ENCALHE

abril 3, 2009

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

janeiro 1, 2009

"Lições e espantos de 2008", por Candido Mendes

Candido Mendes
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos
O RECADO do êxito de Barack Obama foi sobretudo o da obrigatória convivência da democracia com os emergentes sistemas de poder do século 21. Veio à frente desse sucesso uma América profunda que nos trouxe de volta à cidadania arraigada em Estados drasticamente conservadores, como Iowa ou Virgínia do Sul, rompendo todas as previsões de jogo, que afinal fazem das eleições sempre meras alternativas de um mesmo establishment. O ganho do senador do Illinois livra-nos por outro lado do horror da permanência dos republicanos, o que só cristalizaria de vez o pior fundamentalismo ocidental. Na declaração de George W. Bush, esses valores autorizariam até a mentira política no enfrentamento previsível de uma guerra de religiões.
Se a queda do atual situacionismo afasta a hegemonia política tradicional, a crise financeira deste fim de ano elimina de fato, após as dramáticas reuniões de outubro último, o comando do globo pelo G8, trocado pelo G20 e dando a partida a uma multipolaridade universal. O desponte dos Brics elimina de vez a noção de centro e periferia, aposentando a visão de um mundo partido em que sobrevivia o fantasma da Guerra Fria.
Não há que ver a catástrofe financeira, porém, como um tsunami na sua chegada às plagas de países continentais, de mercado interno gigantesco e mobilidade social desatada, a modificar as dominantes da prosperidade moderna ainda assentada no balanço das trocas externas e de uma complementaridade de mercados.
De toda forma, não há de pensar numa retomada da crise de 30 nem de um retorno do modelo liberal, de seu dinamismo selvagem e irresponsável pela extraordinária prosperidade da última trintena -esta que acaba agora nos desequilíbrios da ganância confessa, da falta de previsibilidade dos retornos do mercado imobiliário e de seus “subprimes” ou da aposta na obsolescência dos parques clássicos da produção automobilística norte-americana.
As terapias financeira européias, a partir da iniciativa de Gordon Brown, na Inglaterra, reinstalam as cautelas dos controles de investimento público que representam uma vitória póstuma do ideário de Keynes sobre o de Freedman na base da prosperidade, como entrevista por Nixon, Reagan e Bush.
O terrorismo internacional em 2008, no recado de Zawahiri -o guru do Al Qaeda- a Obama, não deixa dúvidas sobre a manutenção do impasse, na medida em que Bin Laden baixará as armas diante do novo homem da Casa Branca, presumidamente nascido de pai islâmico, se voltar à fé de origem e converterem-se, a seu exemplo, os Estados Unidos à crença do profeta. Não se irá à jihad no entretempo, mas os destruidores do World Trade Center são os mártires precursores de uma nova ordem internacional, que promete conviver com a barbárie ocidental.
Nessa liderança transversa, os Brics eliminam as velhas bússolas Norte-Sul e juntam de vez o crescimento econômico e o reforço democrático em que o Brasil apresenta posição ímpar. Obama acordará tarde para a América Latina, numa das poucas falhas que hoje abalam as suas prioridades internacionais. Mas o salto histórico que representou a sua vitória, tornando anacrônicos populismos como o de Chávez, reverbera no continente dessa consolidação democrática que lidera o Brasil de Lula, repudiando um terceiro mandato e conservando um paradigma para ficar. Torna a pretensão à Presidência perpétua de Chávez grotesca, senão patética.
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos. No ano em que se celebram os 60 anos de sua declaração, mais do que nunca, são os países da afirmação cidadã, como o nosso, que podem oferecer a melhor garantia ao desenvolvimento, já, e de fato, sustentável.

