ENCALHE

abril 11, 2009

Números da crise ( 8 )

Filed under: Brasil, China, crise econômica mundial, Economia, números da crise — Humberto @ 7:21 am
Executivo prevê que Brasil e China “puxarão” os emergentes
DCI
Qui, 09 de Abril de 2009
Mohamed El-Erian, principal executivo da Pacific Investment Management Co. (Pimco), disse que os países emergentes que estão registrando superávits e estão dispostos a lançar planos de incentivo fiscal “enormes” são os que têm a maior capacidade de se recuperar da recessão mundial.
“China e Brasil são dois dos que estão encabeçando esse processo”, disse El-Erian, na sede da Pimco em Newport Beach, no estado norte-americano da Califórnia, em entrevista à Bloomberg Radio, concedida na última quinta-feira. “O fundamental para um investidor em mercados emergentes é fazer diferenciação. Esta não é hora de tratar a categoria de ativos como homogênea.”
A Pimco, a maior gestora mundial de fundos de bônus, com cerca de US$ 747 bilhões em ativos, prevê que os índices mundiais de crescimento se desacelerarão em relação aos níveis históricos, uma vez que as contas dos consumidores e os balanços corporativos encolhem e se reduz a ênfase em tomar empréstimos para aumentar os retornos. As economias ocidentais, como a dos EUA, vão se recuperar mais devagar devido aos custos da revitalização do crescimento e da adoção de nova regulamentação para o sistema financeiro, disse El-Erian.
“A gente quer investir em países que têm uma situação de credor, que estão administrando superávits e têm enorme espaço para incentivos fiscais”, disse El-Erian, que também atua como co-diretor de investimentos ao lado do fundador da Pimco, William Gross. “Esses são os países que vão se levantar mais depressa e esses são os paises em que os preços dos ativos terão desempenho superior à média.”
El-Erian, 50, trabalhou 14 anos no Fundo Monetário Internacional (FMI), chegando ao cargo de vice-diretor. Ele ingressou na Salomon Smith Barney como diretor executivo, em Londres, em 1997, antes de entrar na Pimco, dois anos depois.
A reunião de cúpula do G-20, da semana passada, ficará aquém das expectativas em termos de resultados devido à falta de liderança, disse ele. “Todos acham que têm uma estratégia hegemônica, mas, se não cooperarem, o resultado ficará abaixo do esperado”, disse El-Erian.

Recuperação de emergentes é mais ágil
09/04/2009

Gazeta Mercantil
9 de Abril de 2009 - Mohamed El-Erian, principal executivo da Pacific Investment Management (Pimco), disse que os países emergentes que estão registrando superávits e estão dispostos a lançar planos de incentivo fiscal “enormes” são os que têm a maior capacidade de se recuperar da recessão mundial.
“China e Brasil são dois dos que estão encabeçando esse processo”, disse El-Erian na sede da Pimco em Newport Beach, na Califórnia, em entrevista à Bloomberg Radio. “O fundamental, para um investidor em mercados emergentes, é fazer diferenciação. Esta não é hora de tratar a categoria de ativos como homogênea.”
Índices globais
A Pimco, a maior gestora mundial de fundos de bônus, com cerca de US$ 747 bilhões em ativos, prevê que os índices mundiais de crescimento se desacelerarão em relação aos níveis históricos, uma vez que as contas dos consumidores e os balanços corporativos encolhem e se reduz a ênfase em tomar empréstimos para aumentar os retornos. As economias ocidentais como a dos EUA vão se recuperar mais devagar devido aos custos da revitalização do crescimento e da adoção de nova regulamentação para o sistema financeiro, disse El-Erian.
Onde investir
“A gente quer investir em países que têm uma situação de credor, que estão administrando superávits e têm enorme espaço para incentivos fiscais”, disse El-Erian, que também atua como co-diretor de investimentos ao lado do fundador da Pimco, William Gross. “Esses são os países que vão se levantar mais depressa e esses são os países em que os preços dos ativos terão desempenho superior à média.”
Expectativa pelo G20
El-Erian, 50, trabalhou 14 anos no Fundo Monetário Internacional (FMI), chegando ao cargo de vice-diretor. Ele ingressou na Salomon Smith Barney como diretor executivo em Londres em 1997 antes de entrar na Pimco, dois anos depois.
A reunião de cúpula do G-20, da semana passada, ficará aquém das expectativas em termos de resultados devido à falta de liderança, disse ele.
“Estados Unidos, Europa e mercados emergentes acham que têm uma estratégia hegemônica, mas, se não cooperarem, o resultado ficará abaixo do esperado”, disse El-Erian. “Precisamos de liderança.”
(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 15)
(Thomas R. Keene e Daniel Kruger Bloomberg News)

