ENCALHE

agosto 6, 2009

"O NEW DEAL foi invenção de Roosevelt e GETÚLIO VARGAS." PALAVRAS DO PRÓPRIO ROOSEVELT!!!

ISSO SAIU na edição de agosto da ótima Revista de História [ do Brasil ], aquela da Biblioteca Nacional [ abaixo, imagem da capa da edição ].

Então, o Getúlio foi o precursor do “Cara”!

Os inventores do ‘New Deal’
Políticas de Vargas tinham muito em comum com as de Roosevelt, que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão
Flávio Limoncic
“Duas pessoas inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos”.
O autor da frase foi o próprio criador do histórico plano de recuperação da economia norte-americana, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945). O elogio foi feito em visita ao Rio de Janeiro, em novembro de 1936, e referia-se ao governo de Getulio Vargas.
Pode ter sido apenas uma gentileza do visitante. Ou alguém imagina que possa haver algo em comum entre o presidente que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão e o líder que viria a ser, um ano depois, o ditador do Estado Novo, muitas vezes comparado a Mussolini?
A associação é mesmo rara, mas Roosevelt não falou aquilo à toa. Diante da crise do liberalismo iniciada com o crash da Bolsa de Nova York, em 1929, e que se prolongaria por boa parte da década de 1930, ambos colocaram o Estado no centro da vida econômica de seus países: Roosevelt, para enfrentar os problemas de uma gigantesca economia industrial em depressão, e Vargas, para industrializar o Brasil. Ao fazê-lo, construíram pactos sociais com setores do movimento sindical e do empresariado.
As obras públicas, projetos de desenvolvimento e de geração de emprego e renda foram acionados pelos dois. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, cuja construção começou em 1941, se tornaria um marco do desenvolvimento industrial brasileiro, ao passo que a Tennessee Valley Authority, de Roosevelt, seria o mais ambicioso programa de desenvolvimento regional até então implementado. Para gerar empregos e renda, o New Deal lançou mão também de programas criativos como o Civilian Conservation Corps (CCC), que mobilizou 2,5 milhões de jovens na restauração de sítios históricos, manutenção dos Parques Nacionais, limpeza de reservatórios de água, conservação de solo e plantio de dois bilhões de árvores. (…)
Leia a matéria completa na edição de Agosto, nas bancas

abril 10, 2009

"Estado balofo-esquálido" brasileiro gasta em folha de pagamento a METADE DO TETO estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal. E há quem ache muito

O PAPEL DO ESTADO
A ATUAÇÃO do Estado na geração de empregos, inclusive na esfera pública, é de fundamental importância para o enfrentamento de crises como a atual. Os governos precisam incentivar os investidores e, também, sempre que tiverem recursos para isso, promover suas próprias contrataçãoes, ainda mais se forem para substituir trabalhadores precarizados, como terceirizados, temporários e falsos cooperativados, que muitas vezes vão de encontro à lei.
O Governo Federal vem fazendo a sua parte, ainda timidamente, é verdade, reduzindo impostos nas áreas automobilística e de construção civil, e dispõe de folga para contratações, necessárias independente da crise. Como apurou o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas ( Ipea ), o Brasil fica atrás de países como Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Finlândia e Suécia.
O Ipea defende que este é o momento para discutir o papel que pode assumir o emprego público na sociedade brasileira e destaca haver espaço para criação de ocupações emergenciais temporárias.
Pela análise da Controladoria Geral da União, existe mesmo essa folga, pois, apesar do propalado “inchaço”, a folha de pagamento do ano passado equivaleu a 21,87% da receita corrente líquida, quando a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece teto de 40,9% [ ver a notícia seguinte ].
É preciso combater a crise com investimentos, fazendo com que o Estado aumente sua presença e tenha, de fato, força. O Estado mínimo é presa fácil dos contratempos cotidianos.
Editorial, FOLHA DIRIGIDA
Edição 1199, 13 a 19.04.09
Vejam como os portais dão a informação de que a folha de pagamento do governo ainda está MUITO aquém daquilo que a Lei de Responsabilidade Fiscal permite. Saca só como a informação vem truncada, a começar do título sacana e mal intencionado:
Gasto com salário de servidores do governo federal sobe mais de 56% em quatro anos [ Socorrooo!! ]
UOL Notícias*
Em São Paulo
As despesas com folha de pagamento de servidores do Poder Executivo Federal aumentaram 56,6% entre 2004 e 2008. Segundo informações que integram a Prestação de Contas do Presidente da República, divulgada pela CGU (Controladoria-Geral da União), o valor gasto com pessoal era R$ 59,8 bilhões em 2004 e chegou a R$ 93,7 bilhões no ano passado. Entretanto, ainda de acordo com a CGU, o valor não ultrapassa o limite de 40,9% da Receita Líquida Corrente (RCL), número estabelecido pela legislação brasileira. Em 2008, o total gasto com servidores alcançou 21,87% da RCL, que foi de R$ 428,5 bilhões. Os gastos com saúde foram de R$ 48,7 bilhões – crescimento nominal de 9,9% em relação a 2007 (R$ 44,3 bilhões). No setor de educação, o percentual passou de 18,4%, em 2007, para 18,9% da arrecadação líquida com impostos. A Constituição determina valores mínimos de aplicação de recursos para as duas áreas. No caso da saúde, deve ser o valor do ano anterior somado à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Na educação, não pode ser menor do que 18% da receita com impostos. A prestação de contas reúne informações de diversos órgãos e entidades do Poder Executivo e são consolidadas pela CGU. Ela é dividida em duas partes: o Relatório da Atuação Governamental e o Balanço Geral da União. O primeiro traz, entre outras atuações do governo, os resultados alcançados com os programas de cunho social, as ações do PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento ), além de ações classificadas como prioritárias na Lei de Diretrizes Orçamentárias e em cada órgão federal. O Balanço Geral da União, organizado pela Secretaria do Tesouro Nacional – vinculada ao Ministério da Fazenda – contempla a execução e a análise dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. Estes dados são extraídos principalmente do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal).A prestação de contas foi enviada ontem à Casa Civil e deve ser encaminhada ao Congresso Nacional até o próximo dia 2, onde será analisada.
31.03.09
* Com informações da Agência Brasil
BÔNUS
A desconstrução de uma mentira
MAURÍCIO DIAS
Um estudo do Ipea divulgado há duas semanas – Emprego Público no Brasil: comparação internacional e evolução recente – é um trabalho fundamental para desconstruir a mentira de que o Estado brasileiro é inchado pelo número de servidores e grande demais para as necessidades do País. O levantamento do Ipea prova o contrário. A participação do emprego público é pequena. O porcentual de servidores em relação à população ocupada não chega a 11% e não alcança 6%, se for considerada a população total do País. Isso fica claro quando a comparação é feita com estruturas estatais de países mais ricos da Europa ou mesmo com os Estados Unidos, levando-se em conta a relação de servidores públicos com população ocupada. Dinamarca (39,3%) e Suécia (33%) encabeçam a lista. O porcentual elevado se explicaria pela existência da política de Bem-Estar Social que exige, para execução, mão de obra do setor público. Mas essa especificidade não se aplica a países “altamente privatistas”, como Estados Unidos (14,9%) e Canadá (19,9%), e a nações europeias como França (14,4%) e Espanha (15%), entre outros. Todos com porcentual maior do que os 11% do Brasil. O tamanho do Estado brasileiro, pelo mesmo parâmetro, comparado com os países da América Latina, também é modesto. Está bem abaixo de Panamá (17,8%), Uruguai (16,3%) e Argentina (16,2%), e um pouco acima do Chile (10,5%). Durante oito anos, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi o arauto da luta contra o Estado brasileiro. Ao assumir o poder, anunciou o fim da Era Vargas. Não por acaso, Getúlio Vargas foi o governante que montou as bases do Estado moderno. Nada ocorria por acaso. Ao discurso antiestatal sucedeu o programa de privatização. Os dois governos de FHC deixaram marcas rastreadas pelo Ipea: “A mudança mais expressiva deu-se pela redução do peso de certas parcelas da administração indireta, como as companhias estatais (que incluem empresas públicas e também sociedades de economia mista), cujo peso caiu de quase 10% em 2002 para 8,4% em 2007, depois de ter sofrido quedas mais acentuadas ainda nos anos 1990, por causa das privatizações”.
Os beatos dessa procissão privatista entoavam a ladainha do inchaço do Estado brasileiro. Havia contrapontos, mas não eram considerados. É o caso do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que, em 2006, quando os efeitos do discurso contra o Estado ainda eram predominantes, lançou o livro O Ex-Leviatã Brasileiro, desmascarando as “pistas falsas” do debate incentivado pelos tucanos e mesmo de alguns petistas conversos ao leilão do Estado brasileiro. A pergunta lançada por Wanderley Guilherme naquela ocasião e repetida agora não é dirigida ao tamanho das burocracias dos países ricos, mas porque a do Brasil é reduzida. Ele explica: “O Estado brasileiro foi constituído assim para atender uma sociedade oligárquica que, portanto, não estava a fim de Estado, exceto no que diz respeito ao comércio exterior”.
Segundo ele, só a partir de 1950 as contas públicas começaram a se tornar mais complexas e, ainda assim, “as iniciativas eram tomadas pontualmente, crescendo um pedaço aqui, ficando mirradas ali e, sem dúvida, mantendo sempre as características de distribuição de empregos inúteis: ascensoristas, motoristas e outros”. “Atualmente o Estado não está aparelhado para responder com velocidade e coerência às demandas de uma sociedade industrial urbana que fez, em larga medida, a reforma capitalista do campo”, adverte.
A crise financeira resgatou e fortaleceu o papel do Estado, uma obra iniciada por Getúlio Vargas, que, felizmente, resistiu parcialmente ao desmonte parcial efetuado pelos tucanos.
( CARTA CAPITAL, 09/04/2009 )
VOCÊ DEVE LER:
O BRASIL PRIVATIZADO – Aloysio Biondi
A ECONOMIA COMO ELA É – Paulo Nogueira Batista Jr.
SUA EXCELÊNCIA ROBERT RUBIN, PRESIDENTE DO BRASIL – Greg Palast
O CONSENSO DE WASHINGTON – Paulo Nogueira Batista – 1994

abril 7, 2009

"Estado balofo": a "esquizocrisia" dos jornais e de seus leitores

Eu não entendo direito. Deve ser algum caso de “esquizocrisia” ( que acabei de inventar, é a junção entre “esquizofrenia” com “hipocrisia” ). Mostro exemplos: num dia ( 2 de Abril ), o Estadão publicou a opinião de Rolf Kuntz ( link no final ), em que este critica o estudo do IPEA, que diz algo que sentimos diariamente: não há sobra de servidores públicos, mas falta deles. O Rolf, fiel ao princípio da diminuição do Estado na economia, e contrariado pelo esudo do Ipea, bateu na medalhinha: o Ipea já não era mais o mesmo. “Fora tomado pelos bolchevistas”, diria aquele Professor Hariovaldo. Onde antes haviam profissionais e especialistas, agora há “companheiros” e ideólogos. Não vou entrar no mérito da questão. Pois bem, ontem o Estado publicou uma carta de alguém do Ipea, respondendo ao eminente Klutz, ops, Kuntz:
Poucos servidores
Sobre as críticas do sociólogo José Pastore (A febre diminuiu, mas o doente está mal?, 19/3, B3) e do jornalista Rolf Kuntz (O Estado balofo e seus defensores, 2/4, B2), contra pesquisa recentemente divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que revela que o setor público no Brasil é pequeno se comparado a países europeus, aos EUA e a países da América Latina, é preciso destacar que a eficiência depende, sim, da quantidade de servidores. Afirmo e repito, com base em números: o Brasil tem poucos servidores. O número de processos por juiz, por exemplo, é absurdo e não há “produtividade” que dê conta da morosidade da Justiça se o número de juízes por habitantes não aumentar. Esse raciocínio vale para médicos, professores, fiscais, policiais, enfermeiros, pesquisadores, militares nas fronteiras, controladores de voo, etc. O objetivo da pesquisa do Ipea não é “defender o aumento do número de servidores públicos” como um fim em si mesmo, mas defender a qualidade e a extensão dos serviços públicos. É triste constatar que sempre que um novo estudo do Ipea – ou de qualquer outro órgão produtor de conhecimento aplicado ou teórico – não segue o discurso único dos ortodoxos, é rotulado de “não técnico”. Questão de ponto de vista e também de interesses de classe. As convicções graníticas e as técnicas dos economistas ortodoxos levaram o mundo ao impasse em que se encontra hoje.
FERNANDO AUGUSTO M. DE MATTOS, pesquisador, é um dos autores do estudo Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução Recente, produzido pelo Ipea
São Paulo”
Mas, um negócio que eu não entendo: por quê os mesmos jornais e revistas que dão amplo espaço para a discussão – sem eufemismo: para as “críticas” mesmo – sobre o tamanho do Estado, seu “inchaço” e ineficiência mastodôntica, também têm um discreto costume de, por vezes, mostrar a seus leitores, que o EMPREGO PÚBLICO é uma boa, que os CONCURSOS PÚBLICOS são “uma opção em tempos de crise”, que o emprego público “garante bons salários e estabilidade”, e o car***alho a quatro? Geralmente nos cadernos de empregos encontramos essas informações. Bom, quem lê jornal é, quase que certamente, o público a quem se destinam as opiniões e notícias “anti-Estado”. Mas, esse mesmo público-alvo e consumidor, por vezes, também é brindado com celebrações “ao emprego na máquina”. Meu, se eu fosse funcionário público, eu jamais assinaria veículos que tentam tirar meu ganha-pão. Pior, se alguma estatal ou órgão do governo manter assinaturas e gastar meu dinheiro com isso.
E, se eu fosse leitor contumaz desses veículos, e já tivesse aderido às idéias por eles propostas, eu me recusaria a trabalhar no Estado Leviatânico, e nem deixaria meus filhos prestarem concursos para entrarem lá. Questão de princípios, cacete! E agora? Quem será que não tem princípios sólidos a serem obedecidos? Jornais, leitores ou funcionários públicos?
Na página Ce2, Caderno de Empregos do Estado de SP, em 05 de Abril, saiu essa: “Concursos públicos atraem mais em tempos de crise – Estabilidade e salários convidativos [ Ué? Mas sobre isso não foi dito, na época de FHC, que "estabilidade" quer dizer "QI ( quem indica )" e "salários convidativos" significa "nababescos, exagerados, inchados, desmerecidos"? ] fazem cada vez mais profissionais pensarem na opção”.
Meus amigos, queiram por favor decidir: o Estado é “caro, custoso, incompetente, intrometido e incapaz”, ou é um oásis onde a famigerada classe-média vai buscar refúgio, quando as teorias que ela aceitou – e a elas aderiu entusiasticamente – a partir das leituras de jornais começam a ruir?

