ENCALHE

novembro 27, 2007

Jaz São Paulo: a metrópole anda menos corrupta?

Surgiu essa pergunta em minha cabeça, quando dava uma espanada nos recortes de jornais que se empilham no “Quarto Exclusivamente para Empilhar Jornais e Revistas” , que eu costumo usar para dormir à noite. Muito ácaro. A-A-t-Chimm!!!!!
Então, os papéis saltaram praticamente na minha cara: “Hei, Betão, lembra da Máfia dos Fiscais?”…
Quem não lembra? Vicente Viscome…
O atual prefeito Kassab fazia parte do governo Pitta, quando isso tudo saiu pelos bueiros. Mas parece que passou.
Mas aí, os papéis amarelados se mostraram impacientes: “E aí? Não tem lido muito, ultimamente? As caras aqui já são bem conhecidas. Traga algo novo. E aquela história das Subprefeituras e os bingos? Daquele advogado libanês ( ou turco, essa confusão é comum, desde a época da minha vó ) que pagaria “suposta” ( os jornais adoram o termo “suposto” ) propina a policiais?”.
Um recorte do Diário de São Paulo pulou na minha testa. Com a data de 21 de Junho, estava escrito: “Subprefeitura de Pinheiros na mira da CPI dos caça-níqueis”. Um Jornal do Commercio, de 02 de Julho, trazia o seguinte: “Bingos: escuta compromete subprefeito do Butantã”.
A-a-t-a–t-chimm! Snifff!!!
Nossa, que pó! Saía de um pedaço do JT, de oito de maio do ano passado ( 2006 ): “O mensalinho da Bresser”. Do que se trataria mesmo? Ah. Fiscais cobrando propina de camelôs, há mais de um ano ( ou seja , desde 2004 ). Parece que o fiscal foi afastado.
É bom o tratamento que o imprensalão dedica a tucanos e demagogos. O sujeito é afastado, e as notícias escasseiam.
Alguém pode me dizer: “Puta, cara. Você não tem nada para escrever, e fica aí trazendo coisas do passado, que já devem até ter sido resolvidas. Você quer porque quer achar alguma coisa contra o Serra, o Alckmin, o Kassab. Não tem nada, e por isso é que não sai nada. Não é que nem o mensalão, o maior roubo da história do mundo. Esse sim.”
Esse negócio de ‘deixar para o passado’ não acho que devesse ser assim. Um bom exemplo é esse do “Legitimo Valerioduto, o mineiro e tucano”. O passado não desapareceu e veio surgir, com outra pele, nestes dias. As coisas seguem um curso. No caso do “suposto mensalão”, o curso das coisas foi exposto até suas vísceras. A “Máfia dos Fiscais” também seguiu um curso, até a hora em que o esgoto começou a vazar.
O que eu quero perguntar é o porquê de certas vísceras serem expostas mais do que outras?
Olha só: o “Mensalinho da Bresser”. Esta região está sob a jurisdição da Subprefeitura da Moóca. Um recortezinho, vozinha bem fraca, proporcional ao seu tamanho, do Jornal do Commercio de 27/07/07, traz no último parágrafo ( a matéria era sobre “apitaço contra fiscalização” ) o seguinte: “(…) Hoje ( 27 ) os ambulantes fizeram um novo protesto. Eles acusam fiscais da subprefeitura de cobrança de propina para permitir que eles montem suas barracas na região. O órgão afirma que a denúncia não é verdadeira”(…).”
E fica por aí. O órgão disse que não era verdade, e pronto. Agora me digam: quantas pessoas, nos últimos anos, foram acusadas de algo, e se defenderam, dizendo que “não era verdade”?
Desse número, quantas não foram tratadas com ironias, subentendidos, insinuações, de modo que a sua palavra acabou não sendo a última? Quantos contam com a simpatia de algum veículo de comunicação?
Ora. Na época da “Máfia dos Fiscais”, se o próprio Pitta dissesse “não é verdade”, sobre acusações a ele ou a fiscais, ainda assim, os jornais não teriam deixado barato, como caso encerrado, e botado uma pedra em cima. Quantas coisas não foram negadas e deixadas de lado, até se provarem reais?
Agora, seleciono um pedaço do jornal aqui do bairro, a Folha da Vila Prudente. Colunão, desta semana:
“Muamba”
“O vereador Adilson Amadeu ( PTB )… apresentou na Câmara Municipal, um punhado de mercadorias piratas e contrabandeadas que ele comprou no chamado “Feirão da Madrugada”, que funciona na esquina das ruas São Caetano e Monsenhor de Andrade… O “empreendimento” já vem sendo motivo de crítica do edil há cerca de dois anos. Desde então, por amiores que sejam as denúncias de Amadeu, a Subprefeitura Mooca não tem tomado medidas para interromeper o comércio ilegal. Em vista disso, o vereador, para comprovar suas acusações, comprou produtos piratas e contarbandeados, que estão sendo enviados a SUB-MO.”
