ENCALHE

junho 4, 2009

Semana agitada: Sanguessugas, Alberto Mourão ( PSDB ) e Operação Santa Tereza, Operação Castelo de Areia e Camargo Correa…

MPF denuncia 10 suspeitos da Máfia dos Sanguessugas
01/06/2009 – Agência Estado
O Ministério Público Federal (MPF) em Belo Horizonte ofereceu hoje denúncia contra dez pessoas, entre elas três ex-prefeitos da cidade de Januária, por crimes decorrentes do esquema de fraude em licitações na área de saúde, que ficou conhecido como Máfia dos Sanguessugas. Além dos ex-prefeitos Josefino Lopes Viana, Valdir Pimenta Ramos e João Ferreira Lima, foram acusados formalmente quatro ex-funcionários da prefeitura mineira e três empresários, entre eles Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Darci José Vedoin, donos da Planan e apontados pelo MPF como líderes do esquema. Conforme a denúncia, os acusados teriam “fraudado quatro licitações destinadas à aquisição de ambulâncias e dos aparelhos médico-hospitalares necessários para guarnecê-las”. Em três dessas licitações, de acordo com o MPF, teria havido ainda superfaturamento, com sobrepreçocalculado em 17,65% do valor de mercado dos veículos. Os denunciados poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, quadrilha e crimes contra a lei de licitações. A denúncia irá tramitar perante a Vara Especializada em Lavagem de Dinheiro, na capital mineira. O reportagem não conseguiu entrar em contato com os ex-prefeitos e os donos da Planan ou com seus advogados.

MPF denuncia Elza Pereira por lavagem de dinheiro
Agência Brasil
São Paulo – O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou hoje (02) a esposa do deputado federal Paulo Pereira da Silva (o Paulinho da Força Sindical), Elza Pereira, por lavagem de dinheiro, em um aditamento de denúncia da Operação Santa Tereza.
Para o MPF, Elza Pereira permitiu a utilização da conta corrente da Meu Guri, organização não governamental (ONG) que ela preside, para ocultar uma parcela dos valores desviados de contratos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) firmados com a prefeitura de Praia Grande e com as Lojas Marisa.
“Optei pelo aditamento porque o momento era oportuno para tanto”, disse a procuradora hoje, em entrevista coletiva à imprensa, ressaltando não ter visto ainda a necessidade de um pedido de prisão.
De acordo com o MPF, a Meu Guri é suspeita de ter recebido um cheque de R$ 37,5 mil de João Pedro de Moura, de recursos que a Polícia Federal acredita terem sido desviados do BNDES. Moura é um dos treze indiciados pela Justiça Federal na Operação Santa Tereza.
Em entrevista coletiva, realizada em maio do ano passado, na sede da Meu Guri, em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, Paulinho disse que os R$ 37,5 mil foram recebidos pela ONG para que a entidade pagasse dívidas atrasadas de condomínio e de IPTU de um apartamento que havia sido doado por Moura à ONG, em 2004.
“Nesse caso, dona Elza, ao ceder conscientemente a sua conta para o depósito de dinheiro que sabia ser de origem ilícita, concorreu para a prática do crime de lavagem de dinheiro”, disse a procuradora.
A Operação Santa Tereza investigou uma organização criminosa, que fazia uso de pessoas com influência política no BNDES, para conseguir a liberação de empréstimos para as prefeituras e empresas, e que se aproveitavam de projetos falsos elaborados por uma empresa de consultoria. O dinheiro recebido do BNDES, segundo o MPF, era usado em uma casa de prostituição e de tráfico de mulheres, em São Paulo, chamada de W.E., quando então era lavado (legalizado).
Além de Elza Pereira, a procuradora da República Adriana Scordamaglia também denunciou o ex-prefeito de Praia Grande Alberto Mourão ( PSDB ), que perdeu o foro privilegiado após o término de seu segundo mandato. O inquérito contra o ex-prefeito tramitava no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª região, mas voltou para a 2ª Vara Federal Criminal especializada em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro.
O MPF acredita que o ex-prefeito tenha autorizado o desvio de 2% de uma verba de R$ 130 milhões do BNDES para obras na cidade. Além de peculato, Alberto Mourão também é acusado, segundo o MPF, pelo crime de corrupção passiva por ter viajado oficialmente para o Rio de Janeiro com passagens pagas por um dos articuladores da organização criminosa que desviava os recursos do BNDES.
No aditamento, que foi enviado hoje à Justiça Federal, mais duas pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal: Wilson Carvalho de Oliveira, presidente da ONG Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Pesquisa Política, Social e Cultural do Trabalhador, conhecida como Força e Solidariedade; e Felício Makloul, dono do prédio onde funcionava o Flat Imperial, que ficava ao lado da casa de prostituição W.E..
A procuradora da República Adriana Scordamaglia também ofereceu novas denúncias contra quatro pessoas que já haviam sido indiciadas na operação. O advogado Ricardo Tosto, que já foi conselheiro do BNDES nomeado pela Força Sindical, foi denunciado por lavagem de dinheiro. Jamil Issa Filho, ex-assessor do ex-prefeito de Praia Grande foi denunciado agora por corrupção ativa, por ter intermediado a compra das passagens de Alberto Mourão para o Rio de Janeiro, dispensando a empresa responsável pelo fornecimento de passagens à prefeitura de Praia Grande. Manuel Fernandes de Bastos Filhos, conhecido como Maneco, dono de uma casa de prostituição e acusado de ser o principal articulador do esquema de desvio de recursos do BNDES, foi agora denunciado por corrupção ativa, por ter oferecido as passagens ao prefeito João Pedro de Moura, que foi assessor do deputado Paulinho e teria sido o responsável pelo depósito do dinheiro na conta corrente da ONG Meu Guri. Maneco foi agora acusado por lavagem de dinheiro.
Em entrevista à Agência Brasil, o advogado de Elza Pereira, Antônio Rosella, disse não ter tomado conhecimento da denúncia, mas afirmou considerá-la “um absurdo”. Segundo ele, a denúncia não passa de uma “especulação política porque está violentando a esposa do deputado e a família Pereira”.
O advogado Eugênio Malavasi, que defende o ex-assessor do prefeito Jamil Issa Filho, também reclamou de não ter sido comunicado da denúncia feita pela procuradora e afirmou que pretende ir amanhã (3) até a Justiça Federal para obter mais informações sobre o caso. À Agência Brasil, o advogado de Issa Filho disse que seu cliente é inocente. “Não houve corrupção alguma”, afirmou.
Já a assessoria de imprensa do advogado Ricardo Tosto criticou a nova denúncia. Segundo nota divulgada pela assessoria, a procuradora “requentou” fatos que já tinham sido respondidos à Justiça.
A assessoria do advogado diz ainda que os cerca de R$ 182 mil reais foram depositados pela Progus, empresa de Marcos Mantovani, que é cliente do escritório de advocacia de Tosto, e seriam referentes ao pagamento de honorários advocatícios.
“Tais pagamentos realizados pela Progus foram feitos mediante emissão de notas fiscais”, diz a nota, ressaltando que uma auditoria feita pelo BNDES sobre os contratos investigados durante a Operação Santa Tereza não constatou irregularidade. A assessoria finaliza com a afirmação de que Ricardo Tosto “aguarda com tranqüilidade” o julgamento final do processo.
Castelo de Areia
Procuradoria denuncia três executivos da Camargo Correa
PanoramaBrasil, 02.06.09
SÃO PAULO – O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou três executivos da construtora Camargo Correa pelos crimes de fraude contra o sistema financeiro, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. De acordo com a Procuradoria, eles participavam de um esquema ilegal de dinheiro para o exterior.Os executivos da Camargo Correa, Pietro Francesco Giavina Bianchi, Dárcio Brunato e Fernando Dias Gomes são acusados de fraude contra o sistema financeiro, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Os doleiros Kurt Paul Pickel, José Diney Matos e Jadair Fernandes de Almeida responderão pelos crimes de operação de instituição financeira ou de câmbio ilegal, fraude financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Maristela Sum Doherty pelos crimes de câmbio ilegal, evasão, lavagem e quadrilha. O executivo Raggi Badra Neto e as secretárias Marisa Berti Iaquinto e Darcy Flores Alvarenga, que trabalhavam, respectivamente, para Dias Gomes e Bianchi, foram denunciados por evasão de divisas e quadrilha.Girolano Santoro foi denunciado por fraude financeira, evasão e quadrilha.

