ENCALHE

maio 19, 2009

Competência, teu nome é PSDB/ DEM ( ou: O PETRÓLEO É NOSSO, PSDB! )

Eu não sei que pacto com o Coisa Ruim esses partidos fizeram, mas me parece que eles sempre levam a melhor quando se trata de instalar CPIs na Câmara.
A competência se torna gritante, quando sabemos que existem mais de, sei lá quanto, dezenas de CPIs pedidas pelos partidos de oposição aqui no Estado de São Paulo, e que devem estar mofando em alguma gaveta sobria no castelo do soturno Conde. Não passam de jeito nenhum, nem com reza braba.
Por sua vez, a tal “opinião pública” não parece fazer a menor questão de que os sucessivos governos tucanos sejam investigados. Silêncio sepulcral.
Agora eu até fiquei com medo, sabem? Tantos anos com a podridão “curtindo” como se fosse um “escabeche” no vinagre, até pegar o gosto, e sabe-se lá o que poderia sair de alguma CPI, uma criatura tipo “A Coisa”, que causaria uma devastação descomunal…
Que segredos existirão nos sarcófagos estaduais? E qual o segredo para conseguir desencavá-los?
FATO
Confesso que ainda estou meio que boiando nessa história de “CPI da Petrobrás”. Para começar, não deveria existir um “fato” – sei lá que nome se dá – que justificasse a instalação, mas que a circunscrevesse?
A depender do nome ( abrangente ), fica parecendo que até o cadáver do Getúlio Vargas – vejam, mais abaixo, a Carta-Testamento de Getúlio – os golpistas vão exumar, em busca da “verdade” que lhes interessa. Tipo, desde a criação da estatal, mas pulando o governo FHC e excluíndo a direção da Petrobrás quando ela esteve a cargo do genro de Fernando Henrique Cardoso, o sr. David Zilberstajn ( que, se não me engano, depois foi trabalhar nas Organizações Globo ).
A esperança é que estes patetas entreguistas façam como costumam fazer: a CPI vai criar um monte de papel amarelo ( no caso, os jornais que se servirão das “descobertas”, vulgo, dos factóides ) mas, no final, chegarão até a sala de estar deles mesmos.
A RESPOSTA:
Em defesa da Petrobrás
O petróleo é nosso, PSDB!
EDUARDO GUIMARÃES
O bordão “O petróleo é nosso” foi criado pela Campanha do Petróleo, desencadeada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e por nacionalistas. Daquela campanha, nasceu a estatal petrolífera nacional, a Petrobras, em 1953.
O Brasil, desde aquela época, vem se dividindo entre nacionalistas e defensores do capital estrangeiro. Em 1938, o governo Getúlio Vargas determinou a exploração de uma jazida de petróleo em Lobato, na Bahia, dando origem ao Conselho Nacional do Petróleo. Desde então, as jazidas minerais passaram a ser propriedade do povo, sendo vedada a propriedade privada.
Criar a Petrobrás, no início dos 50, foi uma decisão acertada. Naquela época, o Brasil importava 93% dos derivados de petróleo que consumia. Hoje, somos autossuficientes.
O monopólio estatal do petróleo durou 44 anos. Foi quebrado em 16 de outubro de 1997 justamente pelo governo Fernando Henrique Cardoso e pelo partido que lhe dava sustentação, o PSDB, que agora, diante da maior descoberta petrolífera da história do país, novamente avança sobre o petróleo a fim de entregá-lo ao monopólio estrangeiro.
A CPI da Petrobrás, recém-criada no Senado Federal por iniciativa do PSDB e a mando evidente da eminencia parda da agremiação, o governador José Serra, é o mais novo avanço dos entreguistas de que falava Getúlio Vargas, aos quais o país se opôs e criou a empresa petrolífera.
Como disse recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a descoberta e o início das operações de exploração do pré-sal constitui a “Segunda Independência” do Brasil. Através dessa riqueza imensa que jaz em nosso litoral Sudeste, o Brasil poderá ascender ao Primeiro Mundo talvez em uma década, se conseguirmos manter a riqueza a salvo das garras tucanas.
Não é por outra razão que venho propor a criação da nova campanha em defesa das riquezas minerais brasileiras, sugerindo o bordão “O petróleo é nosso, PSDB!”
E, sem titubear, começo propondo o início dessa campanha num ato público em defesa da Petrobrás a se realizar o quanto antes diante do diretório estadual do PSDB em São Paulo, no bairro de Indianópolis, na avenida que leva o mesmo nome, pois o ataque à Petrobrás vem do mesmo partido que começou a entregar o petróleo brasileiro há 12 anos e que quer voltar ao poder no ano que vem para continuar sua obra nefasta.
Como sempre, dependerei de vocês para saírem pela internet propondo em sites e blogs a medida que anuncio aqui em defesa dos interesses nacionais.
Será um ato ao qual se pretende a adesão de partidos, sindicatos, movimentos sociais e da sociedade civil de forma geral. Diante do previsível bloqueio que a imprensa dará a esta iniciativa, só podemos contar com vocês, leitores, e com a força da internet.
Na semana que vem, novamente iniciarei contatos para difundir o ato público proposto. Desta vez, porém, será no âmbito maior de uma campanha que se espera que se espalhe pelo país.
Caso esta proposta receba as adesões minimamente necessárias dos leitores deste blog, novamente o Movimento dos Sem Mídia assumirá o compromisso de organizar outro ato em defesa da cidadania. E vocês, ao aderirem, comprometer-se-ão a difundir esta proposta onde possam – na internet, nas ruas, entre a familia, entre os amigos, onde cada um puder.
Primeiro em São Paulo, na terra da mente criminosa que está por trás de tudo isso, a mente obscura de José Serra. Depois, pelo país inteiro. A campanha deverá durar enquanto durar a CPI da Petrobrás, com atos públicos espalhando-se pelo país até chegarmos a um ato maior, que sugiro que seja feito em Brasília diante do Congresso Nacional.
Pronto, a sorte foi lançada. A reação, agora, dependerá de cada um de nós, de nosso empenho em difundir e defender os interesses do Brasil. Que Deus nos ilumine e ajude a manter as garras tucanas e reacionárias longe das riquezas nacionais.
A carta-testamento de Getúlio Vargas
24 de agosto de 1954
Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.
Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao Governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores de trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançaram até 500% ao ano. Na declaração de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história
Getúlio Vargas

março 10, 2009

Manifestação contra a "Ditabranda Desavergonhada" da Folha. Saiba como foi.

