ENCALHE

janeiro 2, 2008

2007: Feliz Ano Bom da economia

Opinião por Jasson de Oliveira Andrade
O ano 2007 se encerrou. Com ele, tivemos análises de jornais, a maioria crítico do governo Lula, sobre a economia desse ano que passou. Em editorial sob o título “Ganhos salariais”, o Estadão (10/12) constatou: “Nunca, desde o fim do regime militar, tantos trabalhadores conseguiram reajustes salariais tão satisfatórios como os previstos nos acordos fechados neste ano [2007]. Mais de 90% dos reajustes negociados foram superiores à inflação”.
Dias depois, em 28/12, o jornal, em mais um editorial (“Cresce a massa salarial”) voltou ao assunto, acrescentando: “A massa salarial do Brasil – a soma dos salários pagos aos trabalhadores da economia formal – tem crescido em ritmo acelerado nos últimos anos. Calcula-se que, do início de 2005 até o fim de 2007, o aumento tenha sido de 30% em termos reais. Os ganhos de renda ocorrem em todo o País, mas, em 2005 e 2006, eles foram maiores nos Estados mais pobres; já em 2007, os Estados mais industrializados devem ter puxado o crescimento da massa salarial nacional”. No dia 21 de dezembro, a Folha trouxe essa manchete no caderno DINHEIRO: “Desemprego cai a 8,2%, e a renda sobe”. No entanto, a melhor manchete da Folha, esta na primeira página, foi divulgada no dia 16 de dezembro: “Crescimento tira 20 milhões da classe D/E”. No subtítulo: “Melhoria de vida dos mais pobres se acelerou nos últimos 17 meses, fase de maior avanço econômico”. Na notícia, o jornal revela: “Nos primeiros três anos e meio de governo Lula, iniciado em 2003, 6 milhões de pessoas foram beneficiadas. (…) Já nos últimos 17 meses, PERÍODO DE MAIOR CRESCIMENTO ECONÔMICO ( destaque meu ), a passagem da classe D/E para a C envolveu mais 14 milhões”. Adiante fez ainda essa importante revelação: “Os dados sugerem que, num primeiro momento, foram os programas sociais os responsáveis pela melhoria dos mais pobres. Agora, É O CRESCIMENTO ( destaque meu )”. A Folha não diz, mas o crescimento também beneficiou a classe média!
A Folha, no editorial “Acesso à habitação” (27/12), constatou: “Modernização de regras e redução de juros são essenciais para sustentar a entrada da classe C no mercado da casa própria”. Em Mogi Guaçu, estamos percebendo esse avanço. Vários prédios de apartamentos estão surgindo em nossa cidade. Um exemplo apenas. O Portal das Pedras, perto do Centro Cultural, anos atrás iniciou sua construção e a paralisou, servindo de morada para os “sem casas”. Atualmente, terminou os três conjuntos iniciados e se construíram vários outros. O nosso progresso econômico mais recente, pode-se ver pelo desenvolvimento da Praça Antonio Giovani Lanzi, a praça da Capela, com a instalação de vários bancos e casas comerciais modernas, além de uma filial da Associação Comercial. Até a banca de jornal se modernizou!
Analistas também ressaltaram a economia em 2007. Luís Nassif, em sua Coluna Econômica, afirmou: “Em relação a emprego e rendimento, 2007 foi um ano bastante favorável”. Em artigo (“2007: economia sustenta governo Lula”), Luiz Antônio Magalhães disse: “O ano de 2007 foi extremamente positivo para o Brasil, se o olhar do analista se dirigir à economia nacional”. O economista Pedro de Paulo Brandão, em manchete de um jornal guaçuano, constatou: “2007 foi positivo para a economia”. Gilberto Dimenstein, no artigo “Vou sentir saudades de 2007?”, analisou: “Foi em 2007 que um mestre-de-obras conseguiu ganhar mais de R$ 5.000 mensais e que o mercado disputou um engenheiro, cujo salário duplicou. Foi também em 2007 que melhoraram os rendimentos dos trabalhadores mais qualificados, engrossando a classe média, que nos últimos anos [Era FHC?], só vinha definhando”. Elio Gaspari escreveu uma nota com o título LULA LEVOU: “Lula conseguiu inverter um costume das previsões econômicas. Há mais de uma década, sempre que chegava a hora do balanço, os presidentes (inclusive ele) diziam que o próximo ano “não vai ser igual àquele que passou”. Encerrado um 2007 de êxitos amplos, gerais e irrestritos, agora é a oposição quem diz que 2008 não será igual “àquele que passou”. (Folha, 30/12). Será que não foi por esse motivo que a oposição não aprovou a prorrogação do CPMF? Assim, em 2008, Lula não poderá aplicar R$ 40 bilhões e este ano será, acredita a oposição, pior do que 2007!
O prefeito de Mogi Guaçu, Hélio Miachon Bueno, observou, em sua administração, que a situação econômica melhorou: “Nós tivemos há 20, 30 anos, uma migração violenta de muita gente do Nordeste, Paraná, Minas Gerais. Hoje esse fluxo é menor, a própria Bolsa Família e OS PROGRAMAS SOCIAIS (destaque meu) têm inibido isso”. Sem comentários.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
01/01/2008
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

