ENCALHE

julho 7, 2008

As notícias sobre a alta da inflação têm sido exageradas?

Para Delfim, oposição exagera para atingir Lula
Ricardo Leopoldo
O Estado de S. Paulo
2/7/2008
O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse ontem ao Estado que a oposição quer atingir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a desestabilização das expectativas de inflação, para se beneficiar nas eleições municipais. “Eles avaliam que a única forma de afetar a forte imagem do presidente junto à população num ano eleitoral é dizer que se a inflação fechar 2008 em 6% já estaremos em hiperinflação.”
Na sua avaliação, há um temor exagerado de analistas com a alta dos índices de preços, que embora mereça atenção está bastante vinculada à escalada internacional das cotações do petróleo, alimentos e commodities metálicas.
“A inflação no Brasil está sob controle. Não faz sentido assistir na TV, como vi outro dia, uma reportagem que tratava do tema e mostrava um funcionário de supermercado com a maquininha na mão remarcando preços. Provavelmente, esqueceram de dizer que a imagem é de 1998”, ironizou.
Para Delfim Netto, a oposição avalia que como a economia apresenta bom desempenho na gestão de Lula, a melhor oportunidade de afetá-lo politicamente é vincular seu nome ao aumento da inflação. Nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à média anual de 2,48% e 2,12%. Sob a gestão de Lula, atingiu a média de 3,82% ao ano entre 2003 e 2007. “A oposição sabe desses números, pois vê o aumento da renda real da população mais pobre, aumentou o PIB e caiu o desemprego.”
“Como a oposição sabe que o Banco Central, o Ministério da Fazenda e todo o governo não vão permitir o aumento da inflação, a única saída é provocar uma elevação exagerada das expectativas de inflação.”
Na avaliação do ex-ministro, os índices de preços não vão subir com exagero porque o presidente “tem certeza absoluta” que sua prioridade no momento é combater o avanço do custo de vida. “O presidente Lula sabe de uma coisa muito simples: o desemprego pode atingir 1 milhão, mas a inflação prejudica 80 milhões de brasileiros.”
Mantega aponta “alarmismo” da mídia em relação à inflação
Hora do Povo, 04.07.08
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, o alarmismo de setores da mídia na questão da inflação dizendo que “desse jeito, as pessoas vão acabar fazendo estoque de produtos”.
“Está havendo um certo exagero e alarmismo fora de propósito ao avaliar a inflação brasileira. Não há razões para alarmismo, desespero ou pânico. Já foram tomadas medidas contra a inflação, que estão surtindo efeito. Às vezes vejo no noticiário um certo exagero”, disse o ministro. “Não dá para subestimar o problemas, mas também não é para super-estimá-los”, completou.
O ministro da Fazenda ressaltou que o aumento dos preços é resultado de problemas externos, como o aumento dos preços das ‘commodities’ (alimentos, aço e petróleo) e que, mesmo assim, está abaixo da média da inflação mundial. Segundo ele, apenas Brasil e Canadá, entre várias economias, estão cumprindo as metas de inflação neste ano. “Na equação da inflação mundial, o Brasil está bem situado. A inflação subiu aqui também, mas menos do que em outros países”, disse Mantega.
Alta dos preços de commodities eleva saldo comercial
Raquel Landim, De São Paulo
Nelson Perez/Valor
O efeito positivo da inflação das commodities começou a aparecer na balança comercial e pode garantir um superávit um pouco mais robusto este ano. Graças ao embarque de produtos básicos – com destaque para o aumento de preços do minério de ferro – os economistas estão revisando as projeções para um saldo próximo de US$ 25 bilhões. É um resultado inferior aos US$ 40 bilhões de 2007, mas superior as estimativas anteriores de US$ 20 bilhões ou até menos.
“A alta dos preços das commodities veio como uma bomba em junho”, avaliou Júlio Sérgio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi). No mês passado em relação a junho de 2007, as exportações de produtos básicos aumentaram quase 81% – um ritmo mais acelerado do que a alta de 44% no semestre.
Para o economista, alguns fatores contribuíram para o impacto: o reajuste dos preços do minério de ferro, a entrada da safra agrícola e o fim da greve dos fiscais da Receita Federal, que distorceu os dados da balança comercial em março, abril e maio. “Alguns produtores postergaram os embarques de commodities, esperando preços ainda melhores”, avaliou Almeida.
Uma parcela significativa da maior exportação de produtos básicos é explicada pelo forte aumento dos preços, provocado pela inflação global das commodities. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam reajustes importantes para as commodities agrícolas e metálicas exportadas pelo Brasil em junho. Entre as 23 principais commodities, apenas o preço do suco de laranja caiu no mês passado.