Eu não pude ir ( houve até surpresas, como a presença não-aguardada do padre Júlio Lancelotti, santo homem e protetor dos moradores de rua e crianças portadoras do HIV, também vítima de uma série de denúncias sensacionalistas e espúrias que, tenho a impressão, foram bem do agrado do sr. Andrea Matarazzo, se é que não foram feitas sob sua encomenda ), e ainda não consegui trazer até este blog as notícias fresquinhas, diretamente daquele que foi atrás, organizou, se comprometeu e não fraquejou, o Eduardo Guimarães. Torço muito por ele. Não sei se eu teria o mesmo desprendimento, e espero que ele sempre encontre forças para prosseguir, contanto que assim deseje. E que não queira levar o mundo nas costas ( não sei se isso é um bom conselho, ou se é conformismo e acomodação de minha parte ).
Enfim, se desejarem saber o que e como, sigam os links, a começar primeira e obrigatoriamente pelo blog CIDADANIA, do Eduardo Guimarães:
- “AOS QUE NÃO SE CALARAM“, e posts diversos ( Blog CIDADANIA )
- Manifestação põe ‘Folha’ e ‘ditabranda’ no devido lugar ( Vermelho, 07.03.09 )
- “Folha, de rabo preso com o feitor” ( CUT, 07.03.09 )

março 8, 2009

Vinícius Duarte: "Nome do fundador da ‘Folha da Ditabranda’ batiza Instituto do Câncer de SP, cuja obra ficou parada por 15 anos!!"

Ditaduras, ditamoles, ditabrandas…
Vinícius Duarte, do glorioso blog Com Fel e Limão

Realmente muito apropriado o instituto do Câncer de SP ser atribuido ao Frias da Folha de SP.
Tá mais que passado esse assunto, mas estou sem tempo de postar.
Você conhece o
Instituto do Câncer de São Paulo “Octávio Frias de Oliveira”? É aquele prédio na Av. Dr. Arnaldo, pertinho do Hospital das Clínicas, que foi um esqueleto por mais de quinze anos, agora finalmente concluído.
Talvez seja o único hospital do mundo com nome de “jornalista”. Mas, lendo a placa na porta e a especialidade, acho que tem tudo a ver.

Vinícius Duarte: "Nome do fundador da ‘Folha da Ditabranda’ batiza Instituto do Câncer de SP, cuja obra ficou parada por 15 anos!!"

Ditaduras, ditamoles, ditabrandas…
Vinícius Duarte, do glorioso blog Com Fel e Limão

Realmente muito apropriado o instituto do Câncer de SP ser atribuido ao Frias da Folha de SP.
Tá mais que passado esse assunto, mas estou sem tempo de postar.
Você conhece o
Instituto do Câncer de São Paulo “Octávio Frias de Oliveira”? É aquele prédio na Av. Dr. Arnaldo, pertinho do Hospital das Clínicas, que foi um esqueleto por mais de quinze anos, agora finalmente concluído.
Talvez seja o único hospital do mundo com nome de “jornalista”. Mas, lendo a placa na porta e a especialidade, acho que tem tudo a ver.

Vinícius Duarte: "Nome do fundador da ‘Folha da Ditabranda’ batiza Instituto do Câncer de SP, cuja obra ficou parada por 15 anos!!"

Ditaduras, ditamoles, ditabrandas…
Vinícius Duarte, do glorioso blog Com Fel e Limão

Realmente muito apropriado o instituto do Câncer de SP ser atribuido ao Frias da Folha de SP.
Tá mais que passado esse assunto, mas estou sem tempo de postar.
Você conhece o
Instituto do Câncer de São Paulo “Octávio Frias de Oliveira”? É aquele prédio na Av. Dr. Arnaldo, pertinho do Hospital das Clínicas, que foi um esqueleto por mais de quinze anos, agora finalmente concluído.
Talvez seja o único hospital do mundo com nome de “jornalista”. Mas, lendo a placa na porta e a especialidade, acho que tem tudo a ver.

fevereiro 24, 2009

O que pensam os ex-exilados Serra e FHC sobre a "Ditabranda Vergonhosa" da Folha?

