ENCALHE

março 31, 2009

"White Chrisis": Lula tá certo. Eles que são brancos…

Os novos clientes do FMI são brancos. A área mais conflagrada, desta vez, não é a América Latina, nem a Ásia, nem a África, mas a periferia europeia, como a Lituânia, a Bielorrússia, a Sérvia e a Ucrânia”
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Talvez a primeira coisa a ser respondida seja: qual [ ou melhor: onde ] o epicentro da crise? Estou errado se disser que são os EUA?
A segunda coisa que deve ser respondida, partindo do princípio de que o epicentro da crise foram, inquestionavelmente, os EUA: como “nasceu” essa crise?
Escreveu a Folha, em 13.12.2008:
Bancos de diversos ramos nos Estados Unidos e em outros países, principalmente a Europa, já sofreram prejuízos bilionários e em alguns casos fecharam, desde agosto do ano passado. A partir de setembro deste ano, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, iniciou-se uma crise de confiança que travou o crédito e afetou outros setores da economia –em especial as que possuem vendas muito atreladas a financiamentos, como o automotivo.
A raiz do problema está no mercado de hipotecas norte-americano. O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas “pontocom”, em 2001. O Federal Reserve ( Fed, o BC americano ) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar ( … )”.
Se você disser que todo esse mercado ( financeiro, hipotecas, crédito, sei-lá-o-que ), possui 90% dos quadros dirigentes ocupados por “negros”, “chineses” e “indianos” ou “chicanos”, o mesmo se dando com relação aos postos-chave do governo americano e do Fed, talvez o que o Lula disse pudesse ser altamente questionável. Mas, a geografia física mostra que o país-epicentro da crise são os EUA. Exclui-se, então, o resto do mundo [ OPA! Mantenhamos os britânicos! ] da lista de suspeitos. O que se poderia discutir é: quem manda na grana americana ( além, claro, da China, que financia a dívida americana, de acordo com os herméticos economistas ) envolvida nos tipos de negócios que geraram as bolhas e coisa e tal: são os negros? Os indianos? Os judeus que, como muitos dizem, mandam na grana do mundo todo? Melhor dizer, quem são os que manipularam o capital [ aliás, eu falo como se realmente entendesse do que estou falando... ] que precipitou-nos em direção ao caos?
Um jornal deu um uma lista dos prováveis suspeitos pelo crime:
Jornal lista os 10 maiores “responsáveis” pela crise global
A crise financeira que se agravou no segundo semestre de 2008 [ pois antes disso até houve quem falasse sobre os perigos de uma crise iminente sem, no entanto, despertar a humanidade ] teve muitos motivos, mas todos eles têm por trás pessoas que tomaram decisões importantes nos últimos anos, sem prever o que poderia acontecer. Em busca de “culpados”, o jornal britânico Times sugeriu dez personalidades do mercado financeiro e chefes de governo que teriam maior “responsabilidade” sobre a atual situação econômica.
A lista da publicação abre com o ex-CEO do Lehman Brothers, Dick Fuld, 62 anos [ foto 1 ]. O executivo liderava o banco de investimento em setembro (quando anunciou a bancarrota) e é apontado como um dos culpados por deixar o Lehman altamente exposto às hipotecas de baixa qualidade do mercado. Segundo o Times, Fuld também perdeu oportunidades de vender o banco antes da quebra, o que teria evitado a forte restrição de crédito.
Em segundo lugar, aparece o ex-secretário do Tesouro americano, Henry Paulson [ foto 2 ], que permitiu a falência do Lehman Brothers e arquitetou um plano de resgate ao mercado financeiro no valor de US$ 700 bilhões – sem o efeito desejado.
O ex-presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Alan Greenspan [ foto 3 ], aparece na terceira posição. O economista foi responsável por cortar o juro dos Estados Unidos para próximo do zero, após a tragédia de 11 de setembro de 2001, e inundar o mercado com crédito barato e fácil. Em outubro, Greenspan admitiu que errou por ter acreditado que as instituições financeiras eram capazes de se proteger dos riscos sozinhas.
Para o diário britânico, os diretores da autoridade financeira do Reino Unido, John Tiner [ 4 ] e Hector Sants [ 5 ], foram os quartos maiores responsáveis pela crise. Os dois eram encarregados de fiscalizar os bancos do país e não conseguiram ver que instituições como o Northern Rok estavam muito dependentes de fundos interbancários.
Em quinto lugar, aparece o presidente do Royal Bank of Scotland (RBS), Fred Goodwin, que anunciou na última semana prejuízo de 28 bilhões de libras e pode ser nacionalizado em breve. O executivo assumiu o banco em 2000 e concretizou 26 aquisições em sete anos, no total de 35 bilhões de libras.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, é o sexto da lista. Segundo o Times, o chefe de governo teria previsto a crise há dez anos durante uma palestra em Harvard, mas fez pouco para evitá-la. Brown ainda teria encorajado o aumento dos preços dos imóveis e do spread bancário.
Apenas o sétimo no levantamento do jornal, George Bush foi o governante dos EUA durante o período de crescimento do crédito e da crise do sub-prime, mas não assumiu responsabilidade pela crise. De acordo com o Times, o ex-presidente americano acusou os banqueiros de Nova York pelos problemas econômicos do país.
Diretora da Standard & Poor’s até 2007, Kathleen Corbet seria a oitava maior responsável pela crise. Segundo o jornal, ela liderava uma das agências de risco que não conseguiram prever os efeitos das hipotecas tóxicas no mercado americano. Além disso, é acusada de acreditar nas palavras dos investidores para conceder os ratings de crédito, sem analisar profundamente os riscos.
O ex-presidente da seguradora AIG, Hank Greenberg, aparece em nono na lista por ter permitido o declínio da companhia, que precisou de um resgate de cerca de US$ 150 bilhões do governo americano para manter as operações. Greenberg foi o responsável pela empresa de 1967 a 2005, período em que inseriu a AIG no mundo dos derivativos de crédito.
Angelo Mozilo, ex-diretor da Countrywide (maior financiadora imobiliária dos EUA), encerra a lista de “culpados” do Times. De acordo com a publicação, Mozilo é acusado de empurrar crédito para quem não poderia pagar, enquanto isso recebia um salário anual de US$ 470 milhões.
1. Dick Fuld
2. Henry Paulson
3. Alan Greenspan
4. John Tiner [ Esse tá nas duas listas, sob duas nacionalidades ]
5. Hector Sants
6. Sir Fred Goodwin
Houve outra lista, com os 25 principais responsáveis. Nessa, até o “consumidor americano” figura como um dos suspeitos de ter perpetrado o crime. Vejam: Os 25 principais culpados pela crise global .
De acordo com o texto do bom Sérgio Augusto, “havia gente branca entre os que desencadearam a crise”, mas que não possuíam olhos azuis.
Olhos azuis – completo eu – necessários para se encaixarem nos parâmetros “determinados” pelo Lula. Ou seja, tomando o que o Lula falou no estrito significado, Lula teria excluído todos os outros brancos [ de olhos verdes ou castanhos ] da responsabilidade pela crise. Mas, Lula fez isso? Não. Mas não é uma questão de oftalmologia, né?
Sérgio destaca dois personagens não-brancos que participaram da gestação do monstro: Stanley O’Neal ( negro ) e Vikram Pandit ( indiano ). Uma pesquisa no Google me diz quem são os caras: o Stanley foi afastado da presidência da Merril Lynch em outubro de 2007 ( !!? ) por causa dum prejuízo de U$ 8,4 bi vinculado a títulos e empréstimos enfermos. Quem, aqui no Brasil, e ainda em 2007, falava sobre crise econômica mundial? Acho que só o Belluzo. Oras, eu não acompanho esse tipo de coisa e não vou tentar posar de autoridade sobre um assunto que desconheço mas, fazer como a Época, e mostrar o banqueiro negro para “provar” o desconhecimento de Lula sobre as cores dos executivos não me parece certo. O que foi feito, pelo governo americano, ou sei lá quem seja o responsável, que permitiu que os empréstimos malfeitos pelo O’Neil pudessem contribuir para uma quebradeira geral da economia americana, oficialmente, cerca de 11 meses depois de afastado o presidente da Merryl Lynch? E, lá por 2007, por quê os sabujos que infestam nossos jornais e revistas não alertaram o governo americano para o perigo de uma crise mundial, que seria iniciada a partir do prejuízo de 8 bi da Merryl Lynch? Sobre o indiano do Citigroup, ele entrou como CEO da empresa em dezembro de 2007, em lugar de outro cara que saiu após o banco ter registrado perdas de 10 bilhões de dólares. O Pandit entrou no olho do furacão. O último lucro dessa companhia havia sido no terceiro trimestre de 2007. Sinais de fumaça, mas, até a quebradeira geral ter se oficializado…
Se você pegar a “lista dos 10 mais” da Times, eles não mostram nenhum negro ou indiano. Vai ver, foi nessa lista que o Lula se baseou. Bom, sei lá. O Lula já é macaco velho e sabe lidar com os bafafás.
Os corsários e suas ilhas do tesouro
Em vez de um muro separando EUA e México, melhor seria um túnel até os cofres dos bancos dos paraísos fiscais
Sérgio Augusto
Março chegou ao fim com três peremptórias desautorizações. Hillary Clinton desautorizou a eficácia do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México; Lula, a probidade dos brancos de olhos azuis; e Joseph Stiglitz, a confiabilidade do dólar como moeda corrente nas transações mundiais. As desautorizações de Hillary e Stiglitz procedem. A de Lula, bem, se erguer um muro não é a melhor forma de impedir o tráfico de drogas entre países vizinhos, cometer gafes em foros internacionais também não é o caminho mais aconselhável para a conquista de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU – ou entre os 25 integrantes do Conselho de Coordenação Econômica Global, que Stiglitz, do alto do seu Nobel de Economia, sugeriu seja criado em substituição ao G-20 como parte das possíveis soluções para recuperar a economia nos dois hemisférios. Lula é uma Itaipu de platitudes e metáforas capengas. Depois da marolinha e do ovo sem gema ( ou seja, o comércio mundial ), a expiação pública dos que nasceram brancos e de olhos azuis.
Também havia gente branca de olhos castanhos ou verdes entre os que desencadearam a crise financeira global, mas o presidente preferiu, por motivos óbvios, concentrar toda a culpa no gringo estereotipado. Se mais bem assessorado, saberia que alguns moreninhos e até negros participaram da farra financeira que resultou nisso que aí está. Stanley O’Neal, que torrou US$ 8 bilhões do Merrill Lynch e depois, com uma indenização de U$ 161 milhões no bolso, foi para a direção da Alcoa, é negro. Vikram Pandit, que derrubou as ações do Citibank de US$ 50 para menos de US$ 1, sem perder o emprego, é indiano. Em vez de um muro separando os Estados Unidos do México, há que se pensar numa ponte ou num túnel até os cofres dos bancos e instituições financeiras dos paraísos fiscais. É lá que os barões do tráfico escondem seus ganhos ilícitos. E também os fraudadores, os corsários do sistema financeiro, os ratos da administração pública, os ditadores, os políticos e empresários corruptos. Os bônus milionários da seguradora American International Group? Ninharia perto dos bilhões malocados pela América corporativa na Suíça, em Luxemburgo, Cingapura, nas Bahamas e refúgios financeiros que tais.
Ao criticar a inocuidade dos atuais métodos de combate ao tráfico, Hillary não fez menção direta aos offshore tax havens, mas ela e seu chefe sabem que, se eles continuarem intocáveis, hermeticamente fechados à fiscalização, sem regulamentação de espécie alguma, o tráfico e a crise econômica jamais serão combatidos eficazmente. Pelos dados da controladoria de receitas do governo americano, a quase totalidade das cem maiores corporações do país mantém subsidiárias em países e principados onde os tributos ou são baixíssimos ou inexistem e o respeito ao sigilo bancário é até motivo de orgulho nacional. Só a AIG tem 18 subsidiárias em paraísos fiscais. O grupo Goldman Sachs abriu 3 nas Bermudas, 5 nas Ilhas Maurício e 15 nas Ilhas Cayman. O Lehman Brothers montou 31 nas Ilhas Cayman, onde o Bank of America controla 59 e o Morgan Stanley, 158. Por que, além dessas 158, o Morgan Stanley precisaria de mais 19 (nas Ilhas Jersey), 14 (nas Ilhas Marshall) e 29 (em Luxemburgo)? Os números são espantosos. Só em Cayman o Wachovia tem 16 subsidiárias (mais 3 nas Ilhas Virgens e 18 nas Bermudas). Menos ambicioso, o Countrywide Financial limitou-se a duas filiais em Guernsey, dependência do Reino Unido, a noroeste da França, onde a Polícia Federal jura que Paulo Maluf fez a sua gruta de Ali Babá. Nenhuma outra instituição bate o Citigroup, com 427 representações espalhadas por Luxemburgo, Cayman, Jersey, Bermudas e as Ilhas Channel. Em 2007, os cofres públicos americanos deixaram de arrecadar US$ 100 bilhões, evadidos para os paraísos fiscais. Calcula-se em cerca de US$ 12 trilhões a fortuna em ativos isentos de impostos secretamente guardados em bancos dos cinco continentes. Com um papelório desses, até as falcatruas do Madoff poderiam ser ressarcidas: 230 vezes. Desconfia-se que outras razões, além da burla ao imposto de renda, tenham levado a banca a criar tantas filiais e subsidiárias em paraísos fiscais. Lavagem de dinheiro? Mas isso não é coisa de gângster? Para esclarecer essa dúvida, assim como as que cercam a remessa de dólares das empresas de fachada envolvidas no escândalo da construtora Camargo Corrêa, só investindo na transparência. E para que haja transparência, é preciso acabar com o sigilo bancário. É o que pensa o secretário do Tesouro de Obama, Timothy Geithner, que no início da semana foi ao Congresso vender a ideia de que medidas duras precisam ser tomadas em todo o sistema financeiro, com abrangência mundial, o que inclui, forçosamente, o reajustamento de todas as instituições bancárias a uma regulamentação uniforme. Economia globalizada, crise global, vacina global. Na quinta-feira, no mesmo relatório em que propôs a troca do dólar por uma moeda internacional, a criação do Conselho de Coordenação Econômica Global, com poderes similares ao do Conselho de Segurança da ONU, e um limite ao crescimento desmesurado dos bancos, ao risco financeiro por eles assumido e seu nível de alavancagem, Joseph Stiglitz destacou a restrição a transações com paraísos fiscais como uma medida saneadora fundamental. A Justiça americana conseguiu dobrar o suíço USB, que no mês passado pagou uma multa de US$ 780 milhões e prometeu liberar informações sobre dezenas de milhares de clientes americanos visados pelo fisco. Outras instituições tomaram, de birra, a direção oposta, radicalizando seu “protecionismo”, principalmente nas Ilhas Jersey, Cayman e Guernsey, onde os hedge funds passaram a entrar sem nenhuma restrição. Foi uma declaração de guerra, com vilões bem definidos

