ENCALHE

abril 10, 2009

Itagiba sai humilhado de confronto com Protógenes

BLOG DO MELLO
Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
O deputado federal Marcelo Itagiba pensava ter seu dia de glória, mas foi atropelado pela ironia cética do delegado Protógenes e por alguns outros deputados da CPI, que perceberam que Itagiba queria seguir seu script incriminatório contra o delegado, a despeito dos demais.
Logo no início, Itagiba quis apresentar um power-point em que apontaria contradições entre o depoimento anterior de Protógenes com outros feitos à CPI. O programa simplesmente não abriu.
Começava mal o show que Itagiba desenhara. Teve então que fazer as perguntas, sem o power-point. Recebeu como resposta a cada uma delas, a mesma ladainha, que lembrava ao deputado o objetivo da CPI:
“Deputado federal Marcelo Itagiba, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito cujo objeto jurídico é a interceptação clandestina de telefones, eu me abstenho de responder a vossa excelência.”
Antes, durante os cinco minutos livres que teve para dirigir-se à Comissão, Protógenes deu outra informação que caiu como uma bomba: a PF, naquele momento, realizava nova operação na sede do Opportunity
[ Nota deste blog: Ahahahahahah! ].
A seguir, Itagiba tentou passar o power-point mais uma vez, mas foi impedido por deputados. Começou um bate-boca. O deputado federal Chico Alencar acusou Itagiba de ter recebido dinheiro de sócio de Dantas para a campanha, o que ele não tinha como negar, pois foi declarado ao TRE. Era o fim.
Itagiba ainda ficou ali comandando os trabalhos, mas não os rumos do depoimento. Ele estava apenas marcando o tempo a que cada deputado tinha direito. Apenas um cronometrista. O depoimento de Protógenes escapara completamente ao roteiro que Itagiba havia concebido.
Em dado momento, ele simplesmente saiu. Foi ao banheiro? Quase. Abandonou a CPI para dar um depoimento ao Jornal Nacional, encomenda de Kamel para fechar a nota sobre Protógenes. E Itagiba repetiu o que vem dizendo há muito, mas que já não batia com a realidade:
“Ele (Protógenes Queiroz) está incorrendo no crime de falso testemunho, porque não retificou as informações que ele deu no início dessa CPI, que foram contestadas por todos aqueles que compareceram e depuseram na CPI”, afirmou Itagiba.
Fim melancólico para quem esperava viver seu dia de glória, talvez até com a prisão de Protógenes.
Agora teremos, na semana que vem, o depoimento de Daniel Dantas à CPI. Alguém acredita nisso? Duvi-d-o-dó. Dantas não abre nem geladeira, pois quando uma luz acende à sua frente, ele já imagina uma nova operação da PF para prendê-lo.
Vamos ver qual a desculpa que Itagiba irá usar para dispensar o banqueiro condenado.
BÔNUS:
Itagiba não consegue criar factóide na CPI
O delegado federal Protógenes Queiroz prestou depoimento na quarta-feira (08) na CPI dos grampos e negou que a Operação Satiagraha, comandada por ele, e que desvendou vários crimes cometidos pela quadrilha de Daniel Dantas, tenha cometido ilegalidades.
Logo no início da sessão, após o pronunciamento de abertura da testemunha, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba, tentou apresentar um painel de slides – intitulado “Onde está a verdade” – que, segundo ele, revelaria incongruências nas declarações de Queiroz, mas a iniciativa foi muito criticada e acabou sendo rejeitada pelos integrantes da comissão. “Essa não é uma boa prática e poderia abrir um grave precedente”, advertiu o deputado Pompeu de Matos (PDT-RS), um dos autores da convocação do delegado. Estranhamente, Itagiba tem feito vários comentários desabonadores contra o delegado e ameaçou-o com a possibilidade de prendê-lo, caso desse depoimentos contraditórios na CPI.
Caracterizando Daniel Dantas como “banqueiro bandido” e “banqueiro condenado”, o delegado Queiroz frustrou as tentativas do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) de desviar o assunto e confirmou as denúncias das atividades criminosas do sócio fundador do Banco Opportunity. O delegado evitou abordar assuntos protegidos por segredo de Justiça e lançou mão algumas vezes do direito de ficar calado, amparado por habeas corpus concedido pelo STF.
Ele informou à CPI que na Operação Satiagraha foram encontrados documentos nas dependências da multinacional Kroll – que ela obteve por meio de espionagem – que são “nocivos a autoridades brasileiras e ao país”. Que a Kroll possuía documentos contra empresas com interesses contrários aos de Daniel Dantas e ao do grupo Oportunity. “A Justiça americana solicitou que a Kroll apresentasse todos os dados de espionagem contra a BrasilTelecom. A empresa apresentou mais de 250 caixas contendo documentos que eram nocivos ao país”, disse.
Segundo Protógenes, entre os documentos estaria um contrato de acerto acionário entre as partes, que ele chamou de “guarda-chuva”, elaborado em 1992, e que traria a divisão de áreas de interesses. O acordo dividiria interesses como a exploração da transposição do Rio São Francisco; a privatização da Vale do Rio Doce; a venda de cerca de 49% das ações da Petrobrás; e a exploração do subsolo nacional. “Alguém aqui imaginaria que na carteira de Daniel Dantas havia concessão do subsolo brasileiro, em um número maior do que a Vale do Rio Doce? São mais de mil concessões”, indagou. “Daniel Dantas tem mais concessões do subsolo que a Vale do Rio Doce”, prosseguiu Protógenes.
Ele negou que tenha investigado autoridades do atual governo, como a ministra Dilma Rousseff, o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu ou o filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e denunciou que foi investigado por pessoas que possivelmente eram ligadas ao “banqueiro bandido”. “Fui monitorado durante as investigações e tomei providências para descobrir de onde elas vinham”, afirmou. Negou também que tivesse investigado o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Sobre a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, Protógenes disse que essa questão perdeu objeto em razão de decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que entendeu que agentes da Abin e da PF podem trabalhar juntos. “Vou me abster de responder. A decisão do TRF-3 rejeitou o trancamento da ação penal na qual Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa”. Ele disse que a Abin colaborou em mais de 160 operações da PF, não apenas na Satiagraha, e ninguém nunca levantou nada contra. ( HORA DO POVO, 10.04.09 )

