Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
O deputado federal Marcelo Itagiba pensava ter seu dia de glória, mas foi atropelado pela ironia cética do delegado Protógenes e por alguns outros deputados da CPI, que perceberam que Itagiba queria seguir seu script incriminatório contra o delegado, a despeito dos demais.
Logo no início, Itagiba quis apresentar um power-point em que apontaria contradições entre o depoimento anterior de Protógenes com outros feitos à CPI. O programa simplesmente não abriu.
Começava mal o show que Itagiba desenhara. Teve então que fazer as perguntas, sem o power-point. Recebeu como resposta a cada uma delas, a mesma ladainha, que lembrava ao deputado o objetivo da CPI:
“Deputado federal Marcelo Itagiba, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito cujo objeto jurídico é a interceptação clandestina de telefones, eu me abstenho de responder a vossa excelência.”
Antes, durante os cinco minutos livres que teve para dirigir-se à Comissão, Protógenes deu outra informação que caiu como uma bomba: a PF, naquele momento, realizava nova operação na sede do Opportunity [ Nota deste blog: Ahahahahahah! ].
A seguir, Itagiba tentou passar o power-point mais uma vez, mas foi impedido por deputados. Começou um bate-boca. O deputado federal Chico Alencar acusou Itagiba de ter recebido dinheiro de sócio de Dantas para a campanha, o que ele não tinha como negar, pois foi declarado ao TRE. Era o fim.
Itagiba ainda ficou ali comandando os trabalhos, mas não os rumos do depoimento. Ele estava apenas marcando o tempo a que cada deputado tinha direito. Apenas um cronometrista. O depoimento de Protógenes escapara completamente ao roteiro que Itagiba havia concebido.
Em dado momento, ele simplesmente saiu. Foi ao banheiro? Quase. Abandonou a CPI para dar um depoimento ao Jornal Nacional, encomenda de Kamel para fechar a nota sobre Protógenes. E Itagiba repetiu o que vem dizendo há muito, mas que já não batia com a realidade:
“Ele (Protógenes Queiroz) está incorrendo no crime de falso testemunho, porque não retificou as informações que ele deu no início dessa CPI, que foram contestadas por todos aqueles que compareceram e depuseram na CPI”, afirmou Itagiba.
Fim melancólico para quem esperava viver seu dia de glória, talvez até com a prisão de Protógenes.
Agora teremos, na semana que vem, o depoimento de Daniel Dantas à CPI. Alguém acredita nisso? Duvi-d-o-dó. Dantas não abre nem geladeira, pois quando uma luz acende à sua frente, ele já imagina uma nova operação da PF para prendê-lo.
Vamos ver qual a desculpa que Itagiba irá usar para dispensar o banqueiro condenado.
Logo no início, Itagiba quis apresentar um power-point em que apontaria contradições entre o depoimento anterior de Protógenes com outros feitos à CPI. O programa simplesmente não abriu.
Começava mal o show que Itagiba desenhara. Teve então que fazer as perguntas, sem o power-point. Recebeu como resposta a cada uma delas, a mesma ladainha, que lembrava ao deputado o objetivo da CPI:
“Deputado federal Marcelo Itagiba, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito cujo objeto jurídico é a interceptação clandestina de telefones, eu me abstenho de responder a vossa excelência.”
Antes, durante os cinco minutos livres que teve para dirigir-se à Comissão, Protógenes deu outra informação que caiu como uma bomba: a PF, naquele momento, realizava nova operação na sede do Opportunity [ Nota deste blog: Ahahahahahah! ].
A seguir, Itagiba tentou passar o power-point mais uma vez, mas foi impedido por deputados. Começou um bate-boca. O deputado federal Chico Alencar acusou Itagiba de ter recebido dinheiro de sócio de Dantas para a campanha, o que ele não tinha como negar, pois foi declarado ao TRE. Era o fim.
Itagiba ainda ficou ali comandando os trabalhos, mas não os rumos do depoimento. Ele estava apenas marcando o tempo a que cada deputado tinha direito. Apenas um cronometrista. O depoimento de Protógenes escapara completamente ao roteiro que Itagiba havia concebido.
