Jasson de Oliveira Andrade ( OBS: grifos do Blog )
A absolvição do senador Renan Calheiros não causou surpresa: já era esperada. E por três motivos. Em primeiro lugar, o Senado arquivou o Processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de peculato e lavagem de dinheiro. O tucano mineiro havia sido denunciado pelo procurador-geral da República por desvio de recursos públicos. O suposto crime cometido pelo senador Azeredo é muito mais grave do que aquele que o Renan era acusado: uso de “laranjas” na aquisição de rádios e televisões. Aí já temos o segundo motivo, que veremos a seguir.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, ao comentar a fácil absolvição de Renan, comentou em seu blog Entrelinhas: “A votação por maioria tranqüila (48 a 29) mostrou a força de Renan e a inconsistência da peça acusatória produzida pelo senador Jefferson Peres (PDT-AM)”. Além do mais, o Estadão, em 22 de novembro, publicou a reportagem “23 senadores aparecem como sócios de emissoras de rádio e TV – Discussão sobre prática, vetada pela Constituição e pelo Código de Ética do Senado, volta à tona com caso Renan”. O jornal reconheceu: “Quantidade de senadores donos de jornais e emissoras é trunfo de Renan”. Andréa Vianna, nesta reportagem, revela: “Desses 23 parlamentares, pesquisa do Estado no Sistema de Acompanhamento de Controle Societário (Siacco), do Ministério das Comunicações, mostra que pelo menos 17 têm parentes na sociedade e na direção do negócio – filhos, irmãos, mulheres, ex-mulheres, entre outros. (…) Entregar a parentes o comando das emissoras, tal como fez Renan, mesmo quando a transferência não passa de mera formalidade, é a maneira como os senadores [os 17] driblam o artigo 54 da Constituição e o artigo 4º do Código de Ética do Senado. É uma forma, como diz o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de o parlamentar “fazer de conta” que não manda naquilo que é proprietário”. Em vista da situação desses 17 senadores, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) questionou: “Com o julgamento próximo do senador Renan [dia 4/12/2007], o debate cresceu. Renan pode ser punido [não foi], neste caso, por algo que, até que ponto outros colegas não fazem?” Provavelmente essa situação foi um dos motivos da absolvição dele: 48 votos contra apenas 29 pela cassação!
O terceiro motivo: Renan renunciou a presidência do Senado. Esta atitude, em minha opinião, pesou muito na sua absolvição. Ninguém ignora que havia uma disputa pelo Poder, tanto da situação como da oposição. Com a sua renúncia, a “briga” diminuiu e, sem dúvida, isto o beneficiou. O PMDB tem o direito de apontar o presidente. O partido tem vários nomes, o que poderá complicar a sucessão. A conferir.
O sociólogo Wagner Iglesias escreveu um artigo no Blog Entrelinhas, sob o título “Clonagem política”, no qual faz um bem-humorado texto, supondo um diálogo com um amigo tucano, o Plínio. Destaco dois trechos. O primeiro: “Este Sarney que apóia Lula desde o começo de seu governo? Plínio se pergunta como Lula aceita o apoio de um velho coronel da política brasileira. Sem dúvida, meu caro Plínio, este aí só pode ter sido clonado. Não pode ser o mesmo Sarney que apoiou o governo Fernando Henrique. Ou pode?”
O segundo trecho se refere ao ex-presidente do Senado: “E este Renan que a oposição considera um bandido? Apóia o Lula desde o início de seu mandato também. Outro que só pode ser clonado. Não pode ser o mesmo Renan que foi Ministro da Justiça do governo tucano. Não pode ser. Foi clonado também.”Renan não está completamente livre. Ainda existem outros processos. Não lhe dão sossego. A revista VEJA semanalmente traz novas denúncias contra ele. E o Senado abre outro processo. A agonia dele, portanto, vai continuar. Até quando não se sabe!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Dezembro, 2007
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu