ENCALHE

julho 12, 2009

Jaz São Paulo: Prefeitura prepara a cidade para a Copa. Para atrair investidores, administração persegue moradores de rua e reduz vagas em albergues!

Prefeitura está reduzindo vagas para moradores de rua em albergues?
Todas as semanas, moradores da Saúde, Vila Mariana, Jabaquara, Cursino e Ipiranga se queixam: o número de pessoas vivendo em condições precárias, em praças, baixos de viadutos e canteiros da região não para de crescer. São crianças, adolescentes, catadores de lixo, famílias inteiras… Esta semana, a situação parece ter atingido um ponto crítico: o Ministério Público acatou uma representação do diretório municipal do PT e abriu inquérito para investigar a atuação da atual secretária municipal de Assistência Municipal e vice-prefeita, Alda Marco Antonio, no que diz respeito ao atendimento a população de rua no município. A oposição denuncia a redução de vagas em albergue, maus tratos por parte da Guarda Civil Metropolitana e ainda a diminuição de verbas a entidades que mantêm albergues.
MP vai investigar ação municipal para moradores de rua
Promotoria abriu inquérito para analisar denúncias de que a Prefeitura está agindo com descaso e diminuindo vagas em albergues
Por que tem aumentado tanto o número de pessoas vivendo pelas ruas da cidade ultimamente?
A região tem forte reflexo dessa região, com “acampamentos” formados em praças e baixos de viadutos. O Complexo Viário do Cebolinha, em frente ao Detran, as ilhas centrais da Rua Vergueiro, os baixos dos viadutos Onze de Junho e de vários ao longo da Avenida dos Bandeirantes, desde o Jabaquara até Moema, são exemplos. Será que é a crise econômica que explica tal explosão? Há meses o jornal São Paulo Zona Sul vem questionando a prefeitura sobre essa realidade, sem obter respostas convincentes. O trabalho, antes descentralizado e a cargo das subprefeituras, agora está exclusivamente nas mãos da Secretaria de Assistência Social, que vem se recusando a dar detalhes sobre a atual política destinada a pessoas em situação de rua.
Para o vereador José Américo, do PT, a Prefeitura tem agido com descaso e, mais do que isso, está destruindo a estrutura de albergues e outros serviços de atendimentos a essa população – daí esse quadro aque a população assiste diariamente.
O parlamentar, que é presidente do PT municipal, entrou com representação no Ministério Público contra a a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social e vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio, e o prefeito Gilberto Kassab. Esta semana, a promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social do Ministério Público do Estado de São Paulo, abriu inquérito civil (nº 293/09) para investigar a política da atual administração no atendimento à população de rua, que vem sendo alvo de críticas de organizações sociais e de usuários de albergues.
Um dos fatos que deixou o vereador indignado foi o depoimento na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal em maio, da secretária Alda Marco Antonio declarou publicamente sua disposição de reduzir o número de homens e mulheres que ocupam vagas em albergues. Na ocasião, ela reafirmou o que já havia declarado à imprensa, de que pelo menos três mil pessoas estariam ocupando vagas “indevidamente”, causando preocupação entre os vereadores presentes.
