ENCALHE

outubro 26, 2007

Privatizada, Vale faz "investimentos" em paraíso fiscal ( Ou: "A mesma notícia com outro título" )

Companhias do Brasil “descobrem” a Suíça
Valor Online
26/10/07
A Companhia Vale do Rio Doce, Aracruz, Votorantim Celulose e Papel (VCP), Suzano, Coimex e Vicunha Têxtil têm algo em comum: ampliam as operações internacionais a partir de subsidiárias na Suíça, paraíso fiscal por excelência para companhias.
A sede européia da Vale, instalada num vilarejo próximo de Genebra e de vinhedos, planeja triplicar seu quadro de funcionários, de 40 para 150, em futuro próximo, no rastro da aquisição da canadense Inco, que reforçou sua liderança no mercado global de minérios e metais, informam fontes do setor.
Mais empresas brasileiras demonstram interesse em fechar acordos de investimentos com o governo suíço para montar a sede internacional ou centro de distribuição, segundo um advogado que acompanha esse tipo de operações.
A Suíça permite que empresas ditas de domicílio (dominadas do estrangeiro sem atividade comercial no país) paguem pouco ou quase nada de impostos estadual ou local sobre os lucros obtidos fora do território helvético. As empresas são taxadas basicamente sobre sua fraca atividade direta no mercado suíço.
Por razões fiscais, todas as exportações da Votorantim Celulose e Papel (VCP) – desde venda para os vizinhos na América do Sul como para o outro lado do mundo – passam em termos contábeis pelo escritório de Zug, o maior dos paraísos fiscais na Suíça.
A empresa faturou US$ 1,3 bilhão no ano passado, dos quais 46% vem do mercado externo. Significa que quase metade do faturamento circulou por sua subsidiária em Zug.
Também no setor de papel e celulose, Aracruz e Suzano são quase vizinhas na cidade de Nyon, a dez minutos de Genebra.
A Coimex preferiu Genebra, um dos centros mundiais no financiamento de matérias-primas. A empresa capixaba diz ter instalado aqui a primeira trading brasileira no exterior para operacionalizar a comercialização de açúcar no mercado internacional como destinação final. Além de centralizar a venda internacional de etanol, a Coimex Suisse faz operações estruturadas de “trade finance”.
A Vicunha Europa transferiu sua sede da Bélgica para Gland, a trinta minutos de Genebra. É a única das empresas que fala abertamente de sua instalação e de seus planos a partir da Suíça. Seu diretor, Thomas Dislich, diz que está “longe de trabalhar num paraíso fiscal”, porque a estrutura comercial é diferente. O principal atrativo da Suíça, para Thomas, é a localização central, a facilidade para ir em direção dos clientes em poucas horas.
A VCP antes estava na Bélgica. A Vale do Rio Doce também abandonou Bruxelas e informa que decidiu reunir na Suíça estruturas antes espalhadas por vários países, porque o país oferece melhores condições de infra-estrutura e localização. A empresa recusa, porém, comentar as informações da expansão em Saint Prex, nas proximidades de Genebra, perto de vinhedos.
“O acordo de investimentos feito entre a Vale e o governo Suíço para a instalação da CVRD International está seguindo o cronograma normal”, diz um porta-voz da empresa. “‘Por respeito a confidencialidade com o governo, não podemos revelar os termos do acordo”, que inclui a expansão das operações.
As vésperas de uma grande reunião econômica entre os governos do Brasil e da Suíça, semana que vem em Berna, os comentários entre negociadores eram agora sobre fluxo de empresas brasileiras para o território suíço, e menos em direção do Brasil.
A questão é por quanto tempo as vantagens oferecidas pela Suíça a companhias estrangeiras serão mantidas, diante da batalha aberta pela União Européia, que denuncia vantagem competitiva desleal dada pelos cantões (estados) helvéticos.
Fontes suíças retrucam que a taxa de imposição no país é menos atrativa para as empresas estrangeiras do que na Irlanda, Luxemburgo e nos países do Leste, todos membros da própria UE. “Nosso sistema fiscal é a expressão do federalismo e resulta de uma escolha democrática”, diz o ministro suíço de finanças, Hans-Rudolf Merz.

outubro 6, 2007

Multinacional poderosíssima ( talvez tenha se tornado por causa disso ) paga milhões de dólares em suborno e é apanhada pela Justiça. Sairá na EXAME?

Siemens paga multa milionária por corrupção
Tribunal de Munique estabelece multa de 201 milhões de euros, a serem pagos pelo grupo Siemens como multa por casos de corrupção e suborno. Outras punições poderão vir ainda.
O preço pago pela Siemens pela existência de seu “caixa dois” no setor de comunicações será de 201 milhões de euros. A multa foi estabelecida pelo Tribunal de Munique na última quinta-feira (04/10), pondo fim a um processo movido contra a empresa. A Siemens aceitou o pagamento da multa e “assume sua responsabilidade. Não toleramos qualquer comportamento ilegal e repreendemos atos ilícitos com atitudes claras”, afirmou o atual presidente do grupo, Peter Löscher.
Cessam as investigações
Um escritório de advocacia continua, porém, investigando pagamentos suspeitos em outros setores do grupo. Ao mesmo tempo, a Procuradoria de Munique acusa um ex-executivo da Siemens de suborno, supostamente recebido nos últimos anos pela concessão de contratos lucrativos no exterior. Em função da suspeita de suborno, foram iniciadas investigações também na Suíça e nos EUA. Principalmente o organismo norte-americano de controle da bolsa de valores (SEC) ameaçou punir a empresa, cujas ações são comercializadas em Wall Street, pelas contravenções.
Acusação contra executivo
O procurador Christian Schmidt-Sommerfeld afirmou que as investigações da Justiça nos casos de corrupção envolvendo a Siemens estariam encerradas. O que não vale para acusações de atos ilícitos de executivos do grupo em particular, que, na rede dos escândalos, caíram na mira da Justiça. Um deles é Reinhard S., considerado uma das figuras-chave nos escândalos de corrupção envolvendo a empresa e provável responsável pelo gerenciamento do “caixa dois” do setor de comunicação nos últimos anos. O acusado deixou a direção do setor em 2004.
1,6 bilhão de suborno?
Segundo informações da própria Siemens, o fisco alemão registra pagamentos não deduzíveis em torno de 450 milhões de euros no setor de comunicação da empresa. Isso significa uma sonegação de impostos no valor de 179 milhões de euros, devidos pela Siemens além da multa a ser paga pelas irregularidades. As investigações da Procuradoria de Munique rastrearam apenas o setor de comunicações do grupo, enquanto o de telecomunicações se uniu numa joint venture com o grupo finlandês Nokia. O escritório de advocacia Debevoise e Plimpton continua investigando de forma independente a existência de casos de suborno e corrupção em outros setores do grupo.
Segundo o jornal Wall Street Journal Europe, o escritório comunicou recentemente ao Conselho de Administração da Siemens que na empresa foram feitos pagamentos irregulares em torno de 1,6 bilhão de euros. Um valor quatro vezes maior que os 420 milhões em pagamentos feitos pelo setor de comunicação.
Imagem arranhada
Os escândalos envolvendo corrupção na Siemens arranharam bastante a imagem do grupo no exterior nos últimos meses. Depois do ex-presidente e diretor do Conselho Administrativo Heinrich von Pierer, também seu sucessor Klaus Kleinfeld teve que deixar o cargo em função das suspeitas.
O austríaco Peter Löscher é o primeiro presidente que não vem diretamente dos quadros da empresa. Uma de suas primeiras ações foi criar um cargo na presidência voltado para o combate à corrupção.
DW
05/10/07

