ENCALHE

junho 27, 2009

Jaz São Paulo: Entenda a sua cidade

Talvez eu tenha exagerado nesse título…Bom, agora já foi e não dá mais para apagar.
Alguém aí leu o Relatório do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, referente a 2008?
Eu também não. São 455 páginas!! E cheias de um monte de termos contábeis e legais, estatísticas, números que torna impossível de ser lida por um leigo, como é o caso deste que vos tecla.
Mas, na base da “muita raça e pouca técnica”, dá para tirar algumas informações bacanas. Ali explica-se, por exemplo, de onde vem ( ou “vêm”? ) as receitas do Município, indicando as diversas fontes. Por exemplo, diz o calhamaço:
“O maior destaque cabe ao ISS, cuja evolução superou o crescimento econômico do período, passando de segunda maior arrecadação para a primeira entre as receitas da PMSP. Os recursos do ISS, nos três últimos exercícios, superaram com folga a arrecadação da cota-parte do ICMS. Essa evolução decorreu, além do crescimento econômico, de medidas adotadas pela PMSP para evitar a evasão tributária, como a Nota Fiscal Eletrônica – NF-e e a mudança efetuada na legislação do ISS para evitar que prestadoras de serviços na capital criassem sedes em outras cidades da Grande São Paulo que cobravam menores alíquotas do imposto.”
Entenderam? Indica o relatório que o Imposto Sobre Serviços foi a campeã de receitas da Prefeitura. O que fazer com essa informação? Oras, sei lá. O importante é saber que veio de fonte oficial, e não via jornais. Outras:
- “As receitas realizadas em 2008 concentraram-se em quatro rubricas: ISS, 25,1% do total arrecadado; ICMS, 20,1%; IPTU, 13,1%; e IPVA, 6,7%, a soma das quatro corresponde a 65% do total.”;
- “Em 2008, final do quadriênio da gestão, os gastos da PMSP tiveram um incremento de 20,4% (R$3,8 bilhões), mais que o triplo da inflação do período (5,90% medida pelo IPCA), com destaque para as Secretarias de Saúde, Educação, Encargos Gerais do Município (EGM), Transportes e Serviços.” [ Essa preciosidade aqui, se fosse durante a gestão Marta e caísse nas mãos dos responsáveis pela propaganda dos tucanosdemos que passou esses dias, viraria: "Marta gasta 20% a mais em período eleitoral...Uso da máquina a todo vapor, para enganar o eleitor...etc" ];
- “Verificou-se também que, nas vistorias realizadas pela SPTrans, os índices de reprovação dos veículos são alarmantes, representando sério risco à incolumidade das pessoas. Tendo por base algumas informações obtidas relacionadas às inspeções de veículos realizadas pela SPTrans nas 8 (oito) áreas do subsistema local, evidenciam-se altos índices de reprovação. Os principais itens de reprovação referem-se, principalmente, a: freio; suspensão; eixo e tração. Consideramos gravíssima a conduta temerária da SMT ao prever no edital e no contrato o recolhimento de contribuição previdenciária, deixando de recolhê-la ao longo de 5 anos, sem adotar qualquer providência corretiva, o que pode vir a gerar elevados prejuízos ao Poder Público, tendo em vista a possibilidade de incidir em responsabilidade subsidiária.” [ Essa daqui, se entendi direito, é sobre os ônibus. E não parece nada bom. ].
E por aí vai.
Enfim, colegas, peguem este fim-de-semana frio e chuvoso, e dediquem-se a destrinchar este documento. A cidade se revelará em suas mais intincadas conexões, e a realidade se descortinará diante de vossos olhos.
Tenho dito.

