ENCALHE

agosto 5, 2008

Golpe na DEMOCRACIA: Apagão Educacional Continuado tucano e individualismo forjado na idéia de "R$ 1 milhão aos 30 anos" afasta jovens das eleições!!!

Bom, foi publicado pelo Jornal da Tarde de 04.08 ( VEJAM MAIS ABAIXO ) , uma conclusão próxima ao título deste post. Mas a matéria é fraca de dar dó. Um monte de números e alguns gráficos que não provam nada, a não ser o óbvio: o Apagão Educacional Continuado Tucano é grave, e o “K.Da 1 – K.da 1″ enculcado nas mentes de nossos ( “nossos” é modo de dizer; o certo é “vossos” ) jovens, desde cedo expostos à mensagens edificantes e estimulantes como “num mundo cada vez mais disputado, você deve fazer a diferença” e besteiras de auto-ajuda ( isso não está na matéria: sou eu que digo ) afins resultam na suposta apatia ou desinteresse eleitoral daqueles que não são, ainda, obrigados a votar, mas que a legislação lhes permite o fazerem. Os jovens entre 16 e 17 anos, nascidos, portanto, em 1991 e 1992.
A matéria do JT não faz certos cálculos, pois se preocupa mais em promover generalidades com ares de pesquisa, para tentar provar sua afirmativa. Nesse caminho, sobra também para os “escândalos políticos”, um conceito vago e, mais vago ainda nesta matéria jornalística (OBS: é possível que uma versão mais completa tenha saído no Estadão, carro-chefe do Grupo Estado, que publica o JT, mas eu não tenho em mãos ).
Uma das tabelas que ilustram o texto compara, por exemplo, o número de indivíduos nesta faixa etária que compunha a população no Estado de São Paulo em 2001, com o ano de 2007. Teria havido um crescimento de 12%. Em outro gráfico, é feita a comparação entre eleitores nessa faixa de idade inscritos para votar em 2004 e 2007: queda de 38%. E por aí vai. Acompanhem. Infelizmente, os referidos gráficos não estão presentes. Eles são mais interessantes.
Farei, ainda, comentários ou observações ao longo dos textos do jornal:
Escolas expulsam jovens da eleição
Jornal da Tarde, 04/08/2008
A equação é contraditória: o número de jovens entre 16 e 17 anos aumenta em São Paulo, mas a quantidade de eleitores desta faixa etária diminui. Para explicar o contra-senso, os especialistas recorrem à Educação.
A equação é contraditória: o número de jovens entre 16 e 17 anos aumenta em São Paulo, mas a quantidade de eleitores desta faixa etária diminui. Para explicar o contra-senso, os especialistas recorrem à Educação. A má formação nas Escolas é eleita como fator determinante para afastar os adolescentes das urnas, comportamento influenciado também pelo individualismo da nova geração e a rejeição aos recentes escândalos políticos. A fuga dos mais novos está expressa nas estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre 2004 e 2008, há queda de 38,1% dos cadastrados entre 16 e 17 anos no Estado, saindo de 516,9 mil para atuais 374,3 mil. Já os dados populacionais mostram um acréscimo de 12,8% desse grupo etário (1,6 milhão no ano passado contra 1,4 milhão em 2000, segundo o DataSUS). A ausência de explicação demográfica dá força para a interferência da baixa qualidade da Educação no interesse juvenil pela política. “Se há deficiência no ensino de português e matemática, também é falha a formação cidadã do estudante”, avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada, César Calegari. “A Escola não incentiva a consciência dos alunos, o que repercute o desinteresse em tirar o título de eleitor”, completa Calegari, que também preside o Conselho Nacional de Educação. Os índices que medem a qualidade do ensino médio paulista, ciclo que concentra a maior parte dos adolescentes, estão alinhados com a tese de Calegari. O declínio das notas do Sistema Nacional de Educação Básica (Saeb) acompanha o gráfico de eleitores facultativos. Em 2003, a média estadual alcançada pelos alunos de 1º e 3º colegial de SP estava em 280,4 pontos e caiu para 269,36 em 2007, segundo avaliação do Ministério da Educação. Outro ingrediente que retrata o contexto educacional dos jovens é a primeira edição do Índice de Desenvolvimento de Educação de São Paulo (Idesp), realizada em abril. Na escala de 0 a 10, os matriculados no ensino médio atingiram nota 1,4 – é a pior média comparada com os 3,8 pontos alcançados pelos alunos do ensino