julho 8, 2008
Mensagens sobre GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO, por Jasson de Oliveira Andrade
julho 7, 2008
Comemorando o 9 de Julho: Dono do "Estadão" propôs Ato Institucional que assustou até mesmo os generais da ditadura!!
junho 10, 2008
"GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA", de Jasson de Oliveira Andrade. A Guerra Fria sem CIA e KGB.
Mensagem enviada a mim, por Jasson:
O Livro Golpe de 64 em São João da Boa Vista idealizado por Francisco de Assis Martins Bezerra- editor e por Jasson de Oliveira Andrade-autor relata momentos importantes da história política de São João da Boa Vista.
Embasado em pesquisas e fatos vivenciados, o autor Jasson de Oliveira Andrade, ex-preso político, relata os acontecimentos que precederam o Golpe militar de 1964 e os efeitos do mesmo sob o enfoque local, permitindo que a população de São João da Boa Vista conheça sua história e os principais protagonistas que refletiam as forças políticas da época e os interesses representados em seu município.
Esta brilhante e corajosa obra literária permite que conheçamos melhor a história deste importante município paulista, para que possamos entender a atualidade e assim, buscar maior desenvolvimento cultural, social e até mesmo econômico.
A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO, aplaude os Senhores Jasson de Oliveira Andrade-autor e Francisco de Assis Martins Bezerra- editor pelo importante trabalho histórico-literário que resultou na publicação do livro Golpe de 64 em São João da Boa Vista que tornou acessível a todos, as circunstancias e fatos que envolveram este período sombrio da história de nosso país, sob um corajoso enfoque local que permite identificar as forças políticas e interesses da época, compará-los aos dias de hoje e estimular o surgimento de novas lideranças .
Por fim, requer sejam tomadas as providências necessárias para a expedição de ofício os Senhores Jasson de Oliveira Andrade e Francisco de Assis Martins Bezerra no endereço anexo, para dar ciência desta propositura
Sala das Sessões, em
Deputado Simão Pedro
junho 5, 2008
"TRIBUTO A UM IMPRESCINDÍVEL: D. PAULO EVARISTO ARNS", por CELSO LUNGARETTI
Pior: alguns jovens formam seu conceito sobre ele a partir do que lêem nos textos repulsivos da propaganda neo-integralista, apontando-o como principal inspirador da política de direitos humanos “que só protege os bandidos”…
Então, em vez de esperar que surja o que os jornalistas chamamos de gancho, uma justificativa qualquer para falar de D. Paulo, vou fazê-lo unicamente porque se trata de um daqueles imprescindíveis a que se referiu Brecht. Neste Brasil da ganância e da competição que o capitalismo globalizado está engendrando, é fundamental evocarmos exemplos como este, até como antídoto.
Cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, D. Paulo está com 87 anos, é um homem combalido e tem problemas de audição – decorrentes, esclarece, de ferimentos sofridos quando de uma tentativa de seqüestro num país latino-americano (pretendiam obter, em troca, a liberdade de um chefão do narcotráfico).
A entrevista que fiz há algum tempo com D. Paulo permanece atual, daí eu estar reproduzindo aqui seus principais trechos Não quis privar os leitores da oportunidade de conhecer-lhe a história a partir de suas próprias palavras, que tive o privilégio de escutar numa ensolarada tarde de dia útil, no convento franciscano que fica ao lado da tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
No final, apesar de sua dificuldade de locomoção, fez questão de percorrer comigo o longo caminho até o corredor. E se despediu com uma frase marcante: “Precisamos contar essas histórias [do que aconteceu neste país durante a ditadura militar] às novas gerações. É importante que elas saibam de tudo isso!”
A missão do educador – Muitos programas pioneiros, na linha da inserção social, foram introduzidos na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) entre novembro/1970 e maio/1998, período em que, como arcebispo metropolitano de São Paulo, D. Paulo foi Grão Chanceler da instituição.
Logo que se tornou o principal responsável pelos rumos dessa universidade, D. Paulo fez primeira visita ao Conselho da PUC. E disse: “Não quero uma escola de 2º grau melhorada. O que me interessa é que vocês façam uma pós que dê bons professores para todos os lugares do Brasil; e que todas as teses e tudo o que vocês discutirem além da escola se refira ao povo e ajude o povo. Que isso seja a norma daqui para a frente”.
Os resultados não tardaram, diz D. Paulo. “A Arquidiocese se organizou em pastorais diferentes – p. ex., a Operária, a da Terra, a do Trabalhador –, então eu consegui que a Faculdade de Direito se interessasse em ir, durante a semana ou no sábado, à periferia e ver como se poderia ajudar essa população e quais os problemas reais da periferia. A mesma coisa aconteceu com a assistência social, que, aliás, está trabalhando nessa linha até hoje, com métodos sempre novos e recebendo apoio da Europa e de outros lugares, com uma eficiência muito grande.”