A secretária acredita que muitas pessoas que estão ocupando os albergues teriam condições de bancar suas próprias moradias e, por isso, pretende fazer um recadastramento e reduzir em 3 mil vagas o número total oferecido hoje na cidade.
Para José Américo, até mesmo os vereadores da bancada estão constrangidos com essas declarações e com a política assistencial da Prefeitura. “Nos últimos dezoito meses, o número da vagas já caiu de 9 mil para 7.500 vagas”, diz ele.
O presidente do PT municipal diz que essa redução ocorreu por conta do desprezo da Prefeitura com entidades conveniadas. “A Província Franciscana rescindiu os convênios porque, diferente do que prevê a legislação, a Prefeitura não reajustou o valor repassado às entidades e ainda fazia os pagamentos com atrasos constantes”. Só os albergues que eram gerenciados pelos franciscanos geravam mais de mil vagas na cidade, no Glicério e no centro, que agora estão desativadas.
Até mesmo as Polícias Civil e Militar comprovam a redução na oferta de vagas em albergues. Operação policial realizada no domingo (5) para combater o uso de crack no centro da capital foi parcialmente cumprida. Isto porque das 265 pessoas encaminhadas para centros de atendimento da prefeitura, apenas 60 foram atendidas, pois não havia vagas. As demais voltaram para as ruas.
“Em pleno inverno, quando as vagas devem aumentar, a Prefeitura diminui. É inacreditável o que a secretária Alda Marco Antonio está fazendo”, diz o vereador. O vereador aponta que as condições degradantes em que vivem esses seres humanos sob viadutos não são a única face negativa da atual política municipal. Na representação ao ministério público, foi denunciado também que a população de rua se queixa dos maus tratos que sofre por parte de integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e de funcionários responsáveis pela limpeza de praças e calçadas. Eles estariam atirando jatos d’água sobre a população de rua durante a execução do serviço.
“A atual gestão quer tirar os moradores das ruas, especialmente da região central, mas não oferecem alternativas e o resultado acaba sendo oposto ao desejado”, conclui José Américo.
JORNAL ZONA SUL, 10 A 16 DE JULHO DE 2009
Ed. 2429
ELES SÃO DE MARTE? OU DE VÊNUS?
Cracolândia: 70% vêm da periferia, Grande SP e Baixada Santista ( Estadão, 12.07.09 )
Digamos que eu more na Lapa e esteja relatando a alguém algum fato referente a um outro bairro da Capital, tipo, a Moóca. Digamos que, no momento que eu falo, eu me encontre na Lapa:
- Então, os caras saem de São Miguel e vão à Moóca, entende?
Se eu estou na Lapa ( “aqui” ), não faria muito sentido se eu dissesse “Eles “vêm” à Moóca, saindo de São Miguel”. Pois não estou na Moóca. Este bairro, na narrativa, fica “lá”, e as pessoas que “para lá” se dirigem, procedem de “acolá”.
Assim, por quê o Estadão ( cuja sede fica no Bairro do Limão ) se refere à Cracolândia como sendo “aqui”, e às pessoas que para a Cracolândia se dirigem como se estivessem vindo “para cá”? Saídas “de lá” ( periferias, Grande SP ) e vindo “para cá” ( Cracolândia, bastante longe do Bairro do Limão )?
Tô errado, será?