maio 17, 2009

PAULISTA, O DESTEMIDO

Eu ia escrever um post, inspirado naquelas criaturas lodosas que costumam bater cartão nas seções de cartas dos jornais. Aquelas que escrevem “Lulla” ( copyright Eduardo Guimarães ); aquelas que, munidas do maior arsenal de criatividade literária jamais visto na Língua Portuguesa, costumam iniciar seus lamurientos queixumes com um “Urge que…”, e terminam com um “Pense nisso”.
Estas, digamos assim, pessoas, cresceram muito intelectualmente nos últimos 7 anos. Lembro-me bem. Seu foco não passava dos limites do município de São Paulo, quando este era governado pela dona Marta do PT. Todos os dias, cartas e mais cartas denunciavam, do alto de seu fervor cidadão, as mazelas da cidade: o túnel da Rebouças, os camelôs, a “Belezura”, as enchentes. Não ia muito além disso. Mas fizeram barulho, heim? Estas mesmas pessoas que deram seus votos a Maluf, Pitta, Collor, FHC, Serra e Kassab. Na Capital, estes personagens, dependendo do bairro, costumam chegar a 80% dos votos. Se fosse o Chávez, o imprensalão já gritava: “Ditadura! “.
Mas os limpos, justos, competentes, honestos, democráticos tucanos do DEMO já estão há 15 ou 16 anos trucidando o Estado de São Paulo, e não têm a intenção de largar o osso ( se é que eles deixarão pelo menos o “osso” ). E querem governar o Brasil de novo. Na verdade, eles não governaram. Eles assumiram o papel de “Piloto Automático”, já que quem guiava eram outros ( others… ).
Pois bem. A Marta saiu, o Lula tá lá. E essas pessoas ( os “lodosos” ) passaram a opinar sobre temas mais amplos, mais complexos e de maior monta. Deixaram a “ninharia” municipal prá lá.
E passaram a digressar sobre os “dólares de Cuba”, sobre a reforma tributária, política, sobre o Cesare Battisti, sobre a guerra do Iraque, sobre a situação na Venezuela, Bolívia, Paraguai, Equador, Afeganistão, o “apagão aéreo”e um monte de outras problemáticas.
Só acordaram um pouco quando o PCC atacou, há 3 anos. Claro, houve quem visse na ação da facção, a mão pesada do bolchevismo internacional ( leia-se: o “PT” ) tentando desestabilizar o governo paulista da ocasião.
Mas isso passou, e logo os lodosos passaram a se ocupar de assuntos do mais alto gabarito.
Com isso, deixaram passar várias estórias que ocorriam na frente de seus narizes, seja no âmbito local ( municipal ) ou estadual.
E nós, embasbacados, ficamos sem saber o que os lodosos pensam sobre a volta da Máfia dos Fiscais em São Paulo, sobre o longo e sofrido Apagão Educacional Continuado paulista ( obra dos sucessivos governos tucanos ), ou sobre o fato de que – saiu no Agora esta semana – há MENOS ÔNIBUS CIRCULANDO EM SÃO PAULO DO QUE HAVIA EM 2005!
Também não conseguimos acreditar que estes lodosos, sempre ciosos da necessidade de se combater o crime, ignoram solenemente a colossal série de indícios e fatos concretos que mostram que as polícias do estado de São Paulo ( Militar e Civil ) estão corroídas pela corrupção e pelo crime, assim como denúncias gravíssimas de que a própria Secretaria de Segurança paulista é um antro de corrupção, extorsões, chantagens e etc.
Não são estas pessoas – as lodosas – que vivem com medo até da sombra dentro de suas casas? Que querem a pena de morte para crianças do pré-primário? Que acham que em toda a esquina há um marginal esperando pelo bote?
E outras cositas más.
E então? Onde estão estes opinosos cidadãos de bem? Por quê se preocupam com a caderneta de poupança ou com os boxeadores cubanos, mas não querem nem olhar para a merda que sai pelos dutos destes governos de Serra e Kassab?
Voltarei ao assunto.

março 25, 2009

O Correio da Elite soluciona o problema de mobilidade nos dias de enchente na cidade de São Paulo!! Não fique boiando: SAIBA MAIS!

