Militantes peemedebistas e de partidos aliados reúnem-se nesta quarta-feira (23), ao meio-dia, na sede do Diretório Estadual do PMDB para assinar um manifesto contra a censura. O Diretório fica na avenida Vicente Machado, 988, no Batel.
Manifesto contra a censura
A sociedade brasileira e paranaense representada pelas organizações e cidadãos abaixo-assinados repudia veementemente a censura ao governador Roberto Requião e à TV Educativa.
A decisão do desembargador federal Edgard Lippmann Júnior de proibir que o governador exponha suas opiniões na emissora atinge o direito de expressão e também o direito de todos à informação.
A proibição é explícita em relação à reunião semanal do governador com secretários e diretores o que impede os cidadãos de tomar conhecimento de fatos relativos à administração do Paraná.
O despacho também é claro ao proibir o governador de fazer críticas à imprensa, instituições e adversários políticos. Mais um vez o prejuízo é do cidadão no seu direito de conhecer todas as visões e versões para poder tirar suas próprias conclusões.
Numa sociedade democrática que aspiramos e num Estado de Direito como o que está instituído no Brasil, as pessoas têm todos os instrumentos jurídicos para repararem eventuais danos a suas imagens. Mais ainda, instituições e adversários políticos têm todos os meios à disposição para manifestar opiniões e informações divergentes do governador.
O retorno da censura é inadmissível e contra ele a sociedade civil deve estar atenta, inclusive contra suas manifestações mais sutis e com aparência de legalidade.
Assinam presidentes de diversos partidos, de diretórios municipais do PMDB, deputados, prefeitos, vereadores, entre outros.
LEIA MAIS:
CONVOCAÇÃO
O PMDB e partidos aliados de Curitiba e Região Metropolitina convidam a comunidade para um ato nesta quarta-feira (23), ao meio-dia, na sede do Diretório Estadual para manifestar repúdio à volta da censura representada na proibição ao governador Roberto Requião em expor suas opiniões na TV Educativa.
Na ocasião, os presentes poderão assinar um manifesto contra a censura que será encaminhado a todos os municípios do Paraná, começando pela Região Metropolitana.
Sua presença é de fundamental importância.
Diretório Estadual do PMDB do Paraná
Av. Vicente Machado, 988 – Batel
(41) 3322-7111
SOB CENSURA, PARANÁ EDUCATIVA SAI DO AR; REQUIÃO SUSPENDE ESCOLA DE GOVERNO
Sob censura prévia imposta por decisão judicial solicitada pelo Ministério Público, a TV Paraná Educativa tira do ar sua programação normal nesta terça-feira. Em protesto, o governador Roberto Requião suspendeu a reunião desta terça-feira ( 22 ) da Escola de Governo. “Na reunião de hoje falariam o ( secretário da Justiça ) desembargador Jair Ramos Braga, ( o secretário de Obras Públicas ) Júlio Araújo, mostrando o programa de obras do Estado para 2008, e o presidente da Cohapar, Rafael Greca, sobre os investimentos em moradia este ano. Mas com censura, não. Está desmobilizada este reunião, e sai do ar a TV Paraná Educativa”, disse Requião, no início do encontro realizado no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Após o fim de reunião, por volta das 9 horas, a Paraná Educativa exibiu por alguns minutos o auditório vazio, fruto da decisão de Lippmann. Pouco depois, saiu do ar. Durante todo o dia, a emissora transmite a cada 15 minutos nota da Associação dos Juízes Federais do Brasil ( Ajufe ) em desagravo ao desembargador Edgar Lippmann Júnior, autor da censura. A transmissão obrigatória da nota é uma determinação do próprio Lippmann. Após a nota, a Paraná Educativa leva ao ar pronunciamentos de Requião e do presidente da Associação Brasileira de Imprensa ( ABI ), Maurício Azêdo, que repudia o “teor draconiano” da “medida inconstitucional” que estabelece censura prévia no Paraná.
