ENCALHE

agosto 29, 2009

"Obama e a ditadura em Honduras", por Jasson de Oliveira Andrade

“Obama e a ditadura em Honduras”
por Jasson de Oliveira Andrade

O golpe militar em Honduras, ocorrida em 28 de junho de 2009, dois meses depois encontra-se na mesma situação. O presidente deposto Manuel Zelaya, exilado na Costa Rica, tentou voltar, mas foi impedido na fronteira de seu país. Em vista dessa situação, Oscar Arias, presidente da Costa Rica, em artigo no The Washington Post, sob o título “A ameaça de militares poderosos”, transcrito no Estadão, constatou: “Paira sobre a América Latina um clima de incerteza e tumulto que, eu esperava, nossa região não voltaria a experimentar. O golpe em Honduras traz triste lembrete de que, apesar do progresso obtido na região, os erros do passado ainda estão muito próximos”. Adiante ele afirmou: “O golpe em Honduras demonstra, mais uma vez, que a combinação de militares poderosos e democracias frágeis cria um risco terrível”. No passado, já tivemos essa combinação com resultado terrível para a democracia na região, inclusive no Brasil. Com uma diferença. No passado, os golpes militares recebiam ajuda dos Estados Unidos. Carlos Heitor Cony, em artigo de abril de 2002, revelou: “Com exceção dos dois movimentos militares de novembro de 1955, no Brasil, [um para impedir a posse de Juscelino; outro para anular o golpe que a impediria] todos os golpes na América Latina foram planejados, executados ou apenas apoiados pelos Estados Unidos”. Alguns não aceitam que os americanos apoiaram tais golpes, inclusive o de 64 no Brasil. No entanto, documentos americanos, agora divulgados, confirmam esse apoio. A Folha, em 16/8/2009, na reportagem “MÉDICI E NIXON PLANEJARAM DERRUBAR ALLENDE”, comprova o apoio relatado. O documento americano revela que o encontro entre os dois presidentes deu-se no Salão Oval da Casa Branca, às 10 horas de 9 de dezembro de 1971. Dois anos depois, em setembro de 1973, o general Augusto Pinochet deu o golpe, que causou a morte do presidente Allende. Se no passado era desta maneira, atualmente os Estados Unidos não deram aval ao golpe em Honduras. Pelo contrário, o presidente Obama o desaprovou. É o que veremos a seguir.
O governo dos Estados Unidos condenou o golpe em Honduras, tomando algumas medidas diplomáticas como anular vistos diplomáticos de golpistas (Folha, 29/7), motivado pelo fato de que Washington não reconhecer o governo Micheletti, e recentemente a suspensão de vistos a hondurenhos (Folha 26/8). “A medida tenta minar apoio até aqui irrestrito de elite de Honduras ao regime golpista”, escreveu Sérgio Dávila. Mas apenas sanções diplomáticas não bastam. É o que informa Fabiano Maisonnave, em reportagem à Folha (13/8), sob o título “Só EUA podem ajudar deposto”: “A conservadora elite hondurenha se sente abandonada por Washington e crê que o golpe foi necessário para salvar Honduras do chavismo, trabalho que, para eles, deveria ter sido feito pela CIA. (…) Para Zelaya [presidente deposto], a falta de sanções econômicas duras dos EUA é a única explicação da sobrevivência dos golpistas. Sinal dos tempos: agora, tanto a direita quanto a esquerda exigem intervenção americana”. Obviamente de modo bem diferente. A conservadora elite hondurenha através da CIA, como era feito no passado. O presidente deposto através de sanções econômicas duras contra os golpistas. Não se devem misturar alhos com bugalhos!
Pelo visto, a democracia em Honduras talvez só volte em novembro deste ano, quando teremos eleições. Antes disto, dificilmente o presidente Zelaya reassuma a presidência, a não ser que haja uma intervenção mais contundente dos Estados Unidos. Vamos aguardar.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

dezembro 6, 2008

Envolvimento da Espanha na guerra de Bush: documentos desaparecem e o imprensalão brasileiro não fala nada!!