A simples menção da palavra me obriga a reconhecer, envergonhadamente, que sei muito pouco sobre o período militar brasileiro. Sinceramente não dei, a essa questão, a atenção e o estudo que ela merece. Essa negligência sobre o passado, porém, não me exime de ocupar-me com assuntos, digamos, correlatos, e atuais. Eu até poderia ser auto-indulgente com relação a essa negligência sobre o passado mas, sobre o tempo presente, não vejo como.
Não sei se você ouviu ou leu por aí, então resumirei: o jornal Folha de São Paulo, em editorial [ que eu não li ] acerca da vitória da “Emenda Chávez”, re-denominou a ditadura militar brasileira com um neologismo: “ditabranda”. O termo surge neste trecho:
“Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ – caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso.”
Sobre o neologismo, segue a observação de Luiz Antonio Magalhães, no blog Entrelinhas:
” ( … ) Para começo de conversa, causa espécie que o jornal escreva “as chamadas ‘ditabrandas’” quando não há notícia de que alguém tivesse, antes da Folha, a idéia de jerico de qualificar o regime militar de tal forma. Este observador fez uma busca no Google e constatou que a pesquisa retorna apenas as referências à polêmica iniciada pela Folha. Ninguém antes qualificou a ditadura brasileira de “ditabranda” ( … )”.
Luiz, no mesmo post, expõe o seguinte pensamento:
“( … ) é justo dizer, a direção da Folha e seus editorialistas têm todo o direito de achar que os militares pegaram leve. É uma questão de gosto e escolha, provavelmente o assinante do Estadão jamais leria tamanho despautério, ainda que o jornal se posicione de maneira muito mais conservadora do que a Folha em várias questões. A razão para isto é simples: O Estado de S. Paulo sofreu bem mais com a censura e sabe o quão duro foi o dito governo ( … )”.
Nesse ponto do raciocínio do jornalista, vem-me a memória uma das coisas que só tomei conhecimento a partir da leitura de “O Golpe de 64 em São João da Boa Vista”, de Jasson de Oliveira Andrade. Mas não preciso recorrer a um texto do livro. Há um artigo – dos vários que podemos encontrar ali – de Jasson, publicado no Portal Mogi-Guaçu, a respeito da relação conflituosa entre o Estadão e a ( ainda assim chamada ) Ditadura, do qual destaco o fragmento que segue, e que resume muito bem a questão:
” ( … ) O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269) ( … )”.
Até hoje o Estadão repousa sobre os louros de ter sido “censurado”. Vai ver, a linha-dura do governo militar ficou com medo do Júlio Mesquita Filho e resolveu reagir antes que o negócio ficasse realmente punk. Agora cientes destas informações, podemos até concluír que, para a Folha, a “Ditabranda” somente teria merecido o status de “Ditadura” se a cartilha de terror do Mesquita tivesse sido adotada pelo regime.
( Esqueçam o último parágrafo. Não é para ser levado a sério. )
A nova forma ( suave ) de tratar a ditadura militar brasileira or parte da Folha enfureceu um monte de gente, e as reclamações e protestos não tardaram a chegar ao jornal. Na seção de cartas dos leitores, foi publicado, em dias diferentes, o protesto de duas personalidades ( reprodução abaixo ) :
“Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!”
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP) , e:
“O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana.”
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP);
A estas cartas, foi a seguinte a resposta da Redação da Folha:
“Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.”
Parece que foi aí que alguns leitores, comentaristas e analistas perceberam que teria “baixado um Mesquita” na redação da Folha. “Cínicos e mentirosos”… Uma baixeza só. Sobre essa forma “baixa” ( que muitos de nós pensávamos, estar reservada pelo imprensalão exclusivamente ao Lula ), que a Folha usou contra os professores, Luiz ( que já trabalhou no jornal dos Frias ) observa o seguinte:
“O pior de tudo realmente não foi o editorial, bem lamentável, mas a Nota da Redação de 20/2. Pior, sim, porque todo foca que passou uma semana em qualquer redação do país sabe que uma nota dessas não é publicada sem a anuência da direção do jornal. Por mais que o editor do Painel do Leitor vista a camisa do jornal, ele não tem autonomia para chamar Fábio Konder Comparato de cínico e Maria Victoria Benevides de mentirosa. A nota veio de cima, o que só reforça a a ideia de que também o editorial foi cuidadosamente pensado para que o jornal emitisse o juízo de valor que tem, hoje, sobre a ditadura brasileira.
A infame resposta a Maria e Fábio Konder mereceu a seguinte mensagem, enviada por Eduardo Guimarães à seção de leitores do jornal, e publicada em seu blog Cidadania:
“Ao Painel do Leitor:
Interessante a “Nota da Redação” que esse jornal publicou sobre as críticas dos leitores que se revoltaram contra a qualificação que o editorial “Limites a Chávez” (17/02) deu à ditadura militar brasileira, ou seja, “ditabranda”. Ao chamar de “cínicos e mentirosos” os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato por suas críticas no Painel do Leitor, alegando que eles “até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como a de Cuba”, a Folha mostra que não considera o regime cubano uma “ditabranda”, ainda que não se tenha notícias de torturadores cubanos que tenham estuprado filhas na frente dos país ou praticado outras sevícias incontestavelmente praticadas pelos militares brasileiros nos anos de chumbo. Não há, em Cuba, um movimento de famílias em busca de entes queridos que “evaporaram” da face da Terra por ação do regime. Ainda assim, a “ditadura” cubana é acusada pelo jornal de ser mais dura do que a brasileira. Nada a estranhar, claro. Um jornal que emprestou seus caminhões para os militares assassinos transportarem cadáveres ou semicadáveres oriundos de seus “brandos” métodos de “investigação”, provou que seu conceito de brandura ou de dureza das ditaduras varia de acordo com a ideologia delas.
Eduardo Guimarães, São Paulo”
Não sei se o jornal publicou a missiva de Eduardo.
REBATISMO LITERÁRIO: “A DITABRANDA ENVERGONHADA”
“A Ditadura Envergonhada” (Companhia das Letras) é o primeiro volume da premiada e celebrada série de livros que o jornalista Elio Gaspari [ da Folha ] escreveu sobre a construção e o desmanche da ditadura [ OOPSS! ] brasileira. Com prosa jornalística que combina “leveza e graça sem a perda da densidade”, como definiu o escritor Zuenir Ventura, o livro oferece um minucioso relato do golpe de 1964 e de tudo que se seguiu a ele: as lutas pelo poder nos primeiros anos do governo militar, a criação do SNI, a elaboração dos atos institucionais, a edição do Ato Institucional no. 5 em dezembro de 68, e a realização da famosa aula de tortura [ OPSS! ] de outubro de 69, dada por um tenente na Vila Militar, no Rio de Janeiro– momento em que ficou claro que a ditadura [ OOOPS de novo!! ] deixava de envergonhar-se de si mesma. Os outros volumes são: “A Ditadura Escancarada” (segundo volume), “A Ditadura Derrotada” (terceiro volume) e “A Ditadura Encurralada” (quarto volume).
( DESCRIÇÃO CONFORME APARECE NO SITE PUBLIFOLHA, QUE COMERCIALIZA A OBRA. OS PARÊNTESES “ENGRAÇADOS” SÃO MEUS. )

O que pensam os ex-exilados Serra e FHC sobre a "Ditabranda Vergonhosa" da Folha?