"Lições e espantos de 2008", por Candido Mendes

Candido Mendes
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos
O RECADO do êxito de Barack Obama foi sobretudo o da obrigatória convivência da democracia com os emergentes sistemas de poder do século 21. Veio à frente desse sucesso uma América profunda que nos trouxe de volta à cidadania arraigada em Estados drasticamente conservadores, como Iowa ou Virgínia do Sul, rompendo todas as previsões de jogo, que afinal fazem das eleições sempre meras alternativas de um mesmo establishment. O ganho do senador do Illinois livra-nos por outro lado do horror da permanência dos republicanos, o que só cristalizaria de vez o pior fundamentalismo ocidental. Na declaração de George W. Bush, esses valores autorizariam até a mentira política no enfrentamento previsível de uma guerra de religiões.
Se a queda do atual situacionismo afasta a hegemonia política tradicional, a crise financeira deste fim de ano elimina de fato, após as dramáticas reuniões de outubro último, o comando do globo pelo G8, trocado pelo G20 e dando a partida a uma multipolaridade universal. O desponte dos Brics elimina de vez a noção de centro e periferia, aposentando a visão de um mundo partido em que sobrevivia o fantasma da Guerra Fria.
Não há que ver a catástrofe financeira, porém, como um tsunami na sua chegada às plagas de países continentais, de mercado interno gigantesco e mobilidade social desatada, a modificar as dominantes da prosperidade moderna ainda assentada no balanço das trocas externas e de uma complementaridade de mercados.
De toda forma, não há de pensar numa retomada da crise de 30 nem de um retorno do modelo liberal, de seu dinamismo selvagem e irresponsável pela extraordinária prosperidade da última trintena -esta que acaba agora nos desequilíbrios da ganância confessa, da falta de previsibilidade dos retornos do mercado imobiliário e de seus “subprimes” ou da aposta na obsolescência dos parques clássicos da produção automobilística norte-americana.
As terapias financeira européias, a partir da iniciativa de Gordon Brown, na Inglaterra, reinstalam as cautelas dos controles de investimento público que representam uma vitória póstuma do ideário de Keynes sobre o de Freedman na base da prosperidade, como entrevista por Nixon, Reagan e Bush.
O terrorismo internacional em 2008, no recado de Zawahiri -o guru do Al Qaeda- a Obama, não deixa dúvidas sobre a manutenção do impasse, na medida em que Bin Laden baixará as armas diante do novo homem da Casa Branca, presumidamente nascido de pai islâmico, se voltar à fé de origem e converterem-se, a seu exemplo, os Estados Unidos à crença do profeta. Não se irá à jihad no entretempo, mas os destruidores do World Trade Center são os mártires precursores de uma nova ordem internacional, que promete conviver com a barbárie ocidental.
Nessa liderança transversa, os Brics eliminam as velhas bússolas Norte-Sul e juntam de vez o crescimento econômico e o reforço democrático em que o Brasil apresenta posição ímpar. Obama acordará tarde para a América Latina, numa das poucas falhas que hoje abalam as suas prioridades internacionais. Mas o salto histórico que representou a sua vitória, tornando anacrônicos populismos como o de Chávez, reverbera no continente dessa consolidação democrática que lidera o Brasil de Lula, repudiando um terceiro mandato e conservando um paradigma para ficar. Torna a pretensão à Presidência perpétua de Chávez grotesca, senão patética.
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos. No ano em que se celebram os 60 anos de sua declaração, mais do que nunca, são os países da afirmação cidadã, como o nosso, que podem oferecer a melhor garantia ao desenvolvimento, já, e de fato, sustentável.