O Estado balofo e seus defensores“, por Rolf Kuntz
Estado de São Paulo -02/04/2009

fevereiro 3, 2009

"O país segue nas mãos dos liberais", por Carlos Lessa

Filed under: Carlos Lessa, crise econômica mundial, Estado, neoliberalismo — Humberto @ 1:39 am
Carlos Lessa: o país segue nas mãos dos liberais
Para o economista e ex-presidente do BNDES, a crise nasceu da ilusão de que todos poderiam ficar ricos a partir da aplicação em papéis
Vivemos um momento curioso: até os neoliberais mais convictos mudam o discurso e passam a aceitar a intervenção do Estado, enquanto países tentam conter a falta de crédito e evitar o agravamento da queda no consumo e na produção. A crise mostrou a cara. Mas que crise é essa? Qual é sua genética, para onde nos leva? Nos EUA, o governo disponibiliza verdadeiras fortunas para que bancos e empresas contornem a crise, mas todo esse dinheiro ainda não é suficiente para resolver a crise atual. O que tornou esse dragão devorador de capitais tão grande?
A crise é conseqüência da valorização de ativos construída como castelo de cartas, com base na dívida primária dos Estados Unidos, a dívida das famílias americanas. Sobre ela foram adicionadas camadas em formas de fundos, derivativos etc. A cola era a venda da ilusão, pelos neoliberais, de que todos poderiam ficar ricos, a partir da aplicação em papéis. Pessoas comuns foram convencidas a se endividar, dando imóveis como hipoteca, e a aplicar em fundos. Há estimativas – embora ninguém tenha como afirmar, já que o limite para empilhar cartas é apenas a confiança – de que os derivativos, principalmente de bancos de investimentos dos EUA, chegaram a US$ 640 trilhões. A cifra assusta mais se comparada ao PIB mundial, na casa dos US$ 60 trilhões.
E quando o castelo começa a desmoronar? Quando bancos fazem empréstimos a credores pouco confiáveis ou pouco estáveis. Esses empréstimos sem lastro – subprimes – levaram ao endividamento acentuado das famílias, impactando a economia com atrasos de pagamentos, retração do consumo e, é claro, corroendo confiança. A base do castelo começa a queimar e as camadas superiores vão ruindo.
No arrastão, bancos e bolsas provocam uma corrida pela liquidez, levando à queda abrupta das ações, à valorização do dólar e ao sumiço do crédito. Sem crédito, não há financiamento da produção e do consumo, as vendas caem, as fábricas produzem menos e demitem. O efeito pode ser sentido em países importantes, além dos EUA: Alemanha, Itália e Espanha estão em recessão declarada. A China prevê crescer menos. Isso traz expectativa de queda nas trocas internacionais, nos preços dos produtos, principalmente os primários, redução das cotações de ações, menos produção e mais desemprego.
Mas a genealogia da crise abriga uma questão muito anterior ao endividamento das famílias. É conseqüência de um sistema, o da hegemonia norte-americana com o dólar como padrão mundial – e os americanos vão resistir à mudança do modelo, pois poderia comprometer sua hegemonia. E só haverá solução com a mudança desse padrão, independentemente de se falar em ação do Estado. A direita, que está por trás desse grande desastre neoliberal, controla as estruturas de poder e econômicas. Sabe usar e sempre usa o Estado. Usará novamente.
No Brasil, diaante dos juros altos, empresas foram buscar financiamento fora, e o crédito secou para elas também. Mas se há um lado positivo desta crise é que, ao contrário das anteriores, não será enfrentada via guerra mundial, e pode propiciar uma nova cobrança e novo tipo de colaboração entre os países. Abre-se espaço para que alguns países possam afirmar projetos nacionais. E o Brasil aparece como um dos mais habilitados a isso. O problema é que nossas elites econômicas e nosso governo, que controlam os aparelhos do Estado, não fazem nada para isso. O Estado segue nas mãos da direita e dos liberais.
A única saída reside numa decisão crucial do Estado brasileiro: defender suas reservas, de US$ 207 bilhões. Sem elas, o país quebra. Só não estou seguro de que o presidente do Banco Central esteja preparado ou mesmo interessado em defendê-las da fogueira internacional.
AMANHÃ, 02.02.09

"O país segue nas mãos dos liberais", por Carlos Lessa

Filed under: Carlos Lessa, crise econômica mundial, Estado, neoliberalismo — Humberto @ 1:39 am
Carlos Lessa: o país segue nas mãos dos liberais
Para o economista e ex-presidente do BNDES, a crise nasceu da ilusão de que todos poderiam ficar ricos a partir da aplicação em papéis
Vivemos um momento curioso: até os neoliberais mais convictos mudam o discurso e passam a aceitar a intervenção do Estado, enquanto países tentam conter a falta de crédito e evitar o agravamento da queda no consumo e na produção. A crise mostrou a cara. Mas que crise é essa? Qual é sua genética, para onde nos leva? Nos EUA, o governo disponibiliza verdadeiras fortunas para que bancos e empresas contornem a crise, mas todo esse dinheiro ainda não é suficiente para resolver a crise atual. O que tornou esse dragão devorador de capitais tão grande?
A crise é conseqüência da valorização de ativos construída como castelo de cartas, com base na dívida primária dos Estados Unidos, a dívida das famílias americanas. Sobre ela foram adicionadas camadas em formas de fundos, derivativos etc. A cola era a venda da ilusão, pelos neoliberais, de que todos poderiam ficar ricos, a partir da aplicação em papéis. Pessoas comuns foram convencidas a se endividar, dando imóveis como hipoteca, e a aplicar em fundos. Há estimativas – embora ninguém tenha como afirmar, já que o limite para empilhar cartas é apenas a confiança – de que os derivativos, principalmente de bancos de investimentos dos EUA, chegaram a US$ 640 trilhões. A cifra assusta mais se comparada ao PIB mundial, na casa dos US$ 60 trilhões.
E quando o castelo começa a desmoronar? Quando bancos fazem empréstimos a credores pouco confiáveis ou pouco estáveis. Esses empréstimos sem lastro – subprimes – levaram ao endividamento acentuado das famílias, impactando a economia com atrasos de pagamentos, retração do consumo e, é claro, corroendo confiança. A base do castelo começa a queimar e as camadas superiores vão ruindo.
No arrastão, bancos e bolsas provocam uma corrida pela liquidez, levando à queda abrupta das ações, à valorização do dólar e ao sumiço do crédito. Sem crédito, não há financiamento da produção e do consumo, as vendas caem, as fábricas produzem menos e demitem. O efeito pode ser sentido em países importantes, além dos EUA: Alemanha, Itália e Espanha estão em recessão declarada. A China prevê crescer menos. Isso traz expectativa de queda nas trocas internacionais, nos preços dos produtos, principalmente os primários, redução das cotações de ações, menos produção e mais desemprego.
Mas a genealogia da crise abriga uma questão muito anterior ao endividamento das famílias. É conseqüência de um sistema, o da hegemonia norte-americana com o dólar como padrão mundial – e os americanos vão resistir à mudança do modelo, pois poderia comprometer sua hegemonia. E só haverá solução com a mudança desse padrão, independentemente de se falar em ação do Estado. A direita, que está por trás desse grande desastre neoliberal, controla as estruturas de poder e econômicas. Sabe usar e sempre usa o Estado. Usará novamente.
No Brasil, diaante dos juros altos, empresas foram buscar financiamento fora, e o crédito secou para elas também. Mas se há um lado positivo desta crise é que, ao contrário das anteriores, não será enfrentada via guerra mundial, e pode propiciar uma nova cobrança e novo tipo de colaboração entre os países. Abre-se espaço para que alguns países possam afirmar projetos nacionais. E o Brasil aparece como um dos mais habilitados a isso. O problema é que nossas elites econômicas e nosso governo, que controlam os aparelhos do Estado, não fazem nada para isso. O Estado segue nas mãos da direita e dos liberais.
A única saída reside numa decisão crucial do Estado brasileiro: defender suas reservas, de US$ 207 bilhões. Sem elas, o país quebra. Só não estou seguro de que o presidente do Banco Central esteja preparado ou mesmo interessado em defendê-las da fogueira internacional.
AMANHÃ, 02.02.09