Em dado momento, ele simplesmente saiu. Foi ao banheiro? Quase. Abandonou a CPI para dar um depoimento ao Jornal Nacional, encomenda de Kamel para fechar a nota sobre Protógenes. E Itagiba repetiu o que vem dizendo há muito, mas que já não batia com a realidade:
“Ele (Protógenes Queiroz) está incorrendo no crime de falso testemunho, porque não retificou as informações que ele deu no início dessa CPI, que foram contestadas por todos aqueles que compareceram e depuseram na CPI”, afirmou Itagiba.
Fim melancólico para quem esperava viver seu dia de glória, talvez até com a prisão de Protógenes.
Agora teremos, na semana que vem, o depoimento de Daniel Dantas à CPI. Alguém acredita nisso? Duvi-d-o-dó. Dantas não abre nem geladeira, pois quando uma luz acende à sua frente, ele já imagina uma nova operação da PF para prendê-lo.
Vamos ver qual a desculpa que Itagiba irá usar para dispensar o banqueiro condenado.
BÔNUS:
Itagiba não consegue criar factóide na CPI
O delegado federal Protógenes Queiroz prestou depoimento na quarta-feira (08) na CPI dos grampos e negou que a Operação Satiagraha, comandada por ele, e que desvendou vários crimes cometidos pela quadrilha de Daniel Dantas, tenha cometido ilegalidades.
Logo no início da sessão, após o pronunciamento de abertura da testemunha, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba, tentou apresentar um painel de slides – intitulado “Onde está a verdade” – que, segundo ele, revelaria incongruências nas declarações de Queiroz, mas a iniciativa foi muito criticada e acabou sendo rejeitada pelos integrantes da comissão. “Essa não é uma boa prática e poderia abrir um grave precedente”, advertiu o deputado Pompeu de Matos (PDT-RS), um dos autores da convocação do delegado. Estranhamente, Itagiba tem feito vários comentários desabonadores contra o delegado e ameaçou-o com a possibilidade de prendê-lo, caso desse depoimentos contraditórios na CPI.
Caracterizando Daniel Dantas como “banqueiro bandido” e “banqueiro condenado”, o delegado Queiroz frustrou as tentativas do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) de desviar o assunto e confirmou as denúncias das atividades criminosas do sócio fundador do Banco Opportunity. O delegado evitou abordar assuntos protegidos por segredo de Justiça e lançou mão algumas vezes do direito de ficar calado, amparado por habeas corpus concedido pelo STF.
Ele informou à CPI que na Operação Satiagraha foram encontrados documentos nas dependências da multinacional Kroll – que ela obteve por meio de espionagem – que são “nocivos a autoridades brasileiras e ao país”. Que a Kroll possuía documentos contra empresas com interesses contrários aos de Daniel Dantas e ao do grupo Oportunity. “A Justiça americana solicitou que a Kroll apresentasse todos os dados de espionagem contra a BrasilTelecom. A empresa apresentou mais de 250 caixas contendo documentos que eram nocivos ao país”, disse.
Segundo Protógenes, entre os documentos estaria um contrato de acerto acionário entre as partes, que ele chamou de “guarda-chuva”, elaborado em 1992, e que traria a divisão de áreas de interesses. O acordo dividiria interesses como a exploração da transposição do Rio São Francisco; a privatização da Vale do Rio Doce; a venda de cerca de 49% das ações da Petrobrás; e a exploração do subsolo nacional. “Alguém aqui imaginaria que na carteira de Daniel Dantas havia concessão do subsolo brasileiro, em um número maior do que a Vale do Rio Doce? São mais de mil concessões”, indagou. “Daniel Dantas tem mais concessões do subsolo que a Vale do Rio Doce”, prosseguiu Protógenes.
