ENCALHE

maio 16, 2008

Márcio Pochmann defende imposto sobre grandes fortunas

Um imposto para grandes fortunas – Diário do Comércio/SP – 16/05
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, defendeu ontem a criação de um imposto sobre grandes fortunas como caminho para reduzir a desigualdade social. “Há um estoque de fortuna no Brasil que não é tributado”, disse. Pelos cálculos do economista, a riqueza no País é quatro vezes maior que o Produto Interno Bruto (PIB). Caso fosse tributada com um alíquota de 1%, geraria uma receita de R$ 100 bilhões ao ano.
De acordo com o economista, nações com nível de desigualdade maior que o Brasil já criaram tributos do gênero.
“É muito difícil ter um país menos desigual quando o sistema tributário não é justo”. Na opinião de Pochmann, a criação de um imposto para as grandes fortunas tornaria o País menos dependente dos tributos indiretos, que incidem sobre o consumo. Em estudo apresentado ontem, a participação desses tributos foi reduzida de 46,41%, em 1995, para 40,5%, em 2007. Mesmo assim, continua alta, contribuindo para o aumento da desigualdade.

novembro 5, 2007

O Brasil tem mais a ganhar com acidentes de helicópteros do que com os de avião. Pergunte-me como.

Leia as matérias ( algumas antigas, é verdade, mas a distribuição de renda do Brasil permanece quase igual, há 500 anos, então… ) a seguir e veja o perfil dos passageiros ( digamos, mais claramente, os proprietários ) de helicópteros.
Trânsito nos céus
Frota de helicópteros cresce 20% ao ano graças a executivos dispostos a investir milhões de dólares para fugir do trânsito
Revista Época
10/07/2000
A grandiosidade de São Paulo atingiu o espaço aéreo. A cidade é a primeira no mundo em horas de vôos de helicópteros e ostenta a terceira frota do planeta. Os que podem preferem o ar a enfrentar 120 quilômetros diários de congestionamento nas ruas. É o caso do leiloeiro Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro, de 50 anos. Morador de Alphaville, condomínio a 20 quilômetros da capital, trabalha em Guarulhos, a 44 quilômetros dali. Investiu US$ 900 mil na compra de um Jet Ranger há quatro anos. Gasta 12 minutos no trajeto. De carro, levaria pelo menos uma hora. “Tenho de andar rápido, sou um prestador de serviços“, justifica.
Economizar tempo e fugir dos congestionamentos motivaram outros ricos e famosos a adotar o transporte aéreo. Com uma dose adicional de incentivo – evitar os seqüestros. Foi o que fez o empresário Abílio Diniz, dono da cadeia de supermercados Pão de Açúcar. Seqüestrado em 1989, costuma locomover-se pelo ar. O helicóptero, adquirido em nome da empresa, é utilizado também por parentes e amigos. Na semana passada, por exemplo, foi emprestado por João Paulo Diniz, filho de Abílio e dono de restaurantes, à top model Gisele Bündchen, sua ex-namorada. Ela o usou para evitar atrasos durante as concorridas aparições no MorumbiFashion, o maior evento de moda no país.
A geografia paulistana facilita os vôos dos aparelhos. A visão da cidade é ampla. A vantagem impulsiona o mercado. Cerca de 180 novas aeronaves somam-se à atual frota a cada 12 meses. O negócio é dominado por três empresas: a Helibrás, única montadora brasileira, a Audi Helicópteros, revendedora da americana Robinson, e a Líder Táxi Aéreo, representante da Bell. Da frota brasileira de 900 helicópteros, parte é composta do modelo Esquilo, montado pela Helibrás. Custa cerca de US$ 1,5 milhão. Um dos mais caros é o Dauphin, fabricado pelo consórcio franco-alemão Eurocopter. Nove deles sobrevoam os céus brasileiros. Valem, em média, US$ 6 milhões. Servem a uma casta dourada de empresários, como o investidor Jorge Paulo Lemann, o principal acionista do Garantia Partners, um banco de investimentos. O modelo mais sofisticado é o Sikorsky S76, avaliado em US$ 7 milhões. Há apenas três no Brasil, um deles em nome do banqueiro Júlio Bozano.
Espaço aéreo
O ranking das cidades com o maior número de aeronaves no mundo
Nova York: 2.000
Tóquio: 700
São Paulo: 450
Los Angeles: 250
Os altos valores em trânsito alimentam a oferta de trabalho no setor. Em 1999 foram cadastrados 230 novos pilotos privados e 90 comerciais no Departamento de Aviação Civil, órgão do Ministério da Aeronáutica responsável pela fiscalização do espaço aéreo. O aperfeiçoamento é atividade cansativa. São quatro meses de curso teórico, seguido de uma maratona de aulas práticas. Para tirar o brevê, o aviador privado precisa somar 35 horas no ar, e o comercial 100. Allan Totti Dias, de 23 anos, 120 horas de vôo, garante que o esforço de quase dois anos compensa: “Já tenho um bom salário”. O comandante Milton José Teixeira Rangel, proprietário da Tecplan, a maior escola de pilotos de helicópteros do Brasil, informa que o salário inicial vai de R$ 3.500, para os que controlam um Robinson R44, a R$ 12 mil, para os especialistas no Dauphin. Os números de pousos e decolagens de helicópteros confirmam o sucesso. Variam entre 350 e 400 por dia no Campo de Marte, em São Paulo. Em feriados prolongados, 120 aparelhos pousam no Rio de Janeiro. As ágeis aeronaves movimentam-se com preferência sobre os balneários de Angra dos Reis e Búzios. A socialite Vera Loyola não as dispensa depois que teve o pai e o filho seqüestrados. A apresentadora Xuxa Meneghel corta os céus para cumprir compromissos sociais e de trabalho. Usou uma delas para escapar do assédio da imprensa depois de submeter-se a uma plástica em São Paulo.Na capital paulista, empresários e banqueiros circulam nos ares entre a Avenida Paulista, as indústrias do ABC, o litoral e Campinas. Michel Klein, diretor e herdeiro das Casas Bahia, leva apenas nove minutos de casa, em Alphaville, a São Caetano do Sul, onde fica seu escritório. Helipontos não faltam. Há 81 na capital paulista. No país são 470. Pousos e decolagens tornaram-se parte da rotina do Rio e de São Paulo. Já não despertam a atenção nem levantam olhares curiosos para o céu.
Passageiros ilustres
Jogadores de futebol e políticos somam horas de vôo de helicóptero
Ronaldo
O atacante da Inter de Milão recupera-se, no Brasil, de uma cirurgia no joelho. Para evitar o assédio de fãs e garantir a privacidade, costuma voar
Romário
O jogador do Vasco recorre às aeronaves para ir aos treinos ou passar fins de semana na casa de veraneio em Angra dos Reis. Chegou a fazer um curso de pilotagem, mas não tirou o brevê
Fernando Henrique
O presidente da República costuma locomover-se nos aparelhos para cobrir trajetos curtos entre compromissos oficiais e viagens de descanso no sítio ou na praia

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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