ENCALHE

agosto 19, 2008

Céticos falseiam dados em documentário contra a tese do aquecimento global

A trapaça dos céticos
Pesquisa FAPESP
Edição Impressa 150 – Agosto 2008

A Ofcom, agência que regula as telecomunicações no Reino Unido, repreendeu a emissora de televisão britânica Channel 4 por ter distorcido o trabalho de climatologistas ao produzir um documentário afirmando que o aquecimento global é uma fraude e fruto de uma conspiração. Segundo o jornal The Guardian, queixas contra o documentário intitulado A grande trapaça do aquecimento global foram apresentadas por David King, cientista-chefe do governo na gestão do ex-premiê Tony Blair, e pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPPC), da ONU. A produção declarava-se porta-voz da minoria de cientistas que se mantém cética em relação ao vínculo entre aquecimento global e produção de gases poluentes pelo homem. O problema não foi esse, mas o fato de que até mesmo pesquisadores que auxiliaram na produção denunciaram distorção de dados [ grifo do blog ]. Apesar da repreensão, a agência considerou que a divulgação do documentário não ofendeu a legislação por não ter causado danos diretos aos espectadores

maio 27, 2008

O mundo vai acabar!! A gente só precisa ajudar!! Método K.Da1 K.Da1 de Auto – A – Judas! O Çegredo!

