O engenheiro civil Mauro Fontoura continuará a responder por gestão fraudulenta no Banestado. A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal negou, nesta terça-feira (23/10), pedido de Habeas Corpus em que ele pedia o trancamento da denúncia. Os ministros consideraram que não há ilegalidade na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.
No pedido, o engenheiro alegou que a denúncia é genérica e imprecisa por não apontar como ele teria efetivamente contribuído para o cometimento do crime. Mauro Fontana é apontado como avalista de uma nota promissória que serviria de garantia para um empréstimo de US$ 1 milhão que teria sido concedido pelo Banestado para a empresa Redram Construtora de Obras, da qual o engenheiro era sócio.
Segundo a denúncia, o empréstimo era fraudulento e foi desviado pelo diretor de câmbio e operações internacionais do Banestado entre novembro de 1997 e janeiro de 1999, Gabriel Nunes Pires Neto, para a conta de um sócio de Mauro Fontana. Para a defesa do engenheiro, somente o diretor do Banestado teria o controle da situação e poderia ser acusado de gestão fraudulenta.
A 2ª Turma do Supremo rejeitou o pedido. Seguindo voto do relator, ministro Joaquim Barbosa, afirmou que o ato de avalizar a nota promissória, mesmo que tenha sido uma única vez, é ação que tem relevância para configurar o crime de gestão fraudulenta. No caso, Mauro Fontana teria sido avalista de um empréstimo irregular em prejuízo de uma instituição financeira.
outubro 23, 2007
Caso Banestado: Engenheiro civil deve responder por gestão fraudulenta
( OBS: Grifo meu )
23 de outubro de 2007
outubro 3, 2007
Escândalo na aviação. Ministro sabia?
Cúpula da EADS é acusada de uso de informação privilegiada
Crescem as especulações sobre atos ilícitos no conglomerado aeroespacial e armamentista EADS. Relatório da organização francesa AMF revela informações comprometedoras.
O organismo de controle do mercado financeiro na França (AMF) entregou à Procuradoria Geral nesta quarta-feira (03/10) um relatório provisório de suas recentes investigações. Segundo informantes da Justiça francesa, o documento cita uma venda de ações “simultânea e intensa” por parte de 21 executivos do consórcio aeronáutico EADS e de sua subsidiária Airbus, entre novembro de 2005 e março de 2006. Os dois grandes acionistas Lagardere e DaimlerChysler também foram mencionados no relatório, cuja divulgação contribuiu para uma inquietação visível nos mercados financeiros.
Informação tardia
O diário parisiense Le Figaro noticia que a AMF (Autoridade de Mercados Financeiros) acusa os altos executivos tanto da EADS quanto da DaimlerChrysler e da Lagardere de terem recorrido à informação privilegiada, para faturar milhões com a venda das ações da EADS, antes que os problemas de produção do Airbus A380 se tornassem públicos. O mercado, neste momento, não havia sido informado sobre a crise do A380.
O uso ilícito de informação privilegiada é punido com multas e pagamento de indenização por perdas e danos. Principalmente as ações da Lagardere despencaram após a divulgação do relatório. A direção da empresa anunciou que vai tomar medidas jurídicas contra “as acusações infundadas”. O presidente da EADS, Louis Gallois, afirmou que “confia na Justiça” e a Airbus se negou a comentar o assunto.
Ganho fácil
O que está por trás do escândalo é supervalorização das ações da EADS – que chegaram a atingir os 35 euros –, ocorrida no primeiro semestre de 2006, em função das expectativas em torno do Super Airbus A380. E a queda rápida das mesmas ações após a divulgação dos problemas com a produção da aeronave. Quando a questão veio à tona, no dia 14 de junho de 2006, as ações da EADS se desvalorizaram em quase 27% num único dia. Hoje, estão avaliadas abaixo de 22 euros. Antes da queda, a Lagardere e a DaimlerChrysler venderam suas ações. O mesmo aconteceu com vários executivos do alto escalão, que lucraram absurdamente com a venda das ações “na hora certa”. No início de julho, o então vice-presidente da EADS, Noel Forgeard, teve que deixar o cargo em função de problemas com o A380. A AMF deve dar início a um processo contra os acusados, por uso ilícito de informações em proveito próprio. Já em junho de 2005, o Conselho Administrativo da EADS havia informado a respeito de problemas na produção das aeronaves A350 e A380.
“A consciência a respeito das dificuldades levou os executivos e acionários da Airbus e da EADS a venderem suas ações”, resumem os investigadores da organização AMF. “Se os fatos forem realmente comprovados, eles são extremamente comprometedores para os acusados”, diz Jean-Pierre Jouyet, encarregado de assuntos europeus no Ministério francês do Exterior.
Ministro informado
Além da AMF, também a Procuradoria de Paris investiga o caso há quase um ano, informa o Le Figaro. Segundo o jornal, a AMF aponta que o então ministro francês das Finanças, Thierry Breton, sabia de tudo. Ao ser confrontado com a acusação, Breton afirma apenas que o Estado francês se posicionou de forma correta, não tendo vendido nenhuma ação da EADS ou da Airbus.
03/10/07

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