ENCALHE

setembro 3, 2009

Integrante do grupo terrorista RAF era informante do serviço secreto alemão

Filed under: Alemanha, direita X esquerda, guerrilhas, RAF ( Fração do Exército Vermelho ), terrorismo — Servílio Gentil Lavapés @ 10:49 pm

Verena Becker em foto dos anos 1970

Governo alemão confirma que a ex-terrorista Verena Becker era informante da agência federal de inteligência. Imprensa diz que ela teria sido paga para repassar informações.
O Ministério alemão do Interior está sob crescente pressão para que abra os arquivos da ex-terrorista Verena Becker, de 57 anos, que na década de 1970 integrou a Fração do Exército Vermelho (RAF, na sigla em alemão).
A pressão, vinda de políticos, surgiu após a imprensa alemã divulgar que Becker foi informante do Departamento Federal de Proteção à Constituição, a agência de inteligência do governo alemão, e teria recebido dinheiro para repassar informações.
“Quando os serviços secretos trabalham com fontes, como os informantes, que se põem à disposição para dar informações sobre determinadas questões, como a senhora Becker fez, é sempre garantido o segredo”, disse nesta quarta-feira em Berlim um porta-voz do Ministério do Interior, confirmando que Becker era informante.
Em seguida, a Procuradoria Geral da República da Alemanha requisitou ao Ministério do Interior acesso ao dossiê Becker. Há dois anos, o ministério indeferiu pedido semelhante, alegando “desvantagens que constituiriam uma ameaça para a Alemanha”.
Informante paga
Becker foi detida na semana passada, acusada de envolvimento no assassinato do então procurador-geral da República, Siegfried Buback, em 1977. Na noite desta quarta-feira, o canal de televisão alemão ARD exibiu um documentário no qual um ex-agente secreto afirma que Becker recebeu dinheiro em troca de informações.
O valor não foi revelado, mas, segundo o jornal Bild, seria de 100 mil marcos. As informações repassadas por Becker teriam levado à captura de líderes da RAF, como Brigitte Mohnhaupt e Christian Klar. Ela também teria informado os agentes sobre a quantidade de armas do grupo e planos de assassinatos.
Becker foi presa pela primeira vez em 1977, após tiroteio no qual ela feriu com gravidade um policial. Condenada por tentativa de assassinato, ela deixou a prisão em 1989.
Apesar de sempre ter havido suspeitas de que ela estivesse envolvida no assassinato de Buback, não havia provas. Mas, na semana passada, surgiram evidências que a relacionam ao caso.
Caso sem solução
Após 32 anos, não se sabe quem foi o autor dos disparos que mataram Buback, seu motorista, Wolfgang Göbel, e um segurança do Judiciário, Georg Wurster, em abril de 1977, na cidade de Karlsruhe. Os disparos partiram de uma motocicleta. Os ex-membros da RAF se recusam a comentar o assunto.
Becker afirmou ao Bild pouco antes da sua detenção, na semana passada, em Berlim, não ter sido a autora dos disparos. Três ex-membros da RAF, Knut Folkerts, Christian Klar e Brigitte Mohnhaupt, hoje em liberdade, foram condenados, alguns anos depois do assassinato, à prisão perpétua por terem organizado o atentado.
AS/dpa/ap/rtr/lusa

DW

Revisão: Roselaine Wandscheer

agosto 13, 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

maio 7, 2009

"Acelerar a putrefação da mídia e a desmoralização de Gilmar Mendes: tarefas para uma verdadeira extrema-esquerda", por

Senhores leitores deste blog: este post, que eu copiei do Biscoito Fino e a Massa, de Idelber Avelar, acho que será melhor compreendido por aqueles que dominam o jargão e as teorias esquerdistas ( o que não é, exatamente, o meu caso, sou apenas um cara esforçado ). Mas eu gostei. Umas vezes eu li o jornal da Causa Operária e, confesso, não sei a quem eles dirigem aquilo, qual seu público-alvo. E, creio que o Avelar não menciona, mas para o PCO, o PSTU ( também citado pelo Avelar como “extrema-esquerda” ) é oportunista ( há uma foto do Zé Maria, do PSTU sorrindo, junto ao “pelego da direita”, o Paulinho da Força ) e tal também é o PSOL ( “oportunista” no jargão deles deve ter um significado distinto, já que várias vezes eu vejo este termo empregado em situações que eu não imaginaria: estou lendo um livro, e ali referem-se aos Panteras Negras e sua política “oportunista” ). O PCO também adere ao discurso do DEM e PPS e denuncia o “Estado Policial” do Protógenes Queiróz. Talvez o problema seja eu.
Acelerar a putrefação da mídia e a desmoralização de Gilmar Mendes: tarefas para uma verdadeira extrema-esquerda
O Biscoito Fino e a Massa
O PSOL, o PSTU e o PCO deveriam parar de brigar, abandonar o sofisma — desmentido pela história brasileira recente — de que PT e PSDB são duas faces do mesmo projeto político e agir como verdadeiros partidos leninistas. Eu sou dos que acham que o leninismo está longe de ter esgotado sua significação histórica. Mas não a vejo na teoria do partido de vanguarda nem na teoria da ditadura do proletariado. O que constitui um leninista é a análise da circunstância concreta, sempre em busca do ponto universalizante, da âncora que pode sintetizar toda a luta política. Não há leninismo sem a pergunta: o que fazer?
O que fazer, na extrema-esquerda, hoje no Brasil? O PSOL, que dos três é o único que não se reivindica leninista (embora haja leninistas por lá), deve pensar se quer mesmo fazer da moral, do udenismo de esquerda, o eixo de seu discurso. A escolha pode ter tido sua lógica em 2005, como aglutinação para a extrema-esquerda no momento de maior desgaste do governo Lula. Hoje, é um tiro no pé, além de despolitizadora e inadequada. A redução da política à moral já se anunciara na campanha de
Heloísa Helena, em 2006, das mais despolitizadas que a esquerda já fez. No Brasil pós-Satiagraha, o PSOL extrapola, do louvável apoio ao Delegado Protógenes Queiroz, uma leitura da realidade que faria Trótski revirar-se no túmulo, inimigo que era ele de toda confusão entre lei e justiça ou entre moral e política. Confio que o leitor não pense que eu sugira desatenção ao problema da corrupção. Simplesmente estou afirmando que o discurso moral anti-corrupção não pode ser eixo de uma política de extrema-esquerda genuína.
No site do PSTU, a principal manchete é “Os trabalhadores não pagarão pela crise”. É difícil reconciliar a manchete com a própria interpretação que faz o PSTU do Brasil. Pois se o governo Lula é o agente neoliberal que a extrema-esquerda denuncia, a chamada correta deveria ser “Trabalhadores pagarão pela crise”. A manchete incorre numa contradição performativa, uma comum confusão entre o ser e o dever ser que frequentemente acomete a extrema-esquerda quando ela perde contato com a realidade. Se fosse verdadeiro para o PSTU dizer “os trabalhadores não pagarão”, ou seja, se fosse factível a hipótese de que um movimento operário liderado pela Conlutas conseguisse, dentro da “ordem neoliberal” de Lula, que os trabalhadores deixassem de pagar pela crise, ora ora, seria a própria existência dessa ordem que estaria em dúvida. Ela não está, como o próprio PSTU reconhece. Achar que dentro da ordem capitalista os trabalhadores “não vão pagar” por algo é de um reformismo inaceitável num partido que se quer revolucionário. De novo, Lênin revira no túmulo. A confusão entre o que é e o que deveria ser não é causa, claro, mas sintoma de uma extrema-esquerda que não sabe formular seu papel no presente.
Mas passemos ao momento propositivo. O que fazer? Para a esquerda, o eixo definidor, o ponto-âncora do corpo político é a putrefação da grande mídia no bojo da Satiagraha, a partir da qual se desatou a jagunçagem de Gilmar Mendes e a desmoralização do Poder Judiciário. Nesse feixe de contradições um leninista identificaria a questão universalizante, ou seja, aquela tensão do corpo social que tem o potencial de desatar o antagonismo constitutivo, central. Quem é de esquerda no Brasil hoje e não está refletindo sobre esse imbróglio não está pensando nada.
Como trabalham com o sofisma de que PT e PSDB são irmãos gêmeos, os partidos de extrema-esquerda não compreendem por que raios se forma de maneira tão furiosa a articulação Gilmar Mendes-Revista Veja e seus capangas. Perdem a oportunidade de contribuir ao esforço definidor da intervenção de esquerda hoje (e dentro do qual eles poderiam até ganhar espaço em relação ao PT): acelerar a destruição da moribunda credibilidade nos grupos de mídia; promover a guerra de guerrilha incessante contra sua imagem, moral e capacidade de esconder a fábrica de linguiça; exibir e ridicularizar cada erro, mentira, notícia distorcida; revelar e expor minuciosa e diariamente sua história de colaboração com a ditadura; acossar seus patrocinadores com o boicote; bombardear seus ombudsmen com críticas; ajudar a disseminar os blogs que os desconstroem; trabalhar diuturnamente nas campanhas de cancelamento de assinaturas; não respirar enquanto as corjas Civita, Marinho, Frias e cia. tenham sofrido uma derrota categórica.
No bojo dessa práxis, quem sabe não se acumulam forças suficientes para um movimento nacional pelo impeachment de Gilmar Mendes? Quem aposta que um movimento popular não pode encurralar um Senado?
Isso é mais leninista e revolucionário que fazer um sitezinho dizendo que as comemorações do 1° de maio serão “independentes e classistas” e que o Bolsa Família é “migalha dada pela burguesia”. Os partidos de extrema-esquerda brasileiros precisam ler com atenção seus Lênin e Trótski: a interpretação revolucionária da realidade começa com a identificação da sua contradição constitutiva.