Digamos: você aí, meu amigo, minha amiga…digamos que você possua um mínimo de “consciência ecológica”, essas coisas. Ou, talvez, que ache bacana o trabalho das muitas ONGs conservacionistas. Legal, né? Mas, havemos de reconhecer, nem todos queremos passar o resto da vida salvando crustáceos do Himalaia, não é? Mas, sabemos que algo podemos fazer: não desperdiçar alimentos, água, evitar o consumo exagerado, a produção de detritos, lixo, reduzir o uso do automóvel, de petróleo. Não é porque a vEJA diz que o aquecimento global não existe, e alguns cientistas dizem que existe; que alguns colunistas de direita dizem que não existe, mas colunistas “de esquerda” dizem que existe; que alguns cientistas dizem que não existe, mas algumas revistas dizem que existe…Enfim!! Não é pelo fato de não existir consenso, que não possamos dar nosso pitaco. Aliás, nós estamos mais do que envolvidos nisso tudo. Ou você acha que o planeta em que, dizem, haverá guerra pela posse dos recursos hídricos é qual? Marte? Besteira. Em Marte deve ter é petróleo.
Voltando. Se você acha que vem agindo “bem”, e que, apesar das freqüentes farpas entre a direita e a esquerda, as ONGs fazem o trabalho certo – sendo, então, alvos de direita e esquerda, cada qual acusando as ONGs de pertencerem, camufladamente, ao outro lado – apesar disso, vai que você não saiba, e ambos estejam com a razão. Haveria, sim, um consenso. Paz, finalmente.
Você, meu amigo, sabe de que lado está? Você pode provar que o aquecimento global existe? E, pode provar, por outro lado, que não existe? Lógico que não.
Então, liberte-se: para quê continuar agindo “bem”? No More, Mr. Nice Guy.
Pense agora, principalmente, naqueles que não crêem ( ou são pagos para isso ) no aquecimento global. Seja honesto. Você não tem – repito – como provar. Como eles também não podem.
Mas, digamos que exista mesmo e eles estejam enganados. Ou que estejam a soldo de interesses que não dizem o nome. Pense nos colunistas de direita. E pense em seus filhos e netos.
Agora eu pergunto: que catzo nós temos na cabeça, que nos inibe, e nos leva a querer que o planeta continue existindo? Para quê deixar o mundo para o filho do Diogo Mainardi, ou para os netos do Olavo de Carvalho ( se é que ele têm algum ), do Rush Limbaugh, do Reinaldo Azevedo, do Fernando Henrique, do Klan Civita? Se eles mesmos não pensam em catástrofe…quem, eu me preocupar? Economize água, recicle papel e plástico, e deixe um mundo para os descendentes dos personagens mencionados comandarem.
Isso é injustiça para conosco!!
A solução é: POLUIR!! MAIS E MAIS!!
Por quê não emporcalhar o mundo agora mesmo? Traga para si o sucesso e o prestígio que tanto buscas! Tenha o destino do mundo em suas mãos, e a prosperidade te iluminará!
Garantindo, assim, a inviabilidade da vida neste planeta, daqui uns 50 anos e alguma lambuja. Pense nisso. Abra a torneira, deixe a água correr por umas duas horas, para começar. Deixe-a escorrer pelo ralo. Relaxe. Medite. Sem estas estúpidas amarras morais, você se sentirá livre, leve. É aí que nosso método demonstra – claramente – seus efeitos inegáveis e benéficos para sua vida!!
É claro que você não precisa fazer isso pensando apenas nos netos do Olavo, do Reinaldo, dos Civita. Eles ( os avôs ) nem sabem que você existe.
Pense naqueles seus vizinhos de classe-média. Ignaros, mal-educados e ( sabe-se-lá o motivo ) narcisistas. Observe seus ( dos vizinhos ) filhos: mimados, igualmente mal-educados. Perceba o quanto o pai se empenha para garantir ao filho um futuro “de qualidade”: refeições regulares, escola particular, revista Recreio, dentista, jiu-jitsu, cursinho, facú ( USP, pois o cara não faz isso pensando naquelas que cobram caro e estão abaixo dos quesitos do MEC ), inglês, informática. Tranca o filho numa redoma contra o mundo lá fora. Preparando o moleque para que este ganhe seu primeiro milhão antes dos trinta mortos, digo, anos.
