ENCALHE

outubro 6, 2007

Cuba: 55% dos jovens em universidades, diz pró-reitora da UFRJ

América Latina mantém antigas formas para enfrentar a pobreza
As propostas para enfrentamento da desigualdade social na América Latina estariam reproduzindo discursos hegemônicos de mais de uma década, conforme aponta a pró-reitora de extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Laura Tavares Soares. Ela questiona a existência de um “novo consenso” que estaria se reproduzindo com nova vestimenta. Laura foi a palestrante, em Curitiba, durante o quinto encontro do Ciclo de Debates sobre Políticas Públicas para a América Latina, promovido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Sanepar e Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio da Caixa Econômica Federal, BRDE e Codesul.
Na visão da pró-reitora, os “novos consensos” repetem as antigas formas neoliberais na implementação de políticas públicas na área social, que são baseadas na redução ou no abandono da função do Estado. Tais projetos tendem a substituir o Estado pelo terceiro setor, focar ações nos mais pobres só por critérios de renda, colocam a preocupação com o bem-estar como responsabilidade das famílias e das comunidades, ou seja, que elas sejam auto-sustentáveis. “Continuam os discursos de que deve haver pequenos projetos de sustentação, focados em locais em que os mais pobres tenham que se manter sem o Estado. Quando os ricos prescindem do Estado criticam que este deve ser mais atuante, menos burocrático, mais eficaz e mais presente. Já quando os pobres é que precisam do Estado o fato é visto como paternalismo”, criticou Laura. A proposta de Laura é que se implante políticas públicas integrais em que o Estado assuma sua responsabilidade, sem ficar limitado em transferências de renda. Estas políticas devem levar em consideração a universalização territorial, mapeando espacialidades da pobreza e implantando nestes espaços políticas integradas de geração de emprego e renda, políticas para idosos, para crianças, educação, cultura e esporte, sem políticas isoladas.
Para Laura, o Paraná é um Estado muito mais forte nas políticas publicas por assumir junto às prefeituras que possuem poucos recursos responsabilidade no ensino, na saúde e no acesso a serviços básicos. Outra proposta debatida por Laura é a universalização do ensino superior. Ela comenta que já estudos na UFRJ para que o aluno de ensino médio tenha acesso às universidades públicas através de formas diferenciadas, sem o modelo tradicional de vestibular, com acompanhamento do estudante a capacitação dos professores. Ela cita que no Brasil há 12% dos jovens nas universidades, sendo 3% deles nas públicas. “Isto é um absurdo. O Equador possui 25% dos jovens nas universidades, Argentina 30% e Cuba 55%. Nós não somos mais pobres que eles. É preciso pensar um modelo de universidade diferente. Oferecer acesso ao ensino superior assim como ele tem acesso ao ensino médio”, conclui.
Arquivos anexados:
0510 laura.doc
AEN/ PR
05/10/07

maio 31, 2007

Artigos confusos não permitem conclusão alguma. Ou quase.

Caderno de Economia do JB, 20/05/2007.
Mais uma matéria de uma série que propõe abordar o “sufoco” da classe média brasileira.
Um artigo realmente confuso, que surfa em uma infinidade de números, porcentagens e estatísticas relativos a décadas.
A destacar, algumas linhas:
- um economista da USP, Peter Greiner, afirmou que, além dos óbvios não-correção da tabela do IR ( lembram da “ampliação da base de incidência” de FHC? ) e um generalizado e vago “aumento da carga tributária”, a TERCEIRIZAÇÃO do trabalho é um dos fatores que tiram ( tiraram? ) o poder de compra da classe média;
- ainda segundo Greiner, nos últimos anos, o aumento da renda tem se concentrado na população que recebe salário mínimo ( e, suponho eu, aos que recebem seu salário vinculado a ele ) ;
- já Fábio Romão, economista da LCA Consultores destaca que esses ganhos reais do SM registrados nos últimos anos ( aumentos esses, exclusivos no governo Lula, suponho eu ) implicaram em REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA; e que essa melhora da distribuição de renda não se deve apenas ( exclusive ) ao SM mas TAMBÉM às transferências governamentais, tipo Bolsa-Família; observa que a massa ( ? ) de rendimentos das classes D e E tem crescido mais que a da classe C ( classe média ) ; um dado de qualidade duvidosa, é dado por Romão: a redução do peso dos alimentos nos índices de preços teria permitido o direcionamento de parte da renda a bens de consumo duráveis e à educação, mais um efeito benéfico para a classe baixa, que pode gastar sua grana com celulares e MP3 e pagar colégios de reputação questionável e resultados idem;
- os dois economistas enxergam na terceirização, na transformação de pessoa física em jurídica e na informalidade algumas das causas de piora nas condições de vida da classe média; no caso da terceirização, Greiner afirma que os salários se mantém, mas benefícios como planos de saúde são riscados do mapa ou reduzidos, o que acarreta em mais e maiores “despesas”;
- eu lembro que a classe média costuma adorar os discursos de gestores que preconizam a terceirização e a “jurídicação” das pessoas como a salvação de seus empregos;
- infelizmente, para ilustrar a matéria e corroborar sua base, entrevistam uma mulher de classe média que diz ter perdido muito de sua qualidade de vida “nos últimos anos”: ela viajava muito, por exemplo, mas hoje se encontra no balcão do penhor. Conta que a sua situação financeira piorou muito “nos últimos três anos”. Devido a alguma cagada do governo Lula? Até onde enxergo, não. Sua mãe foi acometida de câncer e veio a falecer. A doença e as despesas funerárias apequenaram o orçamento da família. Para piorar seu pai se aposentou, o que, obviamente, contribuiu de monte para a dramática redução material de sua família, levando-os a vender seu carro, um Corsa.
Pegaram um trágico exemplo familiar para ilustrar uma reportagem que pretende fotografar o universo extenso da classe C do país e diagnosticá-lo definitivamente.
Porém, serve muito bem para mostrar o porquê da reeleição de Lula e de sua impopularidade com a classe média invejosa.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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