"O país segue nas mãos dos liberais", por Carlos Lessa

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Carlos Lessa: o país segue nas mãos dos liberais
Para o economista e ex-presidente do BNDES, a crise nasceu da ilusão de que todos poderiam ficar ricos a partir da aplicação em papéis
Vivemos um momento curioso: até os neoliberais mais convictos mudam o discurso e passam a aceitar a intervenção do Estado, enquanto países tentam conter a falta de crédito e evitar o agravamento da queda no consumo e na produção. A crise mostrou a cara. Mas que crise é essa? Qual é sua genética, para onde nos leva? Nos EUA, o governo disponibiliza verdadeiras fortunas para que bancos e empresas contornem a crise, mas todo esse dinheiro ainda não é suficiente para resolver a crise atual. O que tornou esse dragão devorador de capitais tão grande?
A crise é conseqüência da valorização de ativos construída como castelo de cartas, com base na dívida primária dos Estados Unidos, a dívida das famílias americanas. Sobre ela foram adicionadas camadas em formas de fundos, derivativos etc. A cola era a venda da ilusão, pelos neoliberais, de que todos poderiam ficar ricos, a partir da aplicação em papéis. Pessoas comuns foram convencidas a se endividar, dando imóveis como hipoteca, e a aplicar em fundos. Há estimativas – embora ninguém tenha como afirmar, já que o limite para empilhar cartas é apenas a confiança – de que os derivativos, principalmente de bancos de investimentos dos EUA, chegaram a US$ 640 trilhões. A cifra assusta mais se comparada ao PIB mundial, na casa dos US$ 60 trilhões.
E quando o castelo começa a desmoronar? Quando bancos fazem empréstimos a credores pouco confiáveis ou pouco estáveis. Esses empréstimos sem lastro – subprimes – levaram ao endividamento acentuado das famílias, impactando a economia com atrasos de pagamentos, retração do consumo e, é claro, corroendo confiança. A base do castelo começa a queimar e as camadas superiores vão ruindo.
No arrastão, bancos e bolsas provocam uma corrida pela liquidez, levando à queda abrupta das ações, à valorização do dólar e ao sumiço do crédito. Sem crédito, não há financiamento da produção e do consumo, as vendas caem, as fábricas produzem menos e demitem. O efeito pode ser sentido em países importantes, além dos EUA: Alemanha, Itália e Espanha estão em recessão declarada. A China prevê crescer menos. Isso traz expectativa de queda nas trocas internacionais, nos preços dos produtos, principalmente os primários, redução das cotações de ações, menos produção e mais desemprego.
Mas a genealogia da crise abriga uma questão muito anterior ao endividamento das famílias. É conseqüência de um sistema, o da hegemonia norte-americana com o dólar como padrão mundial – e os americanos vão resistir à mudança do modelo, pois poderia comprometer sua hegemonia. E só haverá solução com a mudança desse padrão, independentemente de se falar em ação do Estado. A direita, que está por trás desse grande desastre neoliberal, controla as estruturas de poder e econômicas. Sabe usar e sempre usa o Estado. Usará novamente.
No Brasil, diaante dos juros altos, empresas foram buscar financiamento fora, e o crédito secou para elas também. Mas se há um lado positivo desta crise é que, ao contrário das anteriores, não será enfrentada via guerra mundial, e pode propiciar uma nova cobrança e novo tipo de colaboração entre os países. Abre-se espaço para que alguns países possam afirmar projetos nacionais. E o Brasil aparece como um dos mais habilitados a isso. O problema é que nossas elites econômicas e nosso governo, que controlam os aparelhos do Estado, não fazem nada para isso. O Estado segue nas mãos da direita e dos liberais.
A única saída reside numa decisão crucial do Estado brasileiro: defender suas reservas, de US$ 207 bilhões. Sem elas, o país quebra. Só não estou seguro de que o presidente do Banco Central esteja preparado ou mesmo interessado em defendê-las da fogueira internacional.
AMANHÃ, 02.02.09

"O país segue nas mãos dos liberais", por Carlos Lessa

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Carlos Lessa: o país segue nas mãos dos liberais
Para o economista e ex-presidente do BNDES, a crise nasceu da ilusão de que todos poderiam ficar ricos a partir da aplicação em papéis
Vivemos um momento curioso: até os neoliberais mais convictos mudam o discurso e passam a aceitar a intervenção do Estado, enquanto países tentam conter a falta de crédito e evitar o agravamento da queda no consumo e na produção. A crise mostrou a cara. Mas que crise é essa? Qual é sua genética, para onde nos leva? Nos EUA, o governo disponibiliza verdadeiras fortunas para que bancos e empresas contornem a crise, mas todo esse dinheiro ainda não é suficiente para resolver a crise atual. O que tornou esse dragão devorador de capitais tão grande?
A crise é conseqüência da valorização de ativos construída como castelo de cartas, com base na dívida primária dos Estados Unidos, a dívida das famílias americanas. Sobre ela foram adicionadas camadas em formas de fundos, derivativos etc. A cola era a venda da ilusão, pelos neoliberais, de que todos poderiam ficar ricos, a partir da aplicação em papéis. Pessoas comuns foram convencidas a se endividar, dando imóveis como hipoteca, e a aplicar em fundos. Há estimativas – embora ninguém tenha como afirmar, já que o limite para empilhar cartas é apenas a confiança – de que os derivativos, principalmente de bancos de investimentos dos EUA, chegaram a US$ 640 trilhões. A cifra assusta mais se comparada ao PIB mundial, na casa dos US$ 60 trilhões.
E quando o castelo começa a desmoronar? Quando bancos fazem empréstimos a credores pouco confiáveis ou pouco estáveis. Esses empréstimos sem lastro – subprimes – levaram ao endividamento acentuado das famílias, impactando a economia com atrasos de pagamentos, retração do consumo e, é claro, corroendo confiança. A base do castelo começa a queimar e as camadas superiores vão ruindo.
No arrastão, bancos e bolsas provocam uma corrida pela liquidez, levando à queda abrupta das ações, à valorização do dólar e ao sumiço do crédito. Sem crédito, não há financiamento da produção e do consumo, as vendas caem, as fábricas produzem menos e demitem. O efeito pode ser sentido em países importantes, além dos EUA: Alemanha, Itália e Espanha estão em recessão declarada. A China prevê crescer menos. Isso traz expectativa de queda nas trocas internacionais, nos preços dos produtos, principalmente os primários, redução das cotações de ações, menos produção e mais desemprego.
Mas a genealogia da crise abriga uma questão muito anterior ao endividamento das famílias. É conseqüência de um sistema, o da hegemonia norte-americana com o dólar como padrão mundial – e os americanos vão resistir à mudança do modelo, pois poderia comprometer sua hegemonia. E só haverá solução com a mudança desse padrão, independentemente de se falar em ação do Estado. A direita, que está por trás desse grande desastre neoliberal, controla as estruturas de poder e econômicas. Sabe usar e sempre usa o Estado. Usará novamente.
No Brasil, diaante dos juros altos, empresas foram buscar financiamento fora, e o crédito secou para elas também. Mas se há um lado positivo desta crise é que, ao contrário das anteriores, não será enfrentada via guerra mundial, e pode propiciar uma nova cobrança e novo tipo de colaboração entre os países. Abre-se espaço para que alguns países possam afirmar projetos nacionais. E o Brasil aparece como um dos mais habilitados a isso. O problema é que nossas elites econômicas e nosso governo, que controlam os aparelhos do Estado, não fazem nada para isso. O Estado segue nas mãos da direita e dos liberais.
A única saída reside numa decisão crucial do Estado brasileiro: defender suas reservas, de US$ 207 bilhões. Sem elas, o país quebra. Só não estou seguro de que o presidente do Banco Central esteja preparado ou mesmo interessado em defendê-las da fogueira internacional.
AMANHÃ, 02.02.09