maio 12, 2009

Folha começa a questionar a "delação premiada", sabe-se-lá por que e por quem

Delação premiada divide juízes e advogados
Cada magistrado usa um modelo próprio, pois lei que estabelece o instituto não diz de que forma ele deve ser aplicado
Participação dos juízes [ Ahhhhh, entendi!!!... ] na delação é um dos pontos que mais recebem críticas; o argumento é que isso comprometeria sua isenção [ sic! ]
A falta de regulamentação sobre o instituto que prevê a colaboração de criminosos como testemunha contra seus cúmplices (delação premiada) tem gerado polêmica [ UII!! ] entre juízes e advogados, que se acusam nos bastidores de colocar em risco a segurança jurídica [ OPS! Agora o caos se instalou, as instituições ruirão, a civilização desaparecerá e... ].
A discussão se concretizou após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS) suspender
um processo que tramitava contra doleiros porque um dos acusados virou colaborador e passou a ser julgado em procedimento paralelo e sigiloso.
Advogados dos demais réus na operação batizada de Kaspar 2 [ OBS: que resultou na Operação "Castelo de Areia", em que foram presos diretores da construtora Camargo Correareclamaram da falta de acesso ao depoimento secreto, dizendo que isso inviabilizaria a defesa de seus clientes. O argumento fez com que o TRF suspendesse os dois processos.
"É direito do meu cliente saber qual será a fórmula usada pelo juiz para aplicar a sentença de todos os réus, inclusive do delator. Acho uma imoralidade o Estado incentivar a traição", afirma o advogado Eduardo Carnelós.
Ameaça
A delação tem amparo na lei nº 9.807/99 [ ou seja, dez anos depois, sem ter havido marola nesse meio tempo, começou-se a achar que a lei é "falha" ], que diz que o réu que ajuda a identificar ex-cúmplices ou a recuperar verbas desviadas pode ser beneficiado pela redução de pena ou pelo perdão judicial. O caso da Kaspar 2 ainda será julgado pelo TRF, mas autoridades do Judiciário, da Procuradoria e da PF veem uma ameaça ao instituto.
“O problema é que nossa lei é falha, ela só diz qual o resultado da delação, não como se faz”, diz o procurador da República na Bahia Vladimir Aras, que participa de um grupo que apresentará projeto de regulamentação.
Sem uma lei completa, cada juiz adota um modelo próprio, baseado em analogias com leis e experiências de outros países.
No Paraná, o modelo aplicado é o do contrato. O Ministério Público, responsável pela acusação formal contra os réus, oferece a delação e se compromete, por escrito, a pleitear na Justiça os benefícios.
“Isso [o acordo] deve ser levado ao conhecimento do juiz tão logo seja possível e aí pode-se solicitar sua homologação”, diz o juiz federal Sérgio Fernando Moro, do Paraná.
O contrato, no entanto, não significa uma obrigatoriedade do juiz em cumpri-lo. Isso dependerá de uma avaliação sobre a efetiva colaboração.
Em São Paulo, o juiz federal Fausto De Sanctis [ tava na cara que a Folha ia chegar nele... ]participa de reuniões de delação, mas sem assinatura de contrato. O benefício só é concedido se a colaboração for considerada efetiva.
A participação do juiz [ leia-se: " falamos sobre a participação, especificamente, de De Sanctis no caso" ] é um dos pontos mais criticados. Muitos [ por exemplo, a Folha ]entendem que isso compromete a isenção. Para o procurador da República Rodrigo de Grandis, o acordo deve ser entre Ministério Público, réu e advogado. “O juiz ficaria como guardião do acordo, saberia da existência, mas não se envolveria sobre o mérito.”
Para advogados, a delação rompe com o princípio da proporcionalidade da pena, pois trata diferentemente réus que cometeram os mesmos crimes. ( FOLHA DE S. PAULO, 10/05/2009 )
LEITURA COMPLEMENTAR:
Castelo de Areia
Delação premiada motivou início das investigações da PF
O estopim da Operação Castelo de Areia, que prendeu diretores da Camargo Corrêa, foi o depoimento de um réu que é processado por suposto envio ilegal de dinheiro ao exterior e que foi preso na Operação Kaspar.
Para tentar atenuar uma eventual condenação, em fevereiro, o denunciante apontou o doleiro Kurt Paul Pickel como o suposto operador da construtora no envio ilegal de valores para o exterior.
A partir disso, a Polícia Federal obteve a quebra do sigilo telefônico de Kurt e chegou a diretores da Camargo.
O instrumento que permite a ajuda de réus é a delação premiada. No início dos autos, a PF disse que a apuração começou com denúncia anônima. O objetivo seria proteger a identidade do réu.
No dia 24, a defesa de Kurt pediu à desembargadora Cecília Mello, do TRF da 3ª Região, a anulação da Castelo sob o argumento de que a investigação começou com denúncia anônima. O pedido ainda não foi analisado. ( FOLHA DE SÃO PAULO, 30/04/09 )
“Foco da operação não era a doação de campanha feita pela empreiteira a partidos políticos”, disse Tarso: Ministro da Justiça e PF defendem legalidade da Operação Castelo de Areia, 28.04.09
Consultor de múlti que fornece material escolar, Paulo Renato assume Educação de São Paulo
O ex-ministro de FHC e deputado federal Paulo Renato Souza (PSDB/SP) tomou posse, na segunda-feira (13), como novo titular da Secretaria de Educação de São Paulo.
“Sou daqueles brasileiros que ardentemente clamam por uma mudança de rumo em nosso país. Mudança para elevar o padrão ético e republicano da nossa vida pública”, discursou o tucano, usando sua fala para denegrir o governo Lula.
Paulo Renato, que substituiu Maria Helena de Castro – que deixou o cargo após o fiasco dos livros enviados às escolas com erros de geografia e encomendados sem licitação – é dono da PRS Consultores, empresa que presta serviços à Editora Moderna, pertencente à espanhola Santillana. Somente este ano, a Moderna detém um contrato de venda de R$ 78,8 milhões para fornecer 18,2 milhões de exemplares, quase um terço dos livros distribuídos aos alunos da rede pública, incluindo os das escolas de São Paulo.
Segundo o deputado estadual Simão Pedro (PT), presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Estado, a nomeação é preocupante. “Já conhecemos o professor Paulo Renato e sabemos da sua visão de educação como mercadoria e seus compromissos com o setor privado, inclusive há denúncias de que ele é sócio de empresas fornecedoras de materiais para a pasta que comandará”, disse.
Citado na Operação Castelo de Areia como tendo recebido R$ 100 mil da empreiteira Camargo Corrêa, Paulo Renato foi derrotado na disputa pela liderança do partido na Câmara, em fevereiro. Tentou articular um movimento para destituir seu oponente, José Aníbal, mas não conseguiu atingir seu intento.
Assim, no plano político sua nomeação para a Secretaria é vista como mais uma manobra do governador José Serra para acomodar disputas internas que poderiam atrapalhar suas pretensões à sucessão presidencial. Tendo em vista, inclusive, que o próprio Serra já andou vazando um dossiê sobre o colega tucano, onde consta que o ex-ministro deveria explicações sobre inusitadas liberações de financiamentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no período em que ocupou a gerência de operações do banco. ( Hora do Povo, 15.04.09 )
Operação “Castelo de Areia” atinge Camargo Corrêa
Terra, 25 de março de 2009

maio 5, 2009

"Paraisópolis exige respeito": Camargo Corrêa pressiona por expulsão de moradores

