ENCALHE

junho 10, 2008

Jaz São Paulo: Pelo fim URGENTE do desperdício de dinheiro público!! BAAAASTAAAA!!! URGGGGHHH!!!

INTRODUÇÃO
Imaginemos um evento: alguém ( doravante denominado “Alguém” ) faz uma coisa “X”.
Mas “Alguém” não vive isolado neste mundão. Ele faz parte de uma comunidade ( doravante denominada “comunidade” ). Ele não pediu para nascer, e nem fazer parte desta “comunidade”. E nem de qualquer outra. Mas, queira ele , quer não, ele já faz. Mas isso não é tão ruim, e ele sabe disso. Apesar dos deveres e obrigações para com os outros, ele também sabe que os outros têm deverem com relação a ele. São práticas mútuas. Pelo menos ele não tem que se virar sozinho para matar um tigre de bengala, já que os outros dão uma mão contra as ameaças. E vice-versa.
A tal “comunidade” já existia antes dele nascer. E, num determinado momento de sua História, a comunidade percebeu que nem tudo que era bom para um, seria bom para todos. E vice-versa. Mas, quisessem ou não, até por um interesse egoísta, uns precisavam dos outros. E vice-versa.
Discutiram. Conversaram. Deliberam. Se mataram. Os que sobraram chegaram a um consenso. E estabeleceram regras básicas que todos, em comum, deveriam acatar e seguir. Isso, por exemplo, acabou com o canibalismo infantil, já que as fêmeas carregavam aquele barrigão por diversas Luas e Invernos para que, quando terminassem de parir, os machos devorariam as crias. As fêmeas não gostavam, pois elas – não sabiam o porquê – é que traziam aquela criaturinha na barriga, sentiam aquelas putas dores e, no final, os machos comiam tudo e não deixavam nem cordão umbilical para elas provarem. O índice de natalidade daquele grupo era baixo. Existia, mas era baixo. Perigavam se extinguir. Poucas cresciam seguindo o curso de suas naturezas.
Depois do código de regras adotado, as crianças – todas – nasceriam e não seriam devoradas.
Há outras regras. Este foi só um exemplo de como e por quê se fazem leis e regras.
Acordos e consensos. Queira eu ou não. Queira você ou não. Os piratas têm suas próprias leis e regras de conduta. Mas SÃO LEIS. O PCC tem suas leis. A Camorra, a Gestapo, o FBI.
SEGUE O FLUXO
Na primeira linha do bloco acima, ficamos sabendo que “Alguém”, que vive numa “comunidade”, fez uma coisa “X”. Ele adorou. A “comunidade”, quando soube, detestou. O conjunto chamou-o para que desse explicações. Ele se negou, e então mataram-no. Mentira. Ele foi, explicou seus motivos ( que foram ouvidos atenta e democraticamente ) e, só então, é que mataram-no.
Mas não foi suficiente.
Os outros da “comunidade”, após confabularem, decidiram que enfiar o dedo no nariz não era legal. E, em comum acordo, após ouvidos todos os integrantes do grupo, decidiram que tal ato não seria tolerado. Quem fosse pego, morreria. Quem não gostasse da lei ( que expressava o desejo da maioria ) poderia ir caçar em outro lugar, morar noutra cabana e deixar de contar com qualquer auxílio quando estivesse em perigo. Ninguém saiu. E a vida prosseguiu, sem muitos sobressaltos.
Passados séculos, leis continuavam a ser discutidas, criadas, implantadas, acatadas, combatidas, burladas, deixadas de lado. As comunidades gostaram da brincadeira.
E, além das leis, haviam as convenções. São, de certa forma, leis não escritas, que teriam sido definidas por seu próprio uso. Símbolos determinam ações. Cores representam ações.
Por exemplo: o VERMELHO pode significar “Perigo” ( Alerta Vermelho ). A maioria das pessoas sabe disso, meio que instintivamente. Convencionou-se adotar esta cor para designar a necessidade de se prestar atenção a algo. É mais ou menos isso.
Séculos mais depois ainda, o VERMELHO aparece – outro exemplo – em placas, indicando direções a não se tomar. Ou algo que não se deve fazer. NÃO!!!
Foi só um exemplo ilustrativo.
E chego, finalmente, aos dias atuais
Dirijo-me, agora, aos habitantes da cidade de São Paulo. Vejam só as portas dos vagões do Metrô. São divididas em duas partes. Convencionou-se que, para organizar o fluxo de pessoas, entradas e saídas, o lado DIREITO é por onde se entra, quando se está do lado de fora ( didático, não? ). Por sua vez, o lado DIREITO é por onde se sai, quando se está dento do vagão.
Para facilitar e não haver confusão ( pois é algo muito difícil de se aprender e decorar, eu sei ), a Companhia do Metrô implantou um sistema que funciona da seguinte forma: além de contar com a ciência do cidadão, o Metrô colocou, nas portas dos vagões, dois adesivos ( vale para a entrada e para a saída ), observe: do seu lado DIREITO, não importa onde você se encontre, há uma SETA VERDE, indicando que é por ali que você deve se dirigir.
Do seu lado ESQUERDO, no entanto, há a proibição velada: uma SETA VERMELHA, a dizer que não seria de bom-tom que as pessoas tomassem aquele caminho. Pois acabariam colidindo contra quem vinha da direção contrária ( seguindo o fluxo ditado pela SETA VERDE ).
Geralmente, as estações de Metrô têm, em suas dependências, algumas escadarias. Para organizar, também aqui, o fluxo de pessoas, adotou-se uma idéia inteligente: uma placa AMARELA pede, aos usuários, que usem os corrimãos do lado DIREITO das escadarias, deixando o lado ESQUERDO livre para quem quiser passar mais rapidamente. Tal pedido vale tanto para as escadarias fixas quanto as rolantes.