"Acelerar a putrefação da mídia e a desmoralização de Gilmar Mendes: tarefas para uma verdadeira extrema-esquerda", por

Senhores leitores deste blog: este post, que eu copiei do Biscoito Fino e a Massa, de Idelber Avelar, acho que será melhor compreendido por aqueles que dominam o jargão e as teorias esquerdistas ( o que não é, exatamente, o meu caso, sou apenas um cara esforçado ). Mas eu gostei. Umas vezes eu li o jornal da Causa Operária e, confesso, não sei a quem eles dirigem aquilo, qual seu público-alvo. E, creio que o Avelar não menciona, mas para o PCO, o PSTU ( também citado pelo Avelar como “extrema-esquerda” ) é oportunista ( há uma foto do Zé Maria, do PSTU sorrindo, junto ao “pelego da direita”, o Paulinho da Força ) e tal também é o PSOL ( “oportunista” no jargão deles deve ter um significado distinto, já que várias vezes eu vejo este termo empregado em situações que eu não imaginaria: estou lendo um livro, e ali referem-se aos Panteras Negras e sua política “oportunista” ). O PCO também adere ao discurso do DEM e PPS e denuncia o “Estado Policial” do Protógenes Queiróz. Talvez o problema seja eu.
Acelerar a putrefação da mídia e a desmoralização de Gilmar Mendes: tarefas para uma verdadeira extrema-esquerda
O Biscoito Fino e a Massa
O PSOL, o PSTU e o PCO deveriam parar de brigar, abandonar o sofisma — desmentido pela história brasileira recente — de que PT e PSDB são duas faces do mesmo projeto político e agir como verdadeiros partidos leninistas. Eu sou dos que acham que o leninismo está longe de ter esgotado sua significação histórica. Mas não a vejo na teoria do partido de vanguarda nem na teoria da ditadura do proletariado. O que constitui um leninista é a análise da circunstância concreta, sempre em busca do ponto universalizante, da âncora que pode sintetizar toda a luta política. Não há leninismo sem a pergunta: o que fazer?
O que fazer, na extrema-esquerda, hoje no Brasil? O PSOL, que dos três é o único que não se reivindica leninista (embora haja leninistas por lá), deve pensar se quer mesmo fazer da moral, do udenismo de esquerda, o eixo de seu discurso. A escolha pode ter tido sua lógica em 2005, como aglutinação para a extrema-esquerda no momento de maior desgaste do governo Lula. Hoje, é um tiro no pé, além de despolitizadora e inadequada. A redução da política à moral já se anunciara na campanha de
Heloísa Helena, em 2006, das mais despolitizadas que a esquerda já fez. No Brasil pós-Satiagraha, o PSOL extrapola, do louvável apoio ao Delegado Protógenes Queiroz, uma leitura da realidade que faria Trótski revirar-se no túmulo, inimigo que era ele de toda confusão entre lei e justiça ou entre moral e política. Confio que o leitor não pense que eu sugira desatenção ao problema da corrupção. Simplesmente estou afirmando que o discurso moral anti-corrupção não pode ser eixo de uma política de extrema-esquerda genuína.
No site do PSTU, a principal manchete é “Os trabalhadores não pagarão pela crise”. É difícil reconciliar a manchete com a própria interpretação que faz o PSTU do Brasil. Pois se o governo Lula é o agente neoliberal que a extrema-esquerda denuncia, a chamada correta deveria ser “Trabalhadores pagarão pela crise”. A manchete incorre numa contradição performativa, uma comum confusão entre o ser e o dever ser que frequentemente acomete a extrema-esquerda quando ela perde contato com a realidade. Se fosse verdadeiro para o PSTU dizer “os trabalhadores não pagarão”, ou seja, se fosse factível a hipótese de que um movimento operário liderado pela Conlutas conseguisse, dentro da “ordem neoliberal” de Lula, que os trabalhadores deixassem de pagar pela crise, ora ora, seria a própria existência dessa ordem que estaria em dúvida. Ela não está, como o próprio PSTU reconhece. Achar que dentro da ordem capitalista os trabalhadores “não vão pagar” por algo é de um reformismo inaceitável num partido que se quer revolucionário. De novo, Lênin revira no túmulo. A confusão entre o que é e o que deveria ser não é causa, claro, mas sintoma de uma extrema-esquerda que não sabe formular seu papel no presente.
Mas passemos ao momento propositivo. O que fazer? Para a esquerda, o eixo definidor, o ponto-âncora do corpo político é a putrefação da grande mídia no bojo da Satiagraha, a partir da qual se desatou a jagunçagem de Gilmar Mendes e a desmoralização do Poder Judiciário. Nesse feixe de contradições um leninista identificaria a questão universalizante, ou seja, aquela tensão do corpo social que tem o potencial de desatar o antagonismo constitutivo, central. Quem é de esquerda no Brasil hoje e não está refletindo sobre esse imbróglio não está pensando nada.
Como trabalham com o sofisma de que PT e PSDB são irmãos gêmeos, os partidos de extrema-esquerda não compreendem por que raios se forma de maneira tão furiosa a articulação Gilmar Mendes-Revista Veja e seus capangas. Perdem a oportunidade de contribuir ao esforço definidor da intervenção de esquerda hoje (e dentro do qual eles poderiam até ganhar espaço em relação ao PT): acelerar a destruição da moribunda credibilidade nos grupos de mídia; promover a guerra de guerrilha incessante contra sua imagem, moral e capacidade de esconder a fábrica de linguiça; exibir e ridicularizar cada erro, mentira, notícia distorcida; revelar e expor minuciosa e diariamente sua história de colaboração com a ditadura; acossar seus patrocinadores com o boicote; bombardear seus ombudsmen com críticas; ajudar a disseminar os blogs que os desconstroem; trabalhar diuturnamente nas campanhas de cancelamento de assinaturas; não respirar enquanto as corjas Civita, Marinho, Frias e cia. tenham sofrido uma derrota categórica.
No bojo dessa práxis, quem sabe não se acumulam forças suficientes para um movimento nacional pelo impeachment de Gilmar Mendes? Quem aposta que um movimento popular não pode encurralar um Senado?
Isso é mais leninista e revolucionário que fazer um sitezinho dizendo que as comemorações do 1° de maio serão “independentes e classistas” e que o Bolsa Família é “migalha dada pela burguesia”. Os partidos de extrema-esquerda brasileiros precisam ler com atenção seus Lênin e Trótski: a interpretação revolucionária da realidade começa com a identificação da sua contradição constitutiva.