“Muamba II”
“A manifestação de Amadeu visa despertar as autoridades que no entender dele “tem feito vistas grossas para o Feirão, dando a impressão de estar complacente com um comércio que, além de ilegal, é extremamente prejudicial para a região(…)”.
Eu não quero, com isso, discutir questões relacionadas a camelôs, se é bom ou não, se suja ruas ou não. Não sou contra os camelôs, mas não compro nada deles. Não ligo para eles ficarem na calçada. Sou contra os automóveis.
Um vereador, pelo que parece, insinua ( ou “acusa”, diretamente ) que uma Subprefeitura estaria fazendo ‘vista grossa’ a comércio ilegal.
A “Máfia dos Fiscais” também se desenvolveu na base de “eventos isolados”, e nem por isso deixou de causar a maior dor de cabeça a Celso Pitta e a alguns administradores regionais e vereadores ( sem contar a população paulistana ). Quer dizer então que, uma somatória de “fatos isolados” envolvendo fiscais da Prefeitura de Celso Pitta, só se tornou algo digno de manchete do JT e do Estado, quendo estes jornais decidiram que dariam atenção aos eventos? Foi a partir daí, então, a impressão de que a cidade havia sido tomada por saúvas que extorquiam comerciantes, camelôs e jornaleiros, em uma escala ‘nunca antes vista’? Mas não eram apenas ‘casos isolados’?
Banca de jornais
Caiu na minha mão um Primeiramão de sábado, 24/11. Na seção de ‘Negócios e Oportunidades’ ( pág. 43 ) há um anúncio de alguém que quer vender uma banca de jornais em Vila Nova Conceição. Não está claro se se trata de uma ‘revistaria’ ( que não estaria estabelecida num logradouro e, assim, estaria sujeita a outra regulamentação ) ou de uma banca de lata, tradicional, na rua mesmo. Vou entender que se encaixa na segunda opção. O anúncio diz:
“BANCA DE JORNAL – Vl. Nova Conceição, 1.50 x 6.00m., próximo comércio, informatizada, com telefone e sorvete (…)”
Não pode. A lei municipal que regula a atividade de jornaleiros que estejam estabelecidos na rua, pagando TPU, etc não prevê o comércio de alimentos industrializados acima de 30 gramas, nem refrigerantes – a não ser os que trabalhem com fichas – e nem sorvetes.
Este é o cerne. O combustível, a graxa. A “Máfia dos Fiscais” do Pitta prosperou, e foi em cima desses impedimentos. O jornaleiro pagava para colocar sorvete e freezer e não ser importunado. E o dono desta banca anunciada deveria saber disso. Ele pode estar tentando tapear algum possível comprador que, após a aquisição, será obrigatoriamente visitado pela fiscalização – é praxe – e terá que retirar a geladeira, sob a pena de ter a TPU cassada. Perderá parte vital do faturamento e, se não for do ramo – e provavelmente não deve ser, pois um sujeito do ramo sabe da proibição – acabará, desesperadamente, sendo obrigado a vender seu estabelecimento. Em grande parte dos casos, para o mesmo sujeito de quem o comprou.
Vou dizer mais uma vez para você, principalmente ao paulistano que não achava que a Avenida Rebouças era mais importante para a cidade, do que o Apagão Educacional Continuado tucano: quando você estiver em uma banca, e nela tiver sorvete ou refrigerante, saiba que algo está errado. Está diante, ou de uma falha na fiscalização a cargo das Subprefeituras, ou de indícios de desonestidade, seja de fiscais ou de ambos. E, se a história for mais evidenciada, um fiscal será afastado e o Andrea Matarazzo dirá que ‘não é comum, que o responsável foi retirado de suas funções e isso é tudo’, e os jornais assim lidarão com o caso. As Senhoras da Rebouças concordarão e voltarão para seu tricô.
Termino de escrever essas linhas, e algumas notícias, sobre as Subprefeituras da Sé e Vila Mariana – o que significa 5 Subprefeituras sob suspeita ( Sé, Moóca, Vila Mariana, Butantã e Pinheiros – pulam em cima de mim, ciumentas, por não terem sido mencionadas.
A-A-a-t-tch-i-immm!!!!

