ENCALHE

abril 10, 2009

O MUNDO DE PONTA-CABEÇA: EPIDEMIA DE DENGUE NA OSCAR FREIRE!!!

GUIÁ GUIÁ GUIÁ!!!
Êita que eu jamais pensei que fosse ver isso um dia. Saiu a seguinte queixa ontem, na seção “A cidade é sua” ( Ahã… ) do caderno Cotidiano da Folha. Não saiu como notícia, é bom que se diga, o que me deixa deveras intrigado: será que a população paulistana, incluindo a dos bairros menos favorecidos pela Sorte, não tem o direito de saber que a famosa rua das grifes, localizada no bairro que deu as maiores aclamações eleitorais a Kassab e Serra ( de 70 a 80% dos votos, coisa que nem Hugo Chávez consegue, pô! ), também é frequentada por gente de carne e osso – como eu e vocês – e, assim, suscetível a mazelas terceiro-mundistas como a dengue?
Olha, gente fina da Oscar, seguinte: tem uma tia minha, benzedeira, que faz uma garrafada de ervas que vocês saram rapidinho. Qualquer coisa, tamos aí. Ela mora no Jardim do Carvão, perto de Guaianases. Mas vocês tem que ir lá falar com ela pessoalmente, e levar um carretel de linha de costura branca.

PREFEITURA DESCONHECIA CASOS DE DENGUE NA OSCAR FREIRE, DIZ LEITORA
A prefeitura desconhecia uma sucessão de casos de dengue na rua Oscar Freire, nos Jardins ( zona oeste de São Paulo ), afirma a publicitária Ana Lúcia Antonini – ela própria uma das infectadas.
Ela disse ter sido tratada com negligência quando foi visitada por uma equipe de combate à dengue da Secretaria Municipal de Saúde. Na ocasião, já estava com alguns dos sintomas da doença – forte cansaço, calafrios e febre alte. “Quando eu disse estar com febre e de cama, que não poderia recebê-los, o rapaz simplesmente me disse: ‘Leia o panfleto que deixei na sua caixa de Correios, por favor’.” O rapaz lhe explicou que no dia seguinte haveria uma nebulização na rua.
No dia seguinte, Ana Lúcia soube pela vizinhança de um SURTO DE DENGUE NA REGIÃO – OITO PESSOAS HAVIAM SIDO CONTAMINADAS E 14 ESTAVAM SOB SUSPEITA em um período de 15 dias, no mês de março. “E os agentes não me avisaram de nada disso. Nada consta no site da Zoonose.”
“Um absurdo surreal”, a dengue de Ana Lúcia foi diagnosticada mais tarde – a primeira suspeita era virose.
RESPOSTA: As ações de dengue não foram desencadeadas imediatamente porque o diagnóstico inicial da leitora na rede médica era de virose, dia a Secretaria Municipal de Saúde. Quando um caso é confirmado, como ocorreu na vizinhança de Ana Lúcia Antonini, começa o bloqueio – nebulização com inseticida – diz a secretaria. Ao mesmo tempo, a pasta passa a buscar por outros casos e, se for preciso, amplia as ações de bloqueio.
Nessa hora só consigo pensar numa coisa: Marta, querida, você que está aí em Paris, toma uma tulipa de champanhe por mim, por favor. Você merece…

março 26, 2008

Dengue cresceu 100% no Rio enquanto caiu 40% no país

Hora do Povo
25/03/08
“Em todo o país, nós conseguimos baixar os índices da doença, e só no Rio houve crescimento”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Vereadores do Rio acusam a Prefeitura de desviar recursos destinados ao combate a dengue. Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde afirma que agentes de combate ao mosquito foram demitidos por denunciar más condições de trabalho
O governo federal anunciou uma série de medidas emergenciais, que envolvem a criação de um gabinete especial, a contratação de pessoal especializado e o auxílio das Forças Armadas para ajudar o Rio de Janeiro a combater a epidemia de dengue, que infectou 2.053 pessoas só nos últimos dois dias na capital. As vítimas da dengue, a maioria crianças, lotam os hospitais públicos e particulares, e enfrentam filas de espera de até 5 horas.
“Em outubro de 2007 eu alertei que o Brasil tinha um quadro de epidemia de dengue e mostrei preocupação especial com o Rio de Janeiro”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. “Em todo o país, nós conseguimos baixar os índices da doença, e só no Rio houve crescimento”, esclareceu o ministro, informando que houve uma redução de 40% na incidência da doença no país este ano enquanto na capital fluminense o aumento foi de 100% em relação ao mesmo período do ano passado.
DESVIO DE VERBA
Um relatório da Comissão de Saúde da Câmara Municipal do Rio, que será encaminhado ao Ministério Público nos próximos dias, denuncia o desvio dos recursos repassados pelo Ministério da Saúde à Prefeitura do Rio para o combate a dengue. O relatório aponta que a Prefeitura recebeu R$ 18,1 milhões do Ministério na rubrica “Teto financeiro de vigilância em Saúde”, que se destina ao combate e prevenção de doenças infecciosas. “Apenas 12 milhões foram liquidados pela Prefeitura, sendo que metade desse valor não foi direcionado para a dengue”, denunciou o vereador Carlos Eduardo, presidente da Comissão.
Segundo o relatório dos vereadores, houve “desvio de finalidade” e esses recursos foram usados para a compra de ambulâncias e para contratos de serviço de limpeza hospitalar, mesmo com fortes indícios de que uma epidemia de dengue estaria prestes a se alastrar pela capital.
Na última sexta-feira, o Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde do Rio de Janeiro acusou a Prefeitura da capital de ter demitido agentes que trabalhavam no combate ao mosquito na Zona Oeste, uma das regiões mais atingidas pela dengue na capital. Segundo o Sindicato, os agentes foram demitidos por liderarem protestos e denúncias contra as más condições de trabalho.
Através de nota divulgada na última semana, o Ministério da Saúde também afirmou que “um dos problemas enfrentados no Rio de Janeiro é a baixa implementação das equipes de saúde da família e a desestruturação da atenção básica”. Segundo o Ministério, as equipes de saúde familiar cobrem apenas 8% da população do município, um dos índices mais baixos do país.
RECORDE DE SERRA
Desde o início de janeiro, a epidemia já atingiu 23.555 pessoas no município do Rio, causando 30 mortes. Com isso, o Estado tem agora um total de 32.615 casos e 48 mortes. O número de casos é alto, porém não chega perto do total registrado em 2002, quando o Rio enfrentou a pior crise de dengue da sua história, com um recorde de 138.027 casos.
Em 2002, dois anos após a demissão de 5.500 mata-mosquitos promovida pelo então ministro da Saúde José Serra, o Brasil chegou a registrar 794 mil casos de dengue num único ano. Além das demissões, Serra descentralizou o controle da dengue, que era feito pela Funasa, e o repassou aos municípios. O resultado foi que os casos no Brasil saltaram de 180 mil – quando Serra assumiu a pasta – para 794 mil no final de 2002, com 2.714 casos de dengue hemorrágica e 150 mortes em função da doença num único ano.
FALTOU PREVENÇÃO
José Gomes Temporão afirmou que o número de mortes ocorrido pela dengue no Rio está “completamente fora do que nós consideramos que seria razoável”. Para ele, “as explicações são múltiplas. O fato de os vírus 2 e 3 estarem circulando e atingindo principalmente as crianças é um fator; o de termos muita chuva e calor no Rio é outro; e a desorganização e baixa qualidade da rede de atenção primária, no Rio, é um. A estratégia, agora, é melhorar o atendimento.”
O Ministério da Saúde ressaltou que “se tomados os devidos cuidados, o índice de mortalidade é praticamente nulo. Em 2007, no município de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, houve uma incidência da doença tão grave quanto a que está ocorrendo no Rio de Janeiro. Ocorreu apenas um óbito porque a qualidade do atendimento primário em Campo Grande era muito boa, principalmente pela cobertura do Programa Saúde da Família. E eram os mesmos tipos de vírus circulando”.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, atribuiu à Prefeitura o agravamento da situação. Durante a inauguração das tendas de emergência que vão administrar soro para pacientes com dengue, Sérgio Cabral afirmou que “o trabalho preventivo é um trabalho tipicamente municipal. No ano passado, a Prefeitura de Campo Grande enfrentou a epidemia da dengue com honra e competência e, esse ano, não temos a crise lá”, disse. E ressaltou quer, no caso da Prefeitura do Rio, faltou “trabalho preventivo durante o ano inteiro”.