agosto 13, 2007

"Dava" emprego, pagava alta carga tributária e impostos sem haver contrapartida do Estado, mas não teve jeito!!!

Diretor de fábrica chinesa da Fisher-Price se suicida

PEQUIM (AFP) – O diretor da fábrica chinesa Lee Der Industrial, suspeita de ter produzido quase um milhão de brinquedos com tinta tóxica para a americana Fisher-Price, se suicidou no último sábado, informou nesta segunda-feira um jornal local.
Zhang Shuhong foi encontrado sem vida em um depósito da fábrica, informou o Southern Metropolis, citando um porta-voz da empresa.
A fábrica Lee Der Industrial, na província de Guangdong, fabricou recentemente os brinquedos retirados pela Fisher-Price ( grupo Mattel ) porque eram suspeitos de terem sido tingidos com uma pintura à base de chumbo, muito perigosa se ingerida.
O recall, que abrangeu 967.000 brinquedos, ganhou as primeiras páginas do mundo porque envolvia figuras muito populares como “Dora, a exploradora” e s personagem das série educativa infantil “Vila Sésamo”.
Na semana passada, as autoridades chinesas suspenderam as exportações da Lee Der, assim como de uma fábrica no sul, cujos brinquedos são suspeitos de ter o mesmo problema.
Segundo o jornal do Cantão, que cita funcionários, Zhang foi particularmente afetado pelo escândalo porque o provedor da pintura era amigo seu.
O homem, originário de Hong Kong, foi encontrado com marcas no pescoço, afirmou o jornal, sem dar mais detalhes sobre a morte.
13/08/2007

agosto 9, 2007

Capitalismo sem risco: Primo rico quer "reformas". Primo pobre sabe que vai sobrar para ele.

Os enfadonhos chavões das ‘Reformas’ Plutocratas
Rodrigo Gonçalves de Souza *
Adital

O que domina são os discursos plutocratas no Brasil, proferidos pelos “formadores de opinião”, em tom enfastiado, como se fossem Zaratustras ridicularizando a massa humana débil do alto da montanha. Daí, eles descem, e sem conseguir esconder um narcisismo sustentado pela aura de “reveladores do Logus”, vêm revelar aos brasileiros, especialmente esclarecendo a “classe esclarecida”, ou os “Hommer Simpsons” vidrados no Jornal Nacional, que o grande problema do país é que ele é um país pobre e enche seus pobres de regalias. E, em torno disso, giram os seus clichês. As “reformas” para “modernizar a economia”. Curiosíssimo isto, eles carregam o sotaque ao mencionar “reformas”, e se contêm no “modernizar”. É claro que a maioria não sabe do que está falando ao papaguear “moderno”, “modernizar” pra cá e pra lá… A Inglaterra do séc. XIX não era o símbolo da modernidade? “Tempo Modernos”? Ah, tudo o que é mais eficiente é moderno. Belo princípio. Os filtros de barro são mais modernos então que esses de plástico presos à parede. Bela lição.
Agora, pegamos uns pontos para se jogar luz na escuridão dos clichês.
A grande papagaiada sobre nosso “déficit”. Bem, dizem que ele está afugentando os investimentos, porque os investidores ficam crendo que o Estado não vai arcar com os compromissos para com eles. Daí, com toda veemência, entoam acerca do nosso déficit de 3%. Mas não lembram que o do Japão ano passado foi de 6%. Não se pode comentar, nem em nota de rodapé, que nosso déficit ainda é inferior à média dos países centrais e 0,5% inferior à média dos semiperiféricos (chamados emergentes), que sempre bem lembrado, têm crescido mais que nós. Pois bem, ninguém aqui faz apologia ao déficit. Mas, à custa de que vai se “sanar” essa chaga? Ah, bem, num país pobre que dá regalias demais aos pobres, o negócio é tirar essas regalias. Resolvemos nossos problemas.
O Brasil, pobre?
A décima economia mundial é pobre, não possui capital. Mesmo tendo um Produto Interno Bruto (PIB) trilhonário. De dois mil e cinco para dois mil e seis, o país dobrou de oito para dezesseis o número de bilionários, de acordo com a revista Forbes.
Já seu PIB per capita despenca para a 53ª posição no ranking. A relação entre o maior e o menor produto bruto per capita entre regiões é de 28,9 vezes. A fortuna dos cerca de 130 mil milionários brasileiros soma 573 mil milhões ( bi? ) de dólares, mais do que a metade do PIB. 90% dos brasileiros possuem pouco mais da metade da renda.
E inter-regiões? Na tão falada pobre região Nordeste, registra-se o maior consumo per capita de Johnny Walker Red Label no mundo; a maior venda da Mercedez-Benz na América Latina; a maior venda da H Stern no Brasil. Só que cerca de 50% dos indigentes brasileiros estão no Nordeste. E o percentual de pessoas, na região, ganhando até 1 salário mínimo é de 37,4%, o maior do país. Mesmo em São Paulo-capital, a cidade disparada com o maior PIB, um em cada 6 habitantes de São Paulo mora em uma favela. Na região Sudeste, de acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, o índice de Gini, em 1991, era de 0,59, e a intensidade da pobreza era de 42,8. Em 2000, o índice de Gini subiu para 0,61, e a intensidade da pobreza foi para 44,08.
No século XX, a riqueza total cresceu quase 12 vezes em relação à população. Dados do Instituto de Estudos sobre Desenvolvimento Industrial (Iedi) apontam que, em todo o século, o Brasil ficou em 2º lugar entre os países que mais cresceram no mundo, com a média de 4,5% ao ano, similar a da Coréia do Sul, ficando atrás apenas pela de Taiwan -5%, sendo que de 1900 a 1973, foi o país que mais cresceu no mundo – média de 4,9%. Contudo, em 1960, o rendimento recebido pelos 10% mais ricos era 34 vezes o obtido pelos 10% mais pobres; em 1991, proporção equivalera a 60 vezes e, em 2001, os 10% mais ricos ganhavam 47 vezes o recebido pelos 10% mais pobres. Já na virada para o século 21, o 1% no topo da pirâmide ganhava o equivalente aos 50% mais pobres. Já nas décadas de 80 e 90, época de estagnação econômica, o crescimento médio foi de apenas 2,4% ao ano.
Gostam de afirmar que possuímos carga tributária de “1º mundo (aí bobos da corte como o Antonio Machado, colunista do Estado de Minas, impinge à esquerda a caricatura de ‘retórica terceiromundista’.). Mentira!!!! Na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os impostos sobre o consumo representam 32,1%, em média; o imposto sobre a renda, 35,4%.
Nosso sistema tributário é inspirado ( e muitos tentam mesmo copiá-lo) em Cabo Verde, onde apenas o consumo familiar é tributado, e os lucros dos empresários são isentos. Aqui, os assalariados e classes C, D, E são responsáveis por 61% das receitas arrecadadas pela União – http://www.unafisco.org.br/estudos_tecnicos/2006/A9376.htm.
Os impostos sobre bens e serviços saltaram de saltando de 17,2% do PIB, em 1996, para 20,8%, em 2005. Dentre 1999 a 2005, os bancos recolheram de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre seus lucros apenas R$ 55,4 bilhões, enquanto os trabalhadores pagaram R$ 261,5 bilhões de Imposto de Renda, segundo estudos do UNAFISCO: 10 anos de Derrama: a Distribuição da Carga Tributária no Brasil http://www.unafisco.org.br/estudos_tecnicos/2007/10anos.pdf
O tributo sobre patrimônio não corresponde a 3,5% da arrecadação total. Os bancos possuem ainda isenção de imposto de renda da remessa de lucros e dividendos ao exterior.
As dívidas de empresas sonegadoras com o INSS são calculadas em 156 bilhões de reais pela Advocacia Geral da União. Mas, isso não é lembrado quando os “formadores de opinião” matracam a respeito do “déficit da previdência”
.
Também, no nosso “caos” do sistema público de saúde, que eles pretendem que deixe de ser público: segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar ( ANS ), os planos de saúde têm uma dívida vencida e não paga de R$ 252,9 milhões com o Sistema Único de Saúde (SUS), referente a atendimentos de seus clientes na rede pública. E de acordo com a última auditoria do Tribunal de Contas da União, o SUS conseguiu receber apenas 5,9% dos valores devidos pelas operadoras de planos de saúde privados por serviços prestados a seus clientes na rede pública, calcula auditoria recém-aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Pois é, “ineficiente”, mas é nele que os planos privados se sustentam. Na hora do aperto…
E tem o argumento da estagnação econômica estar aliada a mordomias do trabalhador ( ou seja, direito a ter direitos ) que sufocam nossa produtividade do trabalho? Durante a década de noventa, segundo a pesquisa industrial mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a produtividade do trabalho cresceu ao nível estupendo de 8,5 % ao ano!!!! O PIB mal cresceu a 2,5%!!!!! A população economicamente ativa cresceu a 2%, então o produto por homem apto a trabalhar ficou a 2%! Um estudo resultado de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ( IPEA ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ( PNUD ) revelou que apenas 27% dos pobres das regiões urbanas do Brasil conseguiram, por algum momento, escapar da pobreza entre 1993 e 2003. Os 73% restantes estancaram na pobreza crônica. O estudo considerou pobres os grupos cujos rendimentos ficaram abaixo de 60% da mediana da renda per capta domiciliar – valor que em 1997 foi de R$ 130 e, em 2003, de R$ 120.
E o que é incrível, é que essa falácia ainda assim tem sido a maior frente de ataque do exército plutocrata no Brasil!
Recentemente, o Banco do Brasil ( BB ) concedeu um volume de crédito de mais de 5 bilhões de reais para dez empresas transnacionais que controlam o agronegócio brasileiro ( Bunge, Cargill, Monsanto, Nestlé, Danone, Basf, ADM, Bayer, Sygenta e Novartis ) e mais três do ramo de celulose. Menos de 15 empresas receberam recursos equivalentes aos que foram avolumados para 4 milhões de agricultores familiares.
Capitalismo sem risco e os Donos do Poder: As dívidas anteriores a 1995 dos empresários ligados ao agronegócio, “o Brasil que dá certo”, somam 26 bilhões de reais. Elas haviam sido renegociadas em 1995, quando todos os devedores com dívidas 200 mil reais tiveram os prazos de pagamento alongados e taxas menores. Entraram no Programa Especial de Saneamento de Ativos (PESA). E em 1998, vencido o prazo para o início do pagamento, o governo autorizou mais dois anos de carência e novas taxas de juros. A inadimplência chegara ao índice de 90% em 2005. E agora, o governo vem com um novo pacote, prorrogando o prazo para as dívidas contraídas nas safras 2003/2004/,02004/2005, 2005/2006 com descontos de 15% para os grandes empresários.
Graduei-me ouvindo na sala de aula, da faculdade de agronomia, “ah, não tem essa história de justiça social não, tem que ter é capitalismo, o produtor ficando rico, produtividade, etc.”, referindo-se a questões da agricultura brasileira.
Pois bem, hoje estamos vendo o que os grandes fazendeiros querem: cancelamento de dívidas seculares ( por que não vão de trator até os EUA e organismos internacionais pedindo o cancelamento da dívida do Brasil? ), subsídios, preços mínimos e créditos, política cambial controlada e ajustada de acordo com seus interesses, etc.
Queremos capitalismo….. rsrsrs
E a artilharia demófoba dos “formadores de opinião” vai metralhando demofobia em nome das “reformas”…

(http://informadordeopiniao.blogspot.com)
* Engenheiro agrônomo, assessor técnico do Centro de Assessoria aos Movimentos Populares do Vale do Jequitinhonha – CAMPO VALE. Ponto Focal da ASA para a temática do Combate à Desertificação em Minas Gerais

OBS: Os grifos são do blog

julho 28, 2007

A seguir: Amenidades. Depois de desmascarados os golpistas que se aproveitavam da tragédia do avião da TAM…