Tem saído no EL PAÍS, ao longo desta semana, uma série de matérias sobre o sumiço puro e simples de documentos que atestariam a permissão dada pelo ex-primeiro ministro espanhol Aznar, a aviões americanos transportando prisioneiros para Guantánamo SPA, que puderam fazer escala naquele país. Se meu espanhol estiver razoável, claro.
Eu não lembro de ter lido nada por aqui. Os portais portugueses são uma boa opção:
Voos da CIA: governo e oposição espanhola trocam acusações
Documentos apontam que Aznar aceitou que aviões com presos fizessem escala em aeroportos espanhóis
OU, em espanhol:
El autor del informe sobre los vuelos confirma que lo dejó en la caja fuerte – EL PAÍS
El Gobierno informará al juez y al Congreso del resultado de su investigación
Exteriores ordena la apertura de una investigación sobre los vuelos a Guantánamo
La Fiscalía pide al juez Moreno que llame a declarar al autor del informe sobre los vuelos a Guantánamo
En el escrito, que Exteriores no encuentra, EE UU solicitaba permiso a España para hacer escala con presos hacia Guantánamo - EL PAÍS
Documento: Documento sobre la connivencia del Gobierno del PP con Guantánamo (I)

Documento: El documento secreto que revela la complicidad española (ParteI)

Documento: El documento secreto que revela la complicidad española (Parte II)

Documento: La reacción difundida por Exteriores

Aproveitando que eu estava no site do EL PAÍS, descolei esta notícia:

El Departamento de Justicia de EE UU acusa formalmente a miembros de Blackwater
Los cargos caen sobre cinco agentes de la empresa privada de seguridad por la matanza de 17 civiles en Bagdad en septiembre de 2007

novembro 2, 2008

You Tube: Parlamentar japonês expõe na tribuna sua incredulidade com relação à versão oficial sobre o 11/09. Legendas em inglês.

OU:

http://www.youtube.com/watch?v=1eOpZMBcYdw

setembro 20, 2008

Governador de Pando admite ter ordenado interceptação de camponeses

BRASIL DE FATO, 19.09.08
Em audiência, Leopoldo Fernández confessou ter mandado funcionários de seu governo a El Porvenir, mas disse que tentou acalmar os ânimos
O governador de Pando, Leopoldo Fernández, admitiu à justiça boliviana, nesta quinta-feira (18), ter ordenado seus funcionários a interceptarem a marcha de camponeses até a capital do departamento, Cobija. Ele é acusado pelo massacre de, pelo menos, 16 agricultores, no dia 11, na cidade de El Porvenir. “A última coisa que eu disse ao Serviço Departamental de Estradas foi ‘vão lá e me abram essas valetas. Se não tem formas de parar, me abram essas valetas’”. Dia 16, Fernández foi detido pelas Forças Armadas na sede do governo departamental. Desde então, permanece preso em La Paz.
Fernández se referiu aos buracos abertos na estrada para impedir que a marcha seguisse. Logo depois que os camponeses decidiram voltar, abriu-se fogo contra eles. O juiz que interrogou Fernández afirmou que “o imputado, em sua exposição, estabeleceu que tinha conhecimento do que acontecia dias antes e no mesmo 11 de setembro, quando de registraram mortes de muitas pessoas, inclusive de inocentes”.
Os veículos do Serviço Departamental de Estradas foram identificados por várias testemunhas, que afirmaram que eles trouxeram homens armados em suas caçambas. O juiz disse, ainda, que, com essa ação, o governador de Pando colaborou para a possibilidade de ocorrer confrontos, o que, de fato, aconteceu, “apesar de assinalar que tentou apaziguar os ânimos e não chegar ao enfrentamento”.
Ainda na quinta-feira, foram encontrados mais dois corpos em El Porvenir, de uma criança de dois anos e de um camponês adulto.
Acusado de promover o massacre de camponeses em seu departamento, Fernández está preso desde o dia 16.
Assista vídeo com imagens do massacre em Pando
Nas cenas divulgadas por TV estatal, homens armados atiram contra agricultores que tentavam fugir por um rio
18/09/2008
Um vídeo divulgado pela Televisión Boliviana, (
http://www.youtube.com/watch?v=eFvRGemlv3k&feature=related ) canal estatal, revela imagens do massacre de camponeses ocorridos em Pando, no dia 11. As cenas mostram os agricultores se jogando no rio Tahuamanu, na cidade de El Porvenir, e tentando atravessá-lo, enquanto homens armados disparavam contra eles. Por volta do minuto 3:06, pode-se escutar um homem, às margens do rio, dizer: “Vamos tirá-los da água. Há vários índios… (palavra inaudível)… lá”. ?
Mídia acoberta terroristas da Bolívia
Altamiro Borges
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na Bolívia. A manipulação é grotesca até na terminologia
17/09/2008
“Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”. Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.
“Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo”. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como “líderes cívicos” e “dirigentes regionais”. Mirian Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros “colunistas” bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, “um radical e populista” que instigou o separatismo regional.
A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como “comitês cívicos” e “grupos rebeldes”. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como “negociador”.
A triste lembrança do Chile
O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo “império do mal”. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os “colunistas” que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de “esquerdização da América Latina”. Como verdadeiro “partido da direita e do capital”, a mídia burguesa não tolera a democracia!
Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. “O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende… Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio”, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.
O criminoso Philip Goldberg
A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de “uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país”. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.
Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada “grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio”. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.
Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan “terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita”. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. “Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país”, justificou o presidente Evo Morales.
Intensificar a solidariedade internacionalista
O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.
Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. “Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza”, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que “os fascistas não passarão”. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do “império do mal” e da mídia mentirosa.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi).