Ele negou que tenha investigado autoridades do atual governo, como a ministra Dilma Rousseff, o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu ou o filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e denunciou que foi investigado por pessoas que possivelmente eram ligadas ao “banqueiro bandido”. “Fui monitorado durante as investigações e tomei providências para descobrir de onde elas vinham”, afirmou. Negou também que tivesse investigado o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Sobre a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, Protógenes disse que essa questão perdeu objeto em razão de decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que entendeu que agentes da Abin e da PF podem trabalhar juntos. “Vou me abster de responder. A decisão do TRF-3 rejeitou o trancamento da ação penal na qual Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa”. Ele disse que a Abin colaborou em mais de 160 operações da PF, não apenas na Satiagraha, e ninguém nunca levantou nada contra. ( HORA DO POVO, 10.04.09 )
O delegado federal Protógenes Queiroz prestou depoimento na quarta-feira (08) na CPI dos grampos e negou que a Operação Satiagraha, comandada por ele, e que desvendou vários crimes cometidos pela quadrilha de Daniel Dantas, tenha cometido ilegalidades.
Logo no início da sessão, após o pronunciamento de abertura da testemunha, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba, tentou apresentar um painel de slides – intitulado “Onde está a verdade” – que, segundo ele, revelaria incongruências nas declarações de Queiroz, mas a iniciativa foi muito criticada e acabou sendo rejeitada pelos integrantes da comissão. “Essa não é uma boa prática e poderia abrir um grave precedente”, advertiu o deputado Pompeu de Matos (PDT-RS), um dos autores da convocação do delegado. Estranhamente, Itagiba tem feito vários comentários desabonadores contra o delegado e ameaçou-o com a possibilidade de prendê-lo, caso desse depoimentos contraditórios na CPI.
Caracterizando Daniel Dantas como “banqueiro bandido” e “banqueiro condenado”, o delegado Queiroz frustrou as tentativas do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) de desviar o assunto e confirmou as denúncias das atividades criminosas do sócio fundador do Banco Opportunity. O delegado evitou abordar assuntos protegidos por segredo de Justiça e lançou mão algumas vezes do direito de ficar calado, amparado por habeas corpus concedido pelo STF.
Ele informou à CPI que na Operação Satiagraha foram encontrados documentos nas dependências da multinacional Kroll – que ela obteve por meio de espionagem – que são “nocivos a autoridades brasileiras e ao país”. Que a Kroll possuía documentos contra empresas com interesses contrários aos de Daniel Dantas e ao do grupo Oportunity. “A Justiça americana solicitou que a Kroll apresentasse todos os dados de espionagem contra a BrasilTelecom. A empresa apresentou mais de 250 caixas contendo documentos que eram nocivos ao país”, disse.
Segundo Protógenes, entre os documentos estaria um contrato de acerto acionário entre as partes, que ele chamou de “guarda-chuva”, elaborado em 1992, e que traria a divisão de áreas de interesses. O acordo dividiria interesses como a exploração da transposição do Rio São Francisco; a privatização da Vale do Rio Doce; a venda de cerca de 49% das ações da Petrobrás; e a exploração do subsolo nacional. “Alguém aqui imaginaria que na carteira de Daniel Dantas havia concessão do subsolo brasileiro, em um número maior do que a Vale do Rio Doce? São mais de mil concessões”, indagou. “Daniel Dantas tem mais concessões do subsolo que a Vale do Rio Doce”, prosseguiu Protógenes.
Ele negou que tenha investigado autoridades do atual governo, como a ministra Dilma Rousseff, o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu ou o filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e denunciou que foi investigado por pessoas que possivelmente eram ligadas ao “banqueiro bandido”. “Fui monitorado durante as investigações e tomei providências para descobrir de onde elas vinham”, afirmou. Negou também que tivesse investigado o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Sobre a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, Protógenes disse que essa questão perdeu objeto em razão de decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que entendeu que agentes da Abin e da PF podem trabalhar juntos. “Vou me abster de responder. A decisão do TRF-3 rejeitou o trancamento da ação penal na qual Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa”. Ele disse que a Abin colaborou em mais de 160 operações da PF, não apenas na Satiagraha, e ninguém nunca levantou nada contra. ( HORA DO POVO, 10.04.09 )

TRIVELA
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Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
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Dicionário Jurídico – A a Z – Nota Dez
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PROFESSOR HARIOVALDO ALMEIDA PRADO
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