Hoje, essas iniciativas pioneiras da PUC/SP encontraram muitos seguidores e há um sem-número de empresas e instituições esforçando-se para dar uma contribuição positiva à sociedade.
Ofícios para vítimas da ditadura – “Os estudantes da USP me procuraram em 1973 quando um colega [Alexandre Vannucchi Leme] foi assassinado pelos órgãos de segurança. Os estudantes se reuniram, uns 10 mil, e mandarem representantes à minha casa, à noite, para que eu fosse lá falar aos alunos. Eu disse que era melhor reunir os estudantes, mas não dava para fazer no campus da universidade, porque ele estava cercado por policiais e oficiais do Exército.
“Então, decidi fazer na catedral. Eu disse: ‘Na catedral, nós falamos o que queremos, e nós falaremos aos estudantes. Encham a catedral de estudantes e de povo, que nós diremos a verdade’. E foi o que eles fizeram. Às 15h, eu fui lá, fiz aquele ato solene em favor do estudante e celebrei a missa para o falecido. Fiz o sermão sobre o ‘não matarás!’, o mandamento central dos 10 mandamentos. Foi sobre isso que eu falei para eles, e eles participaram, vivamente, da missa e de toda manifestação religiosa posterior.
“Depois, em 75, foi a vez do Herzog; em 76, a do Manuel Fiel Filho; e em 79, a do Santo Dias, quando recebemos de 150 mil a 200 mil pessoas, que andaram desde a igreja de Nossa Sra. da Consolação. A multidão foi engrossando. Ao chegar na Catedral da Sé, não cabia nem na igreja nem na praça, então nós fizemos uma cerimônia mais curta, mas muito mais participada por todos os operários.”
Missa de 7º dia de Vladimir Herzog – Foi celebrada na Catedral da Sé, simultaneamente, por religiosos de três confissões: a católica (D. Paulo), a judaica (rabino Henry Sobel) e a protestante (reverendo James Wright).
“Quando o Herzog foi assassinado – lembra D. Paulo –, em 1975, os jornalistas me pediram que houvesse um ato ecumênico na catedral. Os judeus fazendo o ato deles em hebraico, portanto, não na língua que compreendêssemos. Foi impressionante e muito bonito.”
[Modesto, D. Paulo evitou comentar que sua decisão foi um ato de enorme coragem. Primeiramente, porque a alta hierarquia católica não viu com simpatia sua iniciativa de oficiar missa ao lado de um rabino e de um reverendo. Depois, por ser um desafio frontal à ditadura militar, que o presidente Geisel engoliu, pedindo apenas a D. Paulo que segurasse seus radicais, “enquanto eu seguro os meus”. Finalmente, por ter, em nome de ideal de justiça e solidariedade cristãs, corrido o risco da ocorrência de tumultos e mortes que teriam um peso devastador em sua consciência de religioso. Graças a ele, foi viabilizado o ato que acabou se tornando um divisor de águas: a partir dessa vitória sobre a intimidação, a ditadura começou sua lenta, mas irreversível, marcha para o fim.]
Invasão da PUC em 1977 – “Eu estava em Roma quando o Erasmo Dias, então secretário da Segurança do estado de São Paulo, invadiu a PUC sem dizer ou ter motivo nenhum. Os estudantes estavam em exame e os policiais destruíram mais de 2 mil cópias de documentos, estragaram o refeitório, danificaram os instrumentos musicais e até derrubaram um professor no chão.
“Eu fui chamado às pressas de Roma e, na manhã seguinte, já dei uma declaração ao desembarcar no aeroporto, dizendo que ‘na PUC só se entra prestando exame vestibular, e só se entra na PUC para ajudar o povo e não para destruir as coisas’. Depois, nós fizemos toda uma reação contra eles e toda uma manifestação junto aos estudantes.”
Eleição direta para reitor da PUC – “No início dos anos 80, nós queríamos nos opor ao regime totalitário que estava vigorando no Brasil e provar que funcionários, professores e alunos são igualmente capazes de escolher o diretor, o reitor ou o presidente da instituição.
“Antes eu reunia o conselho de cada classe, para ter uma certa democracia entre os professores, e pedia que me indicassem o nome. Achei que era pouca democracia. Então, pedi à reitora e aos três vice para haver uma escolha entre todos os alunos, que eu aceitaria o resultado e mandaria para a aprovação de Roma.
“E Roma aprovou imediatamente. Então, foi a primeira eleição dentro de uma universidade pontifícia católica e, também, foi a primeira vez que se escolheu um reitor entre todos os funcionários, alunos e professores.”