janeiro 23, 2008

Adib Jatene discorre sobre a febre amarela e cita equívocos

Filed under: Adib Jatene, Aedes Aegypti, Dengue, epidemias, febre amarela, Fiocruz, OMS, vacinas — Humberto @ 5:48 pm
Em artigo publicado na Folha de S. Paulo desta terça-feira, o médico e ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, fala sobre os equívocos na abordagem da febre amarela. “A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz a disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade”, diz num trecho.
Leia a íntegra:
Febre amarela
ADIB D. JATENE
NO PERÍODO em que estive à frente do Ministério da Saúde, tomei conhecimento da importância da relação entre dengue e febre amarela silvestre e o eventual risco da reurbanização desta última. Desde 1942, não ocorreu nenhum caso de febre amarela urbana. Entretanto, persiste, e é impossível eliminar, sua forma silvestre. É por essa razão que o Ministério da Saúde vem vacinando sistematicamente toda a população das áreas de risco, onde há ocorrência de casos humanos, adquiridos sempre nas áreas de mata. Já vacinamos, nos últimos 12 anos, mais de 60 milhões de pessoas.
Nas matas, existe alta concentração de mosquito transmissor e animais, principalmente macacos, portadores do vírus. Daí o risco de pessoas não vacinadas incursionarem em regiões com alta concentração de mosquito, onde alguns estão contaminados e, por isso, são capazes de transmitir a doença. Assinale-se que, nos últimos 12 anos, tivemos 349 casos confirmados, com 161 óbitos, todos adquiridos por pessoas não vacinadas que freqüentaram áreas de mata.
A incidência desses casos variou de ano a ano. Tivemos anos com apenas três casos, enquanto em outros, como 1999, 2000 e 2003, ocorreram, respectivamente, 76, 85 e 64 casos, com mortes de 29, 40 e 23 pacientes.
Por que com essas três centenas e meia de casos, em doze anos, não tivemos transmissão urbana, já que, nas cidades, existe o Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela?
As razões são três: em primeiro lugar, o número de doentes com febre amarela silvestre no mesmo espaço urbano e ao mesmo tempo é muito pequeno, o que reduz significativamente a chance de infectar o mosquito Aedes aegypti; em segundo lugar, é preciso alta concentração de mosquito, ao redor de 40% de infestação, o que corresponde a 40 habitações em cada 100 com a presença do mosquito, segundo a OMS, para que seja possível a transmissão da febre amarela; e em terceiro lugar, porque temos altos índices de cobertura vacinal na área endêmica, portanto, sem susceptíveis em número suficiente para sustentar uma transmissão.
A concentração do Aedes aegypti nas cidades brasileiras onde ocorre a dengue não ultrapassa, em média, 5 domicílios infestados em cada 100, suficiente para transmitir a dengue devido ao número alto de doentes, mas absolutamente insuficiente para transmitir a febre amarela urbana. Os que retornam às cidades afetados pela febre amarela silvestre são hospitalizados e têm desenlace, seja para cura, seja para óbito, em prazo relativamente curto.
Não há, portanto, nenhuma razão para vacinar as pessoas que não residem em área endêmica nem pretendem adentrar a mata dessas áreas. Vi na televisão pessoas que sempre residiram na cidade de São Paulo e que não pretendem viajar desesperadas, em filas para se vacinarem, alegando que tinham direito*. Certamente não tinham necessidade e se expõem aos efeitos adversos de uma vacina com vírus vivo.
Nos últimos quatro anos, foram registrados pelo sistema de informação de efeitos adversos pós-vacinação 478 casos (muito mais que os 349 casos de febre amarela registrados em 12 anos), desde reações simples até exantemas generalizados, febre alta e, em dois casos, meningite.
Em relação à vacina contra a febre amarela, a Fiocruz é, praticamente, a única produtora em todo o mundo. Há só um outro laboratório privado no exterior, produzindo cerca de 5 milhões de doses por ano, enquanto a produção da Fiocruz é o dobro.
A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela **reduz sua disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade. Diante da imunização da quase totalidade da população de áreas de risco, o que vem sendo feita há décadas, as recomendações do Ministério da Saúde são suficientes, ratificadas por especialistas e pela própria OMS, para garantir que o país não corre risco de reintrodução de febre amarela urbana, o que seria catastrófico.
Em um país em que freqüentemente se busca desmoralizar iniciativas governamentais, disseminando desconfiança na palavra oficial, que se preserve a seriedade com que são tratados assuntos como a febre amarela. Nunca é demais ressaltar a luta por recursos para o setor, seriamente afetada pela decisão -inegavelmente democrática, mas, sem dúvida, perversa- que permitiu retirar R$ 40 bilhões destinados a atender a população de baixa renda e entregá-los a empresas e parcelas da população mais bem aquinhoadas, causando sério risco ao esquema financeiro para o setor.
ADIB D. JATENE , 78, cardiologista, é professor emérito da Faculdade de Medicina da USP e diretor-geral do Hospital do Coração. Foi ministro da Saúde (governos Collor e FHC), secretário da Saúde do Estado de São Paulo (governo Maluf) e diretor do InCor.
INFORMES PT
*Aquilo que Adib Jatene não quis dizer, por se tratar de uma pessoa elegante ( só que EU não sou ) mas está escancarado: “direitos” surgem do nada, como esse de tomar vacinas aos montes e sem necessidade, até a morte…
Como há gente burra e egoísta neste país. Desinformada e burra. Consumista e burra.
E, como de costume, costumam fazer notar sua presença maciça em São Paulo.
A informação preciosa que dr. Jatene dá é a seguinte: a Fiocruz é a quase-única e a maior do mundo na produção de vacina contra a febre amarela. Só que poucos darão atenção e a devida importância a esse fato.
** Há pirão suficiente, mas quem não precisa dá cotovelada na boca de quem precisa. Quem ainda pensa em “Revolução” neste país, “união do povo” e blablabla?
( Humberto )

