ENCALHE

agosto 7, 2009

STF recebe denúncia contra deputado do DEM ( partido campeão mundial de decência e ética ) por FRAUDES EM MERENDA ESCOLAR!

Filed under: escolas públicas, FNDE, fraudes, Lira Maia ( DEM-PA ), merenda escolar, MPF, STF — Humberto @ 1:51 am
Recebida denúncia contra deputado Lira Maia
Ministério Público Federal, 6/8/2009
Ele é acusado de faudar 24 processos de licitação para aquisição de merenda escolar da rede pública
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu hoje, 6 de agosto, por unanimidade, a denúncia (INQ 2578) oferecida pelo Ministério Público Federal contra o deputado Joaquim Lira Maia (DEM/PA) pela acusação de fraudar 24 processos de licitação para aquisição de merenda escolar da rede pública, com verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), durante sua gestão como prefeito do município de Santarém (PA). No total foram denunciadas 31 pessoas, mas, como entre elas apenas Lira Maia tem foro privilegiado para ser julgado pelo STF, o processo foi desmembramento pelo relator, Ricardo Lewandowski, atendendo requerimento do MPF.
Na primeira sessão do julgamento, em 2 de abril deste ano, o relator do inquérito, ministro Ricardo Lewandowski, votou pelo recebimento da denúncia alegando que ela não é inepta, como afirmara o réu, e se não descreve minuciosamente a participação do acusado é porque ela era indireta, “mas no mínimo ele tinha conhecimento dos fatos e concordava com eles”. Para Lewandowski a peça qualifica os envolvidos, descreve e demonstra a materialidade dos crimes, que foram atestados pelo setor técnico e científico da Polícia Federal no Pará. Em 2000 o preço dos alimentos que compunham a merenda foi comparado com os de mercado e constatou-se superfaturamento de R$ 1.970.824,70. “Não se poderia atribuir a diferença ao frete, que seria bem menor”, disse o relator, que viu “fortíssimo indício de que houve superfaturamento”.
O deputado justificou o superfaturamento nos preços das licitações dizendo que as condições geográficas de Santarém influenciam o alto valor das mercadorias adquiridas para a merenda escolar em razão do frete ser elevado. Também afirmou em sua defesa que a Secretaria Municipal de Educação tinha autonomia para gerir suas próprias atividades de forma descentralizada, sem interferência do prefeito, e era fiscalizada pelo Conselho de Alimentação Escolar. Acrescenta que não pode ser responsabilizado por eventuais fraudes porque a legislação que delegou aos secretários municipais a atribuição de ordenar despesas e pagamentos (o Decreto nº 020/93) é anterior ao seu mandato, o que atestaria que ele não articulou para dificultar o controle administrativo.
Segundo Lewandowski, não existe prova contundente quanto à autoria, mas pela circunstância de Lira Maia ser prefeito existe a possibilidade de estar envolvido, já que a delegação às secretarias não afasta a autoria intelectual. “A atribuição de competência a outro órgão pode afastar a responsabilidade civil, mas não a criminal. Não se está fazendo juízo de antecipação, mas não se pode coartar a tentativa do Ministério Público de provar os fatos. Mesmo com a descentralização, não se pode desprezar a possibilidade de que tenha atuado como mentor ou anuído ao crime”, disse o relator.
Ele acatou parecer do Ministério Público Federal, segundo o qual a simples atribuição de poderes de gestão às Secretarias Municipais não afasta a autoria do prefeito nos crimes, pois o art. 2º do Decreto 020/93 dispõe que “os secretários municipais são solidariamente responsáveis, junto com o prefeito, pelos atos que assinarem, ordenarem ou praticarem”. Para o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando Souza, isso indica que o prefeito tem ciência dos atos praticados pelos secretários municipais, tanto que pode ser por eles responsabilizado.
De acordo com a denúncia, mesmo com mudanças dos integrantes da comissão de licitação, as fraudes persistiram. Antonio Fernando destacou em seu parecer que “o autor de um delito não é apenas aquele que atua de forma direta, praticando o núcleo do tipo, senão também aquele que arquiteta o delito, agindo como autor intelectual”. Ele lembrou que o mérito da ação penal será objeto de prova a ser produzida no curso da instrução, e que para o recebimento da denúncia só interessa a existência de provas da materialidade dos crimes e de indícios suficientes de que o denunciado é seu autor, o que, segundo afirma, estaria fartamente comprovado pelos elementos probatórios colhidos durante o inquérito policial.
Em 18 de setembro do ano passado o STF já havia recebido duas denúncias do MPF contra o deputado, nos inquéritos 2630 e 2632, por apropriação de verbas repassadas pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).
Secretaria de Comunicação Social
Procuradoria Geral da República
(61) 3105-6404/6408

junho 25, 2009

Merendagate da Prefeitura de São Paulo: Ilegal, imoral. E escolas estaduais perdem dezenas de funcionários por vencimento de contratos.

“Estudos já comprovaram que esse modelo de terceirização da merenda ( mantido pela Prefeitura ) é ilegal e mais caro [ grifo deste blog ]. O caso será agora decidido na Justiça.”
Sílvio Marques, promotor do Patrimônio Público e Social, citado na coluna “Diário Paulista”, do Diário de São Paulo, 24.06.09
De acordo com a referida coluna, “a Secretaria da Educação alega que é ‘inviável’ produzir a merenda diretamente porque, para isso, seria necessário contratar e treinar 6 mil funcionários de uma hora para outra [ sic ].” Para quem não gosta de contratar funcionário público, o problema não é esse “de uma hora para outra”, mas sim “uma hora vai ter que contratar”.
Prossegue o “Diário Paulista”, resumindo o caso: as 6 empresas que eram responsáveis pelo fornecimento da merenda na cidade são acusadas de fazer um acordo entre si para dividir os lotes do contrato de fonecimento, cujo valor é R$ 250 milhões por ano. O Ministério Público, diz o “Diário”, acusa que 10% dos valores foram pagos a agentes públicos [ grifo deste blog ], a título de propina.
E NO ESTADO?
O jornal de bairro “O Paulistano” ( sempre citado aqui ) traz, na edição desta semana, a seguinte denúncia: na Escola Estadual Annita Atalla – Escola de Tempo Integral, que fica em Vila Prudente ( Zona Leste ), em fins de maio, funcionários não concursados da “área operacional” ( não sei o que vem a ser isso ) tiveram seus contratos vencidos e, com isso, passaram a debandar ( “EE Annita Atalla: faltam funcionários, sobram reclamações”, O Paulistano, edição 187 ). De acordo com a matéria, isso colocou em risco o funcionamento “em tempo integral” da escola: cerca de 380 alunos entram na escola às 7 da matina, saindo às 16 hs; ao longo da jornada, tomam café da manhã, duas merendas e ainda um almoço.
Ocorre que, entre os funcionários que debandaram, havia a merendeira que preparava o rango. Sem aparente solução, o que direção escolar fez?
Simples: começou a pedir, via bilhete [ ou seja: deverá servir como prova documental ], uma “colaboração espontânea” aos pais, no valor de R$ 10, 00, com a finalidade de manter a profissional ali, fazendo o rango da molecada. Alguns pais concederam. A maioria, no entanto, diz o jornal, se põe contra. Os relatos de pais dão a medida da tragédia: além da merendeira, saíram faxineira e inspetor. E o turno da tarde perigaria de acabar, fazendo com que pais “que não têm onde deixar os filhos” fiquem apreensivos.
Outros relatos dão conta de que, entre as sugestões de alternativas apresentadas pela diretoria do colégio, está a de os pais buscarem os filhos para estes almoçarem em casa [ !! ]. Há outra: que os alunos passassem a levar o almoço de casa [ alguém leu o livro "Cazuza", do Viriato Correa? Um garoto levava a lata de comida pro colégio e, na hora do lanche, ia se esconder "para comer", solitariamente. Outros alunos - se lembro bem - ficaram intrigados com o "egoísmo" do garoto e armaram um surpresa pro unha de fome. Na hora H - NHAC! - atacaram o fominha, para ver o que é que tinha de tão especial na marmita, que ele não repartia com ninguém. Descobriram que o garoto levava a lata vazia para a escola, não havia o que comer. É foda... ].
Prosseguindo com os testemunhos: uma das faxineiras está ajudando no preparo das refeições; também foi pedido aos pais que ajudassem na limpeza do estabelecimento. Há um outro testemunho, de alguém que não quis se identificar [ um motorista de transporte escolar ] , muito interessante: a falta de funcionários estaria afetando, também, outras escolas [ !!! ]
OUTRA ESCOLA COM PROBLEMAS
Detonando com a versão largamente divulgada pelo governo do Serra, e devidamente papagaiada pelos jornais simpatizantes tucanos, há o caso de um colégio, o José Pantoja, também na Vila Prudente, cuja falta [ e faltas ] de professores está prejudicando sobremaneira os estudantes. Lembram-se daquela lei das faltas, que tanto se falou, chegam a mostrar números que provariam o “acerto” da lei, que teria diminuído as ausências dos professores? Pois é. Talvez no começo, o professor passasse a frequentar a escola e dar aulas doente mesmo. Só que há limite pra tudo, né? Provavelmente haverá também uma “fuga” de professores da rede estadual. Só que não se enganem: é isso que os tucanalhas querem. Eles querem entregar a Educação à iniciativa privada.

