ENCALHE

setembro 24, 2008

"Lula e crise americana", por Jasson de Oliveira Andrade

LULA E A CRISE AMERICANA
Os Estados Unidos estão passando por uma enorme crise econômica. A CartaCapital dedicou uma capa sobre o assunto. O título dela: 15 DE SETEMBRO DE 2008 – O dia do crack, na maior crise financeira desde 1929”. O governo Bush precisou tomar medidas que contrariam a pregação do capitalismo americano. Eles condenam a estatização, mas estatizaram bancos e outras companhias. Além disso, ainda ajudaram financeiramente várias empresas. Tudo contra o seu modo de pensar. Mesmo assim, as Bolsas e o dólar sobem e descem! (Manchete do Estadão, na edição de 16/9: “Quebra de banco nos EUA leva pânico às bolsas globais”.) Quanto a contradição do governo Bush, Nouriel Roubini, professor da New York University e colunista de CartaCapital, foi mordaz, mas, na minha opinião, exagerado: “A transformação dos Estados Unidos em USSRA (Estados Unidos Socialistas da República da América) já ocorreu. Os camaradas Bush, Paulson e Bernanke simplesmente socializaram os prejuízos dos ricos”. Outro que analisa a situação é José Sarney, senador e ex-presidente. Ele considera que “a atual intervenção do governo americano na economia é a confissão de que o modelo ruiu. Não a vejo como providência equivocada, mas como a confirmação de que o livre mercado sem controle pode ser um suicídio para o capitalismo”. Já o economista Paulo Nogueira Batista Jr, no artigo “Crepúsculo dos ídolos”, publicado na Folha (18/9/2008), depois de dizer que “o desastre financeiro aqui nos EUA é de proporções impressionantes. Nunca vi nada igual em minha vida”, ele acrescenta: “Há uma certa ironia na situação atual. Um governo comprometido com o livre mercado, avesso à regulação financeira e à participação do Estado na economia, está sendo forçado a praticar uma das maiores intervenções da história. Na prática, grande parte do sistema financeiro está sendo nacionalizada [estatizada]”. Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsman da Folha, faz essa comparação: “O mundo atravessou esta semana [21/9] uma das mais graves crises da história do capitalismo. Alguém usou a imagem de que ela pode levar à queda do Muro de Nova York, que teria para a economia a importância simbólica que a do Muro de Berlim teve para a política. (…) Pode nem vir a ser tanto assim, mas que o problema é grande, é”.
Qual é a repercussão da crise americana para o Brasil? Antes, vamos relembrar que no governo de Fernando Henrique Cardoso houve uma crise bem menor e que não era nos Estados Unidos. FHC, então, se socorreu do FMI (Fundo Monetário Internacional) com um empréstimo astronômico, que posteriormente foi pago pelo governo Lula. Agora, com essa gravíssima crise, o presidente declarou que ela será quase imperceptível no Brasil. O deputado estadual Simão Pedro (PT-SP) tem praticamente a mesma opinião: “Creio que a crise rebate por aqui, mas sem grandes impactos”. Depois ele explica porque acredita nisso: “É por competência do nosso presidente Lula e a sua equipe, que vem conduzindo a gestão da economia para obter fundamentos sólidos e dar segurança aos brasileiros e àqueles que aqui querem investir”. Entrevistado pela Folha, em 19/9/2008, Fishlow, ex-subsecretário dos Estados Unidos e brasilianista, assim se manifestou: “A situação no Brasil continua boa. Os fatos que geraram a turbulência em Wall Street não criaram grandes problemas para o país”.
A crise americana é gravíssima. Entretanto, torcemos que seja superada e não crie grandes problemas para o Brasil, na previsão de Fishlow. E que a política econômica do presidente Lula, graças a qual ele é bem avaliado ( pesquisa Datafolha mostra que 64% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom, recorde depois da redemocratização, segundo informa a Folha ), continue a nos proteger!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
PORTAL MOGI GUAÇU
23/09/2008