Itagiba sai humilhado de confronto com Protógenes

BLOG DO MELLO
Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
O deputado federal Marcelo Itagiba pensava ter seu dia de glória, mas foi atropelado pela ironia cética do delegado Protógenes e por alguns outros deputados da CPI, que perceberam que Itagiba queria seguir seu script incriminatório contra o delegado, a despeito dos demais.
Logo no início, Itagiba quis apresentar um power-point em que apontaria contradições entre o depoimento anterior de Protógenes com outros feitos à CPI. O programa simplesmente não abriu.
Começava mal o show que Itagiba desenhara. Teve então que fazer as perguntas, sem o power-point. Recebeu como resposta a cada uma delas, a mesma ladainha, que lembrava ao deputado o objetivo da CPI:
“Deputado federal Marcelo Itagiba, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito cujo objeto jurídico é a interceptação clandestina de telefones, eu me abstenho de responder a vossa excelência.”
Antes, durante os cinco minutos livres que teve para dirigir-se à Comissão, Protógenes deu outra informação que caiu como uma bomba: a PF, naquele momento, realizava nova operação na sede do Opportunity
[ Nota deste blog: Ahahahahahah! ].
A seguir, Itagiba tentou passar o power-point mais uma vez, mas foi impedido por deputados. Começou um bate-boca. O deputado federal Chico Alencar acusou Itagiba de ter recebido dinheiro de sócio de Dantas para a campanha, o que ele não tinha como negar, pois foi declarado ao TRE. Era o fim.
Itagiba ainda ficou ali comandando os trabalhos, mas não os rumos do depoimento. Ele estava apenas marcando o tempo a que cada deputado tinha direito. Apenas um cronometrista. O depoimento de Protógenes escapara completamente ao roteiro que Itagiba havia concebido.
Em dado momento, ele simplesmente saiu. Foi ao banheiro? Quase. Abandonou a CPI para dar um depoimento ao Jornal Nacional, encomenda de Kamel para fechar a nota sobre Protógenes. E Itagiba repetiu o que vem dizendo há muito, mas que já não batia com a realidade:
“Ele (Protógenes Queiroz) está incorrendo no crime de falso testemunho, porque não retificou as informações que ele deu no início dessa CPI, que foram contestadas por todos aqueles que compareceram e depuseram na CPI”, afirmou Itagiba.
Fim melancólico para quem esperava viver seu dia de glória, talvez até com a prisão de Protógenes.
Agora teremos, na semana que vem, o depoimento de Daniel Dantas à CPI. Alguém acredita nisso? Duvi-d-o-dó. Dantas não abre nem geladeira, pois quando uma luz acende à sua frente, ele já imagina uma nova operação da PF para prendê-lo.
Vamos ver qual a desculpa que Itagiba irá usar para dispensar o banqueiro condenado.
BÔNUS:
Itagiba não consegue criar factóide na CPI
O delegado federal Protógenes Queiroz prestou depoimento na quarta-feira (08) na CPI dos grampos e negou que a Operação Satiagraha, comandada por ele, e que desvendou vários crimes cometidos pela quadrilha de Daniel Dantas, tenha cometido ilegalidades.
Logo no início da sessão, após o pronunciamento de abertura da testemunha, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba, tentou apresentar um painel de slides – intitulado “Onde está a verdade” – que, segundo ele, revelaria incongruências nas declarações de Queiroz, mas a iniciativa foi muito criticada e acabou sendo rejeitada pelos integrantes da comissão. “Essa não é uma boa prática e poderia abrir um grave precedente”, advertiu o deputado Pompeu de Matos (PDT-RS), um dos autores da convocação do delegado. Estranhamente, Itagiba tem feito vários comentários desabonadores contra o delegado e ameaçou-o com a possibilidade de prendê-lo, caso desse depoimentos contraditórios na CPI.
Caracterizando Daniel Dantas como “banqueiro bandido” e “banqueiro condenado”, o delegado Queiroz frustrou as tentativas do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) de desviar o assunto e confirmou as denúncias das atividades criminosas do sócio fundador do Banco Opportunity. O delegado evitou abordar assuntos protegidos por segredo de Justiça e lançou mão algumas vezes do direito de ficar calado, amparado por habeas corpus concedido pelo STF.
Ele informou à CPI que na Operação Satiagraha foram encontrados documentos nas dependências da multinacional Kroll – que ela obteve por meio de espionagem – que são “nocivos a autoridades brasileiras e ao país”. Que a Kroll possuía documentos contra empresas com interesses contrários aos de Daniel Dantas e ao do grupo Oportunity. “A Justiça americana solicitou que a Kroll apresentasse todos os dados de espionagem contra a BrasilTelecom. A empresa apresentou mais de 250 caixas contendo documentos que eram nocivos ao país”, disse.
Segundo Protógenes, entre os documentos estaria um contrato de acerto acionário entre as partes, que ele chamou de “guarda-chuva”, elaborado em 1992, e que traria a divisão de áreas de interesses. O acordo dividiria interesses como a exploração da transposição do Rio São Francisco; a privatização da Vale do Rio Doce; a venda de cerca de 49% das ações da Petrobrás; e a exploração do subsolo nacional. “Alguém aqui imaginaria que na carteira de Daniel Dantas havia concessão do subsolo brasileiro, em um número maior do que a Vale do Rio Doce? São mais de mil concessões”, indagou. “Daniel Dantas tem mais concessões do subsolo que a Vale do Rio Doce”, prosseguiu Protógenes.
Ele negou que tenha investigado autoridades do atual governo, como a ministra Dilma Rousseff, o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu ou o filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e denunciou que foi investigado por pessoas que possivelmente eram ligadas ao “banqueiro bandido”. “Fui monitorado durante as investigações e tomei providências para descobrir de onde elas vinham”, afirmou. Negou também que tivesse investigado o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Sobre a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, Protógenes disse que essa questão perdeu objeto em razão de decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que entendeu que agentes da Abin e da PF podem trabalhar juntos. “Vou me abster de responder. A decisão do TRF-3 rejeitou o trancamento da ação penal na qual Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa”. Ele disse que a Abin colaborou em mais de 160 operações da PF, não apenas na Satiagraha, e ninguém nunca levantou nada contra. ( HORA DO POVO, 10.04.09 )