"White Chrisis": Lula tá certo. Eles que são brancos…

Os novos clientes do FMI são brancos. A área mais conflagrada, desta vez, não é a América Latina, nem a Ásia, nem a África, mas a periferia europeia, como a Lituânia, a Bielorrússia, a Sérvia e a Ucrânia”
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Talvez a primeira coisa a ser respondida seja: qual [ ou melhor: onde ] o epicentro da crise? Estou errado se disser que são os EUA?
A segunda coisa que deve ser respondida, partindo do princípio de que o epicentro da crise foram, inquestionavelmente, os EUA: como “nasceu” essa crise?
Escreveu a Folha, em 13.12.2008:
Bancos de diversos ramos nos Estados Unidos e em outros países, principalmente a Europa, já sofreram prejuízos bilionários e em alguns casos fecharam, desde agosto do ano passado. A partir de setembro deste ano, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, iniciou-se uma crise de confiança que travou o crédito e afetou outros setores da economia –em especial as que possuem vendas muito atreladas a financiamentos, como o automotivo.
A raiz do problema está no mercado de hipotecas norte-americano. O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas “pontocom”, em 2001. O Federal Reserve ( Fed, o BC americano ) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar ( … )”.
Se você disser que todo esse mercado ( financeiro, hipotecas, crédito, sei-lá-o-que ), possui 90% dos quadros dirigentes ocupados por “negros”, “chineses” e “indianos” ou “chicanos”, o mesmo se dando com relação aos postos-chave do governo americano e do Fed, talvez o que o Lula disse pudesse ser altamente questionável. Mas, a geografia física mostra que o país-epicentro da crise são os EUA. Exclui-se, então, o resto do mundo [ OPA! Mantenhamos os britânicos! ] da lista de suspeitos. O que se poderia discutir é: quem manda na grana americana ( além, claro, da China, que financia a dívida americana, de acordo com os herméticos economistas ) envolvida nos tipos de negócios que geraram as bolhas e coisa e tal: são os negros? Os indianos? Os judeus que, como muitos dizem, mandam na grana do mundo todo? Melhor dizer, quem são os que manipularam o capital [ aliás, eu falo como se realmente entendesse do que estou falando... ] que precipitou-nos em direção ao caos?
Um jornal deu um uma lista dos prováveis suspeitos pelo crime:
Jornal lista os 10 maiores “responsáveis” pela crise global
A crise financeira que se agravou no segundo semestre de 2008 [ pois antes disso até houve quem falasse sobre os perigos de uma crise iminente sem, no entanto, despertar a humanidade ] teve muitos motivos, mas todos eles têm por trás pessoas que tomaram decisões importantes nos últimos anos, sem prever o que poderia acontecer. Em busca de “culpados”, o jornal britânico Times sugeriu dez personalidades do mercado financeiro e chefes de governo que teriam maior “responsabilidade” sobre a atual situação econômica.
A lista da publicação abre com o ex-CEO do Lehman Brothers, Dick Fuld, 62 anos [ foto 1 ]. O executivo liderava o banco de investimento em setembro (quando anunciou a bancarrota) e é apontado como um dos culpados por deixar o Lehman altamente exposto às hipotecas de baixa qualidade do mercado. Segundo o Times, Fuld também perdeu oportunidades de vender o banco antes da quebra, o que teria evitado a forte restrição de crédito.
Em segundo lugar, aparece o ex-secretário do Tesouro americano, Henry Paulson [ foto 2 ], que permitiu a falência do Lehman Brothers e arquitetou um plano de resgate ao mercado financeiro no valor de US$ 700 bilhões – sem o efeito desejado.
O ex-presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Alan Greenspan [ foto 3 ], aparece na terceira posição. O economista foi responsável por cortar o juro dos Estados Unidos para próximo do zero, após a tragédia de 11 de setembro de 2001, e inundar o mercado com crédito barato e fácil. Em outubro, Greenspan admitiu que errou por ter acreditado que as instituições financeiras eram capazes de se proteger dos riscos sozinhas.
Para o diário britânico, os diretores da autoridade financeira do Reino Unido, John Tiner [ 4 ] e Hector Sants [ 5 ], foram os quartos maiores responsáveis pela crise. Os dois eram encarregados de fiscalizar os bancos do país e não conseguiram ver que instituições como o Northern Rok estavam muito dependentes de fundos interbancários.
Em quinto lugar, aparece o presidente do Royal Bank of Scotland (RBS), Fred Goodwin, que anunciou na última semana prejuízo de 28 bilhões de libras e pode ser nacionalizado em breve. O executivo assumiu o banco em 2000 e concretizou 26 aquisições em sete anos, no total de 35 bilhões de libras.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, é o sexto da lista. Segundo o Times, o chefe de governo teria previsto a crise há dez anos durante uma palestra em Harvard, mas fez pouco para evitá-la. Brown ainda teria encorajado o aumento dos preços dos imóveis e do spread bancário.
Apenas o sétimo no levantamento do jornal, George Bush foi o governante dos EUA durante o período de crescimento do crédito e da crise do sub-prime, mas não assumiu responsabilidade pela crise. De acordo com o Times, o ex-presidente americano acusou os banqueiros de Nova York pelos problemas econômicos do país.
Diretora da Standard & Poor’s até 2007, Kathleen Corbet seria a oitava maior responsável pela crise. Segundo o jornal, ela liderava uma das agências de risco que não conseguiram prever os efeitos das hipotecas tóxicas no mercado americano. Além disso, é acusada de acreditar nas palavras dos investidores para conceder os ratings de crédito, sem analisar profundamente os riscos.
O ex-presidente da seguradora AIG, Hank Greenberg, aparece em nono na lista por ter permitido o declínio da companhia, que precisou de um resgate de cerca de US$ 150 bilhões do governo americano para manter as operações. Greenberg foi o responsável pela empresa de 1967 a 2005, período em que inseriu a AIG no mundo dos derivativos de crédito.
Angelo Mozilo, ex-diretor da Countrywide (maior financiadora imobiliária dos EUA), encerra a lista de “culpados” do Times. De acordo com a publicação, Mozilo é acusado de empurrar crédito para quem não poderia pagar, enquanto isso recebia um salário anual de US$ 470 milhões.
1. Dick Fuld
2. Henry Paulson
3. Alan Greenspan
4. John Tiner [ Esse tá nas duas listas, sob duas nacionalidades ]
5. Hector Sants
6. Sir Fred Goodwin
Houve outra lista, com os 25 principais responsáveis. Nessa, até o “consumidor americano” figura como um dos suspeitos de ter perpetrado o crime. Vejam: Os 25 principais culpados pela crise global .
De acordo com o texto do bom Sérgio Augusto, “havia gente branca entre os que desencadearam a crise”, mas que não possuíam olhos azuis.
Olhos azuis – completo eu – necessários para se encaixarem nos parâmetros “determinados” pelo Lula. Ou seja, tomando o que o Lula falou no estrito significado, Lula teria excluído todos os outros brancos [ de olhos verdes ou castanhos ] da responsabilidade pela crise. Mas, Lula fez isso? Não. Mas não é uma questão de oftalmologia, né?
Sérgio destaca dois personagens não-brancos que participaram da gestação do monstro: Stanley O’Neal ( negro ) e Vikram Pandit ( indiano ). Uma pesquisa no Google me diz quem são os caras: o Stanley foi afastado da presidência da Merril Lynch em outubro de 2007 ( !!? ) por causa dum prejuízo de U$ 8,4 bi vinculado a títulos e empréstimos enfermos. Quem, aqui no Brasil, e ainda em 2007, falava sobre crise econômica mundial? Acho que só o Belluzo. Oras, eu não acompanho esse tipo de coisa e não vou tentar posar de autoridade sobre um assunto que desconheço mas, fazer como a Época, e mostrar o banqueiro negro para “provar” o desconhecimento de Lula sobre as cores dos executivos não me parece certo. O que foi feito, pelo governo americano, ou sei lá quem seja o responsável, que permitiu que os empréstimos malfeitos pelo O’Neil pudessem contribuir para uma quebradeira geral da economia americana, oficialmente, cerca de 11 meses depois de afastado o presidente da Merryl Lynch? E, lá por 2007, por quê os sabujos que infestam nossos jornais e revistas não alertaram o governo americano para o perigo de uma crise mundial, que seria iniciada a partir do prejuízo de 8 bi da Merryl Lynch? Sobre o indiano do Citigroup, ele entrou como CEO da empresa em dezembro de 2007, em lugar de outro cara que saiu após o banco ter registrado perdas de 10 bilhões de dólares. O Pandit entrou no olho do furacão. O último lucro dessa companhia havia sido no terceiro trimestre de 2007. Sinais de fumaça, mas, até a quebradeira geral ter se oficializado…
Se você pegar a “lista dos 10 mais” da Times, eles não mostram nenhum negro ou indiano. Vai ver, foi nessa lista que o Lula se baseou. Bom, sei lá. O Lula já é macaco velho e sabe lidar com os bafafás.
Os corsários e suas ilhas do tesouro
Em vez de um muro separando EUA e México, melhor seria um túnel até os cofres dos bancos dos paraísos fiscais
Sérgio Augusto
Março chegou ao fim com três peremptórias desautorizações. Hillary Clinton desautorizou a eficácia do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México; Lula, a probidade dos brancos de olhos azuis; e Joseph Stiglitz, a confiabilidade do dólar como moeda corrente nas transações mundiais. As desautorizações de Hillary e Stiglitz procedem. A de Lula, bem, se erguer um muro não é a melhor forma de impedir o tráfico de drogas entre países vizinhos, cometer gafes em foros internacionais também não é o caminho mais aconselhável para a conquista de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU – ou entre os 25 integrantes do Conselho de Coordenação Econômica Global, que Stiglitz, do alto do seu Nobel de Economia, sugeriu seja criado em substituição ao G-20 como parte das possíveis soluções para recuperar a economia nos dois hemisférios. Lula é uma Itaipu de platitudes e metáforas capengas. Depois da marolinha e do ovo sem gema ( ou seja, o comércio mundial ), a expiação pública dos que nasceram brancos e de olhos azuis.
Também havia gente branca de olhos castanhos ou verdes entre os que desencadearam a crise financeira global, mas o presidente preferiu, por motivos óbvios, concentrar toda a culpa no gringo estereotipado. Se mais bem assessorado, saberia que alguns moreninhos e até negros participaram da farra financeira que resultou nisso que aí está. Stanley O’Neal, que torrou US$ 8 bilhões do Merrill Lynch e depois, com uma indenização de U$ 161 milhões no bolso, foi para a direção da Alcoa, é negro. Vikram Pandit, que derrubou as ações do Citibank de US$ 50 para menos de US$ 1, sem perder o emprego, é indiano. Em vez de um muro separando os Estados Unidos do México, há que se pensar numa ponte ou num túnel até os cofres dos bancos e instituições financeiras dos paraísos fiscais. É lá que os barões do tráfico escondem seus ganhos ilícitos. E também os fraudadores, os corsários do sistema financeiro, os ratos da administração pública, os ditadores, os políticos e empresários corruptos. Os bônus milionários da seguradora American International Group? Ninharia perto dos bilhões malocados pela América corporativa na Suíça, em Luxemburgo, Cingapura, nas Bahamas e refúgios financeiros que tais.
Ao criticar a inocuidade dos atuais métodos de combate ao tráfico, Hillary não fez menção direta aos offshore tax havens, mas ela e seu chefe sabem que, se eles continuarem intocáveis, hermeticamente fechados à fiscalização, sem regulamentação de espécie alguma, o tráfico e a crise econômica jamais serão combatidos eficazmente. Pelos dados da controladoria de receitas do governo americano, a quase totalidade das cem maiores corporações do país mantém subsidiárias em países e principados onde os tributos ou são baixíssimos ou inexistem e o respeito ao sigilo bancário é até motivo de orgulho nacional. Só a AIG tem 18 subsidiárias em paraísos fiscais. O grupo Goldman Sachs abriu 3 nas Bermudas, 5 nas Ilhas Maurício e 15 nas Ilhas Cayman. O Lehman Brothers montou 31 nas Ilhas Cayman, onde o Bank of America controla 59 e o Morgan Stanley, 158. Por que, além dessas 158, o Morgan Stanley precisaria de mais 19 (nas Ilhas Jersey), 14 (nas Ilhas Marshall) e 29 (em Luxemburgo)? Os números são espantosos. Só em Cayman o Wachovia tem 16 subsidiárias (mais 3 nas Ilhas Virgens e 18 nas Bermudas). Menos ambicioso, o Countrywide Financial limitou-se a duas filiais em Guernsey, dependência do Reino Unido, a noroeste da França, onde a Polícia Federal jura que Paulo Maluf fez a sua gruta de Ali Babá. Nenhuma outra instituição bate o Citigroup, com 427 representações espalhadas por Luxemburgo, Cayman, Jersey, Bermudas e as Ilhas Channel. Em 2007, os cofres públicos americanos deixaram de arrecadar US$ 100 bilhões, evadidos para os paraísos fiscais. Calcula-se em cerca de US$ 12 trilhões a fortuna em ativos isentos de impostos secretamente guardados em bancos dos cinco continentes. Com um papelório desses, até as falcatruas do Madoff poderiam ser ressarcidas: 230 vezes. Desconfia-se que outras razões, além da burla ao imposto de renda, tenham levado a banca a criar tantas filiais e subsidiárias em paraísos fiscais. Lavagem de dinheiro? Mas isso não é coisa de gângster? Para esclarecer essa dúvida, assim como as que cercam a remessa de dólares das empresas de fachada envolvidas no escândalo da construtora Camargo Corrêa, só investindo na transparência. E para que haja transparência, é preciso acabar com o sigilo bancário. É o que pensa o secretário do Tesouro de Obama, Timothy Geithner, que no início da semana foi ao Congresso vender a ideia de que medidas duras precisam ser tomadas em todo o sistema financeiro, com abrangência mundial, o que inclui, forçosamente, o reajustamento de todas as instituições bancárias a uma regulamentação uniforme. Economia globalizada, crise global, vacina global. Na quinta-feira, no mesmo relatório em que propôs a troca do dólar por uma moeda internacional, a criação do Conselho de Coordenação Econômica Global, com poderes similares ao do Conselho de Segurança da ONU, e um limite ao crescimento desmesurado dos bancos, ao risco financeiro por eles assumido e seu nível de alavancagem, Joseph Stiglitz destacou a restrição a transações com paraísos fiscais como uma medida saneadora fundamental. A Justiça americana conseguiu dobrar o suíço USB, que no mês passado pagou uma multa de US$ 780 milhões e prometeu liberar informações sobre dezenas de milhares de clientes americanos visados pelo fisco. Outras instituições tomaram, de birra, a direção oposta, radicalizando seu “protecionismo”, principalmente nas Ilhas Jersey, Cayman e Guernsey, onde os hedge funds passaram a entrar sem nenhuma restrição. Foi uma declaração de guerra, com vilões bem definidos

"White Chrisis": Lula tá certo. Eles que são brancos…

Os novos clientes do FMI são brancos. A área mais conflagrada, desta vez, não é a América Latina, nem a Ásia, nem a África, mas a periferia europeia, como a Lituânia, a Bielorrússia, a Sérvia e a Ucrânia”
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Talvez a primeira coisa a ser respondida seja: qual [ ou melhor: onde ] o epicentro da crise? Estou errado se disser que são os EUA?
A segunda coisa que deve ser respondida, partindo do princípio de que o epicentro da crise foram, inquestionavelmente, os EUA: como “nasceu” essa crise?
Escreveu a Folha, em 13.12.2008:
Bancos de diversos ramos nos Estados Unidos e em outros países, principalmente a Europa, já sofreram prejuízos bilionários e em alguns casos fecharam, desde agosto do ano passado. A partir de setembro deste ano, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, iniciou-se uma crise de confiança que travou o crédito e afetou outros setores da economia –em especial as que possuem vendas muito atreladas a financiamentos, como o automotivo.
A raiz do problema está no mercado de hipotecas norte-americano. O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas “pontocom”, em 2001. O Federal Reserve ( Fed, o BC americano ) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar ( … )”.
Se você disser que todo esse mercado ( financeiro, hipotecas, crédito, sei-lá-o-que ), possui 90% dos quadros dirigentes ocupados por “negros”, “chineses” e “indianos” ou “chicanos”, o mesmo se dando com relação aos postos-chave do governo americano e do Fed, talvez o que o Lula disse pudesse ser altamente questionável. Mas, a geografia física mostra que o país-epicentro da crise são os EUA. Exclui-se, então, o resto do mundo [ OPA! Mantenhamos os britânicos! ] da lista de suspeitos. O que se poderia discutir é: quem manda na grana americana ( além, claro, da China, que financia a dívida americana, de acordo com os herméticos economistas ) envolvida nos tipos de negócios que geraram as bolhas e coisa e tal: são os negros? Os indianos? Os judeus que, como muitos dizem, mandam na grana do mundo todo? Melhor dizer, quem são os que manipularam o capital [ aliás, eu falo como se realmente entendesse do que estou falando... ] que precipitou-nos em direção ao caos?
Um jornal deu um uma lista dos prováveis suspeitos pelo crime:
Jornal lista os 10 maiores “responsáveis” pela crise global
A crise financeira que se agravou no segundo semestre de 2008 [ pois antes disso até houve quem falasse sobre os perigos de uma crise iminente sem, no entanto, despertar a humanidade ] teve muitos motivos, mas todos eles têm por trás pessoas que tomaram decisões importantes nos últimos anos, sem prever o que poderia acontecer. Em busca de “culpados”, o jornal britânico Times sugeriu dez personalidades do mercado financeiro e chefes de governo que teriam maior “responsabilidade” sobre a atual situação econômica.
A lista da publicação abre com o ex-CEO do Lehman Brothers, Dick Fuld, 62 anos [ foto 1 ]. O executivo liderava o banco de investimento em setembro (quando anunciou a bancarrota) e é apontado como um dos culpados por deixar o Lehman altamente exposto às hipotecas de baixa qualidade do mercado. Segundo o Times, Fuld também perdeu oportunidades de vender o banco antes da quebra, o que teria evitado a forte restrição de crédito.
Em segundo lugar, aparece o ex-secretário do Tesouro americano, Henry Paulson [ foto 2 ], que permitiu a falência do Lehman Brothers e arquitetou um plano de resgate ao mercado financeiro no valor de US$ 700 bilhões – sem o efeito desejado.
O ex-presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Alan Greenspan [ foto 3 ], aparece na terceira posição. O economista foi responsável por cortar o juro dos Estados Unidos para próximo do zero, após a tragédia de 11 de setembro de 2001, e inundar o mercado com crédito barato e fácil. Em outubro, Greenspan admitiu que errou por ter acreditado que as instituições financeiras eram capazes de se proteger dos riscos sozinhas.
Para o diário britânico, os diretores da autoridade financeira do Reino Unido, John Tiner [ 4 ] e Hector Sants [ 5 ], foram os quartos maiores responsáveis pela crise. Os dois eram encarregados de fiscalizar os bancos do país e não conseguiram ver que instituições como o Northern Rok estavam muito dependentes de fundos interbancários.
Em quinto lugar, aparece o presidente do Royal Bank of Scotland (RBS), Fred Goodwin, que anunciou na última semana prejuízo de 28 bilhões de libras e pode ser nacionalizado em breve. O executivo assumiu o banco em 2000 e concretizou 26 aquisições em sete anos, no total de 35 bilhões de libras.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, é o sexto da lista. Segundo o Times, o chefe de governo teria previsto a crise há dez anos durante uma palestra em Harvard, mas fez pouco para evitá-la. Brown ainda teria encorajado o aumento dos preços dos imóveis e do spread bancário.
Apenas o sétimo no levantamento do jornal, George Bush foi o governante dos EUA durante o período de crescimento do crédito e da crise do sub-prime, mas não assumiu responsabilidade pela crise. De acordo com o Times, o ex-presidente americano acusou os banqueiros de Nova York pelos problemas econômicos do país.
Diretora da Standard & Poor’s até 2007, Kathleen Corbet seria a oitava maior responsável pela crise. Segundo o jornal, ela liderava uma das agências de risco que não conseguiram prever os efeitos das hipotecas tóxicas no mercado americano. Além disso, é acusada de acreditar nas palavras dos investidores para conceder os ratings de crédito, sem analisar profundamente os riscos.
O ex-presidente da seguradora AIG, Hank Greenberg, aparece em nono na lista por ter permitido o declínio da companhia, que precisou de um resgate de cerca de US$ 150 bilhões do governo americano para manter as operações. Greenberg foi o responsável pela empresa de 1967 a 2005, período em que inseriu a AIG no mundo dos derivativos de crédito.
Angelo Mozilo, ex-diretor da Countrywide (maior financiadora imobiliária dos EUA), encerra a lista de “culpados” do Times. De acordo com a publicação, Mozilo é acusado de empurrar crédito para quem não poderia pagar, enquanto isso recebia um salário anual de US$ 470 milhões.
1. Dick Fuld
2. Henry Paulson
3. Alan Greenspan
4. John Tiner [ Esse tá nas duas listas, sob duas nacionalidades ]
5. Hector Sants
6. Sir Fred Goodwin
Houve outra lista, com os 25 principais responsáveis. Nessa, até o “consumidor americano” figura como um dos suspeitos de ter perpetrado o crime. Vejam: Os 25 principais culpados pela crise global .
De acordo com o texto do bom Sérgio Augusto, “havia gente branca entre os que desencadearam a crise”, mas que não possuíam olhos azuis.
Olhos azuis – completo eu – necessários para se encaixarem nos parâmetros “determinados” pelo Lula. Ou seja, tomando o que o Lula falou no estrito significado, Lula teria excluído todos os outros brancos [ de olhos verdes ou castanhos ] da responsabilidade pela crise. Mas, Lula fez isso? Não. Mas não é uma questão de oftalmologia, né?
Sérgio destaca dois personagens não-brancos que participaram da gestação do monstro: Stanley O’Neal ( negro ) e Vikram Pandit ( indiano ). Uma pesquisa no Google me diz quem são os caras: o Stanley foi afastado da presidência da Merril Lynch em outubro de 2007 ( !!? ) por causa dum prejuízo de U$ 8,4 bi vinculado a títulos e empréstimos enfermos. Quem, aqui no Brasil, e ainda em 2007, falava sobre crise econômica mundial? Acho que só o Belluzo. Oras, eu não acompanho esse tipo de coisa e não vou tentar posar de autoridade sobre um assunto que desconheço mas, fazer como a Época, e mostrar o banqueiro negro para “provar” o desconhecimento de Lula sobre as cores dos executivos não me parece certo. O que foi feito, pelo governo americano, ou sei lá quem seja o responsável, que permitiu que os empréstimos malfeitos pelo O’Neil pudessem contribuir para uma quebradeira geral da economia americana, oficialmente, cerca de 11 meses depois de afastado o presidente da Merryl Lynch? E, lá por 2007, por quê os sabujos que infestam nossos jornais e revistas não alertaram o governo americano para o perigo de uma crise mundial, que seria iniciada a partir do prejuízo de 8 bi da Merryl Lynch? Sobre o indiano do Citigroup, ele entrou como CEO da empresa em dezembro de 2007, em lugar de outro cara que saiu após o banco ter registrado perdas de 10 bilhões de dólares. O Pandit entrou no olho do furacão. O último lucro dessa companhia havia sido no terceiro trimestre de 2007. Sinais de fumaça, mas, até a quebradeira geral ter se oficializado…
Se você pegar a “lista dos 10 mais” da Times, eles não mostram nenhum negro ou indiano. Vai ver, foi nessa lista que o Lula se baseou. Bom, sei lá. O Lula já é macaco velho e sabe lidar com os bafafás.
Os corsários e suas ilhas do tesouro
Em vez de um muro separando EUA e México, melhor seria um túnel até os cofres dos bancos dos paraísos fiscais
Sérgio Augusto
Março chegou ao fim com três peremptórias desautorizações. Hillary Clinton desautorizou a eficácia do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México; Lula, a probidade dos brancos de olhos azuis; e Joseph Stiglitz, a confiabilidade do dólar como moeda corrente nas transações mundiais. As desautorizações de Hillary e Stiglitz procedem. A de Lula, bem, se erguer um muro não é a melhor forma de impedir o tráfico de drogas entre países vizinhos, cometer gafes em foros internacionais também não é o caminho mais aconselhável para a conquista de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU – ou entre os 25 integrantes do Conselho de Coordenação Econômica Global, que Stiglitz, do alto do seu Nobel de Economia, sugeriu seja criado em substituição ao G-20 como parte das possíveis soluções para recuperar a economia nos dois hemisférios. Lula é uma Itaipu de platitudes e metáforas capengas. Depois da marolinha e do ovo sem gema ( ou seja, o comércio mundial ), a expiação pública dos que nasceram brancos e de olhos azuis.
Também havia gente branca de olhos castanhos ou verdes entre os que desencadearam a crise financeira global, mas o presidente preferiu, por motivos óbvios, concentrar toda a culpa no gringo estereotipado. Se mais bem assessorado, saberia que alguns moreninhos e até negros participaram da farra financeira que resultou nisso que aí está. Stanley O’Neal, que torrou US$ 8 bilhões do Merrill Lynch e depois, com uma indenização de U$ 161 milhões no bolso, foi para a direção da Alcoa, é negro. Vikram Pandit, que derrubou as ações do Citibank de US$ 50 para menos de US$ 1, sem perder o emprego, é indiano. Em vez de um muro separando os Estados Unidos do México, há que se pensar numa ponte ou num túnel até os cofres dos bancos e instituições financeiras dos paraísos fiscais. É lá que os barões do tráfico escondem seus ganhos ilícitos. E também os fraudadores, os corsários do sistema financeiro, os ratos da administração pública, os ditadores, os políticos e empresários corruptos. Os bônus milionários da seguradora American International Group? Ninharia perto dos bilhões malocados pela América corporativa na Suíça, em Luxemburgo, Cingapura, nas Bahamas e refúgios financeiros que tais.
Ao criticar a inocuidade dos atuais métodos de combate ao tráfico, Hillary não fez menção direta aos offshore tax havens, mas ela e seu chefe sabem que, se eles continuarem intocáveis, hermeticamente fechados à fiscalização, sem regulamentação de espécie alguma, o tráfico e a crise econômica jamais serão combatidos eficazmente. Pelos dados da controladoria de receitas do governo americano, a quase totalidade das cem maiores corporações do país mantém subsidiárias em países e principados onde os tributos ou são baixíssimos ou inexistem e o respeito ao sigilo bancário é até motivo de orgulho nacional. Só a AIG tem 18 subsidiárias em paraísos fiscais. O grupo Goldman Sachs abriu 3 nas Bermudas, 5 nas Ilhas Maurício e 15 nas Ilhas Cayman. O Lehman Brothers montou 31 nas Ilhas Cayman, onde o Bank of America controla 59 e o Morgan Stanley, 158. Por que, além dessas 158, o Morgan Stanley precisaria de mais 19 (nas Ilhas Jersey), 14 (nas Ilhas Marshall) e 29 (em Luxemburgo)? Os números são espantosos. Só em Cayman o Wachovia tem 16 subsidiárias (mais 3 nas Ilhas Virgens e 18 nas Bermudas). Menos ambicioso, o Countrywide Financial limitou-se a duas filiais em Guernsey, dependência do Reino Unido, a noroeste da França, onde a Polícia Federal jura que Paulo Maluf fez a sua gruta de Ali Babá. Nenhuma outra instituição bate o Citigroup, com 427 representações espalhadas por Luxemburgo, Cayman, Jersey, Bermudas e as Ilhas Channel. Em 2007, os cofres públicos americanos deixaram de arrecadar US$ 100 bilhões, evadidos para os paraísos fiscais. Calcula-se em cerca de US$ 12 trilhões a fortuna em ativos isentos de impostos secretamente guardados em bancos dos cinco continentes. Com um papelório desses, até as falcatruas do Madoff poderiam ser ressarcidas: 230 vezes. Desconfia-se que outras razões, além da burla ao imposto de renda, tenham levado a banca a criar tantas filiais e subsidiárias em paraísos fiscais. Lavagem de dinheiro? Mas isso não é coisa de gângster? Para esclarecer essa dúvida, assim como as que cercam a remessa de dólares das empresas de fachada envolvidas no escândalo da construtora Camargo Corrêa, só investindo na transparência. E para que haja transparência, é preciso acabar com o sigilo bancário. É o que pensa o secretário do Tesouro de Obama, Timothy Geithner, que no início da semana foi ao Congresso vender a ideia de que medidas duras precisam ser tomadas em todo o sistema financeiro, com abrangência mundial, o que inclui, forçosamente, o reajustamento de todas as instituições bancárias a uma regulamentação uniforme. Economia globalizada, crise global, vacina global. Na quinta-feira, no mesmo relatório em que propôs a troca do dólar por uma moeda internacional, a criação do Conselho de Coordenação Econômica Global, com poderes similares ao do Conselho de Segurança da ONU, e um limite ao crescimento desmesurado dos bancos, ao risco financeiro por eles assumido e seu nível de alavancagem, Joseph Stiglitz destacou a restrição a transações com paraísos fiscais como uma medida saneadora fundamental. A Justiça americana conseguiu dobrar o suíço USB, que no mês passado pagou uma multa de US$ 780 milhões e prometeu liberar informações sobre dezenas de milhares de clientes americanos visados pelo fisco. Outras instituições tomaram, de birra, a direção oposta, radicalizando seu “protecionismo”, principalmente nas Ilhas Jersey, Cayman e Guernsey, onde os hedge funds passaram a entrar sem nenhuma restrição. Foi uma declaração de guerra, com vilões bem definidos