setembro 14, 2007

Viúva de Toninho do PT comemora nova decisão da Justiça. Investigações serão retomadas.

Justiça rejeita denúncia sobre morte do Toninho do PT
Repórter Diário
13/09/2007
O presidente do Tribunal de Júri de Campinas, interior de São Paulo, José Henrique Torres, decidiu nesta quinta-feira (13) não aceitar a denúncia do Ministério Público que apontava a quadrilha do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como responsável pelo assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, há seis anos. Para o juiz, o processo não apresenta provas cabais.
A Promotoria de Justiça do Estado em Campinas vai recorrer amanhã da decisão, ao Tribunal de Justiça de São Paulo. “Essa decisão é um manifesto à impunidade, é antidemocrática porque subtrai do júri popular, do povo de Campinas, a possibilidade de olhar para este caso. E é ilegal porque exigiu que acrescentássemos provas cabais, enquanto o Código Penal fala de indício de autoria”, afirmou o promotor Fernando Vianna. “É uma decisão conservadora, anacrônica, que desconstrói as provas que produzimos. Estou indignado”, acrescentou.
Com a impronúncia da Justiça, a polícia deve retomar as investigações do caso. Hoje, a viúva de Toninho, a psicóloga Roseana Garcia, comemorou a decisão do juiz. “Ele (Torres) foi corajoso. E a gente fez um apelo ao Ministério Público para não recorrer, mas eles vão entrar com recurso, é lamentável. O Andinho está preso e os outros três homens, mortos. O resultado das investigações do Ministério Público é uma obra de ficção.” Torres não foi encontrado hoje para comentar sua decisão.
O Ministério Público em Campinas enviou à Vara do Júri em novembro de 2006 as alegações finais do processo que investigava a morte de Toninho do PT e pediu que Andinho fosse levado a júri popular. O suspeito está no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, a 589 quilômetros de São Paulo.
A Promotoria aponta Andinho como co-autor do crime. A autoria seria, segundo os promotores, de Anderson José Bastos, conhecido como Anso, suposto autor dos três disparos contra o carro do prefeito, morto na saída de um shopping da cidade por volta das 22h15 de 10 de setembro de 2001. Anso morreu em outubro de 2001, um mês após o assassinato do prefeito, em confronto com policiais. A Promotoria disse não ter elementos para associar as duas ocorrências.
A Polícia Civil de São Paulo classificou o crime como “comum” e atribuiu à quadrilha de Andinho a morte do prefeito. Para a corporação, o carro do prefeito teria atrapalhado uma fuga de Andinho, Anso, Valmir Conti (Valmirzinho) e Valdecir de Souza Moura (Fiínho). Assim como Anso, Valmirzinho morreu durante troca de tiros com a polícia em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, em outubro de 2001. Fiínho também foi morto em confronto com policiais, em fevereiro de 2002. (AE)

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