“O mundo aposta no Brasil”
No ano passado, a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha recebeu cinco mil consultas de empresas alemãs interessadas em investir no mercado brasileiro. Nos três primeiros meses de 2009, foram duas mil sondagens. A continuar nesse ritmo, o número de negócios fechados deve disparar. A explicação está na economia mundial. Segundo o presidente da entidade, Weber Porto, o Brasil se tornou uma saída viável para a crise. Weber conversou com o repórter Hugo Cilo.
Não parece contraditório o interesse pelo Brasil crescer neste momento de crise?

Não. Hoje o Brasil é reconhecido como um local seguro para investimentos. Isso faz do País uma saída para a crise. Diante da aversão maior ao risco, economias mais maduras como a brasileira são destino certo de investimentos.
As empresas alemãs apostam no Brasil?
As montadoras mantiveram os planos porque miram o longo prazo. A Bayer desembolsou recentemente R$ 140 milhões apenas em projetos de modernização. A Thyssen, do setor de mineração, vai investir a partir deste ano cerca de 4,5 bilhões de euros. Ou seja, os investimentos continuam em alta.
Já existem negócios concretos?
Fomos consultados por três empresas como a Cartier, a Louis Vuitton e a H.Stern.
Quais são os setores mais atraentes para os alemães? Existem muitos. Mas agricultura, mineração e energia receberão os maiores volumes de investimentos. ( IstoÉ Dinheiro, edição 601 )

março 20, 2009

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Calote dos Estados Unidos na China Comunista", por Jasson de Oliveira Andrade

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao não quer perder o sono e nem a grana
A gravíssima crise econômica dos Estados Unidos afeta o mundo todo, além disso, também está mudando conceitos que eram impensáveis até pouco tempo. Já abordei um desses conceitos. Os Estados Unidos, como líderes inconteste do capitalismo, são, por princípio, pela livre empresa, privativistas e anti-estatizantes, atualmente vive um dilema: estatiza ou não estatiza os bancos americanos? Nunca iria pensar que eles iriam viver tal dilema! Outro fato impensável: os Estados Unidos devedores à China comunista. Pior. Eles poderão dar o calote nos chineses. Custa-nos acreditar que essa situação esteja ocorrendo.
Antes de analisar o possível calote à China, vamos mostrar o que acontecia até pouco tempo. Os países, principalmente os sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, tomavam emprestado do FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi o que aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Elio Gaspari, em artigo à Folha (15/3/2009), relata: “Fernando Henrique Cardoso criou a crise cambial em 1999 um ano antes, quando desistiu de tirar o economista Gustavo Franco da presidência do Banco Centro, perseverando na sobrevalorização do real”. Em vista dessa situação, o governo FHC se socorreu do FMI, com grande empréstimo, o qual foi pago pelo governo Lula. Este fato foi muito elogiado. No entanto, o que nos interessa é que a atuação do Fundo Monetário Internacional não é tão visível como acontecia na década 90. Tanto assim, que os Estados Unidos se socorreram da China comunista.
Clovis Rossi, no artigo “Pensando o impensável” (Folha, 14/3/2009), faz essa surpreendente revelação: “Teste para o leitor: se você ler que um importante líder político está dizendo que um determinado país deve “manter sua credibilidade, honrar seus compromissos e garantir os ativos de nosso país”, vai imediatamente pensar que alguém está falando em risco de calote no Brasil, na Argentina, na Venezuela ou em algum outro exótico país tropical, certo? (…) Era certo até uns anos atrás. Agora, a frase, literalmente reproduzida, é do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, e o alvo são, sim, os Estados Unidos da América. (…) “Nós emprestamos uma enorme quantia de dinheiro aos Estados Unidos e, naturalmente, estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”, disse Wen”. Adiante o jornalista analisa: “Mas não pense que é apenas aquela velha história de que quem não dorme à noite é o credor, nunca o devedor. Desde que a crise global se agravou, a partir do último trimestre do ano passado [2008], a palavra calote, associada aos Estados Unidos, começou a aparecer aqui e ali, a princípio timidamente”. Segundo Clovis Rossi a possibilidade desse calote pelos norte-americanos “aí a coisa ficou realmente assustadora”. O jornalista foi além. E se a China comunista parar de financiar os EUA? Responde Rossi: “quem vai perder o sono somos todos nós”.
O economista Celso Ming, no artigo que escreveu ao Estadão (17/3/2009), sob o título “O calote do dólar”, também abordou o temor de Wen, primeiro-ministro chinês. O economista constatou: “A contundência de Wen não caiu no vazio”. Domingo [15/3], na entrevista à imprensa que se seguiu ao encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Barack Obama se sentiu na obrigação de garantir a absoluta segurança dos títulos de dívida do seu país: “Cada investidor, e não apenas o governo chinês, pode ter absoluta confiança na saúde dos seus investimentos nos Estados Unidos”.
O possível calote do país líder do capitalismo a uma nação comunista era e ainda é impensável, como afirmou o jornalista Clovis Rossi. A responsabilidade do presidente Obama em manter os compromissos (dívidas) de seu país é grande. Ele não pode fracassar. Se falhar, perderemos o sono!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2009