"Lições e espantos de 2008", por Candido Mendes

Candido Mendes
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos
O RECADO do êxito de Barack Obama foi sobretudo o da obrigatória convivência da democracia com os emergentes sistemas de poder do século 21. Veio à frente desse sucesso uma América profunda que nos trouxe de volta à cidadania arraigada em Estados drasticamente conservadores, como Iowa ou Virgínia do Sul, rompendo todas as previsões de jogo, que afinal fazem das eleições sempre meras alternativas de um mesmo establishment. O ganho do senador do Illinois livra-nos por outro lado do horror da permanência dos republicanos, o que só cristalizaria de vez o pior fundamentalismo ocidental. Na declaração de George W. Bush, esses valores autorizariam até a mentira política no enfrentamento previsível de uma guerra de religiões.
Se a queda do atual situacionismo afasta a hegemonia política tradicional, a crise financeira deste fim de ano elimina de fato, após as dramáticas reuniões de outubro último, o comando do globo pelo G8, trocado pelo G20 e dando a partida a uma multipolaridade universal. O desponte dos Brics elimina de vez a noção de centro e periferia, aposentando a visão de um mundo partido em que sobrevivia o fantasma da Guerra Fria.
Não há que ver a catástrofe financeira, porém, como um tsunami na sua chegada às plagas de países continentais, de mercado interno gigantesco e mobilidade social desatada, a modificar as dominantes da prosperidade moderna ainda assentada no balanço das trocas externas e de uma complementaridade de mercados.
De toda forma, não há de pensar numa retomada da crise de 30 nem de um retorno do modelo liberal, de seu dinamismo selvagem e irresponsável pela extraordinária prosperidade da última trintena -esta que acaba agora nos desequilíbrios da ganância confessa, da falta de previsibilidade dos retornos do mercado imobiliário e de seus “subprimes” ou da aposta na obsolescência dos parques clássicos da produção automobilística norte-americana.
As terapias financeira européias, a partir da iniciativa de Gordon Brown, na Inglaterra, reinstalam as cautelas dos controles de investimento público que representam uma vitória póstuma do ideário de Keynes sobre o de Freedman na base da prosperidade, como entrevista por Nixon, Reagan e Bush.
O terrorismo internacional em 2008, no recado de Zawahiri -o guru do Al Qaeda- a Obama, não deixa dúvidas sobre a manutenção do impasse, na medida em que Bin Laden baixará as armas diante do novo homem da Casa Branca, presumidamente nascido de pai islâmico, se voltar à fé de origem e converterem-se, a seu exemplo, os Estados Unidos à crença do profeta. Não se irá à jihad no entretempo, mas os destruidores do World Trade Center são os mártires precursores de uma nova ordem internacional, que promete conviver com a barbárie ocidental.
Nessa liderança transversa, os Brics eliminam as velhas bússolas Norte-Sul e juntam de vez o crescimento econômico e o reforço democrático em que o Brasil apresenta posição ímpar. Obama acordará tarde para a América Latina, numa das poucas falhas que hoje abalam as suas prioridades internacionais. Mas o salto histórico que representou a sua vitória, tornando anacrônicos populismos como o de Chávez, reverbera no continente dessa consolidação democrática que lidera o Brasil de Lula, repudiando um terceiro mandato e conservando um paradigma para ficar. Torna a pretensão à Presidência perpétua de Chávez grotesca, senão patética.
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos. No ano em que se celebram os 60 anos de sua declaração, mais do que nunca, são os países da afirmação cidadã, como o nosso, que podem oferecer a melhor garantia ao desenvolvimento, já, e de fato, sustentável.

"Lições e espantos de 2008", por Candido Mendes

Candido Mendes
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos
O RECADO do êxito de Barack Obama foi sobretudo o da obrigatória convivência da democracia com os emergentes sistemas de poder do século 21. Veio à frente desse sucesso uma América profunda que nos trouxe de volta à cidadania arraigada em Estados drasticamente conservadores, como Iowa ou Virgínia do Sul, rompendo todas as previsões de jogo, que afinal fazem das eleições sempre meras alternativas de um mesmo establishment. O ganho do senador do Illinois livra-nos por outro lado do horror da permanência dos republicanos, o que só cristalizaria de vez o pior fundamentalismo ocidental. Na declaração de George W. Bush, esses valores autorizariam até a mentira política no enfrentamento previsível de uma guerra de religiões.
Se a queda do atual situacionismo afasta a hegemonia política tradicional, a crise financeira deste fim de ano elimina de fato, após as dramáticas reuniões de outubro último, o comando do globo pelo G8, trocado pelo G20 e dando a partida a uma multipolaridade universal. O desponte dos Brics elimina de vez a noção de centro e periferia, aposentando a visão de um mundo partido em que sobrevivia o fantasma da Guerra Fria.
Não há que ver a catástrofe financeira, porém, como um tsunami na sua chegada às plagas de países continentais, de mercado interno gigantesco e mobilidade social desatada, a modificar as dominantes da prosperidade moderna ainda assentada no balanço das trocas externas e de uma complementaridade de mercados.
De toda forma, não há de pensar numa retomada da crise de 30 nem de um retorno do modelo liberal, de seu dinamismo selvagem e irresponsável pela extraordinária prosperidade da última trintena -esta que acaba agora nos desequilíbrios da ganância confessa, da falta de previsibilidade dos retornos do mercado imobiliário e de seus “subprimes” ou da aposta na obsolescência dos parques clássicos da produção automobilística norte-americana.
As terapias financeira européias, a partir da iniciativa de Gordon Brown, na Inglaterra, reinstalam as cautelas dos controles de investimento público que representam uma vitória póstuma do ideário de Keynes sobre o de Freedman na base da prosperidade, como entrevista por Nixon, Reagan e Bush.
O terrorismo internacional em 2008, no recado de Zawahiri -o guru do Al Qaeda- a Obama, não deixa dúvidas sobre a manutenção do impasse, na medida em que Bin Laden baixará as armas diante do novo homem da Casa Branca, presumidamente nascido de pai islâmico, se voltar à fé de origem e converterem-se, a seu exemplo, os Estados Unidos à crença do profeta. Não se irá à jihad no entretempo, mas os destruidores do World Trade Center são os mártires precursores de uma nova ordem internacional, que promete conviver com a barbárie ocidental.
Nessa liderança transversa, os Brics eliminam as velhas bússolas Norte-Sul e juntam de vez o crescimento econômico e o reforço democrático em que o Brasil apresenta posição ímpar. Obama acordará tarde para a América Latina, numa das poucas falhas que hoje abalam as suas prioridades internacionais. Mas o salto histórico que representou a sua vitória, tornando anacrônicos populismos como o de Chávez, reverbera no continente dessa consolidação democrática que lidera o Brasil de Lula, repudiando um terceiro mandato e conservando um paradigma para ficar. Torna a pretensão à Presidência perpétua de Chávez grotesca, senão patética.
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos. No ano em que se celebram os 60 anos de sua declaração, mais do que nunca, são os países da afirmação cidadã, como o nosso, que podem oferecer a melhor garantia ao desenvolvimento, já, e de fato, sustentável.

