ENCALHE

abril 10, 2009

O MUNDO DE PONTA-CABEÇA: EPIDEMIA DE DENGUE NA OSCAR FREIRE!!!

GUIÁ GUIÁ GUIÁ!!!
Êita que eu jamais pensei que fosse ver isso um dia. Saiu a seguinte queixa ontem, na seção “A cidade é sua” ( Ahã… ) do caderno Cotidiano da Folha. Não saiu como notícia, é bom que se diga, o que me deixa deveras intrigado: será que a população paulistana, incluindo a dos bairros menos favorecidos pela Sorte, não tem o direito de saber que a famosa rua das grifes, localizada no bairro que deu as maiores aclamações eleitorais a Kassab e Serra ( de 70 a 80% dos votos, coisa que nem Hugo Chávez consegue, pô! ), também é frequentada por gente de carne e osso – como eu e vocês – e, assim, suscetível a mazelas terceiro-mundistas como a dengue?
Olha, gente fina da Oscar, seguinte: tem uma tia minha, benzedeira, que faz uma garrafada de ervas que vocês saram rapidinho. Qualquer coisa, tamos aí. Ela mora no Jardim do Carvão, perto de Guaianases. Mas vocês tem que ir lá falar com ela pessoalmente, e levar um carretel de linha de costura branca.

PREFEITURA DESCONHECIA CASOS DE DENGUE NA OSCAR FREIRE, DIZ LEITORA
A prefeitura desconhecia uma sucessão de casos de dengue na rua Oscar Freire, nos Jardins ( zona oeste de São Paulo ), afirma a publicitária Ana Lúcia Antonini – ela própria uma das infectadas.
Ela disse ter sido tratada com negligência quando foi visitada por uma equipe de combate à dengue da Secretaria Municipal de Saúde. Na ocasião, já estava com alguns dos sintomas da doença – forte cansaço, calafrios e febre alte. “Quando eu disse estar com febre e de cama, que não poderia recebê-los, o rapaz simplesmente me disse: ‘Leia o panfleto que deixei na sua caixa de Correios, por favor’.” O rapaz lhe explicou que no dia seguinte haveria uma nebulização na rua.
No dia seguinte, Ana Lúcia soube pela vizinhança de um SURTO DE DENGUE NA REGIÃO – OITO PESSOAS HAVIAM SIDO CONTAMINADAS E 14 ESTAVAM SOB SUSPEITA em um período de 15 dias, no mês de março. “E os agentes não me avisaram de nada disso. Nada consta no site da Zoonose.”
“Um absurdo surreal”, a dengue de Ana Lúcia foi diagnosticada mais tarde – a primeira suspeita era virose.
RESPOSTA: As ações de dengue não foram desencadeadas imediatamente porque o diagnóstico inicial da leitora na rede médica era de virose, dia a Secretaria Municipal de Saúde. Quando um caso é confirmado, como ocorreu na vizinhança de Ana Lúcia Antonini, começa o bloqueio – nebulização com inseticida – diz a secretaria. Ao mesmo tempo, a pasta passa a buscar por outros casos e, se for preciso, amplia as ações de bloqueio.
Nessa hora só consigo pensar numa coisa: Marta, querida, você que está aí em Paris, toma uma tulipa de champanhe por mim, por favor. Você merece…

março 28, 2009

"White Chrisis*": Lula fala o óbvio e causa polêmica interplanetária!!!

Que mal lhes pergunte: de onde surgiu essa p*orra de crise? Oras, os caras de Wall Street são mais brancos que a “elite branca” denunciada por Cláudio Lembo.
Eu sou branco, tenho olhos azuis – ainda hoje perguntam se sou o Paul Newman; respondo que não, que ele já faleceu, e escuto: “Sim. Por isso mesmo…”. Sacanagem… – e entendi muito bem o que o Lula quis dizer.
Referi-me ao Paul Newman. Uma das nossas mais proeminentes figuras de nossa elite branca ficou algumas horas em cana. Depois, disse que não fazira risco para a sociedade. Depende. As campanhas contra o tráfico e uso de drogas costumam responsabilizar tanto o vendedor ( mesmo que esse nunca desse um tiro ou facada na vida ) quanto o consumidor ( “Eu só cheiro, e nunca matei ninguém, pô paiê… ). Tudo parte de uma cadeia ( sem trocadilhos, por favor ).
Pois bem. Ontem um jornal mostrou umas fotos hilárias e matéria sobre uma comunidade de favela PEDINDO PARA SOLTAREM MME. ELIANE, uma benfeitora do povo. Oras, igualzinho aos traficantes que fazem benfeitorias em comunidades pobres. Al Capone forneceu sopa aos cidadãos arruinados pelo Crack de 29.
Já Paul Newman, discreto, tinha uma empresa de alimentos e quase todos os lucros iam para a caridade. QUASE 100% DOS LUCROS IAM PARA A CARIDADE!!
E tenho certeza de que, no Céu onde se encontra, o Paul ouviu as palavras de Lula, entendeu-as e concordou com tudinho, sem se incomodar, pois sabe que Lula tem razão.
* Trocadilho com “White Christmas”

"White Chrisis*": Lula fala o óbvio e causa polêmica interplanetária!!!

Que mal lhes pergunte: de onde surgiu essa p*orra de crise? Oras, os caras de Wall Street são mais brancos que a “elite branca” denunciada por Cláudio Lembo.
Eu sou branco, tenho olhos azuis – ainda hoje perguntam se sou o Paul Newman; respondo que não, que ele já faleceu, e escuto: “Sim. Por isso mesmo…”. Sacanagem… – e entendi muito bem o que o Lula quis dizer.
Referi-me ao Paul Newman. Uma das nossas mais proeminentes figuras de nossa elite branca ficou algumas horas em cana. Depois, disse que não fazira risco para a sociedade. Depende. As campanhas contra o tráfico e uso de drogas costumam responsabilizar tanto o vendedor ( mesmo que esse nunca desse um tiro ou facada na vida ) quanto o consumidor ( “Eu só cheiro, e nunca matei ninguém, pô paiê… ). Tudo parte de uma cadeia ( sem trocadilhos, por favor ).
Pois bem. Ontem um jornal mostrou umas fotos hilárias e matéria sobre uma comunidade de favela PEDINDO PARA SOLTAREM MME. ELIANE, uma benfeitora do povo. Oras, igualzinho aos traficantes que fazem benfeitorias em comunidades pobres. Al Capone forneceu sopa aos cidadãos arruinados pelo Crack de 29.
Já Paul Newman, discreto, tinha uma empresa de alimentos e quase todos os lucros iam para a caridade. QUASE 100% DOS LUCROS IAM PARA A CARIDADE!!
E tenho certeza de que, no Céu onde se encontra, o Paul ouviu as palavras de Lula, entendeu-as e concordou com tudinho, sem se incomodar, pois sabe que Lula tem razão.
* Trocadilho com “White Christmas”

"White Chrisis*": Lula fala o óbvio e causa polêmica interplanetária!!!

Que mal lhes pergunte: de onde surgiu essa p*orra de crise? Oras, os caras de Wall Street são mais brancos que a “elite branca” denunciada por Cláudio Lembo.
Eu sou branco, tenho olhos azuis – ainda hoje perguntam se sou o Paul Newman; respondo que não, que ele já faleceu, e escuto: “Sim. Por isso mesmo…”. Sacanagem… – e entendi muito bem o que o Lula quis dizer.
Referi-me ao Paul Newman. Uma das nossas mais proeminentes figuras de nossa elite branca ficou algumas horas em cana. Depois, disse que não fazira risco para a sociedade. Depende. As campanhas contra o tráfico e uso de drogas costumam responsabilizar tanto o vendedor ( mesmo que esse nunca desse um tiro ou facada na vida ) quanto o consumidor ( “Eu só cheiro, e nunca matei ninguém, pô paiê… ). Tudo parte de uma cadeia ( sem trocadilhos, por favor ).
Pois bem. Ontem um jornal mostrou umas fotos hilárias e matéria sobre uma comunidade de favela PEDINDO PARA SOLTAREM MME. ELIANE, uma benfeitora do povo. Oras, igualzinho aos traficantes que fazem benfeitorias em comunidades pobres. Al Capone forneceu sopa aos cidadãos arruinados pelo Crack de 29.
Já Paul Newman, discreto, tinha uma empresa de alimentos e quase todos os lucros iam para a caridade. QUASE 100% DOS LUCROS IAM PARA A CARIDADE!!
E tenho certeza de que, no Céu onde se encontra, o Paul ouviu as palavras de Lula, entendeu-as e concordou com tudinho, sem se incomodar, pois sabe que Lula tem razão.
* Trocadilho com “White Christmas”

"White Chrisis*": Lula fala o óbvio e causa polêmica interplanetária!!!

Que mal lhes pergunte: de onde surgiu essa p*orra de crise? Oras, os caras de Wall Street são mais brancos que a “elite branca” denunciada por Cláudio Lembo.
Eu sou branco, tenho olhos azuis – ainda hoje perguntam se sou o Paul Newman; respondo que não, que ele já faleceu, e escuto: “Sim. Por isso mesmo…”. Sacanagem… – e entendi muito bem o que o Lula quis dizer.
Referi-me ao Paul Newman. Uma das nossas mais proeminentes figuras de nossa elite branca ficou algumas horas em cana. Depois, disse que não fazira risco para a sociedade. Depende. As campanhas contra o tráfico e uso de drogas costumam responsabilizar tanto o vendedor ( mesmo que esse nunca desse um tiro ou facada na vida ) quanto o consumidor ( “Eu só cheiro, e nunca matei ninguém, pô paiê… ). Tudo parte de uma cadeia ( sem trocadilhos, por favor ).
Pois bem. Ontem um jornal mostrou umas fotos hilárias e matéria sobre uma comunidade de favela PEDINDO PARA SOLTAREM MME. ELIANE, uma benfeitora do povo. Oras, igualzinho aos traficantes que fazem benfeitorias em comunidades pobres. Al Capone forneceu sopa aos cidadãos arruinados pelo Crack de 29.
Já Paul Newman, discreto, tinha uma empresa de alimentos e quase todos os lucros iam para a caridade. QUASE 100% DOS LUCROS IAM PARA A CARIDADE!!
E tenho certeza de que, no Céu onde se encontra, o Paul ouviu as palavras de Lula, entendeu-as e concordou com tudinho, sem se incomodar, pois sabe que Lula tem razão.
* Trocadilho com “White Christmas”

"White Chrisis*": Lula fala o óbvio e causa polêmica interplanetária!!!

Que mal lhes pergunte: de onde surgiu essa p*orra de crise? Oras, os caras de Wall Street são mais brancos que a “elite branca” denunciada por Cláudio Lembo.
Eu sou branco, tenho olhos azuis – ainda hoje perguntam se sou o Paul Newman; respondo que não, que ele já faleceu, e escuto: “Sim. Por isso mesmo…”. Sacanagem… – e entendi muito bem o que o Lula quis dizer.
Referi-me ao Paul Newman. Uma das nossas mais proeminentes figuras de nossa elite branca ficou algumas horas em cana. Depois, disse que não fazira risco para a sociedade. Depende. As campanhas contra o tráfico e uso de drogas costumam responsabilizar tanto o vendedor ( mesmo que esse nunca desse um tiro ou facada na vida ) quanto o consumidor ( “Eu só cheiro, e nunca matei ninguém, pô paiê… ). Tudo parte de uma cadeia ( sem trocadilhos, por favor ).
Pois bem. Ontem um jornal mostrou umas fotos hilárias e matéria sobre uma comunidade de favela PEDINDO PARA SOLTAREM MME. ELIANE, uma benfeitora do povo. Oras, igualzinho aos traficantes que fazem benfeitorias em comunidades pobres. Al Capone forneceu sopa aos cidadãos arruinados pelo Crack de 29.
Já Paul Newman, discreto, tinha uma empresa de alimentos e quase todos os lucros iam para a caridade. QUASE 100% DOS LUCROS IAM PARA A CARIDADE!!
E tenho certeza de que, no Céu onde se encontra, o Paul ouviu as palavras de Lula, entendeu-as e concordou com tudinho, sem se incomodar, pois sabe que Lula tem razão.
* Trocadilho com “White Christmas”

dezembro 8, 2008

UNASUL confirma: elite branca e separatista de Pando ( Bolívia ) ordenou massacre de camponeses. ( texto longo, em espanhol )

Filed under: Bolívia, elite branca, massacres de civis, Pando ( BOL ), separatismo, UNASUL — Humberto @ 1:58 pm
Integración Regional
Informe de la Comisión sobre la masacre de Pando
El primer gran logro de la Unasur
La Comisión para el esclarecimiento de los hechos de Pando fue categórica: hubo masacre en esa región de Bolivia. Un gran resultado para la autonomía de Sudamérica.
El primer gran logro de la Unión de Naciones de Sudamericanas (Unasur) fue la entrega el 3 de diciembre del Informe de la Comisión sobre la masacre de Pando a la presidenta de Chile, Michele Bachelet, en Santiago. Las conclusiones a las que arribó esta delegación integrada por profesionales de las doce naciones de la novísima sigla son contundentes: el 11 de setiembre hubo una masacre en los alrededores de Pacífico, población del Departamento de Pando, perpetrada por los sectores afines al prefecto Leopoldo Fernández contra los campesinos afines al gobierno del presidente Evo Morales.
En setiembre pasado, la derecha más recalcitrante, separatista de Bolivia inició una serie de acciones que se movían en dos direcciones concurrentes: lograr un golpe de Estado que destituyese al presidente Evo Morales como hipótesis de máxima, o bajo el pretexto de las “autonomías” desintegrar a la nación entre un ”oriente próspero” o ”Media Luna racialmente blanca” de un occidente indígena.
La “Media Luna” está compuesta por los departamentos de Beni, Pando, Santa Cruz y Tarija. En estas regiones se sucedieron una serie de gravísimos hechos patrocinados por los prefectos, que significaron la toma de distintos edificios públicos que representaban al Estado nacional y daños estimados en 200 millones de dólares. La Aduana Nacional, el Servicio de Impuestos, la Administradora Boliviana de Carreteras, el Instituto Nacional de Reforma Agraria, y la Empresa de Telecomunicaciones fueron algunas de las instituciones tomadas por los separatistas.
Los hechos más luctuosos se registraron en Pando, cuando campesinos de esa región realizaron una asamblea antes del mediodía donde decidieron que marcharían en contra de la toma del Instituto Nacional de la Reforma Agraria (INRA) por parte de los cívicos, que respondían a la voluntad de Fernández.
Los hechos
Los sectores afines al prefecto e incluso organismos de la estructura estatal del Departamento de Pando se organizaron deliberadamente para enfrentar a los campesinos. Los hechos más sangrientos se produjeron en el puente que cruza el río Tahuamanu donde los campesinos fueron emboscados. Se sucedieron disparos de armas de fuego, muchos indígenas se arrojaron al curso de agua para sobrevivir; los que fueron capturados por los ”cívicos” sufrieron detenciones clandestinas y torturas. El saldo fue de 19 muertos y decenas de heridos.
Ante esta situación, y tras haberse declarado el estado de sitio en ese departamento del norte de Bolivia, las Fuerzas Armadas detuvieron al prefecto Fernández, quien fue trasladado a la prisión de San Pedro, en La Paz, por violar la normativa en vigencia y para determinar sus responsabilidades en los sangrientos hechos.
De inmediato, Morales hizo una convocatoria que marca un cambio. En lugar de llamar a la Organización de Estados Americanos (OEA), a la Organización de las Naciones Unidas (ONU) o cualquier otro organismo supra o interestatal, regionalizó la cuestión. Llamó a que la Unasur se manifieste en forma contundente a favor del mantenimiento del orden institucional y la integridad territorial de Bolivia. Los presidentes de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Ecuador, Guyana, Paraguay, Perú, Uruguay, Surinam y Venezuela respondieron en distinto grado pero en la misma dirección: los doce no permitirían la caída del gobierno legítimamente constituido, ni ningún intento de desmembramiento de la nación altiplánica.”
Para dejar en claro la postura frente a la complicada situación que está padeciendo Bolivia, los miembros de Unasur, el pasado 15 de septiembre se reunieron en el Palacio de la Moneda en Chile. En dicho encuentro los 9 presidentes sudamericanos que se hicieron presentes, expresaron su repudio a los movimientos separatistas y desestabilizadores de la ‘Media Luna’ boliviana…” escribía Taiana González en APM el 21 de setiembre. (Ver: “¿La calma que antecede al huracán?”. APM 21/09/2008)
De ese encuentro en la capital chilena surgió la Declaración de la Moneda, donde se expresaba que “los países integrantes de la Unasur expresan su más pleno y decidido respaldo al Gobierno Constitucional del Presidente Evo Morales, cuyo mandato fue ratificado por una amplia mayoría en el reciente Referéndum”.
Allí declararon que la organización repudia a la masacre de Pando, y respaldan el pedido de que la Unasur pueda constituirse para realizar una investigación imparcial que permita esclarecer los hechos a la brevedad para que no haya impunidad. Tras lo cual se crea una Comisión investigadora, coordinada por el argentino Rodolfo Mattarollo, e integrada por Fermino Fechio (Brasil), Luciano Fouillioux Fernández (Chile), Fulvia Elvira Benavides Cotes (Colombia), Ramiro Rivadaneira Silva (Ecuador), Graciela Caballero (Paraguay), Hugo Contreras Morales (Perú), Juan Faroppa/Juan Alejandro Mernies (Uruguay) y Freddy Gutiérrez (Venezuela).
La investigación
El 29 de setiembre comenzó la investigación de la Comisión de constatación de hechos sobre los sucesos de Pando. La misma recurrió al auxilio de antropólogos forenses de Argentina y Chile, a especialistas en criminalística, penal y criminología. Realizó un pormenorizado trabajo de campo, tomaron testimonios a fuentes primarias, recibieron a miembros del oficialismo, la oposición y a refugiados.
El 1 de octubre la Comisión viajó a Pando, donde visitaron las ciudades de Cobija, Porvenir y Filadelfia, recorrieron los lugares de los hechos y se reunieron con sobrevivientes. Se recogieron testimonios que fueron El 14 de octubre, la Comisión se reunió en La Paz con el Defensor del Pueblo, Waldo Albarracín, quien señaló como actos de “soberanía fáctica” a lo hecho por los comités cívicos de la “Media Luna” fértil, falta de real autonomía del Poder Judicial y de las policías en esas regiones.
Respecto de los hechos de Pando, reafirmó la existencia de grupos armados, disparos a los campesinos, negación de asistencia médica a los heridos, y que no cree factible que los campesinos estuviesen armados. “Cree que hubo una masacre, ya que hubo una acción unilateral sin enfrentamiento de fuerzas”.
El 15 de octubre, la Comisión se reunió con Rafael Vidal, Defensor del Pueblo de Pando, quien se refirió a la impunidad de las autoridades locales. “La toma del INRA (Instituto Nacional de Reforma Agraria) por los ‘cívicos’ es considerada por Vidal como el hecho que desencadena el llamado a asamblea de los campesinos y la organización de la marcha”, señala la Comisión.
El periplo de la Comisión continuó con entrevistas con la Comisión Especial de la Cámara de Diputados, con el ministro de la Presidencia, Juan Ramón Quintana, con el fiscal General de la República, Mario Uribe, y fiscales de la comisión Especial de la Cámara de Diputados. Luego se trasladaron a Sucre para reunirse con los ministros de la Corte Suprema de Justicia. El 29 de octubre, la Comisión se entrevistó con el prefecto Fernández en la prisión de San Pedro, en La Paz, durante tres horas y media. Dos días después, los profesionales se trasladaron a la ciudad de Brasileia, en Brasil (la región donde se produjo la masacre es limítrofe con la nación lusoparlante). Y el 3 de diciembre pasado entregó al Bachelet, quien ejerce la presidencia pro tempore de la Unasur, las conclusiones del informe.
Las conclusiones de la Comisión
El informe comienza sus conclusiones con las prerrogativas que guiaron la investigación: “el imperativo de actuar con imparcialidad la condujo a recoger informes, testimonios y evidencias de todos los actores y sectores involucrados en los hechos que se les encomendó esclarecer”. El punto número 8 agrega que “Contribuir a perforar el muro de la impunidad nos obliga a develar los nombres de los presuntos responsables, ya que la verdad es integral y no puede segmentarse. Las responsabilidades personales exigen esclarecer el papel desempeñado por los distintos actores sin complacencias de ninguna naturaleza”. Es decir, aunque la Comisión no debe inmiscuirse en los asuntos internos de Bolivia, sí van a señalar con nombre y apellido a los responsables de la matanza.
El primer punto de los Indicios y pruebas de los hechos es contundente: “como consecuencia del proceso de confrontación entre los sectores políticos del Departamento de Pando, se produjeron mutuas amenazas y acciones de fuerza al margen de la ley, las que culminaron con muertes y otros hechos delictivos, impulsados por sectores cívicos y prefecturales contra los sectores campesinos, y caracterizada por una evidente desproporción en los medios y fuerzas empleadas”. Lo que se halla resaltado en negrita es la definición jurídica de masacre.
Más adelante, el documento explica que la comisión distingue dos momentos de ese 11 de setiembre: durante las primeras horas del día, el intento de impedir por medio de la fuerza la marcha campesina, en pleno desarrollo. Luego, a partir del mediodía, la masacre de campesinos.
El punto 3 de este subíndice afirma que “Los campesinos coinciden en forma unánime en que la agresión vino de los sectores prefecturales e incluso desde sus máximos dirigentes. Esto fue admitido por el propio prefecto Leopoldo Fernández”, y en el punto siguiente aclara que “quienes buscaron impedir la concentración campesina efectivamente se encontraban armados”.
Existen algunos testimonios acerca de que algunos campesinos estuviesen armados, aunque esta posibilidad no ha podido se constatado fehacientemente. Ni siquiera por las pruebas aportadas por los sectores cívicos y prefecturales.
Los últimos considerandos concluyen que se han producido numerosas ejecuciones sumarias por parte de agentes pertenecientes a la estructura del Gobierno prefectural del Departamento de Pando o afines a ella; y que salvo los casos de Pedro Oshiro y Alfredo Céspedes, el resto de los muertos pertenecen al sector campesino, con signos de muerte por heridas de armas de fuego, según los videos presentados.
En la Conclusiones del documento, la Comisión expresa en su punto número 1 “La convicción intelectual y coral según la cual el 11 de setiembre de 2008, en la localidad de Porvenir y otros sitios del Departamento de Pando, República de Bolivia, se cometió una masacre en el sentido empleado por la Organización de las Naciones Unidas”.
En su punto número 4 agrega que “Aún cuando hubo personas que actuaron particularmente, los agresores de los campesinos lo hicieron en forma organizada y respondían, según algunos testimonios, a una cadena de mando y contaban con funcionarios y bienes del gobierno departamental al servicio de la empresa criminal”. Y el punto 7 cierra introduce la noción de persecución. ”Igualmente la Comisión dispone de elementos que permiten concluir que se desencadenó una clara persecución de un grupo o colectividad con identidad propia fundada en motivos raciales, étnicos, culturales y sociales”.
Las consecuencias a futuro
La Comisión no tiene jurisdicción sobre Bolivia. No puede obligar a este Estado o a alguno de sus poderes a realizar tarea alguna. Es tarea del Poder Judicial boliviano juzgar y condenar a los culpables de la masacre de Pando. Pero ahora los magistrados que lleven adelante esta necesaria tarea no pueden hacer caso omiso al documento entregado a la presidenta temporaria de la Unasur. Esto marca un antes y, esperemos, un después.en el manejo de las crisis institucionales y las violaciones de los Derechos Humanos. El documento realiza distintas recomendaciones sobre qué debe hacer la Justicia en Bolivia, e incluso, en los distintos países de Unasur. Sobre esta línea deben conducirse los gobiernos de América del Sur, ya que se hace hincapié en el respeto de los Derechos Humanos y el respeto a la autodeterminación de las naciones.
Se le puso un límite a la impunidad. El texto es muy claro en que no se actuó debido a las simpatías que pueda generar el proceso que se lleva adelante en Bolivia, sino que se decidió respetar convenciones universalmente aceptadas por la comunidad internacional. No se define a los hechos sangrientos como “masacre” porque los integrantes de la comisión adhieren a la política de Evo Morales, sino porque jurídicamente corresponden los hechos a esta categoría.
No va a ser tan sencillo de ahora en más que un miembro del Estado, como el senador José Villavicencio, grite delante de las cámaras “si Evo quiere sangre, va a haber sangre”, mientras de fondo una turba corría a los tiros a un grupo de indígenas.
Desde un principio se eliminó de cuajo de recurrir a cualquier eufemismo que mencionase dos posturas en contraposición. En el propio texto del documento y en las expresiones vertidas en La Moneda, se deja bien en claro que no se va a admitir el quiebre del orden institucional ni el desmembramiento del país.
No se convocó a “especialistas” de la Unión Europea o Estados Unidos. Al respecto, Washington siempre trató de mostrar al conflicto como el choque entre dos sectores que se disputan el poder para mejorar la situación de Bolivia, mientras que la evidencia nos ha demostrado que de un lado, del gobierno de Evo Morales, se encuentra la población mayoritaria que quiere un Estado integrado y socialmente justo, mientras que del otro lado, la derecha más recalcitrante, sólo hay odio a los sectores campesinos, indígenas, progresistas y pobres. Pero en esta oportunidad el Departamento de Estado no fue tenido en cuenta en absoluto y la Casa Blanca va a tener que esperar.
Hacia el exterior la Unasur mostró un frente homogéneo, sin margen de dudas para el mantenimiento del Estado de Derecho y la integridad territorial. Los próximos intentos de las potencias extranjeras para desmembrar a los países más “díscolos” van a chocar contra este importante antecedente. Nunca se dudó de la legalidad del gobierno en ejercicio, ni se vaciló sobre su vocación democrática. Fuera de la región se ataca a los gobiernos de Morales y de Hugo Chávez (Venezuela) en primer grado, y también a los de Rafael Correa (Ecuador) y hasta a Cristina Fernández (Argentina) acusándoselos de “populistas”. Pero fronteras adentro, en este verdadero subcontinente, las distintas capitales cerraron filas para evitar la intromisión de intereses que nada tienen que ver con nuestra región.
Quizás el punto más importante sea que la región pudo solucionar un problema que tendía a agravarse y cuyas consecuencias eran imprevisibles. Aunque la Unasur existe desde mayo de este año, en este breve período de tiempo, sin dudas, éste es su mayor logro.
pabloramos@prensamercosur.com.ar