junho 18, 2009

"Carestia escolar": escola estadual em Mauá tá sem merenda há um mês. Aluno faz faxina para enganar a fome. E por falta de funcionário, claro

Falta merenda em escola de Mauá
Alunos também seriam obrigados a fazer a limpeza das salas de aula

Estudantes da Escola Estadual Washington Vita, no Parque São Vicente, em Mauá, estão há quase um mês sem merenda escolar e ainda fazem multirões de limpeza para manter as salas de aula em ordem. De acordo com o relato de pais, alunos e de representantes da Apeoesp (Sindicato dos Professores da Rede Estadual de Ensino), o governo do Estado cancelou os contratos com as empresas terceirizadas que prestavam os serviços de limpeza e cozinha.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Educação informou que o problema da falta de merenda será resolvido nos próximos dias. Em nota, o órgão garantiu que “no dia 17/06 será realizado um chamamento público para preencher as duas vagas de agente de serviço” existentes na unidade de ensino.
O professor da escola e representante da Apeoesp, Francisco Gomes dos Santos, disse que os alunos passam o período escolar sem nenhuma refeição fornecida pela escola. “Eles têm de comprar lanches na cantina. Além disso, só existe uma pessoa para fazer a limpeza das salas e por isso os alunos têm de fazer um multirão de limpeza”, denunciou. O professor disse que a Apeoesp questionou a Diretoria de Ensino sobre os problemas, mas até o momento nenhuma resposta foi encaminhada à associação dos professores. Sobre a limpeza, a nota do Estado informa que “a Secretaria desconhece problemas relacionados à limpeza das escolas na diretoria de Mauá”.
Merenda seca - A Secretaria Estadual da Educação informou também que a dirigente de ensino de Mauá orientou a direção da unidade a servir merenda seca, que não necessita de preparo, até a contratação dos novos funcionários. Adolescentes ouvidos pelo ABCD MAIOR não confirmaram a medida. “A gente compra salgadinhos e refrigerantes no intervalo”, contou a estudante da 8ª série do ensino fundamental, Natalia Martins, 13 anos.

Vassoura -

Outro aluno, Guilherme Souza, 15 anos, confirmou a existência de multirões de limpeza. “Acontece ao menos duas vezes por semana, sempre nas aulas de ensino religioso”, explicou. “Se a gente não pega na vassoura, a sala fica muito suja, não tem como estudar aqui”, disse outra estudante do ensino fundamental, Franciele Andrade, 13 anos.
Apesar de alguns pais terem denunciado a situação da escola sem se identificarem, a notícia pegou alguns de surpresa. A dona de casa Regina Kwaca Souza disse que a diretoria do colégio informou os pais sobre a falta da merenda. “Mas nada foi dito sobre a realização de faxina. Nunca permitiria que meu filho saísse de casa para limpar sala de aula. É uma obrigação do Estado”, disse.

ABCDMaior, 16.06.09

maio 31, 2009

Crise nas escolas estaduais de SP: Em Ribeirão Preto, livros do Fundamental não chegaram aos alunos

Sabado, 30 de Maio 2009
Educação maltratada
A jornalista Adriana Matiuzo tem acompanhado os problemas nas escolas estaduais de Ribeirão. O último relato da repórter, publicado nesta edição, trata dos livros do Ensino Fundamental que estão atrasados. Tanto no primeiro como no segundo bimestres, o material atrasou um mês e os professores tiveram que improvisar aulas.
Recentemente lemos sobre o livro que trazia duas vezes o Paraguai no mapa. E a história em quadrinhos para adultos, com linguagem nada apropriada aos alunos da terceira série, a quem foi distribuída. Outro livro, este de poesias e também recolhido após a gafe, sugeria ao leitor que cometesse estupros. No ano passado, professores se assustaram ao se deparar com um grave erro de português no caderno de dicas. O material trazia a palavra ensino grafada com a letra C, assim mesmo: “encino”.
Ainda nesta semana, tivemos a notícia de que funcionários temporários vão desfalcar as escolas estaduais. O contrato deles venceu e os substitutos foram chamados, mas os novos funcionários têm até 30 dias para assumir o posto. Em abril, outra reportagem nos trouxe a história de pais, professores e até alunos que ajudavam na faxina das escolas por falta de pessoal.
Como se vê, relatos de problemas nas escolas estaduais não faltam. Instada a dar respostas, a Secretaria da Educação ainda não trouxe justificativa convincente, talvez não haja realmente explicação para o que vem acontecendo.
Educação de qualidade é o único modo de evoluirmos como povo e nação. Esperemos que o governo, em todos os níveis [ sic ] , entenda isso.
A Cidade

Livro de sacanagem é o de menos: escolas estaduais do governo Serra são "faxinadas" por alunos, e até por merendeiras!! Que lixo!

Escolas do estado sem faxina: Entre uma aula e outra, uma “varridinha no chão”
Pais de alunos da rede estadual de ensino estão indignados com a falta de equipes de limpeza nas escolas. Conforme a Folha apurou, o problema persiste há meses e a Secretaria de Estado da Educação não resolve o impasse. Não faltam denúncias de que os alunos estão ‘colaborando’ com a faxina nas salas de aula e que as merendeiras também se revezam entre o preparo da comida e a limpeza.
“Não mando minha filha para a escola para ‘aprender’ a limpar a carteira, varrer o chão da classe e sabe mais o quê estão tendo que fazer. Ouvi dizer que os alunos tiveram que lavar o ginásio para conseguir ter aula. Um absurdo”, comenta o pai de uma aluna da EE República do Paraguay, na Vila Prudente. Na última quarta-feira, dia 27, a reportagem da Folha foi até a porta da escola e ouviu de funcionários que depois de muito tempo sem uma equipe de limpeza (“meses“, conforme algumas mães), ‘naquele dia, haviam aparecido três moças’. Número que até as crianças consideram insuficiente. “A escola é muito grande e está suja.
“Vai precisar de mais”, comenta uma garota que deixava o turno da manhã. A colega dela assumiu que limpa a classe: “A professora pede para a gente varrer o chão e passar pano nas mesas para deixar tudo limpinho para a turma que vai entrar depois”. [ Nota deste blog: esta última sentença "A professora pede..." será a deixa para a Secretaria desviar o assunto; apesar das descrições sobre as condições ruins serem várias, é fácil prever que a nota lacônica da Secretaria - caso venha alguma, claro - dirá que "professor não tem autorização e nem prerrogativa para mandar alunos fazerem faxina ]
Em outra grande escola da Vila Prudente, a EE Julia Macedo Pantoja, o número de funcionários voltados à limpeza da ampla unidade não passa de três, segundo professores. “Os contratados foram mandados embora, tinha uma cooperativa que também parou e as pessoas não foram recolocadas em número suficiente.
As condições de limpeza são críticas mesmo”, assume um deles. “Como fica a questão da higiene, principalmente nos banheiros?”, indaga uma mãe. Na Mooca, a Folha já começou a receber queixas de pais de alunos da EE Profº José Heitor Carusi. De acordo com eles, o contrato dos inspetores de alunos e dos faxineiros terminava ontem e não havia notícia da contratação de outras equipes. “Como vão manter uma escola sem limpeza? E os inspetores que ficam nos portões nos horários de entrada e saída, não vão fazer falta também? Engraçado que os governantes [ sic ] adoram aparecer na TV falando que está tudo funcionando bem, a realidade é muito diferente”, comenta um pai.
[ Nota deste blog: "Governantes" o cacete! Quem tá gastando os tubos em propaganda para dizer que tudo vai bem - além de ser o responsável direto pelas escolas estaduais - é o sr. José Serra ( e a sua bancada na ALESP ). Que, aliás, foi muito bem votado na região. Ele e o Kassab. Antes deles, quem dava de lavada aqui era o Maluf, o Jânio também. Pensando melhor... quer saber? Aprendam a votar, porra!! ]
A reportagem procurou, por telefone e e-mail, a Secretaria de Estado da Educação, mas, não obteve explicações até o fechamento desta matéria. ( Publicado no jornal Folha de Vila Prudente, 29.05.09 )

maio 10, 2009

Propaganda subliminar tucana em apostila dos professores? Aí já é demais, heim?