Contratação de professores perseguidos – “O minstro da Justiça ordenou a expulsão de vários professores da Universidade de São Paulo. Então a reitora da PUC me telefonou perguntando se podia admiti-los entre nós. Eu disse: ‘Não só pode como deve, porque são excelentes professores e patriotas’.
“O Florestan Fernandes até escreveu um artigo me agradecendo. Ele ficou satisfeito porque pôde dirigir os estudantes da pós-graduação na PUC da maneira mais livre possível.
“Quanto ao Paulo Freire, eu fui a Genebra para convencê-lo a voltar ao Brasil, depois de 10 anos de exílio. Garanti que eu iria cuidar da chegada dele aqui. E mandei toda a nossa Comissão de Justiça e Paz, que eram mais de 40 pessoas, junto com amigos, para recebê-lo em Campinas.
“De fato a polícia o prendeu, mas, depois de duas horas de interrogatório, eles viram que todos estavam contra eles e soltaram o Paulo Freire, que ficou conosco, com uma grande amizade comigo, até o momento da sua partida.”
Convicções e esperanças – Sobre o Governo Lula, antes mesmo da crise do mensalão, D. Paulo já mostrava uma ponta de apreensão, ao se dizer esperançoso de que “o Brasil não perca esta ocasião e não afunde o barco em vez de conduzi-lo a uma margem da terra onde haja outra terra e outro céu, como diria a Sagrada Escritura; onde haja outra possibilidade de sonhar e outra possibilidade de viver com dignidade, mas para todas as pessoas e não só para uma parte”.
E, inquirido sobre o menor engajamento atual da Igreja às causas sociais, ele finalizou com uma mensagem de esperança: “A Igreja é o povo. Se o povo se mobiliza bem, a Igreja também se mobiliza. Então, é preciso unir esses dois conceitos, o povo de Deus e o povo, simplesmente. Nós precisamos caminhar para a fraternidade, para uma possibilidade de todos serem respeitados como filhos de Deus e irmãos uns dos outros”.
Não há como retratar a grandeza de um D. Paulo Evaristo Arns numa única entrevista. Faltou dizer, p. ex., que ele criou a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo e foi o grande artífice do projeto Brasil: Nunca Mais ( livro-levantamento dos casos de violações de direitos humanos durante o regime militar ), integrando também o movimento Tortura Nunca Mais, dele decorrente.
O principal, no entanto, é que suas gestões junto às autoridades salvaram a vida e evitaram a tortura de resistentes, no pior momento da ditadura.
Fiel ao espírito da igreja das catacumbas, foi o pastor que tudo fez para que seu rebanho sobrevivesse a um tempo de lobos. Um imprescindível.
Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
junho 3, 2008
"GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA". Livro de Jasson de Oliveira Andrade.
Desculpe a demora em responder.
Agradeço sua atenção e, lamento, ainda não consegui abrir o anexo que Vsa. enviou-me.A verdade é que não sei mexer direito em computador.E, também, não possuo um próprio.
Sabe, acho que pela primeira vez, aqueles que me escrevem por causa de uma carta minha publicada em algum jornal, não foi para me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele. me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele (…).”
"Golpe de 64 em São João da Boa Vista". Livro de Jasson de Oliveira Andrade.
Desculpe a demora em responder.
Agradeço sua atenção e, lamento, ainda não consegui abrir o anexo que Vsa. enviou-me.A verdade é que não sei mexer direito em computador.E, também, não possuo um próprio.
Sabe, acho que pela primeira vez, aqueles que me escrevem por causa de uma carta minha publicada em algum jornal, não foi para me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele. me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele (…).”
maio 17, 2008
Dilma mente para Ditadura Militar
A participação do senador do DEM mereceu críticas gerais. Dora Kramer, em artigo ao Estadão (9/5/2008), afirmou que “a oposição foi irretocavelmente incompetente”, dizendo ainda que “os senadores aliados sim, deram um show. De categoria e habilidade política.”
A Folha, em editorial sob o título “Revés da oposição”, comentou: “Na tarde de ontem [7/5], tudo começou com uma péssima idéia do senador José Agripino (DEM-RN): julgou pertinente trazer à baila uma entrevista em que a ministra contou ter mentido muito às forças da repressão. (…) “Eu fui barbaramente torturada, senador”, respondeu Dilma Rousseff. “Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na ditadura, senador”. (…)
A força emocional e política de uma resposta desse tipo só poderia marcar NEGATIVAMENTE (destaque meu) as acirradas disposições de ânimo com que a oposição iniciava seus questionamentos”.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no seu Blog Entrelinhas, constatou: “PT vibrou com a atuação de Agripino Maia”. É verdade. Como a ministra foi convocada para falar do PAC, embora a oposição preferisse questionar sobre o Dossiê sobre os gastos do governo de Fernando Henrique Cardoso, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) ironizou: “Já que o assunto é PAC, podemos dizer que o senador José Agripino pavimentou a estrada para a ministra Dilma brilhar”.