"Lições e espantos de 2008", por Candido Mendes

Candido Mendes
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos
O RECADO do êxito de Barack Obama foi sobretudo o da obrigatória convivência da democracia com os emergentes sistemas de poder do século 21. Veio à frente desse sucesso uma América profunda que nos trouxe de volta à cidadania arraigada em Estados drasticamente conservadores, como Iowa ou Virgínia do Sul, rompendo todas as previsões de jogo, que afinal fazem das eleições sempre meras alternativas de um mesmo establishment. O ganho do senador do Illinois livra-nos por outro lado do horror da permanência dos republicanos, o que só cristalizaria de vez o pior fundamentalismo ocidental. Na declaração de George W. Bush, esses valores autorizariam até a mentira política no enfrentamento previsível de uma guerra de religiões.
Se a queda do atual situacionismo afasta a hegemonia política tradicional, a crise financeira deste fim de ano elimina de fato, após as dramáticas reuniões de outubro último, o comando do globo pelo G8, trocado pelo G20 e dando a partida a uma multipolaridade universal. O desponte dos Brics elimina de vez a noção de centro e periferia, aposentando a visão de um mundo partido em que sobrevivia o fantasma da Guerra Fria.
Não há que ver a catástrofe financeira, porém, como um tsunami na sua chegada às plagas de países continentais, de mercado interno gigantesco e mobilidade social desatada, a modificar as dominantes da prosperidade moderna ainda assentada no balanço das trocas externas e de uma complementaridade de mercados.
De toda forma, não há de pensar numa retomada da crise de 30 nem de um retorno do modelo liberal, de seu dinamismo selvagem e irresponsável pela extraordinária prosperidade da última trintena -esta que acaba agora nos desequilíbrios da ganância confessa, da falta de previsibilidade dos retornos do mercado imobiliário e de seus “subprimes” ou da aposta na obsolescência dos parques clássicos da produção automobilística norte-americana.
As terapias financeira européias, a partir da iniciativa de Gordon Brown, na Inglaterra, reinstalam as cautelas dos controles de investimento público que representam uma vitória póstuma do ideário de Keynes sobre o de Freedman na base da prosperidade, como entrevista por Nixon, Reagan e Bush.
O terrorismo internacional em 2008, no recado de Zawahiri -o guru do Al Qaeda- a Obama, não deixa dúvidas sobre a manutenção do impasse, na medida em que Bin Laden baixará as armas diante do novo homem da Casa Branca, presumidamente nascido de pai islâmico, se voltar à fé de origem e converterem-se, a seu exemplo, os Estados Unidos à crença do profeta. Não se irá à jihad no entretempo, mas os destruidores do World Trade Center são os mártires precursores de uma nova ordem internacional, que promete conviver com a barbárie ocidental.
Nessa liderança transversa, os Brics eliminam as velhas bússolas Norte-Sul e juntam de vez o crescimento econômico e o reforço democrático em que o Brasil apresenta posição ímpar. Obama acordará tarde para a América Latina, numa das poucas falhas que hoje abalam as suas prioridades internacionais. Mas o salto histórico que representou a sua vitória, tornando anacrônicos populismos como o de Chávez, reverbera no continente dessa consolidação democrática que lidera o Brasil de Lula, repudiando um terceiro mandato e conservando um paradigma para ficar. Torna a pretensão à Presidência perpétua de Chávez grotesca, senão patética.
A democracia sai, de fato, do anônimo de seus rituais para a virada histórica de página como sustento dos direitos humanos. No ano em que se celebram os 60 anos de sua declaração, mais do que nunca, são os países da afirmação cidadã, como o nosso, que podem oferecer a melhor garantia ao desenvolvimento, já, e de fato, sustentável.