"O país segue nas mãos dos liberais", por Carlos Lessa

Filed under: Carlos Lessa, crise econômica mundial, Estado, neoliberalismo — Humberto @ 1:39 am
Carlos Lessa: o país segue nas mãos dos liberais
Para o economista e ex-presidente do BNDES, a crise nasceu da ilusão de que todos poderiam ficar ricos a partir da aplicação em papéis
Vivemos um momento curioso: até os neoliberais mais convictos mudam o discurso e passam a aceitar a intervenção do Estado, enquanto países tentam conter a falta de crédito e evitar o agravamento da queda no consumo e na produção. A crise mostrou a cara. Mas que crise é essa? Qual é sua genética, para onde nos leva? Nos EUA, o governo disponibiliza verdadeiras fortunas para que bancos e empresas contornem a crise, mas todo esse dinheiro ainda não é suficiente para resolver a crise atual. O que tornou esse dragão devorador de capitais tão grande?
A crise é conseqüência da valorização de ativos construída como castelo de cartas, com base na dívida primária dos Estados Unidos, a dívida das famílias americanas. Sobre ela foram adicionadas camadas em formas de fundos, derivativos etc. A cola era a venda da ilusão, pelos neoliberais, de que todos poderiam ficar ricos, a partir da aplicação em papéis. Pessoas comuns foram convencidas a se endividar, dando imóveis como hipoteca, e a aplicar em fundos. Há estimativas – embora ninguém tenha como afirmar, já que o limite para empilhar cartas é apenas a confiança – de que os derivativos, principalmente de bancos de investimentos dos EUA, chegaram a US$ 640 trilhões. A cifra assusta mais se comparada ao PIB mundial, na casa dos US$ 60 trilhões.
E quando o castelo começa a desmoronar? Quando bancos fazem empréstimos a credores pouco confiáveis ou pouco estáveis. Esses empréstimos sem lastro – subprimes – levaram ao endividamento acentuado das famílias, impactando a economia com atrasos de pagamentos, retração do consumo e, é claro, corroendo confiança. A base do castelo começa a queimar e as camadas superiores vão ruindo.
No arrastão, bancos e bolsas provocam uma corrida pela liquidez, levando à queda abrupta das ações, à valorização do dólar e ao sumiço do crédito. Sem crédito, não há financiamento da produção e do consumo, as vendas caem, as fábricas produzem menos e demitem. O efeito pode ser sentido em países importantes, além dos EUA: Alemanha, Itália e Espanha estão em recessão declarada. A China prevê crescer menos. Isso traz expectativa de queda nas trocas internacionais, nos preços dos produtos, principalmente os primários, redução das cotações de ações, menos produção e mais desemprego.
Mas a genealogia da crise abriga uma questão muito anterior ao endividamento das famílias. É conseqüência de um sistema, o da hegemonia norte-americana com o dólar como padrão mundial – e os americanos vão resistir à mudança do modelo, pois poderia comprometer sua hegemonia. E só haverá solução com a mudança desse padrão, independentemente de se falar em ação do Estado. A direita, que está por trás desse grande desastre neoliberal, controla as estruturas de poder e econômicas. Sabe usar e sempre usa o Estado. Usará novamente.
No Brasil, diaante dos juros altos, empresas foram buscar financiamento fora, e o crédito secou para elas também. Mas se há um lado positivo desta crise é que, ao contrário das anteriores, não será enfrentada via guerra mundial, e pode propiciar uma nova cobrança e novo tipo de colaboração entre os países. Abre-se espaço para que alguns países possam afirmar projetos nacionais. E o Brasil aparece como um dos mais habilitados a isso. O problema é que nossas elites econômicas e nosso governo, que controlam os aparelhos do Estado, não fazem nada para isso. O Estado segue nas mãos da direita e dos liberais.
A única saída reside numa decisão crucial do Estado brasileiro: defender suas reservas, de US$ 207 bilhões. Sem elas, o país quebra. Só não estou seguro de que o presidente do Banco Central esteja preparado ou mesmo interessado em defendê-las da fogueira internacional.
AMANHÃ, 02.02.09

dezembro 29, 2008

"Vamos "Enxugar a máquina"?", por Vinicius Duarte

DO BLOG COM FEL E LIMÃO
27.12.08
Taí uma expressão bastante usada, e dela variam muitas, tais como “inchaço do Estado”, “trem da alegria”, “desestatização”, “aprimoramento da máquina”…
Funcionário público é um ser odiado no mundo todo, e sempre tem a mesma imagem: folgado, não trabalha, “mama nas tetas do governo” (ops, outra expressão), faz tudo pra atrapalhar o “povo que paga o seu salário” (outra!), e por aí vai. Veja o grifo acima, ora repetido: no mundo inteiro. Isso, senhores: aqui, em Botswana, Burkina Faso, Estados Unidos da América, Inglaterra, Rússia, China… Eles, os servidores estatais, também me irritam. A diferença é que eu não vejo um só país funcionando sem eles, e não imagino como um Estado Nacional pode ser organizado prescindindo da sua existência.
Por aqui, desde o advento Collor (é, aquele lá em quem você votou em 1989, mas tem vergonha de admitir!), é voz corrente dos postulantes a cargos eletivos o tal do “enxugamento”, a “gestão eficiente”, “corte de gastos”. Mas isso é uma quimera, porque, em verdade, não é o governante que controla a máquina do estado, mas o inverso. Ele pode colocar um milhão de aspones dele em cargos de confiança transitórios, mas quem mete a mão na massa é o funcionário concursado, que sempre estará lá, seja qual for o governo. E ele é estável, só sai da cadeira aposentado ou morto. Escolado, não vai comprar o discurso bonito do aspone que sairá de lá na próxima eleição. Isso é bom ou ruim?
Pra mim, é muito bom. Porque é, em última análise, a única instituição verdadeiramente sólida e politicamente independente de um Estado, e reflete de maneira cristalina o caráter do povo que o habita. Em suma, uma estrutura estatal eficiente revela que o povo daquele país é eficiente, também. Afinal, não foram os funcionários públicos gerados “do nada”, eles são tão brasileiros quanto nós, e, por isso, fazem exatamente o que você ou eu faríamos se estivéssemos no lugar deles. O “patrão” do funcionário público não é o prefeito, ou o presidente: somos todos nós. Se somos complacentes com o empregado, talvez esteja aí uma culpa embutida, uma vez que é difícil cobrar alguém por uma coisa que nós mesmos não seríamos capazes de executar. O velho e bom provérbio Vampetiano do “eu finjo que te cobro, você finge que me atende”. Com o adendo “e eu finjo que fico insatisfeito”.
Deixar o Estado “mais eficiente” tem muito menos a ver com corte de gastos, e muito mais com uma consciência de todos sobre a sua postura como cidadão. O gasto inútil é a febre, não a infecção. E “fazer a sua parte” passa muito longe de pagar os impostos e ficar sentado esperando as coisas acontecerem. Vai trabalhar, vagabundo! Já tô indo! Feliz 2009.