janeiro 27, 2008

Pesquisa: Elite brasileira acredita ( muito, aliás ) na mídia, mas 46% lê BLOGS logo que entram na Internet.

Elite brasileira acredita mais na mídia
Comunique-se
Vinte e cinco por cento da população brasileira com maior renda familiar têm mais confiança na mídia (64%) do que em empresas (61%), ongs (51%), instituições religiosas (48%) ou até mesmo em seu próprio governo. Os dados fazem parte do Estudo Anual de Confiança da Edelman, empresa de relações públicas. Segundo o levantamento, o Brasil é o terceiro país onde a imprensa tem maior índice de credibilidade, ficando atrás apenas do México (66%) e da Índia (65%).
A pesquisa ouviu 3.100 entrevistados entre 35 e 64 anos, com formação superior e renda familiar entre as 25% maiores de seus países. Considerado um estudo entre líderes de opinião, por parte da consultoria, a pesquisa abrangeu 18 países, como China, Irlanda, Rússia, Estados Unidos, Índia, França, Espanha e Brasil.
Concluiu-se que essa parte da população, em todo o mundo, possui muito interesse em assuntos relacionados à mídia, economia e política.
Os brasileiros recorrem mais aos jornais impressos (87%) e à TV (82%) como primeira fonte de informação. Em seguida, procuram as informações na internet (52%). Mas a maioria deles (41%) lê tanto a versão impressa quanto a versão online dos jornais – em outros países existe a preferência pela versão impressa.
Para procurar notícias das empresas, os brasileiros preferem ler artigos em revistas de negócios (81%), jornais (79%) e noticiários na TV (77%).
Ao acessar a internet, a primeira procura envolve notícias e depois pesquisas. No Brasil, 93% vão atrás de notícias, 85% fazem pesquisa e e-commerce empatou com mensagens instantâneas (79%).
A credibilidade nos blogs chamou a atenção. A Rússia foi o país que mais mostrou credibilidade, com 34%, seguida pela China (33%), Índia (29%) e Brasil (21%). Quando entram na internet, 46% dos brasileiros já lêem blogs.

novembro 23, 2007

Chávez e o Império.