setembro 19, 2008

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

setembro 15, 2008

Una cuestión de vida o muerte para América Latina: Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia

Una cuestión de vida o muerte para América Latina
Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia
Por Víctor Ego Ducrot (*) Desde Buenos Aires
No existe otra tarea prioritaria. Frenar la estrategia de EE.UU. y al “cartel de la Media Luna”. Primero la política, si no con las armas. Brasil y Argentina están en el ojo del huracán.
El presidente Evo Morales debe ser defendido por la comunidad latinoamericana. Los jefes de Estado reunidos este lunes en Santiago de Chile deben pronunciarse con absoluta claridad y condenar a las fuerzas de ultra derecha del Oriente rico, apoyadas por Estados Unidos.
Morales, por vocación, por ser un fino un lector de las correlaciones de fuerzas al interior de su país y de la región, y por tener certezas sobre el componente provocador de la subversión fascista, priorizó el camino del diálogo y el mismo debe ser mantenido hasta las últimas consecuencias.
Pero si los prefectos, los empresarios sojeros -verdaderamente cartelizados con sus socios agropatronales de Argentina y Brasil- y todo el conglomerado de derecha, recientemente repudiado en las urnas, continúan con su escalada, los gobiernos y los pueblos de la región deberán respaldar las decisiones que el presidente boliviano pudiere adoptar en los planos militar y policial.
Argentina y Brasil hace tiempo que diseñan y tienen como política de Estado un elaborado programa de defensa común, basado en la protección de sus recursos naturales. Deben incorporar a ese programa, y en forma urgente, a las fuerzas armadas de Bolivia. Lo que está en juego en ese país es justamente un feraz reservorio de recursos naturales.
No habrá Mercosur ni política de integración regional posible si los elementos más agresivos del bloque hegemónico imponen su proyecto para Bolivia.
Ni Brasil, ni Argentina, ni ninguno de los países de la región deben permitir que los consorcios petroleros, abiertamente privados o disfrazados de “estatales” –como Petrobrás- jueguen sus propias cartas. Ellos y el complejo corporativo de la economía de la soja están comprometidos con la estrategia separatista para Bolivia.
Los mandatarios democráticos de la región deben tener en claro que si Evo Morales cae, sus propios gobiernos estarán en peligro, a menos que se conviertan en gestores de las grandes corporaciones transnacionalizadas, del gobierno de Estados Unidos y los “embajadores de la República de la Soja”.
El presidente Lula debería elegir entre dos discursos. El que señala como “extraña coincidencia” que Estados Unidos quiera desplegar maniobras navales justo en la región donde Petrobrás esta haciendo hallazgos de nuevas reservas petroleras oceánicas, y el que pone en pie de igualdad a las voluntades del gobierno de Bolivia y de la “oposición”.
La presidenta Cristina Fernández debería leer la utilización del caso Antonini Wilson por parte del gobierno de Estados Unidos (ver nota aparte) y el abroquelamiento de la derecha vernácula en torno al cartel agropatronal de la soja como capítulos locales de una estrategia hegemónica que tiene su epicentro más dramático en Bolivia.
En ese sentido, sería constructiva la visualización de que el pago irrestricto a los países del Club de París y las acusaciones a partidos de izquierda y otros por acciones de indignación popular sólo le restan credibilidad y ayudan al fortalecimiento de esa misma estrategia hegemónica.
A idéntico escenario pertenece la ofensiva golpista denunciada la semana pasada por el presidente venezolano Hugo Chávez, a la que seguramente, y en su oportunidad, su gobierno volverá a referirse, sobre todo respecto de las sanciones que se le vayan a aplicar a los involucrados, sean estos civiles o militares.
Un capítulo aparte merece el comportamiento de los oligopolios mediáticos que actúan en América Latina, comprometidos en forma sistemática con el golpismo, la destitución y la desestabilización de los procesos políticos que se atreven a afectar -aunque sea con la más baja de la intensidades- sus intereses corporativos, siempre atados a los diseños de la derecha.
No hay alternativa posible. O se defiende a Evo Morales y a la integridad territorial política y territorial de Bolivia, o el peor de los futuros amenazará a toda la región.
(*) El autor es director de APM y del Observatorio de Medios de Argentina.
14092008