Eliana Cantanhêde, em artigo à Folha, opinou: “Quem disparou primeiro contra ela [Dilma] e errou feio foi o senador José Agripino Maia, do DEM, que tentou ser esperto ao dizer que a ministra “mentiu muito” na ditadura militar. (…) Disse que tinha orgulho de ter mentido, porque mentir significou suportar tortura para salvar a vida de companheiros. De quebra, foi ferina, apesar de elegante, ao fazer o confronto entre ela, que combatia a ditadura, e Agripino, ex-Arena e ex-PDS, que a defendia. “Estávamos em campo opostos.” Havia algum espaço para a tréplica?” Realmente, Agripino iniciou na política, segundo a Folha, com a nomeação dele pelo governo militar para a Prefeitura de Natal em 1979. Começou mal, como prefeito “biônico”!
Noblat, em seu Blog, comenta: “Ela [Dilma] entrou na sala da Comissão [do Senado] como suspeita de ter encomendado um dossiê sobre despesas sigilosas do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu como a heroína que aos 19 anos de idade foi presa e torturada por agentes de ditadura militar de 1964, e mesmo assim NÃO DEDUROU NINGUÉM (destaque meu).” Noblat ainda revelou: “Outro dia, o governador de São Paulo José Serra (PSDB), aspirante à vaga de Lula, alertou seus companheiros de partido: “Se continuarem tratando Dilma dessa forma ela acabará emplacando como candidata. E com chances de vencer”. (…) Advertência de Serra, hoje, ganhou mais robustez”. Com razão. O próprio deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), atuante parlamentar, reconheceu: “A expectativa era que a ministra seria detonada, mas ela é que nos detonou”.
Quanto aos Dossiês sigilosos, em minha opinião, deveriam ser realmente divulgados, sejam de Fernando Henrique ou de Lula!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor do livro “O GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA“
Maio de 2008
abril 6, 2008
Ziraldo e Jaguar, entre outros, receberão indenização por perseguições do regime militar
Os dois, fundadores do Pasquim e colaboradores de diversos veículos da imprensa brasileira nos últimos 40 anos, foram indenizados por serem vítimas da opressão do Estado na ditadura militar. Jaguar não esteve presente. Já Ziraldo fez questão de abraçar o conselheiro Egmar José de Oliveira, e depois afirmou que recebe uma aposentadoria de R$ 1 mil.
Todos os 20 jornalistas foram anistiados. O valor da indenização é relativo ao cargo máximo que ocuparam durante o regime em equivalência com os salários atuais, de acordo com as tabelas da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Os valores retroativos contam a partir da entrada do requerimento na Comissão da Anistia, adicionada de uma “retroatividade qüinqüenal”, ou seja, incluindo os cinco anos anteriores na conta.
Jaguar e Ziraldo receberam um valor acima dos demais por já terem processo encaminhado no Ministério do Trabalho.
Tarso Genro terá que autorizar as indenizações
Ricardo de Moraes Monteiro, ex-editor regional da Gazeta Mercantil e atual assessor especial de comunicação do Ministério do Planejamento, receberá a pensão de R$ 4.375,88 e indenização retroativa de R$ 590.014,59. Sinval Leão, diretor da Revista Imprensa, foi contemplado também com R$ 4.375,88 mensais e um retroativo de R$ 572.438,04.
Cabe recurso a todos os processos. As indenizações serão pagas a partir de portaria assinada pelo ministro da Justiça e publicada no Diário Oficial.
Conheça abaixo os demais anistiados
abril 3, 2008
Celso Lungaretti: ENTREVISTA AO JORNAL "A TRIBUNA", DE SANTOS (SP), SOBRE O "INFELIZ ANIVERSÁRIO"
Jornalista, escritor, ex-militante da VPR e ex-preso político
A família de Celso Lungaretti não era politizada em 1964, quando o golpe militar do dia 31 de março derrubou o governo do então presidente João Goulart. ‘‘Os acontecimentos políticos ainda pareciam distantes da minha realidade’’, lembra o jornalista, escritor e ex-preso político que tinha 13 anos na época.Três anos depois, seguindo ‘‘o sentimento difuso de contestação da autoridade’’ que havia na juventude brasileira e de outros países, Lungaretti ingressou no movimento estudantil. ‘‘O rito de passagem passou a ser a luta política’’.
março 26, 2008
Celso Lungaretti confronta mais uma vez "entulho autoritário" de Elio Gaspari
A POLÊMICA QUE EU E OUTROS ARTICULISTAS ESTAMOS TRAVANDO COM ELIO GASPARI E A “FOLHA DE S. PAULO” TEM UM SIGNIFICADO MAIOR: EXTIRPAR DE VEZ ESSA ERVA DANINHA QUE É O USO DE INFORMAÇÕES CONTAMINADAS PELA TORTURA ( E, PORTANTO, SEM VALOR LEGAL NENHUM ) PARA ACUSAR PERSONAGENS HISTÓRICOS NA IMPRENSA E NA INTERNET.