Propaganda subliminar tucana
Na Imprensa
IG – Educação e Vestibular
Bandeira de São Paulo vira um tucano em apostilha de professores
Ao apresentar diversos “erros” em sua composição gráfica, o Caderno do Aluno das escolas de São Paulo têm provocado severas críticas ao governo local, porém, os erros vão além.
Entregue anteriormente, o Caderno do Professor, entre outros estranhamentos, traz na capa um detalhe no mínimo curioso, que chamou a atenção de vários professores da rede: em forma de origami, a bandeira do estado – logomarca do governo paulista – ganha um contorno que se assemelha em muito a um tucano. Até aí, nada demais, não fosse o fato de esse famoso pássaro da flora brasileira representar simbolicamente um partido político brasileiro.
Extraído do site da Apeoesp.

( Enviado a este blog por uma pessoa que se identificou como “Gizella Quadros Negrão, Professora”. Eu não consegui descolar a tal imagem para conferir se é verdade ou paranóia – salutarmente justificável, diga-se de passagem… )

maio 5, 2009

"Governo paulista só atrapalha" diz diretor de melhor escola estadual de SP. ( Do blog do Chicão )

Educação: Governo do Estado de São Paulo só me atrapalha
Abaixo você vai ler a entrevista do diretor da melhor escola estadual de São Paulo (ficou em 2.596º lugar entre os melhores do país). Ele reafirma as calamidades que venho denunciando
aqui no blog.
Folha de SP, 04/05/2009
Camilo Oliveira, diretor da melhor escola estadual de SP no Enem, afirma que o colégio se destacou por méritos próprios
FÁBIO TAKAHASHIDA REPORTAGEM LOCAL
O DIRETOR DA MELHOR escola da rede estadual de São Paulo no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) afirma que seu colégio se destacou no sistema “apesar” dos governos. “O Estado só me atrapalha“, afirma Camilo da Silva Oliveira, 57, que dirige a escola Lúcia de Castro Bueno, em Taboão da Serra (Grande São Paulo).
Formado em história pela USP, Oliveira dirige a unidade há 22 anos. Ele conta que criou um currículo próprio, uma vez que a rede estadual não tinha algo semelhante, e não utiliza programas do governo como formação de professores, salas de informática ou atividades como feira de ciências.
Prestes a se aposentar, o diretor diz não ver “caminho” para a escola pública, que dependerá “de talentos isolados”.
Abaixo, a entrevista feita com Oliveira na última quinta-feira, em que ele abordou como funciona seu colégio, primeiro da rede estadual paulista, mas apenas o 2.596º melhor do país (média 58,5, em 100 pontos). A Secretaria da Educação do governo José Serra (PSDB) não quis comentar as críticas.
FOLHA – Por que a escola teve a melhor nota da rede no Enem?
CAMILO DA SILVA OLIVEIRA – É um trabalho de 22 anos, que resistiu a sucessivas trocas de governo e de secretários.
FOLHA – No dia-a-dia, o que a sua escola tem de diferente?
OLIVEIRA – Um eixo pedagógico, o rol de conteúdos [currículo], uma sequência de conteúdos. Fui pesquisar, porque o Estado não tinha subsídio para isso. Pesquisei escolas particulares e vestibulares de ponta. O Estado nem desconfiava desse rol. E hoje, 20 anos depois, ainda nem desconfia [o currículo começou a ser implementado na rede estadual em 2008]. Cada governo tem um modismo. Por exemplo, se fala em escola de tempo integral quando a escola não consegue funcionar quatro horas diárias [excesso de aulas vagas]. Tem também o projeto de informática, uma bobagem. Se tenho 17 máquinas e 40 alunos, o que os outros 23 ficarão fazendo? Posso bolar um esquema para fora do período, mas sem achar que irá melhorar a qualidade de ensino.
FOLHA – O sr. então tem uma escola que não segue a rede.
OLIVEIRA – Aqui é uma escola maldita, que vai contra os modismos de cada secretário. Depois da Rose Neubauer [gestão Mario Covas], em que as escolas perdiam aulas para treinamento de professores em horário de serviço, veio um que nem sabe o que é rol de conteúdos [Gabriel Chalita, gestão Geraldo Alckmin]. A escola, que já não funcionava, ficava uma semana em feira de ciências ou excursões para zoológico. Melhora o ensino? Vi que era fria e tirei a escola disso. No governo Serra, temos o terceiro secretário em dois anos e meio. Se o meu projeto dependesse do governo, estaria esfacelado. A menina do Mackenzie [Maria Lúcia Marcondes Carvalho Vasconcelos, primeira secretária da gestão José Serra] era bem intencionada, mas não conseguiu nada. A segunda [Maria Helena Guimarães de Castro] eu respeito porque sabe que escola é avaliação. E sabe que para avaliar precisa de um rol de conteúdos. Mas teve problemas de gestão. Por exemplo, a prova de temporários era uma boa ideia. Mas a implementação foi péssima, sem preparo jurídico, o que melou o sistema. Ou seja, o governo não tem a menor ideia do que fazer com as escolas. Deveríamos nos preocupar com o que realmente interessa, que é a aprendizagem dos alunos. Depois se acerta a burocracia. Hoje, os diretores ficam mais preocupados com as atinhas, e o aluno não tem aula. É uma inversão. É triste, porque se é esse caos em São Paulo, imagina nos outros Estados. Nem as universidades conhecem a rede. Ganhei da Escola de Aplicação da USP [que ficou em 3.293º lugar no ranking nacional], por exemplo. E a esquerda até hoje acha que a democracia é o principal debate para a escola. Você pega o PT, eles estão discutindo eleição para diretor de escola. Uma bobagem. Deveria pegar os melhores quadros para dirigir a escola. Isso aqui não é sindicato. Estou me aposentando e não vejo caminho. A escola pública vai continuar dependendo de talentos isolados. O Estado só atrapalha. Aquelas que seguiram a linha, se esfacelaram.
FOLHA – O sr. sofre retaliações?
OLIVEIRA – Nenhuma. Conheço o ofício. Os pais sabem que essa escola funciona, daí vem o apoio. No começo, senti pressão. O supervisor vinha e falava: “Como não vai mandar os professores para formação?”. Eu dizia: “Vou chamar a imprensa e explicar que os alunos vão ficar sem aulas.” Eles desistiam de me pressionar. Mas era um sobressalto constante.
FOLHA – Como o sr. avalia o corpo docente da sua escola e da rede?
OLIVEIRA – Aqui o pessoal é qualificado. Gente da USP, PUC, do Mackenzie. É uma nata que gostou do trabalho. Aqui se consegue dar aula, raridade na rede. Foi uma seleção natural ao longo dos anos.
FOLHA – Quanto ganham seus professores?
OLIVEIRA – Os mais novatos, com cinco anos de experiência, uns R$ 1.700, a média do Estado. Eu sou um diretor de 30 anos, que vai se aposentar na casa dos R$ 3.000.
FOLHA – Há pesquisas que mostram que o salário da rede estadual paulista não é ruim [ Nota deste blog: Quais pesquisas? ] . O sr. concorda?
OLIVEIRA – Em cidades do interior, o salário de professor é o maior da cidade. Mas o Estado deve atrair melhores quadros. O salário não é compatível.
FOLHA – Como o sr. avalia a estrutura física da sua escola?
OLIVEIRA – Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor.
FOLHA – Qual a principal ação para melhorar o ensino público?
OLIVEIRA – Gerência. Precisa ser técnica, trabalhar currículo, diagnóstico. Até trazer gente da iniciativa privada [ Nota deste blog: Com quais salários? ]. Ou colocar os diretores das melhores escolas na gestão do sistema.
FOLHA – O que o sr. acha do novo secretário, Paulo Renato Souza?
OLIVEIRA – Tenho simpatia pela trajetória dele. Mas ele se tornou político. O problema é saber se o objetivo dele é eleger o Serra presidente ou melhorar o ensino. Se ele chegou apenas com visão política, as escolas vão seguir esfaceladas, sem conteúdos. Ele vai ser mais um.
Nota do Chicão:
Vou realçar algumas falas:
1- sobre conteúdos pedagógicos:”O Estado nem desconfiava desse rol. E hoje, 20 anos depois, AINDA NEM nem desconfia.”
É por isto que ao invés de comprar bons livros para as escolas, a secretaria de educação compra a revista Recreio (editora Abril), com textos “pedagógicos” como este: “Encare partidas de tênis com Mario no Wii”. Veja aqui
2- sobre a falta de professores e as aulas perdidas pelos alunos”a escola não consegue funcionar quatro horas diárias [excesso de aulas vagas]…”
É só ir visitar as escolas estaduais. É um descalabro. Quando faltam professores, é comum dispensar a sala de todas as outras aulas. Um horror! Leia aqui
3- Sobre a falta de rumo do governo Serra: “o governo não tem a menor ideia do que fazer com as escolas…”
Perdeu a compostura, tudo virou marketing.
4- manutenção de prédio público: “Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor”.
Isto mesmo! A manutenção é péssima. Pior do que isto: TODA A EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO ESTÁ APARELHADA ENTRE O PSDB, DEM, PPS, PTB, PV, e outros menos votados. Até para conseguir uma reforma é preciso tomar as “bençãos” dos deputados donos dos pedaços. Leia aqui ou aqui
Você ainda acredita um pouco em Alckmin e Serra?
5- falta aula, falta professor, falta material didático, falta tudo: “Hoje, os diretores ficam mais preocupados com as atinhas, e o aluno não tem aula” Leia aqui
6- sobre o Paulo Renato, novo secretário da educação (o terceiro em 2 anos e meio): “…ele se tornou político. O problema é saber se o objetivo dele é eleger o Serra presidente ou melhorar o ensino. Se ele chegou apenas com visão política, as escolas vão seguir esfaceladas, sem conteúdos. Ele vai ser mais um. Ele veio fazer política, seu discurso de posse foi só política e nada mais.”
Leia aqui como era a educação na época do Ministro Paulo Renato.
Enfim, é isso aí. É muita mentira em propaganda, e um caos na prática.

