ENCALHE

fevereiro 28, 2007

Já começa a mesquinharia !!!

Ontem, no Estadão, já deu para se ter uma idéia do que será o tratamento dedicado ao mestre Paulo Nogueira Batista Jr, por parte da escumalha editorial. Só mesmo para agradar os velhos e caretas de classe média – ou nem tanto – que assinam o vetusto ( significa “velho” e o próprio termo, usado nos tempos d’antanho, cai perfeitamente naquilo que quero dizer ) Estadão, é que vieram “revelando” que Paulo Nogueira , lotado no gabinete de Eduardo Suplicy no Senado, recebe algo como 9 mil mensais, a título de sei-lá-o-quê.
Engraçado, supõe-se que os feitores que ditam a pauta esse jornal desejam – e temem revelar isso – a volta da escravidão. Trabalharia-se, então, para as famílias de bem e proprietárias e, em troca, recebe-se chibatadas.
PARÊNTESE: Num outro dia, nessas seções de cartas de leitores ( eu costumava escrever, mas é curioso como são quase sempre os mesmos, em detrimento de outros. O Vinícius mandou para o JT, e não foi publicado. Mas cidadãos comuns, e sem vínculos ou interesses partidários – ironia minha – , como DAVID NETO e RICARDO L. CARMO são habitués dessas colunas. ), um desses vigilantes da democracia, “denunciou” uma coisa que somente ele, o espertão e astuto, percebeu e correu a tornar público: segundo o “olhos de águia”, Delfim Netto estaria elogiando alguns pontos do governo de Lula, só porque estaria sendo cotado para um ministério.
Puta merda !!! Quem estaria “cotando” o nome de Delfim era a própria mídia, em busca de algum fato novo, ou tentando simplesmente pautar Lula, como sempre tentam fazer. Não que desejem Delfim, apenas queriam experimentar seu próprio poder de fogo em criar, desfazer, dizer e desdizer acontecimentos inexistentes.
O leitor, tomando os outros por sua medíocre régua de classe-média insinuava que, em troca de um carguinho, Delfim estava dizendo maravilhas sobre o governo Lula.
Pode-se não gostar do ex-ministro, lembrar de sua passagem pelo governo da ditadura, do preço do chuchu, ou de seus óculos.
Mas é inegável a sua capacidade teórica, analítica, intelectual, essas coisas de que dispõem os PhDs e isso, qualquer um que lê a Carta Capital – onde Delfim tem sua coluna semanal – sabe. Mesmo que não se concorde ou, como é meu caso, não entenda o que Delfim quer dizer ( ainda mais quando ele demonstra seu domínio das teorias e escolas macro-econômicas, seus personagens, e capricha nos gráficos que, a título de argumento, muitas vezes contêm referências a trabalhos e estudos que somente pontas-de-lança do meio acadêmico sabem do que se trata ) .
É coisa de alto nível. Pode-se, então, imaginar a qualidade das aulas ministradas por Delfim Netto. Reconhecer isso não significa passar a “gostar” dele só por elogiar certas decisões de Lula.
Delfim não precisa disso, ao contrário de certos “gestores”, “consultores” e demais puxa-sacos que fazem de tudo para “subir na vida”, nas diversas esferas – mesmo as mais baixas – em que o ser humano é convencido a vencer e passa a dedicar seu tempo ao criativo passatempo de puxar o tapete de alguém, em próprio benefício. Isso, claro, quando não queima seus neurônios – em proveito da empresa (“equipe”), cuja camisa vestiu – na “busca de soluções para os problemas do mundo corporativo, otimizando a gestão de RH e o Management com foco em resultados e dinamização de capital humano de qualidade”.
Chamam isso de “competência”, “resiliência” e “competitividade no meio empresarial e corporativo”. Eu os chamo “vermes”.
FIM DO PARÊNTESE.
Pois bem: só para atiçar a gula de imbecis de classe-média, o Estadão, a pretexto subliminar de indispor seus leitores contra Paulo Nogueira, revelou seu “salário” como funcionário de Suplicy. Ou seja: mais um barnabé, na visão do jornal.
Certo estaria Suplicy, se convidasse essas pessoas que acumulam cargos de gestores e consultores nas companhias subordinadas a alguma administração tucana, como Cláudia Costin, Gesner de Oliveira, Gustavo Franco, aquele tal de Dória ( da EMBRAESP, filiado ao PSDB ), aquele pessoal todo do Tendências Consultoria. Pessoas que, dependendo do que trata o artigo no jornal, são apresentadas de maneiras diferentes, para não dar bandeira ou chamar a atenção sobre o alcance de suas atividades e os diversos campos em que atuam.

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