A simples menção da palavra me obriga a reconhecer, envergonhadamente, que sei muito pouco sobre o período militar brasileiro. Sinceramente não dei, a essa questão, a atenção e o estudo que ela merece. Essa negligência sobre o passado, porém, não me exime de ocupar-me com assuntos, digamos, correlatos, e atuais. Eu até poderia ser auto-indulgente com relação a essa negligência sobre o passado mas, sobre o tempo presente, não vejo como.
Não sei se você ouviu ou leu por aí, então resumirei: o jornal Folha de São Paulo, em editorial [ que eu não li ] acerca da vitória da “Emenda Chávez”, re-denominou a ditadura militar brasileira com um neologismo: “ditabranda”. O termo surge neste trecho:
“Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ – caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso.”
Sobre o neologismo, segue a observação de Luiz Antonio Magalhães, no blog Entrelinhas:
” ( … ) Para começo de conversa, causa espécie que o jornal escreva “as chamadas ‘ditabrandas’” quando não há notícia de que alguém tivesse, antes da Folha, a idéia de jerico de qualificar o regime militar de tal forma. Este observador fez uma busca no Google e constatou que a pesquisa retorna apenas as referências à polêmica iniciada pela Folha. Ninguém antes qualificou a ditadura brasileira de “ditabranda” ( … )”.
Luiz, no mesmo post, expõe o seguinte pensamento:
“( … ) é justo dizer, a direção da Folha e seus editorialistas têm todo o direito de achar que os militares pegaram leve. É uma questão de gosto e escolha, provavelmente o assinante do Estadão jamais leria tamanho despautério, ainda que o jornal se posicione de maneira muito mais conservadora do que a Folha em várias questões. A razão para isto é simples: O Estado de S. Paulo sofreu bem mais com a censura e sabe o quão duro foi o dito governo ( … )”.
Nesse ponto do raciocínio do jornalista, vem-me a memória uma das coisas que só tomei conhecimento a partir da leitura de “O Golpe de 64 em São João da Boa Vista”, de Jasson de Oliveira Andrade. Mas não preciso recorrer a um texto do livro. Há um artigo – dos vários que podemos encontrar ali – de Jasson, publicado no Portal Mogi-Guaçu, a respeito da relação conflituosa entre o Estadão e a ( ainda assim chamada ) Ditadura, do qual destaco o fragmento que segue, e que resume muito bem a questão:
” ( … ) O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269) ( … )”.
Até hoje o Estadão repousa sobre os louros de ter sido “censurado”. Vai ver, a linha-dura do governo militar ficou com medo do Júlio Mesquita Filho e resolveu reagir antes que o negócio ficasse realmente punk. Agora cientes destas informações, podemos até concluír que, para a Folha, a “Ditabranda” somente teria merecido o status de “Ditadura” se a cartilha de terror do Mesquita tivesse sido adotada pelo regime.
( Esqueçam o último parágrafo. Não é para ser levado a sério. )
A nova forma ( suave ) de tratar a ditadura militar brasileira or parte da Folha enfureceu um monte de gente, e as reclamações e protestos não tardaram a chegar ao jornal. Na seção de cartas dos leitores, foi publicado, em dias diferentes, o protesto de duas personalidades ( reprodução abaixo ) :
“Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!”
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP) , e:
“O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana.”
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP);
A estas cartas, foi a seguinte a resposta da Redação da Folha:
“Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.”
Parece que foi aí que alguns leitores, comentaristas e analistas perceberam que teria “baixado um Mesquita” na redação da Folha. “Cínicos e mentirosos”… Uma baixeza só. Sobre essa forma “baixa” ( que muitos de nós pensávamos, estar reservada pelo imprensalão exclusivamente ao Lula ), que a Folha usou contra os professores, Luiz ( que já trabalhou no jornal dos Frias ) observa o seguinte:
“O pior de tudo realmente não foi o editorial, bem lamentável, mas a Nota da Redação de 20/2. Pior, sim, porque todo foca que passou uma semana em qualquer redação do país sabe que uma nota dessas não é publicada sem a anuência da direção do jornal. Por mais que o editor do Painel do Leitor vista a camisa do jornal, ele não tem autonomia para chamar Fábio Konder Comparato de cínico e Maria Victoria Benevides de mentirosa. A nota veio de cima, o que só reforça a a ideia de que também o editorial foi cuidadosamente pensado para que o jornal emitisse o juízo de valor que tem, hoje, sobre a ditadura brasileira.
A infame resposta a Maria e Fábio Konder mereceu a seguinte mensagem, enviada por Eduardo Guimarães à seção de leitores do jornal, e publicada em seu blog Cidadania:
“Ao Painel do Leitor:
Interessante a “Nota da Redação” que esse jornal publicou sobre as críticas dos leitores que se revoltaram contra a qualificação que o editorial “Limites a Chávez” (17/02) deu à ditadura militar brasileira, ou seja, “ditabranda”. Ao chamar de “cínicos e mentirosos” os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato por suas críticas no Painel do Leitor, alegando que eles “até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como a de Cuba”, a Folha mostra que não considera o regime cubano uma “ditabranda”, ainda que não se tenha notícias de torturadores cubanos que tenham estuprado filhas na frente dos país ou praticado outras sevícias incontestavelmente praticadas pelos militares brasileiros nos anos de chumbo. Não há, em Cuba, um movimento de famílias em busca de entes queridos que “evaporaram” da face da Terra por ação do regime. Ainda assim, a “ditadura” cubana é acusada pelo jornal de ser mais dura do que a brasileira. Nada a estranhar, claro. Um jornal que emprestou seus caminhões para os militares assassinos transportarem cadáveres ou semicadáveres oriundos de seus “brandos” métodos de “investigação”, provou que seu conceito de brandura ou de dureza das ditaduras varia de acordo com a ideologia delas.
Eduardo Guimarães, São Paulo”
Não sei se o jornal publicou a missiva de Eduardo.
REBATISMO LITERÁRIO: “A DITABRANDA ENVERGONHADA”
“A Ditadura Envergonhada” (Companhia das Letras) é o primeiro volume da premiada e celebrada série de livros que o jornalista Elio Gaspari [ da Folha ] escreveu sobre a construção e o desmanche da ditadura [ OOPSS! ] brasileira. Com prosa jornalística que combina “leveza e graça sem a perda da densidade”, como definiu o escritor Zuenir Ventura, o livro oferece um minucioso relato do golpe de 1964 e de tudo que se seguiu a ele: as lutas pelo poder nos primeiros anos do governo militar, a criação do SNI, a elaboração dos atos institucionais, a edição do Ato Institucional no. 5 em dezembro de 68, e a realização da famosa aula de tortura [ OPSS! ] de outubro de 69, dada por um tenente na Vila Militar, no Rio de Janeiro– momento em que ficou claro que a ditadura [ OOOPS de novo!! ] deixava de envergonhar-se de si mesma. Os outros volumes são: “A Ditadura Escancarada” (segundo volume), “A Ditadura Derrotada” (terceiro volume) e “A Ditadura Encurralada” (quarto volume).
( DESCRIÇÃO CONFORME APARECE NO SITE PUBLIFOLHA, QUE COMERCIALIZA A OBRA. OS PARÊNTESES “ENGRAÇADOS” SÃO MEUS. )

