Não lembrarei com a riqueza de detalhes exigida, mas tratou-se de uns minutos instrutivos, ficar na madrugada de 30 para primeiro de Julho, assistindo à uma sessão ( reprise ) na ALESP. A hora em que sintonizei, falava o Carlos Gianazzi, do PSOL. Ele discursava e trouxe uma – pelo menos para mim – revelação sobre eventos que estão ocorrendo nas escolas estaduais. Seguinte:
Se entendi bem, talvez fosse alguma forma de terceirização, mas o governo estadual determinou às APMs ( Associações de Pais e Mestres, para quem não sabe ) ou com elas fez um acordo, que previa que as associações ficariam responsáveis pela contratação de serviços como limpeza e manutenção, para as escolas.
Pois bem. O Ministério Público ( desconheço se Federal ou Estadual ), recentemente, cortou essa. Ou seja: os terceirizados foram dispensados ( não sei se foi determinado que houvesse algum concurso, sei lá, para substituí-los ), e a grana das recisões deveriam ter sido pagas pelas APMs. Quem – calculo eu – deveria repassar esta verba para as APMs, seria o Governo Estadual, para acertar as contas. Acontece que o dinheiro não chegou.
As pessoas responsáveis, que contrataram os serviços ( ou seja, as dívidas ), são, na maior parte dos casos, pais de alunos.
Os valores devidos, muitas vezes, passa da casa dos dez mil reais. Tem até de R$40.000!!! Sem receber, as empresas entram na Justiça.
Gianazzi empunhava um documento – ou apenas anotação, não lembro – que, creio, continha uma lista de casos que estariam na Justiça. Decisões judiciais que determinam A PENHORA de bens dos pais ou diretores, há várias delas!! O pai, na maior boa vontade vai lá, contrata o faxineiro, põe o nome numa duplicata e, no final, vai pro SPC ou coisa pior!! Que horror!
Para entendermos melhor, tirei o trecho a seguir, da página do Gianazzi:
28 de Junho de 2008
Carlos Giannazi lamentou que a Secretaria da Educação ainda não tenha enviado à Assembléia o projeto que trata das APMs das escolas públicas estaduais, conforme acordo firmado com os deputados na Comissão de Educação. As APMs não têm dinheiro para pagar as verbas indenizatórias, responsabilidade do governo estadual. Segundo ele, as mães que presidem essas APMs estão sendo processadas e poderão ter os bens confiscados por algo que elas não têm nem a responsabilidade, nem as condições de pagar, porque assumiram o encargo espontaneamente, com o fim único e exclusivo de ajudar as escolas.
Carlos Giannazi lamentou que a Secretaria da Educação ainda não tenha enviado à Assembléia o projeto que trata das APMs das escolas públicas estaduais, conforme acordo firmado com os deputados na Comissão de Educação. As APMs não têm dinheiro para pagar as verbas indenizatórias, responsabilidade do governo estadual. Segundo ele, as mães que presidem essas APMs estão sendo processadas e poderão ter os bens confiscados por algo que elas não têm nem a responsabilidade, nem as condições de pagar, porque assumiram o encargo espontaneamente, com o fim único e exclusivo de ajudar as escolas.
Ficou mais fácil de entender né? Mas vejam como são cretinos os jornais e revistas que “noticiam” a questão educacional, e como são mais cretinos ainda aqueles que se preocupam com o “trânsitonacapitalblablabla”, a ponto de subordinar a questão a problemas de tráfego. Vejam só: neste pequeno trecho, ficamos sabendo, ainda, que o governo fechou acordo com deputados de uma comissão responsável pelo tema, a Comissão de Educação. Agora imagine-se num local ( uma fila ou um ponto de ônibus ) e alguém começa a ruminar sua indignação com as “faltas dos professores” ou com a “paralização da cidade causada pelos professores que só sabem fazer greve” ( sic ); e, claro, ele não esquece de repetir o que já foi milhões de vezes repetido, sem se preocupar em provar o que diz: que os professsores grevistas não pensam nos alunos. Do jeito que o sujeito fala, parece que apenas reproduziu o que leu no Estadão ou no JT. Os jornais, por sua vez, reproduziram – mas apresentaram como se fosse de sua autoria – algum press release saído direto da fornalha localizada no Palácio dos Bandeirantes ou na Secretaria de Educação.
Vamos e venhamos. É realmente fácil ver que o trânsito parou ou ficou parado. Mas pensar que, por isso, a grave está – simploriamente pensando – errada, é um chute no saco. Pois este hipotético cidadão indignado não deve imaginar sequer que exista, na ALESP, uma comissão ( aliás, são diversas, para diversos assuntos ) de Educação. E, também, mal deve imaginar – se depender de seus jornais prediletos, assim ele continuará ( além de sua predisposição natural para a preguiça, o egoísmo, cabotinismo, vaidade e a futilidade ) – que pais estão enforcados devido às dívidas citadas acima. Por inércia e costume, vai acreditar piamente que o generoso governo Serra está “dando um aumento de 12%” aos intolerantes e irredutíveis “grevistas do PT” ( sic ). Simples assim: 12% é um dado fácil de se decorar. “O Serra deu um aumento de 12% pros professores!!”, vai dizer o sujeito, sem pensar nas nuances, nas entrelinhas, na composição salarial. Para ele é tudo muito simples: o governo dá salário, dá bônus, dá gratificação e o professor falta a hora que quer, à vontade ( sic ). A realidade nunca pareceu tão simples.
Acho que os professores precisam evitar dar pelota para a “opinião pública”, pois esta só enxerga o trânsito, que é muito mais fácil de perceber e dar palpite a respeito. Não merece que se ponha a mão no fogo por ela.
Refletir de verdade e buscar informação é chato, gasta tempo, não dá dinheiro, não dá barato e afugenta a mulherada.

TRIVELA
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