Filed under: empresas e companhias, EUA, Henry Ford, nazismo, Segunda Guerra Mundial — Humberto @ 7:54 pm
Nazismo: a conexão norte-americana
Como se deu a intensa colaboração intelectual entre o nazismo e cientistas e personalidades dos EUA, nos anos 1920 e 30. Por que Hitler encantou-se com Henry Ford. Omitidos pela história oficial, fatos sugerem repensar as relações entre modernidade, homogenização e totalitarismo
Michael Löwy e Eleni Varikas
Certos autores, como Daniel Goldhagen, tentam explicar o nazismo como uma perversidade anti-semita exclusivamente alemã. Outros, como Ernst Nolte, com um espírito visivelmente apologético, falam de comportamento “asiático” ou de imitação dos bolcheviques. E, se o racismo e o anti-semitismo nazistas tinham origens ocidentais [1] e, até mesmo, filiações norte-americanas? Entre as leituras favoritas dos fundadores do Terceiro Reich encontra-se o livro de um personagem norte-americano bastante representativo: Henry Ford. Aliás, as doutrinas científicas e as práticas racistas políticas e jurídicas dos Estados Unidos tiveram um impacto não negligenciável sobre as correntes equivalentes na Alemanha.
Essa conexão norte-americana remonta, antes de tudo, à longa tradição da fabricação jurídica da raça — uma tradição que exerce grande fascínio sobre o movimente nazista desde suas origens. Realmente, por razões históricas ligadas, entre outras, à prática ininterrupta, durante séculos, da escravatura dos negros, os Estados Unidos representem, talvez, o único caso de uma metrópole que exerceu tão cedo, e no seu próprio território, uma classificação racista oficial como fundamento da cidadania. Isso se dá por meio das definições da “brancura” e da “negritude” que, apesar de sua instabilidade, perduram há três séculos e meio como categorias jurídicas, e também por políticas de imigração admiradas por Adolf Hitler desde os anos 1920. Ou ainda, por práticas de esterilização forçada praticadas em determinados Estados, várias décadas antes da ascensão do nazismo na Alemanha. A conexão norte-americana, embora não seja a única, oferece um terreno privilegiado para repensar as origens propriamente modernas do nazismo, e suas continuações inconfessas com determinadas práticas políticas das sociedades ocidentais (inclusive democráticas).
Denunciar o anti-semitismo e o genocídio judeu é, hoje, um dos importantes componentes da cultura política dominante nos Estados Unidos. Tanto melhor. Impera, em contrapartida, um silêncio incômodo sobre alianças, afinidades e conexões entre personagens importantes da elite econômica e científica dos Estados Unidos com a Alemanha nazista. Foi somente ao longo dos últimos anos que surgiram livros que abordam diretamente essas questões embaraçosas. Duas dessas obras merecem uma atenção particular: The Nazi Connection. Eugenics, American Racism and German National Socialism [
2], de Stefan Kühl, e The American Axis. Henry Ford, Charles Lindbergh and the Rise of the Third Reich [3], de Max Wallace. Stefan Kühl é um universitário alemão que fez pesquisas nos Estados Unidos e Max Wallace, um jornalista norte-americano estabelecido há muito tempo no Canadá.
Políticas de migração racistas e esterilização forçada nos EUA seduziram nazistas
“Atualmente, existe um país no qual podemos ver os primórdios de uma melhor concepção da cidadania”, escreveu Hitler em 1924. Ele se referia ao esforço dos Estados Unidos para manterem a “preponderância da raça nórdica” por meio de sua política relativa à imigração e à naturalização. O projeto de “higiene racial” desenvolvido em Mein Kampf tomava como modelo o Immigration Restriction Act (1924), que proibia a entrada nos Estados Unidos dos indivíduos portadores de doenças hereditárias, como também de migrantes provenientes da Europa do Sul e do Leste. Quando, em 1933, os nazistas instauraram seu programa para a “melhoria” da população, por meio da esterilização forçada e da regulamentação dos casamentos, eles se inspiraram abertamente nos Estados Unidos, onde vários Estados já aplicavam há décadas a esterilização dos “defeituosos”, uma prática sancionada pela Suprema Corte em 1927.
O estudo notável de Stefan Kühl rastreia essa sinistra filiação, pesquisando os estreitos laços que se tecem entre os eugenistas norte-americanos e os alemães, no período entre as duas guerras; as trocas de idéias científicas e de práticas jurídicas e médicas. Bem documentada e defendida com rigor, a tese principal do autor é: o apoio contínuo e sistemático dos eugenistas norte-americanos aos seus colegas alemães, até a entrada dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, e sua adesão à maioria das medidas da política racial nazista constituíram uma fonte importante de legitimação científica do Estado racista de Hitler.
Contrariamente a uma parte considerável da historiografia dominante, Kühl mostra que os eugenistas norte-americanos que se deixaram seduzir pela retórica nazista da limpeza racial não eram um punhado de extremistas ou de marginais, mas um grupo considerável de cientistas cujo entusiasmo não se atenuou quando a retórica nazista tornou-se realidade. O estudo das transformações dessas relações entre as duas comunidades científicas permite ao sociólogo e historiador alemão evidenciar a múltipla influência que os “progresssos” da eugenia norte-americana (notadamente a eficácia de uma política de imigração que “combinava a seleção étnica e eugenista”) exerceram sobre os adeptos da limpeza racial. Kühl também aponta o sucesso que obteve o movimento eugenista dos EUA ao conseguir que fossem adotadas as leis a favor da esterilização forçada.
Enquanto, na República de Weimar, os trabalhadores sociais e os responsáveis pela saúde pública preocupavam-se em reduzir os gastos com a proteção social, os especialistas em higiene racial estavam com os olhos voltados para as medidas de esterilização forçada, praticadas em diversos Estados da América do Norte para reduzir o custo com os “deficientes”. A referência aos Estados Unidos, primeiro país a institucionalizar a esterilização forçada, abunda em todas as teses médicas da época. Uma das explicações comumente utilizadas para interpretar esse status de vanguarda do qual gozava a eugenia norte-americana era a presença dos negros, que teria “obrigado, muito cedo, a população branca a recorrer a um programa sistemático de melhoria da raça”. Essa mesma explicação será apresentada mais tarde pelos apologetas norte-americanos do regime nazista, como o geneticista T. U. H. Ellinger, que comparava a perseguição dos judeus ao tratamento brutal dos negros nos Estados Unidos.
Até a II Guerra, eugenistas norte-americanos aplaudem e colaboram com Hitler
Com a ascensão do nazismo, os eugenistas norte-americanos, a exemplo de Joseph De Jarnette, membro do movimento de esterilização de Virgínia, descobrem, surpresos e fascinados, que “os alemães nos superam no nosso próprio jogo”. O que não impede — ao menos até os Estados Unidos entrarem na guerra (dezembro de 1941) — o apoio ativo às políticas racistas dos nazistas, como também o silêncio da grande maioria dos eugenistas diante da perseguição dos judeus, ciganos e negros.
Na verdade, a comunidade eugenista não foi homogênea, como demonstram as acusações virulentas de cientistas como Herman Muller e Walter Landauer; as do geneticista progressista L.C. Dunn e do célebre antropólogo Franz Boas. Mas, contrariamente aos dois últimos, que eram críticos da eugenia, Muller e Landauer faziam uma crítica científica do nazismo. Ao mesmo tempo em que negavam a hierarquia das raças, reconheciam a necessidade de aperfeiçoar a espécie humana por meio da reprodução de indivíduos “capazes” e da proibição da reprodução dos indivíduos “inferiores”.
O Capítulo 6 do livro de Kühl, (Ciência e racismo: A influência de diferentes conceitos de raça sobre as atitudes em relação às políticas racistas nazistas) apresenta um desmentido à tese canônica, segundo a qual as tendências “pseudocientíficas” da eugenia norte-americana — responsáveis pela lei racista de 1924 sobre a imigração — teriam dado lugar, a partir dos anos 1930, a uma eugenia progressista, mais “científica”, totalmente dissociada da higiene racial.
A complexa tipologia que o autor constrói demonstra que as diferenciações no seio do movimento eugenista norte-americano nada têm a ver com seu futuro mais “científico”. Ele sublinha que a luta no interior da comunidade científica internacional a respeito da política racial nazista era, antes de tudo, uma luta entre posições científicas divergentes, relativas ao aperfeiçoamento da raça e aos meios científicos, econômicos e políticos de consegui-lo.
Por isso, o autor propõe duas noções que considera necessárias para a compreensão do fenômeno estudado — “racismo étnico” e “racismo genético”. O primeiro foi condenado abertamente pelo tribunal de Nuremberg. Já o segundo foi mais difícil. A maioria dos higienistas raciais não foi julgada pela esterilização forçada de 400 mil pessoas. E pesquisas recentes mostraram que uma parte da acusação tentou apresentar os massacres em massa e as experiências nos campos de concentração como práticas separadas da “eugenia autêntica”.
Henry Ford: bem mais que um retrato na parede do Fuhrer
Em 1939, T. U. H. Ellinger escreveu, no Journal of Heredity, que a perseguição aos judeus não era uma perseguição religiosa, mas “um projeto de criação em grande escala, visando eliminar da nação os caracteres hereditários da raça semítica”. E acrescentava: “Mas quando se trata de saber como o processo de criação pode ser realizado com maior eficácia, uma vez que os políticos julgaram-no de utilidade econômica, a ciência pode ajudar até os nazistas”. Alguns anos mais tarde, Karl Brandt, médico responsável pelo programa de eliminação das pessoas deficientes físicas, declarava perante os seus juízes que esse programa tinha sido baseado em experiências norte-americanas, algumas das quais datavam de 1907. Ele citava, para sua defesa, Alexis Carel, que foi nome de um centro de estudos francês até há pouco tempo atrás [
4].
A obra de Max Wallace analisa as relações com o nazismo de dois ícones norte-americanos do século 20: o construtor automobilístico Henry Ford e o aviador Charles Lindbergh. Esse, consagrado herói da aviação depois de ter atravessado pela primeira vez o Atlântico (1927), desempenha um significativo papel político, nos anos 1930, como norte-americano simpatizante do Terceiro Reich e, a partir de 1939, como um dos organizadores (juntamente com Ford) da campanha contra Roosevelt, acusado de desejar intervir na Europa contra as potências do Eixo.
Menos conhecido, o caso de Ford é mais importante.
Como demonstra muito bem Max Wallace — é um dos pontos fortes do seu livro — a obra The International Jew (O judeu internacional), de Ford, inspirado pelo mais brutal anti-semitismo, teve um impacto considerável na Alemanha. Traduzida a partir de 1921 para o alemão, ela foi uma das principais fontes do anti-semitismo nacional-socialista e das idéias de Adolf Hitler. Em dezembro de 1922, um jornalista do New York Times, em visita à Alemanha, contou que “a parede situada atrás da mesa de Hitler, no seu escritório particular, é decorada com um grande quadro representando Henry Ford”. Na ante-sala, uma mesa estava coberta por exemplares de Der Internationale Jude. Um outro artigo do mesmo jornal norte-americano publicou, em fevereiro de 1923, as declarações de Erhard Auer, vice-presidente da Dieta bávara, acusando Ford de financiar Hitler, por ser favorável ao seu programa que previa “o extermínio dos judeus na Alemanha”.
Wallace observa que tal artigo é uma das primeiras referências conhecidas aos projetos exterminadores do dirigente nazista. Em 8 de março de 1923, em uma entrevista para o Chicago Tribune, Hitler declarou: “Nós consideramos Heinrich Ford como o líder do movimento fascisti crescente na América. Admiramos, particularmente, sua política anti-judia, que é a mesma da plataforma dos fascisti bávaros” [
5]. Em Mein Kampf, publicado dois anos mais tarde, o autor presta homenagem a Ford, o único indivíduo que resiste aos judeus na América (mas sua dívida para com o industrial é bem maior). As idéias do International Jew estão onipresentes no livro, e certas passagens são extraídas quase que literalmente — em particular no que se refere ao papel dos conspiradores judeus nas revoluções ocorridas na Alemanha e na Rússia.
Um livro que influenciou alguns dos maiores dirigentes nazistas
Alguns anos mais tarde, em 1933, já tendo o partido nazista assumido o poder, Edmund Heine, gerente da filial alemã da Ford, escreveu ao secretário do industrial norte-americano, Ernest Liebold, para contar-lhe que The International Jew era utilizado pelo novo governo para educar a nação alemã na compreensão da Questão Judaica [
6]. Ao reunir essa documentação, Max Wallace estabeleceu, de forma incontestável, que o empresário automobilístico dos EUA fazia parte das mais significativas fontes do anti-semitismo do nacional-socialista.
Como lembra Max Wallace, Hitler concedeu a Henry Ford, em 1938, a Grande Cruz da Ordem Suprema da Águia Alemã — uma distinção criada em 1937 para homenagear as altas personalidades estrangeiras — por intermédio do cônsul alemão nos Estados Unidos. Anteriormente, a medalha, uma cruz de Malta cercada de suásticas, havia sido concedida a Benito Mussolini.
Entretanto, Wallace não explica por que, considerando a abundância de trabalhos anti-semitas europeus, particularmente alemães, o autor de Mein Kampf era fascinado pela obra estadunidense. Por que ele decorou seu escritório com o retrato de Henry Ford, ao invés de decorá-lo com o de Paul Lagarde, Moeller van der Bruck e muitos outros ilustres ideólogos anti-semitas alemães? Além do prestígio associado ao nome do industrial, parece que três razões podem explicar esse interesse pelo The International Jew: a modernidade do argumento, seu vocabulário “biológico”, “médico” e “higienista”; seu caráter de síntese sistemática, articulando, em um discurso grandioso, coerente e global, o conjunto das diatribes anti-semitas do pós-I Guerra; e sua perspectiva internacional planetária, mundial.
Wallace mostra, baseado em documentos, que Hitler não foi o único dos dirigentes nazistas a sofrer a influência do livro editado em Dearborn. Baldur von Schirach, líder da Hitlerjugend [
7] e, mais tarde, gauleiter [8] de Viena, declarou, durante o processo de Nuremberg, em 1946: “O livro anti-semita decisivo que li naquela época, e o livro que influenciou meus colegas foi o de Henry Ford, O Judeu Internacional. Eu o li e me tornei anti-semita”. Joseph Goebbels e Alfred Rosenberg figuram, igualmente, entre os dirigentes que mencionaram tal obra entre as referências importantes da ideologia do Partido Nacional-socialista Alemão (NSDAP) [9].
Indagações incômodas sobra a relação entre Ocidente, Modernizade e Terceiro Reich
Em julho de 1927, ameaçado de um processo de difamação e preocupado com a queda das vendas dos seus automóveis, Ford retratou-se devidamente. Em um comunicado da imprensa, afirmou, sem corar, que “não tinha sido informado” sobre o conteúdo dos artigos anti-semitas publicados no Dearborn Independent, e pedia aos judeus “perdão pelo mal involuntariamente causado” pelo panfleto The International Jew [
10]. Considerado pouco sincera por uma boa parte da imprensa norte-americana, a declaração, entretanto, permitiu a Ford eximir-se da responsabilidade penal. Ela não o impediu de continuar a apoiar, clandestinamente, uma série de atividades e de publicações de caráter anti-semita [11].
“Henry Ford, precursor do nazismo” foi amplamente ocultado nos Estados Unidos, em benefício do grande industrial, criador do automóvel fabricado em série e vendido a preços baixos. Era esse homem que o escritor inglês Aldous Huxley apresentava ironicamente, em sua distopia Admirável Mundo Novo (1932), como uma divindade moderna, com a oração dirigida ao “Our Ford” substituindo a antiga, dirigida ao “Our Lord” (“Nosso Senhor”).
O longo silêncio é compreensível. O “caso” Henry Ford levanta questões delicadas sobre o lugar do racismo na cultura norte-americana e sobre as relações entre nossa “civilização ocidental” e o Terceiro Reich, entre a modernidade e o mais delirante anti-semitismo, entre o progresso econômico e a regressão humana. Aliás, o termo “regressão” não é pertinente: um livro como The International Jew não poderia ter sido escrito anteriormente ao século 20, e o anti-semitismo nazista também é um fenômeno radicalmente novo. O dossiê Ford lança uma luz crua sobre as antinomias daquilo que Norbert Elias chamava de “o processo civilizatório”.
Tradução: Maria Alice Farah
alicefarah@uol.com.br
Publicado em Le Monde Diplomatique
ORIGINAL com notas explicativas
[ N.do Blog ]: O tema é polêmico e desperta interesse. Não me responsabilizo pelo conteúdo, já que existem tantas versões, como aquela que defende a parceria entre Stálin e Hitler. Ou aquela que diz ter o Nazismo simpatizantes até mesmo entre a elite ( ou entre a Coroa ) britânica.