outubro 9, 2008

PV, um engodo

Essa daqui saiu em 1º. de Outubro, na coluna Confidencial, assinada por Aziz Ahmed ( Jornal do Commercio ):
PV, um engodo
“Logo que o PV surgiu, fez-se aquela manifestação do abraço à Lagoa Rodrigo de Freitas. Eu estava lá. Para mim o partido é uma decepção”. E é assim que o jornalista e escritor José Louzeiro define o seu sentimento pelo Partido Verde. Após apurar as denúncias de falsificação de assinaturas e da expulsão de membros que lutaram pelas investigações das contas do Fundo Partidário, ele lança o livro “Partido Verde – O Clube dos Amigos”, que traz documentos e relatos mostrando como o vanguardista PV caiu na “vala comum” da corrupção e virou uma confraria de amigos – como Gabeira e Sirkis – prontos a executar falcatruas.
“Dizem que me habituei a escrever sobre delinqüentes. A história do PV segue essa linha.”
JOSÉ LOUZEIRO, Jornalista e Escritor
O mentor neoliberal de Fernando Gabeira
Blog do Miro, 02.10.08
Bajulado pela mídia como o legítimo representante da “esquerda light”, Fernando Gabeira ainda seduz parcelas do eleitorado progressista do Rio de Janeiro. Mas estas pessoas, com maior senso crítico, deveriam ficar atentas às péssimas companhias do candidato da coligação PV-PSDB. O principal coordenador e financiador da sua campanha é o rentista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central no triste reinado de FHC, ex-funcionário do megaespeculador George Soros e atual dono da empresa Gávea Investimentos. Ele é tratado por Gabeira como o mentor da sua principal proposta programática, a da implantação do “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Nos últimos dias, Arminio Fraga voltou a ocupar os holofotes da mídia. Além de ser a estrela dos programas de TV de Gabeira, deu várias entrevistas sobre a grave crise que atinge os EUA e que promete contagiar a economia mundial. Sua receita, se aplicada no Rio de Janeiro, seria um duro golpe nos eleitores do tucano-verde. Sem papas na língua, o neoliberal convicto defende que “o governo Lula tem de adotar uma posição conservadora e aceitar que, nestas circunstâncias, o país não pode ter a expectativa de repetir o crescimento econômico deste ano… Eu recomendaria agora alguma prudência. Seria bom também a essa altura do jogo uma agenda de reformas”.
O choque de gestão do banqueiro
O rentista não esconde seus interesses de classe. Para garantir os altos lucros dos banqueiros, ele defende a adoção de medidas de contenção do crescimento da economia, que jogarão nas costas dos trabalhadores o peso da grave crise capitalista, com a explosão do desemprego e a redução da renda dos assalariados. Na prática, prega o aumento da taxa de juros e do superávit primário, o fundo de reserva dos banqueiros. Ele propõe ainda a sua conhecida “agenda de reformas”, com novos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários. Caso Fernando Gabeira vença a eleição, estas idéias neoliberais é que deverão orientar o seu “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Arminio Fraga têm ambições e projetos definidos. É hoje um dos símbolos do rentismo no país. Após sair do governo, ele recrutou boa parte da equipe econômica de FHC e montou a segunda maior gestora de fundos de investimentos do Brasil, sediada na Leblon Corporate, um luxuoso prédio de sete andares e vidros fumê na zona sul carioca. A Gávea nasceu em agosto de 2003 e, em menos de três meses, contando com fortes influências e informações valiosas, recebeu US$ 550 milhões em aplicações, gerando desconfiança entre os seus pares. Alguns rentistas rotulam Fraga de “strike”, jargão usado no mercado financeiro que significa agressivo, sem escrúpulos.
Um rentista sem escrúpulos
O coordenador do programa de Gabeira realmente não tem escrúpulos. Ele encara tudo como um negócio lucrativo, inclusive o poder político. “A nossa filosofia é investir apenas onde tenhamos um grau de confiança elevado”, revelou à revista IstoÉ Dinheiro. Ele não tem compromissos com o Brasil e o seu povo. “Especula-se que a Gávea Investimentos recebeu aplicações do seu antigo patrão, George Soros, e dos ex-donos do banco Garantia, como Jorge Lehman”, relata a revista. Arminio Fraga ainda afirmou à IstoÉ que “não teria qualquer constrangimento em me desfazer de papéis do Brasil se eles perderem atração”.
Tido nos bastidores da política carioca como o homem forte numa prefeitura dirigida pela aliança PV-PSDB-PPS, Arminio Fraga tem muitos interesses econômicos e financeiros para administrar. Reportagem da revista Exame revela que o rentista agora é sócio da McDonald’s, que vendeu no ano passado 1.600 lojas na América Latina por US$ 700 milhões. “A entrada num negócio deste porte chama a atenção para um novo traço da personalidade de Arminio Fraga: o de empresário”. Além do seu fundo de investimento, o Gávea, ele hoje possui ações na BRA transporte aéreo, em terminais de contêineres, em shopping center e, “a partir de agora também em hambúrgueres”.
Os “vigaristas” do deus-mercado
Gabeira ainda seduz alguns com seu figurino de “esquerda light”, mas o seu principal mentor não deveria deixar dúvida sobre a triste sina do Rio de Janeiro nas mãos deste xiita neoliberal. Como presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC, ele sempre defendeu os interesses do “deus-mercado”, impondo altas taxas de juros, elevados superávits primários e total libertinagem financeira. Foi um defensor ardoroso das privatizações e da redução do papel do Estado, através de cortes nos investimentos sociais, demissões e arrocho do funcionalismo. Num desabafo recente, o economista carioca José Carlos Assis, editor do site Desemprego Zero, disse estar “de saco cheio de vigaristas que defendem o interesse próprio como interesse geral. Arminio Fraga é um economista vulgar de mercado… Mas o ‘mercado’ decidiu que é um sábio em economia. Isso não é de admirar, pois ele primou por atender os interesses genuínos do mercado… O que não dá para engolir é que Arminio Fraga, o rei do mercado, deite falação sobre economia como se fosse autoridade independente neste campo, acima de interesses particulares”. O desabafo é mais do que justo e deveria servir de alertar aos eleitores de Fernando Gabeira.
Gabeira é sustentado por setores de oposição a Lula
HORA DO POVO
Para o dirigente do PCdoB do Rio de Janeiro, Ricardo Capelli, a candidatura de Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS) representa os setores mais atrasados da oposição ao governo Lula. “No Rio, nos resta agora derrotar a candidatura Gabeira, representante do conservadorismo mais atrasado no segundo turno”, afirmou o dirigente do PCdoB, em mensagem publicada na terça-feira no portal “Vermelho”.