fundamental (5ª a 8ª série) e ainda menor do que os 5,1 pontos conseguidos pelo Ensino Infantil (1ª a 4ª série). O cientista político da Universidade de Brasília, Leandro Barreto, endossa a opinião de que a formação educacional precária afeta a participação nas votações. Mas ele traz outros fatores para a apatia política dos jovens, repetida no País (queda de 19% no número de eleitores) e ainda mais acentuada na capital de São Paulo (baixa de 64,6%). “O jovem é a parcela mais sensível aos escândalos. A crise ética pela qual passa a política assustou”, diz Barreto, ao ressaltar que, ao invés de reagir com o protesto, a resposta da juventude vem na forma do desestímulo. “Figurino” muito diferente do já usado pelos jovens de antes, como a emblemática geração de 1968 na briga contra a ditadura, a que pediu a anistia do final da década de 70 e os caras pintadas que gritaram pelo impeachment de Fernando Collor, nos anos 90. A não adesão da juventude ao voto facultativo fez a União Brasileira dos Estudantes (Ubes) lançar a campanha “Se Liga 16”. “A Educação no Brasil enfrentou, e ainda enfrenta, um processo de desmanche total”, argumenta o diretor da entidade, Thiago Mayworm. “A dinâmica da sala de aula é copiar o que está escrito na lousa. O que queremos com a campanha é estimular a consciência política dos alunos e reforçar a importância do voto.” O professor do Departamento de Geografia da PUC, Marco Bernadino de Carvalho, ressalta que a forma atual de manifestação juvenil prioriza o interesse individual em detrimento do coletivo, o que serve de hipótese para a fuga das urnas. Pesquisa Datafolha, divulgada semana passada, que traçou o perfil do jovem brasileiro, mostrou que os anseios pessoais prevalecem. Dos 1.541 entrevistados, entre 16 e 25 anos, 18% citaram a realização profissional como maior sonho e 22% a casa própria. “A falta de rebeldia nos impede de fazer projeção do futuro político”, diz Carvalho. “Em tese, com envelhecimento da população, teríamos eleitores mais conservadores. Mas o rebelde de ontem é o idoso de hoje e os apáticos atuais, os eleitores velhos de amanhã.”
Contramão
Na contramão dos jovens de 16 e 17 anos, está o aumento do voto facultativo entre os maiores de 69 anos: eram 1,4 milhão em SP no ano 2004 e agora somam 1,8 milhão. Não por acaso, a terceira idade atual é formada, justamente, pelos jovens que revolucionaram a década de 60.
NÃO VOU VOTAR POR ENQUANTO. TENHO 16, NÃO SOU OBRIGADA.
O desinteresse em mudar o cenário político está no discurso dos jovens paulistanos. O argumento usado pelos meninos e meninas ouvidos pelo JT é a descrença de que o voto pode mudar o cenário eleitoral. É o que diz a maioria dos que não chegaram à maioridade nem foi atrás de tirar o título. E, para quem já fez 18 anos, votar é mais uma das obrigações, assim como fazer o dever de casa ou lavar a louça.
Tanto na porta de Escolas públicas ou ainda em frente aos colégios particulares, a opção por não participar das eleições não apresentou diferença. Na sexta-feira, um dia depois do debate dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, exibido pela TV Bandeirantes, o assunto não fazia parte das rodinhas. “Não assisti o debate, não. Eu não vou votar, tenho 17 anos. Por isso fico fora dessa discussão”, disse Mariana Santiago, pouco antes de entrar no cursinho preparatório que fica na Rua Vergueiro, Zona Sul da Capital. Opinião muito semelhante da outra Mariana, a Pires, esta estudante do colégio público Major Arcy, que fica na Vila Mariana. “Eu não vou votar por enquanto. Tenho só 16 anos, ainda não sou obrigada.” Já Márvia Scardua, diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), tem opinião contrária. “Sou contra a tese de que a juventude é alienada. Talvez, esta geração não se manifeste pelo voto. Mas os nossos congressos estão cada vez mais lotados. O último (em maio) reuniu 400 mil estudantes”, pondera. Os amigos “escadinhas”, Ademir Benedito, 18 anos, Valério Pereira, 17, e Thaís Lobregatte, 16, reúnem as justificativas mais apresentadas pelos jovens. O mais velho só vai votar porque agora a legislação obriga. O “do meio” escapou porque só completa 18 anos em 2009. E a caçula tirou o título para ter mais um documento, porém não quer votar.