“A programação da Paraná Educativa está inviabilizada hoje por uma ordem judicial que determina que, a cada 15 minutos, seja colocada no ar uma manifestação da Associação dos Juízes Federais do Brasil. A emissora irá cumprir essa determinação e, além disso, levará ao ar a resposta do governador a esta manifestação e a proclamação do presidente da Associação Brasileira de Imprensa sobre a censura prévia”, explicou Requião.
GOVERNADOR ROBERTO REQUIÃO RECEBE APOIO DA POPULAÇÃO CONTRA CENSURA PRÉVIA Mensagens de pessoas de todo o Estado chegam diariamente contra a decisão do desembargador Edgard Lippmann Júnior que proíbe o governador Roberto Requião de emitir críticas e opiniões na Rádio e TV Paraná Educativa.
“Estou me sentindo também cerceado e censurado, pois voto em Requião, como a maioria que o elegeu, para nos representar e combater a corrupção. Quero que o senhor desembargador devolva o meu sagrado direito de falar e, principalmente, de combater a corrupção em nosso País, através do senhor, a quem autorizei na urna e agora renovo esta autorização”, afirmou Rich Nei Moreira de Souza, de Curitiba.
“Estou perplexo diante de tamanha censura. O que estão fazendo é meramente político, uma perseguição, com o objetivo de desestabilizar o Governo, justamente a 10 meses das eleições de 2008. Governador, não entre nesta armadilha para prejudicarem o excelente Governo que se concretiza como o mais popular de todos os tempos. Eles querem barrar a sua candidatura para presidente num futuro próximo”, falou Luiz Celso Galino Cassi, de Curitiba.
“Esta multa, creio, é algo que não possui fundamento jurídico. Muitos órgãos de imprensa se queixam de liberdade de imprensa, mas, com grande incoerência, apóiam a que foi feita agora contra o senhor”, disse o professor Luciano Aparecido Demazzi, de Aripuana (MT).“Sua postura foi de coragem contra a intransigência do Ministério Público Federal e do Poder Judiciário. Vamos dizer um grande basta aos desmandos, ao velho patrimonismo colonialista destes poderes”, afirmou Vladimir L. de Oliveira.
“Embora conheça pessoalmente o desembargador e o queira bem, eu, que confesso não ter votado no senhor, venho lhe dar o apoio com relação a Escola de Governo da forma como ela vinha sendo apresentada. Gosto de sua administração e sua postura forte frente ao nosso estado. Gostaria de poder vê-lo novamente frente à TV Educativa sem a censura que realmente foi imposta. Votaria no senhor se a eleição fosse hoje, nos dois turnos”, disse Grazielle Pelaquim, de São José dos Pinhais.
“Um canal que é usado para divulgar o Paraná, como a TV Educativa, que mostra coisas que realmente acrescentam para nossa juventude é duramente censurado. Obviamente que Requião tem que usar este canal para divulgar o que é feito, pois os outros canais não permitem isso. Não sei como falar sobre democracia e liberdade de expressão. Os magistrados acham que um governador falar o que pensa é pior do que um programa mostrar cenas de bebida e sexualidade, como o BBB8. Onde essas pessoas que se importam tanto com o que pode e o que não pode na TV está quando vemos tanta coisa que afeta realmente nossa família? A Escola de Governo é um programa que presta contas ao povo, o que poucos políticos são capazes de fazer no Brasil. Será que os valores mudaram e hoje o que era certo ficou errado? Tenho absoluta certeza que isso reverterá e o governador mais uma vez dará a volta por cima”, disse a professora Sandra Cecília Martins, da cidade de Abatiá (PR).
“Parabenizo o senhor pelas atitudes tomadas, pela coragem, dedicação, força de vontade, sinceridade e, acima de tudo, transparência na trajetória de Governo. Desejo ao senhor sucesso e que continue sempre assim, que com certeza terá o meu apoio e de todos que têm conhecimento do que é uma boa administração”, afirmou Cláudio Savian, de Cascavel (PR).
“Estou indignado com esta censura prévia. O pensamento é livre, pode-se concordar ou descordar, mas sempre deve se respeitar o direito de se manifestar. Governador, não deixe de se manifestar contra os canalhas do Paraná”, Marcos Antonio Jacinto, de Paranaguá (PR).