maio 2, 2009

Síndrome de Estocolmo: The Daily Show with Jon Stewart vai à Suécia investigar o PESADELO SOCIALISTA que apavora a FOX e outros "Hariovaldos" dos EUA!

Turma, espero que vocês entendam inglês, já que não tem as legendas ( eu também preciso delas, pensam o quê? ). Passou no Sony esta semana, e eu sei que haverá repetição, só que não sei quando. É ótimo, a começar do trocadilho maneiro com a “verdadeira” síndrome de Estocolmo. Então, os EUA aumentarão a taxa do Imposto de Renda, acho que de 26% para arruinosos 29% em média ( parece que, devido a crise e aos generosos cortes de impostos para os ricos, promovidos pelo Bush, além do “mea-culpa” causado pelos “Bail-outs” na veia, que serão bancados pelos contribuintes americanos, haverá uma vasta isenção a estes, prometida pelo “Obama Red” ), o que, para os hosts da FOX e aqueles direitistas apresentadores de programas de rádios, é prova de que o “american-stalinism” está vindo à toda. Sobre estes caras da mídia americana de direita, vejam o blog do Argemiro Ferreira: http://argemiroferreira.wordpress.com/

The Daily Show With Jon Stewart M – Th 11p / 10c
The Stockholm Syndrome
thedailyshow.com
Daily Show
Full Episodes
Economic Crisis First 100 Days

http://www.thedailyshow.com/video/index.jhtml?videoId=225113&title=The-Stockholm-Syndrome

Síndrome de Estocolmo: The Daily Show with Jon Stewart vai à Suécia investigar o PESADELO SOCIALISTA que apavora a FOX e outros "Hariovaldos" dos EUA!

Turma, espero que vocês entendam inglês, já que não tem as legendas ( eu também preciso delas, pensam o quê? ). Passou no Sony esta semana, e eu sei que haverá repetição, só que não sei quando. É ótimo, a começar do trocadilho maneiro com a “verdadeira” síndrome de Estocolmo. Então, os EUA aumentarão a taxa do Imposto de Renda, acho que de 26% para arruinosos 29% em média ( parece que, devido a crise e aos generosos cortes de impostos para os ricos, promovidos pelo Bush, além do “mea-culpa” causado pelos “Bail-outs” na veia, que serão bancados pelos contribuintes americanos, haverá uma vasta isenção a estes, prometida pelo “Obama Red” ), o que, para os hosts da FOX e aqueles direitistas apresentadores de programas de rádios, é prova de que o “american-stalinism” está vindo à toda. Sobre estes caras da mídia americana de direita, vejam o blog do Argemiro Ferreira: http://argemiroferreira.wordpress.com/

The Daily Show With Jon Stewart M – Th 11p / 10c
The Stockholm Syndrome
thedailyshow.com
Daily Show
Full Episodes
Economic Crisis First 100 Days

http://www.thedailyshow.com/video/index.jhtml?videoId=225113&title=The-Stockholm-Syndrome

Síndrome de Estocolmo: The Daily Show with Jon Stewart vai à Suécia investigar o PESADELO SOCIALISTA que apavora a FOX e outros "Hariovaldos" dos EUA!

Turma, espero que vocês entendam inglês, já que não tem as legendas ( eu também preciso delas, pensam o quê? ). Passou no Sony esta semana, e eu sei que haverá repetição, só que não sei quando. É ótimo, a começar do trocadilho maneiro com a “verdadeira” síndrome de Estocolmo. Então, os EUA aumentarão a taxa do Imposto de Renda, acho que de 26% para arruinosos 29% em média ( parece que, devido a crise e aos generosos cortes de impostos para os ricos, promovidos pelo Bush, além do “mea-culpa” causado pelos “Bail-outs” na veia, que serão bancados pelos contribuintes americanos, haverá uma vasta isenção a estes, prometida pelo “Obama Red” ), o que, para os hosts da FOX e aqueles direitistas apresentadores de programas de rádios, é prova de que o “american-stalinism” está vindo à toda. Sobre estes caras da mídia americana de direita, vejam o blog do Argemiro Ferreira: http://argemiroferreira.wordpress.com/

The Daily Show With Jon Stewart M – Th 11p / 10c
The Stockholm Syndrome
thedailyshow.com
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Economic Crisis First 100 Days

http://www.thedailyshow.com/video/index.jhtml?videoId=225113&title=The-Stockholm-Syndrome