novembro 26, 2008

"Obama, nem erros nem surpresas", por Candido Mendes

Neste período da transição, Obama só faz confirmar a melhor expectativa quanto ao ineditismo da sua Presidência. Não é só o sentido nitidamente colegiado das decisões quanto à futura máquina de governo, mas, sobretudo, a garantia dos muitos saltos adiante que a sua investidura traz às práticas da mera rotação de um sistema entre democratas e republicanos em Washington. É como se este arranco de fundo, do melhor da democracia americana, não parasse no aponte do eleito mas fosse mais longe nesta correção de fundo da vontade geral, que no último meio-século passou à estrita variação de um mesmo sistema, no exercício das decisões do Salão Oval.
O discurso lincolniano do último 14 de abril já consagraria Obama para a História, no fazer da sua opção política mais que uma forra racial do que reconhecimento da maturidade nova – e para ficar – na igualdade cívica de todos os americanos. A virada de página foi agora multiplicada pelo desmonte do lobby na organização do poder emergente nos Estados Unidos. Lastreara-se até hoje a certeza da transação política, que fazia da alocação das pastas de um novo governo a paga das doações às campanhas, e a constituição das equipes de poder como uma das mandatárias da dominação de sempre do poder econômico sobre o político no país.
A nova surpresa prazerosa da transição é o exaustivo inquérito das 63 questões que deve preencher qualquer nome pressentido para o Executivo, nesse novo reclamo da transparência de mando. A imposição das novas regras chegou agora ao imperativo de uma devassa à obra assistencial do ex-presidente Clinton, como condição prévia para a indicação de sua mulher à secretaria de Estado. No aponte do Executivo as escolhas chegam à sabedoria do quase óbvio, na competência do indicado e no seu reconhecimento público.
A gratidão estrita vai a poucos casos, como o do ex-senador Daschle para a Saúde, primeiro campeão da candidatura Obama. A escolha de Geithner, já de papel decisivo nas primeiras lutas contra a crise econômica na transição, fez disparar a Bolsa de Nova York. E Janet Napolitano seria a candidata inequívoca para superar o descalabro imigratório do governo Bush nas levas de chicanos, tratados como bandidos, ao buscar emprego nos Estados Unidos. Holder não está na pasta da Justiça porque é negro, mas porque teria o melhor currículo na área, e no empenho de acabar, de vez, com o escândalo da prisão de Guantánamo.
O que parece estar em causa é esta inspiração, em que a vitória de Obama quer reencontrar o compromisso histórico da nação da mudança, protagonizada por Wilson, Roosevelt, Kennedy e Clinton. Foi interrompida, contemporaneamente, pela votação mínima da primeira vitória de Bush, a se encaminhar, com a queda das torres, para a civilização do medo, a invasão do Iraque apoiada na mentira, e a sucessão das guerras preventivas contra o Oriente Médio.
A islamofobia vai hoje a este fundamentalismo dos conservadores americanos, de cuja mostra diz madame Palin, a vice de todos os ideais dos red necks. Deixando-a ao largo, agora, os republicanos entram na cruzada amarga de voltar à ribalta acreditando, com Karl Rove, que o presidente eleito perderá rapidamente o seu fastígio diante da volta à centro-direita, como o inexorável eixo político do país. Mas a América de Obama não é mais um país que se encontra na defensiva histórica. Mostra, sim, ao mundo, o quanto a democracia escapou, de vez, ao jogo imemorial dos senhores do poder, e reencontrou a esperança selvagem, dos milhões de doadores de US$ 10 à campanha vencedora, e a militância disseminada em que a internet derrubou, de vez, os impérios mediáticos na ida às urnas.
26.11.08