outubro 16, 2007

Dengue matou 45 e acidentes do trabalho 2.708 em 2005

DIA “D ” ACIDENTÁRIO
(*) Adir de Souza
O acidente de trabalho matou 60 vezes mais que a dengue e esclarecemos que estes dados são dos trabalhadores com carteira assinada sem contar o setor informal, que gera mais mortes e acidentes de trabalho. Desde 1970 até 2005 ocorreram 139.046 mortes por acidente do trabalho no Brasil. A economia brasileira perde ao ano 30 bilhões de reais com acidente de trabalho. As campanhas para a dengue estão em todo lugar do país. Até onde não existe a doença, ou seja, o mosquito não chegou lá e não tem nenhum caso de dengue, você vai num posto de saúde e tem um cartaz da dengue, vemos na televisão, no radio, nos jornais, e porque não se fala dos acidentes do trabalho, com esta mesma força e freqüência. Não é uma critica ao trabalho de prevenção da dengue e sim uma constatação, pois acredito que não deve morrer cidadãos de dengue e muito menos por acidente de trabalho que mataram em todo o país 2.708 trabalhadores em 2005. Para a dengue existe verba do Ministério da Saúde, que vai direto para as prefeituras efetuar o trabalho que é de prevenção. Para os acidentes do trabalho não existe verba para nada. O próprio Ministério da Saúde, que deveria implantar os Centros Referência de Saúde do Trabalhador, não destina verbas e nem fiscaliza a implantação destas políticas nos Estados e Municípios. O Ministério do Trabalho (e não é neste governo foi sempre assim) não tem um tostão, as Delegacias Regionais em todos os Estados não têm veículos e diárias para enviar auditores fiscais para efetuarem o seu trabalho. Para a pesquisa na área da saúde temos várias instituições, institutos e laboratórios que contam com recursos públicos. Na área do trabalho só existe a Fundacentro, que ficou mais de 15 anos sem concurso e não tem dinheiro para nada. A maior entidade de pesquisa na área de saúde ocupacional da América Latina possui um capital de conhecimento enorme com a maioria dos seus servidores com mestrado e doutorado, e uma das maiores bibliotecas da América Latina, só que esta em estado de sucateamento. Acredito que quem atua nesta área tem que começar a divulgar que os acidentes e doenças relacionadas ao trabalho podem ocorrer em breve com os ricos, com grandes empresários, com diretores de empresas e intelectuais, políticos, que irão morrer por acidentes do trabalho, e que existe um vírus que causa os acidentes do trabalho chamado ignorância, falta de educação, cidadania. Afinal é absurdo ninguém dar importância para esta tragédia. A notificação da dengue é maravilhosa, existem formulários adequados, os agentes de saúde e os servidores da vigilância sanitária do Ministério da Saúde dos Estados e municípios são treinados. As notificações dos acidentes do trabalho são sonegadas, muitas empresas não querem preencher a CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho) e na grande maioria dos postos de saúde de nosso país, não existe um formulário adequado para preencher e notificar os casos de acidentes do trabalho. Dia-D – Neste ano, o Dia D, de Combate à Dengue, será o próximo dia 18. O Dia D é uma data escolhida pelo Ministério da Saúde para chamar a atenção da sociedade para o problema e incentivá-la a combater o mosquito. Também tem o objetivo de alertar os prefeitos, que recebem verbas específicas do Ministério da Saúde e são os responsáveis diretos pelo controle da doença. O sonho de milhares de Técnicos de Segurança do Trabalho, engenheiros, médicos, enfermeiros e vários pesquisadores, servidores do próprio Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Fundacentro em todo país é que recebam recursos e crie também o Dia D, de combate aos acidentes e doenças relacionados ao trabalho. Só a prevenção resolve para termos locais de trabalho digno e trabalho decente.
(*) Adir de Souza é Presidente do SINTESPAR – Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado do Paraná
Defesa do Trabalhador
15/09/2007