"Calote dos Estados Unidos na China Comunista", por Jasson de Oliveira Andrade

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao não quer perder o sono e nem a grana
A gravíssima crise econômica dos Estados Unidos afeta o mundo todo, além disso, também está mudando conceitos que eram impensáveis até pouco tempo. Já abordei um desses conceitos. Os Estados Unidos, como líderes inconteste do capitalismo, são, por princípio, pela livre empresa, privativistas e anti-estatizantes, atualmente vive um dilema: estatiza ou não estatiza os bancos americanos? Nunca iria pensar que eles iriam viver tal dilema! Outro fato impensável: os Estados Unidos devedores à China comunista. Pior. Eles poderão dar o calote nos chineses. Custa-nos acreditar que essa situação esteja ocorrendo.
Antes de analisar o possível calote à China, vamos mostrar o que acontecia até pouco tempo. Os países, principalmente os sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, tomavam emprestado do FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi o que aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Elio Gaspari, em artigo à Folha (15/3/2009), relata: “Fernando Henrique Cardoso criou a crise cambial em 1999 um ano antes, quando desistiu de tirar o economista Gustavo Franco da presidência do Banco Centro, perseverando na sobrevalorização do real”. Em vista dessa situação, o governo FHC se socorreu do FMI, com grande empréstimo, o qual foi pago pelo governo Lula. Este fato foi muito elogiado. No entanto, o que nos interessa é que a atuação do Fundo Monetário Internacional não é tão visível como acontecia na década 90. Tanto assim, que os Estados Unidos se socorreram da China comunista.
Clovis Rossi, no artigo “Pensando o impensável” (Folha, 14/3/2009), faz essa surpreendente revelação: “Teste para o leitor: se você ler que um importante líder político está dizendo que um determinado país deve “manter sua credibilidade, honrar seus compromissos e garantir os ativos de nosso país”, vai imediatamente pensar que alguém está falando em risco de calote no Brasil, na Argentina, na Venezuela ou em algum outro exótico país tropical, certo? (…) Era certo até uns anos atrás. Agora, a frase, literalmente reproduzida, é do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, e o alvo são, sim, os Estados Unidos da América. (…) “Nós emprestamos uma enorme quantia de dinheiro aos Estados Unidos e, naturalmente, estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”, disse Wen”. Adiante o jornalista analisa: “Mas não pense que é apenas aquela velha história de que quem não dorme à noite é o credor, nunca o devedor. Desde que a crise global se agravou, a partir do último trimestre do ano passado [2008], a palavra calote, associada aos Estados Unidos, começou a aparecer aqui e ali, a princípio timidamente”. Segundo Clovis Rossi a possibilidade desse calote pelos norte-americanos “aí a coisa ficou realmente assustadora”. O jornalista foi além. E se a China comunista parar de financiar os EUA? Responde Rossi: “quem vai perder o sono somos todos nós”.
O economista Celso Ming, no artigo que escreveu ao Estadão (17/3/2009), sob o título “O calote do dólar”, também abordou o temor de Wen, primeiro-ministro chinês. O economista constatou: “A contundência de Wen não caiu no vazio”. Domingo [15/3], na entrevista à imprensa que se seguiu ao encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Barack Obama se sentiu na obrigação de garantir a absoluta segurança dos títulos de dívida do seu país: “Cada investidor, e não apenas o governo chinês, pode ter absoluta confiança na saúde dos seus investimentos nos Estados Unidos”.
O possível calote do país líder do capitalismo a uma nação comunista era e ainda é impensável, como afirmou o jornalista Clovis Rossi. A responsabilidade do presidente Obama em manter os compromissos (dívidas) de seu país é grande. Ele não pode fracassar. Se falhar, perderemos o sono!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2009