"Governo paulista só atrapalha" diz diretor de melhor escola estadual de SP. ( Do blog do Chicão )

Educação: Governo do Estado de São Paulo só me atrapalha
Abaixo você vai ler a entrevista do diretor da melhor escola estadual de São Paulo (ficou em 2.596º lugar entre os melhores do país). Ele reafirma as calamidades que venho denunciando
aqui no blog.
Folha de SP, 04/05/2009
Camilo Oliveira, diretor da melhor escola estadual de SP no Enem, afirma que o colégio se destacou por méritos próprios
FÁBIO TAKAHASHIDA REPORTAGEM LOCAL
O DIRETOR DA MELHOR escola da rede estadual de São Paulo no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) afirma que seu colégio se destacou no sistema “apesar” dos governos. “O Estado só me atrapalha“, afirma Camilo da Silva Oliveira, 57, que dirige a escola Lúcia de Castro Bueno, em Taboão da Serra (Grande São Paulo).
Formado em história pela USP, Oliveira dirige a unidade há 22 anos. Ele conta que criou um currículo próprio, uma vez que a rede estadual não tinha algo semelhante, e não utiliza programas do governo como formação de professores, salas de informática ou atividades como feira de ciências.
Prestes a se aposentar, o diretor diz não ver “caminho” para a escola pública, que dependerá “de talentos isolados”.
Abaixo, a entrevista feita com Oliveira na última quinta-feira, em que ele abordou como funciona seu colégio, primeiro da rede estadual paulista, mas apenas o 2.596º melhor do país (média 58,5, em 100 pontos). A Secretaria da Educação do governo José Serra (PSDB) não quis comentar as críticas.
FOLHA – Por que a escola teve a melhor nota da rede no Enem?
CAMILO DA SILVA OLIVEIRA – É um trabalho de 22 anos, que resistiu a sucessivas trocas de governo e de secretários.
FOLHA – No dia-a-dia, o que a sua escola tem de diferente?
OLIVEIRA – Um eixo pedagógico, o rol de conteúdos [currículo], uma sequência de conteúdos. Fui pesquisar, porque o Estado não tinha subsídio para isso. Pesquisei escolas particulares e vestibulares de ponta. O Estado nem desconfiava desse rol. E hoje, 20 anos depois, ainda nem desconfia [o currículo começou a ser implementado na rede estadual em 2008]. Cada governo tem um modismo. Por exemplo, se fala em escola de tempo integral quando a escola não consegue funcionar quatro horas diárias [excesso de aulas vagas]. Tem também o projeto de informática, uma bobagem. Se tenho 17 máquinas e 40 alunos, o que os outros 23 ficarão fazendo? Posso bolar um esquema para fora do período, mas sem achar que irá melhorar a qualidade de ensino.
FOLHA – O sr. então tem uma escola que não segue a rede.
OLIVEIRA – Aqui é uma escola maldita, que vai contra os modismos de cada secretário. Depois da Rose Neubauer [gestão Mario Covas], em que as escolas perdiam aulas para treinamento de professores em horário de serviço, veio um que nem sabe o que é rol de conteúdos [Gabriel Chalita, gestão Geraldo Alckmin]. A escola, que já não funcionava, ficava uma semana em feira de ciências ou excursões para zoológico. Melhora o ensino? Vi que era fria e tirei a escola disso. No governo Serra, temos o terceiro secretário em dois anos e meio. Se o meu projeto dependesse do governo, estaria esfacelado. A menina do Mackenzie [Maria Lúcia Marcondes Carvalho Vasconcelos, primeira secretária da gestão José Serra] era bem intencionada, mas não conseguiu nada. A segunda [Maria Helena Guimarães de Castro] eu respeito porque sabe que escola é avaliação. E sabe que para avaliar precisa de um rol de conteúdos. Mas teve problemas de gestão. Por exemplo, a prova de temporários era uma boa ideia. Mas a implementação foi péssima, sem preparo jurídico, o que melou o sistema. Ou seja, o governo não tem a menor ideia do que fazer com as escolas. Deveríamos nos preocupar com o que realmente interessa, que é a aprendizagem dos alunos. Depois se acerta a burocracia. Hoje, os diretores ficam mais preocupados com as atinhas, e o aluno não tem aula. É uma inversão. É triste, porque se é esse caos em São Paulo, imagina nos outros Estados. Nem as universidades conhecem a rede. Ganhei da Escola de Aplicação da USP [que ficou em 3.293º lugar no ranking nacional], por exemplo. E a esquerda até hoje acha que a democracia é o principal debate para a escola. Você pega o PT, eles estão discutindo eleição para diretor de escola. Uma bobagem. Deveria pegar os melhores quadros para dirigir a escola. Isso aqui não é sindicato. Estou me aposentando e não vejo caminho. A escola pública vai continuar dependendo de talentos isolados. O Estado só atrapalha. Aquelas que seguiram a linha, se esfacelaram.
FOLHA – O sr. sofre retaliações?
OLIVEIRA – Nenhuma. Conheço o ofício. Os pais sabem que essa escola funciona, daí vem o apoio. No começo, senti pressão. O supervisor vinha e falava: “Como não vai mandar os professores para formação?”. Eu dizia: “Vou chamar a imprensa e explicar que os alunos vão ficar sem aulas.” Eles desistiam de me pressionar. Mas era um sobressalto constante.
FOLHA – Como o sr. avalia o corpo docente da sua escola e da rede?
OLIVEIRA – Aqui o pessoal é qualificado. Gente da USP, PUC, do Mackenzie. É uma nata que gostou do trabalho. Aqui se consegue dar aula, raridade na rede. Foi uma seleção natural ao longo dos anos.
FOLHA – Quanto ganham seus professores?
OLIVEIRA – Os mais novatos, com cinco anos de experiência, uns R$ 1.700, a média do Estado. Eu sou um diretor de 30 anos, que vai se aposentar na casa dos R$ 3.000.
FOLHA – Há pesquisas que mostram que o salário da rede estadual paulista não é ruim [ Nota deste blog: Quais pesquisas? ] . O sr. concorda?
OLIVEIRA – Em cidades do interior, o salário de professor é o maior da cidade. Mas o Estado deve atrair melhores quadros. O salário não é compatível.
FOLHA – Como o sr. avalia a estrutura física da sua escola?
OLIVEIRA – Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor.
FOLHA – Qual a principal ação para melhorar o ensino público?
OLIVEIRA – Gerência. Precisa ser técnica, trabalhar currículo, diagnóstico. Até trazer gente da iniciativa privada [ Nota deste blog: Com quais salários? ]. Ou colocar os diretores das melhores escolas na gestão do sistema.
FOLHA – O que o sr. acha do novo secretário, Paulo Renato Souza?
OLIVEIRA – Tenho simpatia pela trajetória dele. Mas ele se tornou político. O problema é saber se o objetivo dele é eleger o Serra presidente ou melhorar o ensino. Se ele chegou apenas com visão política, as escolas vão seguir esfaceladas, sem conteúdos. Ele vai ser mais um.
Nota do Chicão:
Vou realçar algumas falas:
1- sobre conteúdos pedagógicos:”O Estado nem desconfiava desse rol. E hoje, 20 anos depois, AINDA NEM nem desconfia.”
É por isto que ao invés de comprar bons livros para as escolas, a secretaria de educação compra a revista Recreio (editora Abril), com textos “pedagógicos” como este: “Encare partidas de tênis com Mario no Wii”. Veja aqui
2- sobre a falta de professores e as aulas perdidas pelos alunos”a escola não consegue funcionar quatro horas diárias [excesso de aulas vagas]…”
É só ir visitar as escolas estaduais. É um descalabro. Quando faltam professores, é comum dispensar a sala de todas as outras aulas. Um horror! Leia aqui
3- Sobre a falta de rumo do governo Serra: “o governo não tem a menor ideia do que fazer com as escolas…”
Perdeu a compostura, tudo virou marketing.
4- manutenção de prédio público: “Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor”.
Isto mesmo! A manutenção é péssima. Pior do que isto: TODA A EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO ESTÁ APARELHADA ENTRE O PSDB, DEM, PPS, PTB, PV, e outros menos votados. Até para conseguir uma reforma é preciso tomar as “bençãos” dos deputados donos dos pedaços. Leia aqui ou aqui
Você ainda acredita um pouco em Alckmin e Serra?
5- falta aula, falta professor, falta material didático, falta tudo: “Hoje, os diretores ficam mais preocupados com as atinhas, e o aluno não tem aula” Leia aqui
6- sobre o Paulo Renato, novo secretário da educação (o terceiro em 2 anos e meio): “…ele se tornou político. O problema é saber se o objetivo dele é eleger o Serra presidente ou melhorar o ensino. Se ele chegou apenas com visão política, as escolas vão seguir esfaceladas, sem conteúdos. Ele vai ser mais um. Ele veio fazer política, seu discurso de posse foi só política e nada mais.”
Leia aqui como era a educação na época do Ministro Paulo Renato.
Enfim, é isso aí. É muita mentira em propaganda, e um caos na prática.