"White Chrisis": Lula tá certo. Eles que são brancos…

Os novos clientes do FMI são brancos. A área mais conflagrada, desta vez, não é a América Latina, nem a Ásia, nem a África, mas a periferia europeia, como a Lituânia, a Bielorrússia, a Sérvia e a Ucrânia”
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Talvez a primeira coisa a ser respondida seja: qual [ ou melhor: onde ] o epicentro da crise? Estou errado se disser que são os EUA?
A segunda coisa que deve ser respondida, partindo do princípio de que o epicentro da crise foram, inquestionavelmente, os EUA: como “nasceu” essa crise?
Escreveu a Folha, em 13.12.2008:
Bancos de diversos ramos nos Estados Unidos e em outros países, principalmente a Europa, já sofreram prejuízos bilionários e em alguns casos fecharam, desde agosto do ano passado. A partir de setembro deste ano, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, iniciou-se uma crise de confiança que travou o crédito e afetou outros setores da economia –em especial as que possuem vendas muito atreladas a financiamentos, como o automotivo.
A raiz do problema está no mercado de hipotecas norte-americano. O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas “pontocom”, em 2001. O Federal Reserve ( Fed, o BC americano ) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar ( … )”.
Se você disser que todo esse mercado ( financeiro, hipotecas, crédito, sei-lá-o-que ), possui 90% dos quadros dirigentes ocupados por “negros”, “chineses” e “indianos” ou “chicanos”, o mesmo se dando com relação aos postos-chave do governo americano e do Fed, talvez o que o Lula disse pudesse ser altamente questionável. Mas, a geografia física mostra que o país-epicentro da crise são os EUA. Exclui-se, então, o resto do mundo [ OPA! Mantenhamos os britânicos! ] da lista de suspeitos. O que se poderia discutir é: quem manda na grana americana ( além, claro, da China, que financia a dívida americana, de acordo com os herméticos economistas ) envolvida nos tipos de negócios que geraram as bolhas e coisa e tal: são os negros? Os indianos? Os judeus que, como muitos dizem, mandam na grana do mundo todo? Melhor dizer, quem são os que manipularam o capital [ aliás, eu falo como se realmente entendesse do que estou falando... ] que precipitou-nos em direção ao caos?
Um jornal deu um uma lista dos prováveis suspeitos pelo crime:
Jornal lista os 10 maiores “responsáveis” pela crise global
A crise financeira que se agravou no segundo semestre de 2008 [ pois antes disso até houve quem falasse sobre os perigos de uma crise iminente sem, no entanto, despertar a humanidade ] teve muitos motivos, mas todos eles têm por trás pessoas que tomaram decisões importantes nos últimos anos, sem prever o que poderia acontecer. Em busca de “culpados”, o jornal britânico Times sugeriu dez personalidades do mercado financeiro e chefes de governo que teriam maior “responsabilidade” sobre a atual situação econômica.
A lista da publicação abre com o ex-CEO do Lehman Brothers, Dick Fuld, 62 anos [ foto 1 ]. O executivo liderava o banco de investimento em setembro (quando anunciou a bancarrota) e é apontado como um dos culpados por deixar o Lehman altamente exposto às hipotecas de baixa qualidade do mercado. Segundo o Times, Fuld também perdeu oportunidades de vender o banco antes da quebra, o que teria evitado a forte restrição de crédito.
Em segundo lugar, aparece o ex-secretário do Tesouro americano, Henry Paulson [ foto 2 ], que permitiu a falência do Lehman Brothers e arquitetou um plano de resgate ao mercado financeiro no valor de US$ 700 bilhões – sem o efeito desejado.
O ex-presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Alan Greenspan [ foto 3 ], aparece na terceira posição. O economista foi responsável por cortar o juro dos Estados Unidos para próximo do zero, após a tragédia de 11 de setembro de 2001, e inundar o mercado com crédito barato e fácil. Em outubro, Greenspan admitiu que errou por ter acreditado que as instituições financeiras eram capazes de se proteger dos riscos sozinhas.
Para o diário britânico, os diretores da autoridade financeira do Reino Unido, John Tiner [ 4 ] e Hector Sants [ 5 ], foram os quartos maiores responsáveis pela crise. Os dois eram encarregados de fiscalizar os bancos do país e não conseguiram ver que instituições como o Northern Rok estavam muito dependentes de fundos interbancários.
Em quinto lugar, aparece o presidente do Royal Bank of Scotland (RBS), Fred Goodwin, que anunciou na última semana prejuízo de 28 bilhões de libras e pode ser nacionalizado em breve. O executivo assumiu o banco em 2000 e concretizou 26 aquisições em sete anos, no total de 35 bilhões de libras.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, é o sexto da lista. Segundo o Times, o chefe de governo teria previsto a crise há dez anos durante uma palestra em Harvard, mas fez pouco para evitá-la. Brown ainda teria encorajado o aumento dos preços dos imóveis e do spread bancário.
Apenas o sétimo no levantamento do jornal, George Bush foi o governante dos EUA durante o período de crescimento do crédito e da crise do sub-prime, mas não assumiu responsabilidade pela crise. De acordo com o Times, o ex-presidente americano acusou os banqueiros de Nova York pelos problemas econômicos do país.
Diretora da Standard & Poor’s até 2007, Kathleen Corbet seria a oitava maior responsável pela crise. Segundo o jornal, ela liderava uma das agências de risco que não conseguiram prever os efeitos das hipotecas tóxicas no mercado americano. Além disso, é acusada de acreditar nas palavras dos investidores para conceder os ratings de crédito, sem analisar profundamente os riscos.
O ex-presidente da seguradora AIG, Hank Greenberg, aparece em nono na lista por ter permitido o declínio da companhia, que precisou de um resgate de cerca de US$ 150 bilhões do governo americano para manter as operações. Greenberg foi o responsável pela empresa de 1967 a 2005, período em que inseriu a AIG no mundo dos derivativos de crédito.
Angelo Mozilo, ex-diretor da Countrywide (maior financiadora imobiliária dos EUA), encerra a lista de “culpados” do Times. De acordo com a publicação, Mozilo é acusado de empurrar crédito para quem não poderia pagar, enquanto isso recebia um salário anual de US$ 470 milhões.
1. Dick Fuld
2. Henry Paulson
3. Alan Greenspan
4. John Tiner [ Esse tá nas duas listas, sob duas nacionalidades ]
5. Hector Sants
6. Sir Fred Goodwin
Houve outra lista, com os 25 principais responsáveis. Nessa, até o “consumidor americano” figura como um dos suspeitos de ter perpetrado o crime. Vejam: Os 25 principais culpados pela crise global .
De acordo com o texto do bom Sérgio Augusto, “havia gente branca entre os que desencadearam a crise”, mas que não possuíam olhos azuis.
Olhos azuis – completo eu – necessários para se encaixarem nos parâmetros “determinados” pelo Lula. Ou seja, tomando o que o Lula falou no estrito significado, Lula teria excluído todos os outros brancos [ de olhos verdes ou castanhos ] da responsabilidade pela crise. Mas, Lula fez isso? Não. Mas não é uma questão de oftalmologia, né?
Sérgio destaca dois personagens não-brancos que participaram da gestação do monstro: Stanley O’Neal ( negro ) e Vikram Pandit ( indiano ). Uma pesquisa no Google me diz quem são os caras: o Stanley foi afastado da presidência da Merril Lynch em outubro de 2007 ( !!? ) por causa dum prejuízo de U$ 8,4 bi vinculado a títulos e empréstimos enfermos. Quem, aqui no Brasil, e ainda em 2007, falava sobre crise econômica mundial? Acho que só o Belluzo. Oras, eu não acompanho esse tipo de coisa e não vou tentar posar de autoridade sobre um assunto que desconheço mas, fazer como a Época, e mostrar o banqueiro negro para “provar” o desconhecimento de Lula sobre as cores dos executivos não me parece certo. O que foi feito, pelo governo americano, ou sei lá quem seja o responsável, que permitiu que os empréstimos malfeitos pelo O’Neil pudessem contribuir para uma quebradeira geral da economia americana, oficialmente, cerca de 11 meses depois de afastado o presidente da Merryl Lynch? E, lá por 2007, por quê os sabujos que infestam nossos jornais e revistas não alertaram o governo americano para o perigo de uma crise mundial, que seria iniciada a partir do prejuízo de 8 bi da Merryl Lynch? Sobre o indiano do Citigroup, ele entrou como CEO da empresa em dezembro de 2007, em lugar de outro cara que saiu após o banco ter registrado perdas de 10 bilhões de dólares. O Pandit entrou no olho do furacão. O último lucro dessa companhia havia sido no terceiro trimestre de 2007. Sinais de fumaça, mas, até a quebradeira geral ter se oficializado…
Se você pegar a “lista dos 10 mais” da Times, eles não mostram nenhum negro ou indiano. Vai ver, foi nessa lista que o Lula se baseou. Bom, sei lá. O Lula já é macaco velho e sabe lidar com os bafafás.
Os corsários e suas ilhas do tesouro
Em vez de um muro separando EUA e México, melhor seria um túnel até os cofres dos bancos dos paraísos fiscais
Sérgio Augusto
Março chegou ao fim com três peremptórias desautorizações. Hillary Clinton desautorizou a eficácia do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México; Lula, a probidade dos brancos de olhos azuis; e Joseph Stiglitz, a confiabilidade do dólar como moeda corrente nas transações mundiais. As desautorizações de Hillary e Stiglitz procedem. A de Lula, bem, se erguer um muro não é a melhor forma de impedir o tráfico de drogas entre países vizinhos, cometer gafes em foros internacionais também não é o caminho mais aconselhável para a conquista de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU – ou entre os 25 integrantes do Conselho de Coordenação Econômica Global, que Stiglitz, do alto do seu Nobel de Economia, sugeriu seja criado em substituição ao G-20 como parte das possíveis soluções para recuperar a economia nos dois hemisférios. Lula é uma Itaipu de platitudes e metáforas capengas. Depois da marolinha e do ovo sem gema ( ou seja, o comércio mundial ), a expiação pública dos que nasceram brancos e de olhos azuis.
Também havia gente branca de olhos castanhos ou verdes entre os que desencadearam a crise financeira global, mas o presidente preferiu, por motivos óbvios, concentrar toda a culpa no gringo estereotipado. Se mais bem assessorado, saberia que alguns moreninhos e até negros participaram da farra financeira que resultou nisso que aí está. Stanley O’Neal, que torrou US$ 8 bilhões do Merrill Lynch e depois, com uma indenização de U$ 161 milhões no bolso, foi para a direção da Alcoa, é negro. Vikram Pandit, que derrubou as ações do Citibank de US$ 50 para menos de US$ 1, sem perder o emprego, é indiano. Em vez de um muro separando os Estados Unidos do México, há que se pensar numa ponte ou num túnel até os cofres dos bancos e instituições financeiras dos paraísos fiscais. É lá que os barões do tráfico escondem seus ganhos ilícitos. E também os fraudadores, os corsários do sistema financeiro, os ratos da administração pública, os ditadores, os políticos e empresários corruptos. Os bônus milionários da seguradora American International Group? Ninharia perto dos bilhões malocados pela América corporativa na Suíça, em Luxemburgo, Cingapura, nas Bahamas e refúgios financeiros que tais.
Ao criticar a inocuidade dos atuais métodos de combate ao tráfico, Hillary não fez menção direta aos offshore tax havens, mas ela e seu chefe sabem que, se eles continuarem intocáveis, hermeticamente fechados à fiscalização, sem regulamentação de espécie alguma, o tráfico e a crise econômica jamais serão combatidos eficazmente. Pelos dados da controladoria de receitas do governo americano, a quase totalidade das cem maiores corporações do país mantém subsidiárias em países e principados onde os tributos ou são baixíssimos ou inexistem e o respeito ao sigilo bancário é até motivo de orgulho nacional. Só a AIG tem 18 subsidiárias em paraísos fiscais. O grupo Goldman Sachs abriu 3 nas Bermudas, 5 nas Ilhas Maurício e 15 nas Ilhas Cayman. O Lehman Brothers montou 31 nas Ilhas Cayman, onde o Bank of America controla 59 e o Morgan Stanley, 158. Por que, além dessas 158, o Morgan Stanley precisaria de mais 19 (nas Ilhas Jersey), 14 (nas Ilhas Marshall) e 29 (em Luxemburgo)? Os números são espantosos. Só em Cayman o Wachovia tem 16 subsidiárias (mais 3 nas Ilhas Virgens e 18 nas Bermudas). Menos ambicioso, o Countrywide Financial limitou-se a duas filiais em Guernsey, dependência do Reino Unido, a noroeste da França, onde a Polícia Federal jura que Paulo Maluf fez a sua gruta de Ali Babá. Nenhuma outra instituição bate o Citigroup, com 427 representações espalhadas por Luxemburgo, Cayman, Jersey, Bermudas e as Ilhas Channel. Em 2007, os cofres públicos americanos deixaram de arrecadar US$ 100 bilhões, evadidos para os paraísos fiscais. Calcula-se em cerca de US$ 12 trilhões a fortuna em ativos isentos de impostos secretamente guardados em bancos dos cinco continentes. Com um papelório desses, até as falcatruas do Madoff poderiam ser ressarcidas: 230 vezes. Desconfia-se que outras razões, além da burla ao imposto de renda, tenham levado a banca a criar tantas filiais e subsidiárias em paraísos fiscais. Lavagem de dinheiro? Mas isso não é coisa de gângster? Para esclarecer essa dúvida, assim como as que cercam a remessa de dólares das empresas de fachada envolvidas no escândalo da construtora Camargo Corrêa, só investindo na transparência. E para que haja transparência, é preciso acabar com o sigilo bancário. É o que pensa o secretário do Tesouro de Obama, Timothy Geithner, que no início da semana foi ao Congresso vender a ideia de que medidas duras precisam ser tomadas em todo o sistema financeiro, com abrangência mundial, o que inclui, forçosamente, o reajustamento de todas as instituições bancárias a uma regulamentação uniforme. Economia globalizada, crise global, vacina global. Na quinta-feira, no mesmo relatório em que propôs a troca do dólar por uma moeda internacional, a criação do Conselho de Coordenação Econômica Global, com poderes similares ao do Conselho de Segurança da ONU, e um limite ao crescimento desmesurado dos bancos, ao risco financeiro por eles assumido e seu nível de alavancagem, Joseph Stiglitz destacou a restrição a transações com paraísos fiscais como uma medida saneadora fundamental. A Justiça americana conseguiu dobrar o suíço USB, que no mês passado pagou uma multa de US$ 780 milhões e prometeu liberar informações sobre dezenas de milhares de clientes americanos visados pelo fisco. Outras instituições tomaram, de birra, a direção oposta, radicalizando seu “protecionismo”, principalmente nas Ilhas Jersey, Cayman e Guernsey, onde os hedge funds passaram a entrar sem nenhuma restrição. Foi uma declaração de guerra, com vilões bem definidos