"Obama, nem erros nem surpresas", por Candido Mendes

Neste período da transição, Obama só faz confirmar a melhor expectativa quanto ao ineditismo da sua Presidência. Não é só o sentido nitidamente colegiado das decisões quanto à futura máquina de governo, mas, sobretudo, a garantia dos muitos saltos adiante que a sua investidura traz às práticas da mera rotação de um sistema entre democratas e republicanos em Washington. É como se este arranco de fundo, do melhor da democracia americana, não parasse no aponte do eleito mas fosse mais longe nesta correção de fundo da vontade geral, que no último meio-século passou à estrita variação de um mesmo sistema, no exercício das decisões do Salão Oval.
O discurso lincolniano do último 14 de abril já consagraria Obama para a História, no fazer da sua opção política mais que uma forra racial do que reconhecimento da maturidade nova – e para ficar – na igualdade cívica de todos os americanos. A virada de página foi agora multiplicada pelo desmonte do lobby na organização do poder emergente nos Estados Unidos. Lastreara-se até hoje a certeza da transação política, que fazia da alocação das pastas de um novo governo a paga das doações às campanhas, e a constituição das equipes de poder como uma das mandatárias da dominação de sempre do poder econômico sobre o político no país.
A nova surpresa prazerosa da transição é o exaustivo inquérito das 63 questões que deve preencher qualquer nome pressentido para o Executivo, nesse novo reclamo da transparência de mando. A imposição das novas regras chegou agora ao imperativo de uma devassa à obra assistencial do ex-presidente Clinton, como condição prévia para a indicação de sua mulher à secretaria de Estado. No aponte do Executivo as escolhas chegam à sabedoria do quase óbvio, na competência do indicado e no seu reconhecimento público.
A gratidão estrita vai a poucos casos, como o do ex-senador Daschle para a Saúde, primeiro campeão da candidatura Obama. A escolha de Geithner, já de papel decisivo nas primeiras lutas contra a crise econômica na transição, fez disparar a Bolsa de Nova York. E Janet Napolitano seria a candidata inequívoca para superar o descalabro imigratório do governo Bush nas levas de chicanos, tratados como bandidos, ao buscar emprego nos Estados Unidos. Holder não está na pasta da Justiça porque é negro, mas porque teria o melhor currículo na área, e no empenho de acabar, de vez, com o escândalo da prisão de Guantánamo.
O que parece estar em causa é esta inspiração, em que a vitória de Obama quer reencontrar o compromisso histórico da nação da mudança, protagonizada por Wilson, Roosevelt, Kennedy e Clinton. Foi interrompida, contemporaneamente, pela votação mínima da primeira vitória de Bush, a se encaminhar, com a queda das torres, para a civilização do medo, a invasão do Iraque apoiada na mentira, e a sucessão das guerras preventivas contra o Oriente Médio.
A islamofobia vai hoje a este fundamentalismo dos conservadores americanos, de cuja mostra diz madame Palin, a vice de todos os ideais dos red necks. Deixando-a ao largo, agora, os republicanos entram na cruzada amarga de voltar à ribalta acreditando, com Karl Rove, que o presidente eleito perderá rapidamente o seu fastígio diante da volta à centro-direita, como o inexorável eixo político do país. Mas a América de Obama não é mais um país que se encontra na defensiva histórica. Mostra, sim, ao mundo, o quanto a democracia escapou, de vez, ao jogo imemorial dos senhores do poder, e reencontrou a esperança selvagem, dos milhões de doadores de US$ 10 à campanha vencedora, e a militância disseminada em que a internet derrubou, de vez, os impérios mediáticos na ida às urnas.
26.11.08
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