maio 4, 2009

Organização denuncia que a privatização do ensino público JÁ É FATO, só que de forma MUQUIADA e destaca a conivência do PIG!

Ação na Mídia
Cobertura da mídia revela novas formas de privatização do ensino
OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO
Sex, 20 de Março de 2009
Terceirização de serviços de vigilância (O Globo, 11/3); limpeza (Folha de S.Paulo e Agora S.Paulo, 18/3); formação de professores e produção de material didático (Amazônia Jornal, Diário do Pará em 11/3, O Liberal, 18/3, Folha de S. Paulo 13/3, entre outros); aluguel de computadores e prédios (Valor Econômico, 10/3 e Folha S.Paulo, 13/3); contratação de fundações empresariais para oferta de ensino a distância e capacitação de professores (O Globo 15 e 18/3); e merenda (Folha de Londrina, 13/3; Jornal da Tarde, 18/3 ).
Estas foram algumas das formas de transferência de recursos públicos da educação para a iniciativa privada, noticiadas de diferentes formas em jornais de todo o País no período de 4 a 18 de março.
O tema é bastante polêmico e há pesquisadores que afirmam ser esta a maneira mais lucrativa de privatização da educação: prestação de serviços ao poder público, em substituição à constituição de escolas privadas.
No entanto, há diferenças entre elas, que podem gerar interessantes abordagens. No anúncio de contratação de serviços de vigilância e limpeza, por exemplo, é importante falar da relação com a lei de responsabilidade fiscal, que limita os gastos com recursos humanos. Mas também é fundamental ouvir especialistas em administração pública que apontem quais devem ser os critérios para esta opção e os mecanismos de controle social sobre os processos de licitação e qualidade dos serviços ofertados.
Aluguéis
O aluguel de prédios privados para a instalação de creches, uma alternativa pautada nas parcerias público-privadas como resposta rápida ao déficit de vagas em geral, mas particularmente às ações no sistema de Justiça sobre o tema, estimulam reportagens que expliquem o que são essas parcerias, quais estados da Federação já adotam, e qual é o volume de transferência de recursos públicos para a iniciativa privada no curto, médio e longo prazos.
Ainda sobre as diferentes formas de terceirização, interessante notar que apenas o Valor Econômico (10/3) noticiou o aluguel de 75 mil computadores pela SEE/SP, classificado como “um dos maiores projetos de terceirização de equipamentos de informática já realizados pelo poder público do país”. Importante os jornalistas de jornais regionais e do interior do estado estarem atentos para os resultados dessa iniciativa para além das escolas da capital.
Tele-ensino
No caso da contratação da Fundação Roberto Marinho para a implantação do Telecurso no Rio de Janeiro (O Globo 15 e 18/3), além dos aspectos financeiros envolvidos e não informados nas reportagens, há também aspectos pedagógicos. Neste caso é preciso ouvir pesquisadores/as da educação e administração pública sobre a pertinência do ensino a distância na educação básica e o impacto de sua adoção, como política pública, no “mercado” de formação de professores, que tende a se voltar para os cursos de Pedagogia e reduzir as licenciaturas em disciplinas específicas, a exemplo do ocorrido no Ceará nos anos 1990.
Também é necessário investigar a opção por fundações empresariais, ou empresas, e não pelo estabelecimento de parcerias com universidades públicas, que desenvolvem ações no campo.
SEE nota zero?
Ainda sobre a contratação de fundações e empresas, notável foi a repercussão dos erros encontrados no material didático distribuído pela Secretaria estadual de ensino (entre 17 e 19/3 Folha de S.Paulo; O Globo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Correio Braziliense e Diário Catarinense).
Nenhuma das matérias citou quanto a SEE pagou pelo serviço, nem o processo de contratação. Este poderia ter sido um foco interessante de investigação, principalmente se considerasse que o governo federal já gasta recursos com a produção de material didático por meio do Programa Nacional do Livro Didático. Além disso, em 1/6/2006, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação, do governo paulista, contratou por R$ 4,63 milhões, sem licitação, a mesma Fundação Vanzolini, para assessoria técnica de programa da SEE. Relatório do Tribunal de Contas do Estado julgou irregular a dispensa de licitação.
É preciso ouvir professores/as e pesquisadores/as sobre os argumentos que sustentam a opção da gestão paulista para a opção de produzir material próprio. De um lado, alega-se a intenção de padronizar os conteúdos da rede pública de ensino e, de outro, a possibilidade de contemplar especificidades regionais. O que há de tão específico nesse material produzido pela empresa/fundação contratada? – a existência de um único Paraguai é fato no mundo todo, e não deveria ser diferente em São Paulo.
Greve de professores
Os jornais do Distrito Federal (em 8 e 10/3, Correio Braziliense e Jornal de Brasília) saíram a campo para condenar o anúncio de greve dos professores da rede pública em reivindicação de reajuste salarial de 18,9%. Nos primeiros dias da cobertura, chamou a atenção que nem mesmo o sindicato da categoria tenha sido ouvido – os textos foram fartos em publicar a opinião de mães, estudantes e governo, todos condenando o movimento. No dia 11, o Jornal de Brasília ouviu a direção do sindicato e, no dia 15, o Correio Braziliense publicou entrevistas com o secretário de educação e o presidente do órgão de representação da categoria. A lamentar a ausência de vozes dos professores/as para além das lideranças sindicais. O Jornal de Brasília, no dia 12, por exemplo, poderia ter incluído professores/as na interessante enquête que fez, com fotos e depoimentos de mães e estudantes. Sempre é bom lembrar que os sindicatos representam, legitimamente, os interesses corporativos, mas cada professor/a tem opiniões pessoais e plurais e é preciso que o público as conheça.
Racismo e educação
Destaque para a Folha de Pernambuco (9/3) que publicou reportagem de Yuri Queiroz sobre a ausência de iniciativas para a implementação da lei 10.639 (leia aqui sobre o tema) no estado. A entrevista com a procuradora de Justiça, Bernadete Azevedo tornou o texto muito especial ao trazer os mecanismos de justiciabilidade que podem ser acessados no caso, e por apontar a omissão das universidades na formação de professores para atuarem com o tema.
Ausências
Infelizmente o Dia Internacional da Mulher (8/mar) não estimulou pautas sobre o magistério. São 85% de mulheres e seria muito interessante ter ouvido pesquisadores/as que interpretassem a desvalorização docente na perspectiva das desigualdades de gênero.
Outra ausência significativa foi o silêncio da mídia em relação à polêmica em torno da compra de assinaturas da revista Nova Escola (Editora Abril) para os docentes da rede pública estadual de São Paulo. O tema foi tratado por blogs de jornalistas independentes (leia aqui reportagem) e pela rádio CBN – pouca repercussão para um tema que envolve R$ 3,74 milhões, dispensa de licitação e mudança de práticas – usualmente, as assinaturas de jornais e revistas são feitas para escolas, e não individualmente para cada professor/a.
Fala Educadora! Fala Educador!
No período, publicaram artigos de opinião de professores/as de redes públicas de ensino:
Zero Hora (6/3) – O bom professor, por Viviane Salvi Gertge
Folha de Londrina (10/3) – O contrassenso do bullying, por Luiz Carlos Ferraz Manini
Zero Hora (13/3) – Professor do século 21, por Danilo Gandin
A Notícia – SC (19/3) – 50 ANOS, por Ademir Pfiffer
Além da pauta
Financiamento José Marcelino de Rezende Pinto – professor associado da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto – jmrpinto@ffclrp.usp.br
Telecurso Idevaldo da Silva Bodião – professor da UFCE e ex-secretário de Educação e Assistência Social de Fortaleza – idbodiao@uol.com.br
Caso Nova Escola Carolina Marinho – advogada – carolina.marinho@gmail.com
Implementação da lei 10.639 Valter Roberto Silvério – professor Adjunto da Universidade Federal de São Carlos – silverio@power.ufscar.br

Organização denuncia que a privatização do ensino público JÁ É FATO, só que de forma MUQUIADA e destaca a conivência do PIG!