"Calote dos Estados Unidos na China Comunista", por Jasson de Oliveira Andrade

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao não quer perder o sono e nem a grana
A gravíssima crise econômica dos Estados Unidos afeta o mundo todo, além disso, também está mudando conceitos que eram impensáveis até pouco tempo. Já abordei um desses conceitos. Os Estados Unidos, como líderes inconteste do capitalismo, são, por princípio, pela livre empresa, privativistas e anti-estatizantes, atualmente vive um dilema: estatiza ou não estatiza os bancos americanos? Nunca iria pensar que eles iriam viver tal dilema! Outro fato impensável: os Estados Unidos devedores à China comunista. Pior. Eles poderão dar o calote nos chineses. Custa-nos acreditar que essa situação esteja ocorrendo.
Antes de analisar o possível calote à China, vamos mostrar o que acontecia até pouco tempo. Os países, principalmente os sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, tomavam emprestado do FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi o que aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Elio Gaspari, em artigo à Folha (15/3/2009), relata: “Fernando Henrique Cardoso criou a crise cambial em 1999 um ano antes, quando desistiu de tirar o economista Gustavo Franco da presidência do Banco Centro, perseverando na sobrevalorização do real”. Em vista dessa situação, o governo FHC se socorreu do FMI, com grande empréstimo, o qual foi pago pelo governo Lula. Este fato foi muito elogiado. No entanto, o que nos interessa é que a atuação do Fundo Monetário Internacional não é tão visível como acontecia na década 90. Tanto assim, que os Estados Unidos se socorreram da China comunista.
Clovis Rossi, no artigo “Pensando o impensável” (Folha, 14/3/2009), faz essa surpreendente revelação: “Teste para o leitor: se você ler que um importante líder político está dizendo que um determinado país deve “manter sua credibilidade, honrar seus compromissos e garantir os ativos de nosso país”, vai imediatamente pensar que alguém está falando em risco de calote no Brasil, na Argentina, na Venezuela ou em algum outro exótico país tropical, certo? (…) Era certo até uns anos atrás. Agora, a frase, literalmente reproduzida, é do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, e o alvo são, sim, os Estados Unidos da América. (…) “Nós emprestamos uma enorme quantia de dinheiro aos Estados Unidos e, naturalmente, estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”, disse Wen”. Adiante o jornalista analisa: “Mas não pense que é apenas aquela velha história de que quem não dorme à noite é o credor, nunca o devedor. Desde que a crise global se agravou, a partir do último trimestre do ano passado [2008], a palavra calote, associada aos Estados Unidos, começou a aparecer aqui e ali, a princípio timidamente”. Segundo Clovis Rossi a possibilidade desse calote pelos norte-americanos “aí a coisa ficou realmente assustadora”. O jornalista foi além. E se a China comunista parar de financiar os EUA? Responde Rossi: “quem vai perder o sono somos todos nós”.
O economista Celso Ming, no artigo que escreveu ao Estadão (17/3/2009), sob o título “O calote do dólar”, também abordou o temor de Wen, primeiro-ministro chinês. O economista constatou: “A contundência de Wen não caiu no vazio”. Domingo [15/3], na entrevista à imprensa que se seguiu ao encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Barack Obama se sentiu na obrigação de garantir a absoluta segurança dos títulos de dívida do seu país: “Cada investidor, e não apenas o governo chinês, pode ter absoluta confiança na saúde dos seus investimentos nos Estados Unidos”.
O possível calote do país líder do capitalismo a uma nação comunista era e ainda é impensável, como afirmou o jornalista Clovis Rossi. A responsabilidade do presidente Obama em manter os compromissos (dívidas) de seu país é grande. Ele não pode fracassar. Se falhar, perderemos o sono!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2009