O que pensam os ex-exilados Serra e FHC sobre a "Ditabranda Vergonhosa" da Folha?

A simples menção da palavra me obriga a reconhecer, envergonhadamente, que sei muito pouco sobre o período militar brasileiro. Sinceramente não dei, a essa questão, a atenção e o estudo que ela merece. Essa negligência sobre o passado, porém, não me exime de ocupar-me com assuntos, digamos, correlatos, e atuais. Eu até poderia ser auto-indulgente com relação a essa negligência sobre o passado mas, sobre o tempo presente, não vejo como.
Não sei se você ouviu ou leu por aí, então resumirei: o jornal Folha de São Paulo, em editorial [ que eu não li ] acerca da vitória da “Emenda Chávez”, re-denominou a ditadura militar brasileira com um neologismo: “ditabranda”. O termo surge neste trecho:
“Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ – caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso.”
Sobre o neologismo, segue a observação de Luiz Antonio Magalhães, no blog Entrelinhas:
” ( … ) Para começo de conversa, causa espécie que o jornal escreva “as chamadas ‘ditabrandas’” quando não há notícia de que alguém tivesse, antes da Folha, a idéia de jerico de qualificar o regime militar de tal forma. Este observador fez uma busca no Google e constatou que a pesquisa retorna apenas as referências à polêmica iniciada pela Folha. Ninguém antes qualificou a ditadura brasileira de “ditabranda” ( … )”.
Luiz, no mesmo post, expõe o seguinte pensamento:
“( … ) é justo dizer, a direção da Folha e seus editorialistas têm todo o direito de achar que os militares pegaram leve. É uma questão de gosto e escolha, provavelmente o assinante do Estadão jamais leria tamanho despautério, ainda que o jornal se posicione de maneira muito mais conservadora do que a Folha em várias questões. A razão para isto é simples: O Estado de S. Paulo sofreu bem mais com a censura e sabe o quão duro foi o dito governo ( … )”.
Nesse ponto do raciocínio do jornalista, vem-me a memória uma das coisas que só tomei conhecimento a partir da leitura de “O Golpe de 64 em São João da Boa Vista”, de Jasson de Oliveira Andrade. Mas não preciso recorrer a um texto do livro. Há um artigo – dos vários que podemos encontrar ali – de Jasson, publicado no Portal Mogi-Guaçu, a respeito da relação conflituosa entre o Estadão e a ( ainda assim chamada ) Ditadura, do qual destaco o fragmento que segue, e que resume muito bem a questão:
” ( … ) O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269) ( … )”.
Até hoje o Estadão repousa sobre os louros de ter sido “censurado”. Vai ver, a linha-dura do governo militar ficou com medo do Júlio Mesquita Filho e resolveu reagir antes que o negócio ficasse realmente punk. Agora cientes destas informações, podemos até concluír que, para a Folha, a “Ditabranda” somente teria merecido o status de “Ditadura” se a cartilha de terror do Mesquita tivesse sido adotada pelo regime.
( Esqueçam o último parágrafo. Não é para ser levado a sério. )
A nova forma ( suave ) de tratar a ditadura militar brasileira or parte da Folha enfureceu um monte de gente, e as reclamações e protestos não tardaram a chegar ao jornal. Na seção de cartas dos leitores, foi publicado, em dias diferentes, o protesto de duas personalidades ( reprodução abaixo ) :
“Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!”
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP) , e:
“O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana.”
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP);
A estas cartas, foi a seguinte a resposta da Redação da Folha:
“Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.”
Parece que foi aí que alguns leitores, comentaristas e analistas perceberam que teria “baixado um Mesquita” na redação da Folha. “Cínicos e mentirosos”… Uma baixeza só. Sobre essa forma “baixa” ( que muitos de nós pensávamos, estar reservada pelo imprensalão exclusivamente ao Lula ), que a Folha usou contra os professores, Luiz ( que já trabalhou no jornal dos Frias ) observa o seguinte:
“O pior de tudo realmente não foi o editorial, bem lamentável, mas a Nota da Redação de 20/2. Pior, sim, porque todo foca que passou uma semana em qualquer redação do país sabe que uma nota dessas não é publicada sem a anuência da direção do jornal. Por mais que o editor do Painel do Leitor vista a camisa do jornal, ele não tem autonomia para chamar Fábio Konder Comparato de cínico e Maria Victoria Benevides de mentirosa. A nota veio de cima, o que só reforça a a ideia de que também o editorial foi cuidadosamente pensado para que o jornal emitisse o juízo de valor que tem, hoje, sobre a ditadura brasileira.
A infame resposta a Maria e Fábio Konder mereceu a seguinte mensagem, enviada por Eduardo Guimarães à seção de leitores do jornal, e publicada em seu blog Cidadania:
“Ao Painel do Leitor:
Interessante a “Nota da Redação” que esse jornal publicou sobre as críticas dos leitores que se revoltaram contra a qualificação que o editorial “Limites a Chávez” (17/02) deu à ditadura militar brasileira, ou seja, “ditabranda”. Ao chamar de “cínicos e mentirosos” os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato por suas críticas no Painel do Leitor, alegando que eles “até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como a de Cuba”, a Folha mostra que não considera o regime cubano uma “ditabranda”, ainda que não se tenha notícias de torturadores cubanos que tenham estuprado filhas na frente dos país ou praticado outras sevícias incontestavelmente praticadas pelos militares brasileiros nos anos de chumbo. Não há, em Cuba, um movimento de famílias em busca de entes queridos que “evaporaram” da face da Terra por ação do regime. Ainda assim, a “ditadura” cubana é acusada pelo jornal de ser mais dura do que a brasileira. Nada a estranhar, claro. Um jornal que emprestou seus caminhões para os militares assassinos transportarem cadáveres ou semicadáveres oriundos de seus “brandos” métodos de “investigação”, provou que seu conceito de brandura ou de dureza das ditaduras varia de acordo com a ideologia delas.
Eduardo Guimarães, São Paulo”
Não sei se o jornal publicou a missiva de Eduardo.
REBATISMO LITERÁRIO: “A DITABRANDA ENVERGONHADA”
“A Ditadura Envergonhada” (Companhia das Letras) é o primeiro volume da premiada e celebrada série de livros que o jornalista Elio Gaspari [ da Folha ] escreveu sobre a construção e o desmanche da ditadura [ OOPSS! ] brasileira. Com prosa jornalística que combina “leveza e graça sem a perda da densidade”, como definiu o escritor Zuenir Ventura, o livro oferece um minucioso relato do golpe de 1964 e de tudo que se seguiu a ele: as lutas pelo poder nos primeiros anos do governo militar, a criação do SNI, a elaboração dos atos institucionais, a edição do Ato Institucional no. 5 em dezembro de 68, e a realização da famosa aula de tortura [ OPSS! ] de outubro de 69, dada por um tenente na Vila Militar, no Rio de Janeiro– momento em que ficou claro que a ditadura [ OOOPS de novo!! ] deixava de envergonhar-se de si mesma. Os outros volumes são: “A Ditadura Escancarada” (segundo volume), “A Ditadura Derrotada” (terceiro volume) e “A Ditadura Encurralada” (quarto volume).
( DESCRIÇÃO CONFORME APARECE NO SITE PUBLIFOLHA, QUE COMERCIALIZA A OBRA. OS PARÊNTESES “ENGRAÇADOS” SÃO MEUS. )