dezembro 17, 2008

ANÚNCIOS DA TFP – Quem pagou? Quem está por trás?, por Alberto Dines

Observatório da Imprensa, 16/12/2008
O centenário de nascimento de Plínio Corrêa de Oliveira foi uma festa: nos jornalões paulistas, Folha e Estado, anúncios de página inteira na edição de sábado (13/12). No auge da temporada natalina de 2008 – talvez a última dos tempos de vacas gordas – anúncios no primeiro caderno não são baratos. O apelido “informe publicitário” garante que não foram oferta da casa.
Quem era Plínio Corrêa de Oliveira? De uma família de senhores de engenho, formou-se em direito, fundou a Ação Universitária Católica e participou da criação da LEC (Liga Eleitoral Católica). Eleito deputado constituinte, participou da redação da “Polaca” (a Constituição de 1937, inspirada na carta promulgada pelo homem forte da Polônia, o marechal Józef Pilsudski).
Em 1960, Plínio criou a TFP – Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade “para organizar a contra-revolução”. Opunha-se a qualquer iniciativa modernizadora do Vaticano, combatia a infiltração progressista na igreja católica, lutava contra o divórcio e o aborto. Foi um dos esteios da mobilização civil contra o governo de João Goulart.
Reportagem no capricho
Era amigo pessoal de Octávio Frias de Oliveira, falecido publisher da Folha de S.Paulo, que o recebia para almoçar no jornal. Nada demais: Plínio Corrêa de Oliveira era culto, educadíssimo, agradável, e, sobretudo, sabia evitar azedumes durante uma refeição.
A Folha liderou as comemorações do seu centenário. Na sexta-feira (12/12), publicou na seção “Tendências/Debates”, na página A-3, um artigo assinado por Bertrand de Orleans e Bragança (com o título de dom, abreviado – argh!), que se apresenta como herdeiro dos princípios defendidos por Plínio. Nada demais: a Folha gosta de provocar os leitores, tanto assim que no dia seguinte pelo menos dois – um candentemente contra e outro devotamente a favor – manifestaram-se no “Painel do Leitor”.
Como naquele dia o outro freqüentador da página de opinião era o chefe do lobby da indústria do diploma, o imortal Arnaldo Niskier, o leitor mais avisado considerou que a nobre página 3 estava suspensa – ou em liquidação, ocupada pelos saldos.
No dia 13, sábado, a Folha publicou o informe publicitário pago pelo Instituto Plínio Correa de Oliveira (pág. A-9); três páginas adiante (pág. A-12), ocupa outra, praticamente inteira, com uma caprichada reportagem sobre a TFP, no momento falida e corroída por uma acirrada disputa entre os herdeiros políticos e espirituais do fundador da entidade.
Pergunta que não cala
Aqui a Folha excedeu-se: revelou que a escolha das matérias que publica não obedece aos paradigmas jornalísticos. A TFP não existe, a direita católica hoje é claramente dominada pela [ OBS: " 'DO' Opus Dei, caro Dines" - Humberto ] Opus Dei. Bertrand de Orleans e Bragança, o trineto de D. Pedro II, não tem um centésimo do valor intelectual do seu trisavô. Gosta de dizer que não é nazista, mas de direita. Na verdade é um clone do monarquismo fascista dos anos 1930 e 40. É um neocon brazonado que deveria viver na França e militar na Action Française, aquela que entregou a França a Hitler. Jean-Marie Le Pen para ele é moderno demais.
O Estado de S.Paulo, tradicionalmente mais católico, não embarcou nessa piada política. Octávio Frias de Oliveira tinha bons amigos em todo espectro político, não os beneficiava com matérias de favor, por isso era respeitado. Se vivo fosse não permitiria esse carnaval.
E como Frias dizia, com muita graça, que não se importava em pegar um clipe caído no chão, tal o seu horror ao desperdício, somos obrigados a perguntar e os dois jornalões têm obrigação de informar: quem pagou pelos anúncios? A falida TFP? O que há por trás desta nostalgia comemorada exatamente no dia do 40º aniversário do AI-5?
Comentário do BFI: “Adoramos a propaganda da TFP. Vai servir de inspiração para melhorarmos nossos posts no site do venerado Professor Hariovaldo e, assim, melhor combatermos o comunismo ateu, materialista e bolchevique do PT, com a graça de São Serapião. “Alvíssaras”, como diria o Vinícius Duarte.”

dezembro 9, 2008

MR-8 se desliga do PMDB e planeja fundar novo partido político!!

HORA DO POVO, ed.2726, 10 e 11.12.08
“Completar a independência nacional será o principal objetivo do Pátria Livre”
A “Carta ao Povo Brasileiro” que publicamos nesta página foi aprovada no último dia 7 pelo Comitê Central do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), reunido em São Paulo desde o dia 5 de dezembro.
Dirigentes e militantes vindos de todas as regiões do país debateram, durante a reunião, o informe proferido pelo secretário geral do MR8, Sérgio Rubens de Araújo Torres, que avaliou as mudanças ocorridas na economia brasileira nos anos recentes, a composição da frente nacional necessária à realização das transformações que nosso país e nosso povo necessitam – e as perspectivas após a eclosão da crise nos EUA e demais países centrais.
“Os mais de 40 anos de experiência do Movimento Revolucionário 8 de Outubro nas lutas políticas e sociais do nosso povo nos dão a convicção de que para fazer frente a esse momento é imprescindível o registro de um novo partido político no Brasil”, diz a Carta que sintetiza as conclusões da reunião. “Da letra do Hino da Independência vem o nome deste novo partido que convocamos a brava gente brasileira a construir conosco: Partido Pátria Livre. Porque é exatamente disso que se trata: concentrar todas as energias para completar a grande obra da independência nacional. (….) A maior parte dessa construção, que começou com Tiradentes, passou por Getúlio e chegou a Lula, já foi realizada. Mas a que falta deixa o país e o povo vulneráveis à espoliação externa que tolhe o nosso desenvolvimento econômico, político, social e cultural. Concluí-la aceleradamente será o principal objetivo do Pátria Livre”.
A primeira reunião da Comissão Organizadora do novo partido, que está sendo formada, será em janeiro.

Carta ao Povo Brasileiro
O Brasil vive um momento decisivo da sua história.

