É isso mesmo!!!
Vou retomar aquele assunto desagradável: como é que um sujeito bem-formado, diploma superior ( coisa que o Lula não tem, não é mesmo? ) , experiência administrativa no setor privado, um MBA, foi falar um troço daquele? Ou será que é justamente por isso?
Diz-se que a queda de Tróia se deu por suas qualidades terem sido convertidas, justamente, em deficiências. Acho que é isso, sei lá. Nem sei se as linhas acima têm algo a ver com o que vem a seguir.
Uma matéria publicada no Valor Econômico em 16 de Janeiro deste ano ( pág. A3 ) apontava, tendo por base dados do IBGE, que as regiões Norte e Nordeste contribuíram decisivamente para o crescimento das vendas do comércio varejista brasileiro, no período entre janeiro e novembro de 2006, que foi de 6,25%. De acordo com o jornal, sem a performance dessas regiões, o resultado nacional teria sido de 4,25%. Ressalta-se, porém, que 2007 não seria tão positivo, com o Nordeste apresentando um crescimento mais modesto. Porém – penso eu – é um crescimento. E o Piauí com isso? Bom. O gráfico que ilustra a matéria mostra a performance por Estado, e o Piauí contribuiu nessa estatisticaiada toda, com sua variação acumulada de 12,45%. Um mercadinho ainda a se firmar
Aquilo que importa
Não sei se pode-se confiar na validade de pesquisas, mas por uma questão de justiça, já que o prefeito é tucano, lá vai : Pesquisa aponta Sílvio Mendes como campeão regional no combate ao desemprego -Teresina é classificada como a que oferece a melhor infra-estrutura em saúde ( 24/05/07 ) . Tem outra pesquisa legal: Empresas do Piauí sobrevivem mais – Pesquisa do Sebrae revela índice acima da média nacional ( Agência Sebrae, 26/08/07 ) “O Piauí é o quarto Estado no país onde as micro e pequenas empresas sobrevivem mais. O dado foi divulgado na pesquisa encomendada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae Nacional, ao Instituto Vox Populi. (…)”.
O preconceito – e não adianta dizer que não existe; não precisa ser “de esquerda” para saber, basta não ser trouxa ou mau-caráter – se reforça na falta de informação e na falta de interesse em buscá-la. Nada mais cômodo, para alguns, continuar vomitando a idiotice de “o Lula ganha no Nordeste por causa do Bolsa Família”. Como se não existissem os governos estaduais… E me digam: queriam que ele tivesse ganho no interior do Maranhão por causa dos lucros da Vale do Rio Doce ou do Itaú? Ou devido ao aumento na importação de carros de luxo, como os que temos visto circular nos Jardins? Quem celebra esse tipo de coisa, a não ser puxa-sacos e arrivistas de caráter nada confiável?
Olha isso aqui, que legal: Semi-árido recebe mais 300 “Barraginhas” – Tecnologia vai trazer um grande futuro na questão da estiagem no semi-árido ( Portalappm, 30/08/07 ) “Cerca de 20 técnicos do EMATER – Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural representando as regionais de Oeiras, São João do Piauí,Paulistana, São Raimundo Nonato e Valença prestigiaram,o evento para implantação de 300 “Barraginhas”, no município de Oeiras (…).”
E aí, isso é Bolsa-esmola também?
Claro que, para quem dispõe de água baratíssima e pode se dar ao luxo de inutilizá-la lavando o carro ou o quintal, ou que pode gastar 3 contos numa cerveja que promove show da Ivete Sangalo ( não só ) na Festa do Peão de Barretos – e cujas peças publicitárias são monumentais certificados de estupidez – ou dispõe de recursos para disponibilizar aos filhos telefones celulares que eles utilizarão sem cerimônia na sala de aula, talvez 15 a 20 reais por mês mais uma “barraginha” não sejam muita coisa. Concordo. É muito pouco. É pouco demais, para que alguém seja mesquinho a ponto de se opor a que o governo ofereça pelo menos isso àqueles miseráveis. Notem que eu não estou falando apenas das classes médias ou altas. Estou me referindo à mesquinharia em geral e você encontra bastante desse produto nas faixas mais modestas da população. Acho que a maior herança maldita que o FHC e seus asseclas deixaram para o país, foi a disseminação do egoísmo, competição e da ambição desmedida entre a nossa sociedade e em seu imaginário, aquela coisa do “eu tenho que estar bem primeiro para ajudar”. Coloque essa afirmação na boca de alguém ambicioso e sempre “correndo atrás” do dele, mas nunca se satisfazendo, e tente imaginar o dia em que a generosidade baterá na porta de alguém que dela necessite.
Enfim, temos em nosso país, pessoas que ainda estão buscando suprir, regularmente, suas necessidades mais prosaicas e imediatas, e outras que se preocupam em teorizar demais a respeito. Paternalismo, livre-iniciativa, ajuda estatal, esmola, individuo, custos e superávits, fraternidade. Tem pra todos os gostos e vocabulários. Mas filosofem logo, façam logo suas considerações analísticas repletas de terminologias, resolvam sua competição de superioridade intelecual cognitiva, que os caras estão morrendo e não podem esperar muito essa enrolação.
Ninguém é obrigado a saber a respeito de tudo, o tempo todo. Mas não estamos na “Era da Informação”, as novas tecnologias, blá-blá-blá, permitindo que as gerações atuais, bló-bló-bló…? Como, haveria possibilidade de apreendermos a realidade em sua totalidade? É impossível, é onipresença. Se alguém souber me diga, em termos leigos.
Acho que existem poucas coisas mais extenuantes do que pensar sobre as coisas, tendo a obrigação de considerar que “existe versão para tudo” – o que pode gerar uma certa paralisia, já que nenhuma versão está cem por cento correta, ou mais próxima do real. Para mim, isso é terrível, esse relativismo das coisas. Mas eu deixo a tarefa de pensar para os lúcidos filósofos que o imprensalão nos oferece.
Tabatingüera
Eu tava dando um rolê pela world web, e percebi que o Zottollo tem seus defensores, os quais dizem que ele teve suas palavras distorcidas pela KGB petralha. Teve um que falou que não foi nada de mais, “que o Piauí foi usado apenas como exemplo de um lugar esquecido, e não se pode negar que é mesmo”.
Tá certo. Então, da próxima vez, diga Jardim Ângela: “Se o Jardim Ângela desaparecer, ninguém vai dar por sua falta…”. É um local esquecido também, não é? Se o Zottollo dissesse isso, seria sinal de que se importa ou não com estas pessoas? Distorção, ambigüidade ou ato falho? Quando eu digo “Eu tenho vergonha da classe média paulistana”, é para não haver dúvidas. As exceções que talvez existam nesse extrato social concordariam comigo.
Há quem diga que o Lula “dividiu” a sociedade brasileira. Que seu discurso acabava jogando os pobres – imenssíssima maioria da população brasileira, diga-se de passagem – contra os ricos e a classe média, e vice-versa.
À época da eleição de 2006, um bando de cidadãos veio com um papo de que seriam eles – os que não votaram em Lula e nos “mensaleiros” – a “elite” moral do paíz, os faróis da ética e decência. Na Internet você podia ler as insinuações de que, quem votou no Lula, ou seria por “interesse”- nas entrelinhas: “porquê também estaria recebendo mensalão” – ou – mais explícito – por burrice. Taí: eles eram superiores intelectual e moralmente àquela parte da população que reelegeu Lula.
Mesma conversa, o embrião do “Cansei”. Os cidadãos de bem. A elíte.
Existe sim, uma divisão na sociedade brasileira, só que entre os cabotinos e os que não o são.