ENCALHE

abril 2, 2009

"Milagre" pós-1964 concentrou renda em período de expansão econômica

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O período militar de 1964 a 1985 abrigou grandes contradições na sociedade brasileira, como a modernização da economia a custo do agravamento da desigualdade social. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os 20% dos brasileiros mais pobres tinham 3,9% do total da renda nacional em 1960. Vinte anos depois, em 1980, esse mesmo um quinto da população concentrava apenas 2,8% de toda a renda produzida no país.
Em 1974, após o chamado “milagre econômico”, o salário mínimo tinha a metade do poder de compra de 1960. Nos anos do milagre (1968 a 1973), a taxa de crescimento econômico ficou em torno de 10%, com picos de 14%, e a indústria de transformação expandiu quase 25%.
As contradições econômicas de um país que ficava mais rico e a população mais pobre têm explicações políticas, avalia o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. “A ausência de democracia impossibilitou haver pressão de baixo. A política autoritária acabava consagrando os resultados econômicos.”
Para a economista Leda Paulani, da Universidade de São Paulo (USP), os momentos de maior crescimento econômico são propícios para expansão do emprego e da renda, “porque a demanda por trabalho é muito alta, não há risco de desemprego”. A ditadura, no entanto, impediu essa associação virtuosa ao reprimir a organização política e a luta sindical. “Os trabalhadores não podiam lutar por maiores fatias do bolo, os sindicatos estavam amordaçados”, lembra.
Leda assinala que “as condições econômicas para o milagre foram colocadas no período anterior à ditadura”, referindo-se à capacidade instalada da indústria e ao contexto da economia internacional. Em sua opinião, o milagre melhorou em termos absolutos a situação de setores que tiveram acesso ao crédito. “O crescimento por si só era bom. O crédito acabava melhorando a vida material. Mas ,em termos relativos ,as desigualdades se aprofundaram nos estratos mais pobres. Não se aproveitou aquele momento de crescimento para resolver a desigualdade distributiva.”
Segundo Pochmann, no golpe militar de 1964 [assim como na Revolução de 1930] predominou uma convergência política em torno do crescimento econômico, como mecanismo de postergar as soluções dos problemas sociais e de manter a concentração patrimonial e a desigualdade de renda. “O crescimento era uma convergência que impedia a oposição frente aos resultados sociais insatisfatórios e à própria ausência de democracia.”
“Os ministros da economia eram pessoas muito elitistas, pensaram o desenvolvimento econômico por meio da liderança de certas elites estratégicas. No caso do campo, virou agrobusiness, no caso da indústria, foi a consolidação [do mercado de bens de consumo] e a abertura para o exterior”, complementa Benício Schmidt, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB).
Conforme Schmidt, a escolha pelo crescimento sem distribuição de renda teve conseqüências econômicas e sociais bastante graves. “Hoje ,nossa economia está praticamente monopolizada, fruto dessa acumulação concentrada. É claro que isso aí não gerou os empregos que deveria, não ajudou a renda como deveria e trouxe muitos problemas. Não serviu para pressionar o sistema educacional para atender uma demanda que nunca existiu. Isso tudo foi acumulando e deu no que deu: uma das concentrações de renda mais altas do mundo”, lamenta.
Além da questão econômica e social, o cientista político faz a ligação entre o modelo econômico e a repressão durante a ditadura. “A elite militar estava sustentada no empresariado, com grandes conexões internacionais. Um número reduzido de empresários que financiaram a Operação Bandeirantes (Oban)”, diz, referindo-se à formação paramilitar dos órgãos de repressão em São Paulo, financiada por grandes empresas, inclusive multinacionais, para combater a resistência à ditadura.
“Os empresários financiaram o golpe de Estado e com ele expandiram muito seus negócios, tiveram nos militares uma grande segurança, um grande guarda-chuva de proteção”, avalia Schmidt.

dezembro 4, 2008

"Constituição Cidadã, 20 anos ", por Jasson de Oliveira Andrade

A Constituição brasileira completou este ano, 2008, vinte anos de sua promulgação pelo então presidente da Constituinte, Ulysses Guimarães, em 5 de outubro de 1988. A Assembléia Nacional Constituinte foi convocada em junho de 1985, por mensagem (emenda) do presidente José Sarney e eleita em novembro de 1986. Nos dois anos de tramitação, houve debate entre o Centrão (conservadores) e parlamentares progressistas. Carlos Marchi, no texto “A Carta que blindou a democracia brasileira” (ESPECIAL, Estado de S.Paulo, 2/10/2008), revelou: “No começo dos trabalhos, em fevereiro de 1987, a esquerda – que tinha muitos aliados encastelados no PMDB – conseguiu impor seus interesses graças à eleição do deputado Mário Covas como líder da bancada do partido e à indicação do senador Fernando Henrique para redigir o regimento da Carta. Covas nomeou gente de esquerda para dirigir as comissões; Fernando Henrique elaborou um regimento que neutralizava a vantagem numérica da centro-direita [Centrão]”. O jornalista constata como era essa vantagem: “O PMDB elegeu 302 parlamentares (54% do plenário); seu aliado preferencial, o PFL, hoje DEM, fez 133; reunidos os dois sócios da Aliança Democrática dominavam 80% da ANC [Assembléia Nacional Constituinte]. Os partidos de esquerda juntos tinham 9,5%”. Daí a importância de Mário Covas. Acompanhei atentamente esse debate, tendo mesmo escrito, naquela época, vários artigos para jornais da região, analisando tópicos discutidos na Constituinte. Na maioria deles, com críticas ao Centrão.
Carlos Marchi, no citado texto, escreveu: “Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la nunca”, disse o deputado Ulysses Guimarães, no dia 5 de outubro de 1988, no histórico discurso com que declarou promulgada a Constituição Cidadã. Vinte anos depois, a frase de Ulysses soa profética. O País atravessou os últimos 20 anos sem sofrer qualquer ameaça de fratura institucional, a despeito de ter processado um impeachment [impedimento do presidente Fernando Collor] e ter sido governado por todos os quadrantes do arco ideológico. A Constituição gera controvérsias até hoje. Muita gente a critica, mas todos lhe reconhecem passagens memoráveis. Ninguém a afrontou”. Uma das críticas à Constituição é ser ela detalhista. O jurista Célio Borja discorda, afirmando: “De forma alguma [a Constituição brasileira é excessivamente detalhista]. Gostamos muito de falar mal de nós mesmos, mas no mundo ocidental é mais ou menos o mesmo. Todas as Constituições feitas após a 1ª Grande Guerra são extensas”.
Ulysses Guimarães se tornou conhecido como “Senhor Constituinte”. Na oportunidade, ele, simultaneamente, presidiu a Câmara dos Deputados, a Constituinte, o PMDB e, eventualmente, a República – substituiu 22 vezes o titular, José Sarney, informam João Domingos e Carlos Marchi. Os mesmos jornalistas revelam o que aconteceu com ele quatro anos após promulgar a Constituição (5 de outubro, é bom lembrar): “Em 12 de outubro de 1992 – seis dias depois de completar 76 anos (…) – o helicóptero em que viajava com a mulher, dona Mora, o ex-senador Severo Gomes e a esposa dele, Maria Henriqueta, caiu no oceano, perto de Paraty (RJ), durante uma tempestade. O corpo de Ulysses nunca foi encontrado”. Já os outros corpos foram localizados! Um fato ligado à região: Carlos Nelson Bueno, prefeito reeleito de Mogi Mirim, em 2008, na época era suplente de deputado federal e ocupou a vaga deixada com a morte de Ulysses.
O “Senhor Constituinte” teve um fim trágico. Pelo que fez pelo Brasil merecia um destino melhor, como ser presidente da República, que tentou, mas não conseguiu: ficou em 7º lugar, com 3.204.853 votos. Collor, eleito, teve seis vezes mais. E deu no que deu!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Novembro de 2008

outubro 16, 2008

Em espanhol: Russia enviará 8 observadores para supervisionar as eleições americanas.

Filed under: democracia, Eleições americanas, EUA, IBLNews, Rússia — Humberto @ 1:40 am
Rusia enviará ocho observadores a las elecciones estadounidenses
15/10/2008
IBLNEWS
Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y legislativas en Estados Unidos en el marco de la misión de la Oficina de Defensa de la Democracia y los Derechos Humanos (ODHIR), anunció hoy el Ministerio de Asuntos Exteriores ruso. “En conformidad con la invitación por parte de Estados Unidos difundida por la OSCE, Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y al Congreso del 4 de noviembre”, precisó el portavoz oficial de la Cancillería rusa, Andréi Nesterenko.
Los observadores rusos llevarán a cabo sus funciones entre el 15 de octubre y el 10 de noviembre como parte integrante de la misión de supervisión de la ODHIR, organismo dependiente de la OSCE, agregó.”Esta misión tiene un estatus limitado y no contempla la observación sistemática de la propia votación ni del escrutinio”, subrayó.
Agregó que la ODHIR tenía intención de enviar cien observadores a las elecciones estadounidenses, pero que finalmente la cifra asciende únicamente a 48 personas.

Em espanhol: Russia enviará 8 observadores para supervisionar as eleições americanas.