outubro 10, 2007

A MÍDIA EM DEBATE: Movimento dos "Sem-mídia" promove assembléia em SP

Lula Miranda
09/10/07
Movimento inaugurado com uma manifestação em frente à “Folha de S.Paulo” convoca assembléia para constituir uma ONG dos “sem-mídia”. Encontro discutirá também os próximos passos da luta em defesa da democratização da mídia.

Você ainda deve se lembrar, prezado leitor, a Carta Maior noticiou, com destaque, a primeira manifestação do Movimento dos Sem-Mídia (MSM) realizada no dia 15/09 – portanto, há praticamente um mês – em frente ao prédio-sede do jornal Folha de S.Paulo. Desde então, muito pouco, quase nada, se tem noticiado sobre esse movimento. O que é “natural” – natural assim mesmo, entre aspas. Afinal, como um movimento que faz duras e pertinentes críticas à grande mídia encontraria espaço nos veículos pertencentes aos grandes grupos de comunicação?É natural (agora sem aspas), portanto, que os que leram a matéria aqui na CM estejam se perguntando: o que foi feito do MSM? A quantas anda esse movimento? Dissolveu-se, apesar das boas e nobres intenções dos seus integrantes? Foi apenas mais um gesto bem-intencionado e voluntarista que não teve prosseguimento e não resultou em nada? Ainda é cedo para tanto pessimismo.

A boa notícia é que o MSM não se dissolveu. Os seus integrantes não se dispersaram. Ao contrário, o movimento cresce, lenta e gradualmente, e ganha corpo a cada dia. Na manifestação em frente à Folha, cerca de 210 indivíduos (homens e mulheres) assinaram in loco um manifesto, explicitando suas reivindicações, que foi entregue ao jornal (a Folha, ao que se sabe, não deu nenhuma satisfação – nem aos seus leitores e, muito menos, ao MSM – apesar de explicitamente cobrada pelo seu ombudsman). Hoje, cerca de 350 pessoas já preencheram o cadastro inicial do movimento e aproximadamente 190 já concretizaram sua filiação – inclusive, dispondo-se a pagar uma taxa mensal (de R$ 20,00), que servirá, segundo seus organizadores, num primeiro momento, para subsidiar uma estrutura mínima e custear as próximas ações a serem desenvolvidas. Alguns “semidianos” foram até mais generosos na contribuição e se dispuseram a colaborar com um pouco mais, um deles até doou uma máquina fotográfica digital ao movimento.
O próximo passo será a assembléia na qual o movimento ganhará, digamos, uma “solidez” jurídica. Será constituída a ONG dos “sem-mídia”. Nessa assembléia serão apreciados, e submetidos a uma votação, os nomes dos candidatos a ocupar os cargos de direção nessa organização – uma exigência legal para constituição de organismos ou entidades dessa natureza. Serão discutidos e definidos, também nesse fórum, os próximos passos do movimento. O primeiro passo, o marco inicial, como se sabe, foi a manifestação em frente à Folha. O segundo será a formalização do movimento nessa assembléia e a definição/consolidação de um ideário mínimo. Um terceiro passo, já em discussão, seria uma manifestação em frente à Globo no Rio de Janeiro. Outros passos virão e serão projetados e delineados nessa reunião. A marcha dos “sem-mídia”, ao que tudo indica, promete ser mesmo não tão breve, rompendo de vez com a inércia imobilizadora dos que protestam, de modo solitário, contra a mídia oligopolizada, conservadora e, para muitos, golpista.
O MSM, após se constituir numa Organização Não Governamental, projeta implementar ações mais perenes e concretas. Ir além das manifestações de protesto em frente aos grandes veículos de mídia – atos esses necessários, mas reconhecidamente insuficientes. Nos seus projetos e propostas inclui-se a promoção de debates em escolas, sindicatos e universidades acerca das mazelas e equívocos da grande mídia, tais como a parcialidade, a manipulação da informação e a “politização” do noticiário; a luta pela democratização do acesso aos meios de comunicação (meios que hoje estão concentrados nas mãos de poucos grandes empresários e políticos) – inclusive com ações junto ao Ministério Público e ao Legislativo; e a constituição de mídias do próprio movimento, tais como um site e um periódico, para veiculação de suas demandas e idéias – uma vez que, como já explicitado anteriormente, seria ingênuo imaginar que a grande mídia lhe franqueará espaços.
Por enquanto, são apenas projetos e boas intenções. Mas o MSM dá um importante passo e sinalização ao evidenciar que pretende constituir-se em algo mais sólido, concreto; num movimento que agrega, de forma legal e organizada, os mais diversos, distantes e variados cidadãos, aglutinando anseios e reclamos, hoje dispersos, por uma mídia mais cidadã e democrática. O MSM sinaliza ir, de modo efetivo e definitivo, à luta – dando-lhe corpo e movimento. Dando assim um passo além dos protestos virtuais e solitários feitos em blogs, sites, ou através de massivos ataques de e-mails endereçados a parlamentares e outras autoridades constituídas. O MSM dá mais um passo em sua necessária – e, ao que parece, irrefreável – marcha. Aos que desejarem participar do ato constitutivo do movimento, a assembléia será no próximo dia 13/10, sábado, a partir das 10h, na cidade de São Paulo, à Rua Tabapuã, 627, no bairro do Itaim Bibi.
Aos que desejarem obter mais informações sobre o movimento e suas propostas, fazer-lhe críticas ou mesmo propor caminhos alternativos, sugerimos acessar o site http://edu.guim.blog.uol.com.br.