"Calote dos Estados Unidos na China Comunista", por Jasson de Oliveira Andrade

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao não quer perder o sono e nem a grana
A gravíssima crise econômica dos Estados Unidos afeta o mundo todo, além disso, também está mudando conceitos que eram impensáveis até pouco tempo. Já abordei um desses conceitos. Os Estados Unidos, como líderes inconteste do capitalismo, são, por princípio, pela livre empresa, privativistas e anti-estatizantes, atualmente vive um dilema: estatiza ou não estatiza os bancos americanos? Nunca iria pensar que eles iriam viver tal dilema! Outro fato impensável: os Estados Unidos devedores à China comunista. Pior. Eles poderão dar o calote nos chineses. Custa-nos acreditar que essa situação esteja ocorrendo.
Antes de analisar o possível calote à China, vamos mostrar o que acontecia até pouco tempo. Os países, principalmente os sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, tomavam emprestado do FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi o que aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Elio Gaspari, em artigo à Folha (15/3/2009), relata: “Fernando Henrique Cardoso criou a crise cambial em 1999 um ano antes, quando desistiu de tirar o economista Gustavo Franco da presidência do Banco Centro, perseverando na sobrevalorização do real”. Em vista dessa situação, o governo FHC se socorreu do FMI, com grande empréstimo, o qual foi pago pelo governo Lula. Este fato foi muito elogiado. No entanto, o que nos interessa é que a atuação do Fundo Monetário Internacional não é tão visível como acontecia na década 90. Tanto assim, que os Estados Unidos se socorreram da China comunista.
Clovis Rossi, no artigo “Pensando o impensável” (Folha, 14/3/2009), faz essa surpreendente revelação: “Teste para o leitor: se você ler que um importante líder político está dizendo que um determinado país deve “manter sua credibilidade, honrar seus compromissos e garantir os ativos de nosso país”, vai imediatamente pensar que alguém está falando em risco de calote no Brasil, na Argentina, na Venezuela ou em algum outro exótico país tropical, certo? (…) Era certo até uns anos atrás. Agora, a frase, literalmente reproduzida, é do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, e o alvo são, sim, os Estados Unidos da América. (…) “Nós emprestamos uma enorme quantia de dinheiro aos Estados Unidos e, naturalmente, estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”, disse Wen”. Adiante o jornalista analisa: “Mas não pense que é apenas aquela velha história de que quem não dorme à noite é o credor, nunca o devedor. Desde que a crise global se agravou, a partir do último trimestre do ano passado [2008], a palavra calote, associada aos Estados Unidos, começou a aparecer aqui e ali, a princípio timidamente”. Segundo Clovis Rossi a possibilidade desse calote pelos norte-americanos “aí a coisa ficou realmente assustadora”. O jornalista foi além. E se a China comunista parar de financiar os EUA? Responde Rossi: “quem vai perder o sono somos todos nós”.
O economista Celso Ming, no artigo que escreveu ao Estadão (17/3/2009), sob o título “O calote do dólar”, também abordou o temor de Wen, primeiro-ministro chinês. O economista constatou: “A contundência de Wen não caiu no vazio”. Domingo [15/3], na entrevista à imprensa que se seguiu ao encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Barack Obama se sentiu na obrigação de garantir a absoluta segurança dos títulos de dívida do seu país: “Cada investidor, e não apenas o governo chinês, pode ter absoluta confiança na saúde dos seus investimentos nos Estados Unidos”.
O possível calote do país líder do capitalismo a uma nação comunista era e ainda é impensável, como afirmou o jornalista Clovis Rossi. A responsabilidade do presidente Obama em manter os compromissos (dívidas) de seu país é grande. Ele não pode fracassar. Se falhar, perderemos o sono!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2009