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Rusia enviará ocho observadores a las elecciones estadounidenses
15/10/2008
IBLNEWS
Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y legislativas en Estados Unidos en el marco de la misión de la Oficina de Defensa de la Democracia y los Derechos Humanos (ODHIR), anunció hoy el Ministerio de Asuntos Exteriores ruso. “En conformidad con la invitación por parte de Estados Unidos difundida por la OSCE, Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y al Congreso del 4 de noviembre”, precisó el portavoz oficial de la Cancillería rusa, Andréi Nesterenko.
Los observadores rusos llevarán a cabo sus funciones entre el 15 de octubre y el 10 de noviembre como parte integrante de la misión de supervisión de la ODHIR, organismo dependiente de la OSCE, agregó.”Esta misión tiene un estatus limitado y no contempla la observación sistemática de la propia votación ni del escrutinio”, subrayó.
Agregó que la ODHIR tenía intención de enviar cien observadores a las elecciones estadounidenses, pero que finalmente la cifra asciende únicamente a 48 personas.

Em espanhol: Russia enviará 8 observadores para supervisionar as eleições americanas.

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Rusia enviará ocho observadores a las elecciones estadounidenses
15/10/2008
IBLNEWS
Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y legislativas en Estados Unidos en el marco de la misión de la Oficina de Defensa de la Democracia y los Derechos Humanos (ODHIR), anunció hoy el Ministerio de Asuntos Exteriores ruso. “En conformidad con la invitación por parte de Estados Unidos difundida por la OSCE, Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y al Congreso del 4 de noviembre”, precisó el portavoz oficial de la Cancillería rusa, Andréi Nesterenko.
Los observadores rusos llevarán a cabo sus funciones entre el 15 de octubre y el 10 de noviembre como parte integrante de la misión de supervisión de la ODHIR, organismo dependiente de la OSCE, agregó.”Esta misión tiene un estatus limitado y no contempla la observación sistemática de la propia votación ni del escrutinio”, subrayó.
Agregó que la ODHIR tenía intención de enviar cien observadores a las elecciones estadounidenses, pero que finalmente la cifra asciende únicamente a 48 personas.

Em espanhol: Russia enviará 8 observadores para supervisionar as eleições americanas.

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Rusia enviará ocho observadores a las elecciones estadounidenses
15/10/2008
IBLNEWS
Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y legislativas en Estados Unidos en el marco de la misión de la Oficina de Defensa de la Democracia y los Derechos Humanos (ODHIR), anunció hoy el Ministerio de Asuntos Exteriores ruso. “En conformidad con la invitación por parte de Estados Unidos difundida por la OSCE, Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y al Congreso del 4 de noviembre”, precisó el portavoz oficial de la Cancillería rusa, Andréi Nesterenko.
Los observadores rusos llevarán a cabo sus funciones entre el 15 de octubre y el 10 de noviembre como parte integrante de la misión de supervisión de la ODHIR, organismo dependiente de la OSCE, agregó.”Esta misión tiene un estatus limitado y no contempla la observación sistemática de la propia votación ni del escrutinio”, subrayó.
Agregó que la ODHIR tenía intención de enviar cien observadores a las elecciones estadounidenses, pero que finalmente la cifra asciende únicamente a 48 personas.

Em espanhol: Russia enviará 8 observadores para supervisionar as eleições americanas.

Filed under: democracia, Eleições americanas, EUA, IBLNews, Rússia — Humberto @ 1:40 am
Rusia enviará ocho observadores a las elecciones estadounidenses
15/10/2008
IBLNEWS
Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y legislativas en Estados Unidos en el marco de la misión de la Oficina de Defensa de la Democracia y los Derechos Humanos (ODHIR), anunció hoy el Ministerio de Asuntos Exteriores ruso. “En conformidad con la invitación por parte de Estados Unidos difundida por la OSCE, Rusia enviará ocho observadores para supervisar las elecciones presidenciales y al Congreso del 4 de noviembre”, precisó el portavoz oficial de la Cancillería rusa, Andréi Nesterenko.
Los observadores rusos llevarán a cabo sus funciones entre el 15 de octubre y el 10 de noviembre como parte integrante de la misión de supervisión de la ODHIR, organismo dependiente de la OSCE, agregó.”Esta misión tiene un estatus limitado y no contempla la observación sistemática de la propia votación ni del escrutinio”, subrayó.
Agregó que la ODHIR tenía intención de enviar cien observadores a las elecciones estadounidenses, pero que finalmente la cifra asciende únicamente a 48 personas.