A ÚLTIMA COLUNA DO GASPARI ESTÁ ABAIXO, PARA QUEM QUISER AVALIAR. E A MINHA RESPOSTA ( QUE LHES ESTOU REPASSANDO EM VERSÃO CONDENSADA ) EVIDENCIA QUE, MAIS DO QUE UM HISTORIADOR EM QUEM SÓ OS DESINFORMADOS CONFIAVAM, ESTÁ SENDO CONFRONTADA UMA PRÁTICA SISTEMÁTICA DE DESMORALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES DA RESISTÊNCIA À DITADURA MILITAR, MEDIANTE DIFAMAÇÕES E CALÚNIAS.
PEÇO A TODOS QUE REDOBREM SEUS ESFORÇOS PARA QUE AS POSIÇÕES CIVILIZADAS TAMBÉM CIRCULEM E CHEGUEM AOS LEITORES, JÁ QUE O ENTULHO AUTORITÁRIO TEM AMPLO E IRRESTRITO ACESSO À GRANDE IMPRENSA.
EM DEFESA DA DIGNIDADE, DA VERDADE E DA JUSTIÇA,
CELSO LUNGARETTI
SOBRE HISTORIADORES E ARAPONGAS
Celso Lungaretti (*)
O episódio algoz e vítima, que vem provocando uma discussão tensa desde o dia 12, trouxe à tona acontecimentos dolorosos, mas serviu também para aclarar o papel hoje desempenhado pela grande imprensa e por um de seus expoentes mais destacados.
As máscaras foram arrancadas e os leitores, perplexos, vão se dando conta de que formam opinião a partir de informações distorcidas, altamente manipuladas, enquanto os defensores da verdade não encontram tribuna, não têm verdadeiro direito de resposta nem espaço para apresentar o outro lado.
Tudo começou quando o jornalista e historiador Elio Gaspari publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo, O Globo e outros jornais uma diatribe contra a União (“Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968”), por ter decidido pagar ao suposto algoz Diógenes Carvalho de Oliveira uma indenização duas vezes maior do que a outorgada à sua suposta vítima Orlando Lovecchio Filho.
Como o primeiro era um militante da Resistência à ditadura e o segundo, o cidadão que perdera a perna no atentado supostamente por ele cometido, o assunto logo transbordou do circuito habitual do Gaspari para outros jornais, revistas semanais, sites de extrema-direita e correntes de e-mails neo-integralistas.
Desde então, as refutações têm sido sempre ignoradas ou relegadas à seção de cartas (cortadas até se tornarem anódinas, publicadas com imenso atraso, etc.), enquanto os espaços nobres servem para repercutir o texto de Gaspari ou trazer-lhe acréscimos, na vã tentativa de respaldar suas afirmações indefensáveis.
Tanto a Folha quanto Gaspari chegaram a reconhecer que, dos quatro militantes apontados levianamente como autores do atentado ao consulado estadunidense em 1969, Dulce Maia era inocente e havia sido por eles caluniada.
Mas, nem mesmo o depoimento do único participante ainda vivo desse atentado obteve o merecido destaque, apesar de provocar uma verdadeira reviravolta no caso: Sérgio Ferro, admitiu sua culpa e seus remorsos, mas desmentiu a participação de Diógenes de Carvalho e Dulce Maia, além de esclarecer que se tratou de uma ação da ALN e não (como Gaspari afirmara) da VPR.
Outra informação importantíssima que a grande imprensa escamoteou de seus leitores: Ferro foi acionado na Justiça por Lovecchio e obteve ganho de causa graças aos relatórios médicos que apresentou como prova. O primeiro dá conta de que o ferimento de Lovecchio era grave, mas existia possibilidade de recuperação. Depois, o socorro a Lovecchio foi interrompido pelo Deops, que quis interrogá-lo, provavelmente para saber se ele era vítima do atentado ou um participante azarado. Quando os policiais afinal o liberaram, sua perna já havia gangrenado e teve de ser amputada (2º relatório).
Ora, se o algoz não era algoz, então o texto inteiro do Gaspari perdia o gancho e desabava, bem como as matérias caudatárias publicadas pela Veja e da Época. O que fizeram os veículos, face à evidência de haverem informado mal seus leitores, além de caluniarem dois cidadãos e acusarem falsamente a VPR? Deram desmentido com o mesmo destaque? Nem remotamente.