A soja em grão exportada registrou alta de quase 60% no preço em junho em relação a junho de 2007, enquanto a quantidade avançou 10%. No primeiro semestre, houve alta de 57% no preço e de apenas 8% na quantidade. Na mesma comparação, o preço da carne de frango subiu 27% no mês e o volume aumentou 14%. De janeiro a junho, a alta foi de 29% nos preços do frango exportado e de 14% na quantidade.
Os preços dos laminados planos saltaram 57% no mês passado em relação a junho de 2007, e a quantidade despencou quase 60%. A cotação do petróleo exportado pelo Brasil explodiu 110% na mesma comparação, enquanto o volume avançou 67%. No primeiro semestre, houve ganho de 94% no preço do petróleo e apenas de 14% na quantidade.
“Em termos de preço, o crescimento é fantástico”, disse José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). No entanto, ele acredita que a tendência não é sustentável, porque o mercado de commodities está sujeito a especulação [ grifo do blog ]. Para o especialista, “a inflação das commodities está puxando o saldo comercial para cima”. A AEB ainda prevê saldo de US$ 20 bilhões, mas vai revisar a projeção nas próximas semanas.
Para o departamento econômico do Bradesco, o destaque é o minério de ferro. Em junho, o impacto do reajuste de 70% que a Vale do Rio Doce conseguiu com os clientes impactou a balança comercial. O preço do minério de ferro exportado subiu 63% no mês passado. No semestre, a alta é de apenas 15%. A defasagem entre a negociação do minério, que ocorreu em abril, e o impacto na balança é resultado da finalização dos embarques do produto vendido pelo preço antigo. Por conta do minério e de outras commodities, o Bradesco revisou sua projeção de aumento do preço das exportações brasileiras de 16% para 26% este ano.
Graças à ajuda da inflação das commodities, as exportações brasileiras aceleraram o ritmo de crescimento. As vendas externas subiram 35% em junho em relação ao mesmo mês de 2007. O percentual é superior à alta de 25% das exportações no primeiro semestre e de 19% no acumulado de 12 meses até junho. A conseqüência é uma redução menos intensa do saldo comercial. De janeiro a junho, o Brasil apurou saldo de US$ 11,4 bilhões, 44% abaixo do primeiro semestre de 2006. No período de janeiro a abril, a queda do saldo chegou a atingir 64,5%.
“O aumento da receita das commodities impede uma queda mais significativa do saldo este ano”, disse Fábio Silveira, sócio da RC Consultores. Ele projeta superávit de US$ 52 bilhões para o agronegócio e US$ 28 bilhões para a balança comercial em 2008. Depois dos resultados de junho, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também revisou para cima suas projeções para o saldo da balança. Ao invés de US$ 17,6 bilhões, a entidade agora projeta saldo de US$ 24,7 bilhões. Para André Rebelo, gerente do departamento de economia, as commodities demonstraram um fôlego adicional no final do primeiro semestre. “É um movimento claro de commodities”, disse.
Fábio Faria, secretário-interino de Comércio Exterior, chama a atenção para o impacto das commodities também nas importações. As principais commodities importadas pelo Brasil – como petróleo, trigo e cobre – tiveram reajustes expressivos de preços. “Esse é um impacto que aparece tanto na exportação quanto na importação”, afirmou.
De acordo com Almeida, do Iedi, os preços dos manufaturados importados pelo Brasil também estão subindo muito, porque a inflação dos produtos agrícolas e minerais contaminou as cadeias de produção. “A inflação se generalizou pelos setores e pelos países. Por conta disso, também contribui para o aumento das importações brasileiras. O Brasil está importando inflação”, disse.
O impacto líquido da inflação das commodities na balança comercial ainda é positivo para o Brasil, porque os produtos básicos têm maior peso nas exportações. Essa diferença, no entanto, está cada vez mais estreita. Almeida explica que o saldo em 2008 será significativamente menor do que em 2007, porque o volume importado cresce muito, enquanto a quantidade exportada pelo país deve registrar estabilidade ou leve alta.
Ao analisar o conjunto da economia brasileira, os economistas afirmam que a atual inflação das commodities não é benéfica para o país. Apesar de aumentar as exportações e as reservas, o processo inflacionário mundial prejudica o equilíbrio interno dos preços. “Antes, o Brasil era apenas beneficiário. Hoje, mesmo um país líder na produção de commodities perde”, disse Almeida.

junho 20, 2008

Dilemas da política econômica, por Paulo Nogueira Batista Jr.

Parece esgotado o caminho seguido nos últimos anos de deprimir a inflação via valorização cambial
A ECONOMIA brasileira talvez esteja atravessando a conjuntura mais delicada desde 2002-2003. É verdade que o ritmo de crescimento continua forte, como há muito não se via. Infelizmente, dois problemas ameaçam estragar o quadro favorável: a inflação e o déficit do balanço de pagamentos em conta corrente.
Os indicadores ainda não são alarmantes. Mas a dificuldade é que, quando se tenta enfrentar um problema, corre-se o risco de agravar o outro e vice-versa. Além disso, certas maneiras de enfrentá-los podem sacrificar o crescimento da economia. A alta da inflação é fruto, em larga medida, de choques externos: os aumentos acentuados dos preços internacionais dos alimentos, do petróleo e de commodities metálicas.
O aquecimento da demanda interna também deu a sua contribuição, mas até agora o que mais pesou nos índices ao consumidor foram os aumentos dos preços dos alimentos. Já o desequilíbrio crescente nas contas externas tem pouco a ver com esses choques. O Brasil é basicamente exportador de alimentos e matérias-primas e depende pouco de combustíveis importados. Os nossos termos de troca ficaram estáveis tanto em 12 meses como no acumulado de 2008, segundo estimativas da Funcex.
O desequilíbrio na conta corrente decorre da combinação de câmbio valorizado com expansão da demanda interna. Uma forma de tentar conciliar o ajuste da conta corrente com a sustentação do ritmo de crescimento da economia seria induzir uma certa depreciação do real, invertendo parcialmente a apreciação exagerada dos anos recentes. Essa alternativa teria sido viável quando a inflação estava bem-comportada.
Agora, uma depreciação seria perigosa, pois potencializaria o impacto inflacionário dos choques externos.
Por outro lado, parece esgotado o caminho seguido nos últimos anos de deprimir a inflação via valorização cambial. O levantamento das projeções de instituições do mercado, realizado pelo Banco Central, aponta para um déficit em conta corrente de US$ 23 bilhões em 2008 e de US$ 31 bilhões em 2009 -isso com a taxa de câmbio em relação ao dólar entre R$ 1,70 e R$ 1,75 nesses dois anos.
Podemos supor que, se o BC continuar aumentando o diferencial de juros entre o Brasil e o resto do mundo, algo se fará ( acumulação adicional de reservas ou restrições à entrada de capitais de curto prazo, por exemplo ) para tentar evitar uma valorização adicional do real.
A eficácia da taxa básica de juro como instrumento de controle da inflação parece hoje menor -dada a necessidade de preservar, em alguma medida, a posição externa da economia. A política monetária só deveria ser usada com moderação -e complementada com outros instrumentos de combate à inflação ( por exemplo: controles seletivos de crédito ao consumo, cortes de gastos não-prioritários do governo, desonerações tributárias e outras medidas para controlar pressões localizadas de preços ).
Da mesma forma, como não se pode recorrer à depreciação cambial, o desequilíbrio externo deveria ser enfrentado com outros instrumentos ( por exemplo: incentivos fiscais e creditícios aos setores que exportam e concorrem com importações, aumentos seletivos de tarifas de importação nos setores mais vulneráveis à concorrência externa ). O grande desafio é enfrentar a inflação e o desequilíbrio externo sem sacrificar a retomada do crescimento econômico e dos investimentos.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países ( Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago ). pnbjr@attglobal.net
19.06.08

fevereiro 28, 2008

BRASIL, CREDOR INTERNACIONAL, por Paulo Nogueira Batista Jr.