julho 26, 2008

Trechos de duas entrevistas: Fernando Morais e Carlos Lessa

Em vermelho, trechos que merecem certa atenção, concorde-se ou não com os entrevistados.
CARLOS LESSA à ISTOÉ ( ed. 2017, 02.07.08 )
(…)
ISTOÉ – O sr. ficou surpreso com as denúncias que envolveram recentemente financiamentos do BNDES?
Lessa - Duvido que essas coisas tenham acontecido. A estrutura de decisão e de operações do banco tem uma quantidade muito grande de filtros. Para haver corrupção, tem de corromper de cima a baixo. Por exemplo, todo o pleito passa pela comissão de prioridades, que é formada por todos os superintendentes do banco. E a decisão final é da presidência do banco. Vai ver que tem firma de consultoria vendendo o que não tem para entregar.
(…)
ISTOÉ – Mas a ministra Dilma Rousseff tem chances, apesar de todo o tiroteio contra ela, antes do início da campanha?
Lessa - Qualquer um que não for o nome querido do mercado de capitais e do sistema de bancos vai tomar pancada de todos os lados. A Dilma está apanhando de maneira injusta. Acho que o Palocci é a figura de eleição do mercado. Se não podem fazer o Meirelles candidato a presidente, então que seja o Palocci.
ISTOÉ – Como o sr. avalia as chances do deputado Ciro Gomes, que seria o candidato de seu partido, o PSB?
Lessa - O Ciro seria um bom candidato. Gosto muito da idéia, do ponto de vista regional, de fazer uma aliança que não seja paulista. O Brasil precisa de um candidato que não seja paulista. A “paulistocentria” é excessiva. Gosto muito da idéia de que Minas esteja na composição presidencial. Gosto muito do Aécio, uma pessoa de muito potencial, e gosto muito do Ciro. Se eu fosse Deus e pudesse escolher, comporia uma chapa com os dois. A questão da cabeça de chapa ficaria para depois. Mas sou um ilustre marginal.
ISTOÉ – O senhor votaria no governador José Serra para presidente?
Lessa - Eu gosto imensamente do Serra do ponto de vista pessoal. Inclusive sou padrinho de casamento dele com a Mônica. Estudou economia comigo no Chile nos anos 60. Eu era professor, e ele, aluno. E acho que o Serra não aproveitou o governo de São Paulo para se projetar como um homem da Nação brasileira apesar de ele ser nacionalista ( SIC ). Qual é a posição do Serra sobre a Amazônia? Ninguém sabe. Qual é a posição do Serra sobre a transposição do rio São Francisco? Ninguém sabe. O que ele pensa em matéria de bioenergia?
(…)

ISTOÉ – Qual é a avaliação que o sr. faz do presidente Lula?
Lessa - Acho que o Lula sabe o que é povo. Instintivamente, ele faz gestos e propostas que coincidem com o ânimo popular. Mas ele não sabe o que é nação. Não tem a menor idéia do que é nação e Estado nacional. Prova disso é a inércia do governo diante dos maustratos a cidadãos brasileiros, como se viu recentemente na Espanha. E a política econômica é uma catástrofe. Costumo dizer que o Brasil deixou de ser a República de Empreiteiras para ser o Império dos Banqueiros. E a empreiteira é mais conveniente, porque empurra o País para adiante. O presidente Lula fica deslumbrado pelo aplauso mundial. Ele é aplaudido por quem? Pelos parceiros dos banqueiros brasileiros.
COMENTÁRIO: Brilhante observação de Lessa. O PIG faz de tudo para desqualificar o Lula, mostrando-o como um ignorante ( para deleite de uma classe-média cabotina ), só faltando exigir ao presidente que explique teorias de Física Quântica, mas do Serra… Do Serra não se sabe coisa alguma. É como se ele fosse uma entidade inquestionável, a quem não se deve testar. Qual é a opinião dêle sobre estes temas, feitos por Lessa? E por quê não lhe é perguntado?
FERNANDO MORAES à TOP MAGAZINE ( ed. 115 )
(…)
TOP – E aquele artigo do Jerônimo Teixeira, na vEJA, dizendo que o seu “problema é que você é muito solidário com quem deveria estar na cadeia”?
Moraes - O problema é que a vEJA faz um jornalismo sórdido e seria uma ingenuidade supor que eu iria dar a eles o direito de escolher meus amigos. Se eu vou ou não ser amigo do Fidel [ Castro ] , do Hugo Chávez, do Zé Dirceu, do Evo Morales, do Daniel Ortega… Eu escolho os meus amigos. Eu tenho saudade da vEJA, onde eu trabalhei. Publicamos a 1ª. entrevista que o Fidel deu para uma publicação brasileira depois do golpe de 64 e foi capa.
TOP – O que você acha do jornalismo atual em geral?
Moraes - Um horror, um horror. Eu acho que uma revista tem todo direito de ser um partido político, mas precisa jogar limpo: “Nós somos um partido político de direita, defendemos o capital sobre o trabalho, defendemos os fortes…”. Abre o jogo, não tem problema. Mas tinha a obrigação de dizer isso para o leitor. Como não leio mais a vEJA, ela não entra mais na minha casa… Eu leio os quatro jornais, doi do Rio [ Globo e Jornal do Brasil ] e dois de São Paulo [ Folha de São Paulo e Estado de São Paulo ].
(…)
TOP – E o governo Lula?
Moraes - Foi menos do que eu esperava, mas eu sou lulista ( OBS: Moraes é filiado ao PMDB ). Estou com vontade de fazer uma camiseta: “Fica, Lula”.
TOP – Então você é a favor do terceiro mandato?
Moraes - Eu sou. Sou a favor de quantos mandatos o povo quiser. Sou a favor na Venezuela, porque vou ser contra no Brasil? O povo que decide.
TOP – Mas rotatividade não é boa para [ a ] democracia?
Moraes - É claro que sim, mas quem decide se vai ter rotatividade ou não? O povo que decida. Vocês não queriam a democracia? Democracia é isso, pô!
TOP – Mas você acha que o Lula vai baixar um decreto para o terceiro mandato?
Moraes – Não. Tive uma audiência com ele e saí de lá convencido de que Lula não é candidato. Não está com cara, com jeito de quem está preparando uma armadilha, não.
(…)