Ou melhor:
FIQUE BOIANDO SIM!!
A solução para os nossos problemas sempre estiveram diante de nós, em plena tela da TV. Quem tem olhos que veja!
Olha que beleza! São invenções que revolucionarão a forma com que o paulistano encara as inúmeras enchentes, que ocorrem com os simples e pacatos tsunamis que desabam sobre São Paulo, prejudicando o trânsito na Capital. A solução sempre esteve ao nosso alcance! Estes colchões infláveis são uma mão na roda. Parece que foram inventados justamente para este fim.

Família que boia em São Paulo unida, se diverte unida. Do limão, faça uma limonada. Mas não se desesperem. Em breve, muito breve, a água desaparecerá do planeta. Aí, vocês poderão tomar um Solzão sossegados, ficar naquele visú que tanto prezam, zanzar pela cidade com o carango. A água e a chuva não irão mais atrapalhar seu estilo de vida descolado, maior stáile. U-hú!

março 18, 2009

São Paulo de vento em popa: Imagens impressionantes da cidade submersa. Até quando??

Mapa de São Paulo. Observe que, há alguns milênios, neste mesmo lugar, se encontrava o continente de Atlãntida, antes de desaparecer sob o manto profundo das águas.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Athanasius_Kircher%27s_Atlantis.gif

Carro busca abrigo e se esconde da chuva debaixo de uma árvore. Com esses raios, essa não é uma boa idéia.

Paulistanos aguardam socorro, e sobem no teto do automóvel para fugirem do alagamento. Até quando, dona Marta? ATÉ QUANDO, MEU DEEEUSSS DO CÉÉU??? BUÁÁÁ!!

Olha aí, ó!! Tá rindo de nós, paulistanos de bem, eleitores conscientes!! É por isso, dona Marta do PT, que a gente não votou na senhora, viu? Votamos no Bonecão, e agora as coisas vão indo de vento em popa ( “vento em popa” é termo náutico, e tem tudo a ver com São Paulo de hoje em dia ). Que a senhora continue ( como castigo imposto pela nobre população de São Paulo à vossa pessoa ) exilada aí em Paris, bebendo champanhe.

março 17, 2009

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

ATEUS E CICLISTAS PELADOS

Eu me considero um “agnóstico”, na falta de palavra melhor. O que não significa que eu tenha passado anos de minha vida tentando colar em mim um rótulo que servisse para eu pertencer a qualquer “tribo” ( pois para mim, é disso que se trata, bem na acepção daquele programa na TV a Cabo apresentado por uma japonesinha lindinha { eu ia escrever “gostosa”, num incomum – da minha parte – e súbito ataque de sexismo e machismo } . Desculpem por isso. Me refiro à Daniela Suzuki. ), fazer amigos e ficar social.
Quando fiquei sabendo daquele grupo de ateus, agnósticos e etc que fundaram uma associação, ONG, ou sei-lá-o-quê, eu logo pensei: “Sex and the City”!
Explico: já viram aquelas matérias, tipo na Revista da Folha? Eles pegam um assunto que “está na moda” [ que, de certo modo, eles tratam de fazer "ficar na moda" ] mas que diga respeito a “comportamento”. Quando saiu o longa metragem da série “Sex and the City” nos cinemas, bastou descolar algumas mulheres dispostas a aparecer numa “reportagem” cujo tema seria “Quem são as ‘Sex and the City” paulistanas?”. O mesmo deu-se com relação a série “Gossip Girl”: “Quem são as “Gossip Girls” paulistanas?”.
Por isso, ao saber dos ateus, pensei: “Ônibus em Londres…”. Bem, que eles se sintam vítimas de preconceito por declararem em seu círculo de amizades, profissional ou sei lá…acho que, por mais que o brasileiro se declare religioso, católico, umbandista, evangélico etc, penso ser meio difícil por aqui alguém se importar de verdade com alguém que não siga quaisquer credos. Talvez os Testemunhas de Geová, mas esses acham que até os católicos e evangélicos são coisa do Satanás. Estou exagerando?
Enfim. Quando li – bem de relance, confesso – que houve uma bicicletada pelada na Paulista pensei: “Ativismo morno e festivo, e que só poderia ser feito na Paulista, mesmo.”
Pros jornais, tudo não passou de um bando de pelados andando de bicicleta ( umas gostosas, claro, havia ), já que duvido que alguém tenha levado a “mensagem” dos ativistas a sério e abandonado seu automóvel para sempre. Hábitos não se mudam assim tão fácil.
Não levei a sério. Gostaria de vê-los com seu “protesto” na avenida Sapopemba ou na Ragueb Chofi. Gostaria de vê-los tentando convencer o suburbano que pega o fim-de-semana para ficar com seu carro para cima e para baixo, rodando nas ruas do bairro, usando boné e óculos de camelô e fazendo cara de mau, rodando por rodar; rap, samba, reggae ou funk carioca no talo, escapamento aberto, motor “fuçado”, fazendo um puta barulho, estacionando sobre as calçadas, dirigindo bebaço e gastando gasolina e poluíndo o ar. Rodando por rodar, repito. Exibindo sua “macheza” pro bairro.
Então, uma equação básica fica assim: um monte de gente morre das formas mais horríveis e desgraçadas no Oriente Médio para que o suburbano brasileiro – ou, sei lá, paulistano, que eu conheço melhor – ficar brincando por aí de “Velozes e Furiosos”. Não tem “chamado à cidadania” ou “à consciência” que se oponha ao “cada um, cada um”.