A crise econômica produzida pela especulação irrefreada dos monopólios para obter mega-lucros à margem da produção explodiu no coração de Wall Street e se alastra pela Europa e o Japão.
As superstições neoliberais, que livraram de qualquer controle social a ganância devastadora das feras, elevaram a níveis inauditos a desproporção entre a capacidade de produção e o nível de consumo das grandes massas empobrecidas – e acabaram por cobrar seu amargo preço.
Nunca houve período em que os monopólios desfrutassem de tamanha liberdade para afrontar a resistência a seus interesses com os métodos que derivam da sua condição intrínseca de perseguir um lucro além do obtido pela extração direta da mais-valia de seus empregados: fixação de sobrepreços, especulação, fraude, suborno, espionagem, chantagem, intimidação, assassinato, pilhagem e genocídio.
O grau de profundidade da depressão que fatalmente ocorrerá nos países mais atingidos está na razão inversa da capacidade dos governos e da mobilização popular de estabelecerem sólidos mecanismos de contenção dessas práticas – enquanto não for possível superá-las por um ordenamento econômico onde as empresas públicas ocupem o lugar dos monopólios privados.
Os monopólios são o fruto podre e envenenado do modo de produção capitalista. Brotaram da impotência do mercado frente ao processo de concentração e centralização do capital e se voltam contra ele para livrar-se das amarras da concorrência e impor sua tirania. Por isso já se disse, com muita propriedade, que seu surgimento anuncia o esgotamento do sistema.
Mas seria tolice pensar que o socialismo, por ser a alternativa mais avançada ao domínio dos monopólios, seja a única opção quando se trata de combatê-los efetivamente. O mercado não tem como evitar o nascimento de seus edipianos rebentos. E, manietado por eles, não pode restringir a sua ação. Mas o Estado, a depender da força que tenham dentro e fora dele os trabalhadores e o capital privado não-monopolista, pode contê-los. Mais: pode evitá-los, e inclusive eliminá-los, através da constituição de empresas estatais, sem que o socialismo tenha sido implantado. Portanto, não é recomendável fugir das complexidades da vida, porque a conseqüência seria trocar a luta política por um propagandismo estéril e imobilista.
Como toda a crise ocorrida no centro do sistema imperialista, esta também pode, em decorrência das medidas que adotemos para enfrentá-la, nos levar de roldão ou fortalecer a nossa independência.
Os monopólios de mídia e a oposição, em absoluta discrepância com os interesses da Nação, difundem toda a espécie de boatos, pseudoteorias e previsões alarmistas que possam ajudar a crise a se introduzir no país.
No afã de responsabilizar o presidente Lula pelas dificuldades econômicas que adviriam desta invasão, os corvos semeiam a desordem, sem medir as conseqüências. A perspectiva de poderem extrair algum dividendo eleitoral do sacrifício do país os cega para o alto preço que acabaria tendo que ser pago por todos.
No entanto, é perfeitamente possível derrotá-los mais esta vez, barrando a crise e acelerando o crescimento econômico.
Antes de mais nada, é preciso reduzir as taxas de juros astronômicas praticadas no Brasil.
Sem erradicar essa praga, cultivada pelos setores interessados em transferir renda do setor produtivo aos monopólios financeiros, nenhuma medida de combate à crise terá eficácia e sequer será levada a sério pelos agentes econômicos.
A própria imagem do Brasil no G-20 sofreria um dano considerável se ele fizesse internamente o oposto do que nosso presidente aprova e defende nas reuniões internacionais.
Paralelamente, é preciso intensificar o processo iniciado pelo governo Lula de fortalecer a ação do Estado na economia, através do investimento público, da expansão do mercado interno, da ampliação da infra-estrutura, da substituição de importações – e reforçá-lo com o controle sobre o fluxo de capitais e a regulação econômica estatal onde ela se fizer necessária. Em uma palavra: retomar e aprofundar o projeto nacional-desenvolvimentista, cujos alicerces foram plantados na era Vargas, e depositar no lixo da história os restos do modelo dependente em sua versão mais extremada, a neoliberal.
O projeto nacional-desenvolvimentista tem por base a aliança entre o Estado, os trabalhadores e o setor privado nacional para defender o país da voragem dos monopólios e promover, simultaneamente, crescimento econômico e distribuição da renda.
Historicamente, quando ele foi implantado, não tinha sentido falar de monopólios nacionais, pois eram todos externos, ainda que mantivessem filiais no Brasil.
Hoje, não se pode dizer o mesmo. No ramo financeiro, no das telecomunicações, mineração, siderurgia, petroquímica, construção e outros surgiram empresas nacionais – nove entre dez cevadas à sombra do criminoso processo de privatizações – que reproduzem as práticas anti-sociais dos monopólios externos e compartilham com eles o espaço nos mesmos cartéis para açambarcar o mercado, esfolar consumidores, esmagar fornecedores e sugar o Estado, bloqueando, em conseqüência, o livre desenvolvimento das forças produtivas nacionais.
Confundir esses setores com o capital privado nacional não-monopolista seria um erro de conseqüências desastrosas. A pior coisa que o governo poderia fazer ao Brasil e a si mesmo no momento de empregar o máximo de firmeza para conjurar a ameaça de penetração da crise seria facilitar a qualquer espécie de monopólio privado o acesso aos recursos públicos, em detrimento dos setores que podem, de fato, alavancar o desenvolvimento: o setor estatal e o setor privado nacional não-monopolista.
Ao fazer balançar dentro dos EUA velhos mastodontes como o Citibank, a General Motors e outros tantos, a crise internacional abre largas avenidas para o desenvolvimento do Brasil. Mas nenhuma delas passa pelo fortalecimento da ação dos monopólios no interior da nossa economia.
Mostra disso foi dada com a escandalosa utilização do compulsório pelos bancos para adquirir patrimônios e não para liberar crédito conforme o prometido; com as falcatruas da Odebrecht, às expensas do BNDES, no Equador e na Venezuela; com as manobras da Vale do Rio Doce para catapultar o preço dos minérios; com o seqüestro das máquinas dos agricultores do Mato Grosso, por bancos que sequer lhes emprestaram recursos próprios, pois operavam como repassadores de recursos do BNDES; com a reedição da prática terrorista das montadoras de usarem as férias coletivas como prenúncio de demissões, apesar de receberem R$ 8 bilhões do setor público – Banco do Brasil e Nossa Caixa – para financiar as vendas de veículos.
É verdade que nosso dever de brasileiros nos obriga a assumir a defesa de qualquer empresa nacional (mesmo monopolista) nas eventuais disputas resultantes de suas contradições com os monopólios externos, pois as primeiras não têm por meta remeter lucros – declarados ou não – para fora do país.
Porém, o mais importante é deixar claro para o conjunto da sociedade o antagonismo entre os monopólios privados de qualquer origem e a perspectiva de desenvolvimento com distribuição da renda, o único que interessa aos trabalhadores e à esmagadora maioria do empresariado nacional – pois crescimento econômico com concentração da renda é, e não tem como deixar de ser, a ante-sala de todas as crises.
Ao contrário dos monopólios externos, cujos 500 maiores controlam através de 420 filiais cerca de 40% da nossa economia, os monopólios nacionais não chegam a duas dezenas. A médio prazo, têm apenas duas possibilidades: serem engolidos por monopólios externos ou cruzarem as fronteiras para piratear os vizinhos. Como a formação histórica, social e cultural do Brasil é um poderoso freio ao exercício do segundo papel, o caminho que acabaria se impondo seria a desnacionalização dessas empresas.
Portanto, a idéia de compensar a drenagem de nossos recursos para fora, realizada pelas multinacionais estrangeiras, com a drenagem de recursos para dentro, através de “multinacionais brasileiras”, é um atalho que leva ao precipício. Ilusão vadia, dispendiosa e suicida, quando implica em retirar recursos vitais à expansão da produção interna para financiar via BNDES – ou seja, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – uma versão caricata da aventura ultramarina.
Hoje, mais do que nunca, o que interessa ao povo brasileiro é avançar no caminho indicado pelo presidente Lula com o PAC: crescimento econômico com expansão do mercado interno – mais produção, mais emprego e mais salário.
Para isso é indispensável ampliar, no interior da economia nacional, o peso do setor estatal e do setor privado nacional não-monopolista em relação aos monopólios, pois no Brasil, assim como no mundo, são eles a fonte dos maiores problemas e das maiores desgraças.
Ao enfraquecê-los, a crise internacional nos oferece uma oportunidade ímpar de acelerar esse processo. Não devemos desperdiçá-la.
Os mais de 40 anos de experiência do Movimento Revolucionário 8 de Outubro nas lutas políticas e sociais do nosso povo nos dão a convicção de que para fazer frente a esse momento é imprescindível o registro de um novo partido político no Brasil.
Esse partido deve se guiar por cinco pressupostos básicos:
1º. Que na atual etapa do nosso desenvolvimento histórico a principal questão da luta mais ampla e fundamental pelo avanço da democracia está na superação das relações de produção dependentes, ou seja, na conquista da plena independência nacional.
2º. Que esta luta corresponde às necessidades e interesses de todos os setores da sociedade brasileira, à exceção dos monopólios, e implica na constituição de uma frente de forças políticas e sociais que abrace e transforme cada vez mais em realidade viva o projeto nacional-desenvolvimentista.
3º. Que politicamente esta frente está hoje constituída pelos partidos que integram a base do governo, com destaque para o PT e o PMDB, que são os maiores e mais influentes. A principal expressão e o principal líder dessa aliança é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fora dela o que existe é o retrocesso. Por isso, utilizar reais ou supostas limitações da frente para combatê-la, ao invés de lutar para impulsioná-la, só tem levado setores que se pretendem à esquerda ao vexatório papel de linha auxiliar das viúvas do neoliberalismo encasteladas no PSDB e no Dem.
4º. Que o ritmo de desenvolvimento de todo esse processo de lutas é ditado pelo grau de consciência e organização de seus maiores interessados, os trabalhadores. Portanto, a atuação do partido no movimento sindical e nos movimentos sociais é fundamental e decisiva.
5º. Que no horizonte da luta pela ampliação da democracia está a construção de uma sociedade socialista, onde o mercado, ao invés de devastado pelos monopólios, seja superado pelo planejamento consciente do conjunto das atividades econômicas, à medida que os meios de produção se convertam em propriedade pública, através de um Estado que incorpore crescentemente às suas atividades as amplas massas da população, até esgotar seu papel e extinguir-se.
Da letra do Hino da Independência vem o nome deste novo partido que convocamos a brava gente brasileira a construir conosco: Partido Pátria Livre. Porque é exatamente disso que se trata: concentrar todas as energias para completar a grande obra da independência nacional.
Esta obra ainda não foi concluída. Várias gerações de brasileiros ao longo da história deram o melhor de si para desenvolvê-la e obtiveram êxitos notáveis. A maior parte dessa construção, que começou com Tiradentes, passou por Getúlio e chegou a Lula, já foi realizada. Mas a que falta deixa o país e o povo vulneráveis à espoliação externa que tolhe o nosso desenvolvimento econômico, político, social e cultural.
Concluí-la aceleradamente será o principal objetivo do Pátria Livre.
O primeiro passo dessa caminhada é recolher as 500 mil assinaturas, até o mês de junho de 2009, para que o PPL possa apresentar seus candidatos às eleições de 2010.
Aos companheiros do PMDB, com os quais tivemos a honra de conviver por mais de 30 anos no interior da mesma estrutura partidária, repartindo o pão, as glórias e eventuais desventuras, o nosso sincero e comovido reconhecimento. Seguiremos juntos na grande frente nacional que se aglutina em torno do presidente Lula, pela qual tanto nos batemos e que, ainda mais do que antes, continuará a contar com a nossa plena dedicação.
São Paulo, 7 de dezembro de 2008
Comitê Central do Movimento Revolucionário 8 de Outubro