SIMON DESTACA IMPORTÂNCIA DA TRANSMISSÃO DA ESCOLA DE GOVERNO
A Escola de Governo, experiência administrativa pioneira implementada pelo governo do Paraná, despertou o entusiasmo e a admiração do senador Pedro Simon (PMDB-RS). “Trata-se de uma iniciativa fantástica, que promove a cidadania e confere rapidez às decisões administrativas do governo, se constituindo num exemplo para todo o Brasil”, afirmou o senador e ex-governador do Rio Grande do Sul.
Pedro Simon conta que participou de um encontro da Escola de Governo e pode ver de perto a capacidade de aglutinação e de unidade na ação que ela proporciona. “Pude acompanhar uma reunião sobre o problema da infância e dos menores infratores. Estavam ali representantes de todos os setores da sociedade, quando se decidiu substituir o tradicional sistema Febem por instituições mais modernas e civilizadas, capazes, realmente, de recuperar esses menores para o convívio social”, disse o senador.
Boicote
Uma coisa, porém, chamou a atenção de Simon, quando esteve em Curitiba para observar o funcionamento da Escola de Governo. “No dia seguinte, não vi nenhuma notícia na imprensa local sobre o assunto, apesar da importância da iniciativa. Isso me chamou a atenção”. O mesmo aconteceu, segundo o senador, com outra realização do governo do Paraná, o festival promovido pela Escola Sulamericana de Cinema e TV, criada pelo governo paranaense.
Nesse cenário, Simon considera importante que o governo eleito pelos paranaenses possa contar com um veículo de comunicação próprio para divulgar as ações de governo.
“O governador Requião é um dos políticos mais competentes que conheço. Ele é um apaixonado por tudo o que faz e, suas iniciativas no governo do Paraná, chamam a atenção de todo o Brasil, despertando a admiração de todos quantos conhecem sua administração revolucionária e corajosa”, acrescentou o senador.
Simon destacou a solidariedade recebida por Requião, por parte da intelectualidade paranaense e nacional, além dos movimentos sociais de todo o país, diante da ação movida pelo Ministério Público Federal, que, na opinião do senador gaúcho, “está agindo com dureza extrema”. Tanto é assim, que uma juíza federal negou o pedido do MPF de censura prévia às manifestações do governador.
Requião espera “afirmação definitiva do direito de opinião no Brasil”
22/01/2008
“Estamos num momento de regressão da democracia ou o resultado disso será uma afirmação definitiva do direito de opinião no Brasil?”, questionou o governador Roberto Requião nesta terça-feira (22), em entrevista à imprensa concedida logo após o encerramento da reunião semanal da Escola de Governo, no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
“Não é possível que uma reunião de governo seja realizada sob censura”, disse Requião, ao justificar o cancelamento do evento, em protesto contra decisão do desembargador Edgar Lippmann Júnior que, na prática, estabelece censura prévia no Paraná. Lippmann, desembargador do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, é autor da decisão judicial que proíbe a TV Paraná Educativa de veicular opiniões do governador em seus programas, atendendo a pedido da procuradora Antônia Lélia Sanchezeu, do Ministério Público Federal.
“Este é um momento muito interessante da história da democracia no Brasil. Chamo a atenção de todos os brasileiros democratas para que acompanhem os capítulos seguintes. Qual será a posição definitiva do Poder Judiciário? Como se manifestarão os partidos, o Congresso Nacional, a Assembléia Legislativa do Paraná?”, cobrou o governador.
Para Requião, a censura não reflete a posição do Poder Judiciário nem do Ministério Público Federal. “Não é uma medida do Ministério Público nem do Judiciário, mas de uma procuradora e de um juiz. Muitos juízes isoladamente que manifestaram solidariedade a mim consideram a medida rigirosamente absurda”, afirmou. “Espero que o Judiciário resolva isso ou o Brasil terá capitulado à censura”, falou o governador.