Pense: esse tipo de gentalha se detém diante de questões morais e éticas? Isso não dá dinheiro, cara!!
Princípios não enchem a carteira.
Eles é que estão certos. Se “as empresas” ( eu adoro quando eles falam assim: “as empresas” têm vida própria ) pagam, não importa o que façam, você vai lá, cumpre, e tchau e bença.
Por exemplo: os professores da rede estadual de São Paulo. Olha o massacre a que estão submetidos pela holding Governo do PSDB/ P ( iG )/ imprensalão. Quem lê o eSTADÃO ou a vEJA, pensa que os professores “não têm preparo”. O leitor da vEJA, claro, engole esta fácil, fácil.
A verdade é que, sem o diploma universitário, não se pode dar aula. Quer dizer, não vou dizer que toda a rede estadual exige isso. Mas um professor me garantiu que a grandessíssima maioria do quadro docente é diplomada.
Mas, quem liga?
Pois então. Encanadores são muito mais úteis hoje em dia, que professores. Óbvio concluir que TODO O QUADRO docente da rede estadual deveria ABANDONAR as aulas. Deixa para o Serra e sua Secretária de Educação irem para a frente do quadro-negro.
Por quê o exemplo e o que isso tem a ver com o que foi explanado acima?
Outrora profissão de destaque e reconhecimento social, a docência deixou de ser importante para a própria população. Vejam o caso do aluno que discutiu com a professora por esta não deixá-lo sair da sala, para que ele assistisse a um jogo de futebol. Foi o primeiro jogo entre São Paulo e Fluminense, pela Libertadores. Ameaçou a professora, a diretora e brigou com PMs em plena sala de aula. Foi auxiliado por outros alunos que arremessaram carteiras nos guardas. No final das contas, irá responder por destruição de patrimônio público e, talvez, desacato. As funcionárias da escola, por medo de represálias ( um eufemismo, claro ) têm se recusado em comparecer ao trabalho. Como ainda há Justiça, mesmo que a do acaso, o São Paulo se fudeu e foi desclassificado pelo Flu.
Ou seja: o camaradinha pode ter ferrado seu futuro, por causa de uma bosta de um jogo de futebol. Sua educação não é prioridade, em sua própria avaliação!!
Oras, se os próprios jovens de hoje – que só utilizam a cabeça para usar boné, e ainda usam o boné de modo errado, observem – não se preocupam com o futuro das coisas, e seus pais menos ainda, por quê haveríamos nós de fazê-lo?
Num próximo post: O relato de um feliz usuário de nosso método que, depois de ter sido agredido por rapazes dentro dum ônibus em São Paulo, após ter solicitado a eles que observassem a lei e parassem de ouvir som alto dentro do veículo, finalmente descobriu “O Çegredo” e atingiu o sucesso. Leiam um trecho de seu espontâneo depoimento:
” ( … ) Parece mágica!! Depois que pus em prática o que aprendi pelo ‘Método K.Da1, K.Da1 de Auto-a-Judas’, minha vida melhorou em 1000%! Eu que, antes da agressão que sofri, segurava sacolas para passageiros do ônibus em que viajo, parei de fazer isso. Ignoro solenemente as dificuldades alheias. Não faço favores. Como trabalho em banca de jornal, sou muito solicitado por pessoas que desejam informações, como a localização de locais e ruas. Eu apenas digo “não sei” e, mesmo que saiba, nego. Não é problema meu. Na verdade, os jovens que me agrediram, acabaram me libertando. Passei a observar melhor o mundo à minha volta. Percebi que aqueles jovens NÃO SÃO OS ÚNICOS passageiros de transportes coletivos a ouvir música alta ao celular dentro do veículo, apesar da proibição por lei. Graças a pessoas assim, estou desobrigado de fazer coisas, além de minha obrigação!!! Graças a eles, eu não faço mais gentilezas para os outros. Vai saber, até mesmo a mãe deles precisou de mim um dia, e eu neguei-lhe meu auxílio, sem culpa. Muito obrigado a vocês, jovens e a – PRINCIPALMENTE – você, Método K.Da1, K.Da1 de Auto-a-Judas !!! ( … )”.
COMECE HOJE MESMO A UTILIZAR OS ENSINAMENTOS PRECIOSOS DO MÉTODO K.DA1, K.DA1 DE AUTO-A-JUDAS