A consciência da vulnerabilidade de sua posição aos olhos dos (poucos) cidadãos bem informados fez Gaspari voltar ao assunto na sua coluna dominical de 25/03. E o fez recorrendo às informações que, desde o início, foram a viga-mestra de suas perorações fantasiosas: os famigerados inquéritos inquéritos policiais-militares da ditadura.
Como um mero araponga, ele se pôs a revolver o lixo ensanguentado da ditadura, dando grande importância ao fato de que havia congruência entre os depoimentos extorquidos dos torturados e omitindo que os torturadores forçavam todos os presos a coonestarem a versão oficial, a síntese elaborada pelos serviços de Inteligência das Forças Armadas, para que o resultado final tivesse alguma verossimilhança.
Se fosse, como pretende, um verdadeiro historiador, saberia que os militantes eram coagidos a admitir os maiores absurdos nas instalações militares e, depois, encaminhados a delegacias civis onde deveriam repetir, sem torturas, as mesmas afirmações. Os que, pelo contrário, desmentiam tudo, eram recambiados aos quartéis e novamente submetidos a sevícias brutais, até se conformarem em obedecer ao script.
Destrambelhado, Gaspari ousou até fazer novo ataque a Dulce Maia, a quem pedira humildes desculpas no domingo anterior. Que credibilidade espera ter, agindo com tanta incoerência?
A última intervenção de Gaspari no debate foi, de longe, a mais desastrosa. Colocou-o ao lado dos torturadores, defendendo o entulho autoritário. Se a inicial arranhou sua imagem de historiador, a derradeira disse muito sobre suas verdadeiras devoções.
O que, aliás, já se suspeitava: não é qualquer cidadão que desfruta de tal confiança de personagens como Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, a ponto de ser por eles escolhido para repassar ao distinto público suas desculpas esfarrapadas pelo papel histórico que desempenharam, como protagonistas do arbítrio.
O entulho autoritário - Se esse episódio deplorável serviu de algo, foi para comprovar, definitivamente, que o entulho autoritário deve ficar no lugar a que pertence: a lata de lixo da História.
Um regime de exceção utilizou práticas hediondas para investigar a ação dos resistentes que a ele se opunham e os inquéritos assim produzidos serviram para condenar patriotas, heróis e mártires em tribunais militares, com oficiais das Forças Armadas fazendo as vezes de jurados, o que atropelava flagrantemente o direito de defesa.
O quadro era tão kafkiano que, num julgamento em que fui réu, o advogado de ofício designado para um companheiro apresentou-se completamente embriagado e começou sua peroração não falando coisa com coisa. O juiz auditor o expulsou da sala e mandou que outro advogado de ofício improvisasse a defesa, imediatamente, mal tendo tempo para ler os autos. O julgamento prosseguiu.
A Lei da Anistia de 1979 sustou os efeitos concretos desses julgamentos e as ações seguintes do Estado brasileiro, como a constituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos, evidenciaram que os antes tidos como criminosos passaram a ser considerados, oficialmente, vítimas.
Enfim, os IPMs foram, tão-somente, a versão que um inimigo apresentava do outro, para dar aparência de legalidade ao que não passava de arbitrariedade, sem compromisso nenhum com a verdade e a justiça.
Qual a credibilidade de um regime que fez afixarem-se em logradouros públicos do País inteiro, em meados de 1969, cartazes me acusando de “terrorista assassino” que teria “roubado e assassinado vários pais de família”, embora eu fosse um dirigente e nunca um homem de ação?
Mas, para aqueles militares, a verdade não existia em si. Só lhes interessava a verdade operacional, as versões mais adequadas a seus objetivos na guerra psicológica que travavam.
Passadas quatro décadas, essas versões unilaterais, fantasiosas e espúrias infestam a internet, chegando até a impregnar textos jornalísticos – por má fé dos seus autores ou por preguiça de profissionais que preferem colher subsídios nos sites de busca do que nos arquivos de seus próprios veículos, acabando por comer na mão dos Brilhantes Ustras da vida.
Então, é mais do que tempo da imprensa se compenetrar que, sem uma sentença lavrada por um tribunal na vigência plena do estado de direito, ninguém pode ser apontado taxativamente nos textos jornalísticos como “terrorista” ou autor de tais ou quais crimes com motivação política.
Os repórteres, comentaristas, articulistas e editorialistas que agirem de outra forma, estarão coonestando a prática de torturas e os julgamentos realizados por tribunais de exceção.
E, já que nada do que Gaspari contrapôs pode ser aceito pelos homens decentes que não aceitam mancomunar-se com práticas hediondas, subsiste o fato de que uma versão distorcida e panfletária do episódio teve enorme destaque editorial e, conseqüentemente, ampla repercussão, enquanto as informações que repuseram a verdade dos fatos ficaram, quando muito, jogadas na seção de cartas.