setembro 16, 2007

Se um cachorro morde um homem, isso não é notícia, mas se um homem morde um cachorro, a culpa é do Lula.

Eduardo Guimarães e os demais manifestantes que estiveram na porta da Folha de São Paulo para manifestar seu descontentamento pela forma como o imprensalão vem tratando os escândalos políticos ( e claro, outros assuntos além deste ) , e por sua sanha em vincular tais escândalos diretamente à figura do presidente do Brasil, distorcendo e omitindo fatos, ou então divulgando somente os que interessa a sabe-se-lá-quem, fazendo acusações diversas, sem no entanto, disponibilizar o espaço necessário para que o acusado se defenda, ou simplesmente ignorando ou passando por cima de quaisquer elementos que inocentem-no. Participa ativamente da disputa pelo poder político, mas sempre alegando isenção e independência, de forma a jamais assumir um lado da cerca, apesar de sua eloquente e gritantemente visível adesão a certas idéias e projetos que, não é exagero dizer isso, têm seu embasamento ideológico no conhecido Consenso de Washington.
Isso, evidentemente, não é admitido pelo imprensalão.
Como certas decisões que dizem respeito a adoção ou não de propostas contidas neste “Consenso” passam, obrigatoriamente, pelas instituições que regem o país, também é obrigatório que estas estejam alinhadas a tais propostas. E como algumas delas ( talvez as mais importantes ou estratégicas ) são preenchidas pela via eleitoral, torna-se igualmente importante que ocupem tais vagas pessoas ou partidos que possam defender, nessas instituições, as idéias contidas no “Consenso”. A imagem das pessoas que ocuparão estes postos passa então, a ser, alvo do interesse do eleitor/consumidor/público em geral e, para que este último possa ser influenciado em suas escolhas – para o bem ou mal – a mídia se torna um agente estratégico na conquista da atenção deste público e no contato deste com um postulante, suas idéias e demais implicações disso.
Estamos falando em disputa pelo poder, e a mídia acabou tornando-se um jogador ativo, com o conseqüente abandono de seu papel “isento”, tomando concretamente o partido de “X” ou “Y”, ou qual lhe convenha, já que as empresas que dirigem os veículos de comunicação – não é surpresa e nem segredo – têm seus interesses comerciais, só que acostumaram-se a errar o peso da mão quando dedicou a defendê-los em detrimento da informação, em flagrante desrespeito à natureza de seu próprio – e sempre brandido – papel de tratar os fatos com isenção.

Eduardo Guimarães conta como foi o dia da Manifestação dos Sem-Mídia em frente à Folha de São Paulo!!!