junho 12, 2008

"Sorry, centro", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Enquanto o Brasil continua bem cotado, instituições americanas e européias amargam grandes prejuízos
ESTOU EM apuros, outra vez. Brasileiro faz tudo na última hora. Neste instante, são 17h45 da quarta-feira (ontem). Como a Folha é implacável nos horários, tenho pouquíssimo tempo para escrever. Não me sobra outra alternativa senão falar do quadro internacional e do FMI. Calma, leitor, não pare de ler. Vou tratar do Brasil também. Brasileiro, bem sei, só quer saber do Brasil -é a síndrome de país-continente.
Não sei se o leitor se dá conta da singularidade da situação que estamos vivendo desde que estourou a crise do “subprime”. Um aspecto que salta aos olhos é a extraordinária resistência dos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, à crise nos sistemas financeiros dos EUA e da Europa.
É claro que há impactos negativos, nos planos comercial e financeiro. Mas a novidade é que até agora, transcorrido quase um ano, a crise não se propagou do centro para a periferia da economia mundial. Repare, leitor, que estamos falando de uma crise financeira considerada por diversos analistas como a mais grave desde a Segunda Guerra. Antigamente, se dizia: quando os EUA espirram, a América Latina pega pneumonia. Agora, os EUA pegam pneumonia e a América Latina nem espirra?!
Naturalmente, países geograficamente mais próximos dos EUA tendem a sofrer mais ( México, América Central e Caribe ). Mas, na América do Sul, a resistência é maior ( os problemas econômicos de alguns países sul-americanos importantes são basicamente “home-made” e não podem ser debitados à crise do “subprime” ).
O Brasil continua com cotação muito boa. Enquanto isso, grandes instituições norte-americanas e européias ainda estão amargando prejuízos e humilhações. A Standard & Poor’s, a primeira agência a dar o “investment grade” ao Brasil, rebaixou na semana passada a classificação de bancos importantes como Lehman Brothers, Merrill Lynch e Morgan Stanley.Aqui no Fundo, persiste um quadro de escassez de clientes. Alguns pensaram que a crise desequilibraria os países em desenvolvimento e colocaria o FMI “back in business” como emprestador. Ainda não aconteceu. Em junho de 2007, logo antes do início da crise, existiam oito programas financeiros (quase todos “stand-by arrangements”) -o mais importante era o acordo com a Turquia. Em junho de 2008, o número de programas continua o mesmo -mas com as seguintes diferenças. Dois países iniciaram acordos tipo “stand-by”: Honduras e Libéria. Mas terminaram os dois acordos que eram os mais importantes em termos de desembolso -Turquia e República Dominicana. E esses países ainda não indicaram a intenção de solicitar um novo programa com o Fundo.
Além disso, diminuiu no último ano o número de programas destinados exclusivamente a países de baixa renda. Em junho de 2007 eram 28 acordos; hoje, são 23.
Essa resistência da periferia e dos emergentes ainda está por ser explicada adequadamente. Mas parece claro que o fortalecimento da política econômica e, em especial, do setor externo das economias periféricas é um elemento importante dessa explicação. Balanços de pagamento superavitários e reservas elevadas deram a muitos países condições de fazer face às turbulências no centro do sistema internacional.
“Sorry, periferia”, costumava dizer o Ibrahim Sued. Se fosse vivo, o célebre colunista social teria de modificar o seu bordão.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
12.06.08

maio 24, 2008

Cuba considerou "ridículo" discurso de Bush sobre celular

Cuba classificou na última quinta-feira (22), como um “show decadente” um discurso do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em que ele autorizou residentes americanos a enviar telefones celulares a seus parentes em Cuba.
A medida adotada pelo presidente norte-americano serviria como uma pequena fissura no embargo comercial ( aplicado pelos EUA há mais de 45 anos contra Cuba ) e ainda como uma forma de pressionar a aceleração das reformas na ilha socialista.
“Foi um discurso ridículo, irrelevante e cínico, um ato de propaganda de mau gosto”, afirmou o chanceler Felipe Pérez Roque em entrevista à imprensa, em Havana.
O presidente Raúl Castro, que assumiu a Presidência em fevereiro, no lugar de seu irmão Fidel, que está doente, autorizou em abril a venda de telefones celulares aos cubanos, para ( sic ) melhorar a qualidade de vida deles*. Em discurso, durante a comemoração do recém-criado “Dia da Solidariedade com o Povo Cubano”, Bush afirmou que a política sobre Cuba não vai mudar a não ser que Castro conceda mais liberdades, solte os presos políticos e faça reformas econômicas, mas que não acredita que essa seja a intenção do regime daquele país.
Roque disse que o americano é um “líder exausto”, que está “fazendo suas malas para ir para seu rancho no Texas desacreditado e rejeitado em seu próprio país.”
Além disso, o ministro cubano pediu uma explicação americana para o comportamento de seu alto diplomata na ilha Michael Parmly, acusado por Cuba, nesta semana, de enviar dinheiro americano de um exílio anti Castro nos Estados Unidos para dissidentes na ilha.
Desde que fez a acusação na segunda-feira, o governo mostrou vídeos e e-mails das conversas da dissidente Martha Beatriz Roque, que teria recebido dinheiro de um grupo fundado em Miami pelo empresário Santiago Alvarez.
Roque declarou acreditar que os Estados Unidos vão tomar medidas para corrigir a conduta de seus diplomatas em Cuba.
Portal Imprensa, com informações da Reuters
- Estados Unidos liberam que cidadãos enviem celulares para Cuba
*Essa é boa! Qual é a relação? “Melhorar a qualidade de vida” de um país que costuma apresentar altos níveis em Saúde e Educação, maiores que os de ( quse ) todos os países do Ocidente!?! ( Talvez Bush queira tirar um troco para ajudar a economia de seu país em crise. Vender, vender, vender, qualquer porto numa tempestade. )
Na verdade, o mais provável é que o país – Cuba – comece, isso sim, a decair, já que está mais do que provada a relação ( aí sim ) entre telefones celulares e retardo mental agudo. Basta andar num transporte público em São Paulo, que os sinais de autismo saltam agressivamente aos nossos olhos e ouvidos. E pensar que o Metrô investirá para permitir que os celulares funcionem nos trens. Acabou o sossego.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.