Camargo Corrêa pressiona por expulsão de moradores
Ag. Brasil de Fato, 05/05/2009
Em conjunto com a prefeitura de São Paulo, empreiteira pressiona moradores de Paraisópolis a deixarem suas casas, que estão no caminho de grandes obras
Moradores e entidades ligadas à Paraisópolis lançaram, no dia 25, a campanha “Paraisópolis Exige Respeito”, que denuncia as desapropriações irregulares que vêm sendo tentadas pela prefeitura da cidade de São Paulo para que a empreiteira Camargo Corrêa efetive suas obras na região: a construção de prédios – segundo a empresa, para própria comunidade – e uma avenida que, até agora, não demonstrou sua funcionalidade. Ambos empreendimentos estão em andamento.
Um vídeo feito por um morador em uma reunião realizada no canteiro de obras da própria empreiteira entre uma funcionária da Secretaria Municipal de Habitação, conhecida como Maria Tereza, e 80 integrantes da comunidade, revela como a mulher tenta persuadir seus interlocutores. Ela argumenta que, após estes terem recebido, em meados de abril, intimação da prefeitura paulistana para imissão de posse do terreno – o que lhes dá um prazo de 20 dias para a desocupação – seria melhor que eles aceitassem a proposta das autoridades.
Ou seja, um apartamento e uma dívida a ser quitada em 25 anos. Caso contrário, a alternativa seria o recebimento de uma indenização de R$ 5 mil, quantia que, segundo a funcionária, traria um destino incerto aos moradores, que poderiam ser obrigados a ir a um albergue ou a um alojamento cedidos pela administração municipal.
José Maria, líder comunitário de Paraisópolis, indaga: “só conseguirão pagar esses apartamentos aqueles que ganharem cerca de seis salários mínimos. Por que não realizam um plano de moradia popular?”.
Marisa Ferfferman, representante do Tribunal Popular, explica que a prefeitura é, efetivamente, a dona dos terrenos, e que obteve suas posses por meio de um processo de desapropriação. No entanto, segundo ela, a Viela Passarinho (a área mais afetada pelas obras Camargo Corrêa até o momento), não foi desapropriada.
“Para caracterizar isso, precisaria de um decreto de utilidade pública, mais o pagamento do valor de mercado dos imóveis da zona, com indenização prévia, e em dinheiro. Entretanto, foram os processos de desapropriação dos terrenos vizinhos, que nem contêm moradias, que foram utilizados para solicitar ao juiz a ordem de desocupação, em uma atitude clara de má-fé”, desabafa.
Negociação com grileiros
São 6h da manhã do sábado, 25 de abril, as casas e barracos começam a tremer. São os tratores e as escavadeiras da empreiteira Camargo Corrêa que começam a trabalhar próximo às moradias, intimidando os moradores que resistem sair do local.
Maria José Pereira de Araújo teme não completar, em outubro, seus 67 anos de idade e 31 na Viela Passarinho, em Paraisópolis. Pois já está quase cedendo às pressões da empresa: “Cortam minha água, minha luz, jogam pedras no meu telhado e mandam pessoas seguirem minhas filhas quando voltam à noite do trabalho. Estou até sentindo vontade de sair, pois estou com medo”, denuncia.
Sua residência, que Maria José divide com duas filhas e dois netos, está no caminho da avenida em construção. Um vizinho conta que, no dia 24 de abril, percebeu a movimentação de oito homens da Camargo Corrêa nas imediações. “Eles se comunicavam por rádios e, quando suas filhas saíram para trabalhar, foram até lá e começaram a pedir para ela assinar um documento que passava a posse da casa para a empreiteira”.
O vizinho, então, aproximou-se e solicitou à senhora, analfabeta, que não assinasse nada sem a presença de suas filhas. De imediato, foi interpelado por um dos homens, que disse: “a Camargo Corrêa já pagou R$ 1 milhão a um grileiro pelas terras. Em 20 dias, ela sai daqui sem direito nenhum. Ela tem que se virar com a pessoa que tem o documento de proprietário do local”. Maria José confirma que recebeu a visita do grileiro que possui o documento de posse de sua casa. “Ele tentou negociar comigo, minha saída, me oferecendo dinheiro, mas não aceitei”, conta.
Usucapião
Para Feffermann, a prefeitura esconde a verdade dos moradores ao reconhecer os documentos apresentados pelos grileiros. “Esse procedimento fere as normas legais, na medida em que a comunidade que mora nessa região [Viela Passarinho] por tantos anos [mais de 15] já adquiriu o direito de ser proprietária desse lugar, através do instituto do usucapião. Sendo assim, os proprietários desse terreno são seus próprios moradores”, revela.
Num clima de terra de ninguém, onde a prefeitura, a Camargo Corrêa e grileiros negociam a área, os verdadeiros donos, os moradores, são os principais prejudicados. Ferffemann pontua: “não levam em conta as resoluções do Conselho Nacional das Cidades, que exigem participação popular na elaboração, implementação e gestão das políticas urbanas, e garantem o direito da população de baixa renda de morar junto à áreas urbanizadas, e não apenas em suas periferias”.
Além disso, segundo a representante do Tribunal Popular, essa área pertence a Zonas Especiais de Interesse Social. “Portanto, há um desvio de finalidade de um Plano Diretor, de um Plano de Urbanização. Desse modo, as políticas públicas continuarão seguindo no caminho errado, transformando em letra morta direitos sociais e democráticos previstos na Constituição Federal”, conclui.
MAIS SOBRE:
Comunidade de Paraisópolis resiste a ação da prefeitura
APROPUC-SP 24.04.09
Convocação: Paraisópolis, exige Respeito!
Blog do Ferréz 23.04.09
Paraisópolis exige respeito
Viomundo, 24.04.09
Campanha Paraisópolis Exige Respeito denúcia mais um abuso
Rede de Comunidades, 27.04.09

maio 1, 2009

Castelo de Areia: não foi "denúncia anônima" e nem "grampo". Foi delação premiada de réu na Operação Kaspar

Castelo de Areia
Delação premiada motivou início das investigações da PF
O estopim da Operação Castelo de Areia, que prendeu diretores da Camargo Corrêa, foi o depoimento de um réu que é processado por suposto envio ilegal de dinheiro ao exterior e que foi preso na Operação Kaspar.
Para tentar atenuar uma eventual condenação, em fevereiro, o denunciante apontou o doleiro Kurt Paul Pickel como o suposto operador da construtora no envio ilegal de valores para o exterior.
A partir disso, a Polícia Federal obteve a quebra do sigilo telefônico de Kurt e chegou a diretores da Camargo.
O instrumento que permite a ajuda de réus é a delação premiada. No início dos autos, a PF disse que a apuração começou com denúncia anônima. O objetivo seria proteger a identidade do réu.
No dia 24, a defesa de Kurt pediu à desembargadora Cecília Mello, do TRF da 3ª Região, a anulação da Castelo sob o argumento de que a investigação começou com denúncia anônima. O pedido ainda não foi analisado.
Fonte: Folha de S. Paulo
LEIA ISSO:
A descontaminação política da “Castelo de Areia” ( Terra Magazine, 30.03.09 )

Castelo de Areia: não foi "denúncia anônima" e nem "grampo". Foi delação premiada de réu na Operação Kaspar