Folha de São Paulo – 28/2/2008
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
É preciso cuidar para que esse avanço não seja minado pela alta do real e pela deterioração do balanço de pagamentos
NA QUINTA-FEIRA passada, o Banco Central anunciou um “fato inédito em nossa história econômica”: em janeiro, o país passou à condição de credor externo em termos líquidos, isto é, a soma das reservas internacionais e de outros ativos externos do país ultrapassou o valor da dívida externa. A notícia repercutiu bastante no Brasil e mesmo no exterior. O jornal “Le Monde”, por exemplo, escreveu: “A performance brasileira é histórica: pela primeira vez, depois de dois séculos de endividamento, o Brasil tornou-se credor. (…) Ao tornar-se credor, o Brasil melhora ainda mais a sua imagem de país emergente, sério e respeitado”. Bem. Um subdesenvolvido nato e hereditário como eu não resiste a elogios em francês ou inglês. A minha vaidade nacional deu “arrancos triunfais de cachorro atropelado”, como diria Nelson Rodrigues. Nesta segunda-feira, o BC publicou estimativas mais precisas. Em janeiro, a dívida externa (incluindo a dívida de curto prazo) alcançou US$ 196,2 bilhões. As reservas internacionais situavam-se em US$ 187,5 bilhões, os haveres de bancos comerciais, em US$ 12,9 bilhões, e os créditos brasileiros no exterior, em US$ 2,8 bilhões. Portanto, os ativos superavam a dívida em US$ 7 bilhões. Observe-se, além disso, que 70% da dívida é de médio e longo prazos (os 30% restantes correspondem a dívidas de curto prazo ou a dívidas de longo prazo com vencimentos de principal nos próximos 360 dias). Já os ativos são compostos basicamente de aplicações líquidas, imediata ou quase imediatamente disponíveis. É um marco, não há dúvida. Para um país que nasceu endividado e experimentou ao longo dos séculos 19 e 20 diversas crises de endividamento, chegar à condição de credor não é pouca coisa. Mas não vamos exagerar na celebração. O valor da dívida não inclui empréstimos intercompanhias (US$ 48,6 bilhões em janeiro). Também não inclui títulos públicos emitidos no Brasil e adquiridos por não-residentes (o equivalente a mais de US$ 42 bilhões em janeiro, segundo a CVM). A exclusão desses componentes não é arbitrária. Os empréstimos intercompanhias são operações entre matrizes e filiais de empresas estrangeiras. Podem ser vistos como uma forma de investimento direto. O segundo componente não é propriamente dívida externa, no sentido tradicional, pois corresponde a obrigações constituídas em território nacional. São classificadas como investimento de portfólio. Isso nos conduz a outra ressalva: a dívida externa “stricto sensu” é apenas parte do passivo externo total, pois este inclui, além da dívida, o estoque de investimentos diretos e de portfólio no país. Da mesma forma, o ativo externo total do país inclui não só as reservas e os outros dois componentes acima mencionados mas também os investimentos diretos e de portfólio e outras aplicações de brasileiros no exterior. Por esses conceitos mais amplos de passivo e ativo, o Brasil registrava um passivo externo líquido de US$ 463 bilhões em junho de 2007, segundo os dados mais recentes do BC. Em resumo, a nossa condição de credor internacional ainda é embrionária. A posição externa do Brasil melhorou muito nos anos recentes. E os dados divulgados pelo BC na semana passada constituem mais um sinal dessa tendência. O importante, agora, é cuidar para que esse avanço não seja minado pela valorização do real e pela deterioração da balança comercial e do balanço de pagamentos em conta corrente.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 52, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).
pnbjr@attglobal.net

