ENCALHE

março 28, 2007

Os jornais e revistas estão empurrando a culpa do apagão educacional continuado nas costas dos professores. Entretanto…

Filed under: diretor escolar, Educação, escola pública, Política, professores — Humberto @ 12:33 pm
… trata-se de um assunto deveras complexo, mas não impossível de se lidar. Nestes últimos dias, há páginas e páginas de impressões dos especialistas palpitando sobre “o que há de errado” e “como resolver isso”, porém poucas linhas dedicadas a ouvir o pedagogo, o professor ou o sindicato que o representa. Pior, já que é nas costas destes que a conta está sendo jogada. Não está de todo errado. O especialista que me abastece de informações, diz que o professorado aderiu ao tucanismo e está quase que totalmente despolitizado. Pois aquele que questiona certos aspectos, sejam localizados ou estruturais, fatalmente desanimará, pois se descobrirá inapelavelmente enredado no sistema. Voltando aos especialistas do negrito acima. Quando o governo federal anunciou o “PAC” da Educação, o Estadão publicou – para a surpresa de muitos – elogios de, digamos, personalidades, que enxergaram com bons olhos a iniciativa. Como o teclador aqui não sabe patavina do PAC, só desejo mesmo é registrar que as pessoas ouvidas pelo jornal – até onde eu acompanhei – são economistas, “gestores” ( fdpqp!!! como eu detesto esse termo!!! ), “consultores” (fdpqp2!!! ), empresários do setor privado, essa gente que “propõe administrar o Estado como se fosse uma empresa”. Mas não percebi professores, pesquisadores, educadores ou representantes do Magistério e do funcionalismo público já que é da escola pública que estamos falando. Nesses artigos dos jornais, o professor aparece como o vilão especialmente concursado, cujas faltas para ir ao cabeleireiro estão arruinando a revolução educacional adotada por diversos governos estaduais e municipais.
Contribuindo com a discussão, publico abaixo um texto ( já velhinho, de 24 de Novembro de 2005 ), da Agência Estadual de Notícias do Paraná, que me apresentou um fato desconhecido ( quer dizer, eu desconhecia que isso acontecesse ou que houvesse a possibilidade de ) por aqui em SP: diretores de escola eleitos e não indicados politicamente ( mesmo sendo técnico ou profissional de carreira ), como é aqui no Estado. Vejam:


Escolas estaduais realizam eleições para diretores nesta sexta-feira
As 2.100 escolas estaduais que inscreveram chapas até o dia 04 último realizam eleições nesta sexta-feira (25), das 8 às 22 horas, para a recondução ou escolha de novos diretores. As chapas inscritas apresentaram um plano de ação a ser aplicado durante os dois anos de gestão. Com base nesse plano, a Secretaria de Estado da Educação vai preparar o curso de formação para os novos diretores, que será ministrado em Faxinal do Céu.
A primeira etapa do curso acontece entre os dias 05 e 10 de dezembro.Segundo um dos coordenadores da Comissão das Eleições da Secretaria, professor Sérgio Fernandes Stacheski, a Lei estadual número 14.231/03 determina que os diretores poderão participar de até três eleições consecutivas, ou seja, uma eleição mais duas reconduções. O mandato é de dois anos.
A professora Elisabete Mendes dos Santos, também integrante da Comissão, explica que a partir da reformulação da Lei, ocorrida em 2003, a Secretaria deixou de votar na escolha de diretores, como se fazia até então, por intermédio do voto do Núcleo Regional de Educação (NRE). “A Secretaria da Educação fica isenta na escolha de diretores de escolas. Essa prerrogativa, agora, é tão somente da comunidade escolar (alunos, pais, professores e funcionários de estabelecimentos escolares). A isenção traz mais liberdade de escolha para concorrentes e votantes”, diz ela.
O professor Stacheski, explica ainda que, para eleger o novo diretor ou reconduzir o diretor atual, é necessário um quorum de 35% do público apto a votar (pais, alunos, professores e funcionários). Caso esse número não seja atingido, ou o número de votos brancos seja superior aos votos válidos, haverá um novo processo eleitoral nessa escola, no dia 09 de dezembro. Existe ainda a possibilidade de uma intervenção se, nesse segundo pleito, não for possível decidir. Todas as escolas deverão estar com suas direções regularizadas até 15 de abril de 2006.
O público esperado para comparecer às escolas durante as eleições é de 2,3 milhões de votantes, sendo 1,4 milhões de alunos, 95 mil professores e funcionários e aproximadamente 900 mil pais. Na logística das eleições estarão envolvidas 55 mil pessoas.


Chato isso, não? Participação e envolvimento direto das pessoas no processo de escolha do diretor escolar. Talvez a mera escolha direta do diretor não resulte em melhora imediata ou melhora simplesmente, pois há outros aspectos e elas dizem respeito a determinações superiores, ou seja as diretrizes dos governos e suas secretarias de Educação, tanto em nível municipal como no estadual, suas concepções educacionais-pedagógicas e administrativas. Não vou deixar passar batido: o especialista que me abastece de informações, disse que a situação que estamos observando no Estado não era muito diferente na prefeitura de Marta Suplicy, pelo meos no que diz respeito ao tratamento dispensado ao corpo docente.

Aqui nesse ponto: um ensaio aprofundado – ou reflexão filosófica – sobre o papel do diretor de escola pública. Exigirá concentração e disponibilidade de tempo.
Aqui nesse ponto: o que é o Conselho de Escola ?

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