O rei de Espanha mandou o presidente da Venezuela calar-se. A euforia tomou conta de todas as direitas, mas também deixou confusa muita gente boa. O que Chávez havia dito durante a Conferência da Comunidade dos Países Íbero-americanos? Que o ex primeiro-ministro espanhol, Aznar, é um fascista.
O atual primeiro ministro da Espanha, Zapatero tomou a palavra para dizer que, embora tendo grandes divergências políticas com Aznar, achava que ele devia ser tratado com respeito. Zapatero não podia fazer diferente, tinha que se manifestar, porque sabia que seria cobrado na Espanha se houvesse se mantido em silêncio diante da crítica pública de Chávez. O que fez Chávez enquanto Zapatero falava? Mesmo tendo o som cortado, continuou a falar paralelamente, interrompendo Zapatero, insistindo em seus argumentos contra Aznar, lembrando que este havia apoiado o golpe de Estado que derrubou Chávez do poder por dois dias em 2002 ( por ordem de Aznar o embaixador da Espanha foi o primeiro a reconhecer o governo golpista )…
Chávez estava cheio de razão, mas, como muitas vezes, foi impulsivo, deselegante, infringindo a etiqueta da diplomacia etc. Nesse momento, impaciente, o rei Juan Carlos exclamou: “por que não se cala?”
A imprensa das classes dominantes do Brasil exultou e aproveitou para achincalhar Chávez mais uma vez. Por que tanta animosidade contra Chávez? Vejamos: quando Chávez foi eleito presidente da República pela primeira vez, em 1998, a Venezuela estava em falência política, suas classes dominantes, mergulhadas em profunda corrupção, desmoralizadas, não conseguiam mais governar. A maior riqueza do país, o petróleo, entregue às multinacionais de petróleo americanas, era partilhada por estas com as elites tradicionais e a alta classe média, ambas americanizadas, vivendo mais nos Estados Unidos que em seu país, seus filhos indo em massa estudar na Flórida, falando mais inglês que espanhol, acostumados todos a ver a Venezuela como uma fazenda de onde extraiam sua boa vida. A Venezuela é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e exporta a maior parte da produção para os Estados Unidos. Chávez começou por questionar a dominação americana sobre o petróleo. Procurou fortalecer a capacidadede negociação da PDVSA (a empresa estatal venezuelana) com as multis. Além disso, constatando que as políticas das grandes potências haviam levado à redução brutal do preço internacional do petróleo ( chegou a menos de 20 dólares o barril de 60 litros, isto é, petróleo estava mais barato que água mineral ),assumiu a presidência da OPEP ( Organização dos Países Exportadores de Petróleo ) e desenvolveu uma política de valorização do preço do óleo. Isso causou ódio e remordimento nos Estados Unidos e nos outros países ricos. Chávez também tratou de retirar das classes dominantes locais parte dos benefícios que recebiam do petróleo para poder investir na melhoria de condição de vida da população trabalhadora, especialmente em educação, saúde, alimentação, habitação. Isso enfureceu os velhos setores dominantes venezuelanos. Também o governo direitista espanhol, então comandado por Aznar, se incomodava. Porque a Espanha, ainda que há muito derrubada de sua condição de potência colonialista na América Latina, mantém grandes investimentos e desenvolve grande influência política por aqui, na condição de país sub-imperialista.
Os americanos, auxiliados pelo governo de Aznar, conspiraram com as classes dominantes locais pela derrubada de Chávez em 2002. Deram o golpe, mas não levaram, impedidos por um levante popular associado a uma tomada de posição de parte das forças armadas em favor legalidade.
Chávez reassumiu tendo muito mais clareza de quem eram e como atuavam os inimigos do povo venezuelano. Aprofundou sua política de nacionalização do petróleo e de destinar os benefíciosdessa riqueza para os mais pobres. Sabendo o tamanho da ameaça, tratou também de fortalecer as forças armadas venezuelanas, comprando armas para melhorar a qualidade da defesa do país, vizinho de uma super-armada e pró-americana Colômbia e de várias bases militares dos Estados Unidos. Como diz o velho ditado, “bobo é quem pensa que o inimigo dorme”. Chávez também mudou as leis do país, promoveu a elaboração de uma nova Constituição, reformou a Justiça e o Parlamento, reforçando a participação popular. Por tudo isso, Chávez é acusado de ditatorial.
O interessante é que todasas mudanças promovidas por Chávez foram feitas à partir de eleições, plebiscitos e consultas à população. Desde 1998 realizaram-se dez eleições e plebiscitos no país. Nenhum governo em tempos atuais consultou tão freqüentemente a população como o venezuelano. Eleições cuja lisura não foi contestada por observadores internacionais. Chávez ganhou todas e por larga margem. A oposição golpista, decidida a desmoralizar o regime político do país, esteve ausente de uma eleição. Comandou a abstenção, mas o povo votou em massa em Chávez e em seus candidatos ao Congresso. Resultado, com esse ato estúpido, apolítico, a oposição ficou sem representação nos poderes da República. E depois, saiu acusando Chávez de ditatorial. Certamente Chávez tem lá seus defeitos. Mas para se adotar uma posição madura sobre ele e seu governo, para ver com clareza no meio desse tiroteio é preciso levar em conta o principal. Registro três aspectos:
1)Trata-se de um governo antiimperialista, construindo a independência deseu país e, por isso, um poderoso aliado de todos os povos latino-americanos na luta contra as políticas imperiais que nos empobrecem e mantêm dependentes. O Brasil e todos os outros países do continente têm sido beneficiados pelas posições e políticas do governo de Chávez.
2) Também é preciso ver que ele vem promovendo políticas de melhoria das condições de vida da população trabalhadora e mais pobre da Venezuela e estimulando seu desenvolvimento econômico.
3) Todas as grandes decisões de governo têm sido respaldadas em eleições legítimas.
Atualmente, a irritação oligárquica contra Chávez alcança um novo ápice. Isso porque seu governo está propondo uma nova reforma constitucional. Uma das propostas é ampliar a possibilidade de reeleição do presidente da República. O povo venezuelano vai votar livremente e dizer se apóia ou não essa proposta. Se apoiar, Chávez poderá se reelegr outras vezes. E o povo venezuelano irá conferir no futuro se tomou uma decisão acertada ou não. É seu direito, é sua responsabilidade. Isso é democracia, é ou não é? Ou democracia é comprar deputados e fazer passar uma emenda à Constituição no Congresso para permitir a reeleição do presidente, sem consultar a população, como fez FHC mudando a regra do jogo para ganhar um novo mandato em 1998? Isso é democracia ou é golpe? É golpe. Mas para a imprensa oligárquica FHC é o democrata impoluto. E Chávez é que é ditador? Poupem-nos de tanta hipocrisia!
Carlos Azevedo é jornalista
Fórum Caros Amigos
22/11/2007

novembro 14, 2007

Em jantar finérrimo, Adib Jatene derruba chavões, defende a CPMF e exige que os ricos paguem impostos e deixem de hipocrisia e salafrarice.

OBRIGADO, DOUTOR
LUIZ ANTONIO MAGALHÃES
O que vai abaixo é o texto semanal do autor do blog para o Correio da Cidadania. Em primeira mão para os leitores do Entrelinhas.
Há certas pessoas que se tornaram verdadeiras unanimidades nacionais no Brasil. Adib Domingos Jatene, médico cardiologista e ex-ministro da Saúde, é uma delas. É difícil, muito difícil mesmo, achar alguém que fale mal do doutor. Primeiro, porque Jatene é um homem que salvou e salva vidas. Muitas vidas. Inventou uma técnica cirúrgica de correção de transposição dos grandes vasos da base do coração, conhecida hoje como Operação de Jatene, que tem sido empregada mundo afora com sucesso. Segundo, porque este médico nascido em Xapuri, no Acre, é um incansável defensor do sistema público de saúde, um militante da medicina social e não aquele tipo que trata apenas a parcela da população que pode pagar caro pelo privilégio de receber um atendimento de “primeiro mundo”, como gosta de dizer.
Sim, Adib Jatene é uma unanimidade nacional e talvez por isto pode fazer o que fez durante um jantar chique na capital paulista, conforme relato da jornalista Mônica Bergamo na edição de terça-feira da Folha de S. Paulo. Vale a pena reproduzir a reportagem:
Dedo em riste, falando alto, o cardiologista Adib Jatene, “pai” da CPMF e um dos maiores defensores da contribuição, diz a Paulo Skaf, presidente da Fiesp e que defende o fim do imposto: “No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda”.
**
Numa das rodas formadas no jantar beneficente para arrecadar fundos para o Incor, no restaurante A Figueira Rubaiyat, Skaf, cercado por médicos e políticos do PT que apóiam o imposto do cheque, tenta rebater: “Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!”. E Jatene: “Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais”. Skaf continua: “A CPMF foi criada para financiar a saúde e o governo tirou o dinheiro da saúde. O senhor não se sente enganado?”. E Jatene: “Eu, não! Por que vocês não combatem a Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões”. Skaf diz: “A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF”. “É que a CPMF não dá para sonegar!”, diz Jatene.
A reprodução dos fatos pela colunista da Folha parece especialmente feliz, mas muito mais interessante deve ter sido ver (e ouvir) o ocorrido ao vivo em cores. Lembra um pouco a propaganda do cartão de crédito: jantar beneficente no Figueira Rubayat, R$ 200; valet park para estacionar no restaurante por 2 horas, R$ 15; ver o Jatene enfiar o dedo no nariz do presidente da Fiesp e cobrar da elite que pague impostos, não tem preço.
De fato, é até possível contestar os argumentos de Jatene na defesa da CPMF, especificamente, mas não dá para não concordar com o ex-ministro em uma questão simples: o “imposto do cheque” é realmente o único tributo que a elite não consegue sonegar. Paulo Skaf, coitado, ficou meio sem argumentos diante da firmeza de Jatene e limitou-se a dizer que a Confins “não está em pauta”. Claro que não está, pois esta contribuição a elite consegue sonegar e a CPMF, não…No fundo, há uma certa falácia no Brasil sobre a questão da tal altíssima carga tributária. Primeiro, não é tão alta assim, pois em países mais desenvolvidos o peso dos impostos é ainda mais alto do que no Brasil; segundo, o problema não é tanto a carga, mas a falta de critério na tributação, que acaba fazendo com que os ricos paguem menos na proporção do que pagam os pobres e remediados.
Discussão técnica à parte, não deixa de ser irônico que um médico nascido no longínquo Acre, o homem que salva vidas, amigo de Paulo Maluf e Fernando Henrique Cardoso, foi quem teve a coragem de botar os pingos nos is (e o dedo na cara do presidente da Fiesp) para cobrar do representante da indústria paulista que os ricos paguem os seus impostos. Porque na esquerda, este tipo de cobrança parece estar totalmente fora de moda, soa como constrangimento ou provocação. Isto vale para o PT, cuja argumentação a favor da CPMF é tímida e defensiva, e vale também para a esquerda mais radical, que ultimamente anda de braços com o empresariado sempre que tal aliança possa resultar em desgaste ao governo Lula.
Gestos de coragem são de fato cada vez mais raros na cena brasileira. Adib Jatene, porém, mostrou que eles não desapareceram por completo. Ainda bem. Ou, como diria a voz das ruas: obrigado, doutor…
Luiz Antonio Magalhães
Blog ENTRELINHAS
14/11/07
( Valeu, Jasson. )

novembro 5, 2007

O Brasil tem mais a ganhar com acidentes de helicópteros do que com os de avião. Pergunte-me como.