fevereiro 2, 2008

Crise americana e seus reflexos no Brasil

Jasson de Oliveira Andrade
Fotos: Reprodução
Costuma-se dizer que quando os Estados Unidos espirram o Brasil fica resfriado. Com a grave crise americana, o perigo agora é o nosso país pegar uma pneumonia. Alguns analistas e mesmo empresários ainda não estão pessimistas, embora cautelosos. O governo Bush tomou algumas medidas, que foram recebidas com reservas. As Bolsas sobem e descem. Esta gangorra deixa muita gente preocupada.
A Folha do dia 28 de janeiro deu essa manchete no Caderno Dinheiro: “Davos vê turbulência com cautela e dúvidas – Participantes do evento, que acabou ontem [27/1] na Suíça, vêem países como o Brasil mais resistentes, porém não totalmente imunes à crise”. Outra manchete da Folha: “Empresas mantêm planos de investimento – Turbulência financeira e risco de recessão nos EUA ainda não afetam expectativa de crescimento do mercado interno”. Na reportagem essa boa notícia: “Sondagem realizada pela Fiesp entre 36 empresas de 9 setores no período da crise revela que expectativas para 2008 não mudaram”. Ainda bem. O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, em entrevista ao Estadão (27/1), declarou: “É uma crise séria, mas será encarada com serenidade e sem sofrimento”. Na opinião dele “não está claro ainda se os Estados Unidos já estão ou se de fato vão entrar em recessão”. Já o governo federal diz: “Reserva é seguro anticrise”. Tomara! Já o economista Kenneth Rogoff afirma: “Numa crise moderada o Brasil será resistente”. Agora é torcer para que a crise americana seja moderada.
O FMI receita aos governos controle nos gastos. Quando a oposição negou ao governo Lula a prorrogação do CPMF, deixando-o sem bilhões de reais, o DEM ,os tucanos repetiram a receita desse órgão financeiro: o governo deve cortar despesas. A jornalista Eleonora de Lucena, em artigo à Folha (29/1), sob o título “Quem paga a conta”, revela: “O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional [FMI}, Dominique Strauss-Kahn, coloca novamente em cena as idéias de Keynes e propugna que os Estados [ governos ] gastem mais para enfrentar a desaceleração. Justamente o contrário do discurso pela rigidez fiscal sempre tão caro ao organismo”. Antes da crise os Estados devem economizar. Com a crise, os Estados devem gastar mais. E agora o que o DEM e os tucanos vão dizer dessa recomendação? Sei lá! Guilherme Barros, colunista da Folha, entrevistou o empresário Emílio Odebrecht. O jornalista constatou: “Apesar do pânico nos mercados, o empresário Emílio Odebrecht, 63, chega para a entrevista vestindo blazer, sem gravata e sem sinal de preocupação. “Não acredito em recessão nos EUA, mas, se vier, será problemático. Todos vão sofrer, inclusive o Brasil”. Otimista, ele acha que o país vive hoje o melhor momento da história”. Depois, acrescentou: “Eu considero que, hoje, vivemos realmente um ciclo de crescimento sustentado. As bases, os fundamentos da economia nos dão essa conscientização de que isso é uma realidade. Lógico que há algumas preocupações, mas eu diria que estamos muito menos vulneráveis externamente e internamento do que no passado”. Não entendo de economia, mas essas declarações nos deixam otimistas. Repito: Tomara que os Estados Unidos não entrem na recessão. Aí já não depende do Brasil e do governo Lula. O presidente Bush é que terá que resolver.
Nelson de Sá, no Toda Mídia (Folha, 28/1), revela um ensaio da revista do “New York Times”. Diz [o ensaio] que “a distribuição de poder no globo mudou fundamentalmente nos dois mandatos de Bush”. Não é culpa ( só ) dele, mas agora o mundo tem “Três Grandes”: EUA, Europa e China. Índia, Rússia, Brasil, África do Sul são “SEGUNDO MUNDO” ( destaque meu ). “Complementar” à China, o Brasil é “o líder natural” da América Latina”. Minha opinião: na década de 50 e 60 e mesmo até pouco tempo, o Brasil era considerado do TERCEIRO MUNDO. Atualmente subiu: é considerado do SEGUNDO MUNDO. Já os Estados Unidos, que eram considerados o líder do Primeiro Mundo, agora divide essa liderança com a Europa e a China. O título da nota de Nelson de Sá diz tudo: “O declínio do império [ americano ]”. A turbulência global tem reflexos no Brasil. Torcemos que ela seja contornada!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
29 de janeiro de 2008

Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

janeiro 23, 2008

Os "Mercados" podem se matar que não dou a mínima! Estadão admitiu que "economistas" erraram praticamente todos os chutes em 2007. 2008 será idem.