"White Chrisis": Lula tá certo. Eles que são brancos…

Os novos clientes do FMI são brancos. A área mais conflagrada, desta vez, não é a América Latina, nem a Ásia, nem a África, mas a periferia europeia, como a Lituânia, a Bielorrússia, a Sérvia e a Ucrânia”
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Talvez a primeira coisa a ser respondida seja: qual [ ou melhor: onde ] o epicentro da crise? Estou errado se disser que são os EUA?
A segunda coisa que deve ser respondida, partindo do princípio de que o epicentro da crise foram, inquestionavelmente, os EUA: como “nasceu” essa crise?
Escreveu a Folha, em 13.12.2008:
Bancos de diversos ramos nos Estados Unidos e em outros países, principalmente a Europa, já sofreram prejuízos bilionários e em alguns casos fecharam, desde agosto do ano passado. A partir de setembro deste ano, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, iniciou-se uma crise de confiança que travou o crédito e afetou outros setores da economia –em especial as que possuem vendas muito atreladas a financiamentos, como o automotivo.
A raiz do problema está no mercado de hipotecas norte-americano. O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas “pontocom”, em 2001. O Federal Reserve ( Fed, o BC americano ) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar ( … )”.
Se você disser que todo esse mercado ( financeiro, hipotecas, crédito, sei-lá-o-que ), possui 90% dos quadros dirigentes ocupados por “negros”, “chineses” e “indianos” ou “chicanos”, o mesmo se dando com relação aos postos-chave do governo americano e do Fed, talvez o que o Lula disse pudesse ser altamente questionável. Mas, a geografia física mostra que o país-epicentro da crise são os EUA. Exclui-se, então, o resto do mundo [ OPA! Mantenhamos os britânicos! ] da lista de suspeitos. O que se poderia discutir é: quem manda na grana americana ( além, claro, da China, que financia a dívida americana, de acordo com os herméticos economistas ) envolvida nos tipos de negócios que geraram as bolhas e coisa e tal: são os negros? Os indianos? Os judeus que, como muitos dizem, mandam na grana do mundo todo? Melhor dizer, quem são os que manipularam o capital [ aliás, eu falo como se realmente entendesse do que estou falando... ] que precipitou-nos em direção ao caos?
Um jornal deu um uma lista dos prováveis suspeitos pelo crime:
Jornal lista os 10 maiores “responsáveis” pela crise global
A crise financeira que se agravou no segundo semestre de 2008 [ pois antes disso até houve quem falasse sobre os perigos de uma crise iminente sem, no entanto, despertar a humanidade ] teve muitos motivos, mas todos eles têm por trás pessoas que tomaram decisões importantes nos últimos anos, sem prever o que poderia acontecer. Em busca de “culpados”, o jornal britânico Times sugeriu dez personalidades do mercado financeiro e chefes de governo que teriam maior “responsabilidade” sobre a atual situação econômica.
A lista da publicação abre com o ex-CEO do Lehman Brothers, Dick Fuld, 62 anos [ foto 1 ]. O executivo liderava o banco de investimento em setembro (quando anunciou a bancarrota) e é apontado como um dos culpados por deixar o Lehman altamente exposto às hipotecas de baixa qualidade do mercado. Segundo o Times, Fuld também perdeu oportunidades de vender o banco antes da quebra, o que teria evitado a forte restrição de crédito.
Em segundo lugar, aparece o ex-secretário do Tesouro americano, Henry Paulson [ foto 2 ], que permitiu a falência do Lehman Brothers e arquitetou um plano de resgate ao mercado financeiro no valor de US$ 700 bilhões – sem o efeito desejado.
O ex-presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Alan Greenspan [ foto 3 ], aparece na terceira posição. O economista foi responsável por cortar o juro dos Estados Unidos para próximo do zero, após a tragédia de 11 de setembro de 2001, e inundar o mercado com crédito barato e fácil. Em outubro, Greenspan admitiu que errou por ter acreditado que as instituições financeiras eram capazes de se proteger dos riscos sozinhas.
Para o diário britânico, os diretores da autoridade financeira do Reino Unido, John Tiner [ 4 ] e Hector Sants [ 5 ], foram os quartos maiores responsáveis pela crise. Os dois eram encarregados de fiscalizar os bancos do país e não conseguiram ver que instituições como o Northern Rok estavam muito dependentes de fundos interbancários.
Em quinto lugar, aparece o presidente do Royal Bank of Scotland (RBS), Fred Goodwin, que anunciou na última semana prejuízo de 28 bilhões de libras e pode ser nacionalizado em breve. O executivo assumiu o banco em 2000 e concretizou 26 aquisições em sete anos, no total de 35 bilhões de libras.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, é o sexto da lista. Segundo o Times, o chefe de governo teria previsto a crise há dez anos durante uma palestra em Harvard, mas fez pouco para evitá-la. Brown ainda teria encorajado o aumento dos preços dos imóveis e do spread bancário.
Apenas o sétimo no levantamento do jornal, George Bush foi o governante dos EUA durante o período de crescimento do crédito e da crise do sub-prime, mas não assumiu responsabilidade pela crise. De acordo com o Times, o ex-presidente americano acusou os banqueiros de Nova York pelos problemas econômicos do país.
Diretora da Standard & Poor’s até 2007, Kathleen Corbet seria a oitava maior responsável pela crise. Segundo o jornal, ela liderava uma das agências de risco que não conseguiram prever os efeitos das hipotecas tóxicas no mercado americano. Além disso, é acusada de acreditar nas palavras dos investidores para conceder os ratings de crédito, sem analisar profundamente os riscos.
O ex-presidente da seguradora AIG, Hank Greenberg, aparece em nono na lista por ter permitido o declínio da companhia, que precisou de um resgate de cerca de US$ 150 bilhões do governo americano para manter as operações. Greenberg foi o responsável pela empresa de 1967 a 2005, período em que inseriu a AIG no mundo dos derivativos de crédito.
Angelo Mozilo, ex-diretor da Countrywide (maior financiadora imobiliária dos EUA), encerra a lista de “culpados” do Times. De acordo com a publicação, Mozilo é acusado de empurrar crédito para quem não poderia pagar, enquanto isso recebia um salário anual de US$ 470 milhões.
1. Dick Fuld
2. Henry Paulson
3. Alan Greenspan
4. John Tiner [ Esse tá nas duas listas, sob duas nacionalidades ]
5. Hector Sants
6. Sir Fred Goodwin
Houve outra lista, com os 25 principais responsáveis. Nessa, até o “consumidor americano” figura como um dos suspeitos de ter perpetrado o crime. Vejam: Os 25 principais culpados pela crise global .
De acordo com o texto do bom Sérgio Augusto, “havia gente branca entre os que desencadearam a crise”, mas que não possuíam olhos azuis.
Olhos azuis – completo eu – necessários para se encaixarem nos parâmetros “determinados” pelo Lula. Ou seja, tomando o que o Lula falou no estrito significado, Lula teria excluído todos os outros brancos [ de olhos verdes ou castanhos ] da responsabilidade pela crise. Mas, Lula fez isso? Não. Mas não é uma questão de oftalmologia, né?
Sérgio destaca dois personagens não-brancos que participaram da gestação do monstro: Stanley O’Neal ( negro ) e Vikram Pandit ( indiano ). Uma pesquisa no Google me diz quem são os caras: o Stanley foi afastado da presidência da Merril Lynch em outubro de 2007 ( !!? ) por causa dum prejuízo de U$ 8,4 bi vinculado a títulos e empréstimos enfermos. Quem, aqui no Brasil, e ainda em 2007, falava sobre crise econômica mundial? Acho que só o Belluzo. Oras, eu não acompanho esse tipo de coisa e não vou tentar posar de autoridade sobre um assunto que desconheço mas, fazer como a Época, e mostrar o banqueiro negro para “provar” o desconhecimento de Lula sobre as cores dos executivos não me parece certo. O que foi feito, pelo governo americano, ou sei lá quem seja o responsável, que permitiu que os empréstimos malfeitos pelo O’Neil pudessem contribuir para uma quebradeira geral da economia americana, oficialmente, cerca de 11 meses depois de afastado o presidente da Merryl Lynch? E, lá por 2007, por quê os sabujos que infestam nossos jornais e revistas não alertaram o governo americano para o perigo de uma crise mundial, que seria iniciada a partir do prejuízo de 8 bi da Merryl Lynch? Sobre o indiano do Citigroup, ele entrou como CEO da empresa em dezembro de 2007, em lugar de outro cara que saiu após o banco ter registrado perdas de 10 bilhões de dólares. O Pandit entrou no olho do furacão. O último lucro dessa companhia havia sido no terceiro trimestre de 2007. Sinais de fumaça, mas, até a quebradeira geral ter se oficializado…
Se você pegar a “lista dos 10 mais” da Times, eles não mostram nenhum negro ou indiano. Vai ver, foi nessa lista que o Lula se baseou. Bom, sei lá. O Lula já é macaco velho e sabe lidar com os bafafás.
Os corsários e suas ilhas do tesouro
Em vez de um muro separando EUA e México, melhor seria um túnel até os cofres dos bancos dos paraísos fiscais
Sérgio Augusto
Março chegou ao fim com três peremptórias desautorizações. Hillary Clinton desautorizou a eficácia do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México; Lula, a probidade dos brancos de olhos azuis; e Joseph Stiglitz, a confiabilidade do dólar como moeda corrente nas transações mundiais. As desautorizações de Hillary e Stiglitz procedem. A de Lula, bem, se erguer um muro não é a melhor forma de impedir o tráfico de drogas entre países vizinhos, cometer gafes em foros internacionais também não é o caminho mais aconselhável para a conquista de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU – ou entre os 25 integrantes do Conselho de Coordenação Econômica Global, que Stiglitz, do alto do seu Nobel de Economia, sugeriu seja criado em substituição ao G-20 como parte das possíveis soluções para recuperar a economia nos dois hemisférios. Lula é uma Itaipu de platitudes e metáforas capengas. Depois da marolinha e do ovo sem gema ( ou seja, o comércio mundial ), a expiação pública dos que nasceram brancos e de olhos azuis.
Também havia gente branca de olhos castanhos ou verdes entre os que desencadearam a crise financeira global, mas o presidente preferiu, por motivos óbvios, concentrar toda a culpa no gringo estereotipado. Se mais bem assessorado, saberia que alguns moreninhos e até negros participaram da farra financeira que resultou nisso que aí está. Stanley O’Neal, que torrou US$ 8 bilhões do Merrill Lynch e depois, com uma indenização de U$ 161 milhões no bolso, foi para a direção da Alcoa, é negro. Vikram Pandit, que derrubou as ações do Citibank de US$ 50 para menos de US$ 1, sem perder o emprego, é indiano. Em vez de um muro separando os Estados Unidos do México, há que se pensar numa ponte ou num túnel até os cofres dos bancos e instituições financeiras dos paraísos fiscais. É lá que os barões do tráfico escondem seus ganhos ilícitos. E também os fraudadores, os corsários do sistema financeiro, os ratos da administração pública, os ditadores, os políticos e empresários corruptos. Os bônus milionários da seguradora American International Group? Ninharia perto dos bilhões malocados pela América corporativa na Suíça, em Luxemburgo, Cingapura, nas Bahamas e refúgios financeiros que tais.
Ao criticar a inocuidade dos atuais métodos de combate ao tráfico, Hillary não fez menção direta aos offshore tax havens, mas ela e seu chefe sabem que, se eles continuarem intocáveis, hermeticamente fechados à fiscalização, sem regulamentação de espécie alguma, o tráfico e a crise econômica jamais serão combatidos eficazmente. Pelos dados da controladoria de receitas do governo americano, a quase totalidade das cem maiores corporações do país mantém subsidiárias em países e principados onde os tributos ou são baixíssimos ou inexistem e o respeito ao sigilo bancário é até motivo de orgulho nacional. Só a AIG tem 18 subsidiárias em paraísos fiscais. O grupo Goldman Sachs abriu 3 nas Bermudas, 5 nas Ilhas Maurício e 15 nas Ilhas Cayman. O Lehman Brothers montou 31 nas Ilhas Cayman, onde o Bank of America controla 59 e o Morgan Stanley, 158. Por que, além dessas 158, o Morgan Stanley precisaria de mais 19 (nas Ilhas Jersey), 14 (nas Ilhas Marshall) e 29 (em Luxemburgo)? Os números são espantosos. Só em Cayman o Wachovia tem 16 subsidiárias (mais 3 nas Ilhas Virgens e 18 nas Bermudas). Menos ambicioso, o Countrywide Financial limitou-se a duas filiais em Guernsey, dependência do Reino Unido, a noroeste da França, onde a Polícia Federal jura que Paulo Maluf fez a sua gruta de Ali Babá. Nenhuma outra instituição bate o Citigroup, com 427 representações espalhadas por Luxemburgo, Cayman, Jersey, Bermudas e as Ilhas Channel. Em 2007, os cofres públicos americanos deixaram de arrecadar US$ 100 bilhões, evadidos para os paraísos fiscais. Calcula-se em cerca de US$ 12 trilhões a fortuna em ativos isentos de impostos secretamente guardados em bancos dos cinco continentes. Com um papelório desses, até as falcatruas do Madoff poderiam ser ressarcidas: 230 vezes. Desconfia-se que outras razões, além da burla ao imposto de renda, tenham levado a banca a criar tantas filiais e subsidiárias em paraísos fiscais. Lavagem de dinheiro? Mas isso não é coisa de gângster? Para esclarecer essa dúvida, assim como as que cercam a remessa de dólares das empresas de fachada envolvidas no escândalo da construtora Camargo Corrêa, só investindo na transparência. E para que haja transparência, é preciso acabar com o sigilo bancário. É o que pensa o secretário do Tesouro de Obama, Timothy Geithner, que no início da semana foi ao Congresso vender a ideia de que medidas duras precisam ser tomadas em todo o sistema financeiro, com abrangência mundial, o que inclui, forçosamente, o reajustamento de todas as instituições bancárias a uma regulamentação uniforme. Economia globalizada, crise global, vacina global. Na quinta-feira, no mesmo relatório em que propôs a troca do dólar por uma moeda internacional, a criação do Conselho de Coordenação Econômica Global, com poderes similares ao do Conselho de Segurança da ONU, e um limite ao crescimento desmesurado dos bancos, ao risco financeiro por eles assumido e seu nível de alavancagem, Joseph Stiglitz destacou a restrição a transações com paraísos fiscais como uma medida saneadora fundamental. A Justiça americana conseguiu dobrar o suíço USB, que no mês passado pagou uma multa de US$ 780 milhões e prometeu liberar informações sobre dezenas de milhares de clientes americanos visados pelo fisco. Outras instituições tomaram, de birra, a direção oposta, radicalizando seu “protecionismo”, principalmente nas Ilhas Jersey, Cayman e Guernsey, onde os hedge funds passaram a entrar sem nenhuma restrição. Foi uma declaração de guerra, com vilões bem definidos