maio 23, 2007

Números da dengue

Filed under: Dengue — Humberto @ 7:47 pm
Saiu no dia 22, nos jornais, que o número de casos da dengue registrados na Capital, bateu o recorde de 2003, que foi de 760 casos durante o ano inteiro. Em 2004, foram apenas 10 casos
Números da Secretaria Municipal da Saúde, mostrados pelo Jornal do Commercio, contabilizam que, até 16 de Maio – ou seja, cinco meses – , foram confirmados cerca de 835 casos no município.
Os distritos administrativos ( acho que de Saúde Municipal ) que mais foram afetados pela doença são Raposo Tavares, Campo Limpo e Penha.
A explicação dada pela coordenadora do programa municipal de Vigilância e Controle da Dengue, Bronislawa de Castro, para o aumento de casos neste ano é emblemática: questão climática e a “propagação do mosquito em locais de urbanização precária e alta densidade populacional”; isso quer dizer que, ao invés de dizer a causa, ela apenas nos deu a constatação dos locais onde isso está ocorrendo ou seja, a conseqüência. Além do mais, falou o óbvio.
Números que faltam
Deve estar disponível no site da SMS, mas trata-se aqui, dos números dados pelo jornal retrocitado. Não foi mencionado o número de mortos até o momento.
Em 21 de Abril, o jornal DCI deu a mesma notícia, mas apontou que o número de mortes no Estado por dengue hemorrágica , de janeiro a abril, foi o mesmo registrado durante o ano todo de 2006: sete mortes.
Já a Folha de 08 de Abril, entrevistou um infectologista, Luiz Jacinto da Silva, professor da Unicamp. Ele disse, entre outras coisas, que “estamos observando um aumento dos óbitos por dengue” e “atendendo casos mais complicados da doença do que nos anos anteriores”; que existem três tipos de vírus disponíveis no mercado, e que isso resulta em formas mais agressivas da doença, na medida em que as pessoas são contaminadas por um e depois por outro tipo.
Na opinião do especialista, é besteira essa história de compor uma brigada anti-dengue, quando a doença já se espalha e se torna epidêmica. Segundo ele, o que funciona é um trabalho permanente e sistemático de controle da dengue.

maio 7, 2007

Cuidando da dengue

Filed under: bairros nobres, César Giobbi, classe-média paulistana, Dengue — Humberto @ 2:07 pm

Essa é muito boa: o glorioso César Giobbi noticiou, em sua mais-que-obrigatória coluna publicada diariamente no Estadão, que uma amiga dele:

- jornalista;
- residente no Alto de Pinheiros;
- e, afinal, amiga do César Giobbi,
é mais uma vítima da não-oficial e não-reconhecida pelo governo estadual epidemia de dengue que, supostamente, assola o Estado de São Paulo.
Claro que uma suposta epidemia de dengue não é nada, se comparada com os estragos causados pelo apagão aéreo do governo Lula.
Mero acaso ou alguém estaria colocando em prática a idéia sugerida neste blog, de promover o aumento do bioterrorismo mundial, plantando e ajudando a disseminar a dengue nos bairros “bem” da Capital, só por maldade e diversão?

abril 24, 2007

FHC: "PSDB tem que defender a classe média"

Filed under: Dengue, FHC, PSDB, Rio Grande do Sul — Humberto @ 3:25 pm
Até que enfim!!!
Agora já dá para saber qual que é a do cara.
Tal protocolo de intenções foi proferido no XX Fórum da Liberdade, em Porto Alegre.
Aliás, por falar nisso, no Rio Grande do Sul administrado também pelo PSDB, está ocorrendo uma epidemia de dengue.
Talvez seja o caso deste partido substituir o tucano pelo Aedes Aegypti como seu símbolo.

abril 17, 2007

BIOTERRORISMO!!!!!

Filed under: Aedes Aegypti, Dengue, socialites — Humberto @ 1:51 am
” Alô, queridos!! “

É isso mesmo!!!
Até que está bem fácil, viu?
Não precisamos mais de cobertores e mantas contaminados pela varíola. E nem de envelopes com algum pòzinho branco, imitando o Antrax ( lembram da capa do Agora, dizendo que acharam um pó suspeito na Móoca? Farinha usada para fazer pastaciutta, bello!! ).
Faz até lembrar aquela história que diz que, para um ninja, basta um clip de papel e terá em mãos uma arma letal. Quê? Ah, não são os ninjas? São os marines? Bom, tanto faz.
Olha só a lista de objetos que podem ser transformados em canais para a disseminação da peste em bairros elegantes. Notemos que trata-se de simples e inocentes vasilhames e utilidades domésticas, e que podem ser “esquecidos” em locais de razoável concentração de pessoas, com alguma água ( não muita, que temos de economizar, olha o Aquecimento Global, hein? ) :
- garrafas
- cuias
- potes
- cumbucas
- jarros
- taças de champagne
- ânforas
- caveiras
- marmitas
- vasos
- copos
- jarras
- demais recipientes, contanto que sirvam de reservatório para pequenas quantidades de água e depositório de ovos do mosquito Aedes Aegypti.
E torcer para que alguma socialite seja contemplada com uma picadura que a deixe acabada na cama, mas não do tipo que ela está acostumada: sem vantagem pecuniária alguma.

abril 16, 2007

Acho que sei o que fazer quanto à questão da pandemia de dengue escondida pelos jornais…

Filed under: ônibus, Dengue, Estadão e JT, jornais, José Serra, Kassab — Humberto @ 2:44 am

Simples:
Começarei a esquecer pneus, latas e garrafas, além de vasos e panelas velhos cheios de água nas proximidades das redações dos jornais e revistas que atuam como relações públicas do Serra. Haja garrafa.
Mas acho que não terei dificuldade, já que os lixeiros estão em estado de apagão. Pensando melhor terei, isso sim, dificulade em me transportar aos locais, já que não tenho carro, não sei dirigir, e não há ônibus circulando suficientemente, algo como um estado de semi-apagão.
E, não percam:

“WITH A LITTLE HELP FROM MY PAPER FRIENDS”
É isso mesmo!!!
Leram, por acaso as manchetes do Estadão e do JT?
Os funcionários públicos destroem o caixa do Estado e os professores da rede municipal causam desgraças na rede de ensino, por faltarem de propósito, só para fazer greves comunistas!!!
Comentarei em breve mas, antes, vou ter uma com meu Consultor em Educação, o Prof. Corujinha, que me abastece de informações sobre o sistema de ensino e as teorias pedagógicas.
Não falo sobre o que não sei.