“Nada justifica a conivência com a censura”, dizem secretários de Estado em nota oficial
22/01/2008
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira ( 22 ), os secretários de Estado e diretores de empresas públicas reforçaram o apoio ao governador Roberto Requião no combate à censura prévia imposta à Rádio e TV Paraná Educativa. Durante encontro com o governador, no Palácio das Araucárias, eles condenaram a decisão do desembargador Edgard Lippmann Júnior que proíbe Requião de emitir opiniões nas emissoras. “Nada justifica a conivência com a censura, assim como, sob qualquer pretexto, não se justificam novas agressões ao governador”, diz a nota. Requião comentou com os secretários o grande número de e-mails que está recebendo diariamente protestando contra a decisão judicial. O governador ressaltou ainda a importância da mobilização da sociedade em favor da liberdade de expressão.
Na nota, os secretários ressaltam que “não se trata de uma causa do Governador e sim de todo o cidadão com vergonha na cara e defensor das liberdades democráticas”. “Lamentamos profundamente que parte da imprensa e alguns políticos paranaenses estejam sendo coniventes com este atentado e complacentes com as medidas arbitrárias do Juiz Lippmann. Como na poesia de Maiakowiski, viram o rosto de lado e fazem de conta que nada têm a ver com isso, quando não, sentem satisfação pela censura imposta, sem perceber que amanhã eles poderão ser atingidos”, completam.
Durante o encontro, o secretário da Casa Civil, Rafael Iatauro, reforçou a solidariedade a Requião e ressaltou a unidade da equipe de trabalho do Governo, que não mede esforços para cumprir as metas do governador neste segundo mandato.
Leia abaixo a íntegra da nota oficial.
“Os secretários de Estado e os dirigentes de empresas públicas paranaenses reafirmam, mais uma vez, absoluta e irrestrita solidariedade ao governador Roberto Requião, novamente cerceado em seu direito de se manifestar. A censura imposta e reiterada pelo juiz Lippmann, além de absolutamente inconstitucional, reveste-se de uma violência raramente vista em nosso país, a não ser nos tristes e sombrios anos do arbítrio. Na verdade, não se atenta contra o governador, pessoalmente. É a própria democracia e o Estado de Direito que estão sendo agredidos.Em uma escalada cujo desfecho é imprevisível, o juiz Lippmann demonstra que perdeu a imparcialidade sobre o processo que vem comandando. Primeiro, censurou previamente a palavra do governador na televisão. Depois, puniu-o com uma absurda multa de 50 mil reais, por suposta violação à censura imposta. Na seqüência, sem nenhum respaldo legal, de ofício, determinou que a Paraná Educativa exibisse, de l5 em l5 minutos, uma agressiva nota da Associação Nacional dos Juízes Federais, uma entidade privada que não é parte do processo. Por fim, radicaliza ainda mais e chega ao ponto de proibir uma rede privada de televisão de retransmitir a Escola de Governo. Nessa toada não sabemos onde o Juiz Lippmann quer chegar.
Nossa solidariedade ao Governador Roberto Requião e a nossa mais absoluta confiança nele não se dá apenas por causa deste triste episódio. E sim porque Roberto Requião é um dos mais íntegros políticos deste país e realiza o melhor governo da história do Paraná.
Lamentamos profundamente que parte da imprensa e alguns políticos paranaenses estejam sendo coniventes com este atentado e complacentes com as medidas arbitrárias do Juiz Lippmann. Como na poesia de Maiakowiski, viram o rosto de lado e fazem de conta que nada têm a ver com isso, quando não sentem satisfação pela censura imposta, sem perceber que amanhã eles poderão ser atingidos.
Nada justifica a conivência com a censura, assim como, sob qualquer pretexto, não se justificam novas agressões ao governador. Não se desrespeita assim um homem público como Roberto Requião. Um homem público que, pela vontade dos paranaenses, foi, sucessivamente deputado, prefeito de Curitiba, senador e é governador pela terceira vez.