julho 14, 2008

Deveria eu votar em alguém?

Filed under: "cidadãos de bem", cabotinismo, democracia, partidos políticos, Política — Humberto @ 7:41 am
Por suas teorias e propostas ( que não entendo de jeito nenhum ), todos os partidos políticos oferecem-nos um mundo melhor. Discordâncias entre as linhas de pensamento partidárias ou ideológicas podem ser entendidas como, apenas, afã em acertar de qualquer jeito, sempre buscando o melhor para o coletivo.
Portanto, estou tentado a pensar, a partir de agora, da seguinte forma: acordos não são execráveis por serem acordos e nem configuram, necessariamente, negociatas corruptas; provavelmente, na democracia direta, a menos que se queira discutir até o dia amanhecer, para continuar no dia seguinte, uma hora as partes deverão chegar num acordo. Ou seja, faz-se acordo, só que a representação é outra, segue-se outra “liturgia”.
Desse modo, com as agremiações todas quase-perfeitas, somente variando o grau de competência e entrega, resta atentar aos membros dos partidos.
Já que os partidos são bons, como explicar o estado de coisas atual? Simples.
Os partidos estão sendo sabotados, a partir de dentro, pelas sementes ruins que neles se filiaram. Usam das estruturas e prerrogativas das agremiações visando apenas o seu ( das sementes ruins ) projeto pessoal. As pessoas ( indivíduos ) corrompem os partidos e, depois, a máquina, quando chegam ao poder.
Oras, já é uma verdade monolítica e de pleno domínio popular que a política é “corrupta”, os políticos são “corruptos”, o Estado é corrupto, os governos são corruptos. Todo mundo concorda. Desde o faxineiro, passando pelo bancário, até chegar aos altos escalões da sociedade. Nisso, todos parecem concordar, driblando a velha luta de classes.
Diante desta fatalidade da qual não há mais saída, por quê alguém, que se considere “limpo” e “honesto”, se credencie a disputar alguma eleição? Pior ainda, se for um iniciante. Quer dizer que, com toda a sociedade reclamando, se indignando, lamentando, praguejando – mas, entendendo se tratar de uma situação da qual não há mais escapatória – e etcetera, e o camarada concorda sem pestanejar, e, ainda assim vai tentar um cargo? Ora, se o sujeito já aceitou que todos são corruptos e que não há forma de se mudar isso, então o que o honestão vai fazer lá, no meio da sujeira? Significa que, mesmo sabendo disso ( e POR ISSO MESMO ), é que nosso amigo vai se candidatar. Primeiro ele se filia, depois rasga a carta de princípios do partido ( qualquer partido que seja ) e vai tentar garantir o seu. Ou, em outras palavras: os partidos não são ruins, eles ESTÃO ruins, apodrecido pelos indivíduos que formam seus quadros.
É por isso que eu não confio no ( s ) meu ( s ) vizinho ( s ), ambicioso ( $ ) e cabotino ( s ). Jamais votaria nele.

julho 8, 2008

Mensagens sobre GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO, por Jasson de Oliveira Andrade