Castelo de Areia
Delação premiada motivou início das investigações da PF
O estopim da Operação Castelo de Areia, que prendeu diretores da Camargo Corrêa, foi o depoimento de um réu que é processado por suposto envio ilegal de dinheiro ao exterior e que foi preso na Operação Kaspar.
Para tentar atenuar uma eventual condenação, em fevereiro, o denunciante apontou o doleiro Kurt Paul Pickel como o suposto operador da construtora no envio ilegal de valores para o exterior.
A partir disso, a Polícia Federal obteve a quebra do sigilo telefônico de Kurt e chegou a diretores da Camargo.
O instrumento que permite a ajuda de réus é a delação premiada. No início dos autos, a PF disse que a apuração começou com denúncia anônima. O objetivo seria proteger a identidade do réu.
No dia 24, a defesa de Kurt pediu à desembargadora Cecília Mello, do TRF da 3ª Região, a anulação da Castelo sob o argumento de que a investigação começou com denúncia anônima. O pedido ainda não foi analisado.
Fonte: Folha de S. Paulo
LEIA ISSO:
A descontaminação política da “Castelo de Areia” ( Terra Magazine, 30.03.09 )

março 28, 2009

"Ou isto ou aquilo", por Luiz Antonio Magalhaes

Blog ENTRELINHAS
O pessoal do DEM, do PSDB e seus amigos na grande imprensa precisam tomar uma decisão: ou bem a Operação Castelo de Areia foi uma “armação stalinista” do ministro Tarso Genro ou foi o oposto disto e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos foi chamado pelo Palácio do Planalto ( pelo presidente em pessoa, segundo O Estado de S. Paulo) para defender a construtora Camargo Corrêa. As duas coisas é que não podem ter acontecido ao mesmo tempo. Não faz sentido Lula chamar o melhor criminalista do país para defender os seus adversários democratas e tucanos da “ofensiva stalinista” de Genro… Portanto, ou a operação NÃO tem nada de “política” e tampouco alvos específicos, como querem os probos oposicionistas, podendo até atingir o PT – daí a suposta preocupação do presidente –, ou Lula NÃO chamou Márcio Thomaz Bastos para defender a Camargo Corrêa e a matéria do Estadão é uma grande cascata.
Sobre este mesmo assunto, aliás, vale a pena ler o comentário do jornalista Luiz Weis no blog Verbo Solto, que vai abaixo, na íntegra:
A falta que fazem os goleiros
O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, desmente que passou a defender a Camargo Corrêa, investigada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e doações ilegais a políticos, “a pedido do Planalto”, como afirma O Estado de S.Paulo desta sexta-feira, 27.
“Tenho amigos pessoais lá dentro [da Camargo Corrêa] e eles que me procuraram. Nada de Planalto”, diz o criminalista.
Segundo o jornal, “o apelo ao advogado se deve ao temor do Planalto de que uma crise atinja colaboradores próximos. A empreiteira, oficialmente, é doadora também do PT.”
O desmentido é uma dessas coisas tão esperadas como uma empreiteira superfaturar obras, lavar dinheiro no exterior e fazer doações por fora a políticos que a ajudarão a fazer mais do mesmo no futuro.
Não é portanto o “nada de Planalto” de Thomaz Bastos que puxa o tapete da história do Estado. Ela tropeça em si mesma.
Não há na matéria de 209 palavras nenhuma que corrobore a informação. Ela até pode ser verdadeira, mas é mais uma daquelas inumeráveis na imprensa brasileira que pede ao leitor um voto de confiança sem fazer por merecê-lo.
O texto não tem uma aspa, mesmo sem identificação da fonte, que o ampare. Dá a entender que Lula pediu a Bastos para entrar na defesa da Camargo Corrêa. Na quarta-feira, quando estourou o escândalo, eles se encontraram em Brasília.
O ex-ministro não nega. “Estive com o presidente, mas só por cinco minutos, só para cumprimentá-lo no meio de uma reunião que ele estava tendo”, disse à Folha, repetindo o que dissera ao Estado.
O mais é ilação. Além do alegado “temor do Planalto” de que o caso atinja “colaboradores próximos” – do presidente, supõe-se –, a matéria se concentra nas relações do ex-ministro com o ex-chefe.“Bastos continua atuando como conselheiro informal do presidente nas áreas política e judicial. Quando fala em nome de Lula, o ex-ministro o chama de ‘meu melhor cliente’.”
Uma coisa e outra são fatos sabidos. Lula poderia perfeitamente bem pedir ao advogado o que o jornal diz que pediu. As relações entre eles dão para tanto. Mas isso não comprova que pediu, comprova?
E tem ainda esse tal de “Planalto”, que aparece três vezes na matéria, sem contar o título. “Planalto” quer dizer o quê? Lula? Algum “colaborador direto” do presidente? O moço do cafezinho?
Vamos nos entender. Matérias meia-bomba como essa se encontram aos montes nos diários brasileiros, mas na maioria das vezes os seus assuntos são irrelevantes, ou pouco mais do que isso ( o que não justifica a sua publicação). Agora se está diante de um texto apresentado com destaque, e não por um jornal qualquer, segundo o qual, descontados os eufemismos, o presidente da República teria mobilizado o ex-ministro da Justiça para dar uma força a uma empreiteira suspeita de abastecer o caixa 2 de políticos de sete partidos, em conluio com a Federação das Indústrias de São Paulo.
Ainda que os repórteres tenham a convicção de que foi isso que aconteceu, porque apuraram a história como manda o manual, o resultado não se segura. No tempo em que ainda havia goleiros nas redações, matérias nesses termos seriam devolvidas aos seus autores para que as colocassem em pé – e, enquanto não conseguissem, elas ficariam na geladeira.