Ação na Mídia
Cobertura da mídia revela novas formas de privatização do ensino
OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO
Sex, 20 de Março de 2009
Terceirização de serviços de vigilância (O Globo, 11/3); limpeza (Folha de S.Paulo e Agora S.Paulo, 18/3); formação de professores e produção de material didático (Amazônia Jornal, Diário do Pará em 11/3, O Liberal, 18/3, Folha de S. Paulo 13/3, entre outros); aluguel de computadores e prédios (Valor Econômico, 10/3 e Folha S.Paulo, 13/3); contratação de fundações empresariais para oferta de ensino a distância e capacitação de professores (O Globo 15 e 18/3); e merenda (Folha de Londrina, 13/3; Jornal da Tarde, 18/3 ).
Estas foram algumas das formas de transferência de recursos públicos da educação para a iniciativa privada, noticiadas de diferentes formas em jornais de todo o País no período de 4 a 18 de março.
O tema é bastante polêmico e há pesquisadores que afirmam ser esta a maneira mais lucrativa de privatização da educação: prestação de serviços ao poder público, em substituição à constituição de escolas privadas.
No entanto, há diferenças entre elas, que podem gerar interessantes abordagens. No anúncio de contratação de serviços de vigilância e limpeza, por exemplo, é importante falar da relação com a lei de responsabilidade fiscal, que limita os gastos com recursos humanos. Mas também é fundamental ouvir especialistas em administração pública que apontem quais devem ser os critérios para esta opção e os mecanismos de controle social sobre os processos de licitação e qualidade dos serviços ofertados.
Aluguéis
O aluguel de prédios privados para a instalação de creches, uma alternativa pautada nas parcerias público-privadas como resposta rápida ao déficit de vagas em geral, mas particularmente às ações no sistema de Justiça sobre o tema, estimulam reportagens que expliquem o que são essas parcerias, quais estados da Federação já adotam, e qual é o volume de transferência de recursos públicos para a iniciativa privada no curto, médio e longo prazos.
Ainda sobre as diferentes formas de terceirização, interessante notar que apenas o Valor Econômico (10/3) noticiou o aluguel de 75 mil computadores pela SEE/SP, classificado como “um dos maiores projetos de terceirização de equipamentos de informática já realizados pelo poder público do país”. Importante os jornalistas de jornais regionais e do interior do estado estarem atentos para os resultados dessa iniciativa para além das escolas da capital.
Tele-ensino
No caso da contratação da Fundação Roberto Marinho para a implantação do Telecurso no Rio de Janeiro (O Globo 15 e 18/3), além dos aspectos financeiros envolvidos e não informados nas reportagens, há também aspectos pedagógicos. Neste caso é preciso ouvir pesquisadores/as da educação e administração pública sobre a pertinência do ensino a distância na educação básica e o impacto de sua adoção, como política pública, no “mercado” de formação de professores, que tende a se voltar para os cursos de Pedagogia e reduzir as licenciaturas em disciplinas específicas, a exemplo do ocorrido no Ceará nos anos 1990.
Também é necessário investigar a opção por fundações empresariais, ou empresas, e não pelo estabelecimento de parcerias com universidades públicas, que desenvolvem ações no campo.
SEE nota zero?
Ainda sobre a contratação de fundações e empresas, notável foi a repercussão dos erros encontrados no material didático distribuído pela Secretaria estadual de ensino (entre 17 e 19/3 Folha de S.Paulo; O Globo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Correio Braziliense e Diário Catarinense).
Nenhuma das matérias citou quanto a SEE pagou pelo serviço, nem o processo de contratação. Este poderia ter sido um foco interessante de investigação, principalmente se considerasse que o governo federal já gasta recursos com a produção de material didático por meio do Programa Nacional do Livro Didático. Além disso, em 1/6/2006, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação, do governo paulista, contratou por R$ 4,63 milhões, sem licitação, a mesma Fundação Vanzolini, para assessoria técnica de programa da SEE. Relatório do Tribunal de Contas do Estado julgou irregular a dispensa de licitação.
É preciso ouvir professores/as e pesquisadores/as sobre os argumentos que sustentam a opção da gestão paulista para a opção de produzir material próprio. De um lado, alega-se a intenção de padronizar os conteúdos da rede pública de ensino e, de outro, a possibilidade de contemplar especificidades regionais. O que há de tão específico nesse material produzido pela empresa/fundação contratada? – a existência de um único Paraguai é fato no mundo todo, e não deveria ser diferente em São Paulo.
Greve de professores
Os jornais do Distrito Federal (em 8 e 10/3, Correio Braziliense e Jornal de Brasília) saíram a campo para condenar o anúncio de greve dos professores da rede pública em reivindicação de reajuste salarial de 18,9%. Nos primeiros dias da cobertura, chamou a atenção que nem mesmo o sindicato da categoria tenha sido ouvido – os textos foram fartos em publicar a opinião de mães, estudantes e governo, todos condenando o movimento. No dia 11, o Jornal de Brasília ouviu a direção do sindicato e, no dia 15, o Correio Braziliense publicou entrevistas com o secretário de educação e o presidente do órgão de representação da categoria. A lamentar a ausência de vozes dos professores/as para além das lideranças sindicais. O Jornal de Brasília, no dia 12, por exemplo, poderia ter incluído professores/as na interessante enquête que fez, com fotos e depoimentos de mães e estudantes. Sempre é bom lembrar que os sindicatos representam, legitimamente, os interesses corporativos, mas cada professor/a tem opiniões pessoais e plurais e é preciso que o público as conheça.
Racismo e educação
Destaque para a Folha de Pernambuco (9/3) que publicou reportagem de Yuri Queiroz sobre a ausência de iniciativas para a implementação da lei 10.639 (leia aqui sobre o tema) no estado. A entrevista com a procuradora de Justiça, Bernadete Azevedo tornou o texto muito especial ao trazer os mecanismos de justiciabilidade que podem ser acessados no caso, e por apontar a omissão das universidades na formação de professores para atuarem com o tema.
Ausências
Infelizmente o Dia Internacional da Mulher (8/mar) não estimulou pautas sobre o magistério. São 85% de mulheres e seria muito interessante ter ouvido pesquisadores/as que interpretassem a desvalorização docente na perspectiva das desigualdades de gênero.
Outra ausência significativa foi o silêncio da mídia em relação à polêmica em torno da compra de assinaturas da revista Nova Escola (Editora Abril) para os docentes da rede pública estadual de São Paulo. O tema foi tratado por blogs de jornalistas independentes (leia aqui reportagem) e pela rádio CBN – pouca repercussão para um tema que envolve R$ 3,74 milhões, dispensa de licitação e mudança de práticas – usualmente, as assinaturas de jornais e revistas são feitas para escolas, e não individualmente para cada professor/a.
Fala Educadora! Fala Educador!
No período, publicaram artigos de opinião de professores/as de redes públicas de ensino:
Zero Hora (6/3) – O bom professor, por Viviane Salvi Gertge
Folha de Londrina (10/3) – O contrassenso do bullying, por Luiz Carlos Ferraz Manini
Zero Hora (13/3) – Professor do século 21, por Danilo Gandin
A Notícia – SC (19/3) – 50 ANOS, por Ademir Pfiffer
Além da pauta
Financiamento José Marcelino de Rezende Pinto – professor associado da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto – jmrpinto@ffclrp.usp.br
Telecurso Idevaldo da Silva Bodião – professor da UFCE e ex-secretário de Educação e Assistência Social de Fortaleza – idbodiao@uol.com.br
Caso Nova Escola Carolina Marinho – advogada – carolina.marinho@gmail.com
Implementação da lei 10.639 Valter Roberto Silvério – professor Adjunto da Universidade Federal de São Carlos – silverio@power.ufscar.br

março 15, 2009

Jornal popular publicado pela Folha, Agora mostra manchetes exultando os "FABULOSOS bônus dos professores" de SP por quase 1 semana! Sob encomenda??