ATEUS E CICLISTAS PELADOS

Eu me considero um “agnóstico”, na falta de palavra melhor. O que não significa que eu tenha passado anos de minha vida tentando colar em mim um rótulo que servisse para eu pertencer a qualquer “tribo” ( pois para mim, é disso que se trata, bem na acepção daquele programa na TV a Cabo apresentado por uma japonesinha lindinha { eu ia escrever “gostosa”, num incomum – da minha parte – e súbito ataque de sexismo e machismo } . Desculpem por isso. Me refiro à Daniela Suzuki. ), fazer amigos e ficar social.
Quando fiquei sabendo daquele grupo de ateus, agnósticos e etc que fundaram uma associação, ONG, ou sei-lá-o-quê, eu logo pensei: “Sex and the City”!
Explico: já viram aquelas matérias, tipo na Revista da Folha? Eles pegam um assunto que “está na moda” [ que, de certo modo, eles tratam de fazer "ficar na moda" ] mas que diga respeito a “comportamento”. Quando saiu o longa metragem da série “Sex and the City” nos cinemas, bastou descolar algumas mulheres dispostas a aparecer numa “reportagem” cujo tema seria “Quem são as ‘Sex and the City” paulistanas?”. O mesmo deu-se com relação a série “Gossip Girl”: “Quem são as “Gossip Girls” paulistanas?”.
Por isso, ao saber dos ateus, pensei: “Ônibus em Londres…”. Bem, que eles se sintam vítimas de preconceito por declararem em seu círculo de amizades, profissional ou sei lá…acho que, por mais que o brasileiro se declare religioso, católico, umbandista, evangélico etc, penso ser meio difícil por aqui alguém se importar de verdade com alguém que não siga quaisquer credos. Talvez os Testemunhas de Geová, mas esses acham que até os católicos e evangélicos são coisa do Satanás. Estou exagerando?
Enfim. Quando li – bem de relance, confesso – que houve uma bicicletada pelada na Paulista pensei: “Ativismo morno e festivo, e que só poderia ser feito na Paulista, mesmo.”
Pros jornais, tudo não passou de um bando de pelados andando de bicicleta ( umas gostosas, claro, havia ), já que duvido que alguém tenha levado a “mensagem” dos ativistas a sério e abandonado seu automóvel para sempre. Hábitos não se mudam assim tão fácil.
Não levei a sério. Gostaria de vê-los com seu “protesto” na avenida Sapopemba ou na Ragueb Chofi. Gostaria de vê-los tentando convencer o suburbano que pega o fim-de-semana para ficar com seu carro para cima e para baixo, rodando nas ruas do bairro, usando boné e óculos de camelô e fazendo cara de mau, rodando por rodar; rap, samba, reggae ou funk carioca no talo, escapamento aberto, motor “fuçado”, fazendo um puta barulho, estacionando sobre as calçadas, dirigindo bebaço e gastando gasolina e poluíndo o ar. Rodando por rodar, repito. Exibindo sua “macheza” pro bairro.
Então, uma equação básica fica assim: um monte de gente morre das formas mais horríveis e desgraçadas no Oriente Médio para que o suburbano brasileiro – ou, sei lá, paulistano, que eu conheço melhor – ficar brincando por aí de “Velozes e Furiosos”. Não tem “chamado à cidadania” ou “à consciência” que se oponha ao “cada um, cada um”.