APATIA POLÍTICA
Este ano, eu não escapei. Fiz 18 anos e, por isso, preciso votar. Mas não tenho a menor vontade” ADEMIR BENEDITO ESTUDANTE DE ADMINISTRAÇÃO, 18 ANOS
Não tirei o título de eleitor e nem me interesso por política. Só vou votar quando for obrigação” VALÉRIO PEREIRA ALUNO DO 3º ANO DO ensino médio, 17 ANOS
Tirei o título agora, não porque tenho vontade de votar. Foi só para ter mais um documento” THAÍS LOBREGATTE CURSA O 2º ANO DO ensino médio, 16 ANOS
E o que pretendem estes jovens de seu futuro? Uma pista segura: Tocadores de MP3 já são risco à audição mostra um dos efeitos do autismo juvenil. Pena que eles não ficam MUDOS também.
Voltando a situação eleitoral. Não sei bem o que a matéria do JT tenta provar ( ou fazer-nos crer ). Que a corrupção política afasta os jovens da política? Compara-se, ali, os jovens atuais com os de 68…É como se todos os jovens daquele período fossem, bem, “rebeldes”. Não houve reaças na década de 60, mesmo que em idade baixa? Será que certos senhores que escrevem nos jornais e revistas, e que têm a mesma idade de outrora “subversivos”, como Gabeira e Zé Dirceu, foram, igualmente, “rebeldes”? 68 é um bom objeto de venda, e só. É como o Rock’n'Roll. E a efígie de Che Guevara. Dizia Raul: “Falta cultura prá cuspir na estrutura”. Nada mais verdadeiro, e é bom que essa molecada não vote mesmo.
Tem uma história, é mais ou menos assim: os negros americanos que militavam, seja nos movimentos negros ou hippies, ao mesmo tempo, não confiavam tanto assim em seus companheiros de revolução pois, para os negros, se as coisas passassem a dar errado para os cabeludos, eles simplesmente voltariam para a casa de seus pais, enquanto os negros voltariam para o Bronx.
Ainda assim, o cenário brasileiro em 68 era muito pior para os jovens do que o atual. Será que as facilidades de hoje afrouxaram o caráter da molecada de hoje ( o início do processo de “desinteresse eleitoral” deve ter sido com seus pais ), pelo menos os que são o objeto da pesquisa citada pelo jornal ? E mais uma pergunta: os adultos de 68 eram mais o quê, em relação aos de hoje? Cultos? Inteligentes? Preocupados com o próximo e a coletividade? Se for isso, o “desânimo eleitoral de hoje” é, ao mesmo tempo, causa e consequência. Pois, “apatia” e “desinteresse” são passividade, enquanto “não votar por descrença” presume conhecimento, algum tipo de interesse, reflexão, exercício. Ou seja: uma postura ativa. Não se pode ser “crítico” e “desinteressado” da forma que o jornal nos apresenta.
Eu creio mais na idéia de que os garotos são altamente influenciados pelo “cada um com seu poblema”. Essa idéia veio bem na carona do sucateamento do Estado que, em princípio, seria um agente dos interesses em comum. Em lugar do “brasileiro”, veio para ficar o “cliente”. Como se sabe, a pessoa que consome ( o “cliente” ) se destaca da multidão ( o “brasileiro” ), e esse é o norte da bússola desta geração. O coletivo não está com nada, desde que a tucanalha comprou o poder, em 1995 e trouxe consigo os badulaques eletrônicos importados que hipnotizaram os pais dessa molecada que não quer votar. O individualismo declarado não exclui as outras componentes. Não deveria ser surpresa esse comportamento e, no mais, deve ser resultado já previsto e estimulado.
Quer ver uns números?
O gráfico que mostra a avaliação do ensino médio em SP pelo SAEB, só vai até 2005. A queda livre é iniciada, coincidentemente ( para quem acredita nisso ), em 1995. A média em português era 305,26 e atingiu 261, 34 em 2005. Em 2006, Serra vence a eleição para Governador do Estado. Não há – repito – dados na matéria que nos permitam averiguar o comportamento da queda nas avaliações que já completava uma década ininterrupta.
Matemática também apresentou queda brutal nestes 10 anos. E é nesse contexto educacional que nossos jovens estão inseridos.
CORRUPÇÃO
Também não dá para levar a sério esse papo de “os jovens têm vivenciado corrupção e, por isso, não querem votar”.