outubro 31, 2008

Mauro Carrara responde a Soninha Francine

Lavando a alma: Mauro Carrara humilha Soninha, a vira-casaca
TUDO EM CIMA – André Lux
Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
A tal de Soninha Francine, aquela que se elegeu vereadora em SP graças à militância do PT e logo depois fugiu do partido e se filiou ao PPS do quinta-coluna Roberto Freire, está aprendendo mesmo como seus novos amigos fascistóides do PFL e PSDB: “Quando não gostar de uma crítica ameace de processo!”
Desta vez ela ameaçou o veterano jornalista Mauro Carrara, por ter escrito o óbvio ululante. Confira neste link, no blog do Azenha.
Que figura grotesca essa moça virou, perdeu totalmente o senso do ridículo! Lamentável. Só quero ver o que vai acontecer quando ela perder a utilidade para o Darth Serra e for cuspida para longe. Vai dar dó…Confira abaixo a resposta humilhante que Carrara escreveu para a dondoquinha que se acha socialista só porque frequenta os barzinhos da Vila Madalena. É de lavar a alma!
A Carta Resposta de Mauro Carrara a Soninha Francine
“Prezada moça,
Passada e eleição em minha cidade, decidi espairecer. Por isso, aceitei convite da graciosa Manu Cienfuegos para vir a Buenos Aires. Aqui, minhas pernas antigas podem exercitar um tango tranqüilo e passear devagar pela Boca.
Hoje, no entanto, armei antenas para fuçar a informosfera brasileira. E lá piscava seu destemperado comentário na excelente estação virtual do Azenha.
Como sou bem mais velho e viajado que você, não iniciarei aqui um duro prélio. Tentarei, como São Paulo apóstolo, ser humildemente didático. E como prega o budismo tibetano, procurarei exercitar a compaixão.
Por interesse pedagógico, permito-me inverter a pirâmide de sua diatribe rancorosa.
4 e 3) Primeiramente, arrisco-me a lhe passar uma lição. Quando se cansar de suas aventuras de motoquinha, procure ler algo da obras de Norberto Bobbio, esse nobre pensador político e filósofo, filho do Piemonte, colega que infelizmente deixou este mundo em momento muito dramático da política italiana.
Há cerca de 20 anos, numa entrevista ao JB, disse o seguinte sobre a diferença entre direita e esquerda ( tradução livre que faço do italiano ):
- Ainda considero como direita aquelas forças que se colocam a serviço do interesse das pessoas satisfeitas. Os outros, os que sentem e agem do ponto de vista dos pobres, do excluídos da terra, são e serão sempre a esquerda. Sempre que me pedem uma diferenciação entre direita e esquerda, respondo que essa é a fundamental. Em nosso tempo, todos os que defendem os povos oprimidos, os movimentos de libertação do Terceiro Mundo, são a esquerda. Aqueles que, manifestando-se do alto do próprio interesse, dizem que não há motivo para distribuir o dinheiro que suaram para ganhar, são e serão a direita. Essa é a divisão que existe em toda parte, aqui como no Brasil.
Segundo ele, de direita são os que julgam as desigualdades como inevitáveis. A esquerda, argumenta o pensador, está viva naqueles que consideram iguais todos os homens, nos que se atrasam um pouquinho para esperar os mais lentos, nos que estendem as mãos sadias para socorrer as mãos enfermas, nos que se importam de verdade com aqueles que sofrem para subir a ladeira.
Não sou e nunca fui filiado ao PT. Minhas convicções se fundam numa utopia anarquista quase malatestiana, muitas vezes incompatível com as hierarquias e burocracias partidárias. Ainda assim, como não sou tonto nem canalha, procurei desde sempre contribuir com as iniciativas de cunho humanista desse partido.
Obviamente, afio a crítica quando o partido de Lula acomoda-se ou desvia-se de seus ideais, e tem sido assim há décadas. No entanto, se a agremiação da estrela algo move em favor dos mais pobres, tem em mim um ferrenho defensor.
Há quem escolha partidos por vaidade ou por simpatia. Gente que renuncia a tudo em que supostamente acredita porque lhe fez cara feia a Dona Cotinha ou porque João não lhe deu estima na festinha de aniversário.
Fosse essa a regra, e o grupo de Jesus de Nazaré teria somente defecções. Afinal, havia ali um traidor, um medroso, um estabanado… Enfim, Soninha, gente como a gente.
Com todos os seus equívocos, o PT ainda representa, na teoria e na prática, a esperança de redenção de milhões de brasileiros. Quando se cansar dos barzinhos da Vila Madalena, procure visitar o sertão nordestino. Ali, você certamente vai aprender um pouquinho da política real, daquela que alimenta, ensina e promove o ser humano, permitindo que se erga da indigência e caminhe de cabeça erguida.
Compreender essa escala de valores é o que deveria balizar as atitudes de um político de verdade, nunca as fofocas de bastidores de uma câmara municipal.
Aliás, quem colocou Soninha da dita casa parlamentar não demonstrava apoio somente à personagem, mas platonicamente à idéia que ela dizia representar.
Ao se bandear para o outro lado, o político eleito escarra na cara de seu eleitor e contribui para instaurar o ceticismo, especialmente nos jovens.
O tal PPS
A história se repete como tragédia ou como farsa. É o caso do partido que a moça abraçou. Primeiramente, cabe uma indagação: qual fez e faz mais pelos brasileiros, o partido de Lula ou o partido de Roberto Freire?
O PPS simplesmente assassinou toda a tradição de luta do antigo Partido Comunista. Deturpou conceitos, virou casaca e passou a fazer o jogo sórdido da direita, lambendo os escrotos purulentos daqueles que colaboraram para torturar e matar os rebeldes vermelhos das décadas de 60 e 70.
Mas vale uma visita ao tempo pretérito. Nos anos de chumbo, Freire passou incólume como procurador autárquico do IBRA, numa época em que muitos de nós servíamos de cobaias para testes de reação a eletrochoque ou afogamento. No governo FHC, virou um inseto “fisiológico”, líder da chamada “bancada da madrugada”, oposição de fachada durante o dia, aliada estratégica nos horários de recesso.