Quando do lançamento do livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, no dia 29 de março, na Livraria Papyrus, recebi uma carta do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), por intermédio de seu assessor José Carlos Colabardini, informando-me: “Impossibilitado de estar presente neste importante evento, quero manifestar minha admiração pela história de compromisso que você tem com o nosso país”. Adiante afirma: “Assim que receber o livro, vou devorá-lo em poucos dias, porque, além de retratar um importante período da história do Brasil, relata a participação de importantes personagens que tive o privilégio de conhecer de perto”.
O escritor de Itapira, Jácomo Mandato, autor de “Joaquim Firmino – O Mártir da Abolição”, que se tornou conhecido no Brasil graças a um artigo do historiador Elio Gaspari na Folha de S.Paulo (23/9/2001), sob o título “A noite brasileira da Ku Klux Klan”, no qual comenta, com destaque, essa consagrada obra, assim se manifestou, em carta, sobre o meu texto impresso: “Li com muito interesse sua obra e fiquei realmente admirado com a destacada participação que você teve nos “tristes anos de chumbo em São João da Boa Vista”! (…) A população da cidade de Guiomar Novaes deve orgulhar de ter em você o narrador daqueles momentos terríveis da vida brasileira!” Outro intelectual, Cícero Alvernaz, de Mogi Guaçu, poeta e cronista dos melhores, escreveu sobre outros depoimentos à respeito de GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO: “A repercussão, mais do que justa, do seu excelente livro é muito gratificante, tanto para o autor quanto para os leitores”. Humberto Capellari, do Blog O CATA-MILHO, testemunhou: “Gostei muito do livro. Parabéns, ficou muito bom. Sem exagero, servirá de referência”. Além dessa opinião, ele escreveu, em seu Blog, dois alentados artigos, analisando o livro. Lamentavelmente, não tenho espaço para transcrevê-los. Mereciam!
Padre Toninho Finotti ( era de Mogi Guaçu e agora se encontra em Santos ) foi o portador para entregar o meu livro a D.David Picão, que faz parte de meu texto ( D.DAVID PICÃO, O BISPO PROGRESSISTA, página 49 ) enviou-me essa mensagem sobre minha obra: “Realmente são memórias que ficarão gravadas para sempre, de um modo especial, por aqueles que ajudaram a construir este “momento de nossa História”. Graças à coragem e determinação de muitos que acreditavam e acreditam, ainda hoje, numa sociedade justa e solidária, que nosso País pode ao longo destes anos, sobreviver às cicatrizes deixadas por um autoritarismo que ultrapassou os limites da liberdade e da vida de tantos cidadãos. (…) Continuo apreciando com carinho a leitura do livro… e já me deparei com algumas surpresas, mas que não me abalam, pois, onde entra o cerceamento da liberdade de expressão, tudo se torna possível… at. Hoje (10/6/2008) entreguei ao Dom David [ Picão ] o exemplar a ele endereçado”.
Houve outras manifestações, que ficarão para outra oportunidade. Sou grato a esses depoimentos, que me emocionaram!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista
Comentário do Humberto: Agradeço a gentileza, Jasson, mas ainda assim acho que os posts ficaram aquém da obra a que se pretendia comentar. E, como prova de que eu não exagerara, ao dizer que seu livro serviria de referência, já me servi de um texto seu, sobre o auxílio do proprietário do Estadão ao Golpe de 64, tendo até redigindo um Ato Institucional “rigoroso demais”. Mais uma vez, parabéns e sucesso!!

julho 3, 2008

Pesquisa revela descrença na democracia; lucro de petrolíferas terá maior taxação. México? Venezuela? Zimbábue? Não: na EUROPA!