maio 5, 2009

"Paraisópolis exige respeito": Camargo Corrêa pressiona por expulsão de moradores

Camargo Corrêa pressiona por expulsão de moradores
Ag. Brasil de Fato, 05/05/2009
Em conjunto com a prefeitura de São Paulo, empreiteira pressiona moradores de Paraisópolis a deixarem suas casas, que estão no caminho de grandes obras
Moradores e entidades ligadas à Paraisópolis lançaram, no dia 25, a campanha “Paraisópolis Exige Respeito”, que denuncia as desapropriações irregulares que vêm sendo tentadas pela prefeitura da cidade de São Paulo para que a empreiteira Camargo Corrêa efetive suas obras na região: a construção de prédios – segundo a empresa, para própria comunidade – e uma avenida que, até agora, não demonstrou sua funcionalidade. Ambos empreendimentos estão em andamento.
Um vídeo feito por um morador em uma reunião realizada no canteiro de obras da própria empreiteira entre uma funcionária da Secretaria Municipal de Habitação, conhecida como Maria Tereza, e 80 integrantes da comunidade, revela como a mulher tenta persuadir seus interlocutores. Ela argumenta que, após estes terem recebido, em meados de abril, intimação da prefeitura paulistana para imissão de posse do terreno – o que lhes dá um prazo de 20 dias para a desocupação – seria melhor que eles aceitassem a proposta das autoridades.
Ou seja, um apartamento e uma dívida a ser quitada em 25 anos. Caso contrário, a alternativa seria o recebimento de uma indenização de R$ 5 mil, quantia que, segundo a funcionária, traria um destino incerto aos moradores, que poderiam ser obrigados a ir a um albergue ou a um alojamento cedidos pela administração municipal.
José Maria, líder comunitário de Paraisópolis, indaga: “só conseguirão pagar esses apartamentos aqueles que ganharem cerca de seis salários mínimos. Por que não realizam um plano de moradia popular?”.
Marisa Ferfferman, representante do Tribunal Popular, explica que a prefeitura é, efetivamente, a dona dos terrenos, e que obteve suas posses por meio de um processo de desapropriação. No entanto, segundo ela, a Viela Passarinho (a área mais afetada pelas obras Camargo Corrêa até o momento), não foi desapropriada.
“Para caracterizar isso, precisaria de um decreto de utilidade pública, mais o pagamento do valor de mercado dos imóveis da zona, com indenização prévia, e em dinheiro. Entretanto, foram os processos de desapropriação dos terrenos vizinhos, que nem contêm moradias, que foram utilizados para solicitar ao juiz a ordem de desocupação, em uma atitude clara de má-fé”, desabafa.
Negociação com grileiros
São 6h da manhã do sábado, 25 de abril, as casas e barracos começam a tremer. São os tratores e as escavadeiras da empreiteira Camargo Corrêa que começam a trabalhar próximo às moradias, intimidando os moradores que resistem sair do local.
Maria José Pereira de Araújo teme não completar, em outubro, seus 67 anos de idade e 31 na Viela Passarinho, em Paraisópolis. Pois já está quase cedendo às pressões da empresa: “Cortam minha água, minha luz, jogam pedras no meu telhado e mandam pessoas seguirem minhas filhas quando voltam à noite do trabalho. Estou até sentindo vontade de sair, pois estou com medo”, denuncia.
Sua residência, que Maria José divide com duas filhas e dois netos, está no caminho da avenida em construção. Um vizinho conta que, no dia 24 de abril, percebeu a movimentação de oito homens da Camargo Corrêa nas imediações. “Eles se comunicavam por rádios e, quando suas filhas saíram para trabalhar, foram até lá e começaram a pedir para ela assinar um documento que passava a posse da casa para a empreiteira”.
O vizinho, então, aproximou-se e solicitou à senhora, analfabeta, que não assinasse nada sem a presença de suas filhas. De imediato, foi interpelado por um dos homens, que disse: “a Camargo Corrêa já pagou R$ 1 milhão a um grileiro pelas terras. Em 20 dias, ela sai daqui sem direito nenhum. Ela tem que se virar com a pessoa que tem o documento de proprietário do local”. Maria José confirma que recebeu a visita do grileiro que possui o documento de posse de sua casa. “Ele tentou negociar comigo, minha saída, me oferecendo dinheiro, mas não aceitei”, conta.
Usucapião
Para Feffermann, a prefeitura esconde a verdade dos moradores ao reconhecer os documentos apresentados pelos grileiros. “Esse procedimento fere as normas legais, na medida em que a comunidade que mora nessa região [Viela Passarinho] por tantos anos [mais de 15] já adquiriu o direito de ser proprietária desse lugar, através do instituto do usucapião. Sendo assim, os proprietários desse terreno são seus próprios moradores”, revela.
Num clima de terra de ninguém, onde a prefeitura, a Camargo Corrêa e grileiros negociam a área, os verdadeiros donos, os moradores, são os principais prejudicados. Ferffemann pontua: “não levam em conta as resoluções do Conselho Nacional das Cidades, que exigem participação popular na elaboração, implementação e gestão das políticas urbanas, e garantem o direito da população de baixa renda de morar junto à áreas urbanizadas, e não apenas em suas periferias”.
Além disso, segundo a representante do Tribunal Popular, essa área pertence a Zonas Especiais de Interesse Social. “Portanto, há um desvio de finalidade de um Plano Diretor, de um Plano de Urbanização. Desse modo, as políticas públicas continuarão seguindo no caminho errado, transformando em letra morta direitos sociais e democráticos previstos na Constituição Federal”, conclui.
MAIS SOBRE:
Comunidade de Paraisópolis resiste a ação da prefeitura
APROPUC-SP 24.04.09
Convocação: Paraisópolis, exige Respeito!
Blog do Ferréz 23.04.09
Paraisópolis exige respeito
Viomundo, 24.04.09
Campanha Paraisópolis Exige Respeito denúcia mais um abuso
Rede de Comunidades, 27.04.09