Nasce o MSM
Como vocês se lembram, eu havia dito aqui que, se necessário, iria sozinho para diante do prédio da Folha de São Paulo dizer minhas queixas sobre a partidarização desbragada da grande mídia. Não foi preciso: pelo menos 191 pessoas compareceram à Manifestação, pois foi esse o número de assinaturas que foram postas nos exemplares do Manifesto que entreguei à Folha e no que ficou comigo como protocolo. Só que, devido a uma certa falta de organização nossa, alguns assinaram o exemplar da Folha e outros, o exemplar que ficou comigo e recebeu o protocolo do jornal.
Cheguei ao local da Manifestação às 9:20 hs. e já havia, pelo menos, umas 30 pessoas diante de um bar que fica em frente à Folha. Dali em diante, as pessoas vieram chegando, chegando até que, às 10:00 hs., horário em que previ começar o Ato, o grupo que encontrei inicialmente já havia triplicado de tamanho. Nos 20 ou 30 minutos seguintes, chegou o grosso dos manifestantes.
Minha primeira preocupação foi a de lembrar aos presentes os princípios e a natureza pacífica e civilizada da Manifestação, ainda que, devido ao alto nível daquelas pessoas, parecesse desnecessário.
E as pessoas vinham chegando, chegando…
Infelizmente, não houve tempo nem organização prévia para anotar os nomes de todos os que compareceram. Mas várias pessoas também ocuparam o megafone para dizer as razões de seu inconformismo. Professores universitários, líderes de movimentos sociais, publicitários, advogados, aposentados… E todos souberam dizer seus pontos de vista de forma civilizada e com grande eloqüência.
Não resisti a fazer perguntas aos presentes sobre se, por acaso, alguém ali recebia Bolsa Família, ou se era “ignorante”, “desinformado”, “idiota de plantão” ou “descerebrado”, como gostam de dizer certos colunistas da Folha sobre quem critica a mídia.
O site Conversa Fiada, de Paulo Henrique Amorim, enviou a repórter Daniela Paixão e um cinegrafista para cobrirem o Ato. Quem quiser ler a reportagem e assistir o vídeo feito pelos jornalistas, vá ao endereço:
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/455001-455500/455221/455221_1.html
A Folha também cobriu a Manifestação através da jornalista Cátia Seabra e de um fotógrafo, que registrou um bom números de flagrantes significativos, como minha leitura do Manifesto ou quando os manifestantes atiraram na sarjeta exemplares da Folha e da Veja.
Fotógrafo da Folha registra leitura do Manifesto
Outro momento tenso com a jornalista da Folha aconteceu quando, ao fim da leitura e das assinaturas ao Manifesto, fomos entregar o documento na portaria da Folha e os funcionários não quiseram recebê-lo, e me sugeriram que o entregasse à jornalista Cátia Seabra. Dei meia volta, então, e me aproximei dela pedindo que, por favor, entregasse o documento à Redação do seu jornal. O que ela me disse, por outras palavras, me fez entender que havia o risco de o documento subscrito por aquela multidão poderia extraviar. Confrontada com meus argumentos de que se isso acontecesse seria melhor fechar o jornal, pois um veículo diante do qual uma multidão comparecesse para fazer-lhe questionamentos tão sérios ignora o documento em que constam tais acusações, é um veículo semimorto. Diante de meus argumentos, Cátia conseguiu convencer os funcionários da portaria do jornal a receberem o Manifesto e protocolarem sua “segunda-via”.
Ao fim do ato, uma faixa de papel em branco de uns 5 metros de largura por, mais ou menos, 1,5 metros de altura foi afixada na parede externa do prédio da Folha e, nela, os manifestantes escreveram seus desabafos.
Ao fim do Ato diante da Folha, fomos quase todos a uma praça próxima para combinarmos detalhes das próximas ações do MSM. Os sem-mídia do Rio, liderados pela professora Vera e pelo professor Eduardo, prometem organizar o próximo ato, ao qual, sem dúvida, comparecerei.
Quero encerrar agradecendo o esforço de meu amigo Lula Miranda, da Agência Carta Maior, em comparecer ao Ato e a presença do leitor deste blog Rodrigo Leme, leitor bastante atuante neste blog e que discorda de mim em muita coisa, mas que assinou o manifesto porque, apesar de não gostar do governo Lula e de achar que a mídia não é tão ruim quanto digo, mas que pode melhorar.
EDUARDO GUIMARÃES

setembro 15, 2007

O Cata-Milho não compareceu ao protesto mas…

…ficou de antenas ligadas na base e tirou algum lucro disso.
Este tempo seco e quente me traz leves crises de asma e rinite e me prejudica bastante e mesmo a bombinha não alivia completamente. Não deu para comparecer.
Eu estava assistindo ao “Guerra dos Mundos” original, de 1953, e alguém em casa me lembrou do SP TV, da Rede Globo. Queríamos ver se o diário regional das 11:00 falava algo sobre as manifestações dos professores das redes Estadual e Municipal ocorridas ontem na Capital. Imaginei que também daria para o jornal mostrar o protesto organizado por Eduardo Guimarães.
Os marcianos devem ter baixado na sede paulista da Globo e destruído as gravações e matérias sobre os eventos acima, pois não de falou nada a respeito.
MEU ERRO
Faço uma busca no site do SP TV e descubro que houve, sim, matéria sobre os professores da rede Municipal, que se concentraram na Líbero Badaró, e foi ao ar na 2ª. Edição do jornal, ontem mesmo, às 19:00hs. Dá uma olhada neste primor de chamada, da forma que está no site global:
Protesto de professores parou o trânsito na região central
Como sempre, o protesto gera no imprensalão, sobretudo, a preocupação salutar com o trânsito da capital, maior problema que a Cidade de São Paulo enfrenta, e o que requereria maior atenção por parte do Poder Público, no entendimento da chefia de redação do jornal.
TRÂNSITO NA CAPITAL
O cidadão que pega o carro ou o busão, mergulha naquele caos cotidiano de caminhões e automóveis, chega em casa lá pelas 19:00hs, liga a televisão para ver as notícias ( ou liga o computador no site do SPTV ) e dá de cara com o destaque: professores “pararam o trânsito”, “causaram congestionamentos”, “dificultaram a vida do cidadão paulistano” e poraí vai, nem vai querer saber quais são as exigências dos docentes, já que “estes baderneiros só ferraram a sua volta para casa”. A mesquinharia não quer saber de direitos trabalhistas, a situação dos servidores públicos, a condição da escola pública onde seu filho – ou o dos outros – estuda.
Bom, sabemos, por declarações de professores, que muitos pais não esperam nada do colégio, apenas que seja um lugar para que possam depositar seus filhos e deles ficarem livres por umas 4 horas diárias. Lógico será, então que, para estes pais, não importa a vida que se leve no ambiente escolar, mas sim, se quando air com seu carro para ir até a padaria da esquina, os professores não estejam protestando contra seus chefes Estadual e Municipal e “dificultando o trânsito na Capital”.
MOVIMENTO DOS SEM-MÍDIA
É necessário dizer que não passou no SPTV o protesto contra a mídia. Sabe por quê? Por causa de dois caminhões que tombaram em pontos da Capital e isso causou problemas no trânsito neste sábado pela manhã. Esse tipo de tratamento dado a certos eventos obedece fielmente à lógica já exposta no próprio Manifesto redigido pelo Eduardo Guimarães, e que seria lido hoje. Bom, vamos aguardar pelo noticiário noturno.
PROFESSORES
Vou consultar algum participante da Assembléia dos professores do Estado e ver quais foram suas impressões a respeito. Só sei que Carlos Gianazzi ( PSOL ) e o Major Olímpio ( Partido Verde, da base aliada de Serra ) compareceram e falaram.
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