando de gringos querendo investir aqui.
FOLHA – Mas isso tem reduzido as taxas de retorno?
VALE – Quando entramos na licitação da Nova Dutra e da ponte Rio-Niterói, em 1994, o Brasil nem tinha moeda. Tínhamos a URV [Unidade Real de Valor, um unidade de referência que antecedeu o real]. O juro básico da época era mais ou menos de 60%, a TJLP, de 25%, e o risco-país, de 900 pontos. A taxa de retorno nesses contratos foi de 17% ao ano, mas só de 2005 para cá é que o juro básico baixou de 19%. Agora é que os títulos do governo pagam 10% e temos um negócio pagando 17%. Isso é absolutamente razoável. Esse é o jogo do investidor.
FOLHA – Mas é possível esperar taxas de retorno menores?
VALE – Estamos começando a trabalhar no Brasil com rentabilidade mais baixa. Ganhamos uma licitação do Rodoanel em São Paulo com taxa interna de retorno de 11% ao ano. Era de 17%. No exterior fala-se em 9% ou 9,5%, mas esse patamar de retorno ocorre num ambiente em que a taxa de juro é de 1% a 1,5% ao ano. Aqui no Brasil, falamos agora de uma taxa real de 6% ou 7%, ainda muito alta.
Autor(es): AGNALDO BRITO
Folha de S. Paulo – 16/08/2009
Para presidente da CCR, modelo do Sudeste não é usado no Norte e no Nordeste devido ao baixo desenvolvimento das regiões
Renato Vale afirma que a iniciativa privada não se arriscará em novos projetos nessas regiões do país sem a participação do governo
O baixo desenvolvimento econômico do Norte e do Nordeste do país excluiu e continuará a excluir aquelas regiões das concessões de rodovias adotado na região Sudeste.
Para Renato Vale, presidente da CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), dona de concessões como a NovaDutra, a ponte Rio-Niterói, o complexo Anhanguera-Bandeirantes e o trecho oeste do Rodoanel, a iniciativa privada só se arriscará em projetos rodoviários nessas regiões do país com a participação pública. Sozinhas, as empresas não irão, diz Vale.
A empresa mira agora novas concessões, entre as quais trechos do Rodoanel metropolitano de São Paulo. A CCR já controla o trecho sul. Segundo Vale, a empresa prepara planos para atrair os investidores que andam descontentes com a renda fixa. A seguir, trechos da entrevista.
FOLHA – Por que as concessões avançaram no Sul e no Sudeste e não no Norte e no Nordeste?
RENATO VALE – É, praticamente não há rodovias concedidas naquelas regiões. Estão concentradas no Rio, em São Paulo, no Paraná. Vai continuar assim, a menos que haja um subsídio do governo, uma PPP [Parceria Público-Privada], que possa jogar a tarifa para baixo. O valor agregado dos produtos transportados lá é muito mais baixo do que o daqui. Não há receita para pagar as tarifas. Então, é o governo que tem de investir para desenvolver as regiões.
FOLHA – Então aquelas são regiões que estão condenadas a ter infraestrutura precária?
VALE – Não. Tem de ter investimento público. O atual modelo que vigora hoje no Sudeste não cabe lá. O que pode vingar é um modelo de PPP no qual o governo põe uma parte do dinheiro, cobra uma tarifa mais baixa e cria as condições de desenvolvimento. Só depois é possível aplicar o modelo adotado aqui.
FOLHA – Infraestrutura pode se tornar opção de aplicação para o pequeno investimento? Os rentistas estão em xeque?
VALE – Estão, sem dúvida. Nós, brasileiros, somos muito mal-acostumados. Você recebe o seu dinheiro, aplica não sei onde e agora, que o juro está abaixo de 1% ao mês, todo mundo começa a achar que é o fim do mundo. No mundo todo, investidores ganham 2% ao ano. Estávamos acostumados a receber 12%, 14% ao ano. Agora, a tendência é receber 3% ou 4%.
FOLHA – A CCR quer ser o destino desse capital?
VALE – Acho que naturalmente será, não só a CCR. Negócios de infraestrutura não rendem 15% ou 20% ao ano, não é isso, mas também não são negócios que rendem só 1% ou 2% ao ano.
FOLHA – Como a CCR se prepara para abrigar esse “novo capital”?
VALE – Essa necessidade se mostrou, como tendência clara, nos últimos tempos, quando os juros realmente começaram a baixar. A discussão sobre caderneta de poupança não é por outro motivo. A CCR desenha agora “veículos de investimento” que sejam adequados para financiar os projetos de infraestrutura. Isso está sendo estudado aqui dentro e vai ser estudado por todo mundo. A turma tem de ir à luta.
FOLHA – Mas pode ir à luta sem medo de virada de mesa?
VALE – O marco regulatório para investimento em infraestrutura já foi testado. Não houve por parte dos governos estaduais e federal intervenção unilateral nos contratos. Não é à toa que há um bando de gringos querendo investir aqui.
FOLHA – Mas isso tem reduzido as taxas de retorno?
VALE – Quando entramos na licitação da Nova Dutra e da ponte Rio-Niterói, em 1994, o Brasil nem tinha moeda. Tínhamos a URV [Unidade Real de Valor, um unidade de referência que antecedeu o real]. O juro básico da época era mais ou menos de 60%, a TJLP, de 25%, e o risco-país, de 900 pontos. A taxa de retorno nesses contratos foi de 17% ao ano, mas só de 2005 para cá é que o juro básico baixou de 19%. Agora é que os títulos do governo pagam 10% e temos um negócio pagando 17%. Isso é absolutamente razoável. Esse é o jogo do investidor.
FOLHA – Mas é possível esperar taxas de retorno menores?
VALE – Estamos começando a trabalhar no Brasil com rentabilidade mais baixa. Ganhamos uma licitação do Rodoanel em São Paulo com taxa interna de retorno de 11% ao ano. Era de 17%. No exterior fala-se em 9% ou 9,5%, mas esse patamar de retorno ocorre num ambiente em que a taxa de juro é de 1% a 1,5% ao ano. Aqui no Brasil, falamos agora de uma taxa real de 6% ou 7%, ainda muito alta.

TRIVELA
Carta Maior
CASA VIDA
Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
Dicionário Jurídico – A a Z – Nota Dez
HORA DO POVO
IBGF – Instituto Brasileiro Giovanni Falcone
NOSSA HAPPYLÂNDIA
Portal IBASE
PROFESSOR HARIOVALDO ALMEIDA PRADO
QUERO UM BICHO
REVISTA FÓRUM – Outro mundo em debate
Y. COPRÓFAGOS ANÔNIMOS
YOU TUBE
ALERTA TRANSGÊNICOS ( OBS: BANIDO )
ALTERNATIVE TENTACLES
GREG PALAST
ADSL Residencial
Antivírus
LIVRARIA CULTURA
Virtual Books


- Shoutwire - Internet News for the Masses