agosto 18, 2007

Luxemburgo’s Economics School: I win, YOU lose, State pays

Filed under: Bancos Centrais, bolha econômica, capitalismo, crise mundial, Estado — Humberto @ 5:57 pm
Bancos penduram no Erário a quebra da pirâmide hipotecária Em uma semana, Bancos Centrais dos EUA, Europa e Japão transferiram US$ 370 bilhões para socorrer bancos privados atolados em suas hipotecas sem lastro. “Estado mínimo”, só quando é para usar verbas para atender as necessidades do povo
Bancos centrais dos EUA, Europa e de outros países já torraram, em cerca de uma semana, 370 bilhões de dólares no socorro aos bancos privados e corretoras enrascados na quebra da pirâmide financeira no mercado imobiliário norte-americano, em que hipotecas de até 50 anos eram roladas com títulos podres negociados e renegociados no overnight, os assim chamados derivativos “collateralised debt obligations ou CDOs”. A dívida com a especulação de imóveis nos EUA chega a US$ 10 trilhões, cerca de 75% do PIB do país, e na semana passada ficou impossível esconder que estava ocorrendo uma corrida aos bancos e corretoras nos EUA para tentar sacar alguma coisa, antes que virasse fumaça. No dia 9, o processo detonado com o colapso de dois fundos da quinta maior corretora norte-americana, a Bear Stearns, no final de julho, tornou-se irrefreável, com o anúncio do maior francês, o BNP Paribas, que não iria pagar mais nada de três fundos de hipotecas nos EUA, “porque não havia como avaliar o valor dos títulos”. A derrubada arrastou também as bolsas de valores no mundo inteiro.
De acordo com as agências de notícias, entre os bancos e corretoras encalacrados estão pelo menos três das cinco maiores corretoras de investimento dos EUA (Stearns, Merrill Lynch e Goldman Sachs); o já citado BNP Paribas, francês, o quinto maior banco alemão (IKB), o UBS (suíço), o HSBC e muitos outros. Mas nos próximos dias, outras “instituições” irão fazer sua aparição. As agências de “rating”, como a S&P e a Moody’s, que passaram os últimos anos assinando atestado de que os títulos eram quentes, agora estão explicando que era só uma “opinião”, garantida pela constituição dos EUA, e à prova de advogados e indenizações. Situação bem caracterizada pelo insuspeito “Financial Times” como “alquimia financeira”, em que papéis podres eram transformados em “triplo A”. ( Fora da City londrina essa alquimia é mais conhecida como vigarice mesmo ).
FILANTROPIA
Só no primeiro dia, foram US$ 24 bilhões do Federal Reserve norte-americano, US$ 130 bilhões do BC Europeu e US$ 8,4 bilhões do Banco do Japão, além de outros BCs, como o da Austrália. A filantropia vem prosseguindo, à medida que vão aparecendo mais fundos de derivativos quebrados. Não foi um “relâmpago em céu azul”. Desde que o HSBC confessara seus problemas no ano passado, o quadro vem se agravando, o que levou no final de julho o próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, em depoimento ao Congresso dos EUA, a admitir, diga-se que com certo otimismo, que as perdas chegariam “até US$ 100 bilhões”. Bancados pelos cofres públicos, isto é, por toda a população. Em troca de títulos podres de que esses bancos, corretoras e seguradoras estão abarrotados.
“ESTADO MÁXIMO”
No caso, nem os magnatas de Wall Street e de outras praças, nem a mídia ou os “teóricos” neoliberais, consideraram tamanha montanha de dólares, euros e iens uma negação do seu “Estado mínimo”. Agora, clamam, a hora é de “estado máximo”, de acordo com o conhecido lema, muito devidamente apropriados privadamente os lucros, ao aparecerem os prejuízos, “socialismo” neles. Wall Street anda pululando de socialistas, nos últimos dias… Como se vê, o estado só deve ser “mínimo” quando se trata de cuidar da saúde do povo, garantir educação, saneamento básico, infra-estrutura e desenvolver as áreas estratégicas da economia. Aí, haja rigor fiscal, cortes dos “gastos” e tesoura nos programas sociais que é pra gentalha não ficar mal acostumada.
Para tentar esticar o funcionamento da pirâmide financeira, os falsários haviam feito com que a parcela de empréstimos “subprime” – isto é, sem garantias e até sem documentos – inchasse de 6% para 30% em 2006. As peças foram tombando: dia 12 de março, um dos maiores emprestadores de subprime, a “New Century Financial”, suspende a venda de ações em meio a rumores de bancarrota. Quatro dias mais tarde, é a vez da “Accredited Home Lenders Holding (perda de US$ 2,7 bilhões e demissão de mais da metade dos funcionários).
No dia 24 de maio, a Bear Stearns vem para os holofotes. Os “investidores” nos dois fundos são avisados por volta do dia 14 de junho de que, quem sabe, sobre alguma coisa. No dia 20 de junho, a maior corretora de investimento, a Merrill Lynch, entrou em confronto com a Bear vendendo US$ 800 milhões que estavam sendo usados como “colaterais” de empréstimos de fundo da Bear. No dia 22 de junho, a Bear teve de enfiar 3,2 bilhões para manter à tona o “High Grade Structured Credit Strategies Fund”; enquanto colocava um band-aid noutro, o “High-Grade Structured Credit Strategies Enhanced Leverage Fund”.
FRACASSO
Mas, como observa a revista “The Economist”, o fracasso dos derivativos “hipotecários” não explica toda a extensão que a crise tomou: “se há algo que está tirando o sono dos barões de Wall Street, é a perspectiva do colapso das pontes”. Explica. “Os bancos que forneceram os fundos para as operações de fusão e aquisições têm facilitado os acertos ao tomarem dezenas de bilhões de dólares em empréstimo “ponte” em ações. O objetivo é se desfazer rapidamente repassando para os investidores institucionais”. O desabamento do que seriam “altos valores” dos derivativos “colateralizados” envolvidos, o naufrágio desses fundos de CDOs ameaça “contaminar” outros instrumentos de especulação, que têm exatamente o mesmo “fundamento” – uma fictícia valorização estabelecida por um programa de computador, ou, no jargão de cassino, “valor notional”, quatro, seis, nove vezes maior do que o real. Uma “alavancagem astronômica”, segundo um entrevistado da revista inglesa, lembrando os casos freqüentes em que a alavancagem é aplicada sobre algo que já foi arbitrariamente “multiplicado”. A questão é que, ao tirar desse terreno imaginário – o “notional” em inglês também tem o significado de imaginário -, o valor efetivo com que esses fundos têm sido negociados é “muito inferior ao pretendido”. Resumindo: adivinha quem ficou com o mico?
EPIDEMIA
A cada ponto percentual perdido, lembra a revista, citando análise da “Goldman Sachs”, muitos acordos – fusões, aquisições – que eram possíveis, “deixam de ser”. Eis como a “enfermidade da subprime poderia se espalhar”: “A ansiedade tem como base as dúvidas sobre a qualidade dos títulos mantidos em CDOs e outros veículos ligados à securitização bancada em ativos. Seu marketing é de que oferecem lucros decentes com risco mínimo. Mas conforme as agências de classificação rebaixam tranches desse débito conjugado – e aumenta a possibilidade de rebaixar os de melhor qualidade – torna-se claro que esses instrumentos não são tudo aquilo que exaltam ser”.
ANTONIO PIMENTA
HORA DO POVO
[ N. do Blog ]: não entendo muito bem disso, e nem sei se tem algo a ver, mas parece que vários desses fundos mantém participações nos principais “private equities funds” tupiniquins, alguns dirigidos por ex-dirigentes do Banco Central nas dark ages da tucanidade. Coisa de bilhões. Vamos ver se estou certo.