"Ou isto ou aquilo", por Luiz Antonio Magalhaes

Blog ENTRELINHAS
O pessoal do DEM, do PSDB e seus amigos na grande imprensa precisam tomar uma decisão: ou bem a Operação Castelo de Areia foi uma “armação stalinista” do ministro Tarso Genro ou foi o oposto disto e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos foi chamado pelo Palácio do Planalto ( pelo presidente em pessoa, segundo O Estado de S. Paulo) para defender a construtora Camargo Corrêa. As duas coisas é que não podem ter acontecido ao mesmo tempo. Não faz sentido Lula chamar o melhor criminalista do país para defender os seus adversários democratas e tucanos da “ofensiva stalinista” de Genro… Portanto, ou a operação NÃO tem nada de “política” e tampouco alvos específicos, como querem os probos oposicionistas, podendo até atingir o PT – daí a suposta preocupação do presidente –, ou Lula NÃO chamou Márcio Thomaz Bastos para defender a Camargo Corrêa e a matéria do Estadão é uma grande cascata.
Sobre este mesmo assunto, aliás, vale a pena ler o comentário do jornalista Luiz Weis no blog Verbo Solto, que vai abaixo, na íntegra:
A falta que fazem os goleiros
O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, desmente que passou a defender a Camargo Corrêa, investigada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e doações ilegais a políticos, “a pedido do Planalto”, como afirma O Estado de S.Paulo desta sexta-feira, 27.
“Tenho amigos pessoais lá dentro [da Camargo Corrêa] e eles que me procuraram. Nada de Planalto”, diz o criminalista.
Segundo o jornal, “o apelo ao advogado se deve ao temor do Planalto de que uma crise atinja colaboradores próximos. A empreiteira, oficialmente, é doadora também do PT.”
O desmentido é uma dessas coisas tão esperadas como uma empreiteira superfaturar obras, lavar dinheiro no exterior e fazer doações por fora a políticos que a ajudarão a fazer mais do mesmo no futuro.
Não é portanto o “nada de Planalto” de Thomaz Bastos que puxa o tapete da história do Estado. Ela tropeça em si mesma.
Não há na matéria de 209 palavras nenhuma que corrobore a informação. Ela até pode ser verdadeira, mas é mais uma daquelas inumeráveis na imprensa brasileira que pede ao leitor um voto de confiança sem fazer por merecê-lo.
O texto não tem uma aspa, mesmo sem identificação da fonte, que o ampare. Dá a entender que Lula pediu a Bastos para entrar na defesa da Camargo Corrêa. Na quarta-feira, quando estourou o escândalo, eles se encontraram em Brasília.
O ex-ministro não nega. “Estive com o presidente, mas só por cinco minutos, só para cumprimentá-lo no meio de uma reunião que ele estava tendo”, disse à Folha, repetindo o que dissera ao Estado.
O mais é ilação. Além do alegado “temor do Planalto” de que o caso atinja “colaboradores próximos” – do presidente, supõe-se –, a matéria se concentra nas relações do ex-ministro com o ex-chefe.“Bastos continua atuando como conselheiro informal do presidente nas áreas política e judicial. Quando fala em nome de Lula, o ex-ministro o chama de ‘meu melhor cliente’.”
Uma coisa e outra são fatos sabidos. Lula poderia perfeitamente bem pedir ao advogado o que o jornal diz que pediu. As relações entre eles dão para tanto. Mas isso não comprova que pediu, comprova?
E tem ainda esse tal de “Planalto”, que aparece três vezes na matéria, sem contar o título. “Planalto” quer dizer o quê? Lula? Algum “colaborador direto” do presidente? O moço do cafezinho?
Vamos nos entender. Matérias meia-bomba como essa se encontram aos montes nos diários brasileiros, mas na maioria das vezes os seus assuntos são irrelevantes, ou pouco mais do que isso ( o que não justifica a sua publicação). Agora se está diante de um texto apresentado com destaque, e não por um jornal qualquer, segundo o qual, descontados os eufemismos, o presidente da República teria mobilizado o ex-ministro da Justiça para dar uma força a uma empreiteira suspeita de abastecer o caixa 2 de políticos de sete partidos, em conluio com a Federação das Indústrias de São Paulo.
Ainda que os repórteres tenham a convicção de que foi isso que aconteceu, porque apuraram a história como manda o manual, o resultado não se segura. No tempo em que ainda havia goleiros nas redações, matérias nesses termos seriam devolvidas aos seus autores para que as colocassem em pé – e, enquanto não conseguissem, elas ficariam na geladeira.