“Pode parecer estranho chamar um verde ex-guerrilheiro de conservador, mas afirmo isso sem nenhuma vacilação”, prosseguiu Capelli. “Sustentam a candidatura Gabeira os setores de oposição ao presidente Lula, tucanos e o velho PPS, que encontraram em Gabeira nova roupagem para velhas práticas”, acrescentou. “Se para ir de trem para Santa Cruz Gabeira usou policiais como seguranças, imaginem a relação que ele teria com o povo na Prefeitura. Não por acaso, César Maia (Dem) já anunciou seu apoio a Gabeira”, completou.
As declarações de Capelli vão na mesma direção do que disse, na segunda-feira, o assessor da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, em entrevista ao jornalista Fernando Mitre: “Fernando Gabeira é uma reedição de Carlos Lacerda”. Garcia lembrou que Carlos Lacerda, a exemplo de Gabeira, também teve uma passagem por um partido de esquerda na juventude para depois se tornar um dos mais notórios chefes da extrema-direita, utilizando-se do falso moralismo e do discurso de combate à corrupção para atacar os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.
A exemplo do PT e do PSB, outros partidos vão anunciar o apoio nos próximos dias. Todas as forças progressistas do Rio de Janeiro estão se unindo em torno de Paes para derrotar o porta-voz da tropa de choque anti-Lula.
Nos últimos dias, a candidatura de Gabeira, que passou boa parte da campanha tentando esconder o seu reacionarismo, vem sendo desmascarada como candidato criado e cevado pela tralha entreguista, encabeçada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jorge Bornhausen
(Dem) e César Maia (Dem). Ele é apoiado pelos testas-de-ferro de grupos estrangeiros, Armínio Fraga e Eike Batista e recebeu contribuição do bando de Daniel Dantas. Por fim, pelos serviços prestados, nos últimos anos, na cruzada anti-Lula, ele não poderia deixar de ser o queridinho dos Civita e dos Marinho.
Walter Salles é maior doador individual de campanha de Gabeira, com R$ 180 mil
UOL, 24.09.08
O cineasta Walter Salles foi a pessoa física que ofereceu a maior quantia para a campanha do candidato à Prefeitura do Rio, Fernando Gabeira (PV). Ele doou R$ 180 mil para o deputado federal, pouco mais que o empresário Eike Batista à campanha do candidato “verde”, R$ 100 mil. Em entrevista ao UOL Eleições nesta quarta-feira (24), Salles confirmou a doação e garantiu seu apoio ao candidato, “não só por causa do setor cinematográfico, mas também por sua trajetória política”.
“Bom saber que a doação que fiz se tornou pública. Considero essa transparência um avanço. Espero que a prática das doações feitas por baixo do pano, através daquilo que se domina caixa dois, se torne cada vez menos comum. O Rio de Janeiro está numa situação calamitosa e apoiar Gabeira agora me pareceu mais essencial do que nunca. Ele tem uma trajetória balizada por ideais que me parecem importantes”, afirmou o cineasta, que está na Europa divulgando o seu novo filme “Linha de Passe” e por isso não teve tempo de detalhar as propostas de interesse, oferecidas pelo candidato.
A família Salles é proprietária do Unibanco e, segundo o site do candidato, a empresa doou outros R$ 150 mil. Além da doação de R$ 18 mil do ex-presidente do Banco Central , Armínio Fraga, outros sócios da empresa de Fraga, a Gávea Investimentos, também doaram recursos para a campanha de Gabeira, como o ex-ministro do Trabalho, Edward Amadeo. O advogado Francisco Mussnic, casado com Verônica Dantas – irmã de Daniel Dantas – doou R$ 10 mil.
O caixa de campanha de Gabeira triplicou: os R$ 324 mil declarados na primeira prestação de contas viraram R$ 1,4 milhão na segunda, entregue no dia 5 deste mês ao TSE, Tribunal Superior Eleitoral. As despesas do candidato verde somaram R$ 1,2 milhão e os maiores gastos foram com programas de TV e rádio, num total de R$ 788 mil.
O diretório do PSDB e a Construtora OAS lideraram os maiores valores em doações para Gabeira: R$ 200 mil. Logo depois, a pessoa física que repassou o maior investimento ao candidato foi o cineasta Walter Salles.
CHICO ALENCAR critica vice de Gabeira
PSOL/Jornal do Brasil, 18/08/08
Chico critica vice de Gabeira no caso LinsDurante caminhada ontem do Posto 6 e até o Copacabana Palace, o candidato Chico Alencar (PSOL) cobrou a responsabilidade da Assembléia Legislativa na fuga do ex-deputado Álvaro Lins (PMDB), cassado essa semana. “Caso ele tenha fugido do país, como já foi cogitado, a responsabilidade é dos deputados, incluindo Luiz Paulo Corrêa da Rocha, vice do Fernando Gabeira, que, irresponsavelmente, votaram, em tempo recorde, pela sua libertação. Foi um erro deixá-lo solto, está comprovado.”
Tendência do PSOL é não apoiar Paes nem Gabeira, diz Chico Alencar
VOTE BRASIL, 08.10.08
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
Rio, RJ – Entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), o PSOL tende a escolher entre a neutralidade e a orientação pelo voto nulo no segundo turno da eleição para prefeito do Rio de Janeiro. Esta é a avaliação do candidato derrotado Chico Alencar (PSOL), que terminou o primeiro turno na sétima colocação, com 1,81% dos votos.
O PSOL vai reunir sua direção no Rio de Janeiro na quinta-feira para discutir a posição do partido no segundo turno. Na segunda-feira, a legenda realizará uma plenária com filiados para fechar a decisão. O partido foi procurado ontem por Gabeira, mas não deve apoiar o candidato verde.
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
“Na direção, não conheço ninguém que defenda o apoio ao PMDB do Paes, do [deputado estadual Jorge] Picciani e do [governador Sérgio] Cabral. Também não há ninguém que defenda o apoio ao Gabeira, que é mais que o candidato do PV, é também do PSDB e agora do DEM. Aí o PSOL não se sente representado em nenhuma destas coligações”, acrescentou o deputado federal.
Alencar afirma que o partido não deve orientar voto em nenhuma das candidaturas, mas também não deve “gastar energias” fazendo campanha pelo voto nulo. O deputado critica ainda a aproximação de partidos de outros partidos esquerda — PT, PDT e PSB — com Eduardo Paes.
“É uma frente de esquerda transgênica, inautêntica, incoerente, sem a menor sinceridade. É um arranjo eleitoral cheio de contradições. Essa é uma esquerda biônica. O que a motiva não é uma perspectiva de igualdade social e transformação política, mas sim as benesses do poder”, atacou.
Sobre a sua baixa votação — inferior aos votos que recebeu na disputa pela Câmara há dois anos–, Alencar disse que se tornou “uma espécie de América, o segundo time de todos os cariocas”. “Boa parte dos votos que seriam destinados a mim foram sugados pelo ´tamanduá´ Gabeira”, brinca.