ATEUS E CICLISTAS PELADOS

Eu me considero um “agnóstico”, na falta de palavra melhor. O que não significa que eu tenha passado anos de minha vida tentando colar em mim um rótulo que servisse para eu pertencer a qualquer “tribo” ( pois para mim, é disso que se trata, bem na acepção daquele programa na TV a Cabo apresentado por uma japonesinha lindinha { eu ia escrever “gostosa”, num incomum – da minha parte – e súbito ataque de sexismo e machismo } . Desculpem por isso. Me refiro à Daniela Suzuki. ), fazer amigos e ficar social.
Quando fiquei sabendo daquele grupo de ateus, agnósticos e etc que fundaram uma associação, ONG, ou sei-lá-o-quê, eu logo pensei: “Sex and the City”!
Explico: já viram aquelas matérias, tipo na Revista da Folha? Eles pegam um assunto que “está na moda” [ que, de certo modo, eles tratam de fazer "ficar na moda" ] mas que diga respeito a “comportamento”. Quando saiu o longa metragem da série “Sex and the City” nos cinemas, bastou descolar algumas mulheres dispostas a aparecer numa “reportagem” cujo tema seria “Quem são as ‘Sex and the City” paulistanas?”. O mesmo deu-se com relação a série “Gossip Girl”: “Quem são as “Gossip Girls” paulistanas?”.
Por isso, ao saber dos ateus, pensei: “Ônibus em Londres…”. Bem, que eles se sintam vítimas de preconceito por declararem em seu círculo de amizades, profissional ou sei lá…acho que, por mais que o brasileiro se declare religioso, católico, umbandista, evangélico etc, penso ser meio difícil por aqui alguém se importar de verdade com alguém que não siga quaisquer credos. Talvez os Testemunhas de Geová, mas esses acham que até os católicos e evangélicos são coisa do Satanás. Estou exagerando?
Enfim. Quando li – bem de relance, confesso – que houve uma bicicletada pelada na Paulista pensei: “Ativismo morno e festivo, e que só poderia ser feito na Paulista, mesmo.”
Pros jornais, tudo não passou de um bando de pelados andando de bicicleta ( umas gostosas, claro, havia ), já que duvido que alguém tenha levado a “mensagem” dos ativistas a sério e abandonado seu automóvel para sempre. Hábitos não se mudam assim tão fácil.
Não levei a sério. Gostaria de vê-los com seu “protesto” na avenida Sapopemba ou na Ragueb Chofi. Gostaria de vê-los tentando convencer o suburbano que pega o fim-de-semana para ficar com seu carro para cima e para baixo, rodando nas ruas do bairro, usando boné e óculos de camelô e fazendo cara de mau, rodando por rodar; rap, samba, reggae ou funk carioca no talo, escapamento aberto, motor “fuçado”, fazendo um puta barulho, estacionando sobre as calçadas, dirigindo bebaço e gastando gasolina e poluíndo o ar. Rodando por rodar, repito. Exibindo sua “macheza” pro bairro.
Então, uma equação básica fica assim: um monte de gente morre das formas mais horríveis e desgraçadas no Oriente Médio para que o suburbano brasileiro – ou, sei lá, paulistano, que eu conheço melhor – ficar brincando por aí de “Velozes e Furiosos”. Não tem “chamado à cidadania” ou “à consciência” que se oponha ao “cada um, cada um”.
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