Una cuestión de vida o muerte para América Latina: Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia

Una cuestión de vida o muerte para América Latina
Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia
Por Víctor Ego Ducrot (*) Desde Buenos Aires
No existe otra tarea prioritaria. Frenar la estrategia de EE.UU. y al “cartel de la Media Luna”. Primero la política, si no con las armas. Brasil y Argentina están en el ojo del huracán.
El presidente Evo Morales debe ser defendido por la comunidad latinoamericana. Los jefes de Estado reunidos este lunes en Santiago de Chile deben pronunciarse con absoluta claridad y condenar a las fuerzas de ultra derecha del Oriente rico, apoyadas por Estados Unidos.
Morales, por vocación, por ser un fino un lector de las correlaciones de fuerzas al interior de su país y de la región, y por tener certezas sobre el componente provocador de la subversión fascista, priorizó el camino del diálogo y el mismo debe ser mantenido hasta las últimas consecuencias.
Pero si los prefectos, los empresarios sojeros -verdaderamente cartelizados con sus socios agropatronales de Argentina y Brasil- y todo el conglomerado de derecha, recientemente repudiado en las urnas, continúan con su escalada, los gobiernos y los pueblos de la región deberán respaldar las decisiones que el presidente boliviano pudiere adoptar en los planos militar y policial.
Argentina y Brasil hace tiempo que diseñan y tienen como política de Estado un elaborado programa de defensa común, basado en la protección de sus recursos naturales. Deben incorporar a ese programa, y en forma urgente, a las fuerzas armadas de Bolivia. Lo que está en juego en ese país es justamente un feraz reservorio de recursos naturales.
No habrá Mercosur ni política de integración regional posible si los elementos más agresivos del bloque hegemónico imponen su proyecto para Bolivia.
Ni Brasil, ni Argentina, ni ninguno de los países de la región deben permitir que los consorcios petroleros, abiertamente privados o disfrazados de “estatales” –como Petrobrás- jueguen sus propias cartas. Ellos y el complejo corporativo de la economía de la soja están comprometidos con la estrategia separatista para Bolivia.
Los mandatarios democráticos de la región deben tener en claro que si Evo Morales cae, sus propios gobiernos estarán en peligro, a menos que se conviertan en gestores de las grandes corporaciones transnacionalizadas, del gobierno de Estados Unidos y los “embajadores de la República de la Soja”.
El presidente Lula debería elegir entre dos discursos. El que señala como “extraña coincidencia” que Estados Unidos quiera desplegar maniobras navales justo en la región donde Petrobrás esta haciendo hallazgos de nuevas reservas petroleras oceánicas, y el que pone en pie de igualdad a las voluntades del gobierno de Bolivia y de la “oposición”.
La presidenta Cristina Fernández debería leer la utilización del caso Antonini Wilson por parte del gobierno de Estados Unidos (ver nota aparte) y el abroquelamiento de la derecha vernácula en torno al cartel agropatronal de la soja como capítulos locales de una estrategia hegemónica que tiene su epicentro más dramático en Bolivia.
En ese sentido, sería constructiva la visualización de que el pago irrestricto a los países del Club de París y las acusaciones a partidos de izquierda y otros por acciones de indignación popular sólo le restan credibilidad y ayudan al fortalecimiento de esa misma estrategia hegemónica.
A idéntico escenario pertenece la ofensiva golpista denunciada la semana pasada por el presidente venezolano Hugo Chávez, a la que seguramente, y en su oportunidad, su gobierno volverá a referirse, sobre todo respecto de las sanciones que se le vayan a aplicar a los involucrados, sean estos civiles o militares.
Un capítulo aparte merece el comportamiento de los oligopolios mediáticos que actúan en América Latina, comprometidos en forma sistemática con el golpismo, la destitución y la desestabilización de los procesos políticos que se atreven a afectar -aunque sea con la más baja de la intensidades- sus intereses corporativos, siempre atados a los diseños de la derecha.
No hay alternativa posible. O se defiende a Evo Morales y a la integridad territorial política y territorial de Bolivia, o el peor de los futuros amenazará a toda la región.
(*) El autor es director de APM y del Observatorio de Medios de Argentina.
14092008