PV, um engodo

Essa daqui saiu em 1º. de Outubro, na coluna Confidencial, assinada por Aziz Ahmed ( Jornal do Commercio ):
PV, um engodo
“Logo que o PV surgiu, fez-se aquela manifestação do abraço à Lagoa Rodrigo de Freitas. Eu estava lá. Para mim o partido é uma decepção”. E é assim que o jornalista e escritor José Louzeiro define o seu sentimento pelo Partido Verde. Após apurar as denúncias de falsificação de assinaturas e da expulsão de membros que lutaram pelas investigações das contas do Fundo Partidário, ele lança o livro “Partido Verde – O Clube dos Amigos”, que traz documentos e relatos mostrando como o vanguardista PV caiu na “vala comum” da corrupção e virou uma confraria de amigos – como Gabeira e Sirkis – prontos a executar falcatruas.
“Dizem que me habituei a escrever sobre delinqüentes. A história do PV segue essa linha.”
JOSÉ LOUZEIRO, Jornalista e Escritor
O mentor neoliberal de Fernando Gabeira
Blog do Miro, 02.10.08
Bajulado pela mídia como o legítimo representante da “esquerda light”, Fernando Gabeira ainda seduz parcelas do eleitorado progressista do Rio de Janeiro. Mas estas pessoas, com maior senso crítico, deveriam ficar atentas às péssimas companhias do candidato da coligação PV-PSDB. O principal coordenador e financiador da sua campanha é o rentista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central no triste reinado de FHC, ex-funcionário do megaespeculador George Soros e atual dono da empresa Gávea Investimentos. Ele é tratado por Gabeira como o mentor da sua principal proposta programática, a da implantação do “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Nos últimos dias, Arminio Fraga voltou a ocupar os holofotes da mídia. Além de ser a estrela dos programas de TV de Gabeira, deu várias entrevistas sobre a grave crise que atinge os EUA e que promete contagiar a economia mundial. Sua receita, se aplicada no Rio de Janeiro, seria um duro golpe nos eleitores do tucano-verde. Sem papas na língua, o neoliberal convicto defende que “o governo Lula tem de adotar uma posição conservadora e aceitar que, nestas circunstâncias, o país não pode ter a expectativa de repetir o crescimento econômico deste ano… Eu recomendaria agora alguma prudência. Seria bom também a essa altura do jogo uma agenda de reformas”.
O choque de gestão do banqueiro
O rentista não esconde seus interesses de classe. Para garantir os altos lucros dos banqueiros, ele defende a adoção de medidas de contenção do crescimento da economia, que jogarão nas costas dos trabalhadores o peso da grave crise capitalista, com a explosão do desemprego e a redução da renda dos assalariados. Na prática, prega o aumento da taxa de juros e do superávit primário, o fundo de reserva dos banqueiros. Ele propõe ainda a sua conhecida “agenda de reformas”, com novos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários. Caso Fernando Gabeira vença a eleição, estas idéias neoliberais é que deverão orientar o seu “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Arminio Fraga têm ambições e projetos definidos. É hoje um dos símbolos do rentismo no país. Após sair do governo, ele recrutou boa parte da equipe econômica de FHC e montou a segunda maior gestora de fundos de investimentos do Brasil, sediada na Leblon Corporate, um luxuoso prédio de sete andares e vidros fumê na zona sul carioca. A Gávea nasceu em agosto de 2003 e, em menos de três meses, contando com fortes influências e informações valiosas, recebeu US$ 550 milhões em aplicações, gerando desconfiança entre os seus pares. Alguns rentistas rotulam Fraga de “strike”, jargão usado no mercado financeiro que significa agressivo, sem escrúpulos.
Um rentista sem escrúpulos
O coordenador do programa de Gabeira realmente não tem escrúpulos. Ele encara tudo como um negócio lucrativo, inclusive o poder político. “A nossa filosofia é investir apenas onde tenhamos um grau de confiança elevado”, revelou à revista IstoÉ Dinheiro. Ele não tem compromissos com o Brasil e o seu povo. “Especula-se que a Gávea Investimentos recebeu aplicações do seu antigo patrão, George Soros, e dos ex-donos do banco Garantia, como Jorge Lehman”, relata a revista. Arminio Fraga ainda afirmou à IstoÉ que “não teria qualquer constrangimento em me desfazer de papéis do Brasil se eles perderem atração”.
Tido nos bastidores da política carioca como o homem forte numa prefeitura dirigida pela aliança PV-PSDB-PPS, Arminio Fraga tem muitos interesses econômicos e financeiros para administrar. Reportagem da revista Exame revela que o rentista agora é sócio da McDonald’s, que vendeu no ano passado 1.600 lojas na América Latina por US$ 700 milhões. “A entrada num negócio deste porte chama a atenção para um novo traço da personalidade de Arminio Fraga: o de empresário”. Além do seu fundo de investimento, o Gávea, ele hoje possui ações na BRA transporte aéreo, em terminais de contêineres, em shopping center e, “a partir de agora também em hambúrgueres”.
Os “vigaristas” do deus-mercado
Gabeira ainda seduz alguns com seu figurino de “esquerda light”, mas o seu principal mentor não deveria deixar dúvida sobre a triste sina do Rio de Janeiro nas mãos deste xiita neoliberal. Como presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC, ele sempre defendeu os interesses do “deus-mercado”, impondo altas taxas de juros, elevados superávits primários e total libertinagem financeira. Foi um defensor ardoroso das privatizações e da redução do papel do Estado, através de cortes nos investimentos sociais, demissões e arrocho do funcionalismo. Num desabafo recente, o economista carioca José Carlos Assis, editor do site Desemprego Zero, disse estar “de saco cheio de vigaristas que defendem o interesse próprio como interesse geral. Arminio Fraga é um economista vulgar de mercado… Mas o ‘mercado’ decidiu que é um sábio em economia. Isso não é de admirar, pois ele primou por atender os interesses genuínos do mercado… O que não dá para engolir é que Arminio Fraga, o rei do mercado, deite falação sobre economia como se fosse autoridade independente neste campo, acima de interesses particulares”. O desabafo é mais do que justo e deveria servir de alertar aos eleitores de Fernando Gabeira.
Gabeira é sustentado por setores de oposição a Lula
HORA DO POVO
Para o dirigente do PCdoB do Rio de Janeiro, Ricardo Capelli, a candidatura de Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS) representa os setores mais atrasados da oposição ao governo Lula. “No Rio, nos resta agora derrotar a candidatura Gabeira, representante do conservadorismo mais atrasado no segundo turno”, afirmou o dirigente do PCdoB, em mensagem publicada na terça-feira no portal “Vermelho”.
“Pode parecer estranho chamar um verde ex-guerrilheiro de conservador, mas afirmo isso sem nenhuma vacilação”, prosseguiu Capelli. “Sustentam a candidatura Gabeira os setores de oposição ao presidente Lula, tucanos e o velho PPS, que encontraram em Gabeira nova roupagem para velhas práticas”, acrescentou. “Se para ir de trem para Santa Cruz Gabeira usou policiais como seguranças, imaginem a relação que ele teria com o povo na Prefeitura. Não por acaso, César Maia (Dem) já anunciou seu apoio a Gabeira”, completou.
As declarações de Capelli vão na mesma direção do que disse, na segunda-feira, o assessor da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, em entrevista ao jornalista Fernando Mitre: “Fernando Gabeira é uma reedição de Carlos Lacerda”. Garcia lembrou que Carlos Lacerda, a exemplo de Gabeira, também teve uma passagem por um partido de esquerda na juventude para depois se tornar um dos mais notórios chefes da extrema-direita, utilizando-se do falso moralismo e do discurso de combate à corrupção para atacar os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.
A exemplo do PT e do PSB, outros partidos vão anunciar o apoio nos próximos dias. Todas as forças progressistas do Rio de Janeiro estão se unindo em torno de Paes para derrotar o porta-voz da tropa de choque anti-Lula.
Nos últimos dias, a candidatura de Gabeira, que passou boa parte da campanha tentando esconder o seu reacionarismo, vem sendo desmascarada como candidato criado e cevado pela tralha entreguista, encabeçada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jorge Bornhausen
(Dem) e César Maia (Dem). Ele é apoiado pelos testas-de-ferro de grupos estrangeiros, Armínio Fraga e Eike Batista e recebeu contribuição do bando de Daniel Dantas. Por fim, pelos serviços prestados, nos últimos anos, na cruzada anti-Lula, ele não poderia deixar de ser o queridinho dos Civita e dos Marinho.
Walter Salles é maior doador individual de campanha de Gabeira, com R$ 180 mil
UOL, 24.09.08
O cineasta Walter Salles foi a pessoa física que ofereceu a maior quantia para a campanha do candidato à Prefeitura do Rio, Fernando Gabeira (PV). Ele doou R$ 180 mil para o deputado federal, pouco mais que o empresário Eike Batista à campanha do candidato “verde”, R$ 100 mil. Em entrevista ao UOL Eleições nesta quarta-feira (24), Salles confirmou a doação e garantiu seu apoio ao candidato, “não só por causa do setor cinematográfico, mas também por sua trajetória política”.
“Bom saber que a doação que fiz se tornou pública. Considero essa transparência um avanço. Espero que a prática das doações feitas por baixo do pano, através daquilo que se domina caixa dois, se torne cada vez menos comum. O Rio de Janeiro está numa situação calamitosa e apoiar Gabeira agora me pareceu mais essencial do que nunca. Ele tem uma trajetória balizada por ideais que me parecem importantes”, afirmou o cineasta, que está na Europa divulgando o seu novo filme “Linha de Passe” e por isso não teve tempo de detalhar as propostas de interesse, oferecidas pelo candidato.
A família Salles é proprietária do Unibanco e, segundo o site do candidato, a empresa doou outros R$ 150 mil. Além da doação de R$ 18 mil do ex-presidente do Banco Central , Armínio Fraga, outros sócios da empresa de Fraga, a Gávea Investimentos, também doaram recursos para a campanha de Gabeira, como o ex-ministro do Trabalho, Edward Amadeo. O advogado Francisco Mussnic, casado com Verônica Dantas – irmã de Daniel Dantas – doou R$ 10 mil.
O caixa de campanha de Gabeira triplicou: os R$ 324 mil declarados na primeira prestação de contas viraram R$ 1,4 milhão na segunda, entregue no dia 5 deste mês ao TSE, Tribunal Superior Eleitoral. As despesas do candidato verde somaram R$ 1,2 milhão e os maiores gastos foram com programas de TV e rádio, num total de R$ 788 mil.
O diretório do PSDB e a Construtora OAS lideraram os maiores valores em doações para Gabeira: R$ 200 mil. Logo depois, a pessoa física que repassou o maior investimento ao candidato foi o cineasta Walter Salles.
CHICO ALENCAR critica vice de Gabeira
PSOL/Jornal do Brasil, 18/08/08
Chico critica vice de Gabeira no caso LinsDurante caminhada ontem do Posto 6 e até o Copacabana Palace, o candidato Chico Alencar (PSOL) cobrou a responsabilidade da Assembléia Legislativa na fuga do ex-deputado Álvaro Lins (PMDB), cassado essa semana. “Caso ele tenha fugido do país, como já foi cogitado, a responsabilidade é dos deputados, incluindo Luiz Paulo Corrêa da Rocha, vice do Fernando Gabeira, que, irresponsavelmente, votaram, em tempo recorde, pela sua libertação. Foi um erro deixá-lo solto, está comprovado.”
Tendência do PSOL é não apoiar Paes nem Gabeira, diz Chico Alencar
VOTE BRASIL, 08.10.08
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
Rio, RJ – Entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), o PSOL tende a escolher entre a neutralidade e a orientação pelo voto nulo no segundo turno da eleição para prefeito do Rio de Janeiro. Esta é a avaliação do candidato derrotado Chico Alencar (PSOL), que terminou o primeiro turno na sétima colocação, com 1,81% dos votos.
O PSOL vai reunir sua direção no Rio de Janeiro na quinta-feira para discutir a posição do partido no segundo turno. Na segunda-feira, a legenda realizará uma plenária com filiados para fechar a decisão. O partido foi procurado ontem por Gabeira, mas não deve apoiar o candidato verde.
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
“Na direção, não conheço ninguém que defenda o apoio ao PMDB do Paes, do [deputado estadual Jorge] Picciani e do [governador Sérgio] Cabral. Também não há ninguém que defenda o apoio ao Gabeira, que é mais que o candidato do PV, é também do PSDB e agora do DEM. Aí o PSOL não se sente representado em nenhuma destas coligações”, acrescentou o deputado federal.
Alencar afirma que o partido não deve orientar voto em nenhuma das candidaturas, mas também não deve “gastar energias” fazendo campanha pelo voto nulo. O deputado critica ainda a aproximação de partidos de outros partidos esquerda — PT, PDT e PSB — com Eduardo Paes.
“É uma frente de esquerda transgênica, inautêntica, incoerente, sem a menor sinceridade. É um arranjo eleitoral cheio de contradições. Essa é uma esquerda biônica. O que a motiva não é uma perspectiva de igualdade social e transformação política, mas sim as benesses do poder”, atacou.
Sobre a sua baixa votação — inferior aos votos que recebeu na disputa pela Câmara há dois anos–, Alencar disse que se tornou “uma espécie de América, o segundo time de todos os cariocas”. “Boa parte dos votos que seriam destinados a mim foram sugados pelo ´tamanduá´ Gabeira”, brinca.