Leia as matérias ( algumas antigas, é verdade, mas a distribuição de renda do Brasil permanece quase igual, há 500 anos, então… ) a seguir e veja o perfil dos passageiros ( digamos, mais claramente, os proprietários ) de helicópteros.
Trânsito nos céus
Frota de helicópteros cresce 20% ao ano graças a executivos dispostos a investir milhões de dólares para fugir do trânsito
Revista Época
10/07/2000
A grandiosidade de São Paulo atingiu o espaço aéreo. A cidade é a primeira no mundo em horas de vôos de helicópteros e ostenta a terceira frota do planeta. Os que podem preferem o ar a enfrentar 120 quilômetros diários de congestionamento nas ruas. É o caso do leiloeiro Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro, de 50 anos. Morador de Alphaville, condomínio a 20 quilômetros da capital, trabalha em Guarulhos, a 44 quilômetros dali. Investiu US$ 900 mil na compra de um Jet Ranger há quatro anos. Gasta 12 minutos no trajeto. De carro, levaria pelo menos uma hora. “Tenho de andar rápido, sou um prestador de serviços“, justifica.
Economizar tempo e fugir dos congestionamentos motivaram outros ricos e famosos a adotar o transporte aéreo. Com uma dose adicional de incentivo – evitar os seqüestros. Foi o que fez o empresário Abílio Diniz, dono da cadeia de supermercados Pão de Açúcar. Seqüestrado em 1989, costuma locomover-se pelo ar. O helicóptero, adquirido em nome da empresa, é utilizado também por parentes e amigos. Na semana passada, por exemplo, foi emprestado por João Paulo Diniz, filho de Abílio e dono de restaurantes, à top model Gisele Bündchen, sua ex-namorada. Ela o usou para evitar atrasos durante as concorridas aparições no MorumbiFashion, o maior evento de moda no país.
A geografia paulistana facilita os vôos dos aparelhos. A visão da cidade é ampla. A vantagem impulsiona o mercado. Cerca de 180 novas aeronaves somam-se à atual frota a cada 12 meses. O negócio é dominado por três empresas: a Helibrás, única montadora brasileira, a Audi Helicópteros, revendedora da americana Robinson, e a Líder Táxi Aéreo, representante da Bell. Da frota brasileira de 900 helicópteros, parte é composta do modelo Esquilo, montado pela Helibrás. Custa cerca de US$ 1,5 milhão. Um dos mais caros é o Dauphin, fabricado pelo consórcio franco-alemão Eurocopter. Nove deles sobrevoam os céus brasileiros. Valem, em média, US$ 6 milhões. Servem a uma casta dourada de empresários, como o investidor Jorge Paulo Lemann, o principal acionista do Garantia Partners, um banco de investimentos. O modelo mais sofisticado é o Sikorsky S76, avaliado em US$ 7 milhões. Há apenas três no Brasil, um deles em nome do banqueiro Júlio Bozano.
Espaço aéreo
O ranking das cidades com o maior número de aeronaves no mundo
Nova York: 2.000
Tóquio: 700
São Paulo: 450
Los Angeles: 250
Os altos valores em trânsito alimentam a oferta de trabalho no setor. Em 1999 foram cadastrados 230 novos pilotos privados e 90 comerciais no Departamento de Aviação Civil, órgão do Ministério da Aeronáutica responsável pela fiscalização do espaço aéreo. O aperfeiçoamento é atividade cansativa. São quatro meses de curso teórico, seguido de uma maratona de aulas práticas. Para tirar o brevê, o aviador privado precisa somar 35 horas no ar, e o comercial 100. Allan Totti Dias, de 23 anos, 120 horas de vôo, garante que o esforço de quase dois anos compensa: “Já tenho um bom salário”. O comandante Milton José Teixeira Rangel, proprietário da Tecplan, a maior escola de pilotos de helicópteros do Brasil, informa que o salário inicial vai de R$ 3.500, para os que controlam um Robinson R44, a R$ 12 mil, para os especialistas no Dauphin. Os números de pousos e decolagens de helicópteros confirmam o sucesso. Variam entre 350 e 400 por dia no Campo de Marte, em São Paulo. Em feriados prolongados, 120 aparelhos pousam no Rio de Janeiro. As ágeis aeronaves movimentam-se com preferência sobre os balneários de Angra dos Reis e Búzios. A socialite Vera Loyola não as dispensa depois que teve o pai e o filho seqüestrados. A apresentadora Xuxa Meneghel corta os céus para cumprir compromissos sociais e de trabalho. Usou uma delas para escapar do assédio da imprensa depois de submeter-se a uma plástica em São Paulo.Na capital paulista, empresários e banqueiros circulam nos ares entre a Avenida Paulista, as indústrias do ABC, o litoral e Campinas. Michel Klein, diretor e herdeiro das Casas Bahia, leva apenas nove minutos de casa, em Alphaville, a São Caetano do Sul, onde fica seu escritório. Helipontos não faltam. Há 81 na capital paulista. No país são 470. Pousos e decolagens tornaram-se parte da rotina do Rio e de São Paulo. Já não despertam a atenção nem levantam olhares curiosos para o céu.
Passageiros ilustres
Jogadores de futebol e políticos somam horas de vôo de helicóptero
Ronaldo
O atacante da Inter de Milão recupera-se, no Brasil, de uma cirurgia no joelho. Para evitar o assédio de fãs e garantir a privacidade, costuma voar
Romário
O jogador do Vasco recorre às aeronaves para ir aos treinos ou passar fins de semana na casa de veraneio em Angra dos Reis. Chegou a fazer um curso de pilotagem, mas não tirou o brevê
Fernando Henrique
O presidente da República costuma locomover-se nos aparelhos para cobrir trajetos curtos entre compromissos oficiais e viagens de descanso no sítio ou na praia

agosto 28, 2007

A cabeça do meu ( CENSURADO ), lazarento !!!!!