Una cuestión de vida o muerte para América Latina: Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia

Una cuestión de vida o muerte para América Latina
Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia
Por Víctor Ego Ducrot (*) Desde Buenos Aires
No existe otra tarea prioritaria. Frenar la estrategia de EE.UU. y al “cartel de la Media Luna”. Primero la política, si no con las armas. Brasil y Argentina están en el ojo del huracán.
El presidente Evo Morales debe ser defendido por la comunidad latinoamericana. Los jefes de Estado reunidos este lunes en Santiago de Chile deben pronunciarse con absoluta claridad y condenar a las fuerzas de ultra derecha del Oriente rico, apoyadas por Estados Unidos.
Morales, por vocación, por ser un fino un lector de las correlaciones de fuerzas al interior de su país y de la región, y por tener certezas sobre el componente provocador de la subversión fascista, priorizó el camino del diálogo y el mismo debe ser mantenido hasta las últimas consecuencias.
Pero si los prefectos, los empresarios sojeros -verdaderamente cartelizados con sus socios agropatronales de Argentina y Brasil- y todo el conglomerado de derecha, recientemente repudiado en las urnas, continúan con su escalada, los gobiernos y los pueblos de la región deberán respaldar las decisiones que el presidente boliviano pudiere adoptar en los planos militar y policial.
Argentina y Brasil hace tiempo que diseñan y tienen como política de Estado un elaborado programa de defensa común, basado en la protección de sus recursos naturales. Deben incorporar a ese programa, y en forma urgente, a las fuerzas armadas de Bolivia. Lo que está en juego en ese país es justamente un feraz reservorio de recursos naturales.
No habrá Mercosur ni política de integración regional posible si los elementos más agresivos del bloque hegemónico imponen su proyecto para Bolivia.
Ni Brasil, ni Argentina, ni ninguno de los países de la región deben permitir que los consorcios petroleros, abiertamente privados o disfrazados de “estatales” –como Petrobrás- jueguen sus propias cartas. Ellos y el complejo corporativo de la economía de la soja están comprometidos con la estrategia separatista para Bolivia.
Los mandatarios democráticos de la región deben tener en claro que si Evo Morales cae, sus propios gobiernos estarán en peligro, a menos que se conviertan en gestores de las grandes corporaciones transnacionalizadas, del gobierno de Estados Unidos y los “embajadores de la República de la Soja”.
El presidente Lula debería elegir entre dos discursos. El que señala como “extraña coincidencia” que Estados Unidos quiera desplegar maniobras navales justo en la región donde Petrobrás esta haciendo hallazgos de nuevas reservas petroleras oceánicas, y el que pone en pie de igualdad a las voluntades del gobierno de Bolivia y de la “oposición”.
La presidenta Cristina Fernández debería leer la utilización del caso Antonini Wilson por parte del gobierno de Estados Unidos (ver nota aparte) y el abroquelamiento de la derecha vernácula en torno al cartel agropatronal de la soja como capítulos locales de una estrategia hegemónica que tiene su epicentro más dramático en Bolivia.
En ese sentido, sería constructiva la visualización de que el pago irrestricto a los países del Club de París y las acusaciones a partidos de izquierda y otros por acciones de indignación popular sólo le restan credibilidad y ayudan al fortalecimiento de esa misma estrategia hegemónica.
A idéntico escenario pertenece la ofensiva golpista denunciada la semana pasada por el presidente venezolano Hugo Chávez, a la que seguramente, y en su oportunidad, su gobierno volverá a referirse, sobre todo respecto de las sanciones que se le vayan a aplicar a los involucrados, sean estos civiles o militares.
Un capítulo aparte merece el comportamiento de los oligopolios mediáticos que actúan en América Latina, comprometidos en forma sistemática con el golpismo, la destitución y la desestabilización de los procesos políticos que se atreven a afectar -aunque sea con la más baja de la intensidades- sus intereses corporativos, siempre atados a los diseños de la derecha.
No hay alternativa posible. O se defiende a Evo Morales y a la integridad territorial política y territorial de Bolivia, o el peor de los futuros amenazará a toda la región.
(*) El autor es director de APM y del Observatorio de Medios de Argentina.
14092008