Filed under: Alemanha, democracia, Europa, impostos e taxas, pesquisas, petrolíferas, Portugal — Humberto @ 1:47 am
Alemães acreditam cada vez menos na democracia
DW, 30.06.08
Um estudo sobre a credibilidade das instituições políticas revelou que um terço dos alemães não acredita na democracia. Metade dos entrevistados não pretende ir às urnas nas próximas eleições parlamentares.
Cada vez mais alemães perdem a confiança na democracia e cogitam não votar nas próximas eleições parlamentares. Um a cada três não acredita mais que a democracia seja capaz de resolver os problemas do país; nos estados da antiga Alemanha Oriental, a porcentagem dos descrentes chega a 53%.
Isso foi o que indicou uma enquete realizada pela Fundação Friedrich Ebert, associada ao Partido Social Democrata, por encomenda do jornal Tagesspiegel am Sonntag.
Quatro de dez entrevistados duvidam de que a democracia ainda funcione. A conclusão que a metade deles tira disso é que não vale a pena votar: um a cada dois não pretende ir às urnas em 2009 para eleger o novo Parlamento alemão.
Descrédito não apenas entre classes mais baixas
Com auxílio do Instituto Polis/Sinus, de Munique, a fundação social-democrata tenta investigar as razões de tal comportamento. “Temo que um terço das pessoas já tenha descartado a democracia”, declarou Frank Karl, da Fundação Friedrich Ebert ao jornal berlinense.
Na verdade, essa descrença se manifesta sobretudo entre os desempregados e beneficiários da ajuda social. O estudo realizado com 2,5 mil cidadãos alemães revelou, no entanto, que a crença no sistema político diminuiu dramaticamente de uma maneira geral.
“Isso significa que muita gente teme uma queda social e passa a responsabilizar o sistema por isso”, opina o cientista social. “O fracasso pessoal se transforma em afastamento do Estado.”
Apenas 62% dos alemães se sentem tratados de forma justa, enquanto um a cada quatro (26%) reclama e se sente tratado injustamente, resume o jornal.
Reflexo do declínio da social-democracia
A enquete também revela uma crescente descrença em um futuro melhor. Apenas 31% são otimistas em relação ao próximo ano. O resto teme perdas financeiras ou um declínio social.
As instituições mais afetadas por essa perda de confiança são os grandes partidos políticos, na opinião de Frank Karl. “Eles devem mostrar lealdade ao sistema e assim já deixaram de atingir pelo menos um terço da população”, analisa ele.
Em entrevista ao diário Die Tageszeitung, o funcionário da Fundação Friedrich Ebert se mostrou chocado com o resultado. “O mais assustador para mim é o fato de apenas um quarto dos entrevistados ter mostrado disposição de defender nossa ordem social. Um a cada cinco não moveria uma palha para defender a democracia.”
Na opinião de Karl, a confiança na democracia na Alemanha está intimamente ligada ao funcionamento do Estado social: “Quando as pessoas passam a ter a impressão de que este deixou de funcionar, aumenta a dúvida no sistema como um todo”.
Muito dessa descrença Frank Karl atribui à incapacidade dos grandes partidos alemães em contextualizar as reformas sociais pelas quais o país vem passando há anos. Fato é que a grande maioria acha que as reformas não podem continuar nessa velocidade.
Agências (sm)
Imposto sobre os mais-valias das empresas
Correio da Manhã, 02.07.08
Nova taxa sobre lucros das petrolíferas
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou esta quarta-feira que está a ser estudada a criação de uma taxa a aplicar sobre as mais-valias das empresas petrolíferas. O objectivo é obter receita para ajudar as famílias mais carenciadas.
“Pretendemos taxar as reservas das petrolíferas para ter uma fonte de receitas para ajudar as famílias com mais necessidades”, anunciou o Chefe de Governo em entrevista à RTP.
A taxa seria aplicada em sobre o “lucro excessivo” das empresas petrolíferas, já que Sócrates não prevê a possibilidade de baixar o imposto sobre os combustíveis. Mas admitiu que “bem gostaria de reduzir o peso do imposto sobre a gasolina”.
ECONOMIA VAI ABRANDAR
As perspectivas económicas para o próximo ano não são optimistas. Sócrates afirmou esperar um abrandamento, mas recusou que a crise possa significar uma “ruptura iminente”.
“A nossa economia vai passar por um abrandamento, como todas as europeias e dos Estados Unidos, mas o nosso dever é enfrentar com coragem, determinação e ânimo as dificuldades que vamos enfrentar este ano e no próximo”, afirmou na entrevista conduzida por Judite Sousa e José Alberto Carvalho.
“Acho que vamos passar por dificuldades sérias, atingindo todos os sectores da economia. Este ano cresceremos muito menos do que esperávamos”, admitiu, responsabilizando a conjuntura internacional pela crise.
O primeiro-ministro mostrou-se ainda satisfeito por ter descido o IVA num ponto percentual, de 21 para 20 por cento, negando estar arrependido. “Não me arrependo de ter descido o IVA. Pelo contrário, tenho orgulho nisso. São cerca de 200 milhões de euros que ficam na economia portuguesa”, afirmou, considerando que agora há “mais razões para baixar o IVA do que há uns meses atrás”.