O agressivo título do post é apenas um recurso que usei para chamar a atenção.
Lendo ( bem de passagem) a Carta Capital desta semana, fiquei sabendo que um livro revela o verdadeiro caráter moral e ético do Brasil subterrâneo e oculto, porque feio e bronco.
Aquele, que usa Havaianas sem rubis e vive às voltas com o “apagão do busão”, o Apagão Educacional Continuado, o apagão da segurança para quem ocupa terras griladas e latifúndios improdutivos e para quem dorme na rua Tabatingüera, mora em favelas e bairros de subúrbio. Aquele que, ou fala um português rústico e limitado, ou fala um português rústico, limitado e cheio de gírias. Aquele Brasil que não pode, não sabe ou não consegue sonegar impostos ou promover uma engenharia contábil e tributária de qualidade, sempre objetivando optimizar os recursos, reduzir custos e gestar o orçamento. Ninguém é perfeito.
O que impede o Brasil de se tornar um horrível, desigual, violento, dantesco, ignorante, doente, pré-histórico, sujo e malvestido pedaço do Inferno, é a nossa, digamos assim, elite. Agradeçamos a eles pelo paíz que temos.
Quem é a elite brasileira? O que faz? Trabalha? Estuda? Usa cocaína? Joga contra o patrimônio?
É aquela parcela de cerca de cinco mil famílias que enche a burra com títulos federais? É a Hebe? Lê o Estadão e a Veja?
Apoiou o Golpe de 64? Fez Getúlio se matar? Não queria que o petróleo fosse nosso? Contrata uma empregada simplesinha e gostosinha para, entre as tarefas da casa, iniciar os filhos adolescentes na arte do amor? E para seus filhos espancarem-na na rua?
(…) Segundo o economista da Unicamp Marcio Pochmann, organizador do livro Atlas da exclusão social: os ricos no Brasil, há 1,2 milhão de brasileiros com renda mensal superior a R$ 11 mil, o suficiente para que sejam considerados ricos. “Dois terços deles moram no Estado de São Paulo”, afirma. Pelo menos 20 mil famílias vivem no País com mais de R$ 45 mil por mês, valor 130 vezes maior do que o salário mínimo. Esse grupo fez surgir um mercado específico: seis milhões de trabalhadores que dependem diretamente dos hábitos dos ricos. “São os profissionais do luxo e prestadores de serviços. O Brasil tem hoje, por exemplo, 1,5 milhão de seguranças privados”, enumera Pochmann. (…) ” .
Pois é. Tem um blog que se apresenta assim: “Nós somos a Elíte”. Com acento no “i”.
Então. A elite, segundo a matéria na Carta Capital e no blog do Eduardo Guimarães reza num sistema granítico de valores, um conjunto de regras morais e cívicas que os torna melhores do que o povão, aos olhos de Deus. Ela nos guiou até nos tornarmos o que somos hoje. Ou guiou a si mesma, tornando-se o que é hoje?
Moderna, iluminista, globalizada e elegante, além de obviamente muito mais inteligente que o restão da sociedade, nossa elite é apresentada de forma meritoriamente positiva pelo mais novo desmoralizador da Sociologia no paíz, o senhor Alberto Carlos Almeida, autor do livro ” A Cabeça do Brasileiro (Record; 280 páginas; 42 reais ) .
Que foi, recentemente, entrevistado no Roda Viva da TV Cultura de São Paulo. E que, até onde sei, teve seu livro resenhado pela Veja. Será um sucesso de vendas, se depender da classe-média ignara, público consumidor e razão de ser da revista da Abril.
Não faço idéia do que este cara fala, e nem sei se as avaliações que usei como referência conferem mesmo. Nunca li Gilberto Freyre ou Raimundo Faoro, nem Darci Ribeiro ou Sérgio Buarque de Hollanda. Conseqüentemente, jamais lerei o livro desse figura aí. Se acaso um dia eu quiser saber sobre o povo brasileiro ( sou um misantropo, já falei ) , os quatro que falei terão a preferência obrigatória. O Alberto eu deixo para o leitor da Veja.
Mas lembrei dum belo e contagiante artigo [ que reproduzo abaixo ] do professor ( na verdade, bem mais de um sobre o tema ) Carlos Lessa, em que ele louva as qualidades do povo brasileiro e propõe caminhos para saírmos da crise humana que assola a terrinha desde as caravelas. Não me parece que o ex-presidente do BNDES ( devidamente defenestrado por Lula, um pouco por causa da pressão exercida pela, digamos, elíte do paíz e seus ghost writers aboletados nas redações do imprensalão ) tenha a mesma simpatia pelos 0,01% da população, a quem chamamos de “elíte”. Lessa adora o povão. Como se pode notar, em seu discurso de despedida do BNDES, publicado no Bafafá On Line. E convence até um misantropo.
O Brasil tem Saída
Por Carlos Lessa,
janeiro de 2005
Todo o brasileiro deve ter acesso à felicidade de uma vida digna. O Brasil não pode escorregar para o medo do presente, nem para o futuro sem esperança. O brasileiro tem direito à dignidade e à segurança para si e seus filhos. A busca destes direitos é individual, porém cabe à sociedade estar organizada e aos governantes criar e velar pelas condições, de maneira que a busca não se frustre.
O emprego, a atividade e a renda adequados são pré-condições para a realização individual. A disponibilidade e o acesso aos bens e serviços básicos, a dignidade nos locais de trabalho e de moradia são essenciais a cada indivíduo para o exercício de vida produtiva e gratificante.
O Brasil, tendo como pano de fundo uma história multi-secular de exclusão social e de complacência de sucessivas gerações de elite de poder e de dinheiro, com gigantescas distâncias sociais, vive nos últimos vinte anos um crescimento rastejante e assiste à crise social mais grave de sua história. Para milhões e milhões de brasileiros foi dissolvida a esperança e instalou-se o medo na vida social. A nossa juventude, sem utopias e sem perspectivas, corre o risco de perder o ânimo. Os pais de família dormem intranqüilos quanto ao futuro. A matriz desta crise é o alto desemprego e o subemprego em níveis sem precedentes, acompanhado de marginalização social e índices crescentes de criminalidade e violência.
Frente a este quadro, as elites do dinheiro e do poder pretendem sua unificação cósmica com os seus pares internacionais, pelo consumo, pelo patrimônio e pelos padrões contratuais. Na sua visão global de Brasil, o reduzem a um mercado. Desconhecem e mesmo repudiam a brasilidade. Sustentam um processo político que adota a negativa explícita de encarar a crise como um desafio nacional, a ser superado pelo esforço combinado e coordenado dos próprios brasileiros. Assumem a crise social como inexorável subproduto da globalização e supõem sua superação num horizonte temporal indefinido, a partir do investidor estrangeiro.
O discurso recorrente dos governantes, no último decênio, tem sido que o Estado Brasileiro quebrou, portanto não pode formular, liderar e executar a parte central de um processo de desenvolvimento econômico e social. Este discurso apóia-se na idéia de que, na era da globalização, cabe ao capital internacionalizado resgatar o Brasil do subdesenvolvimento. O principal papel que se atribui ao Estado é criar as condições globais e parciais favoráveis à atração do investimento estrangeiro. Ao colocá-lo neste papel decisivo, do exterior surgem as regras de conduta que seus parceiros internos implantam. Declinam da formulação de um projeto nacional. Há neste discurso um misto de ingenuidade e má-fé.
Abrir mão da idéia de Nação é reconhecer-se a incapacidade de enfrentar a crise social. O atual espaço-mundo é aberto aos movimentos de mercadorias, capitais, empresas, tecnologias, informações, de gente rica. Veda a livre movimentação da força de trabalho. E as nações prósperas cada vez constroem barreiras mais cerradas às correntes migratórias. Isto estabelece como axioma que a questão social somente é superável com o fortalecimento da Nação. O refrão ideológico de que a crise social será resolvida pelo mercado supõe que o investimento externo é comprometido com o desenvolvimento nacional. Esta é uma suprema ingenuidade.
Se a Nação for um mercado em expansão, o investimento externo será por ele atraído. Porém, jamais será espontaneamente o criador deste mercado para o Brasil. O investimento externo foge e desconhece a pobreza. Não tem qualquer compromisso com a inclusão social. Se houver um projeto nacional, nítido e bem sucedido, será bem vinda a cooperação co-adjuvante do investimento estrangeiro, que aporte tecnologia e recursos. Confiar na sua iniciativa e liderança é permanecer passivo ante o drama social ampliado.
Há uma componente de equívoco político no que tange ao diagnóstico da crise e à proposta de sua superação. Fortes interesses, beneficiados pela política econômica, apoiam-se neste diagnóstico. O Brasil é vítima de uma relação de poder pela qual o aparelho do Estado, em sua instância de formulação e execução de política econômica, foi capturado pelas elites financeiras internacionalizadas que estabelecem o formato conveniente para seu próprio enriquecimento e hegemonia. A economia política brasileira transformou-se em uma máquina poderosa e eficiente de transferência de renda dos pobres para os ricos, logo de cristalização da exclusão social.
O grande capital financeiro, aqui reproduzido, estabeleceu as regras de sua própria internacionalização. Por força dos mecanismos de dolarização criados a seu favor pela elite do dinheiro dominante, a crise social é amplificada pela retração do setor produtivo e do trabalho, em relação às formas especulativas. Tal internacionalização financeira, com taxas básicas de juros reais nos níveis mais extravagantes do mundo, e com uma política fiscal contracionista e sufocante, agrava recorrentemente a crise social.
Fortalecer a Nação, robustecer o Estado Nacional e confiar nas próprias forças é ampliar o exercício de soberania, premissa básica de qualquer projeto para o Brasil. Cada estado é uma entidade política definida, inserida no espaço-mundo, do qual depende sob variados aspectos.
Soberania não é autarquia. As relações internacionais, multi e bi-laterais, são os veículos necessários desta soberania. Cabe exercitá-las com visão estratégica. O Continente sul-americano é ocupado por mais de dez países em situação equivalente ao Brasil. As linhas de força da geopolítica mundial empurram o Continente sul-americano e a África sub-sahariana para a periferia. Nestes espaços cresce a consciência de uma progressiva fragilidade. O Brasil tem que exercitar sua multi-lateralidade com as nações sul-americanas e africanas. Despojado de qualquer veleidade dominatória. Esta integração é co-constitutiva e alavanca um projeto nacional brasileiro. Devemos, simultaneamente, fortalecer todos os fóruns internacionais.
A crise brasileira à qual as práticas neoliberais nos levaram só será superada mediante a intervenção forte do Estado Nacional, à frente de um projeto centrado na questão social. Impõe o abandono do atual formato monetário-fiscal. A premissa é o reconhecimento de que o Estado democrático de direito é a instituição de construção do futuro. A cidadania política, pelo exercício do direito do voto, informado pela natureza da crise, pode implantar outro formato. Pode legitimamente acionar a seu favor o poder de regulação da ordem econômica, que é inerente ao Estado.
Não se propõe uma ruptura com o capitalismo. Mas se propõe, sim, uma ruptura com o neoliberalismo. Aqui não há contemporização possível, nada podemos esperar de bom das políticas neoliberais. O projeto para o Brasil tem que ser entendido como prioridade aos assuntos sociais, à inclusão de todos os cidadãos na plena cidadania civil, política e social e na regulação ética do uso de recursos e poderes públicos. Nacionalismo, sem vestígio de xenofobia, é a prevalência dos interesses nacionais na construção das decisões públicas.
No caso brasileiro é fundamental a homogeneidade lingüística e cultural da Nação. Em simultâneo, deve ser propiciado o acesso da população nacional às culturas do mundo. É chave do projeto nacional aperfeiçoar todos os estágios do sistema educacional.
Fortalecer a organização produtiva exige novos protagonistas econômicos. Os diversos agentes que compõem a chamada economia solidária devem ser incentivados. Em simultâneo, cabe principalizar as micro, pequena e média empresas, estimulando formas de cooperação que permitam a constituição de agregados produtivos equivalentes à grande empresa. Tais agregados, denominados arranjos produtivos locais, têm o mérito de uma aderência indissolúvel com a Nação. Seu controle não é transferível para o exterior, nem pretendem sua multi-nacionalização. Finalmente, é prioritário o desenvolvimento científico-tecnológico como dimensão crítica de pertencer e participar no espaço-mundo atual.
É premissa maior do projeto nacional a certeza de que o Brasil pode ser palco de uma civilização do bem-estar. A partir do estágio de desenvolvimento de forças produtivas já alcançado, da disponibilidade de recursos a incorporar e da competência acumulada por nossa gente, poderemos atingir em tempo relativamente rápido padrões dignos de uma nação civilizada.
Repudiamos o uso recorrente do alto desemprego como instrumento de estabilização de preços. É uma afronta ao próprio corpo político da Nação que grande parte dos brasileiros estejam afetados, direta ou indiretamente, pelo desemprego e o subemprego. A estabilidade deve ser matéria de construção de acordos e pactos entre os atores da vida brasileira. A política econômica a que estamos submetidos sufoca qualquer perspectiva de retomada sustentável do crescimento da economia. Este horizonte é particularmente sombrio para a juventude brasileira, na qual se concentra a maior proporção de desocupados. Cerca de 60% dos jovens de 14 a 25 anos não trabalham nem estudam e estão ativamente procurando emprego.
Está em nossas mãos, a partir de uma virada na política econômica a favor da maioria brasileira, implantar no Brasil o estado do bem-estar social, onde a cidadania goza e exerce direitos básicos de saúde, de educação, habitação, saneamento e lazer. Estes direitos sociais têm que ser garantidos para todos os brasileiros, inclusive para os que não têm herança ou são portadores de deficiências.
Todo aquele que assim o desejar deve ter direito ao trabalho remunerado e exercer uma atividade produtiva e gratificante. Disto emana uma diretiva forte para os planos de longo prazo. Têm que ser priorizados os serviços públicos essenciais, bem como todas as atividades ligadas às cadeias produtivas de bens e serviços da canastra popular. Embora a felicidade seja um conceito subjetivo, a ausência de condições materiais mínimas inviabiliza a realização pessoal de muitos compatriotas.
Tem o Brasil um povo tornado admirável. Objeto de desatenção crônica foi capaz de, no exercício de uma sobrevivência difícil, desenvolver traços generosos. É um povo sem arrogância. Não afronta ninguém com a exaltação de suas qualidades e diferenças. Pelo contrário, está sempre aberto à recepção do que lhe chega e de quem chega. É propenso a trocas sincréticas com as demais culturas e visitantes. Para sobreviver, assimila e é extremamente criativo. Sendo precária sua inserção no mundo do trabalho, valoriza o lugar de moradia. Faz do lugar o espaço de uma permanente socialização e desenvolve mecanismos de solidariedade. Não basta emprego e renda para superar a pobreza. Para a qualidade de vida é necessária a conviabilidade.
Esta é uma qualidade adquirida e consolidada na alma do povo brasileiro. A propensão à festa gigantesca, multiduniária, aberta a todos e sem violência, é a evidência inequívoca de que esta é uma qualidade praticada pelo popular brasileiro. Temos um povo que, tendo reduzidos preconceitos étnicos e religiosos, é capaz de construir uma civilização que renegue a violência.
É fundamental que o brasileiro, por uma pedagogia política, amplie tudo o que sabe e que pratica no lugar, para o âmbito da Nação. Sua fidelidade ao lugar será o fundamento de sua adesão ao primado do interesse nacional e à necessidade da robustez do Estado soberano.
O pior legado do neoliberalismo não é, sequer, a atual tragédia social. É o rebaixamento de nossa auto-estima, fazendo com que muitos do povo acreditem não poder aspirar a uma melhoria de vida. O maior crime do neoliberalismo é matar a esperança dos brasileiros no Brasil como um todo.