maio 15, 2008

Manifestação contra transgênicos reúne 5000 alemães

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
ONDAS
Alemães contra transgénicos
Na Alemanha, cerca de
5000 pessoas manifestaram-se em Bona contra o cultivo e comercialização de cereais transgénicos.
No Reino Unido, a
concessão à Northern Petroleum, por 3 anos, de licença de extracção de petróleo na Markswell Wood, perto de Chichester, está a preocupar os ambientalistas locais. Já rotularam o projecto de vandalismo.
No Brasil, a ministro do Ambiente Marina Silva pediu a demissão. Pediram demissão também o presidente do Ibama, Bazileu Margarido, o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, João Paulo Capobianco, que também é secretário-executivo do ministério. Os motivos não foram divulgados oficialmente, mas fala-se na interferência do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, e da alegada pressão do Ministério da Agricultura, chefiado por Reinhold Stephanes, para flexibilizar a regra que restringe o crédito agrícola de quem desmatou sem licença ambiental e não tem registo da propriedade. Pelos vistos Marina Silva não quis mais esverdear o governo de Lula nem pactuar com a série de atropelos às políticas ambientais que tentou, em vão, impulsionar.

abril 25, 2008

As duas futuras campanhas deste blog!!

Duas, hein? Aqui a gente trabalha mesmo!! Estão em estudo.
A primeira se baseia naquela velha conversa, de que há muitos feriados no Brasil, que isso prejudica a economia, etc.
Pois bem. Acabemos com um feriado ou ponto facultativo, tanto faz.
Aqui no estado de São Paulo, o blog acha dispensável a comemoração do 9 de Julho. E é contra a data, e o conseqüente feriado, que este blog fará uma campanha. FORA!
A segunda é de teor ecológico.
Economizar água é algo que parece estar fora do campo de interesses de grande parte da população. “Regar” a calçada, o meio-fio, até o meio da rua são hábitos arraigados na mentalidade dos habitantes do município de São Paulo.
Ao mesmo tempo, chega a ser curioso o esforço dos pais, principalmente os de classe-média, em garantir a formação e a qualificação profissional ( eu uso tais termos ironicamente ) de seus filhos. Tudo para lhes garantir um futuro de sucesso.
Futuro? Mmm.
Deixa eu pensar: se eu seguir a linha de sempre, a de economizar água, entre outras regras de comedimento no uso de recursos diversos, eu estarei, ao mesmo tempo, garantindo que haja – no sentido de “existir”- um mundo em que estes citados filhos viverão e, talvez, mandarão.
Mmmm. É isso que eu quero? Para esta gente que eu desprezo hoje? E seus filhos?
Eu não viverei mais do que cinquenta anos futuros. Até lá, o mundo já deverá estar em guerra por água e comida.
Enquanto isso, estou abdicando, nos dias de hoje, de meu conforto e de meus interesses, em nome de um “algo” coletivo, que, a rigor não parece existir. Vejam seu dia-a-dia.
Também não planejo filhos e, por isso, não terei descendentes. Nem obrigações para com eles.
Seguindo a linha de pensamento “K.DA 1, K.DA 1″ ( “Cada um, cada um”, em português arcaico ), acho que acaba aqui meu zêlo pelo meio ambiente.
Ou seja, a campanha será pelo uso indiscriminado, total e sem tréguas, da água para fins idiotas.
Carro, calçada, cimento. Limpeza total. No future para vocês e seus filhinhos.