"White Chrisis": Lula tá certo. Eles que são brancos…

Os novos clientes do FMI são brancos. A área mais conflagrada, desta vez, não é a América Latina, nem a Ásia, nem a África, mas a periferia europeia, como a Lituânia, a Bielorrússia, a Sérvia e a Ucrânia”
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
Talvez a primeira coisa a ser respondida seja: qual [ ou melhor: onde ] o epicentro da crise? Estou errado se disser que são os EUA?
A segunda coisa que deve ser respondida, partindo do princípio de que o epicentro da crise foram, inquestionavelmente, os EUA: como “nasceu” essa crise?
Escreveu a Folha, em 13.12.2008:
Bancos de diversos ramos nos Estados Unidos e em outros países, principalmente a Europa, já sofreram prejuízos bilionários e em alguns casos fecharam, desde agosto do ano passado. A partir de setembro deste ano, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, iniciou-se uma crise de confiança que travou o crédito e afetou outros setores da economia –em especial as que possuem vendas muito atreladas a financiamentos, como o automotivo.
A raiz do problema está no mercado de hipotecas norte-americano. O mercado imobiliário dos EUA passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas “pontocom”, em 2001. O Federal Reserve ( Fed, o BC americano ) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar ( … )”.
Se você disser que todo esse mercado ( financeiro, hipotecas, crédito, sei-lá-o-que ), possui 90% dos quadros dirigentes ocupados por “negros”, “chineses” e “indianos” ou “chicanos”, o mesmo se dando com relação aos postos-chave do governo americano e do Fed, talvez o que o Lula disse pudesse ser altamente questionável. Mas, a geografia física mostra que o país-epicentro da crise são os EUA. Exclui-se, então, o resto do mundo [ OPA! Mantenhamos os britânicos! ] da lista de suspeitos. O que se poderia discutir é: quem manda na grana americana ( além, claro, da China, que financia a dívida americana, de acordo com os herméticos economistas ) envolvida nos tipos de negócios que geraram as bolhas e coisa e tal: são os negros? Os indianos? Os judeus que, como muitos dizem, mandam na grana do mundo todo? Melhor dizer, quem são os que manipularam o capital [ aliás, eu falo como se realmente entendesse do que estou falando... ] que precipitou-nos em direção ao caos?
Um jornal deu um uma lista dos prováveis suspeitos pelo crime:
Jornal lista os 10 maiores “responsáveis” pela crise global
A crise financeira que se agravou no segundo semestre de 2008 [ pois antes disso até houve quem falasse sobre os perigos de uma crise iminente sem, no entanto, despertar a humanidade ] teve muitos motivos, mas todos eles têm por trás pessoas que tomaram decisões importantes nos últimos anos, sem prever o que poderia acontecer. Em busca de “culpados”, o jornal britânico Times sugeriu dez personalidades do mercado financeiro e chefes de governo que teriam maior “responsabilidade” sobre a atual situação econômica.
A lista da publicação abre com o ex-CEO do Lehman Brothers, Dick Fuld, 62 anos [ foto 1 ]. O executivo liderava o banco de investimento em setembro (quando anunciou a bancarrota) e é apontado como um dos culpados por deixar o Lehman altamente exposto às hipotecas de baixa qualidade do mercado. Segundo o Times, Fuld também perdeu oportunidades de vender o banco antes da quebra, o que teria evitado a forte restrição de crédito.
Em segundo lugar, aparece o ex-secretário do Tesouro americano, Henry Paulson [ foto 2 ], que permitiu a falência do Lehman Brothers e arquitetou um plano de resgate ao mercado financeiro no valor de US$ 700 bilhões – sem o efeito desejado.
O ex-presidente do Federal Reserve (FED, o banco central americano), Alan Greenspan [ foto 3 ], aparece na terceira posição. O economista foi responsável por cortar o juro dos Estados Unidos para próximo do zero, após a tragédia de 11 de setembro de 2001, e inundar o mercado com crédito barato e fácil. Em outubro, Greenspan admitiu que errou por ter acreditado que as instituições financeiras eram capazes de se proteger dos riscos sozinhas.
Para o diário britânico, os diretores da autoridade financeira do Reino Unido, John Tiner [ 4 ] e Hector Sants [ 5 ], foram os quartos maiores responsáveis pela crise. Os dois eram encarregados de fiscalizar os bancos do país e não conseguiram ver que instituições como o Northern Rok estavam muito dependentes de fundos interbancários.
Em quinto lugar, aparece o presidente do Royal Bank of Scotland (RBS), Fred Goodwin, que anunciou na última semana prejuízo de 28 bilhões de libras e pode ser nacionalizado em breve. O executivo assumiu o banco em 2000 e concretizou 26 aquisições em sete anos, no total de 35 bilhões de libras.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, é o sexto da lista. Segundo o Times, o chefe de governo teria previsto a crise há dez anos durante uma palestra em Harvard, mas fez pouco para evitá-la. Brown ainda teria encorajado o aumento dos preços dos imóveis e do spread bancário.
Apenas o sétimo no levantamento do jornal, George Bush foi o governante dos EUA durante o período de crescimento do crédito e da crise do sub-prime, mas não assumiu responsabilidade pela crise. De acordo com o Times, o ex-presidente americano acusou os banqueiros de Nova York pelos problemas econômicos do país.
Diretora da Standard & Poor’s até 2007, Kathleen Corbet seria a oitava maior responsável pela crise. Segundo o jornal, ela liderava uma das agências de risco que não conseguiram prever os efeitos das hipotecas tóxicas no mercado americano. Além disso, é acusada de acreditar nas palavras dos investidores para conceder os ratings de crédito, sem analisar profundamente os riscos.
O ex-presidente da seguradora AIG, Hank Greenberg, aparece em nono na lista por ter permitido o declínio da companhia, que precisou de um resgate de cerca de US$ 150 bilhões do governo americano para manter as operações. Greenberg foi o responsável pela empresa de 1967 a 2005, período em que inseriu a AIG no mundo dos derivativos de crédito.
Angelo Mozilo, ex-diretor da Countrywide (maior financiadora imobiliária dos EUA), encerra a lista de “culpados” do Times. De acordo com a publicação, Mozilo é acusado de empurrar crédito para quem não poderia pagar, enquanto isso recebia um salário anual de US$ 470 milhões.
1. Dick Fuld
2. Henry Paulson
3. Alan Greenspan
4. John Tiner [ Esse tá nas duas listas, sob duas nacionalidades ]
5. Hector Sants
6. Sir Fred Goodwin
Houve outra lista, com os 25 principais responsáveis. Nessa, até o “consumidor americano” figura como um dos suspeitos de ter perpetrado o crime. Vejam: Os 25 principais culpados pela crise global .
De acordo com o texto do bom Sérgio Augusto, “havia gente branca entre os que desencadearam a crise”, mas que não possuíam olhos azuis.
Olhos azuis – completo eu – necessários para se encaixarem nos parâmetros “determinados” pelo Lula. Ou seja, tomando o que o Lula falou no estrito significado, Lula teria excluído todos os outros brancos [ de olhos verdes ou castanhos ] da responsabilidade pela crise. Mas, Lula fez isso? Não. Mas não é uma questão de oftalmologia, né?
Sérgio destaca dois personagens não-brancos que participaram da gestação do monstro: Stanley O’Neal ( negro ) e Vikram Pandit ( indiano ). Uma pesquisa no Google me diz quem são os caras: o Stanley foi afastado da presidência da Merril Lynch em outubro de 2007 ( !!? ) por causa dum prejuízo de U$ 8,4 bi vinculado a títulos e empréstimos enfermos. Quem, aqui no Brasil, e ainda em 2007, falava sobre crise econômica mundial? Acho que só o Belluzo. Oras, eu não acompanho esse tipo de coisa e não vou tentar posar de autoridade sobre um assunto que desconheço mas, fazer como a Época, e mostrar o banqueiro negro para “provar” o desconhecimento de Lula sobre as cores dos executivos não me parece certo. O que foi feito, pelo governo americano, ou sei lá quem seja o responsável, que permitiu que os empréstimos malfeitos pelo O’Neil pudessem contribuir para uma quebradeira geral da economia americana, oficialmente, cerca de 11 meses depois de afastado o presidente da Merryl Lynch? E, lá por 2007, por quê os sabujos que infestam nossos jornais e revistas não alertaram o governo americano para o perigo de uma crise mundial, que seria iniciada a partir do prejuízo de 8 bi da Merryl Lynch? Sobre o indiano do Citigroup, ele entrou como CEO da empresa em dezembro de 2007, em lugar de outro cara que saiu após o banco ter registrado perdas de 10 bilhões de dólares. O Pandit entrou no olho do furacão. O último lucro dessa companhia havia sido no terceiro trimestre de 2007. Sinais de fumaça, mas, até a quebradeira geral ter se oficializado…