NOTA DO BLOG: Este é o primeiro artigo de Jasson de 2008 aqui no blog, logo no segundo dia do ano. O homem não deve ter descansado nem na virada !! É isso aí, Jasson. Obrigado por ceder-nos mais este artigo, Feliz 2008, e vamos trabalhar!

maio 31, 2007

Artigos confusos não permitem conclusão alguma. Ou quase.

Caderno de Economia do JB, 20/05/2007.
Mais uma matéria de uma série que propõe abordar o “sufoco” da classe média brasileira.
Um artigo realmente confuso, que surfa em uma infinidade de números, porcentagens e estatísticas relativos a décadas.
A destacar, algumas linhas:
- um economista da USP, Peter Greiner, afirmou que, além dos óbvios não-correção da tabela do IR ( lembram da “ampliação da base de incidência” de FHC? ) e um generalizado e vago “aumento da carga tributária”, a TERCEIRIZAÇÃO do trabalho é um dos fatores que tiram ( tiraram? ) o poder de compra da classe média;
- ainda segundo Greiner, nos últimos anos, o aumento da renda tem se concentrado na população que recebe salário mínimo ( e, suponho eu, aos que recebem seu salário vinculado a ele ) ;
- já Fábio Romão, economista da LCA Consultores destaca que esses ganhos reais do SM registrados nos últimos anos ( aumentos esses, exclusivos no governo Lula, suponho eu ) implicaram em REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA; e que essa melhora da distribuição de renda não se deve apenas ( exclusive ) ao SM mas TAMBÉM às transferências governamentais, tipo Bolsa-Família; observa que a massa ( ? ) de rendimentos das classes D e E tem crescido mais que a da classe C ( classe média ) ; um dado de qualidade duvidosa, é dado por Romão: a redução do peso dos alimentos nos índices de preços teria permitido o direcionamento de parte da renda a bens de consumo duráveis e à educação, mais um efeito benéfico para a classe baixa, que pode gastar sua grana com celulares e MP3 e pagar colégios de reputação questionável e resultados idem;
- os dois economistas enxergam na terceirização, na transformação de pessoa física em jurídica e na informalidade algumas das causas de piora nas condições de vida da classe média; no caso da terceirização, Greiner afirma que os salários se mantém, mas benefícios como planos de saúde são riscados do mapa ou reduzidos, o que acarreta em mais e maiores “despesas”;
- eu lembro que a classe média costuma adorar os discursos de gestores que preconizam a terceirização e a “jurídicação” das pessoas como a salvação de seus empregos;
- infelizmente, para ilustrar a matéria e corroborar sua base, entrevistam uma mulher de classe média que diz ter perdido muito de sua qualidade de vida “nos últimos anos”: ela viajava muito, por exemplo, mas hoje se encontra no balcão do penhor. Conta que a sua situação financeira piorou muito “nos últimos três anos”. Devido a alguma cagada do governo Lula? Até onde enxergo, não. Sua mãe foi acometida de câncer e veio a falecer. A doença e as despesas funerárias apequenaram o orçamento da família. Para piorar seu pai se aposentou, o que, obviamente, contribuiu de monte para a dramática redução material de sua família, levando-os a vender seu carro, um Corsa.
Pegaram um trágico exemplo familiar para ilustrar uma reportagem que pretende fotografar o universo extenso da classe C do país e diagnosticá-lo definitivamente.
Porém, serve muito bem para mostrar o porquê da reeleição de Lula e de sua impopularidade com a classe média invejosa.

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