Freire foi o golpista que apareceu em todas as emissoras de TV, em 2.005, repetindo o bordão: “o governo acabou”. Como um papagaio lesado, alçava a voz numa declaração que mais expunha seu desejo do que a realidade.
A história mostrou que Freire estava errado. Como humildade é virtude que não conhece, o político pernambucano jamais fez seu necessário ato de contrição. Segue por aí, de gabinete em gabinete, mascateando vergonhosamente suas migalhas de apoio oposicionista.
As pessoas de bem não têm dúvida: Freire constitui-se em expressão máxima de um jeito conveniente de fazer política, em que a renúncia moral é recompensada pelos mimos da direita e dos barões da mídia.
Portanto, Soninha, antes de se filiar ao próximo partido, procure pesquisar sua história e avaliar o comportamento de seus líderes. Fará bem para você.
2) Seu encontro com José Serra, o mestre de todos os vampiros, foi amplamente noticiado. O Palestra Itália é pequeno e, lá, tudo se sabe.
1) Agora, o que mais me espanta é que a moça me alcunhe de “criminoso” e peça até processo contra mim… Isso porque disse o que tudo mundo sabe: o PPS é um partido de aluguel da direita brasileira.
Engraçado é que a tal “liberdade de expressão”, tão defendida por seus patrões midiocratas, serve somente para esculhambar com o PT e o resto da esquerda. Nesse caso, cinicamente, tudo pode. É possível caluniar, difamar e injuriar até mesmo o presidente da República.
Quando a crítica tem sentido contrário, isto é, quando mostra as incoerências da oposição, já se recorre à lei, à solução fácil e truculenta. Pois é, moça, quem te viu e quem te vê vai dar razão a Thoreau: “a política não é a moral, mas aquilo que se ocupa apenas do que é oportuno”.
- Mauro Carrara, jornalista”
OBS: Puta que pariu, se vergonha matasse…
Eu, Humberto ( ato de contrição ) votei na moça. Mas jamais considerei que ela pudesse ser vítima dos poderes vampirescos e hipnóticos de Conde Josef.
Ontem, por acaso, – vejam como são as coisas – eu encontrei, em meio a meus jornais velhos, uma entrevista dela à IstoÉ Gente. Ela disse que se ligou ao Serra quando se encontraram nos camarotes carnavalescos do Anhembi e ele perguntou-lhe pela filha ( como se sabe, a filhinha de Soninha teve uma leucemia – com isso eu não brinco – e o prefeito, simpático, indagou sobre o estado da criança ). Certa altura da entrevista, ela disse que convenceu-o a não desistir de construir 5 CEUS ( acho que já estavam no cronograma ou no orçamento deixado por Marta ).
Hoje, pela manhã, nem sei em que pensava, me veio a idéia de que talvez ela até ganhasse um cargo na administração do Kassab. Acho que pensei no Wladmir administrando o Pacaembú, sei lá. Não faço idéia do porquê eu teria pensado isso.
Depois, à tarde, vi num jornal que, se convidada fosse, ela assumiria algum cargo na Prefeitura.
Premonições…

setembro 20, 2008

"Mainardi e a profissão mais antiga do mundo", por Gilson Caroni Filho

DEBATE ABERTO
Mainardi e a profissão mais antiga do mundo
Em breve será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.
Gilson Caroni Filho
CARTA MAIOR, 19.09.08
Há algum tempo,em outubro de 2005, o jornalista Renato Rovai advertia quanto aos riscos que o tipo de jornalismo praticado por Mainardi e outros articulistas de Veja ( 1 ) trazia para a imprensa como instituição e o jornalismo como profissão.
“Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso”. (Revista Fórum, outubro de 2005)
Em dezembro do mesmo ano, Olavo de Carvalho, em cruzada aberta contra o Observatório da Imprensa afirmava que pelos critérios da esquerda, “o simples salário de jornalista profissional, tão limpo quando pago a esquerdistas, se torna uma espécie de propina corruptora quando vai para o bolso de alguém politicamente incorreto”.
O “esquerdista”, subsidiado por uma tão onipresente quanto imaginária “Internacional Comunista” ( 2 ), sempre atuante nos arrazoados do auto-intitulado “filósofo”, seria o jornalista Alberto Dines, editor do Observatório. O “politicamente incorreto”, o iconoclasta de estimação da família Civita era, obviamente, o polemista (?) Diogo Mainardi. É assim que Olavo costuma reorganizar as questões que o atormentam no campo das idéias: com simplificações e rótulos. É nesse marco que se processam suas “impagáveis abstrações.”
Passados três anos da publicação dos dois textos, o “oráculo de Ipanema”, em entrevista ao Jornal Laboratório da Facha (edição nº 23, julho/agosto de 2008), tece considerações sobre o que julga ser a natureza de uma categoria profissional. Confirma os piores temores de Rovai e, por conseqüência, esclarece as dúvidas “olavianas” sobre os critérios que definem o tipo de pagamento pelos serviços prestados por ela.
Lembrando da argumentação usada pelo pai do articulista, o publicitário Ênio Mainardi, para trocar as redações pela publicidade (“se era para ser uma prostituta, seria, então, uma prostituta de classe”) os estudantes Daniela Lima e Diego Ferreira perguntaram a Diogo se ele se considerava uma prostituta no jornalismo.
A resposta não podia ser mais categórica: “hoje, em dia, jornalistas e publicitários ganham a mesma coisa, saíram da Vila Mimosa para as ruas mais elegantes da cidade (…) Talvez seja essa a minha maior preocupação: ser menos prostituta possível”.
Não ficou claro se Mainardi produziu uma peça de péssimo gosto ou tentou esboçar análise de um novo projeto de construção da identidade do campo jornalístico brasileiro. Uma tosca tentativa de iniciar o debate sobre novas funções éticas da imprensa. Um processo que passa pela redefinição de como se dará a elaboração crítica da informação a partir de insuspeitas exigências da nova tecnologia.
Enquanto os especialistas não se debruçam detidamente sobre as questões levantadas na entrevista, uma coisa é certa: a distância entre Vila Mimosa, famosa área de prostituição do Rio de Janeiro, e a redação de conhecida revista semanal, na Avenida das Nações, 7221, em São Paulo, diminuiu consideravelmente. Em breve será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