março 3, 2009

SOS Lagoa da Saudade, Morro Nova Cintra, Santos – SP precisa de ajuda

Recebi o email de uma amiga, Luciana. O caso parece grave, e é justo que o distinto público tenha conhecimento. É como aquela piada: agora são VOCÊS que não conseguirão pegar no sono.
Pode-se concluír que, aos chamados “investidores”, só interessa a destruição. Será que o tal Adam Smith previu ou preconizou essas coisas? Não podemos deixar de colocar imediatamente sob suspeita a índole dos futuros proprietários e moradores ( os “senhores do Engenho” ), caso o projeto seja concluído. Cidadãos de bem, personalidades de destaque, líderes e formadores de opinião, usufruíndo do melhor que a vida pode oferecer, e sendo por recompensa a seus préstimos à sociedade. Que assassinos miseráveis cheios de elegância, perfumes, maquiagem, bons modos e psicopatias. Quem sabe Deus exista e mande um tufão ou alguma tragédia e mate logo todos esses vermes ( eu sou mau, e não sou politicamente correto ).

O site SOSLagoa.com.br é dedicado à comunidade de moradores e frequentadores da Lagoa da Saudade do Morro Nova Cintra em Santos – SP.
A lagoa é um patrimônio ecológico e turístico que vem sendo alvo de empreendimentos imobiliários que põe em risco diversos aspectos relacionados a qualidade de vida do local.
Você conhece o projeto das novas construções na Lagoa da Saudade?
São (
5 torres de 14 andares), denominadas ENGENHO DE NOVA CINTRA.
Você entende que a Lagoa da Saudade vai sofrer um impacto ambiental imprevisível, poderá modificar-se drasticamente e até mesmo desaparecer?
Vamos ver aumentado o fluxo de veículos de forma crítica.
Saiba mais
Veja o mapa da localização.
ASSINE A PETIÇÃOABRACE A LAGOA
SOSLagoa (13) 8146-9093
lagoa@soslagoa.com.br

Contra os interesses gananciosos dos especuladores imobiliários.
http://soslagoa.com.br/blog/?page_id=2
Se tiver disponível 1 minuto, por favor, assine a petição:
http://www.petitiononline.com/soslagoa/petition-sign.html

To: Ministério Público
SOS LAGOA DA SAUDADE – SOS SANTOS ANTES DO INÍCIO DA CONSTRUÇÃO de quatro edifícios com quatorze andares, em um total de 390 unidades, localizados bem em frente a Lagoa da Saudade, solicitamos ao Ministério Público, que sejam promovidas AUDIÊNCIAS PÚBLICAS junto aos moradores do Morro da Nova Cintra e de Santos, para detalhar e rever os estudos existentes, apresentando esclarecimentos sobre os impactos ambientais na vizinhança e no trânsito decorrentes deste empreendimento.
Sincerely,
Grata por todos nós, Luciana
Luciana Antonini

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Pode-se concluír que, aos chamados “investidores”, só interessa a destruição. Será que o tal Adam Smith previu ou preconizou essas coisas? Não podemos deixar de colocar imediatamente sob suspeita a índole dos futuros proprietários e moradores ( os “senhores do Engenho” ), caso o projeto seja concluído. Cidadãos de bem, personalidades de destaque, líderes e formadores de opinião, usufruíndo do melhor que a vida pode oferecer, e sendo por recompensa a seus préstimos à sociedade. Que assassinos miseráveis cheios de elegância, perfumes, maquiagem, bons modos e psicopatias. Quem sabe Deus exista e mande um tufão ou alguma tragédia e mate logo todos esses vermes ( eu sou mau, e não sou politicamente correto ).