"Ou isto ou aquilo", por Luiz Antonio Magalhaes

Blog ENTRELINHAS
O pessoal do DEM, do PSDB e seus amigos na grande imprensa precisam tomar uma decisão: ou bem a Operação Castelo de Areia foi uma “armação stalinista” do ministro Tarso Genro ou foi o oposto disto e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos foi chamado pelo Palácio do Planalto ( pelo presidente em pessoa, segundo O Estado de S. Paulo) para defender a construtora Camargo Corrêa. As duas coisas é que não podem ter acontecido ao mesmo tempo. Não faz sentido Lula chamar o melhor criminalista do país para defender os seus adversários democratas e tucanos da “ofensiva stalinista” de Genro… Portanto, ou a operação NÃO tem nada de “política” e tampouco alvos específicos, como querem os probos oposicionistas, podendo até atingir o PT – daí a suposta preocupação do presidente –, ou Lula NÃO chamou Márcio Thomaz Bastos para defender a Camargo Corrêa e a matéria do Estadão é uma grande cascata.
Sobre este mesmo assunto, aliás, vale a pena ler o comentário do jornalista Luiz Weis no blog Verbo Solto, que vai abaixo, na íntegra:
A falta que fazem os goleiros
O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, desmente que passou a defender a Camargo Corrêa, investigada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e doações ilegais a políticos, “a pedido do Planalto”, como afirma O Estado de S.Paulo desta sexta-feira, 27.
“Tenho amigos pessoais lá dentro [da Camargo Corrêa] e eles que me procuraram. Nada de Planalto”, diz o criminalista.
Segundo o jornal, “o apelo ao advogado se deve ao temor do Planalto de que uma crise atinja colaboradores próximos. A empreiteira, oficialmente, é doadora também do PT.”
O desmentido é uma dessas coisas tão esperadas como uma empreiteira superfaturar obras, lavar dinheiro no exterior e fazer doações por fora a políticos que a ajudarão a fazer mais do mesmo no futuro.
Não é portanto o “nada de Planalto” de Thomaz Bastos que puxa o tapete da história do Estado. Ela tropeça em si mesma.
Não há na matéria de 209 palavras nenhuma que corrobore a informação. Ela até pode ser verdadeira, mas é mais uma daquelas inumeráveis na imprensa brasileira que pede ao leitor um voto de confiança sem fazer por merecê-lo.
O texto não tem uma aspa, mesmo sem identificação da fonte, que o ampare. Dá a entender que Lula pediu a Bastos para entrar na defesa da Camargo Corrêa. Na quarta-feira, quando estourou o escândalo, eles se encontraram em Brasília.
O ex-ministro não nega. “Estive com o presidente, mas só por cinco minutos, só para cumprimentá-lo no meio de uma reunião que ele estava tendo”, disse à Folha, repetindo o que dissera ao Estado.
O mais é ilação. Além do alegado “temor do Planalto” de que o caso atinja “colaboradores próximos” – do presidente, supõe-se –, a matéria se concentra nas relações do ex-ministro com o ex-chefe.“Bastos continua atuando como conselheiro informal do presidente nas áreas política e judicial. Quando fala em nome de Lula, o ex-ministro o chama de ‘meu melhor cliente’.”
Uma coisa e outra são fatos sabidos. Lula poderia perfeitamente bem pedir ao advogado o que o jornal diz que pediu. As relações entre eles dão para tanto. Mas isso não comprova que pediu, comprova?
E tem ainda esse tal de “Planalto”, que aparece três vezes na matéria, sem contar o título. “Planalto” quer dizer o quê? Lula? Algum “colaborador direto” do presidente? O moço do cafezinho?
Vamos nos entender. Matérias meia-bomba como essa se encontram aos montes nos diários brasileiros, mas na maioria das vezes os seus assuntos são irrelevantes, ou pouco mais do que isso ( o que não justifica a sua publicação). Agora se está diante de um texto apresentado com destaque, e não por um jornal qualquer, segundo o qual, descontados os eufemismos, o presidente da República teria mobilizado o ex-ministro da Justiça para dar uma força a uma empreiteira suspeita de abastecer o caixa 2 de políticos de sete partidos, em conluio com a Federação das Indústrias de São Paulo.
Ainda que os repórteres tenham a convicção de que foi isso que aconteceu, porque apuraram a história como manda o manual, o resultado não se segura. No tempo em que ainda havia goleiros nas redações, matérias nesses termos seriam devolvidas aos seus autores para que as colocassem em pé – e, enquanto não conseguissem, elas ficariam na geladeira.