Até logo, queridos!!!

abril 10, 2007

Homens mordem cães, mais do que nunca, mas isso não está sendo mais considerado notícia

Filed under: Dengue, jornais, José Serra, Kassab, SPTrans — Humberto @ 2:45 am
Centenas de acidentes envolvendo ônibus e vans na Capital. Dezenas de mortos. Culpam a “alta velocidade de certos motoristas”. Desculpa esfarrapada. Para que isso viesse a ocorrer e piorar, foi preciso que eles constatassem a via totalmente livre para a transgressão e a direção perigosa ( ou perigosíssima ), sem ações coercitivas por parte da municipalidade. Não é de hoje que eu venho falado. Há uma caixa-preta na SPTrans, doidinha para ser aberta, mas não há quem se disponha a fazê-lo. E não há jornal que se disponha a investigar, da forma que faria caso a prefeitura estivesse ocupada por Marta. Existem relações entre familiares de Gilberto Kassab ( no caso, seu irmão ) e empresas de ônibus da Capital. Blindagem mais resistente que a dos ônibus.
Dengue dobra o número de casos em poucos dias. Já há indícios de transmissão possível, não mais apenas pelo aedes aegypt, mas por mosquitos ou pernilongos comuns. E esses desgraçados escondendo tudo isso atrás do suposto apagão aéreo.

março 31, 2007

Os vôos devem ser interrompidos e impedidos de ocorrer. É nossa vida que está em perigo !!!

Filed under: avião, Dengue — Humberto @ 1:41 am

É isso mesmo !!!

Enquanto a veja ( um dos poucos boicotes que posso fazer contra a revista é passar a escrever seu nome com “e” minúsculo, sem referências ao cérebro de quem a leva a sério ) bota um imbecil de classe média na capa, parecendo um terrorista suicida cristão ( talvez desejoso de mostrar serviço ao Papa que está vindo em breve ) prestes a atacar o Irã antes de Bush, outros vôos estão causando a maior repercussão, porém não merecem figurar nas páginas da prestigiosa, a julgar pelo silêncio da revista, mesmo estando o Estado de São Paulo sob ataque aéreo cerrado.

Até quando??
Acorda, Brasil !!!

( Putz, que ridículo !!! )

Panorama da Dengue
No mundo
A dengue é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um dos principais problemas de saúde pública do mundo.
A OMS estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectam anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue.
No Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, os casos chegam a 70 mil, sendo 50 mil no Estado de Mato Grosso do Sul, principalmente na capital Campo Grande.
No Estado de São Paulo
• O número de casos de dengue saltou para 7.808. Ao menos duas pessoas foram infectadas pela dengue hemorrágica – variação da doença que pode levar à morte.
• O volume de casos nas seis primeiras semanas de 2007 foi de 4.304. No mesmo período em 2006 foram 2.013.
• O número de infectados pode chegar a 100 mil até o final do ano.

[ Alguns dados da dengue, elaborados pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo ( CRF-SP ). ]

março 25, 2007

Acho que encontrei a resposta para o sentido da vida.