"Calote dos Estados Unidos na China Comunista", por Jasson de Oliveira Andrade

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao não quer perder o sono e nem a grana
A gravíssima crise econômica dos Estados Unidos afeta o mundo todo, além disso, também está mudando conceitos que eram impensáveis até pouco tempo. Já abordei um desses conceitos. Os Estados Unidos, como líderes inconteste do capitalismo, são, por princípio, pela livre empresa, privativistas e anti-estatizantes, atualmente vive um dilema: estatiza ou não estatiza os bancos americanos? Nunca iria pensar que eles iriam viver tal dilema! Outro fato impensável: os Estados Unidos devedores à China comunista. Pior. Eles poderão dar o calote nos chineses. Custa-nos acreditar que essa situação esteja ocorrendo.
Antes de analisar o possível calote à China, vamos mostrar o que acontecia até pouco tempo. Os países, principalmente os sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, tomavam emprestado do FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi o que aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Elio Gaspari, em artigo à Folha (15/3/2009), relata: “Fernando Henrique Cardoso criou a crise cambial em 1999 um ano antes, quando desistiu de tirar o economista Gustavo Franco da presidência do Banco Centro, perseverando na sobrevalorização do real”. Em vista dessa situação, o governo FHC se socorreu do FMI, com grande empréstimo, o qual foi pago pelo governo Lula. Este fato foi muito elogiado. No entanto, o que nos interessa é que a atuação do Fundo Monetário Internacional não é tão visível como acontecia na década 90. Tanto assim, que os Estados Unidos se socorreram da China comunista.
Clovis Rossi, no artigo “Pensando o impensável” (Folha, 14/3/2009), faz essa surpreendente revelação: “Teste para o leitor: se você ler que um importante líder político está dizendo que um determinado país deve “manter sua credibilidade, honrar seus compromissos e garantir os ativos de nosso país”, vai imediatamente pensar que alguém está falando em risco de calote no Brasil, na Argentina, na Venezuela ou em algum outro exótico país tropical, certo? (…) Era certo até uns anos atrás. Agora, a frase, literalmente reproduzida, é do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, e o alvo são, sim, os Estados Unidos da América. (…) “Nós emprestamos uma enorme quantia de dinheiro aos Estados Unidos e, naturalmente, estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”, disse Wen”. Adiante o jornalista analisa: “Mas não pense que é apenas aquela velha história de que quem não dorme à noite é o credor, nunca o devedor. Desde que a crise global se agravou, a partir do último trimestre do ano passado [2008], a palavra calote, associada aos Estados Unidos, começou a aparecer aqui e ali, a princípio timidamente”. Segundo Clovis Rossi a possibilidade desse calote pelos norte-americanos “aí a coisa ficou realmente assustadora”. O jornalista foi além. E se a China comunista parar de financiar os EUA? Responde Rossi: “quem vai perder o sono somos todos nós”.
O economista Celso Ming, no artigo que escreveu ao Estadão (17/3/2009), sob o título “O calote do dólar”, também abordou o temor de Wen, primeiro-ministro chinês. O economista constatou: “A contundência de Wen não caiu no vazio”. Domingo [15/3], na entrevista à imprensa que se seguiu ao encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Barack Obama se sentiu na obrigação de garantir a absoluta segurança dos títulos de dívida do seu país: “Cada investidor, e não apenas o governo chinês, pode ter absoluta confiança na saúde dos seus investimentos nos Estados Unidos”.
O possível calote do país líder do capitalismo a uma nação comunista era e ainda é impensável, como afirmou o jornalista Clovis Rossi. A responsabilidade do presidente Obama em manter os compromissos (dívidas) de seu país é grande. Ele não pode fracassar. Se falhar, perderemos o sono!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2009