Geralmente as discussões acerca do comportamento do PIG focam os grandes jornais e revistas. As últimas foram sobre a “ditabranda” ( ou a “caradura”? ) da Folha e a “fantástica fábrica de grampos” do dr. Protógenes, como “denunciou” a vEJA.
Quando digo “as discussões”, me refiro à chamada “blogosfera”.
Mas eu, pessoalmente, acho um pecado ignorar os jornais menores, ou aqueles produzidos pelas grandes empresas jornalísticas para o consumo popular. Ou nem tanto.
Até onde eu sei, o jornal que mais é vendido nas bancas de São Paulo é o “Agora SP”, do grupo Folha. Mesmo que a tiragem do jornalão passe do milhão ( eu ignoro quais são os números ), creio que a leitura se dá em todo o território nacional.
Já o Agora deve ter apenas, acredito eu, um alcance local. O custo é de um real e cincoenta centavos. Muitas das notícias são resumos condensados e mutilados de matérias já publicadas na Folha. Se também não estou enganado, os compradores habituais deste jornalzinho são os aposentados ( geralmente as matérias sobre a Seguridade Social, aposentadoria, INSS, contribuições etc dão a pauta ); também os taxistas – que antes preferiam o finado Diário Popular -, os motoboys, vigilantes. Enfim, a peãozada em geral, que prefere a abordagem informal e o preço em conta. Embora o preço dos concorrentes Diário de São Paulo e Jornal da Tarde seja o mesmo do Agora, meu consultor do mercado de publicações – vulgo “jornaleiro” – me garante que o Agora faz esses dois comerem poeira. Esse consultor me informou que vende, em média diária, 12 Agoras para cada 5 JT , 4 DSP , 5 Estados e 2 Folhas vendidos. Em resumo: o Agora vende mais que a Folha e o Estado. Chega em mais lares e pessoas. E eleitores.
Isso explica, pelo menos para mim, o porquê nesta semana, quase inteira, termos sido contemplados com capas e manchetes do Agora, exultando, de forma triunfante, o supostamente nababesco “BÔNUS DA EDUCAÇÃO PARA OS PROFESSORES DO ESTADO DE SÃO PAULO”. Aliás, que eu saiba, nenhum jornal tratou tanto de um assunto tão delicado e controverso como o bravo Agora. Chega a ser intigante, não?
Uma conhecida me chamou a atenção: “Você viu aquele jornal, o Agora? Vê lá… É sobre o fabuloso bônus do professor!! Vai dar 8 mil…”. Diante dessa informação, fui filar um jornalzinho.
Que vergonha!! Do jeito que está lá, parece que cada professor da rede estadual de São Paulo ( é, aqueles “nota zero”… ) recebe um soldo generoso do governo Serra, mas não devolve a gentileza.
Olha só que lástima de manipulação essa daqui:
“BÔNUS DO ESTADO DEVE PAGAR ATÉ R$ 8.700 AOS PROFESSORES
VALOR MÁXIMO É PARA DIRIGENTE REGIONAL QUE NÃO TEVE FALTAS EM 2008.
PARA PROFESSOR EM INÍCIO DE CARREIRA, A GRANA PODE CHEGAR A R$ 3.770.
A Secretaria de Estado da Educação pagará o bônus aos servidores até o próximo dia 30. O cálculo do bônus é uma relação do número de resultados do Idesp ( … ), um plano de metas que cada escola tem de cumprir. Por exemplo, um dirigente regional – o cargo mais alto da carreira – que não faltou durante o ano letivo e cuja escola ultrapassou em pelo menos 20% a meta fixada pelo governo pode receber cerca de R$ 8.700. Já um professor em início de carreira com as mesmas condições deve ganhar até R$ 3.770. Se uma escola atingir a meta, seus profissionais – desde que tenham 100% de presença – terão o bônus integral. Neste caso, considerando as gratificações, o servidor receberá 2,4 salários.” ( Agora, 13.03.09 )
Alguns dos resultados dessa política de cenoura-bonificadora não estão comentados aqui: para não perder o bônus, um professor que já dá aulas em duas ou três escolas ( outra coisa que não foi, é e nem será sublinhada jamais ) comparece ao trabalho mesmo doente, pois as faltas são implacavelmente contabilizadas. Vejam mais: um professor em “início de carreira”, afirma o jornal, pode receber até R$ 3 mil e setecentos. Isso equivale a sugerir – ou induzir as pessoas a concluir isso, mas não afirmar claramente – que um professor já “macaco velho” na rede de ensino deve ganhar muito mais. O máximo que um servidor consegue, lembrem, é oito paus. Só que não é qualquer servidor, mas sim, o tal do dirigente regional. Olha a má fé da manchete: “bônus pagará “X” AOS PROFESSORES”. MENTIRA PURA. Para causar a impressão de que “os professores” chegam a receber, caso se esforcem [ não faltem, não adoeçam, não sejam espancados por alunos ] , os tais 8 mil. Esse valor não é para os docentes. Logo, “alguns servidores da Educação EXCETO, justamente, os professores” receberão 8 barão de bônus-cenoura”.
A falta, nessa notícia, de mais dados a respeito da carreira dos docentes nos leva a concluir pela opulência salarial deles. Isso não explica, porém, o porquê de vários, senão a maioria, insistir em lecionar em dois ou mais colégios.
E essa aqui:
“SÓ NÃO LEVA BÔNUS PROFESSOR QUE NÃO DEU NENHUMA AULA” ( Agora, 14,03.09 )
Não sou professor, não conheço funcionários públicos e, portanto, não domino a questão, mas das duas uma: se um professor não deu nenhuma aula, ele não deveria ser exonerado? Ou talvez haja professores que não tenham, exatamente, entre as suas atribuições, a de dar aulas. Tipo, fica destacado para atender na secretaria da escola. Mas no caso último, “não dar aula” não recebe a conotação negativa que teria, se estivéssemos falando de “professores faltosos”, coisa que o imprensalão golpista e tucano costuma explorar à exaustão.
Bom, leiam estes trechos: “( … ) Estado vai pagar adicional também a funcionário com grande número de faltas e que trabalha em escola com desempenho abaixo da meta oficial ( … )”.
ORA ESSA! Do jeito que o jornal botou aí, fica parecendo que o Serra vai rasgar dinheiro! É tão pueril essa “informação”. Você pode pegar e entender como uma denúncia [ o que, de fato , não é ]: “Prefeito petista gasta dinheiro da educação com professores sindicalizados e muito faltosos”; só que o tom é outro: “Apesar das reclamações dos sindicatos corporativistas de professores nota-zero e das viúvas do comunista Paulo Freire, governo Serra do PSDB paga bônus até para professor que falta muito, de propósito e que inventa problemas de saúde só para não comparecer à labuta”.
POR**RA! Isso é esquizofrênico. Se o cara não merece receber, não deveria receber. Desde quando a Secretaria de Educação e o governo estadual passaram a premiar faltosos e o mau desempenho e, ainda por cima, divulgar isso abertamente e jactar-se disso? Se fizer isso, merece impeachment, não?
Outra linha: “( .. ) Um professor que ganha R$ 1600 por exemplo, e apareceu para dar só 10% das aulas numa escola que cumpriu 10% da meta estadual, receberá R$ 38,40 a mais ( … )”.
[ Desabafo: Já são 3 da manhã, e nem penso direito, mas quero terminar, já que este computador é emprestado.]
Um professor que ganha “mil e seiscentos” só recebe isso CONSIDERANDO AS GRATIFICAÇÕES! Nenhum professor recebe $1.600 de salário! Não acho que exista “bônus sobre bônus”. Se recebeu, é porque não faltou, e deu aulas em mais de uma escola. Assim, é forçoso imaginar que não há “amor pela educação” que resista a tanta correria e deslocamento e que, tão óbvio isso, ele acabará faltando uma vez ou outra. Vou me informar melhor, mas parece que nem vale-transporte eles recebem.
Chega! Eu necessito de mais informações mas já esbarro em minhas limitações intelectuais e materiais. Alé disso, já estou caindo de sono. A questão é que me incomoda ver esses leitores de jornais e palpiteiros de ocasião que se conformam com as matérias de jornais claramente comprometidos. Esses leitores engolem qualquer coisa e saem por aí repetindo sem se dar ao trabalho de tentar entender minimamente o problema que surge. E só palpitam sobre as coisas que os jornais determinam. Alguém têm visto ou lido alguma coisa a respeito dos grandiosos escândalos de corrupção que surgem na Secretaria de Segurança do Serra? Pensei que a população tivesse muita preocupação com relação à segurança pública, mas não tenho visto ninguém se queixar. É como se não estivesse acontecendo nada. Ou perderam o medo.

Jornal popular publicado pela Folha, Agora mostra manchetes exultando os "FABULOSOS bônus dos professores" de SP por quase 1 semana! Sob encomenda??