Os índices que aparecem, retratando a queda do número destes eleitores são estes:
- 19% Nacional ( – 19% )
- 38% Estadual ( – 38% )
- 64% Municipal ( – 64% ), sendo os dois últimos referentes ao Estado de São Paulo e sua Capital.
O que teria havido para esta queda? O texto do jornal não diz, mas sugere-se, implicitamente, que a corrupção em questão está no nível federal, logo, governo Lula.
Vejamos: O Estado de São Paulo é governado pelo PSDB há 13 anos. Uma pessoa que tenha, hoje, 16 ou 17 anos, tinha 3 em 95 e 10 em 2002, quando Lula foi eleito presidente da primeira vez. Ou seja, o moleque não sentiu na carne toda a corrupção engenhosa que existiu nos dois governos de FHC. Graças, também, à nossa insuperável mídia, ou PIG. Seus pais também entenderam pouco. Nascera, inclusive, a República dos Eufemismos, o modo disfarçado e pretensamente intelectualizado e moderno dos tucanos falarem sobre como roubariam, entregariam e deixariam roubar. Tudo, dentro da mais inegável elegância e sapiência superior.
Pois bem: o sixteen de hoje tinha 13 em 2005, quando começaram a surgir as primeiras denúncias de corrupção e outras mazelas morais contra o governo Lula ( eu disse “denúncias” ) e que vieram se transformar no “maior escândalo de manipulação jamais vista neste país”: “suposto mensalão”, dólares de Cuba, Dinheiro na cueca, morte de Celso Daniel, “caos aéreo”. Tudo em alto e bom som, o tempo todo, sem dó. Exceto, claro, as retratações.
Não que o governo petista seja ou fosse composto por santos apenas mas, para salvar a pele de antigos governantes e seus aliados empresariais/ corporativos/ consultores/ administradores, os nossos jornais e revistas passaram a atirar para todo o lado e, mesmo que não acertassem, diziam tê-lo feito, e na mosca. Nas foi suficiente, e Lula conseguiu ser reeleito, e goza de bastante prestígio, se levarmos por pesquisas. Mas o PIG insiste, e as comunicações que temos hoje em dia são mais presentes e potentes, e é a essas que a juventude está exposta.
Mas aí tem o seguinte: a queda, em nível nacional, dos eleitores jovens, foi de 19% e, lembremos, 38 e 64% no Estado de São Paulo e Capital, respectivamente. Já ouço a voz dum Bandeirante ou Cosmopolita Paulistano: “é porque nossos ( paulistas e paulistanos ) jovens são mais letrados, cultos e críticos e não recebem Bolsa-Esmola; por isso, se recusam a votar, se não são obrigados…”.
Certo: mas numa eleição municipal? E se pensarmos que, como bem explica a propaganda do TSE, o município é a parte mais visível, a mais perceptível da organização político/administrativo/social duma coletividade? Os garotos que estão na 3ª. série do segundo grau ( Estado ) ingressaram em 2005. Este foi o primeiro ano de José Serra – e, depois, Kassab – na Prefeitura de São Paulo. No ano seguinte, José Serra foi eleito governador, sendo empossado em 2007.
Desde então, as coisas melhoraram demais: craterão do Metrô, mais bomba nas avaliações da Educação, denúncias envolvendo a Alstom e figurões do PSDB, Nova Máfia dos Fiscais, fim da paciência dos professores e a deflagração de greve, mais CPIs engavetadas, a prisão do chapa Daniel Dantas… Mas o PSDB/ DEM ainda gozam de um prestígio junto à imprensa que o governo federal jamais pensaria sequer em arranhar.
Tudo muito difícil de acompanhar acuradamente, mas não deixa de reforçar um sentimento geral de “mergulho amplo na corrupção e malfeitorias afins”. Isso repercutiu, dessa vez, localmente, ou seja, estadual e municipal.
Então poderíamos concluir, sem medo de parecermos piores que os jornais que publicam matérias de qualidade duvidosa como a que está em questão: a incompetência, corrupção e sucateamento tucanos no Estado e Cidade de São Paulo, causam repulsa a jovens locais, que se recusam a votar nestas eleições, já que a lei não os obriga.
Bom, recordo, a matéria do JT não mereceria tanta atenção de minha ( nossa ) parte e nem ser levada muito a sério, e já escrevi demais a respeito. Encheu!! E nem saiu do jeito que eu pretendia.

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