"Calote dos Estados Unidos na China Comunista", por Jasson de Oliveira Andrade

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao não quer perder o sono e nem a grana
A gravíssima crise econômica dos Estados Unidos afeta o mundo todo, além disso, também está mudando conceitos que eram impensáveis até pouco tempo. Já abordei um desses conceitos. Os Estados Unidos, como líderes inconteste do capitalismo, são, por princípio, pela livre empresa, privativistas e anti-estatizantes, atualmente vive um dilema: estatiza ou não estatiza os bancos americanos? Nunca iria pensar que eles iriam viver tal dilema! Outro fato impensável: os Estados Unidos devedores à China comunista. Pior. Eles poderão dar o calote nos chineses. Custa-nos acreditar que essa situação esteja ocorrendo.
Antes de analisar o possível calote à China, vamos mostrar o que acontecia até pouco tempo. Os países, principalmente os sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, tomavam emprestado do FMI (Fundo Monetário Internacional). Foi o que aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Elio Gaspari, em artigo à Folha (15/3/2009), relata: “Fernando Henrique Cardoso criou a crise cambial em 1999 um ano antes, quando desistiu de tirar o economista Gustavo Franco da presidência do Banco Centro, perseverando na sobrevalorização do real”. Em vista dessa situação, o governo FHC se socorreu do FMI, com grande empréstimo, o qual foi pago pelo governo Lula. Este fato foi muito elogiado. No entanto, o que nos interessa é que a atuação do Fundo Monetário Internacional não é tão visível como acontecia na década 90. Tanto assim, que os Estados Unidos se socorreram da China comunista.
Clovis Rossi, no artigo “Pensando o impensável” (Folha, 14/3/2009), faz essa surpreendente revelação: “Teste para o leitor: se você ler que um importante líder político está dizendo que um determinado país deve “manter sua credibilidade, honrar seus compromissos e garantir os ativos de nosso país”, vai imediatamente pensar que alguém está falando em risco de calote no Brasil, na Argentina, na Venezuela ou em algum outro exótico país tropical, certo? (…) Era certo até uns anos atrás. Agora, a frase, literalmente reproduzida, é do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, e o alvo são, sim, os Estados Unidos da América. (…) “Nós emprestamos uma enorme quantia de dinheiro aos Estados Unidos e, naturalmente, estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”, disse Wen”. Adiante o jornalista analisa: “Mas não pense que é apenas aquela velha história de que quem não dorme à noite é o credor, nunca o devedor. Desde que a crise global se agravou, a partir do último trimestre do ano passado [2008], a palavra calote, associada aos Estados Unidos, começou a aparecer aqui e ali, a princípio timidamente”. Segundo Clovis Rossi a possibilidade desse calote pelos norte-americanos “aí a coisa ficou realmente assustadora”. O jornalista foi além. E se a China comunista parar de financiar os EUA? Responde Rossi: “quem vai perder o sono somos todos nós”.
O economista Celso Ming, no artigo que escreveu ao Estadão (17/3/2009), sob o título “O calote do dólar”, também abordou o temor de Wen, primeiro-ministro chinês. O economista constatou: “A contundência de Wen não caiu no vazio”. Domingo [15/3], na entrevista à imprensa que se seguiu ao encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Barack Obama se sentiu na obrigação de garantir a absoluta segurança dos títulos de dívida do seu país: “Cada investidor, e não apenas o governo chinês, pode ter absoluta confiança na saúde dos seus investimentos nos Estados Unidos”.
O possível calote do país líder do capitalismo a uma nação comunista era e ainda é impensável, como afirmou o jornalista Clovis Rossi. A responsabilidade do presidente Obama em manter os compromissos (dívidas) de seu país é grande. Ele não pode fracassar. Se falhar, perderemos o sono!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2009
Posts mais antigos »

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.