Que cada um tire suas conclusões acerca dessa praga que cada vez mais se alastra pela imprensa brasileira: a burla do direito de resposta e a tendenciosidade no tratamento editorial, não se expondo convenientemente o outro lado ou omitindo-o por completo.
Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mais artigos em
ELIO GASPARI
A família do soldado morto no atentado recebe R$ 1.140 mensais, já o rapaz da VPR fatura R$ 1.627
QUARENTA ANOS DEPOIS do atentado a bomba contra o Consulado Americano em São Paulo, Sérgio Ferro, intitulando-se “único sobrevivente” do grupo terrorista que fabricou, transportou e detonou o explosivo, informa:
março 18, 2008
UMA COMPARAÇÃO LEVIANA, por Rui Martins
Berna (Suiça) – Desta vez, o que me chamou a atenção foi um texto distribuído pela Internet para emigrantes brasileiros na Suíça e Alemanha. Um texto do respeitável e competente Elio Gáspari, cujos livros da série Ditadura, adquiri nas minhas últimas viagens ao Brasil. O texto publicado na Folha de SP, comparando o que uma vítima do atentado de 20 de março de 1968 contra a embaixada americana em São Paulo, recebe do INSS, quando perdeu uma perna, com a aposentadoria paga a um dos autores do atentado pela Anistia. Elio Gaspari, jornalista e escritor, faz uma comparação, fora do contexto da época, e leva os leitores a um julgamento fácil e rápido, de culpado e inocente. Com esse mesmo tipo de argumentação se poderia condenar os resistentes ao nazismo na França ocupada. Os culpados pelos massacres de inocentes cometidos pelos nazistas em represália a atentados contra os ocupantes teriam sido os resistentes.

O HISTORIADOR TRAPALHÃO E O XIS DA QUESTÃO, por Celso Lungaretti
Como o primeiro era um militante da Resistência à ditadura e o segundo, a vítima do atentado supostamente por ele cometido, o assunto logo transbordou do circuito habitual do Gaspari para outros jornais, revistas semanais, sites de extrema-direita e correntes de e-mails neo-integralistas.
Na madrugada do próprio dia 12, já enviei uma nota à seção de cartas da Folha, contestando Gaspari. E, no dia seguinte, coloquei no ar em meu blog e enviei aos sites que me publicam e à minha rede de amigos o artigo O Gaspari de 2008 também não é mais o de 1968, afirmando, basicamente, que:
1. tudo indicava que, em suas alegações sobre o atentado à embaixada dos EUA em 1968, Gaspari havia se baseado em versões militares;
2. os inquéritos policiais-militares da ditadura militar jamais poderiam respaldar acusações contra quem quer que seja, pois estavam contaminados pela prática generalizada da tortura;
3. além disto, como os torturados freqüentemente admitiam o que os torturadores pensavam ser verdade, as ações da Resistência quase sempre eram relatadas nos IPMs com um número de participantes superior ao real, evidenciando que, além de inaceitáveis para as pessoas civilizadas, essas versões militares eram altamente fantasiosas e inconfiáveis.
Enquanto o panfleto de Gaspari era alegremente encampado pela grande imprensa, meu alerta ficou confinado à internet. Nem mesmo a Folha respeitou meu direito de apresentar o outro lado da questão, só publicando uma versão expurgada e reescrita (sem meu consentimento) da minha carta no dia 17.
O desfecho do caso foi exemplar.
O historiador Gaspari afirmara: “O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho Oliveira e pelos arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre, além de Dulce Maia e uma pessoa que não foi identificada”.
A primeira a protestar foi Dulce Maia, provando que não participara de atentado nenhum. A Folha e Gaspari tiveram de dar a mão à palmatória, admitindo o erro e se desculpando.
Depois, Sérgio Ferro esclareceu que, dos quatro apontados por Gaspari, só ele e Levèvre eram realmente autores do atentado: “O Sr. Diogenes Carvalho de Oliveira e a Sra. Dulce Maia não participaram desta ação, a qual foi executada por Rodrigo Lefèvre, por ‘Marquinhos’ (não conheço seu nome, foi assassinado pela repressão pouco depois) e por mim”.
Outra bobagem de Gaspari foi se referir a “um atentado contra o consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária”. Sérgio Ferro colocou os pingos nos ii: “… a ação (…) me foi proposta pela direção da ALN. e não pela VPR”.
Ou seja, de cinco imputações de Gaspari, duas estavam corretas e três erradas, inclusive a principal delas, ao satanizar Diógenes de Carvalho. O algoz não era algoz, afinal.