Cidadãos de bem e pagadores de impostos extinguem, na prática, convenções seculares questionáveis e leis caducas
Pense, por um momento, em seu cotidiano. O mundo que o cerca, as pessoas que vê. Analise os hábitos dessas pessoas. Cada um, cada um. Correndo atrás, fazendo a diferença. Note como elas superam as dificuldades.
Neste exato momento, dentro de algum ônibus da cidade de São Paulo, “Alguém” está escutando ( fazendo uma coisa “X” ) música alto, em seu celular. Sem se importar com os outros ( a “comunidade” ) e, se seu ato está lhes incomodando. Cada um, cada um. “Alguém” aliás, está sentado num banco onde, bem acima dele, está colado um adesivo em que se diz ser proibido o uso de aparelhos sonoros dentro do veículo, de acordo com uma lei de 1965. Uma lei, aliás, promulgada antes mesmo do nascimento de “Alguém”.
O inútil adesivo, situado acima da cabeça de Alguém, custou dinheiro. Que entrará no custo do preço das passagens.
Como também entra no custo das passagens a tinta amarela com a qual são pintados os bancos reservados para idosos, gestantes e pessoas com necessidades especiais. Pinta-se desta cor, uma parte do banco, para lembrar aos demais passageiros, que aquele local deverá ser ocupado por alguém nessas condições, exceto quando estiver ausente ( óbvio ); para reforçar o aviso, também foram colocadas placas no interior dos ônibus. Não é por falta de aviso que os passageiros utilizariam esses bancos diante da presença, por exemplo, de um idoso. É por falta de caráter, mesmo. Ah!! E recordando: tinta amarela e placas custam dinheiro, nunca é demais lembrar.
Mas você ainda não chegou a seu destino. E agora, se encontra na plataforma de uma estação do Metrô. O trem chega e pára. Você se prepara para subir. Se postou do lado direito da porta, onde está colada a SETA VERDE.
Abrem as portas e antes mesmo de botar o pé próximo à entrada, é atropelado por uma manada descontrolada que veio em sua direção!!! O quê houve??!
Simples. A manada saiu pelo seu ( teu ) lado, contrariando a convenção. Se estivesse de olhos abertos, e não caído ao chão tentando lutar por sua vida, teria visto que outra convenção fora quebrada: pessoas entravam nos vagões, só que pelo lado esquerdo, mesmo com a SETA VERMELHA a tentar botar-lhes juízo na cabeça.
Entretanto você conseguiu, a muito custo, entrar no vagão. O banco CINZA ( pintado nesta cor para designar uso preferencial, igual aos ônibus, e para as mesmas pessoas ) está ocupado por uma loirinha de cabelo alisado, tendo um óculos escuro gigantesco a cobrir-lhe a cara quase por inteiro, bem garota de programa, mesmo. As sacolas indicam que fez compras no shopping. Tipo, puta que quer pagar de dondoca da Oscar Freire. O diabo se disfarça, minha filha, mas o rabo ( e que rabo, heim, minha filha? ) aparece. Nem que seja pelos maus modos.
Enquanto isso, uma velhinha cega, sem uma das pernas, tenta se equilibrar, de pé no vagão. E a putinha segue ouvindo o MP3, confortável.
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O mesmo desconforto para descer do vagão, como foi para subir. Depois, você se dirige à escadaria que dá para a saída da estação. O povo também. Você toma o lado direito da escada ( fixa ), para subir na manha o primeiro lance. E é atropelado por um grupo de adolescentes-mutantes-gigantes com camisteas do Objetivo que, a despeito da placa amarela ( que pede para que utilizemos o corrimão do lado direito, e é o que você está fazendo ), vem em sua ( tua ) direção contrária, pelo seu ( teu ) lado direito ( e esquerdo deles; mas tanto faz pois “cada um, cada um” ).
No segundo lance de escadas ( rolante, desta vez ) você pega o corrimão esquerdo, para subir andando. O lado direito ficaria ( se depender da placa amarela ) para quem quiser ficar parado, sendo conduzido pela escada. O esquerdo ficaria para quem quiser exercitar as pernas ou está com pressa. Mas o lado esquerdo está obstruído por uma multidão à sua frente: o rapaz do celular no busão, a putinha do Metrô e os adolescentes do Objetivo, que empacaram todos na escada, impedindo você de se apressar.
“MORAL DA HISTÓRIA: o próprio povo se encarregou de promover suas próprias mudanças nas leis, códigos e convenções; placas, avisos, cores diferentes, faixas restritivas, adesivos, tudo isso caiu em desuso e não possuem maior significado. As leis somente são burladas por existirem.
Esta é a mesma natureza dos impostos, a partir da visão de quem sonega.
O melhor que o poder público, nas suas áreas de responsabilidade, se conforme e deixe de despender os vultosos recursos na confecção dos mencionados avisos e placas, pois não surtem o menor efeito, e representam descomunal gasto para o bolso dos contribuintes. Se o adesivo que diz ser proibido ouvir aparelho sonoro no busão custa R$ 0,01, ainda assim está superfaturado, já que é um gasto tolo e sem probabilidade de resultados. Agora falta apenas cair em desuso a lei que proibe fumar no busão.
Mas tal mudança virá do povo mesmo.




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