ENCALHE

fevereiro 7, 2007

PMDB e tucanos elegem Chinaglia

Jasson de Oliveira Andrade

No dia 1º de fevereiro tivemos duas eleições: no Senado e na Câmara Federal. A eleiçăo do Senado năo teve surpresas. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), governista, foi reeleito. O resultado: Renan, 51 votos, derrotou José Agripino Maia (PFL-RN), 28 votos. A única surpresa foi a eleiçăo do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para presidir a CAE. Fernando Rodrigues, em artigo à Folha, comenta: “A vida de um governador atritado com o PT poderá virar um inferno a partir de agora. A poderosa Comissăo de Assuntos Econômicos do Senado será presidido por Aloizio Mercadante (PT-SP). Os Estados săo escravos dessa comissăo. (…) O poder da CAE para atazanar governadores é infinita. (…) Năo é certo que Mercadante se comporte dessa forma. OK, mas, se o fizer, Serra terá a quem recorrer em momentos de necessidade”. O senador petista, portanto, ressurgiu das cinzas. Tornou-se poderoso. Entretanto, a năo ser o comentário de Fernando Rodrigues, a imprensa silenciou sobre a eleiçăo dele!
Em artigo anterior, afirmei que, caso houvesse segundo turno, o PSDB seria o fiel da balança. Foi o que realmente aconteceu. A vitória de Arlindo Chinaglia por apenas 18 votos se deveu aos tucanos, principalmente de Serra. No primeiro turno, Chinaglia obteve 236 votos, Aldo Rebelo, 175 votos e Fruet, 98 votos. No segundo turno, o candidato petista teve mais 25 votos de oposicionistas, somando 261 votos. Aldo conseguiu 68 votos dos oposicionistas, ficando com 243 votos, somente 18 votos a menos (Em 28/9/2005, Aldo venceu José Thomaz Nono, do PFL, por apenas 15 votos!). Os analistas políticos creditam aos tucanos esses 25 votos. Ou pelo menos a maioria deles. Dora Kramer revela os bastidores da eleiçăo: “Antes do final do primeiro turno da eleiçăo da presidência da Câmara, os adeptos de Arlindo Chinaglia preocupavam-se com a margem de vantagem entre ele e Aldo Rebelo. Se fosse pequena demais, temiam que prevalecesse no resultado final o sentimento antipetista, muito forte na Casa. (…) Quando a dianteira revelou-se de 61 votos, respiraram relativamente aliviados e partiram para a conquista dos tucanos”. Conquista essa que garantiu a eleiçăo de Chinaglia. Segundo reportagem do Estadăo (3/2): “Serra mandou PSDB despejar voto em Chinaglia – “A águia pousou’ foi a senha do deputado Jutahy Júnior para que tucanos apoiassem petista no 2º turno”. Na mesma reportagem, o deputado José Aníbal (PSDB-SP), ligado a FHC e Alckmin, reconheceu: “É lamentável, mas nós [tucanos] demos a presidência da Câmara para o PT”. Na reportagem “Apoio a petista abre crise entre PSDB e PFL”, a Folha (3/2) revelou: “Nos bastidores, os tucanos admitiram ter transferido “até mais” que os 25 votos angariados por Chinaglia do primeiro para o segundo turno. O mapeamento interno do partido mostra que a maioria deles saiu das bancadas de Săo Paulo (9) e de Minas Gerais (5)”. O PFL também culpa os tucanos. José Carlos Aleluia (PFL-BA) disse que o “o PSDB é o responsável pela tomada do poder deste grupo majoritário do PT”.
Luiz Antonio Magalhăes também năo descarta a ajuda dos tucanos na eleiçăo do petista, dizendo: “é bastante provável que os 25 votos que deram a vitória a Chinaglia tenham vindo justamente do PSDB, uma vez que os parlamentares da “terceira via” anunciaram apoio a Aldo Rebelo, ao passo que o líder tucano na Câmara [Antonio Carlos Pannunzio, ligado a Serra] anunciou que a bancada estava liberada para votar em qualquer dos candidatos. Foram, portanto, os votos do PSDB, possivelmente acertados entre Chinaglia e os governadores José Serra e Aécio Neves, por intermédio do ex-líder Juthay Jr. (BA), que deram a vitória ao PT na disputa da Câmara”. O jornalista “calculava que a pressăo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pelo voto em Aldo no segundo turno pudesse comover o tucanato. Năo comove mais. Como diz o ditado, rei morto, rei posto. A bola está com Serra e Aécio e os dois, por questơes regionais, preferiram Chinaglia. Resta saber se o PT vai cumprir a sua parte e eleger o PSDB nas assembléias estaduais de Săo Paulo [em 15 de março] e Minas…” A conferir.
Segundo Renata Lo Prete, no Painel da Folha: “O acordo entre PSDB e PT para desovar voto tucanos em Arlindo Chinaglia (PT-SP) no segundo turno incluiu a nomeaçăo de Carlos Sampaio (PSDB-SP) para a Ouvidoria da Câmara”. Năo resta dúvida que o apoio de tucanos foi importante. No entanto, o fundamental para a vitória de Chinaglia se deveu, principalmente, ao PMDB. Dessa vez, os peemedebistas foram fiéis, inclusive Michel Temer, que apoiou Alckmin!
Quanto ao racha entre os aliados, Lula declarou: “Năo tem feridas. Ou seja, se houve rusgas por causa da disputa, elas serăo consertadas pela tradiçăo da convivência democrática. A relaçăo entre PT e PC do B é histórica. Săo 30 anos que năo văo criar uma crise por causa de 30 dias”. Vamos aguardar.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Postado por Redaçăo Portal Mogi Guaçu

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