Una cuestión de vida o muerte para América Latina: Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia

Una cuestión de vida o muerte para América Latina
Defender a Evo y asegurar la integridad de Bolivia
Por Víctor Ego Ducrot (*) Desde Buenos Aires
No existe otra tarea prioritaria. Frenar la estrategia de EE.UU. y al “cartel de la Media Luna”. Primero la política, si no con las armas. Brasil y Argentina están en el ojo del huracán.
El presidente Evo Morales debe ser defendido por la comunidad latinoamericana. Los jefes de Estado reunidos este lunes en Santiago de Chile deben pronunciarse con absoluta claridad y condenar a las fuerzas de ultra derecha del Oriente rico, apoyadas por Estados Unidos.
Morales, por vocación, por ser un fino un lector de las correlaciones de fuerzas al interior de su país y de la región, y por tener certezas sobre el componente provocador de la subversión fascista, priorizó el camino del diálogo y el mismo debe ser mantenido hasta las últimas consecuencias.
Pero si los prefectos, los empresarios sojeros -verdaderamente cartelizados con sus socios agropatronales de Argentina y Brasil- y todo el conglomerado de derecha, recientemente repudiado en las urnas, continúan con su escalada, los gobiernos y los pueblos de la región deberán respaldar las decisiones que el presidente boliviano pudiere adoptar en los planos militar y policial.
Argentina y Brasil hace tiempo que diseñan y tienen como política de Estado un elaborado programa de defensa común, basado en la protección de sus recursos naturales. Deben incorporar a ese programa, y en forma urgente, a las fuerzas armadas de Bolivia. Lo que está en juego en ese país es justamente un feraz reservorio de recursos naturales.
No habrá Mercosur ni política de integración regional posible si los elementos más agresivos del bloque hegemónico imponen su proyecto para Bolivia.
Ni Brasil, ni Argentina, ni ninguno de los países de la región deben permitir que los consorcios petroleros, abiertamente privados o disfrazados de “estatales” –como Petrobrás- jueguen sus propias cartas. Ellos y el complejo corporativo de la economía de la soja están comprometidos con la estrategia separatista para Bolivia.
Los mandatarios democráticos de la región deben tener en claro que si Evo Morales cae, sus propios gobiernos estarán en peligro, a menos que se conviertan en gestores de las grandes corporaciones transnacionalizadas, del gobierno de Estados Unidos y los “embajadores de la República de la Soja”.
El presidente Lula debería elegir entre dos discursos. El que señala como “extraña coincidencia” que Estados Unidos quiera desplegar maniobras navales justo en la región donde Petrobrás esta haciendo hallazgos de nuevas reservas petroleras oceánicas, y el que pone en pie de igualdad a las voluntades del gobierno de Bolivia y de la “oposición”.
La presidenta Cristina Fernández debería leer la utilización del caso Antonini Wilson por parte del gobierno de Estados Unidos (ver nota aparte) y el abroquelamiento de la derecha vernácula en torno al cartel agropatronal de la soja como capítulos locales de una estrategia hegemónica que tiene su epicentro más dramático en Bolivia.
En ese sentido, sería constructiva la visualización de que el pago irrestricto a los países del Club de París y las acusaciones a partidos de izquierda y otros por acciones de indignación popular sólo le restan credibilidad y ayudan al fortalecimiento de esa misma estrategia hegemónica.
A idéntico escenario pertenece la ofensiva golpista denunciada la semana pasada por el presidente venezolano Hugo Chávez, a la que seguramente, y en su oportunidad, su gobierno volverá a referirse, sobre todo respecto de las sanciones que se le vayan a aplicar a los involucrados, sean estos civiles o militares.
Un capítulo aparte merece el comportamiento de los oligopolios mediáticos que actúan en América Latina, comprometidos en forma sistemática con el golpismo, la destitución y la desestabilización de los procesos políticos que se atreven a afectar -aunque sea con la más baja de la intensidades- sus intereses corporativos, siempre atados a los diseños de la derecha.
No hay alternativa posible. O se defiende a Evo Morales y a la integridad territorial política y territorial de Bolivia, o el peor de los futuros amenazará a toda la región.
(*) El autor es director de APM y del Observatorio de Medios de Argentina.
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