"Ou isto ou aquilo", por Luiz Antonio Magalhaes

Blog ENTRELINHAS
O pessoal do DEM, do PSDB e seus amigos na grande imprensa precisam tomar uma decisão: ou bem a Operação Castelo de Areia foi uma “armação stalinista” do ministro Tarso Genro ou foi o oposto disto e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos foi chamado pelo Palácio do Planalto ( pelo presidente em pessoa, segundo O Estado de S. Paulo) para defender a construtora Camargo Corrêa. As duas coisas é que não podem ter acontecido ao mesmo tempo. Não faz sentido Lula chamar o melhor criminalista do país para defender os seus adversários democratas e tucanos da “ofensiva stalinista” de Genro… Portanto, ou a operação NÃO tem nada de “política” e tampouco alvos específicos, como querem os probos oposicionistas, podendo até atingir o PT – daí a suposta preocupação do presidente –, ou Lula NÃO chamou Márcio Thomaz Bastos para defender a Camargo Corrêa e a matéria do Estadão é uma grande cascata.
Sobre este mesmo assunto, aliás, vale a pena ler o comentário do jornalista Luiz Weis no blog Verbo Solto, que vai abaixo, na íntegra:
A falta que fazem os goleiros
O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, desmente que passou a defender a Camargo Corrêa, investigada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e doações ilegais a políticos, “a pedido do Planalto”, como afirma O Estado de S.Paulo desta sexta-feira, 27.
“Tenho amigos pessoais lá dentro [da Camargo Corrêa] e eles que me procuraram. Nada de Planalto”, diz o criminalista.
Segundo o jornal, “o apelo ao advogado se deve ao temor do Planalto de que uma crise atinja colaboradores próximos. A empreiteira, oficialmente, é doadora também do PT.”
O desmentido é uma dessas coisas tão esperadas como uma empreiteira superfaturar obras, lavar dinheiro no exterior e fazer doações por fora a políticos que a ajudarão a fazer mais do mesmo no futuro.
Não é portanto o “nada de Planalto” de Thomaz Bastos que puxa o tapete da história do Estado. Ela tropeça em si mesma.
Não há na matéria de 209 palavras nenhuma que corrobore a informação. Ela até pode ser verdadeira, mas é mais uma daquelas inumeráveis na imprensa brasileira que pede ao leitor um voto de confiança sem fazer por merecê-lo.
O texto não tem uma aspa, mesmo sem identificação da fonte, que o ampare. Dá a entender que Lula pediu a Bastos para entrar na defesa da Camargo Corrêa. Na quarta-feira, quando estourou o escândalo, eles se encontraram em Brasília.
O ex-ministro não nega. “Estive com o presidente, mas só por cinco minutos, só para cumprimentá-lo no meio de uma reunião que ele estava tendo”, disse à Folha, repetindo o que dissera ao Estado.
O mais é ilação. Além do alegado “temor do Planalto” de que o caso atinja “colaboradores próximos” – do presidente, supõe-se –, a matéria se concentra nas relações do ex-ministro com o ex-chefe.“Bastos continua atuando como conselheiro informal do presidente nas áreas política e judicial. Quando fala em nome de Lula, o ex-ministro o chama de ‘meu melhor cliente’.”
Uma coisa e outra são fatos sabidos. Lula poderia perfeitamente bem pedir ao advogado o que o jornal diz que pediu. As relações entre eles dão para tanto. Mas isso não comprova que pediu, comprova?
E tem ainda esse tal de “Planalto”, que aparece três vezes na matéria, sem contar o título. “Planalto” quer dizer o quê? Lula? Algum “colaborador direto” do presidente? O moço do cafezinho?
Vamos nos entender. Matérias meia-bomba como essa se encontram aos montes nos diários brasileiros, mas na maioria das vezes os seus assuntos são irrelevantes, ou pouco mais do que isso ( o que não justifica a sua publicação). Agora se está diante de um texto apresentado com destaque, e não por um jornal qualquer, segundo o qual, descontados os eufemismos, o presidente da República teria mobilizado o ex-ministro da Justiça para dar uma força a uma empreiteira suspeita de abastecer o caixa 2 de políticos de sete partidos, em conluio com a Federação das Indústrias de São Paulo.
Ainda que os repórteres tenham a convicção de que foi isso que aconteceu, porque apuraram a história como manda o manual, o resultado não se segura. No tempo em que ainda havia goleiros nas redações, matérias nesses termos seriam devolvidas aos seus autores para que as colocassem em pé – e, enquanto não conseguissem, elas ficariam na geladeira.