Filed under: Dengue, Imobiliárias, trânsito — Humberto @ 3:56 am
Juninho, um aluno de uma dessas escolas caras, tipo Dante, surgindo em uma banca de jornais, acompanhado pela mãe, naqueles 4 X 4 do tipo Troley, não sei se é essa a marca.
E pede para o comerciante um jornal ou revista, em que tenha algum texto sobre o aquecimento global, esse assunto aí que está na moda.
A professora pediu para fazer um trabalho, que vale boa nota, e o garoto quer passar de ano. Tem que fazer um trabalho bem bonito, com fotos, gráficos, capa criada no computador. E FODA-SE O CONTEÚDO !!!
Enquanto o jornaleiro, pacientemente, mostra para o garoto algumas publicações, a mãe começa a escolher algumas revistas para ela mesma. E também vai levar alguma coisa para o marido.
Quatro Rodas – claro ! – pois a família quer trocar de carro ainda neste ano; a Veja… a Caras… a Casa Cláudia, pois já está na hora de renovar a decoração…algumas revistas de moda e comportamento feminino, tipo Elle, Estilo e Vogue. Mas quer voltar logo para o carro, pois está o maior calor e lá dentro tem ar-condicionado ( remédio ideal para afastar o desconforto do aquecimento do planeta ) .
Enquanto isso, e sem a menor relação com os personagens acima, Vanessa está no bote perto da Facú, com a galera, tomando várias brejas ( e, daqui a pouco um beise e, talvez, sexo) , o bar está lotado, o pessoal animado. Alguns estão no 3º. ano de Jornalismo ou de Marketing, e já descolaram um estágio. Com isso, puderam comprar uma caranga. Outros pegaram uma moto. Todos os aqui presentes têm celular, e como conversam animadamente a cada vez que o aparelho toca.
Mesmo que não tenham percebido e, política partidária à parte, o país ( pelo menos para eles ) está passando por um período legal. Muitos deles são filhos de empresários da construção civil, ou do ramo imobiliário, incorporadoras e empreiteiras ( setores que estão arrebentando e fazendo dinheiro, muito dinheiro ) . Alguns desses empresários têm participações acionárias nas empresas concorrentes ou estão juntos em consórcios que controlam rodovias, as reformam e exploram o pedágio, um negócio sem riscos e muita grana de retorno.
Alguns dos estudantes fazem planos para o intercâmbio que farão na Austrália, Inglaterra ou Canadá. Para aprender outro idioma. Por enquanto, vão curtindo a vida.
Em outro local e sem relação alguma com os personagens já apresentados, Renatinho, outro garoto de um colégio particular tem uma tarefa semelhante ao do garoto do aquecimento global. Só que o trabalho escolar que este deve fazer tem como tema a Dengue.
E vai procurar algo na banca, junto com a mãe – que vai aproveitar e comprar a Quatro Rodas para o marido e a Cláudia para si.
O garoto pegou duas revistas e um jornal. Bastante informação para o trabalho ficar legal. Tem que ficar legal, pois passou o bimestre todo jogando Winning Eleven e esqueceu de estudar. Mas não só. O prédio onde mora tem, como anexo, um parque público que a incorporadora anunciou como exclusividade para quem comprasse uma unidade do novíssimo empreendimento estilo clássico. E o garoto tem passado bastante tempo no parque privativo da família, esquecendo de estudar. O trabalho sobre a dengue tem que ficar bem legal.
Clarisse Sabáto , que não conhece nenhum dos personagens acima, é proprietária de uma griffe localizada na região da Oscar Freire. Fã de Lú Alckmin, este ano Clarisse mandou confeccionar, para brindar seus clientes, agendas exclusivas produzidas por uma ONG a partir de papel reciclado. Compromisso ambiental e responsabilidade social são muito importantes hoje em dia.
Zezé, mosquito da espécie Aedes Aegyipt, acabou de picar o braço de Renatinho contaminando-o com o vírus da Dengue. Após dois dias de uma febre horrorosa e hemorragias pustulentas Renatinho, que acabou levando B+ no trabalho sobre a Dengue, morrerá.
Vanessa, jovem e com um futuro brilhante pela frente, bebeu demais no bote da Facú, fumou uma ponta, saiu dirigindo assim mesmo, passou no vermelho e, enquanto falava no celular, chocou-se com o carro em que estavam Juninho e sua mamãe. Todos os três morreram.
A mãe de Renatinho, ainda sob o estado de luto pela morte do filho, saiu às compras para amenizar a dor. Em seu roteiro do luxo, entrou na boutique de Clarisse Sábato para provar uns sapatos exclusivos. Clarisse ofereceu-lhe o mimo, a agenda de papel reciclado que a mãe de Renatinho começou a folhear.
“11 de Setembro – pensou – era o dia do aniversário do meu filhinho…”
E começou a chorar, no que foi confortada pela dona da boutique.
As pessoas devem ser solidárias na dor do próximo.
Enquanto isso o pai de Renatinho, também inconsolável, pega a Veja e procura informações sobre viagens. Quer levar a esposa a uma tour pelo Nordeste, para tentar esquecer um pouco da morte do filho.
Só que as notícias não são animadoras: o chamado “apagão aéreo” continua, conforme a capa da revista informa. O pai desabafa, para si mesmo:
“Esse país está um horror !!! Nem avião a gente pode pegar mais !!”

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