PV, um engodo

Essa daqui saiu em 1º. de Outubro, na coluna Confidencial, assinada por Aziz Ahmed ( Jornal do Commercio ):
PV, um engodo
“Logo que o PV surgiu, fez-se aquela manifestação do abraço à Lagoa Rodrigo de Freitas. Eu estava lá. Para mim o partido é uma decepção”. E é assim que o jornalista e escritor José Louzeiro define o seu sentimento pelo Partido Verde. Após apurar as denúncias de falsificação de assinaturas e da expulsão de membros que lutaram pelas investigações das contas do Fundo Partidário, ele lança o livro “Partido Verde – O Clube dos Amigos”, que traz documentos e relatos mostrando como o vanguardista PV caiu na “vala comum” da corrupção e virou uma confraria de amigos – como Gabeira e Sirkis – prontos a executar falcatruas.
“Dizem que me habituei a escrever sobre delinqüentes. A história do PV segue essa linha.”
JOSÉ LOUZEIRO, Jornalista e Escritor
O mentor neoliberal de Fernando Gabeira
Blog do Miro, 02.10.08
Bajulado pela mídia como o legítimo representante da “esquerda light”, Fernando Gabeira ainda seduz parcelas do eleitorado progressista do Rio de Janeiro. Mas estas pessoas, com maior senso crítico, deveriam ficar atentas às péssimas companhias do candidato da coligação PV-PSDB. O principal coordenador e financiador da sua campanha é o rentista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central no triste reinado de FHC, ex-funcionário do megaespeculador George Soros e atual dono da empresa Gávea Investimentos. Ele é tratado por Gabeira como o mentor da sua principal proposta programática, a da implantação do “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Nos últimos dias, Arminio Fraga voltou a ocupar os holofotes da mídia. Além de ser a estrela dos programas de TV de Gabeira, deu várias entrevistas sobre a grave crise que atinge os EUA e que promete contagiar a economia mundial. Sua receita, se aplicada no Rio de Janeiro, seria um duro golpe nos eleitores do tucano-verde. Sem papas na língua, o neoliberal convicto defende que “o governo Lula tem de adotar uma posição conservadora e aceitar que, nestas circunstâncias, o país não pode ter a expectativa de repetir o crescimento econômico deste ano… Eu recomendaria agora alguma prudência. Seria bom também a essa altura do jogo uma agenda de reformas”.
O choque de gestão do banqueiro
O rentista não esconde seus interesses de classe. Para garantir os altos lucros dos banqueiros, ele defende a adoção de medidas de contenção do crescimento da economia, que jogarão nas costas dos trabalhadores o peso da grave crise capitalista, com a explosão do desemprego e a redução da renda dos assalariados. Na prática, prega o aumento da taxa de juros e do superávit primário, o fundo de reserva dos banqueiros. Ele propõe ainda a sua conhecida “agenda de reformas”, com novos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários. Caso Fernando Gabeira vença a eleição, estas idéias neoliberais é que deverão orientar o seu “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Arminio Fraga têm ambições e projetos definidos. É hoje um dos símbolos do rentismo no país. Após sair do governo, ele recrutou boa parte da equipe econômica de FHC e montou a segunda maior gestora de fundos de investimentos do Brasil, sediada na Leblon Corporate, um luxuoso prédio de sete andares e vidros fumê na zona sul carioca. A Gávea nasceu em agosto de 2003 e, em menos de três meses, contando com fortes influências e informações valiosas, recebeu US$ 550 milhões em aplicações, gerando desconfiança entre os seus pares. Alguns rentistas rotulam Fraga de “strike”, jargão usado no mercado financeiro que significa agressivo, sem escrúpulos.
Um rentista sem escrúpulos
O coordenador do programa de Gabeira realmente não tem escrúpulos. Ele encara tudo como um negócio lucrativo, inclusive o poder político. “A nossa filosofia é investir apenas onde tenhamos um grau de confiança elevado”, revelou à revista IstoÉ Dinheiro. Ele não tem compromissos com o Brasil e o seu povo. “Especula-se que a Gávea Investimentos recebeu aplicações do seu antigo patrão, George Soros, e dos ex-donos do banco Garantia, como Jorge Lehman”, relata a revista. Arminio Fraga ainda afirmou à IstoÉ que “não teria qualquer constrangimento em me desfazer de papéis do Brasil se eles perderem atração”.
Tido nos bastidores da política carioca como o homem forte numa prefeitura dirigida pela aliança PV-PSDB-PPS, Arminio Fraga tem muitos interesses econômicos e financeiros para administrar. Reportagem da revista Exame revela que o rentista agora é sócio da McDonald’s, que vendeu no ano passado 1.600 lojas na América Latina por US$ 700 milhões. “A entrada num negócio deste porte chama a atenção para um novo traço da personalidade de Arminio Fraga: o de empresário”. Além do seu fundo de investimento, o Gávea, ele hoje possui ações na BRA transporte aéreo, em terminais de contêineres, em shopping center e, “a partir de agora também em hambúrgueres”.
Os “vigaristas” do deus-mercado
Gabeira ainda seduz alguns com seu figurino de “esquerda light”, mas o seu principal mentor não deveria deixar dúvida sobre a triste sina do Rio de Janeiro nas mãos deste xiita neoliberal. Como presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC, ele sempre defendeu os interesses do “deus-mercado”, impondo altas taxas de juros, elevados superávits primários e total libertinagem financeira. Foi um defensor ardoroso das privatizações e da redução do papel do Estado, através de cortes nos investimentos sociais, demissões e arrocho do funcionalismo. Num desabafo recente, o economista carioca José Carlos Assis, editor do site Desemprego Zero, disse estar “de saco cheio de vigaristas que defendem o interesse próprio como interesse geral. Arminio Fraga é um economista vulgar de mercado… Mas o ‘mercado’ decidiu que é um sábio em economia. Isso não é de admirar, pois ele primou por atender os interesses genuínos do mercado… O que não dá para engolir é que Arminio Fraga, o rei do mercado, deite falação sobre economia como se fosse autoridade independente neste campo, acima de interesses particulares”. O desabafo é mais do que justo e deveria servir de alertar aos eleitores de Fernando Gabeira.
Gabeira é sustentado por setores de oposição a Lula
HORA DO POVO
Para o dirigente do PCdoB do Rio de Janeiro, Ricardo Capelli, a candidatura de Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS) representa os setores mais atrasados da oposição ao governo Lula. “No Rio, nos resta agora derrotar a candidatura Gabeira, representante do conservadorismo mais atrasado no segundo turno”, afirmou o dirigente do PCdoB, em mensagem publicada na terça-feira no portal “Vermelho”.
“Pode parecer estranho chamar um verde ex-guerrilheiro de conservador, mas afirmo isso sem nenhuma vacilação”, prosseguiu Capelli. “Sustentam a candidatura Gabeira os setores de oposição ao presidente Lula, tucanos e o velho PPS, que encontraram em Gabeira nova roupagem para velhas práticas”, acrescentou. “Se para ir de trem para Santa Cruz Gabeira usou policiais como seguranças, imaginem a relação que ele teria com o povo na Prefeitura. Não por acaso, César Maia (Dem) já anunciou seu apoio a Gabeira”, completou.
As declarações de Capelli vão na mesma direção do que disse, na segunda-feira, o assessor da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, em entrevista ao jornalista Fernando Mitre: “Fernando Gabeira é uma reedição de Carlos Lacerda”. Garcia lembrou que Carlos Lacerda, a exemplo de Gabeira, também teve uma passagem por um partido de esquerda na juventude para depois se tornar um dos mais notórios chefes da extrema-direita, utilizando-se do falso moralismo e do discurso de combate à corrupção para atacar os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.
A exemplo do PT e do PSB, outros partidos vão anunciar o apoio nos próximos dias. Todas as forças progressistas do Rio de Janeiro estão se unindo em torno de Paes para derrotar o porta-voz da tropa de choque anti-Lula.
Nos últimos dias, a candidatura de Gabeira, que passou boa parte da campanha tentando esconder o seu reacionarismo, vem sendo desmascarada como candidato criado e cevado pela tralha entreguista, encabeçada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jorge Bornhausen
(Dem) e César Maia (Dem). Ele é apoiado pelos testas-de-ferro de grupos estrangeiros, Armínio Fraga e Eike Batista e recebeu contribuição do bando de Daniel Dantas. Por fim, pelos serviços prestados, nos últimos anos, na cruzada anti-Lula, ele não poderia deixar de ser o queridinho dos Civita e dos Marinho.
Walter Salles é maior doador individual de campanha de Gabeira, com R$ 180 mil
UOL, 24.09.08
O cineasta Walter Salles foi a pessoa física que ofereceu a maior quantia para a campanha do candidato à Prefeitura do Rio, Fernando Gabeira (PV). Ele doou R$ 180 mil para o deputado federal, pouco mais que o empresário Eike Batista à campanha do candidato “verde”, R$ 100 mil. Em entrevista ao UOL Eleições nesta quarta-feira (24), Salles confirmou a doação e garantiu seu apoio ao candidato, “não só por causa do setor cinematográfico, mas também por sua trajetória política”.
“Bom saber que a doação que fiz se tornou pública. Considero essa transparência um avanço. Espero que a prática das doações feitas por baixo do pano, através daquilo que se domina caixa dois, se torne cada vez menos comum. O Rio de Janeiro está numa situação calamitosa e apoiar Gabeira agora me pareceu mais essencial do que nunca. Ele tem uma trajetória balizada por ideais que me parecem importantes”, afirmou o cineasta, que está na Europa divulgando o seu novo filme “Linha de Passe” e por isso não teve tempo de detalhar as propostas de interesse, oferecidas pelo candidato.
A família Salles é proprietária do Unibanco e, segundo o site do candidato, a empresa doou outros R$ 150 mil. Além da doação de R$ 18 mil do ex-presidente do Banco Central , Armínio Fraga, outros sócios da empresa de Fraga, a Gávea Investimentos, também doaram recursos para a campanha de Gabeira, como o ex-ministro do Trabalho, Edward Amadeo. O advogado Francisco Mussnic, casado com Verônica Dantas – irmã de Daniel Dantas – doou R$ 10 mil.
O caixa de campanha de Gabeira triplicou: os R$ 324 mil declarados na primeira prestação de contas viraram R$ 1,4 milhão na segunda, entregue no dia 5 deste mês ao TSE, Tribunal Superior Eleitoral. As despesas do candidato verde somaram R$ 1,2 milhão e os maiores gastos foram com programas de TV e rádio, num total de R$ 788 mil.
O diretório do PSDB e a Construtora OAS lideraram os maiores valores em doações para Gabeira: R$ 200 mil. Logo depois, a pessoa física que repassou o maior investimento ao candidato foi o cineasta Walter Salles.
CHICO ALENCAR critica vice de Gabeira
PSOL/Jornal do Brasil, 18/08/08
Chico critica vice de Gabeira no caso LinsDurante caminhada ontem do Posto 6 e até o Copacabana Palace, o candidato Chico Alencar (PSOL) cobrou a responsabilidade da Assembléia Legislativa na fuga do ex-deputado Álvaro Lins (PMDB), cassado essa semana. “Caso ele tenha fugido do país, como já foi cogitado, a responsabilidade é dos deputados, incluindo Luiz Paulo Corrêa da Rocha, vice do Fernando Gabeira, que, irresponsavelmente, votaram, em tempo recorde, pela sua libertação. Foi um erro deixá-lo solto, está comprovado.”
Tendência do PSOL é não apoiar Paes nem Gabeira, diz Chico Alencar
VOTE BRASIL, 08.10.08
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
Rio, RJ – Entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), o PSOL tende a escolher entre a neutralidade e a orientação pelo voto nulo no segundo turno da eleição para prefeito do Rio de Janeiro. Esta é a avaliação do candidato derrotado Chico Alencar (PSOL), que terminou o primeiro turno na sétima colocação, com 1,81% dos votos.
O PSOL vai reunir sua direção no Rio de Janeiro na quinta-feira para discutir a posição do partido no segundo turno. Na segunda-feira, a legenda realizará uma plenária com filiados para fechar a decisão. O partido foi procurado ontem por Gabeira, mas não deve apoiar o candidato verde.
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
“Na direção, não conheço ninguém que defenda o apoio ao PMDB do Paes, do [deputado estadual Jorge] Picciani e do [governador Sérgio] Cabral. Também não há ninguém que defenda o apoio ao Gabeira, que é mais que o candidato do PV, é também do PSDB e agora do DEM. Aí o PSOL não se sente representado em nenhuma destas coligações”, acrescentou o deputado federal.
Alencar afirma que o partido não deve orientar voto em nenhuma das candidaturas, mas também não deve “gastar energias” fazendo campanha pelo voto nulo. O deputado critica ainda a aproximação de partidos de outros partidos esquerda — PT, PDT e PSB — com Eduardo Paes.
“É uma frente de esquerda transgênica, inautêntica, incoerente, sem a menor sinceridade. É um arranjo eleitoral cheio de contradições. Essa é uma esquerda biônica. O que a motiva não é uma perspectiva de igualdade social e transformação política, mas sim as benesses do poder”, atacou.
Sobre a sua baixa votação — inferior aos votos que recebeu na disputa pela Câmara há dois anos–, Alencar disse que se tornou “uma espécie de América, o segundo time de todos os cariocas”. “Boa parte dos votos que seriam destinados a mim foram sugados pelo ´tamanduá´ Gabeira”, brinca.