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CONSIDERAÇÕES DO BFI:
( 1 ) – Talvez o “ponto” seja outro lugar, já que tanto Mainardi como também um possível seu cliente, Daniel Dantas, residem ( ou possuem imóveis ali ) na Av. Vieira Souto ( RJ ), e podem muito bem travar “contato” durante o jogging;
( 2 ) – Você tem duas opções extremamente opostas de cenário apocalíptico ( nos quais já estaríamos afundados, segundo seus formuladores ) a escolher – de acordo com seu gosto e preferência -, no que tange ao embate ideológico, a saber ( escolha direito, para não se arrepender pelos próximos 400 anos ):
a – cenário apocalíptico de direita : há uma esquerda jamais mencionada pelos jornalões, pela vEJA, pelo RA, O. de C., Diogo Mainardi e vários outros ( além de empresários, economistas, consultores, sociólogos, humoristas, comentaristas ), que não se alinha ( e nem se alia ) às idéias e práticas da esquerda que esteja no poder, apesar desta última ( a que estaria no poder ) já é denunciada pelos direitistas acima citados como a mais horrenda e tirânica esquerda jamais vista no mundo: o PT, PCdoB, PSB, PSOL, as ONGs financiadas pela Fundação Ford e Rockfeller, o MST, a CUT, o Hora do Povo, a Carta Capital, os blogs. Ou seja, o monstro esquerdista que estaria nos oprimindo teria várias cabeças.
Só que existem fatias da esquerda que pensam bem diferente. Acham que o que ocorre é o oposto disso. E que a “esquerda” no poder ( tanto no Brasil como na América Latina, e a avaliação que a esquerda radical faz do cenário político nestes lugares, não poupa nem mesmo Evo Morales e Hugo Chávez, dois “gerentes” ) , que a direita – segundo esta nos alerta diariamente -”teme”, nada mais é que uma das cabeças ( reformista, entreguista, revisionista, oportunista ) da fera. Pior, essa pseudoesquerda seria avalista e garantidora do status quo direitista ( este sim, o poder de fato ), a esvaziar as mobilizações populares, afim de garantir a dominação burguesa e capitalista, por meio da gerência do Estado. Para esta esquerda ( a verdadeira ), as “brigas” eleitorais, envolvendo PT contra PSDB, DEM versus PCdo B, e etc, não passam de jogo de cena e cortina de fumaça para tirar nossa atenção de um problema muito mais grave e complexo, a dominação burguesa.
É o que este blog conclui, a partir da leitura de um jornal ( já o citamos aqui anteriormente ) chamado A Nova Democracia. Como eu sou um tôsco que não entende coisa alguma de teorias ideológicas e teses econômicas, apenas destaco um trecho do editorial do jornal, de sua edição de setembro, a atual [ os grifos são do blog ], e deixar que este nos explique seu ponto de vista:
Editorial – Nada de novo na farsa eleitoral
Novamente o bloco da farsa eleitoral foi colocado nas ruas em meio a uma profunda crise de apodrecimento do velho Estado brasileiro, crise esta que só vem se aprofundando, apesar de todos os intentos oficiais e oficiosos em dourar a pílula de que vivemos maravilhas, como “nunca neste país”. O monopartidismo consolidado desde 1964 desfila faceiro enquanto as siglas eleitoreiras — todas antioperárias e de traição nacional — encenam, como sempre, confrontar programas e idéias distintas na disputa pela “alternância” nos cargos eletivos.
As coligações formadas para a disputa das mais de 5 mil prefeituras são demonstração inequívoca de que, nesta velha democracia, os partidos e políticos não são mais que, literalmente, farinha do mesmo saco. É a expressão e revelação de sua verdadeira natureza e essência burguesa, burocrática e reacionária. Enquanto nas grandes cidades, tucanos e petistas se esforçam para marcar diferenças que na prática não existem e se digladiam em busca de votos, no interior foram efetivadas mais de mil coligações entre os dois partidos. Isso sem falar nas coligações “informais”, como a de Belo Horizonte, onde um acordo entre o prefeito Pimentel e o gerente estadual Aécio Neves lançou a candidatura Márcio Lacerda, pelo PSB, à “revelia” da direção do PT. ( … ) Pois é, para as classes dominantes que erigiram este sistema de Estado e de governo em que vivemos, isto é o máximo de participação política permitida ao povo, ainda que seja preciso escolher entre o fogo e a frigideira.
Isso porque, seja qual for o resultado das eleições, a vitória será do latifúndio, do capital burocrático e do imperialismo.
É cada vez mais difícil manter essa farsa, é uma cara operação para o velho Estado de grandes burgueses e latifundiários. O povo (as massas de trabalhadores do campo e da cidade e seus aliados) percebe a cada dia com mais clareza que não será essa a solução para seus problemas. Os recorrentes escândalos de corrupção, roubo de direitos, massacres contra pobres e o incremento da política fascista comprovam que o problema não é de escolha entre uns e outros, mas de que enquanto perdurar essa estrutura podre do Estado brasileiro, nunca haverá uma verdadeira democracia no Brasil ( … )”.
Conclui-se, então, que estamos muito distantes daquilo que o apregoado pelos Jabores, Civitas e outros, que deveriam se dar por satisfeitos, uma vez que não tem esquerda nenhuma no poder, ( seja aqui, na América do Sul, ou em Marte ), mas sim, gerentes direitistas que garantem o mais do mesmo;
b – cenário apocalíptico de esquerda: é o cenário já conhecido e geralmente aceito como verdadeiro por quem lê o Estadão, a vEJA, o Jabor, Mainardi, etc. Dizem eles que a esquerda domina com a mão de ferro do comunismo ateu, não deixando espaço nem para respirar. A ditadura é comandada pelos comissários impostos ( nos níveis nacional e internacional ) pelo PT, PSB, PCdoB, Hugo Chávez, direitos humanos, FARCs, MST, ONGs financiadas pelas Fundações FORD e Rockfeller e por dinheiro estatal e demais movimentos sociais, feministas, das minorias, negros, favelados, sem-teto, Fernandinho Beira-Mar, etc., cada um exercendo seu pequeno papel na trama complexa da ditadura do proletariado que grassa mundo afora.
c – APOCALIPSE MESMO: vejam como ambos os cenários propostos por ambos os lados coincidem em quase todos os pontos, e teriam quase os mesmíssimos protagonistas.
Talvez ambos estejam certos, ou errados, ou correta mesmo seria a teoria que coloca os Illuminatti e os Reptilianos como os verdadeiros e dissimulados algozes da Humanidade.

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