Aliás, “economista” é o Belluzzo e o PNBJr. Os caras que o Estadão mostrou são os tais “consultores” de Finanças.
Esses dias foram de “terror” para muitos: crise nos EUA ( “Viva a Crise” disse o Hora do Povo ), inflação no Brasil, aumento do feijão, um monte de mensagens apocalípticas desencontradas. E estes jornais têm capacidade de dizer que a equipe do Lula bate cabeça, quando dois ministros divergem sobre qualquer migalha que seja.
O camarada comum ( entre os quais me incluo ) fica realmente sem saber o que ocorre. Excesso de informação leva a total desconhecimento. Que paradoxo, não? Qual é a informação que presta, afinal de contas?
Vejam só isso que saiu publicado no caderno de Economia do Estadão, em 12 de Janeiro: o título da matéria é “Inflação de 4,46% encosta na meta”.
Tipo “meio-gol”.
A certa altura do texto, lê-se o seguinte: “(…) Eulina [ Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE ] listou como principais motivos para o bom comportamento do grupo [ os "não-alimentícios"que, segundo consta, "contribuíram para que a taxa { de inflação de 2007 } não fosse maior" ] a influência do dólar sobre preços de eletrodomésticos, vestuário e energia elétrica (…), e a ausência de reajuste nos preços da gasolina [ o último foi em janeiro de 2006 ] (…)”.
PERALÁ! A gasolina não aumenta há quase 2 anos??
Eu não entendo nada de gasolina, combustíveis e detesto carros. Mas qualquer zé ruela sabe que, quando a gasosa aumenta de preço, é a maior chiadeira por aqui. Geralmente mais preocupados com o BBB, futebol, celular no ônibus ou com seus interesses mesquinhos, os consumidores – mais notadamente os paulistanos, de todas as classes – não querem saber se o petróleo está custando US$ 200 o dedal. Quer porque quer, a R$ 1,99 o navio tanque e pronto.
Uma pesquisa rápida na Internet e pronto: fico sabendo que, em janeiro de 2006 o barril chegou a mais de US$ 69,00.
Mais uma pesquisa e tenho com o que comparar: um barril de um determinado tipo de petróleo está na casa de 86 dólares e uns trocados ; em Novembro de 2007, um outro tipo do produto chegou a mais de 95 dólares.
Mérito de quem? Isso não vem ao caso. A impressão que eu tenho é a de que estou subsidiando os poluidores, mimados e assassinos motoristas de automóveis para que eles prossigam poluindo o ar que eu respiro.
E foda é que, se num dia desses o preço da gasolina aumentar, vai ser aquela puta encheção, e como sempre, sem base e nem motivo, só preconceito e ignorância.
Aliás, também o Bigstate trouxe uma entrevista com um economista em que este diz que é bobagem culpar as condições sociais pelo verdadeiro massacre que ocorre, diariamente, no Brasil. Eu ia começar a levar a sério, mas como o próprio jornal já decretou que os economistas erraram tudo, em 2207, conforme já dito acima, então deixa prá lá ( será que ao menos o rebaixamento do Corínthians eles acertaram? ).
Falando em polução. Um dia eu li umas linha em tom triunfante, acho que foi no Celso Ming, que Bush lançaria algumas medidas para aumentar o nada modesto consumo dos americanos, visando sair da recessão. Veja que coisa: os americanos não assinaram o Protocolo de Kiyoto, com a desculpa que o seu desenvolvimento não podia ser cerceado. A papelada das hipotécas escafedeu-se, o mundo vai virar pó ( de acordo com o imprensalão, é isso ) e nós dependemos, então, do aumento do consumo – logo, da poluição – pelos americanos para sair do buraco em que eles mesmos nos meteram. E ainda vem o Estadão, num editorial, chorar as pitangas que o Brasil está deixando “nosso principal mercado e parceiro” de lado. Parece que o jornal dos cafeeiros está se condoendo pelo Império. Vão dar pro cavalo!!

agosto 25, 2007

Ameaças ao crescimento?