Reagir é preciso.Não se trata de uma causa do Governador e sim de todo o cidadão com vergonha na cara e defensor das liberdades democráticas. Censura no Paraná, não.”
“Estou sendo censurado”, afirma Requião a Paulo Henrique Amorim
AEN
21/01/2008
Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, o governador Roberto Requião protesta contra a censura prévia imposta na TV Paraná Educativa por decisão judicial solicitada pelo Ministério Público Federal. A conversa é o principal destaque do portal eletrônico de Amorim (conversa-afiada.ig.com.br), sob o título “Requião exclusivo: ‘Estou sendo censurado’”.
Leia a seguir a íntegra da entrevista.
Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar agora com Roberto Requião, governador do Paraná. Governador, bom dia, o senhor vai bem?
Roberto Requião – Tudo mais ou menos bem, não fosse a censura imposta ao governo do Paraná.
Paulo Henrique Amorim – Que tipo de censura o senhor sofre?
Roberto Requião – Paulo Henrique, desde o primeiro dia do meu governo tenho, às terças-feiras, uma reunião com o primeiro, o segundo e o terceiro escalão, que eu chamo de Escola de Governo. Essa reunião faz parte de uma série de outras reuniões que oferece cursos de graduação e de pós-graduação aos funcionários públicos e informação entre secretarias. Essa reunião é televisada pela Paraná Educativa, que é uma rádio e televisão poderosa, trabalha com o satélite B4 hoje e ela tem um sinal que vai da Patagônia até o Canadá, cobre o Brasil inteiro, e aqui no Paraná tem uma série de antenas locais também, então é parabólica e antenas locais. E nessa reunião eu tenho combatido a corrupção, denunciado fatos que agridem o governo do Estado, travado batalhas em favor do interesse público e vencido muitas delas. Hoje, por exemplo, a nossa companhia de energia elétrica, a Copel, é a companhia que teve o maior lucro no Brasil, R$1,4 bilhões depois do imposto de renda, em razão de seu porte evidentemente, a nossa companhia de saneamento também enfrenta um processo que levou à privatização e investe pesadamente na saúde pública do Estado do Paraná. E nós denunciamos, no início do governo, utilização de créditos fiscais inexistentes contra a Copel, contra o erário. E tudo isso vem sendo resolvido a partir dessas denuncias e, ao mesmo tempo, as secretarias de Estado informam as outras secretarias e ao público de uma forma geral, aos paranaenses e aos brasileiros, o que é que nós estamos fazendo. Por exemplo, aqui no Paraná nós reduzimos os juros do empréstimo consignado, num prazo de até seis meses, a 0,95%, estamos trabalhando com cooperativas de crédito. E todas essas medidas são anunciadas através da Paraná Educativa. Temos uma pendência com o banco Itaú, que tem nos cobrado precatórios que nós não devemos, originados numa negociata na venda do Banestado, isso tudo é levantado na Paraná Educativa. Agora, num determinado momento, eu resolvi fazer algumas comparações de salários, me impressionava muito a situação do Rio Grande do Sul, que tem uma folha, Paulo Henrique, que é 116% da receita, em função da explosão dos salários do Ministério Público e do Judiciário. A partir desse momento, uma procuradora da Republica entra com uma ação pedindo a censura prévia a todas as minhas declarações que expressassem críticas à imprensa ( imagina, eu sou criticado pela imprensa brasileira inteira, sou um governador nacionalista e faço um governo de esquerda ), às instituições e às pessoas, com multa de R$ 50 mil e R$ 200 mil na reincidência. Bom, esse pedido foi fulminado por uma juíza Federal de primeira instância que garantiu a liberdade de opinião e de expressão. Mas depois, através de um agravo, foi concedido pelo juiz Lippmann da Justiça Federal e eu estou impedido de falar sobre qualquer coisa.
Paulo Henrique Amorim – Especialmente na Paraná Educativa?