Luxemburgo’s Economics School: I win, YOU lose, State pays

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Bancos penduram no Erário a quebra da pirâmide hipotecária Em uma semana, Bancos Centrais dos EUA, Europa e Japão transferiram US$ 370 bilhões para socorrer bancos privados atolados em suas hipotecas sem lastro. “Estado mínimo”, só quando é para usar verbas para atender as necessidades do povo
Bancos centrais dos EUA, Europa e de outros países já torraram, em cerca de uma semana, 370 bilhões de dólares no socorro aos bancos privados e corretoras enrascados na quebra da pirâmide financeira no mercado imobiliário norte-americano, em que hipotecas de até 50 anos eram roladas com títulos podres negociados e renegociados no overnight, os assim chamados derivativos “collateralised debt obligations ou CDOs”. A dívida com a especulação de imóveis nos EUA chega a US$ 10 trilhões, cerca de 75% do PIB do país, e na semana passada ficou impossível esconder que estava ocorrendo uma corrida aos bancos e corretoras nos EUA para tentar sacar alguma coisa, antes que virasse fumaça. No dia 9, o processo detonado com o colapso de dois fundos da quinta maior corretora norte-americana, a Bear Stearns, no final de julho, tornou-se irrefreável, com o anúncio do maior francês, o BNP Paribas, que não iria pagar mais nada de três fundos de hipotecas nos EUA, “porque não havia como avaliar o valor dos títulos”. A derrubada arrastou também as bolsas de valores no mundo inteiro.
De acordo com as agências de notícias, entre os bancos e corretoras encalacrados estão pelo menos três das cinco maiores corretoras de investimento dos EUA (Stearns, Merrill Lynch e Goldman Sachs); o já citado BNP Paribas, francês, o quinto maior banco alemão (IKB), o UBS (suíço), o HSBC e muitos outros. Mas nos próximos dias, outras “instituições” irão fazer sua aparição. As agências de “rating”, como a S&P e a Moody’s, que passaram os últimos anos assinando atestado de que os títulos eram quentes, agora estão explicando que era só uma “opinião”, garantida pela constituição dos EUA, e à prova de advogados e indenizações. Situação bem caracterizada pelo insuspeito “Financial Times” como “alquimia financeira”, em que papéis podres eram transformados em “triplo A”. ( Fora da City londrina essa alquimia é mais conhecida como vigarice mesmo ).
FILANTROPIA
Só no primeiro dia, foram US$ 24 bilhões do Federal Reserve norte-americano, US$ 130 bilhões do BC Europeu e US$ 8,4 bilhões do Banco do Japão, além de outros BCs, como o da Austrália. A filantropia vem prosseguindo, à medida que vão aparecendo mais fundos de derivativos quebrados. Não foi um “relâmpago em céu azul”. Desde que o HSBC confessara seus problemas no ano passado, o quadro vem se agravando, o que levou no final de julho o próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, em depoimento ao Congresso dos EUA, a admitir, diga-se que com certo otimismo, que as perdas chegariam “até US$ 100 bilhões”. Bancados pelos cofres públicos, isto é, por toda a população. Em troca de títulos podres de que esses bancos, corretoras e seguradoras estão abarrotados.
“ESTADO MÁXIMO”
No caso, nem os magnatas de Wall Street e de outras praças, nem a mídia ou os “teóricos” neoliberais, consideraram tamanha montanha de dólares, euros e iens uma negação do seu “Estado mínimo”. Agora, clamam, a hora é de “estado máximo”, de acordo com o conhecido lema, muito devidamente apropriados privadamente os lucros, ao aparecerem os prejuízos, “socialismo” neles. Wall Street anda pululando de socialistas, nos últimos dias… Como se vê, o estado só deve ser “mínimo” quando se trata de cuidar da saúde do povo, garantir educação, saneamento básico, infra-estrutura e desenvolver as áreas estratégicas da economia. Aí, haja rigor fiscal, cortes dos “gastos” e tesoura nos programas sociais que é pra gentalha não ficar mal acostumada.
Para tentar esticar o funcionamento da pirâmide financeira, os falsários haviam feito com que a parcela de empréstimos “subprime” – isto é, sem garantias e até sem documentos – inchasse de 6% para 30% em 2006. As peças foram tombando: dia 12 de março, um dos maiores emprestadores de subprime, a “New Century Financial”, suspende a venda de ações em meio a rumores de bancarrota. Quatro dias mais tarde, é a vez da “Accredited Home Lenders Holding (perda de US$ 2,7 bilhões e demissão de mais da metade dos funcionários).
No dia 24 de maio, a Bear Stearns vem para os holofotes. Os “investidores” nos dois fundos são avisados por volta do dia 14 de junho de que, quem sabe, sobre alguma coisa. No dia 20 de junho, a maior corretora de investimento, a Merrill Lynch, entrou em confronto com a Bear vendendo US$ 800 milhões que estavam sendo usados como “colaterais” de empréstimos de fundo da Bear. No dia 22 de junho, a Bear teve de enfiar 3,2 bilhões para manter à tona o “High Grade Structured Credit Strategies Fund”; enquanto colocava um band-aid noutro, o “High-Grade Structured Credit Strategies Enhanced Leverage Fund”.
FRACASSO
Mas, como observa a revista “The Economist”, o fracasso dos derivativos “hipotecários” não explica toda a extensão que a crise tomou: “se há algo que está tirando o sono dos barões de Wall Street, é a perspectiva do colapso das pontes”. Explica. “Os bancos que forneceram os fundos para as operações de fusão e aquisições têm facilitado os acertos ao tomarem dezenas de bilhões de dólares em empréstimo “ponte” em ações. O objetivo é se desfazer rapidamente repassando para os investidores institucionais”. O desabamento do que seriam “altos valores” dos derivativos “colateralizados” envolvidos, o naufrágio desses fundos de CDOs ameaça “contaminar” outros instrumentos de especulação, que têm exatamente o mesmo “fundamento” – uma fictícia valorização estabelecida por um programa de computador, ou, no jargão de cassino, “valor notional”, quatro, seis, nove vezes maior do que o real. Uma “alavancagem astronômica”, segundo um entrevistado da revista inglesa, lembrando os casos freqüentes em que a alavancagem é aplicada sobre algo que já foi arbitrariamente “multiplicado”. A questão é que, ao tirar desse terreno imaginário – o “notional” em inglês também tem o significado de imaginário -, o valor efetivo com que esses fundos têm sido negociados é “muito inferior ao pretendido”. Resumindo: adivinha quem ficou com o mico?
EPIDEMIA
A cada ponto percentual perdido, lembra a revista, citando análise da “Goldman Sachs”, muitos acordos – fusões, aquisições – que eram possíveis, “deixam de ser”. Eis como a “enfermidade da subprime poderia se espalhar”: “A ansiedade tem como base as dúvidas sobre a qualidade dos títulos mantidos em CDOs e outros veículos ligados à securitização bancada em ativos. Seu marketing é de que oferecem lucros decentes com risco mínimo. Mas conforme as agências de classificação rebaixam tranches desse débito conjugado – e aumenta a possibilidade de rebaixar os de melhor qualidade – torna-se claro que esses instrumentos não são tudo aquilo que exaltam ser”.
ANTONIO PIMENTA
HORA DO POVO
[ N. do Blog ]: não entendo muito bem disso, e nem sei se tem algo a ver, mas parece que vários desses fundos mantém participações nos principais “private equities funds” tupiniquins, alguns dirigidos por ex-dirigentes do Banco Central nas dark ages da tucanidade. Coisa de bilhões. Vamos ver se estou certo.