Filed under: Brasil, Consenso de Washington, crise econômica, Economia Mundial, PNBJr — Humberto @ 12:34 am
Artigo – Paulo Nogueira Batista Jr.
Folha de S. Paulo
23/8/2007
A maior ameaça talvez seja interna; a turma da bufunfa já se agita e pede mais aperto fiscal e pausa no corte do juro
A TURBULÊNCIA financeira internacional ameaça o crescimento da economia brasileira? A preocupação com o tema é compreensível. Afinal, a história econômica do Brasil é marcada por crises cambiais recorrentes.
No período Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, o quadro foi realmente terrível. O Brasil enfrentou crises de balanço de pagamentos em nada menos que seis dos oito anos do governo FHC! Cada vez que a economia brasileira ameaçava levantar a cabeça, sobrevinha um choque cambial e abortava o crescimento incipiente. Era o vôo da galinha, como se dizia na época. Pode acontecer o mesmo agora? Não parece provável. Como tentei mostrar no artigo da quinta-feira passada, a posição brasileira é atualmente bem mais forte do que foi na década de 90 e no início da atual. Não somos invulneráveis, mas a balança comercial, o balanço de pagamentos em conta corrente, o ingresso de investimentos diretos e o nível de reservas internacionais indicam que o país pode resistir a choques externos de magnitude considerável sem ser obrigado a tomar medidas recessivas. Se a crise financeira externa se agravar, as nossas exportações sofrerão, é claro, afetando em alguma medida o ritmo de crescimento brasileiro. Uma crise duradoura provocaria uma desaceleração da economia mundial e reduziria a demanda externa por produtos brasileiros e os preços das commodities exportadas pelo país. Não se deve perder de vista, entretanto, que a expansão recente da economia brasileira se apóia primordialmente no mercado interno, e não nas exportações. As fontes principais da retomada têm sido a ampliação do investimento e do consumo. O Brasil pode continuar crescendo mesmo que a economia internacional perca dinamismo. A maior ameaça ao crescimento talvez seja interna. A turma da bufunfa, embora “cansada”, já se agita e já se mobiliza. Pede aumento do superávit fiscal primário. Quer que o Banco Central interrompa, ou pelo menos desacelere, os cortes na taxa básica de juro. Repare, leitor, que o nosso juro real básico ainda é mais de três vezes superior à média internacional. Mas os bufunfeiros não querem nem saber. O presidente de um grande banco privado nacional, que acaba de divulgar lucros exorbitantes, pediu “prudência” ao BC diante da turbulência financeira externa. E sugeriu que a Selic seja mantida em 11,5% na próxima reunião do Copom. Na realidade, a turma da bufunfa é incansável. Sempre encontra um motivo ou pretexto para manter os juros nas alturas. Quando não é a crise financeira externa, é o risco de inflação. Quando não é a inflação, é o crescimento exageradamente robusto da economia brasileira. Quando não é o crescimento, é o risco de crescimento excessivo -e vai por aí. Se dependesse dessa turma, o Brasil estaria eternamente condenado ao crescimento medíocre. Até o economista John Williamson, conhecido como “pai do Consenso de Washington”, em entrevista publicada na Folha de ontem, comentou que seria “sábia” a decisão de continuar diminuindo os juros no Brasil. “Não existe nenhuma base para pânico neste momento”, declarou. Fiquei empolgado. Um economista subdesenvolvido sempre vibra quando encontra apoio externo. Ditas em inglês, por um economista do establishment internacional, as opiniões mais triviais adquirem ares de sabedoria profunda e inexpugnável. E ressoam intensamente (assim espero) nos subúrbios financeiros do planeta.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. , 52, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago). pnbjr@attglobal.net
Clipping – Planejamento
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agosto 17, 2007

Não é turbulência, é crise!

Filed under: crise, Economia Mundial, economistas, EUA, Paulo Nogueira Batista Jr — Humberto @ 12:12 am
Não é turbulência, é crise!
O representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista Júnior, advertiu que o problema nos mercados financeiros internacionais se constitui numa nova crise externa e não em mera turbulência, como têm tentado minimizar alguns analistas:
“O problema não está mais limitado às hipotecas, mas se espalhando por outros setores e gerando dificuldades para instituições financeiras grandes”, salientou.
Reforçando a posição de Batista Jr, a Fitch reduziu o rating da Nestle e decretou o fim da era do investimento pleno – cotação mais positiva usada pelas agências de risco – para as corporações.
Segundo Batista Jr., um risco importante é a eventual atuação atrasada dos bancos centrais, como ocorreu no Japão nos anos 80 e levou o país a longa recessão. Mas avalia que os BCs estão agindo corretamente ao garantir liquidez ao mercado.
Ele afirmou que a vulnerabilidade principal da economia brasileira é a estrutura da dívida pública, de curto prazo e com muita liquidez: “Em um momento de saída de capital, os investidores trocariam facilmente títulos públicos por dólar, o que traria pressão enorme sobre o câmbio levando ao uso das reservas internacionais em uma situação semelhante à de 2002″, disse, defendendo um esquema regional de acumulação e compartilhamento de reservas (FMIs regionais).
Já o economista Dércio Garcia Munhoz, da Universidade de Brasília (UnB), frisa que a crise torna evidente que os BCs foram feitos para regular e não agir passivamente, como no Brasil: “No que importa, o BC brasileiro se omite, mas age no que interessa ao capital especulativo: tabela juros sobre títulos públicos e deixa o câmbio livre”, critica.
Para Munhoz, também é absurdo que, apesar do superávit comercial, o governo estimule a entrada de dólares especulativos com isenção de impostos e juros altos.
Já Adriano Benayon, economista da UnB, pondera que a subida do dólar, em contraste com o que acontece no resto do mundo, mostra que a vulnerabilidade externa do país continua grande. MONITOR MERCANTIL
15/08/2007