Roberto Requião – Na Paraná Educativa e nas rádios do Estado. Na última reunião da Escola de Governo, eu resolvi fazer o que fazia o Estadão de São Paulo na época da ditadura, dar uma receita. O Estadão dava receita de bolo ou reproduzia os Lusíadas. Eu dei uma receita de ovo frito. Recebi uma multa de R$ 50 mil, e sua excelência o juiz Federal determinou que a televisão Educativa, na próxima terça-feira, durante todo o dia, 24 horas, de 15 em 15 minutos, ponha no ar uma nota que a AJUFE, Associação dos Juízes Federais, redigiu em desagravo. De 15 em 15 minutos, ou seja, ele tira a televisão do ar, em todos os seus programas, inclusive aqueles programas em que a gente tem parceria com a TV Cultura de São Paulo. Então, eu estou sendo censurado, eu acho isso absolutamente incrível, me sinto numa situação Kafkiana.
Paulo Henrique Amorim – Agora, governador, além desse fato, existe no Paraná uma circunstancia muito especial, é que as organizações de Televisão e de jornal ligadas, de alguma maneira, a rede Globo, exercem sobre o senhor uma campanha implacável.
Roberto Requião – Ah sim, você vê que a Globo, antes que eu fosse intimado da decisão o juiz deu uma entrevista na Rede Globo. E a Rede Globo, antes de ontem à noite, dá uma nota dessa multa de R$ 50 mil em função do ovo frito, e atribui essa condenação ao fato de eu estar fazendo promoção pessoal. Eu não faço promoção pessoal, Paulo Henrique, quando eu exponho um assunto eu me exponho. Tem pessoas que vão concordar e tem pessoas que não vão concordar, mas eu cumpro o dever de informar ao cidadão paranaense e brasileiro o que acontece no Paraná. O andamento dos processos judiciais e tudo mais… a origem verdadeira disso tudo se deve, primeiro à minha postura no Governo do Estado. Eu sou um governador racionalista. No meu discurso de posse eu disse que governava com o lado esquerdo do peito, onde fica o coração, governava com solidariedade e segundo os princípios da carta dos bispos de Puebla, da opção preferencial pelos pobres, pelos empregos, pelas empresas que geram emprego. Aquele desenvolvimento real, que beneficia o brasileiro e melhora a condição de vida do nosso cidadão. Mas, além disso, o Governo que me antecedeu, que é o Governo do Jaime Lerner, gastou em dois períodos que ele se elegeu o equivalente hoje a R$ 1,5 bilhão. E eu resolvi no ano passado reduzir a zero a despesa de comunicação, porque eles estavam tão sôfregos para fazer voltar a generosidade estatal na mídia, que não tinha dinheiro razoável que pudesse contentá-los. Então, como eles me pressionavam para pagar além do que o Estado podia, eu resolvi liquidar de uma vez por todas a verba de comunicação, estabelecendo um exemplo para o país e me comunicar com a população através da Paraná Educativa e duas rádios que nós temos, uma AM e outra FM. Daí eu passei a ser o objeto do ódio dessa gente toda.
Paulo Henrique Amorim – E como o senhor descreveria a situação da mídia paranaense em relação ao seu Governo?
Roberto Requião – É absolutamente contrária. A mídia funciona lubrificada com dinheiro. Eu cortei os recursos e a mídia acabou, principalmente no que se refere aos grandes jornais, aos grandes meios de comunicação, às redes de rádios. Mas temos aí os heróicos pasquim do interior, as rádios independentes, de pequeno poder financeiro e alcance mesmo, mas que não se subordinam ao esquemão e se colocam numa posição muito clara, fazendo crítica quando acham que o Governo deve ser criticado e elogios, quando acham que deve ser elogiado.
Paulo Henrique Amorim – Agora, governador, uma última pergunta, o que o senhor vai fazer em relação a essa decisão da Justiça, o senhor está recorrendo?
Roberto Requião – Bom, para você ter uma idéia, essa multa de R$ 50 mil ocorreu sem que eu tivesse sido citado da decisão do juiz. E o juiz pretende colocar de 15 em 15 minutos um manifesto da Ajufe, que não é parte de processo nem nada disso. O que é uma exorbitância absoluta. Agora, Paulo Henrique, eu vou recorrer.