1 – Quem lê este blog deve saber de meu boicote ao comércio do bairro onde resido ( Vila Zelina – ZL da Capital ). Quem não sabe, por favor, pesquise no blog e saberá os motivos. Bom, um deles eu vou dizer: de repente fomos tomados por uma onda de especulação imobiliária sem precedentes. A “qualidade de vida” baixou, já que o perfil dos bárbaros que para cá vieram é de classe-média, o que dispensa maiores esclarecimentos. A partir daí, começaram os “problemas no trânsito”. Como sempre, a origem é dada como “ignorada” ou “inexplicável”. De repente, baixou aqui para resolver os problemas uma deputada estadual do Partido Verde, que “encabeçou” uma campanha pela reforma do largo do bairro. Voltou a existir uma associação dos moradores. A tal deputada ocupava páginas e páginas dos jornais do bairro ( temos basicamente dois, cuja tiragem – gratuita – beira em 55 mil exemplares, em média, em distribuição semanal ), notadamente do “Paulistano” de propriedade de Wagner Salustiano, do PSDB ( detalhes podem ser encontrados no blog ). Há algum tempo, a dona deputada do PV ( cujo pai é prefeito de uma cidade do grande ABCDM ) simplesmente desapareceu no pedaço. Algumas reformas no citado largo já estão sendo feitas. Vocês não acreditam na lenga-lenga que se dava, desde o início da “polêmica” toda. A cada edição, ficávamos sabendo das visitas que dona deputada fazia, para acompanhar as discussões, ou representantes da prefeitura, do DSV, da CET. Este não é, nem de longe, o bairro mais carente da região. Para quem não sabe, fiquem sabendo que o populosíssimo bairro do Sapopemba havia iniciado um abaixo-assinado pedindo que o Metrô contemplasse o bairro com uma ou duas estações, acrescidas ao traçado da linha Verde que está chegando à Vila Prudente. Isso favoreceria os moradores de São Mateus, Guaianases, Sapopemba, que precisam ir até a Penha ou Tatuapé.
Bem, não consta – pelo que sei – alguma participação da deputada na pressão que os moradores de Sapopemba fazem, pedindo a ida do Metrô ao bairro. Acho que ela não apareceu nem para tomar um café com os moradores ou as lideranças. Mas em Vila Zelina houve notável empenho.
Depois, PUFF! Nem lembrava mais da mulher, até que começaram os spots do PV no rádio. Aí resolvi teclar umas linhas para não cair no esquecimento.
Ah, lembrei o que ia dizer, quando iniciei este post. Eu prometi que boicotaria ( não que eu gaste muito, claro ) o comércio do bairro – fiz estas juras, creio que em Dezembro do ano passado – e tenho cumprido a promessa à risca. Quer dizer, excetuando as três vezes que precisei carregar meu Bilhete Único, eu não gastei um mísero tostão no bairro. Em Janeiro ( foram quase 40 dias de cama ), minha mãe adoeceu e, nos meus raros dias de folga, eu me deslocava – a pé – a outro bairro ( Vila Prudente ) para comprar mantimentos. Gastava meia hora para ir e outra meia no retorno. Não me queixo de andar. Às vezes fazia as compras no caminho de retorno do trabalho.
E pretendo continuar assim.
2 – O secretário-adjunto da Segurança Pública do estado de São Paulo caiu. Não demorou muito, desde que a parcimoniosa imprensa pró-Serra publicou as primeiras linhas sobre o escândalo de chantagem de policiais feita contra membros do PCC. Sempre parcimonioso, este imprensalão ainda não se dedicou a interpretar a dimensão do problema. Quer dizer, quanta violência se permitiu ocorrer, derivada diretamente deste conluio/chantagem PCC-polícia corrupta-Secretaria de Segurança de SP. Vai se saber quantas mortes mais horríveis que a da Izabella ocorreram, e que são mocozadas ou tratadas como estatísticas. Trocando em miúdos: A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, se fosse chefiada por Dilma Roussef, já teria dado munição para o imprensalão golpista tentar derrubar o governador, contanto que este não fosse José Serra. Um fato curioso: antes de cair, José Dirceu brigou muito pelo mandato. Ao contrário do secretário Malheiros que afirmou fazer isso para se dedicar à sua defesa ( vejam abaixo ).
Acusado de pegar propina, Malheiros entrega o cargo
O secretário-adjunto da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Lauro Malheiros Neto, pediu demissão ontem. Acuado pela denúncia de favorecimento ao investigador Augusto Pena, acusado de achacar a cúpula da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), Malheiros Neto tomou a decisão de deixar a secretaria um ano e 5 meses depois de tomar posse no cargo e seis dias após o caso ser divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo . Ele vai cuidar de sua defesa em tempo integral.
Anteontem, a ex-mulher de Pena, Regina Célia Lemes de Carvalho, afirmou, em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil, que o investigador repartia com Malheiros Neto parte do dinheiro de origem ilícita obtido pelo policial. Homem de confiança do secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, responsável pelo convite para que assumisse o cargo, Malheiros Neto alega inocência.