Luxemburgo’s Economics School: I win, YOU lose, State pays

Filed under: Bancos Centrais, bolha econômica, capitalismo, crise mundial, Estado — Humberto @ 5:57 pm
Bancos penduram no Erário a quebra da pirâmide hipotecária Em uma semana, Bancos Centrais dos EUA, Europa e Japão transferiram US$ 370 bilhões para socorrer bancos privados atolados em suas hipotecas sem lastro. “Estado mínimo”, só quando é para usar verbas para atender as necessidades do povo
Bancos centrais dos EUA, Europa e de outros países já torraram, em cerca de uma semana, 370 bilhões de dólares no socorro aos bancos privados e corretoras enrascados na quebra da pirâmide financeira no mercado imobiliário norte-americano, em que hipotecas de até 50 anos eram roladas com títulos podres negociados e renegociados no overnight, os assim chamados derivativos “collateralised debt obligations ou CDOs”. A dívida com a especulação de imóveis nos EUA chega a US$ 10 trilhões, cerca de 75% do PIB do país, e na semana passada ficou impossível esconder que estava ocorrendo uma corrida aos bancos e corretoras nos EUA para tentar sacar alguma coisa, antes que virasse fumaça. No dia 9, o processo detonado com o colapso de dois fundos da quinta maior corretora norte-americana, a Bear Stearns, no final de julho, tornou-se irrefreável, com o anúncio do maior francês, o BNP Paribas, que não iria pagar mais nada de três fundos de hipotecas nos EUA, “porque não havia como avaliar o valor dos títulos”. A derrubada arrastou também as bolsas de valores no mundo inteiro.
De acordo com as agências de notícias, entre os bancos e corretoras encalacrados estão pelo menos três das cinco maiores corretoras de investimento dos EUA (Stearns, Merrill Lynch e Goldman Sachs); o já citado BNP Paribas, francês, o quinto maior banco alemão (IKB), o UBS (suíço), o HSBC e muitos outros. Mas nos próximos dias, outras “instituições” irão fazer sua aparição. As agências de “rating”, como a S&P e a Moody’s, que passaram os últimos anos assinando atestado de que os títulos eram quentes, agora estão explicando que era só uma “opinião”, garantida pela constituição dos EUA, e à prova de advogados e indenizações. Situação bem caracterizada pelo insuspeito “Financial Times” como “alquimia financeira”, em que papéis podres eram transformados em “triplo A”. ( Fora da City londrina essa alquimia é mais conhecida como vigarice mesmo ).
FILANTROPIA
Só no primeiro dia, foram US$ 24 bilhões do Federal Reserve norte-americano, US$ 130 bilhões do BC Europeu e US$ 8,4 bilhões do Banco do Japão, além de outros BCs, como o da Austrália. A filantropia vem prosseguindo, à medida que vão aparecendo mais fundos de derivativos quebrados. Não foi um “relâmpago em céu azul”. Desde que o HSBC confessara seus problemas no ano passado, o quadro vem se agravando, o que levou no final de julho o próprio presidente do Fed, Ben Bernanke, em depoimento ao Congresso dos EUA, a admitir, diga-se que com certo otimismo, que as perdas chegariam “até US$ 100 bilhões”. Bancados pelos cofres públicos, isto é, por toda a população. Em troca de títulos podres de que esses bancos, corretoras e seguradoras estão abarrotados.
“ESTADO MÁXIMO”
No caso, nem os magnatas de Wall Street e de outras praças, nem a mídia ou os “teóricos” neoliberais, consideraram tamanha montanha de dólares, euros e iens uma negação do seu “Estado mínimo”. Agora, clamam, a hora é de “estado máximo”, de acordo com o conhecido lema, muito devidamente apropriados privadamente os lucros, ao aparecerem os prejuízos, “socialismo” neles. Wall Street anda pululando de socialistas, nos últimos dias… Como se vê, o estado só deve ser “mínimo” quando se trata de cuidar da saúde do povo, garantir educação, saneamento básico, infra-estrutura e desenvolver as áreas estratégicas da economia. Aí, haja rigor fiscal, cortes dos “gastos” e tesoura nos programas sociais que é pra gentalha não ficar mal acostumada.
Para tentar esticar o funcionamento da pirâmide financeira, os falsários haviam feito com que a parcela de empréstimos “subprime” – isto é, sem garantias e até sem documentos – inchasse de 6% para 30% em 2006. As peças foram tombando: dia 12 de março, um dos maiores emprestadores de subprime, a “New Century Financial”, suspende a venda de ações em meio a rumores de bancarrota. Quatro dias mais tarde, é a vez da “Accredited Home Lenders Holding (perda de US$ 2,7 bilhões e demissão de mais da metade dos funcionários).
No dia 24 de maio, a Bear Stearns vem para os holofotes. Os “investidores” nos dois fundos são avisados por volta do dia 14 de junho de que, quem sabe, sobre alguma coisa. No dia 20 de junho, a maior corretora de investimento, a Merrill Lynch, entrou em confronto com a Bear vendendo US$ 800 milhões que estavam sendo usados como “colaterais” de empréstimos de fundo da Bear. No dia 22 de junho, a Bear teve de enfiar 3,2 bilhões para manter à tona o “High Grade Structured Credit Strategies Fund”; enquanto colocava um band-aid noutro, o “High-Grade Structured Credit Strategies Enhanced Leverage Fund”.
FRACASSO
Mas, como observa a revista “The Economist”, o fracasso dos derivativos “hipotecários” não explica toda a extensão que a crise tomou: “se há algo que está tirando o sono dos barões de Wall Street, é a perspectiva do colapso das pontes”. Explica. “Os bancos que forneceram os fundos para as operações de fusão e aquisições têm facilitado os acertos ao tomarem dezenas de bilhões de dólares em empréstimo “ponte” em ações. O objetivo é se desfazer rapidamente repassando para os investidores institucionais”. O desabamento do que seriam “altos valores” dos derivativos “colateralizados” envolvidos, o naufrágio desses fundos de CDOs ameaça “contaminar” outros instrumentos de especulação, que têm exatamente o mesmo “fundamento” – uma fictícia valorização estabelecida por um programa de computador, ou, no jargão de cassino, “valor notional”, quatro, seis, nove vezes maior do que o real. Uma “alavancagem astronômica”, segundo um entrevistado da revista inglesa, lembrando os casos freqüentes em que a alavancagem é aplicada sobre algo que já foi arbitrariamente “multiplicado”. A questão é que, ao tirar desse terreno imaginário – o “notional” em inglês também tem o significado de imaginário -, o valor efetivo com que esses fundos têm sido negociados é “muito inferior ao pretendido”. Resumindo: adivinha quem ficou com o mico?
EPIDEMIA
A cada ponto percentual perdido, lembra a revista, citando análise da “Goldman Sachs”, muitos acordos – fusões, aquisições – que eram possíveis, “deixam de ser”. Eis como a “enfermidade da subprime poderia se espalhar”: “A ansiedade tem como base as dúvidas sobre a qualidade dos títulos mantidos em CDOs e outros veículos ligados à securitização bancada em ativos. Seu marketing é de que oferecem lucros decentes com risco mínimo. Mas conforme as agências de classificação rebaixam tranches desse débito conjugado – e aumenta a possibilidade de rebaixar os de melhor qualidade – torna-se claro que esses instrumentos não são tudo aquilo que exaltam ser”.
ANTONIO PIMENTA
HORA DO POVO
[ N. do Blog ]: não entendo muito bem disso, e nem sei se tem algo a ver, mas parece que vários desses fundos mantém participações nos principais “private equities funds” tupiniquins, alguns dirigidos por ex-dirigentes do Banco Central nas dark ages da tucanidade. Coisa de bilhões. Vamos ver se estou certo.
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