junho 20, 2007

Corporate Propinatings

Filed under: crimes corporativos, empresas e companhias — Humberto @ 11:29 pm
Como será que é uma reunião ( ou “briefing”, como prefere o Vinícius ) de empresários ( gestores ? ) que estejam envolvidos, de alguma forma, em práticas corporativas suspeitas ( do tipo “suborno a autoridades fiscalizadoras” ) com o firme propósito de burlar alguma regulamentação, seja trabalhista, fiscal ou ambiental. Ou até mesmo a própria Constituição do país. E, assim, maximizar o nível de retorno, otimizando o desempenho em função da capacidade estratégica.
Considerando-se o indicador de investimentos planejado e a perspectiva de capitalização e valoração de ativos, a visão gerenciadora de longo prazo do gestor capacitado é fundamental.
É possível que nesse “get together” executivo, seja ouvida aquela verborragia de RH, como se apresenta nas publicações destinadas a tão seleto público.
Outsorcing
De que forma a propina, o suborno e os mimos entram na contabilidade das empresas? No balanço e prestação de contas aos acionistas, sob quais eufemismos são rubricados?
Ou é dito sem rodeios?
- Está aberta a reunião de acionistas, conforme instruído pela CVM. Tem a palavra, o Secretário:
- Gostaria de colocar em votação aos demais sócios e acionistas ou seus representantes devidamente designados a pauta que dispõe a provisão para o “acerto de facilidades à autoridade constituída”, com objetivo de superação das obrigações ambientais exigidas à Companhia.
- Todos de acordo? Sim? Ótimo. Que seja registrado na ata que, no dia xxx, foi aprovada a provisão requerida com votação unânime. Próximo tópico da pauta, lembrando aos presentes que haverá também, na data de hoje, a votação que definirá a remuneração dos membros eleitos para o Conselho Administrativo; também haverá a realização de consulta para a reeleição ou não dos Conselheiros Fiscais cujo mandato será de um ano, a ser contado a partir do primeiro dia útil do mês de Agosto do Ano Corrente; que conste na ata geral a convocação para a discussão da remuneração e do retorno aos acionistas de acordo com o capital investido, bem como a abertura ao mercado para a capitalização da Companhia e a proposta de fusão com a holding XXX, conforme minuta redigida no Departamento de Parcerias Estratégicas em Dezembro último, já de plena ciência dos presentes. Passo a palavra ao Presidente da Mesa:
- A Presidência sugere ao Conselho Deliberativo o aumento de vagas no Conselho e a admissão de novos membros-conselheiros, de competência gerencial comprovada; a Presidência já tem os nomes, os quais submetemos à apreciação da Diretoria Administrativa da Companhia; tais nomes foram recrutados junto à administração pública em âmbito municipal e estadual; a Presidência da Companhia efetuou o convite para integrarem-se ao nosso professional case , em reconhecimento à supra-mencionada competência gerencial dos indicados e, em particular, por sua visão determinante e proficiência na superação de desafios de vital interesse dos investidores e acionistas da Companhia, que viram intimidados ( devido ao excesso de regulamentações e inflexibilizações de ordem ambiental, estratégico-estatal e trabalhista ) seus esforços na direção da desregulamentação dos setores estatais de energia elétrica, saneamento básico e abastecimento de recursos hídricos; o papel desempenhado pelos indicados ao Conselho por esta Presidência resultou em aquisição, pela Companhia, de ativos públicos sob avaliação favoravelmente defasada, e o realinhamento de tarifas e downsizing do capital humano excedente que se seguiram ao acordo de transferência dos ativos resultou na valorização espetacular dos papéis da empresa na Bolsa de Valores e proporcionou o retorno do valor investido num prazo não maior que 240 dias ( abaixo, inclusive, do prazo inicialmente prognosticado com base no relatório encomendado junto ao Departamento Administrativo, apresentado em reunião da Diretoria e do Conselho de Acionistas, ocorrida na Sede da Companhia em 24 de Outubro do ano corrente.
- Em votação. Todos os membros de acordo. Que conste na ata que a decisão foi unânime.

março 14, 2007

Tolerância zero na pu*a que o pari* !!!

Filed under: empresas e companhias, MBA, recursos humanos — Humberto @ 11:29 pm

Não me refiro a algum programa de repressão policial. Eu estava a ler o Propaganda & Marketing, e aparece a coluna de alguém:

TOLERÂNCIA ZERO NAS EMPRESAS
Prá começo de conversa, quem nos acompanha aqui no blog ( Ei, você, acorde !! ) sabe que essa pilantragem de Recursos Humanos, aquela história de GESTÃO MOTIVACIONAL, também tem esses lances de Administração de Empresas, tudo isso é MERDA para mim !!
Cansei de ver gente semi-analfabeta funcional tentando pagar uma de investidor, de corretor de mercado, de gestor, essas bostas todas.
A questão, cara para mim é: capitalismo, socialismo ou anarquismo: seja qual for o tipo de agregamento humano ou sei lá, sociedade, ou forma de convívio social que escolhamos, o certo é que existe a necessidade de subsistirmos, a chamada ancestral para que mantenhamos vivos, a nós e a humanidade. Comer e procriar. Água. Frio.
Não domino de forma alguma a História das Sociedades diversas que apareceram e deram aqui como estamos hoje. Não sei quem foram os Sumérios e não imagino quando e como foi desenvolvida a Revolução Industrial, como chegamos a isso a que dá-se o nome de Democracia Representativa, como apareceu o Estado Moderno, isso tudo me é distante.
Mas eu sinto fome. E sede. E frio ( além da raiva ) . Vocês também têm isso.
E aí, eu pergunto: dá para levar a sério alguém que, em meio àquelas conversas típicas de classe-média-profissional-liberal, saca da manga uma série de jargões e lugares-comuns ( em todos os ambientes existem os seus lugares-comuns ) , para impressionar os outros? Aquele típico puxa-saco arrivista, caixa de ressonância de interesses acima dos seus ( do patrão, por exemplo ) , humilde seguidor da doutrina do “vestir a camisa da empresa”, ” somos uma equipe”, “vamos vencer os desafios”… ( BLEARGH !!! ) …
“Vencer os desafios”? A quê se refere isso ?
À concorrência [ "(...) a cada dia mais acirrada, num mundo cada dia mais dinâmico e competitivo (...) "... Viram como qualquer imbecil sabe de cor e salteado a cantilena ? ] ou ao “inimigo” ? Quem é o inimigo?
Outro sujeito querendo ganhar dinheiro para viver e sobreviver.
E essa competição está em quase todo lugar. O Vestibular é uma coisa assim.
Até me lembrei agora: estava conversando com o Vinícius, e mencionamos os cursos que poucos se interessam, em que até existe – em alguns momentos – sobra de vagas, como Letras, História, Filosofia. Esses cursos, e não é segredo nenhum, estão ocupados pelos mais pobres e remediados, a classe média baixa, o white-trash… enfim, ou existe uma exigência por Kant ( ou por ) Latim na sociedade brasileira, ou as pessoas estão desesperadas por um diploma universitário.
E nessa conversa me veio uma tese ( nada tão sério, que possa ser chamado dessa forma mas dane-se ) . Quando se diz - e isso vem à tona, a cada vez que há referências à trágica e descomunal obra de destruição das escolas e da Educação sob os cento e lá vai porrilhão de anos de governo tucano aqui em São Paulo – que só o diploma interessa, passo a achar que isso acontece também com relação aos estudantes desses cursos referidos acima.
Eles querem seu diploma, e não interessa se não é aquele desejado. Engenharia, Medicina são, em sua larguíssima maioria, para aquela japonesada do Objetivo.
Há excessões, que justificam a regra, como de alguém que passou fome, morou nas ruas, dormiu debaixo do viaduto ( até ser expulso pela Prefeitura ) , dormiu em casa abandonada ( até que a Cyrela foi lá, comprou barato o imóvel, demoliu-o, construiu um forte-apache com salão de festas e garage-band e destruiu o bairro, desvalorizou a região, comprou os outros imóveis – bem barato -, demoliu-os, construiu outras torres, e agora ficamos sabendo que o governo estadualvai construir um parque ecológico bem ao lado das propriedades – isso é que é sorte !!! ) e passou em primeiro na FUVEST em engenharia nuclear, só com seu esforço ( todo mundo pode, basta acreditar… ) .
Eu fugi bastante do assunto inicial, né? Eu sempre faço isso.
Bem. Onde quero chegar – nem eu sei direito – com isso ?
Digamos que eu apenas gostaria de saber quem foi o FDP quem inventou a competição entre pessoas que têm o mesmo objetivo ou, antes de tudo, as mesmas necessidades?
Outra coisa. Solta um mimeógrafo nas mãos de um desses caras ( o gestor, por exemplo ) e poucos saberão usá-lo. O mesmo vale para o manejo da Natureza em nosso proveito de de nossa sobrevivência. Fluxo de caixa ou MBA em gerenciamento de pessoas ? Isso só funciona em uma sociedade extremamente burocratizada. Quando digo “burocratizada”, quero dizer, cheia de merda e blá-blá-blá. O almofadinha precisa de alguém que faça o ( perdão pela expressão batida ) “trabalho sujo” ( melhor: o “trabalho de verdade” ) .
Nessa mesma conversa, o Vinícius pediu que eu desse um jeito de falar sobre o “desenvolvimento” ou o “crescimento”. Como assim?
Aparece alguém dizendo: “O que o Brasil precisa ( enfático, hein? ) é de crescimento”.
Acabamos concordando, pois em nossa cabeça, crescimento significa “emprego”, logo “grana”, logo “comida”, e por aí vai. Não que desejemos pensar dessa forma.
Acho que nunca paramos para pensar o significado disso e, conforme as perguntas vão ficando mais difíceis de serem respondidas, faltam-nos aqueles que clarificam as coisas, em linguagem de gente. Eu nunca toparia participar de um debate com o Gustavo Franco ou o Mendonção. Eles iam acabar me convencendo que o que sinto não é fome, mas preguiça. E que me falta competência. E ambição.