"Ou isto ou aquilo", por Luiz Antonio Magalhaes

Blog ENTRELINHAS
O pessoal do DEM, do PSDB e seus amigos na grande imprensa precisam tomar uma decisão: ou bem a Operação Castelo de Areia foi uma “armação stalinista” do ministro Tarso Genro ou foi o oposto disto e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos foi chamado pelo Palácio do Planalto ( pelo presidente em pessoa, segundo O Estado de S. Paulo) para defender a construtora Camargo Corrêa. As duas coisas é que não podem ter acontecido ao mesmo tempo. Não faz sentido Lula chamar o melhor criminalista do país para defender os seus adversários democratas e tucanos da “ofensiva stalinista” de Genro… Portanto, ou a operação NÃO tem nada de “política” e tampouco alvos específicos, como querem os probos oposicionistas, podendo até atingir o PT – daí a suposta preocupação do presidente –, ou Lula NÃO chamou Márcio Thomaz Bastos para defender a Camargo Corrêa e a matéria do Estadão é uma grande cascata.
Sobre este mesmo assunto, aliás, vale a pena ler o comentário do jornalista Luiz Weis no blog Verbo Solto, que vai abaixo, na íntegra:
A falta que fazem os goleiros
O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, desmente que passou a defender a Camargo Corrêa, investigada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e doações ilegais a políticos, “a pedido do Planalto”, como afirma O Estado de S.Paulo desta sexta-feira, 27.
“Tenho amigos pessoais lá dentro [da Camargo Corrêa] e eles que me procuraram. Nada de Planalto”, diz o criminalista.
Segundo o jornal, “o apelo ao advogado se deve ao temor do Planalto de que uma crise atinja colaboradores próximos. A empreiteira, oficialmente, é doadora também do PT.”
O desmentido é uma dessas coisas tão esperadas como uma empreiteira superfaturar obras, lavar dinheiro no exterior e fazer doações por fora a políticos que a ajudarão a fazer mais do mesmo no futuro.
Não é portanto o “nada de Planalto” de Thomaz Bastos que puxa o tapete da história do Estado. Ela tropeça em si mesma.
Não há na matéria de 209 palavras nenhuma que corrobore a informação. Ela até pode ser verdadeira, mas é mais uma daquelas inumeráveis na imprensa brasileira que pede ao leitor um voto de confiança sem fazer por merecê-lo.
O texto não tem uma aspa, mesmo sem identificação da fonte, que o ampare. Dá a entender que Lula pediu a Bastos para entrar na defesa da Camargo Corrêa. Na quarta-feira, quando estourou o escândalo, eles se encontraram em Brasília.
O ex-ministro não nega. “Estive com o presidente, mas só por cinco minutos, só para cumprimentá-lo no meio de uma reunião que ele estava tendo”, disse à Folha, repetindo o que dissera ao Estado.
O mais é ilação. Além do alegado “temor do Planalto” de que o caso atinja “colaboradores próximos” – do presidente, supõe-se –, a matéria se concentra nas relações do ex-ministro com o ex-chefe.“Bastos continua atuando como conselheiro informal do presidente nas áreas política e judicial. Quando fala em nome de Lula, o ex-ministro o chama de ‘meu melhor cliente’.”
Uma coisa e outra são fatos sabidos. Lula poderia perfeitamente bem pedir ao advogado o que o jornal diz que pediu. As relações entre eles dão para tanto. Mas isso não comprova que pediu, comprova?
E tem ainda esse tal de “Planalto”, que aparece três vezes na matéria, sem contar o título. “Planalto” quer dizer o quê? Lula? Algum “colaborador direto” do presidente? O moço do cafezinho?
Vamos nos entender. Matérias meia-bomba como essa se encontram aos montes nos diários brasileiros, mas na maioria das vezes os seus assuntos são irrelevantes, ou pouco mais do que isso ( o que não justifica a sua publicação). Agora se está diante de um texto apresentado com destaque, e não por um jornal qualquer, segundo o qual, descontados os eufemismos, o presidente da República teria mobilizado o ex-ministro da Justiça para dar uma força a uma empreiteira suspeita de abastecer o caixa 2 de políticos de sete partidos, em conluio com a Federação das Indústrias de São Paulo.
Ainda que os repórteres tenham a convicção de que foi isso que aconteceu, porque apuraram a história como manda o manual, o resultado não se segura. No tempo em que ainda havia goleiros nas redações, matérias nesses termos seriam devolvidas aos seus autores para que as colocassem em pé – e, enquanto não conseguissem, elas ficariam na geladeira.

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