“É cancelada a aspiração de uma melhoria de vida em conjunto com os demais. Esta possibilidade é reduzida a uma selvagem competição com seu irmão e com a rejeição da solidariedade.”
O massacre ideológico da auto-estima só favorece a reprodução de privilégios injustos, para e pelas elites dominantes. Esta situação é apresentada como uma fatalidade pétrea. É cancelada a aspiração de uma melhoria de vida em conjunto com os demais. Esta possibilidade é reduzida a uma selvagem competição com seu irmão e com a rejeição da solidariedade.
A saída da crise não será formulada, apoiada ou implementada pelas elites dominantes. Exige a mobilização das instâncias e contra-elites próximas do próprio povo. Este será um ano decisivo, porque precede a sucessão presidencial. Será um desastre histórico insistirmos em um novo ciclo neoliberal. Por isso mesmo, o presidente Lula deve reavaliar suas alianças e visitar seu diagnóstico político-econômico. Eleito para mudar, ou ele muda ou perde sua base social.
Temos confiança em que o povo irá em frente, em busca do um novo projeto nacional para o Brasil, independentemente do Presidente Lula. Um povo que, a partir de uma prolongada ditadura, constituiu a democracia política sem derramamento de sangue certamente será capaz de utilizar as liberdades políticas conquistadas para constituir pacificamente a inclusão social no Brasil.
Os signatários deste manifesto conclamam o povo a acreditar, em primeiro lugar, na sua capacidade de intervir politicamente. Reiteram sua fidelidade ao ordenamento democrático como instrumento básico de aperfeiçoamento soberano e arbitragem de conflitos. Estão convencidos da potencialidade do Brasil e da qualidade de nosso povo. Os signatários saúdam iniciativas do tipo da Aliança Nacional Pelo Pleno Emprego e a correspondente Frente Parlamentar, que visam a mobilização da sociedade para uma nova política econômica.

Sobre o texto
Este texto é o esboço de um manifesto em favor do desenvolvimento sustentado brasileiro, alternativo ao modelo vigente. Ele é resultado de uma conversa realizada na casa de Roberto Requião, governador do Paraná, em Curitiba, e que reuniu Carlos Lessa, Darc da Costa, o Brigadeiro Ferolla, Bautista Vidal e o jornalista Benedito Pires Trindade.
Lessa reduziu a termos a conversa e produziu este texto, para que o leitor comente-o, critique-o, enriqueça-o.
Mande seu comentário: consciencia@consciencia.net
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