O anúncio do pedido de demissão de Malheiros Neto ocorreu pouco antes das 15 horas, quando o governador José Serra (PSDB) teria o primeiro compromisso público no Estado – no Hospital do Câncer – desde o início do escândalo das escutas telefônicas usadas para achacar a cúpula do PCC. No evento, o governador disse que, para o seu governo, o caso envolvendo Malheiros Neto não era grave. “Até agora, não é grave. Houve denúncias e insinuações, mas nenhuma prova. Ele pediu para se afastar do cargo e eu aceitei”, afirmou Serra. [ OBS: "Não há provas", disse Serra. Desde quando provas têm alguma importância para o holding PSDB/ imprensalão? ]
Pouco antes, o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, havia confirmado à Agência Estado o afastamento de Malheiros. “Ele decidiu se defender dessas acusações levianas”, disse. Ferreira e Serra disseram que o secretário-adjunto escolheu deixar o governo porque não gostaria de prejudicar a condução dos trabalhos na secretaria. Um dia antes, o secretário-adjunto havia sido chamado ao Palácio dos Bandeirantes para uma reunião de emergência.
Malheiros Neto ainda relutava em entregar o cargo, mas acabou convencido de que não teria tempo para cuidar do dia-a-dia administrativo ao mesmo tempo em que teria de preparar sua defesa. Em sua carta de demissão, o secretário-adjunto justificou ter razões pessoais para deixar o cargo e disse que a decisão foi tomada para se defender das acusações de envolvimento com Pena.
Pena e seu colega, o investigador José Roberto Araújo, foram presos na semana passada. Os dois são suspeitos de manter um esquema de escutas telefônicas em Suzano (SP), entre 2005 e 2006, com o objetivo de achacar integrantes da cúpula do PCC. Eles são acusados ainda de seqüestrar Rodrigo Olivatto de Morais, de 28 anos, enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola , líder do PCC, e exigir R$ 300 mil para libertá-lo.
Em depoimento à polícia, o delegado Nelson Silveira Guimarães revelou que recebeu, em 2006, informações sobre o seqüestro do enteado de Marcola . Preventivamente, ele contou que determinou o afastamento de Pena e de Araújo do trabalho das ruas. Segundo Guimarães, dias depois de tomar posse na Secretaria, Malheiros Neto telefonou para ele com um pedido. Queria interceder em favor de Pena, para que o policial fosse transferido justamente para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).
O pedido do secretário-adjunto, segundo Guimarães, foi atendido e Pena foi enviado para a Delegacia de Estelionato do Deic. Ali, segundo sua ex-mulher, o policial se envolveu em outro caso rumoroso: o furto de uma carga de videogame PlayStation de dentro do depósito do Deic, na avenida São João, no Centro de São Paulo.
Regina Célia confirmou à Corregedoria da Polícia Civil que Pena ganhou R$ 1 milhão com o desvio da carga e entregou R$ 100 mil para Malheiros Neto. O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende Malheiros Neto, disse que a acusação é uma vingança por ele ter trabalhado no processo de separação de Pena e de Regina Célia, defendendo o investigador. (AE)
3 – Curioso o tratamento que o Estado deu à paralização dos ônibus, ocorrida em 7 de Maio em São Paulo. No caderno Metrópole do dia 8, está a manchete: “Acordo adia reajuste de ônibus em SP” ( aliás, SP é Estado, não sei se pode usar esta sigla para tratar do município ).
A matéria não fala quase nada dos motoristas e cobradores, sendo que ELES teriam feito a paralisação, exigindo algumas coisas. Só que o jornal se detém nas negociações feitas entre a Prefeitura e os EMPRESÁRIOS. Segue um trecho ” (…) Após quase três meses (!!?) de negociações com a gestão Gilberto Kassab ( … ) os empresários conseguiram ontem, em meio à ( sic ) ameaça de paralisação geral dos ônibus a partir de terça-feira, a promessa de receber do governo um reajuste de 4,24% sobre o contrato entre a Prefeitura e as empresas ( … )”.
Quer dizer, “em meio a uma greve de trabalhadores” a Prefeitura acena com um reajuste “para os empresários” e já haviam negociações há três meses com essa finalidade.
Qual o papel do Sindicato dos Motoristas nisso? Para o público, a carga negativa caiu nas costas de motoristas e cobradores, que ficaram como os vilões da história. Se aumentar o busão – o que deve ocorrer após as eleições municipais – os empresários e a Prefeitura dirão que foi graças a aumentos de salários e mais benefícios trabalhistas. Resta saber se os trabalhadores conseguirão receber aquilo que pedem. Ou vai parecer que a greve se deu apenas para que os empresários conseguissem dobrar a Prefeitura.
4 – Carga tributária e Estado Mínimo: Caderno Dinheiro da Folha, em 8 de Maio:
“Nova forma de cobrar ICMS eleva preços”
Produtos de higiene e limpeza sobem 15% com tributo pago antecipadamente pela indústria, segundo supermercados
Onde isso? Ahh! No Estado de São Paulo, governado pelo PSDB. Mesmo que o governo afirme que apenas mudou a forma de cobrança, não importa. Se alguém está se beneficiando disso, sob alegações de “aumento de tributos”, coisa difícil de um cidadão comum apurar, o fato é que seu bolso está sendo a vítima. Claro que o governo pode estar correto, e coisa e tal. Mas, se os fabricantes aumentam os preços para alguma “compensação prévia”, parece razoável supor que os cofres estaduais também levam uns trocos na cobrança de impostos sobre os preços majorados.
Além disso, alguém pode negar que, quando se pretende mostrar a “farra arrecadatória” do governo Federal, situações semelhantes são mostradas na capa dos jornais e revistas? E com nomes aos bois? Notem que, na manchete e na outra chamada que a segue, não há menção a “onde” e “quem”. Fica até parecendo um fato geral e amplo, envolvendo todos os Estados, e não restrito a São Paulo.