fevereiro 5, 2008

"Votar não garante a democracia" , Jim Lobe

Washington, 01/02/2008 (IPS) – O Ocidente, na perseguição de seus objetivos políticos e econômicos, recompensa com freqüência autoproclamadas “democracias” que violam as liberdades civis e políticas, segundo a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW).
Só o fato de realizar eleições não torna democrático um país, alerta a última edição do Informe Mundial da HRW, divulgado ontem na sede dessa organização em Nova York. Mas, tanto Estados Unidos quanto a União Européia usam a existência de eleições para justificar a ajuda e o estreitamento dos vínculos com governos amigos e potencialmente úteis, acrescenta o estudo anual.
“Parece que Washington e os governos europeus aceitam inclusive as mais duvidosas eleições se o vencedor é um aliado estratégico ou comercial”, disse o diretor da HRW, Kenneth Roth, autor da introdução do informe.
“Se os ditadores podem chamar-se a si mesmos de democratas terão adquirido uma poderosa ferramenta para evitar as pressões destinadas a fazer os direitos humanos serem respeitados”, escreveu Roth.
“É hora de adotar uma visão mais ampla da democracia, que incorpore os direitos humanos”, acrescentou.
Um claro exemplo foi o apoio do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em 2007, ao seu colega paquistanês, Pervez Musharraf, a quem definiu como “alguém que acredita na democracia” e reconheceu seu governo por ter colocado o país “no caminho” para esse sistema de governo. Pouco antes, Musharraf havia decretado o estado de emergência, removido os juízes da Suprema Corte e prendido milhares de ativistas da oposição.
“Os líderes do Egito, Etiópia, Cazaquistão e Nigéria se envolvem com o manto da democracia sem que quase exista objeção internacional. Assim, se joga ao chão o conceito de democracia, deixando de lado seu componente de direitos humanos”, afirmou Roth.
O informe analisa a situação em 75 países. Chama particularmente a atenção sobre o agravamento da crise humanitária na Somália e na região de Ogaden, na Etiópia. Também centra sua atenção na contínua violência na ocidental região sudanesa de Darfur, pela qual se responsabiliza o governo de Cartum. O estudo de HRW também analisa a repressão da junta militar da Birmânia contra manifestantes encabeçados por monges budistas, bem como o crescente número de vítimas civis em razão do conflito interno no Sri Lanka.
Segundo a HRW, os jogos olímpicos deste ano, em Pequim, oferecem uma oportunidade ideal para que a comunidade internacional pressione as autoridades chinesas para que melhorem seu histórico em matéria de diritos humanos.
A introdução de Roth reaviva o longo debate entre os defensores dos direitos humanos, que acreditam que seu respeito levará à criação de instituições democráticas e os que afirmam que a realização de eleições é um pré-requisito para conseguir reformas democráticas.
A polêmica começou no início dos anos 80, quando as eleições em El Salvador, afetada por uma guerra civil, foram utilizadas pelo ex-presidente norte-americano Ronald Reagan (1981-1989) como justificativa para as centenas de milhões de dólares, majoritariamente em ajuda militar, que concedeu ao governo desse país. Enquanto isso, as forças de segurança assassinavam opositores, ao ritmo de centenas cadames. Elliott Abrams, que nessa época era subsecretário de Estado para os Direitos Humanos do governo Reagan, atualmente é conselheiro-adjunto de Segurança Nacional para a Democracia Global.
Roth retoma implicitamente o velho debate. Diz que, enquanto o direito internacional conta com códigos que garantem princípios básicos em matéria de direitos humanos como o voto universal, a liberdade de imprensa e de reunião e os direitos das minorias, não existem tratados que estabeleçam as condições para a democracia.
“Os autocratas podem se dar bem montando uma farsa de democracia, porque muitos governos ocidentais se limitam a insistir na realização de eleições, e somente com isso”, destacou Roth.
“Não pressionam os governos em temas fundamentais que fazem a democracia funcionar: uma imprensa livre, o direito de associação e reunião ou a existência de uma sociedade civil que possa realmente desafiar o poder”, acrescentou Roth.
O governo Bush “abraçou a promoção da democracia como uma alternativa mais tímida à defesa dos direitos humanos”, o que tem sua contra-cara em seus próprios antecedentes na matéria, que incluem tortura de presos, negação de hábeas corpus e detenções secretas.Entretanto, os Estados Unidos mantêm, em geral, seus processos democráticos.
Segundo HRW, a justificativa da invasão do Iraque em termos de promoção da democracia deu aos ditadores um novo arsenal de argumentos para resistir diante das pressões das reformas, entre os quais figura o caos desatado pela ocupação militar desse país. De todo modo, a maioria dos autocratas prefere usar o manto democrático através de eleições, cujo caráter fraudulento é fácilmente ignorado pelos governos ocidentais.
O informe menciona os casos de fraude no Chade, na Jordânia, Cazaquistão, Nigéria, Uzbequistão e Zimbábue; controle do aparelho eleitoral no Azerbaijão, Bahrein, Malásia e Tailândia, e travas aos candidatos opositores em Cuba, Bielorússia, Egito, Irã, os territórios ocupados por Israel, Libia, Turcomnistão e Uganda. Outros governos recorreram à violência política (Camboja, Etiópia, Líbano, República Democrática do Congo e Zimbábue), limitaram a liberdade de imprensa e da sociedade civil (Rússia e Túniz) ou prejudicaram o estado de direito para garantir triunfos eleitorais (China e Paquistão).
A reação dos países ocidentais, ou a falta dela, diante destes abusos gerou acusações sobre uma dupla moral. “Os Estados Unidos criticam vigorosamente seus velhos adversários, como Birmânia, Cuba ou Síria, mas eximiram disso aliados como Arábia Saudita, Etiópia ou Túniz, enquanto sua efêmera pressão sobre outros, como Egito ou Jordânia, se desfez”, disse Roth. (IPS/Envolverde) (FIN/2008)
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