Geralmente as discussões acerca do comportamento do PIG focam os grandes jornais e revistas. As últimas foram sobre a “ditabranda” ( ou a “caradura”? ) da Folha e a “fantástica fábrica de grampos” do dr. Protógenes, como “denunciou” a vEJA.
Quando digo “as discussões”, me refiro à chamada “blogosfera”.
Mas eu, pessoalmente, acho um pecado ignorar os jornais menores, ou aqueles produzidos pelas grandes empresas jornalísticas para o consumo popular. Ou nem tanto.
Até onde eu sei, o jornal que mais é vendido nas bancas de São Paulo é o “Agora SP”, do grupo Folha. Mesmo que a tiragem do jornalão passe do milhão ( eu ignoro quais são os números ), creio que a leitura se dá em todo o território nacional.
Já o Agora deve ter apenas, acredito eu, um alcance local. O custo é de um real e cincoenta centavos. Muitas das notícias são resumos condensados e mutilados de matérias já publicadas na Folha. Se também não estou enganado, os compradores habituais deste jornalzinho são os aposentados ( geralmente as matérias sobre a Seguridade Social, aposentadoria, INSS, contribuições etc dão a pauta ); também os taxistas – que antes preferiam o finado Diário Popular -, os motoboys, vigilantes. Enfim, a peãozada em geral, que prefere a abordagem informal e o preço em conta. Embora o preço dos concorrentes Diário de São Paulo e Jornal da Tarde seja o mesmo do Agora, meu consultor do mercado de publicações – vulgo “jornaleiro” – me garante que o Agora faz esses dois comerem poeira. Esse consultor me informou que vende, em média diária, 12 Agoras para cada 5 JT , 4 DSP , 5 Estados e 2 Folhas vendidos. Em resumo: o Agora vende mais que a Folha e o Estado. Chega em mais lares e pessoas. E eleitores.
Isso explica, pelo menos para mim, o porquê nesta semana, quase inteira, termos sido contemplados com capas e manchetes do Agora, exultando, de forma triunfante, o supostamente nababesco “BÔNUS DA EDUCAÇÃO PARA OS PROFESSORES DO ESTADO DE SÃO PAULO”. Aliás, que eu saiba, nenhum jornal tratou tanto de um assunto tão delicado e controverso como o bravo Agora. Chega a ser intigante, não?
Uma conhecida me chamou a atenção: “Você viu aquele jornal, o Agora? Vê lá… É sobre o fabuloso bônus do professor!! Vai dar 8 mil…”. Diante dessa informação, fui filar um jornalzinho.
Que vergonha!! Do jeito que está lá, parece que cada professor da rede estadual de São Paulo ( é, aqueles “nota zero”… ) recebe um soldo generoso do governo Serra, mas não devolve a gentileza.
Olha só que lástima de manipulação essa daqui:
“BÔNUS DO ESTADO DEVE PAGAR ATÉ R$ 8.700 AOS PROFESSORES
VALOR MÁXIMO É PARA DIRIGENTE REGIONAL QUE NÃO TEVE FALTAS EM 2008.
PARA PROFESSOR EM INÍCIO DE CARREIRA, A GRANA PODE CHEGAR A R$ 3.770.
A Secretaria de Estado da Educação pagará o bônus aos servidores até o próximo dia 30. O cálculo do bônus é uma relação do número de resultados do Idesp ( … ), um plano de metas que cada escola tem de cumprir. Por exemplo, um dirigente regional – o cargo mais alto da carreira – que não faltou durante o ano letivo e cuja escola ultrapassou em pelo menos 20% a meta fixada pelo governo pode receber cerca de R$ 8.700. Já um professor em início de carreira com as mesmas condições deve ganhar até R$ 3.770. Se uma escola atingir a meta, seus profissionais – desde que tenham 100% de presença – terão o bônus integral. Neste caso, considerando as gratificações, o servidor receberá 2,4 salários.” ( Agora, 13.03.09 )
Alguns dos resultados dessa política de cenoura-bonificadora não estão comentados aqui: para não perder o bônus, um professor que já dá aulas em duas ou três escolas ( outra coisa que não foi, é e nem será sublinhada jamais ) comparece ao trabalho mesmo doente, pois as faltas são implacavelmente contabilizadas. Vejam mais: um professor em “início de carreira”, afirma o jornal, pode receber até R$ 3 mil e setecentos. Isso equivale a sugerir – ou induzir as pessoas a concluir isso, mas não afirmar claramente – que um professor já “macaco velho” na rede de ensino deve ganhar muito mais. O máximo que um servidor consegue, lembrem, é oito paus. Só que não é qualquer servidor, mas sim, o tal do dirigente regional. Olha a má fé da manchete: “bônus pagará “X” AOS PROFESSORES”. MENTIRA PURA. Para causar a impressão de que “os professores” chegam a receber, caso se esforcem [ não faltem, não adoeçam, não sejam espancados por alunos ] , os tais 8 mil. Esse valor não é para os docentes. Logo, “alguns servidores da Educação EXCETO, justamente, os professores” receberão 8 barão de bônus-cenoura”.
A falta, nessa notícia, de mais dados a respeito da carreira dos docentes nos leva a concluir pela opulência salarial deles. Isso não explica, porém, o porquê de vários, senão a maioria, insistir em lecionar em dois ou mais colégios.
E essa aqui:
“SÓ NÃO LEVA BÔNUS PROFESSOR QUE NÃO DEU NENHUMA AULA” ( Agora, 14,03.09 )
Não sou professor, não conheço funcionários públicos e, portanto, não domino a questão, mas das duas uma: se um professor não deu nenhuma aula, ele não deveria ser exonerado? Ou talvez haja professores que não tenham, exatamente, entre as suas atribuições, a de dar aulas. Tipo, fica destacado para atender na secretaria da escola. Mas no caso último, “não dar aula” não recebe a conotação negativa que teria, se estivéssemos falando de “professores faltosos”, coisa que o imprensalão golpista e tucano costuma explorar à exaustão.
Bom, leiam estes trechos: “( … ) Estado vai pagar adicional também a funcionário com grande número de faltas e que trabalha em escola com desempenho abaixo da meta oficial ( … )”.
ORA ESSA! Do jeito que o jornal botou aí, fica parecendo que o Serra vai rasgar dinheiro! É tão pueril essa “informação”. Você pode pegar e entender como uma denúncia [ o que, de fato , não é ]: “Prefeito petista gasta dinheiro da educação com professores sindicalizados e muito faltosos”; só que o tom é outro: “Apesar das reclamações dos sindicatos corporativistas de professores nota-zero e das viúvas do comunista Paulo Freire, governo Serra do PSDB paga bônus até para professor que falta muito, de propósito e que inventa problemas de saúde só para não comparecer à labuta”.
POR**RA! Isso é esquizofrênico. Se o cara não merece receber, não deveria receber. Desde quando a Secretaria de Educação e o governo estadual passaram a premiar faltosos e o mau desempenho e, ainda por cima, divulgar isso abertamente e jactar-se disso? Se fizer isso, merece impeachment, não?
Outra linha: “( .. ) Um professor que ganha R$ 1600 por exemplo, e apareceu para dar só 10% das aulas numa escola que cumpriu 10% da meta estadual, receberá R$ 38,40 a mais ( … )”.
[ Desabafo: Já são 3 da manhã, e nem penso direito, mas quero terminar, já que este computador é emprestado.]
Um professor que ganha “mil e seiscentos” só recebe isso CONSIDERANDO AS GRATIFICAÇÕES! Nenhum professor recebe $1.600 de salário! Não acho que exista “bônus sobre bônus”. Se recebeu, é porque não faltou, e deu aulas em mais de uma escola. Assim, é forçoso imaginar que não há “amor pela educação” que resista a tanta correria e deslocamento e que, tão óbvio isso, ele acabará faltando uma vez ou outra. Vou me informar melhor, mas parece que nem vale-transporte eles recebem.
Chega! Eu necessito de mais informações mas já esbarro em minhas limitações intelectuais e materiais. Alé disso, já estou caindo de sono. A questão é que me incomoda ver esses leitores de jornais e palpiteiros de ocasião que se conformam com as matérias de jornais claramente comprometidos. Esses leitores engolem qualquer coisa e saem por aí repetindo sem se dar ao trabalho de tentar entender minimamente o problema que surge. E só palpitam sobre as coisas que os jornais determinam. Alguém têm visto ou lido alguma coisa a respeito dos grandiosos escândalos de corrupção que surgem na Secretaria de Segurança do Serra? Pensei que a população tivesse muita preocupação com relação à segurança pública, mas não tenho visto ninguém se queixar. É como se não estivesse acontecendo nada. Ou perderam o medo.
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