Se você pegar a “lista dos 10 mais” da Times, eles não mostram nenhum negro ou indiano. Vai ver, foi nessa lista que o Lula se baseou. Bom, sei lá. O Lula já é macaco velho e sabe lidar com os bafafás.
Os corsários e suas ilhas do tesouro
Em vez de um muro separando EUA e México, melhor seria um túnel até os cofres dos bancos dos paraísos fiscais
Sérgio Augusto
Março chegou ao fim com três peremptórias desautorizações. Hillary Clinton desautorizou a eficácia do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México; Lula, a probidade dos brancos de olhos azuis; e Joseph Stiglitz, a confiabilidade do dólar como moeda corrente nas transações mundiais. As desautorizações de Hillary e Stiglitz procedem. A de Lula, bem, se erguer um muro não é a melhor forma de impedir o tráfico de drogas entre países vizinhos, cometer gafes em foros internacionais também não é o caminho mais aconselhável para a conquista de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU – ou entre os 25 integrantes do Conselho de Coordenação Econômica Global, que Stiglitz, do alto do seu Nobel de Economia, sugeriu seja criado em substituição ao G-20 como parte das possíveis soluções para recuperar a economia nos dois hemisférios. Lula é uma Itaipu de platitudes e metáforas capengas. Depois da marolinha e do ovo sem gema ( ou seja, o comércio mundial ), a expiação pública dos que nasceram brancos e de olhos azuis.
Também havia gente branca de olhos castanhos ou verdes entre os que desencadearam a crise financeira global, mas o presidente preferiu, por motivos óbvios, concentrar toda a culpa no gringo estereotipado. Se mais bem assessorado, saberia que alguns moreninhos e até negros participaram da farra financeira que resultou nisso que aí está. Stanley O’Neal, que torrou US$ 8 bilhões do Merrill Lynch e depois, com uma indenização de U$ 161 milhões no bolso, foi para a direção da Alcoa, é negro. Vikram Pandit, que derrubou as ações do Citibank de US$ 50 para menos de US$ 1, sem perder o emprego, é indiano. Em vez de um muro separando os Estados Unidos do México, há que se pensar numa ponte ou num túnel até os cofres dos bancos e instituições financeiras dos paraísos fiscais. É lá que os barões do tráfico escondem seus ganhos ilícitos. E também os fraudadores, os corsários do sistema financeiro, os ratos da administração pública, os ditadores, os políticos e empresários corruptos. Os bônus milionários da seguradora American International Group? Ninharia perto dos bilhões malocados pela América corporativa na Suíça, em Luxemburgo, Cingapura, nas Bahamas e refúgios financeiros que tais.
Ao criticar a inocuidade dos atuais métodos de combate ao tráfico, Hillary não fez menção direta aos offshore tax havens, mas ela e seu chefe sabem que, se eles continuarem intocáveis, hermeticamente fechados à fiscalização, sem regulamentação de espécie alguma, o tráfico e a crise econômica jamais serão combatidos eficazmente. Pelos dados da controladoria de receitas do governo americano, a quase totalidade das cem maiores corporações do país mantém subsidiárias em países e principados onde os tributos ou são baixíssimos ou inexistem e o respeito ao sigilo bancário é até motivo de orgulho nacional. Só a AIG tem 18 subsidiárias em paraísos fiscais. O grupo Goldman Sachs abriu 3 nas Bermudas, 5 nas Ilhas Maurício e 15 nas Ilhas Cayman. O Lehman Brothers montou 31 nas Ilhas Cayman, onde o Bank of America controla 59 e o Morgan Stanley, 158. Por que, além dessas 158, o Morgan Stanley precisaria de mais 19 (nas Ilhas Jersey), 14 (nas Ilhas Marshall) e 29 (em Luxemburgo)? Os números são espantosos. Só em Cayman o Wachovia tem 16 subsidiárias (mais 3 nas Ilhas Virgens e 18 nas Bermudas). Menos ambicioso, o Countrywide Financial limitou-se a duas filiais em Guernsey, dependência do Reino Unido, a noroeste da França, onde a Polícia Federal jura que Paulo Maluf fez a sua gruta de Ali Babá. Nenhuma outra instituição bate o Citigroup, com 427 representações espalhadas por Luxemburgo, Cayman, Jersey, Bermudas e as Ilhas Channel. Em 2007, os cofres públicos americanos deixaram de arrecadar US$ 100 bilhões, evadidos para os paraísos fiscais. Calcula-se em cerca de US$ 12 trilhões a fortuna em ativos isentos de impostos secretamente guardados em bancos dos cinco continentes. Com um papelório desses, até as falcatruas do Madoff poderiam ser ressarcidas: 230 vezes. Desconfia-se que outras razões, além da burla ao imposto de renda, tenham levado a banca a criar tantas filiais e subsidiárias em paraísos fiscais. Lavagem de dinheiro? Mas isso não é coisa de gângster? Para esclarecer essa dúvida, assim como as que cercam a remessa de dólares das empresas de fachada envolvidas no escândalo da construtora Camargo Corrêa, só investindo na transparência. E para que haja transparência, é preciso acabar com o sigilo bancário. É o que pensa o secretário do Tesouro de Obama, Timothy Geithner, que no início da semana foi ao Congresso vender a ideia de que medidas duras precisam ser tomadas em todo o sistema financeiro, com abrangência mundial, o que inclui, forçosamente, o reajustamento de todas as instituições bancárias a uma regulamentação uniforme. Economia globalizada, crise global, vacina global. Na quinta-feira, no mesmo relatório em que propôs a troca do dólar por uma moeda internacional, a criação do Conselho de Coordenação Econômica Global, com poderes similares ao do Conselho de Segurança da ONU, e um limite ao crescimento desmesurado dos bancos, ao risco financeiro por eles assumido e seu nível de alavancagem, Joseph Stiglitz destacou a restrição a transações com paraísos fiscais como uma medida saneadora fundamental. A Justiça americana conseguiu dobrar o suíço USB, que no mês passado pagou uma multa de US$ 780 milhões e prometeu liberar informações sobre dezenas de milhares de clientes americanos visados pelo fisco. Outras instituições tomaram, de birra, a direção oposta, radicalizando seu “protecionismo”, principalmente nas Ilhas Jersey, Cayman e Guernsey, onde os hedge funds passaram a entrar sem nenhuma restrição. Foi uma declaração de guerra, com vilões bem definidos

março 4, 2008

CESP x Aeroceânica

novembro 13, 2007

Telecom Italia é investigada por espionagem

SÃO PAULO – A Telecom Italia está sendo investigada, na Itália, acusada de espionar competidores na Europa e no Brasil.
Segundo reportagem da revista italiana “L’Espresso”, a Telecom Italia contratou hackers para invadir máquinas de terceiros e obter informações confidenciais.
A revista, citando documentos obtidos junto a polícia italiana, afirma que alguns diretores da empresa italiana acessaram informações sobre operações das concorrentes Telefónica e América Móvil.
No Brasil, Embratel, Vivo e Telemar (Oi) também foram alvo da espionagem. As investigações culminaram com a prisão de três hackers italianos acusados de participar do esquema de espionagem.
Os casos de espionagem teriam se concentrado no período entre 2003 e 2005, diz a revista italiana “L’Espresso”.
No Brasil, a Telecom Italia esteve envolvida em outro escândalo de espionagem, desta vez envolvendo o controle da Brasil Telecom, empresa onde o grupo italiano tinha participação acionária e dividia o controle com outros investidores, como o Citigroup, o grupo Opportunity e fundos de pensão brasileiros.
Felipe Zmoginski, do
Plantão INFO

Terça-feira, 13 de novembro de 2007

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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