outubro 19, 2007

Merecia o Ig-Nobel!! ( em espanhol )

¿Al Gore defiende el medio ambiente?
Miguel Lamas
El ex vicepresidente yanqui Al Gore ha sido uno de los ganadores del Premio Nobel de la Paz 2007 «por sus esfuerzos por construir y divulgar un mayor conocimiento sobre el cambio climático».
El premio fue compartido con el Panel Intergubernamental sobre Cambio Climático (IPCC), de las Naciones Unidas, que reúne a 2500 científicos, entre ellos 50 argentinos. Pero, como tantas veces, el premio Nobel viene con trampa.
Los científicos del Panel atribuyeron el calentamiento global a actividades humanas en 90% y pronostican un alza de la temperatura media del planeta en 2100 de entre 1,1 y 6,4 grados, y confirmaron que inundaciones, sequías y hambrunas se intensificarán a raíz de los daños ecológicos si los gobiernos no adoptan medidas para proteger el medio ambiente. Los científicos evidentemente merecen el premio.
Gore merece el Nobel… de la mentira
El principal destinatario del premio, y el único que se publicita, es Al Gore.
¿Al Gore defensor de la paz?
El gobierno de Clinton, del cual fue vicepresidente (1993 al 2000) bombardeó Yugoslavia, Sudán, Afganistán, Irak, Haití, Zaire, y Liberia, utilizando toda clase de municiones destructivas incluidos proyectiles que contenían uranio empobrecido, causando la muerte de decenas de miles de civiles e irreparables daños ambientales.
¿Gore defensor del medio ambiente?
En diciembre de 1997 más de 160 países, entre ellos EE.UU., firmaron en Kioto (Japón) un protocolo para limitar las emisiones de CO2. Gore firmó, pero «para la gilada». Pues luego, ni él ni Clinton hicieron nada para que fuera aprobado por el Congreso norteamericano. Por lo tanto Estados Unidos, el país más contaminador del planeta, nunca adhirió.
El año pasado Gore hizo un documental visto por millones de personas: «Una verdad incómoda», que muestra los efectos del calentamiento global. Pero es más lo que esconde. Afirma que “Somos todos responsables”. Oculta que el 20 por ciento de la humanidad, principalmente las multinacionales, cometen el 80 por ciento de las agresiones contra el medio ambiente, o que el consumo de energía de un ciudadano medio del Primer Mundo es 70 veces mayor que uno de los países en desarrollo. ¡En la propia casa de Al Gore se consume 20 veces más energía que en la de una familia media norteamericana!
La trampas del Nobel
¿Pero es sólo que le dieron el premio a un charlatán caradura y mentiroso? Hay algo mucho más peligroso. Gore está entre los que defienden los agrocombustibles. Es decir, que la soja y maíz se usen para producir combustible, y a su vez sustituyan a los cultivos de papas, trigo y arroz, alimentos básicos de cientos de millones de pobres del planeta. Estos monocultivos para biocombustible ya están causando desertificación de grandes superficies, destruyendo bosques, pastizales y tierra de cultivos tradicionales en Latinoamérica, Asia y África. Una deforestación que aumentará las emisiones de gases de invernadero por el drenaje de suelos y la agricultura intensiva, y justamente acelerará el calentamiento global, además de encarecer hasta niveles imposibles de alcanzar para los pobres los precios del pan, harina, hortalizas y otros alimentos.
Por otro lado, en el colmo del cinismo, el imperialismo pretende que organismos multinacionales manejados por ellos controlen áreas del planeta como la Amazonia, arrebatando la soberanía de países pobres para, supuestamente, «defender la ecología».
El destructor es el capitalismo
Lo que está devastando al planeta y a los seres humanos es el capitalismo, con sus multinacionales y gobiernos imperialistas al frente. Es la lógica perversa de un sistema para el cual sólo importan las ganancias para una minoría de super millonarios. El ejemplo muy cercano lo tenemos con la empresa finlandesa Botnia, la cual sobornó al gobierno uruguayo del Frente Amplio para que le permitieran montar su gigantesca papelera, al precio de contaminar el río Uruguay y otros daños ecológicos. Si Botnia tiene ganancias para ellos “no interesa” que produzca en el futuro miles de personas con problemas respiratorios o cáncer de piel.La contaminación se puede frenar y revertir. El protocolo de Kioto, que prevé una reducción de emisiones de gas CO2 es sólo un pequeño paliativo. Para revertir el profundo deterioro ambiental hace falta un cambio revolucionario en la forma de producir, transportar, consumir y repartir. Una revolución socialista a escala internacional, que expropie a las multinacionales, derrote al imperialismo e imponga una planificación democrática de la economía al servicio de las amplias mayorías trabajadoras, contemplando el cuidado del conjunto de los seres humanos y de la Tierra como lo que es, el lugar en que vivimos todos.
BOLPRESS
18/10/07

setembro 22, 2007

O meu eu quero em "créditos pessoais de carbono"