Sacaram?
Só tem “direito” a um trabalho – ou ao melhor trabalho, que paga mais – quem for mais ambicioso que o próximo. Só merece alimentar-se quem for ambicioso. Se você não aceita isso, prepare-se, pois seu vizinho aceita.
Quem não tiver ambição, não terá direitos quaisquer ( já que pessoas não ambiciosas costumam ser também não-produtivas ) , pois “direitos” são comprados.
Aos poucos, você será excluído em favor das pessoas que formarão a sociedade perfeita. Essa sociedade será formada por indivíduos ambiciosos. Cada vez mais ambiciosos. Ilimitadamente ambiciosos.
Um dia desses, ouvi um cidadão ligar para alguém ( talvez um corretor ) para que este buscasse uma “terra”, que ele queria começar a plantar EUCALIPTO. Há uma bela polêmica a respeito. Dizem que consome muita água e destrói o solo, que não aceitará mais cultivo algum.
Isso, quinzenas depois do relatório, que anunciou o aquecimento global apocalíptico.
O cara deve achar que isso acontecerá em Marte, que não é problema dele.
Outro dia recente, uma mulher pediu ao comerciante UM MAÇO MISERÁVEL DE CIGARRO, e ao invés de levar no bolso, a bruxa velha PEDIU UMA SACOLA. O sujeito, para não contrariar a “cliente” ( que tem sempre razão; ou direitos – “comprados”, aliás ) deu-lhe uma sacola enorme, pois só tinha daquele tamanho.
Gente como essa maluca
!!!
Eu ia escrever: “Gente como essa maluca é que faz com que, no futuro, passemos a respirar chumbo!!!”.
Mas lembrei que a gente já respira chumbo e que não há futuro.
Saí de novo da linha de raciocínio.
Eu estava pensando em um tipo de REALITY SHOW. E os participantes não seriam essas garotas de programa que aparecem costumeiramente, mas pessoas que viveram trabalhando no chamado “MERCADO” e que, graças a alguma ocorrência envolvendo:
- papéis virtuais;
- ações de empresas que só serão criadas quando acharem a cura da gripe;
- a quebra da Bolsa de Valores da Bolívia;
- uma epidemia de varíola causada por cobertores doados pelo USAID a populações de algum país rico em etanol e petróleo ( governado por uma família real corrupta e fanaticamente religiosa, porém aliado ) e que contaminou a plantação de milho transgênico usado na fabricação de salsichas refogadas e enlatadas;
- a especulação contra a moeda do Nepal;
e a decisão do governo de Nauru em atrasar o pagamento da dívida interna com os principais conglomerados bancários e famílias detentoras de papéis de curto prazo – contraída pela ditadura que governou o país durante 78 anos – para tentar resolver um problema envolvendo saneamento básico e mortes em massa de recém-nascidos acéfalos ( causado pelo despejo de chumbo no lençol freático da região, por uma empresa francesa de perfume ) , esses eventos todos fizeram com que a corretora em que eles trabalhavam viesse a falir.
Pois bem. Esses caras falidos terão que viver a vida real nesse nosso reality show com leves pitadas de snuff-movie, um formato que revolucionará a televisão brasileira.
Participante 1 :”Ei, o que é isso?”
P2 : “Eu já vi no You Tube. É um ônibus. “
P1 : ” Ah, que alívio.”
P2 : “AHHHHHRRRGHHH!!!”
Todos: “Keke foi ? Vc tá bem ?”
P2 : “É um morto. Um morto.”
P3 : “É claro que não. Ele tá se mexendo.”
P2 : ” Eu sei que ele está se mexendo. Não sou burro. Mas deveria estar. Está consumindo meu oxigênio.”
P4 : “Ele tem direito de respirar.”
P2 : “É? E ele comprou esse direito aonde?”
P1 : “Temos que gerenciar nossas necessidades. Otimizar nossos recursos. Quanto você tem, P4 ?”
P4 : “Só cartão de crédito. Qual você quer?”
P2 : “Deixa esse pra depois. Talvez precisemos para gastar no BAMBOA.”
P3 : “Eu não vou nesse lugar. Sou casado com a minha namorada de Faculdade. Fizemos Administração e MBA juntos. Agora demos entrada num três dormitórios da Cyrela. Só que agora não sei como vou pagar. Só se vendermos nossas FDCIs conjuntas e um pouco das ações da Vale que temos, quando comprei baratíssimo, antes de privatizar.”
ENTRA A VOZ DO LOCUTOR:
“Ih, P3, tua mulher fugiu com o presidente sênior daquela companhia que quebrou e que depois descobriram que o cara fraudava os balanços, ganhava bônus polpudos e salários e comissões astronômicas, além de levar a maior parte na divisão dos lucros entre os acionistas, o que resultou na ruína dos acionistas minoritários, na falência de fundos de pensão que aplicavam as aposentadorias de idosos uruguaios e na demissão de milhares de agricultores da Namíbia. Se fudeu ! “
P3: ” Pois é… o mercado oscila muito e só quem está preparado para competir é que conquista o sucesso.”
OS OUTROS: “Éééé !!!”
Depois eu retomo, pois fugi de novo do assunto.

março 12, 2007

De onde veio o dinheiro ?? Campanha propõe o boicote total aos financiadores de Bush.

Filed under: empresas e companhias, EUA — Humberto @ 1:56 am

Já é antigo, mas só achei agora:

BOYCOTTBUSH.NET
É uma espécie de delegacia do consumidor, que propõe o boicote aos produtos de empresas e companhias que financiam a campanha de Bush. E, o melhor: para cada empresa/produto é apontada uma alternativa. Algumas coisas mostradas não são disponíveis para o Brasil. Mas quem se importa ? O legal é saber quais são as empresas e tudo o mais. Afinal, pelo menos isso o capitalismo permite.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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