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dezembro 20, 2008

Jaz São Paulo: "Revitalização do centro de SP premia obras faraônicas e especulação imobiliária", por João Whitaker

Revitalização do centro de SP premia obras faraônicas e especulação imobiliária
JOÃO WHITAKER
Correio da Cidadania
11-Dez-2008

Soube-se recentemente pelos jornais que os suíços Herzog e De Meuron, os festejados arquitetos autores do “Ninho de Pássaro”, palco das Olimpíadas de Pequim, foram contratados pelo governo do estado para projetar a futura sede da São Paulo Companhia de Dança e as novas instalações do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim.
Um imponente projeto, afinado com a política de recuperação do centro que o governo do estado começou a implementar com a Sala São Paulo e a prefeitura vem continuando com o Projeto Nova Luz. Uma política alavancada em obras públicas milionárias, porém sem ações de planejamento que visem coibir a natural valorização da área e a conseqüente expulsão da população mais pobre, que os urbanistas costumam chamar de “gentrificação”. Ao lado de tão vultosos investimentos em cultura, não vemos nenhuma ação para promover uma oferta pública de moradia à população pobre que usa e vive no centro, ou para incentivar o mercado privado de habitação de médio e baixo padrão, que corresponde à maior parte da demanda por moradia na região.
O projeto proposto prevê a construção de cerca de 20 mil m², para um extenso programa que inclui três teatros, uma sala de espetáculos, salas de ensaio e biblioteca.
A notícia repercutiu imediatamente, e de forma polêmica, entre os arquitetos: para eles, a questão é aceitar ou não que, em processo de escolha fechado (embora seja uma obra pública), tenha sido escolhido para o projeto um escritório estrangeiro em detrimento de um brasileiro, com a justificativa, apenas, da sua fama. A reclamação é plausível, não tanto quanto à nacionalidade, mas pelo uso da Lei Federal 8.666/93 para amparar o processo de escolha, que permite que não se faça licitação “quando houver inviabilidade de competição” na contratação de “serviços técnicos de natureza singular”, com profissionais “de notória especialização”.
Fama e sucesso internacional podem até ser uma garantia de que os arquitetos contratados são competentes, mas de forma alguma estabelece que o que eles fazem – projetos de arquitetura – não possa ser feito por outros profissionais. Seus festejados projetos podem ser singulares, porque todo projeto de arquitetura o é, mas o processo projetual em si pode ser feito por todo e qualquer arquiteto. Não há, portanto, “inviabilidade de competição”, nem tampouco “notória especialização”. O projeto deveria, independentemente da nacionalidade dos vencedores, e por tratar-se de verba pública, ser objeto de um concurso público de arquitetura.
Mas não é esse, porém, o verdadeiro escândalo que a notícia traz, mas sim os valores astronômicos em jogo. Estes sim deveriam ser alvo da indignação de todos, arquitetos ou não. O custo total da obra, que será arcado pelo governo do estado, é de R$ 300 milhões. Aos arquitetos, será pago algo entre R$ 19,5 milhões e R$ 25,5 milhões.
A título de comparação, a Universidade Federal do ABC, cuja obra já está adiantada, tem em seu programa equipamentos similares aos da nova escola de dança. Porém, sua área construída de cerca de 100 mil m² é cinco vezes maior, e foi licitada por R$ 96 milhões, 3 vezes menos do que o projeto para o centro! Os arquitetos vencedores do projeto receberam R$ 3 milhões! Em outro exemplo, as obras do novo terminal de passageiros do aeroporto de Florianópolis, que incluem a construção da infra-estrutura de circulação das aeronaves e de acesso viário, foram licitadas em R$ 259 milhões, menos do que a escola de dança e seus 20 mil m²! Também nesse caso, consta que o preço de todo o projeto executivo foi de R$ 3 milhões.
Como entender que o governo do estado gaste em um prédio de uma escola de dança mais do que o custo de um terminal aeroportuário? Será que não seria mais conveniente um projeto mais modesto, permitindo a destinação de parte desse dinheiro para outros projetos socialmente importantes, como de habitação na área central?
Há algo de errado no ar. Ou estamos na Suíça, e ninguém foi avisado, ou há dinheiro sendo jogado fora, em nome de uma suposta “revitalização” do centro que cria obras faraônicas para o deleite do mercado imobiliário, que muito lucrará com a conseqüente valorização da região.

João Sette Whitaker Ferreira é arquiteto-urbanista e economista, é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e do Mackenzie, e membro do Conselho Municipal de Política Urbana.

outubro 15, 2008

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
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