agosto 16, 2007

De crise em crise

Paulo Nogueira Batista Jr
As atenções estão voltadas para as turbulências internacionais. O foco da crise está no mercado de hipotecas de alto risco dos EUA, mas ela já se propagou para outros segmentos do mercado financeiro e para outros países. Como não poderia deixar de ser, os mercados brasileiros sentiram o impacto das ondas de instabilidade externa.
Trata-se de mais uma turbulência passageira, como a que tivemos em fevereiro? Ou será que estamos diante do início do fim da fase de bonança financeira e econômica? Ninguém sabe ao certo. Os mercados financeiros sofisticaram-se enormemente e se tornaram mais opacos. A verdadeira extensão dos riscos é desconhecida. Mas há indicações de que o atual episódio de instabilidade é mais grave do que os anteriores. O fluxo de más notícias é praticamente contínuo. Os principais bancos centrais do mundo foram levados a intervir pesadamente, com maciças injeções de recursos, na tentativa de conter o pânico.
Uma certa angústia é inevitável. A pergunta que muitos fazem é a seguinte: teremos uma repetição das crises da década de 90, com graves efeitos no Brasil?
Por um lado, a situação atual é mais preocupante. Nos anos 90, as crises tinham origem na periferia do sistema internacional ( México, Leste da Ásia, Rússia etc.). Agora, o epicentro está na maior economia do mundo, que exibe sinais de fragilidade e depende muito de capitais estrangeiros. O déficit em conta corrente do balanço de pagamentos dos EUA cresceu significativamente nos últimos anos, estabilizando-se em torno de 6% do PIB desde 2005.
Por outro lado, é inegável que a posição brasileira é mais sólida hoje do que era na década de 90 ou no início da década atual. O Brasil aproveitou a bonança dos últimos cinco anos para reduzir consideravelmente a sua vulnerabilidade externa, um problema que nos perseguia há muito tempo. Cheguei a publicar nesta coluna, em 2003, um artigo intitulado: “Vulnerabilidade e(x)terna?”.
Desde então, os nossos indicadores melhoraram muito -bem mais do que eu esperava. A balança comercial registrou megassuperávits. De 2003 a 2006, tivemos superávit no balanço de pagamentos em transações correntes. Em 2007, teremos provavelmente outro superávit. Cinco anos consecutivos de saldo em conta corrente é um resultado talvez inédito na história brasileira.
Nossas reservas internacionais cresceram de forma expressiva, alcançando quase US$ 160 bilhões. A situação fiscal está razoavelmente arrumada. A inflação foi controlada. A economia brasileira começa a crescer a taxas mais adequadas.
Em resumo, a economia está bem mais preparada para enfrentar choques externos. Não é invulnerável, claro. Temos pontos fracos. O maior deles talvez seja a existência de uma dívida pública interna de prazo curto e ativos financeiros domésticos de grande liquidez. Como a conta de capitais é bastante aberta, um agravamento dramático da situação internacional poderia desencadear uma fuga de capitais. A troca de ativos em reais por moeda estrangeira pressionaria a taxa de câmbio e/ou as reservas internacionais do país.
Estamos longe disso, mas não podemos ser complacentes. O Brasil pagou, nas últimas três décadas, um preço alto demais por subestimar os riscos associados a turbulências internacionais.
P.S.: Há um lado positivo na turbulência recente. A moeda brasileira voltou a se depreciar, depois de um longo período de apreciação excessiva. Foi preciso que o mundo financeiro viesse abaixo, para que o dólar reagisse um pouco aqui no Brasil.
Artigo publicado na edição desta quinta-feira (16 ) da Folha de S.Paulo
Vermelho
16 DE AGOSTO DE 2007

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