PV, um engodo

Essa daqui saiu em 1º. de Outubro, na coluna Confidencial, assinada por Aziz Ahmed ( Jornal do Commercio ):
PV, um engodo
“Logo que o PV surgiu, fez-se aquela manifestação do abraço à Lagoa Rodrigo de Freitas. Eu estava lá. Para mim o partido é uma decepção”. E é assim que o jornalista e escritor José Louzeiro define o seu sentimento pelo Partido Verde. Após apurar as denúncias de falsificação de assinaturas e da expulsão de membros que lutaram pelas investigações das contas do Fundo Partidário, ele lança o livro “Partido Verde – O Clube dos Amigos”, que traz documentos e relatos mostrando como o vanguardista PV caiu na “vala comum” da corrupção e virou uma confraria de amigos – como Gabeira e Sirkis – prontos a executar falcatruas.
“Dizem que me habituei a escrever sobre delinqüentes. A história do PV segue essa linha.”
JOSÉ LOUZEIRO, Jornalista e Escritor
O mentor neoliberal de Fernando Gabeira
Blog do Miro, 02.10.08
Bajulado pela mídia como o legítimo representante da “esquerda light”, Fernando Gabeira ainda seduz parcelas do eleitorado progressista do Rio de Janeiro. Mas estas pessoas, com maior senso crítico, deveriam ficar atentas às péssimas companhias do candidato da coligação PV-PSDB. O principal coordenador e financiador da sua campanha é o rentista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central no triste reinado de FHC, ex-funcionário do megaespeculador George Soros e atual dono da empresa Gávea Investimentos. Ele é tratado por Gabeira como o mentor da sua principal proposta programática, a da implantação do “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Nos últimos dias, Arminio Fraga voltou a ocupar os holofotes da mídia. Além de ser a estrela dos programas de TV de Gabeira, deu várias entrevistas sobre a grave crise que atinge os EUA e que promete contagiar a economia mundial. Sua receita, se aplicada no Rio de Janeiro, seria um duro golpe nos eleitores do tucano-verde. Sem papas na língua, o neoliberal convicto defende que “o governo Lula tem de adotar uma posição conservadora e aceitar que, nestas circunstâncias, o país não pode ter a expectativa de repetir o crescimento econômico deste ano… Eu recomendaria agora alguma prudência. Seria bom também a essa altura do jogo uma agenda de reformas”.
O choque de gestão do banqueiro
O rentista não esconde seus interesses de classe. Para garantir os altos lucros dos banqueiros, ele defende a adoção de medidas de contenção do crescimento da economia, que jogarão nas costas dos trabalhadores o peso da grave crise capitalista, com a explosão do desemprego e a redução da renda dos assalariados. Na prática, prega o aumento da taxa de juros e do superávit primário, o fundo de reserva dos banqueiros. Ele propõe ainda a sua conhecida “agenda de reformas”, com novos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários. Caso Fernando Gabeira vença a eleição, estas idéias neoliberais é que deverão orientar o seu “choque de gestão” na prefeitura carioca.
Arminio Fraga têm ambições e projetos definidos. É hoje um dos símbolos do rentismo no país. Após sair do governo, ele recrutou boa parte da equipe econômica de FHC e montou a segunda maior gestora de fundos de investimentos do Brasil, sediada na Leblon Corporate, um luxuoso prédio de sete andares e vidros fumê na zona sul carioca. A Gávea nasceu em agosto de 2003 e, em menos de três meses, contando com fortes influências e informações valiosas, recebeu US$ 550 milhões em aplicações, gerando desconfiança entre os seus pares. Alguns rentistas rotulam Fraga de “strike”, jargão usado no mercado financeiro que significa agressivo, sem escrúpulos.
Um rentista sem escrúpulos
O coordenador do programa de Gabeira realmente não tem escrúpulos. Ele encara tudo como um negócio lucrativo, inclusive o poder político. “A nossa filosofia é investir apenas onde tenhamos um grau de confiança elevado”, revelou à revista IstoÉ Dinheiro. Ele não tem compromissos com o Brasil e o seu povo. “Especula-se que a Gávea Investimentos recebeu aplicações do seu antigo patrão, George Soros, e dos ex-donos do banco Garantia, como Jorge Lehman”, relata a revista. Arminio Fraga ainda afirmou à IstoÉ que “não teria qualquer constrangimento em me desfazer de papéis do Brasil se eles perderem atração”.
Tido nos bastidores da política carioca como o homem forte numa prefeitura dirigida pela aliança PV-PSDB-PPS, Arminio Fraga tem muitos interesses econômicos e financeiros para administrar. Reportagem da revista Exame revela que o rentista agora é sócio da McDonald’s, que vendeu no ano passado 1.600 lojas na América Latina por US$ 700 milhões. “A entrada num negócio deste porte chama a atenção para um novo traço da personalidade de Arminio Fraga: o de empresário”. Além do seu fundo de investimento, o Gávea, ele hoje possui ações na BRA transporte aéreo, em terminais de contêineres, em shopping center e, “a partir de agora também em hambúrgueres”.
Os “vigaristas” do deus-mercado
Gabeira ainda seduz alguns com seu figurino de “esquerda light”, mas o seu principal mentor não deveria deixar dúvida sobre a triste sina do Rio de Janeiro nas mãos deste xiita neoliberal. Como presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC, ele sempre defendeu os interesses do “deus-mercado”, impondo altas taxas de juros, elevados superávits primários e total libertinagem financeira. Foi um defensor ardoroso das privatizações e da redução do papel do Estado, através de cortes nos investimentos sociais, demissões e arrocho do funcionalismo. Num desabafo recente, o economista carioca José Carlos Assis, editor do site Desemprego Zero, disse estar “de saco cheio de vigaristas que defendem o interesse próprio como interesse geral. Arminio Fraga é um economista vulgar de mercado… Mas o ‘mercado’ decidiu que é um sábio em economia. Isso não é de admirar, pois ele primou por atender os interesses genuínos do mercado… O que não dá para engolir é que Arminio Fraga, o rei do mercado, deite falação sobre economia como se fosse autoridade independente neste campo, acima de interesses particulares”. O desabafo é mais do que justo e deveria servir de alertar aos eleitores de Fernando Gabeira.
Gabeira é sustentado por setores de oposição a Lula
HORA DO POVO
Para o dirigente do PCdoB do Rio de Janeiro, Ricardo Capelli, a candidatura de Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS) representa os setores mais atrasados da oposição ao governo Lula. “No Rio, nos resta agora derrotar a candidatura Gabeira, representante do conservadorismo mais atrasado no segundo turno”, afirmou o dirigente do PCdoB, em mensagem publicada na terça-feira no portal “Vermelho”.
“Pode parecer estranho chamar um verde ex-guerrilheiro de conservador, mas afirmo isso sem nenhuma vacilação”, prosseguiu Capelli. “Sustentam a candidatura Gabeira os setores de oposição ao presidente Lula, tucanos e o velho PPS, que encontraram em Gabeira nova roupagem para velhas práticas”, acrescentou. “Se para ir de trem para Santa Cruz Gabeira usou policiais como seguranças, imaginem a relação que ele teria com o povo na Prefeitura. Não por acaso, César Maia (Dem) já anunciou seu apoio a Gabeira”, completou.
As declarações de Capelli vão na mesma direção do que disse, na segunda-feira, o assessor da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, em entrevista ao jornalista Fernando Mitre: “Fernando Gabeira é uma reedição de Carlos Lacerda”. Garcia lembrou que Carlos Lacerda, a exemplo de Gabeira, também teve uma passagem por um partido de esquerda na juventude para depois se tornar um dos mais notórios chefes da extrema-direita, utilizando-se do falso moralismo e do discurso de combate à corrupção para atacar os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.
A exemplo do PT e do PSB, outros partidos vão anunciar o apoio nos próximos dias. Todas as forças progressistas do Rio de Janeiro estão se unindo em torno de Paes para derrotar o porta-voz da tropa de choque anti-Lula.
Nos últimos dias, a candidatura de Gabeira, que passou boa parte da campanha tentando esconder o seu reacionarismo, vem sendo desmascarada como candidato criado e cevado pela tralha entreguista, encabeçada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jorge Bornhausen
(Dem) e César Maia (Dem). Ele é apoiado pelos testas-de-ferro de grupos estrangeiros, Armínio Fraga e Eike Batista e recebeu contribuição do bando de Daniel Dantas. Por fim, pelos serviços prestados, nos últimos anos, na cruzada anti-Lula, ele não poderia deixar de ser o queridinho dos Civita e dos Marinho.
Walter Salles é maior doador individual de campanha de Gabeira, com R$ 180 mil
UOL, 24.09.08
O cineasta Walter Salles foi a pessoa física que ofereceu a maior quantia para a campanha do candidato à Prefeitura do Rio, Fernando Gabeira (PV). Ele doou R$ 180 mil para o deputado federal, pouco mais que o empresário Eike Batista à campanha do candidato “verde”, R$ 100 mil. Em entrevista ao UOL Eleições nesta quarta-feira (24), Salles confirmou a doação e garantiu seu apoio ao candidato, “não só por causa do setor cinematográfico, mas também por sua trajetória política”.
“Bom saber que a doação que fiz se tornou pública. Considero essa transparência um avanço. Espero que a prática das doações feitas por baixo do pano, através daquilo que se domina caixa dois, se torne cada vez menos comum. O Rio de Janeiro está numa situação calamitosa e apoiar Gabeira agora me pareceu mais essencial do que nunca. Ele tem uma trajetória balizada por ideais que me parecem importantes”, afirmou o cineasta, que está na Europa divulgando o seu novo filme “Linha de Passe” e por isso não teve tempo de detalhar as propostas de interesse, oferecidas pelo candidato.
A família Salles é proprietária do Unibanco e, segundo o site do candidato, a empresa doou outros R$ 150 mil. Além da doação de R$ 18 mil do ex-presidente do Banco Central , Armínio Fraga, outros sócios da empresa de Fraga, a Gávea Investimentos, também doaram recursos para a campanha de Gabeira, como o ex-ministro do Trabalho, Edward Amadeo. O advogado Francisco Mussnic, casado com Verônica Dantas – irmã de Daniel Dantas – doou R$ 10 mil.
O caixa de campanha de Gabeira triplicou: os R$ 324 mil declarados na primeira prestação de contas viraram R$ 1,4 milhão na segunda, entregue no dia 5 deste mês ao TSE, Tribunal Superior Eleitoral. As despesas do candidato verde somaram R$ 1,2 milhão e os maiores gastos foram com programas de TV e rádio, num total de R$ 788 mil.
O diretório do PSDB e a Construtora OAS lideraram os maiores valores em doações para Gabeira: R$ 200 mil. Logo depois, a pessoa física que repassou o maior investimento ao candidato foi o cineasta Walter Salles.
CHICO ALENCAR critica vice de Gabeira
PSOL/Jornal do Brasil, 18/08/08
Chico critica vice de Gabeira no caso LinsDurante caminhada ontem do Posto 6 e até o Copacabana Palace, o candidato Chico Alencar (PSOL) cobrou a responsabilidade da Assembléia Legislativa na fuga do ex-deputado Álvaro Lins (PMDB), cassado essa semana. “Caso ele tenha fugido do país, como já foi cogitado, a responsabilidade é dos deputados, incluindo Luiz Paulo Corrêa da Rocha, vice do Fernando Gabeira, que, irresponsavelmente, votaram, em tempo recorde, pela sua libertação. Foi um erro deixá-lo solto, está comprovado.”
Tendência do PSOL é não apoiar Paes nem Gabeira, diz Chico Alencar
VOTE BRASIL, 08.10.08
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
Rio, RJ – Entre Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), o PSOL tende a escolher entre a neutralidade e a orientação pelo voto nulo no segundo turno da eleição para prefeito do Rio de Janeiro. Esta é a avaliação do candidato derrotado Chico Alencar (PSOL), que terminou o primeiro turno na sétima colocação, com 1,81% dos votos.
O PSOL vai reunir sua direção no Rio de Janeiro na quinta-feira para discutir a posição do partido no segundo turno. Na segunda-feira, a legenda realizará uma plenária com filiados para fechar a decisão. O partido foi procurado ontem por Gabeira, mas não deve apoiar o candidato verde.
“O problema não é o Gabeira em si, mas o conjunto de forças que o apóiam”, disse Alencar, referindo-se à presença do PSDB na coligação com PV e PPS e ao apoio recebido ontem do DEM.
“Na direção, não conheço ninguém que defenda o apoio ao PMDB do Paes, do [deputado estadual Jorge] Picciani e do [governador Sérgio] Cabral. Também não há ninguém que defenda o apoio ao Gabeira, que é mais que o candidato do PV, é também do PSDB e agora do DEM. Aí o PSOL não se sente representado em nenhuma destas coligações”, acrescentou o deputado federal.
Alencar afirma que o partido não deve orientar voto em nenhuma das candidaturas, mas também não deve “gastar energias” fazendo campanha pelo voto nulo. O deputado critica ainda a aproximação de partidos de outros partidos esquerda — PT, PDT e PSB — com Eduardo Paes.
“É uma frente de esquerda transgênica, inautêntica, incoerente, sem a menor sinceridade. É um arranjo eleitoral cheio de contradições. Essa é uma esquerda biônica. O que a motiva não é uma perspectiva de igualdade social e transformação política, mas sim as benesses do poder”, atacou.
Sobre a sua baixa votação — inferior aos votos que recebeu na disputa pela Câmara há dois anos–, Alencar disse que se tornou “uma espécie de América, o segundo time de todos os cariocas”. “Boa parte dos votos que seriam destinados a mim foram sugados pelo ´tamanduá´ Gabeira”, brinca.

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