Resta saber se foi apenas um momento infeliz ou se o índice habitual de acertos dos livros de Gaspari sobre os anos de chumbo é de 40%…
Uma omissão significativa – Quanto à vítima, o arquiteto Orlando Lovecchio Filho, que perdeu a perna e teve de colocar uma prótese em razão de haver sido involuntariamente atingido pela explosão da bomba, Ferro também levanta uma questão importante, ao se referir aos “dois laudos médicos que seus advogados anexaram ao processo que moveram contra mim (a justiça se pronunciou a meu favor em duas instancias)”. Leiam com atenção:
“No primeiro, feito quando o Sr Orlando Lovecchio Filho deu entrada no Hospital para tratar seus ferimentos, a cura parece possível. Entretanto ele não pôde receber então tratamentos, pois foi levado para o Deops. Não sei o que passou durante seu interrogatório. Quando pôde ser enfim tratado, o segundo laudo, feito então, declara que sua perna havia gangrenado, tornando a amputação inevitável. Sem que eu negue minha responsabilidade quanto a seu ferimento – o que pesa em mim ha 40 anos – penso que sua amputação o faz também vitima do poder de então”.
Ou seja, enquanto o Deops decidia se Lovecchio era um transeunte que passava pelo local ou um dos autores do atentado (atingido pela própria bomba), a sua perna gangrenou. É lamentável que ele jogue toda a culpa e dirija todo seu rancor contra o lado mais fraco e omita a responsabilidade dos responsáveis pelo estado de exceção que originava prisões, torturas, mortes e, também, iniciativas insensatas das vítimas do arbítrio.
Mesmo assim, este conseguiu noutra instância o que buscava: “o Congresso brasileiro aprovou legislação específica e individual ao Sr. Orlando Lovecchio instituindo a sua atual aposentadoria (Lei 10.923/2004). Lei esta que beneficia unicamente a ele, criando regime jurídico exclusivo a ele e indisponível para esta Comissão. A produção de tal Lei constitui nova prova da ausência de omissão estatal em relação a sua situação concreta”.
Se Lovecchio, ao invés de se voltar contra Sérgio Ferro e os resistentes que enfrentavam um estado ditatorial em condições de extrema desigualdade de forças, tivesse argüido a responsabilidade das autoridades policiais que lhe recusaram tratamento médico imediato, talvez houvesse conquistado uma pensão mais vultosa. Ironias do destino.
O entulho autoritário – Enfim, esse episódio acabou servindo para comprovar, definitivamente, que o entulho autoritário deve ficar no lugar a que pertence: a lata de lixo da História.
Um regime de exceção utilizou práticas hediondas para investigar a ação dos resistentes que a ele se opunham e os inquéritos assim produzidos serviram para condenar patriotas, heróis e mártires em tribunais militares, com oficiais das Forças Armadas fazendo as vezes de jurados, o que atropelava flagrantemente o direito de defesa.
O quadro era tão kafkiano que, num julgamento em que fui réu, o advogado de ofício designado para um companheiro apresentou-se completamente embriagado e começou sua peroração não falando coisa com coisa. O juiz auditor o expulsou da sala e mandou que outro advogado de ofício improvisasse a defesa, imediatamente, mal tendo tempo para ler os autos. O julgamento prosseguiu.
A Lei da Anistia de 1979 sustou os efeitos concretos desses julgamentos e as ações seguintes do Estado brasileiro, como a constituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos, evidenciaram que os antes tidos como criminosos passaram a ser considerados, oficialmente, vítimas.
Enfim, os IPMs foram, tão-somente, a versão que um inimigo apresentava do outro, para dar aparência de legalidade ao que não passava de arbitrariedade, sem compromisso nenhum com a verdade e a justiça.
Qual a credibilidade de um regime que fez afixarem-se em logradouros públicos do País inteiro, em meados de 1969, cartazes me acusando de “terrorista assassino” que teria “roubado e assassinado vários pais de família”, embora eu fosse um dirigente e nunca um homem de ação?
Mas, para aqueles militares, a verdade não existia em si. Só lhes interessava a verdade operacional, as versões mais adequadas a seus objetivos na guerra psicológica que travavam.
Passadas quatro décadas, essas versões unilaterais, fantasiosas e espúrias infestam a internet, chegando até a impregnar textos jornalísticos – por má fé dos seus autores ou por preguiça de profissionais que preferem colher subsídios nos sites de busca do que nos arquivos de seus próprios veículos, acabando por comer na mão dos Brilhantes Ustras da vida.
Então, é mais do que tempo da imprensa se compenetrar que, sem uma sentença lavrada por um tribunal na vigência plena do estado de direito, ninguém pode ser apontado taxativamente nos textos jornalísticos como “terrorista” ou autor de tais ou quais crimes com motivação política.
Os repórteres, comentaristas, articulistas e editorialistas que agirem de outra forma, estarão coonestando a prática de torturas e os julgamentos realizados por tribunais de exceção.


TRIVELA
Carta Maior
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Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
Dicionário Jurídico – A a Z – Nota Dez
HORA DO POVO
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