Se entendo bem a lógica que sustenta os famosos “créditos de carbono”, os países ganhariam “bônus” para deixarem de poluir, porém permitindo que outros o façam em seu lugar, mantendo uma média mundial sem oscilações.
Eu disse que não sei se entendi direito, mas acho que o sentido é esse.
Caso seja, esse Dia sem Automóvel – que eu tratei como “farsa” e não mudei minha opinião a respeito, ainda que considerando as boas intenções dos seus idealizadores – me atiçou uma idéia, que ainda deverá ser lapidada devidamente.
Eu andava pelo meu “a-cada-dia-que-passa-está-progredindo-porém-às-custas-da-hediondamente-denominada-”qualidade-de-vida”‘ bairro, observando algumas casas antigas, porém habitáveis, derrubadas pelos tratores da especulação imobiliária; também percebi que, no mesmo dia em que o telejornal mostrou uma triste paisagem do árido sertão – que, revelou-se depois, tratava-se na verdade da represa Billings ( ou Guarapiranga, não lembro ) – seco e esturricado, algumas pessoas regavam os quintais e as calçadas ( para que a limpeza fosse mais eficiente, nada melhor que um jato interminável de mangueira ) e outras lavavam os carros.
Bem.
Pensei: “Esse pessoal é que está certo: faz o diabo para conseguir comprar um carro; cimenta ( ou compra cimentado ) o quintal da casa, que é para botar o carro; rebaixa ( ou às vezes suspende) a guia, contando com a, digamos, péssima fiscalização da Prefeitura, para facilitar a entrada do automóvel em casa, mas dificultando a caminhada do pedestre; gasta uma puta água potável regando o carro, a vaga ou quintal, a calçada, o meio-fio e às vezes até o asfalto ( e essas áreas todas que mencionei, só que da residência ao lado ); sai com o carro para ir até a esquina, na padaria; quando pode, dá um carro para a esposa e para os filhos que podem guiar, além de adquirir um para rodar nos dias de rodízio;
Para estes despreocupados, a consequência de se adquirir um automóvel se encerra na possibilidade ou não de comprá-lo, pagar os impostos e taxas, abastecer no posto e trocar alguma peça quando necessário for, sem contar o pagamento da mão de obra.
Óbvio que, quando o espaço necessário falta para comportar tanto aço circulando nas ruas, o carro jamais é visto como causa disso, mas vítima ( sim, como se fosse uma pessoa ): do motorista ao lado “que dirige mal”, da Prefeitura, da CET, dos pedestres, dos ônibus, caminhões, ciclistas, dos políticos, dos motoboys. Jamais da Física.
Como esse pessoal baba quando o noticiário diz que foram vendidos milhares de carros a mais do que no mês anterior. E como baba quando um novo modelo lindão sai da prancheta. Nesse mundo utópico, reforçado ininterruptamente pela propaganda e pela mídia empresarial, as ruas estão sempre livres. Ou então, estão intransitáveis e caóticas, mas só porque você possui um carro de outra marca que não aquela do comercial.
Sabe, infelizmente somos obrigados a respirar chumbo por causa de camaradas que são complexados pelo seu pau pequeno, ou damas que acham seus glúteos pouco atraentes. A propaganda lança essa idéia subliminarmente, a “necessidade” ganha corpo junto à sociedade e esta, por sua vez, obedece os comandos dos handlers das agências. Difícil ir contra tais ideais tão arraigados. Quem deseja ser um pária, um perdedor, não é mesmo?
E quem não reza pela cartilha do “sucesso”? Quem usa as pernas ou o transporte público coletivo?
Digamos que, entre outras coisas, o poder público não se sente muito obrigado a resolver os problemas, quando estes exigem respostas “radicais”. Não. Quem colocaria em jogo sua carreira política dizendo ao público aquilo que esta classe de marmanjos mimados não deseja ouvir?
Uma atitudezinha localizada aqui, outra acolá, como uma estação de Metrô.
Tem gente que ganha com isso: a construção de uma estação de Metrô, por exemplo, envolve interesses, e nem sempre se trata apenas da disponibilização de equipamento público de transporte à população.
Uma incorporador enche as burras de dinheiro adquirindo e comercializando as àreas próximas aos locais escolhidos para receberem as futuras estações. Esses locais passam a custar caro. O assédio se torna irresistível. Os moradores destas regiões que não disponham de recursos à altura para se manterem onde estão, sucumbirão às pressões, e passarão o ponto. E irão para outra freguesia, mais em conta que aquela de onde está saindo. Quem paga aluguel, esse está mais distante ainda de continuar na região. Seja porque o proprietário venderá o imóvel, seja porque o perfil econômico dos novos moradores exigirá serviços à altura das possibilidades destes, ou seja, mais caros.
Não pergunte por quê esses investidores ( que adoram dizer que farejam oportunidades e se gabam que suas ações terminam por melhorar a cidade como um todo, porém começando no local em que estejam operando diretamente ) não vão atrás de oportunidades em locais que realmente precisariam de alguma reforma urbanística – que realmente viria com a implantação dos novos projetos – e seus entornos.
Ora, já que o aeroporto de Congonhas está praticamente lotado, como um ônibus Terminal Capelinha, e a solução imediata é a transferência de ocupação para Guarulhos, por quê a Tecnisa ou a Rossi não constroem seu condomínios sensacionais em lugares próximos ao município vizinho, mesmo ainda na Capital, para o público que utiliza os aeroportos com frequência?
Eu sugeriria São Miguel Paulista, Jardim Helena, próximo à Petroquímica. Una-se o útil ao agradável: o governo estadual não precisará gastar o dinheiro dos pedestres e usuários de transportes públicos na construção de uma linha de trem expressa ligando a Capital ao aeroporto de Cumbica, e esta não precisará ser entregue de graça à iniciativa privada, como costuma ser o modelo tucano de parceria com os empresários.
A região que estou sugerindo conta com imóveis bem baratos ( dá para fazer um ótimo lucro em todos os estágios da obra ); possui sua linha de trem ( uma maravilha de acordo com a propaganda do governo estadual, à época da reforma ); situa-se próxima à Jacu-Pêssego e portanto, permite um melhor acesso à Trabalhadores e à Imigrantes, além da Marginal e do aeroporto; a mão de obra da região costuma ser barata; é servida pelo Metrô linha Leste-Oeste; tem áreas verdes, como o Parque do Carmo; conta com Universidades de ponta, como a USP Leste.
É quase um Paraíso.
Voltando aos créditos pessoais de carbono
É, meu amigo…
Eu, para mudar de assunto não precisa muito não.
Já falei que eu não tenho carro e não sei dirigir porque nunca me interessei? E que não tenho e jamais terei filhos ( e estes, inexisitindo, não comprarão carros, não cimentarão jardins, não lavarão quintal e calçada, não ocuparão espaço nas ruas e não votarão em candidatos apoiados e financiados pela indústria automobilística e pela especulação imobiliária; além disso não serão os vermes consumistas que a sociedade costuma parir )? E, finalmente, que reutilizo água de chuva, da máquina de lavar e até do banho, há mais de década?
Claro que não sou perfeito. Eu como carne, por exemplo. Não há como não causar algum dano ao meio ambiente, mas isso não é desculpa para condená-lo à danação que é abrigar em si os seres humanos horrendos que somos.
Voltando: já que eu abro mão, em benefício de outrem, do meu “direito inalienável” de destruir, poluir, desperdiçar água estupidamente, concretar a cidade, jogar CO2 pelo escapamento, matar iraquianos por petróleo, derrubar governos venezuelanos por petróleo, invadir países por suas reservas de água doce e outras atitudes socialmente justificadas e aceitas em nome de um estilo de vida que não pode jamais ser questionado, e garantindo que não terei descendentes para que os descendentes daqueles que fazem tudo isso que eu falei reproduzam tais ações, então:
Cadê a minha fração? Não é o caso da Bolsa de Valores ou da CVM criarem algum título no varejo, inspirado naquele comercializado entre as nações e empresas, que resulte em ganhos para as pessoas que se disponham a não piorar ainda mais o quadro ambiental apocalíptico em que vivemos?
Não sou uma pessoa ingênua ou de princípios. Eu quero minha parte em grana!!!

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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