ENCALHE

maio 12, 2009

"Gripe suína é tão grave quanto gripe comum", diz infectologista do Emílio Ribas

Essa saiu na Folha, em 09 de Maio. Deveria resultar numa “pacificação” da mídia, que está chafurdando na paranóia que ela mesmo está alimentando, e adorando cada segundo. Três dias depois ( hoje, 12.05 ), eu vi ( foi num telenoticiário da Globo, não sei se na TV aberta ou paga ) que parece não ter mudado muito. Mapas-mundi, enumeração de casos país a país ( Israel tinha 7 casos, o Brasil 8 – “casos”, não “óbitos” – e os EUA – aí, sim, bastante – 2600 casos, sem contar o México, que contabiliza o maior número de óbitos, 58 ) onde tenham sido confirmados, e por aí vai. O especialista entrevistado, no caso, é CAIO ROSENTHAL, infectologista do Emílio Ribas.
Vale ser lida e até repassada, senhores. Só indico o link para a matéria. Em seguida eu reproduzo um texto publicado no Hora do Povo, onde se revela a possível origem “empresarial” desta suposta epidemia.
“Vírus da gripe suína não é mais grave que o de gripe comum”, diz especialista
Folha Online, 09.05.09
Multinacional onde começou gripe no México é contumaz agressora do ambiente nos EUA
“A Smithfield é a maior empresa processadora de suínos do mundo. Durante 2008 sacrificou mais de 31 milhões de porcos e empacotou cerca de 3 milhões de quilogramas de carne desse mamífero. Seu fatura-mento superou 11,3 bilhões de dólares. Controla 31% do mercado dos Estados Unidos”, assinala Luis Hernández Na-varro, colunista La Jornada, diário da Universidade Autônoma do México, em artigo que denuncia os crimes contra os trabalhadores, o meio ambiente e as condições doentias dos criatórios da multinacional, que teve uma subsidiária sua apontada como o primeiro foco do A/H1N1 no México.
“No México esta empresa é proprietária de 50% das ações da Granjas Carroll, em Puebla e Veracruz, e da Agro-industrial do Noroeste (Norson) em Sonora. Durante o ano de 2008, a Granjas Carroll, que têm 56 mil matrizes, produziu 950 mil animais, enquanto a Norton, com 35 mil matrizes, criou 467 mil porcos”, informa a matéria publicada em 5 de maio.
Navarro mostra que a empresa é também uma máquina de contaminação: “Cada ano gera toneladas de lixo que destrói rios, mata milhões de peixes e adoece pessoas. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, “amontoados em gaiolas pequenas e estreitas que impedem sua mobilidade, alimentados com resíduos de aves, respirando ar saturado em gases, sem ver a luz do sol, expostos a todo tipo de doenças e fungos, com seu sistema imunológico machucado, os porcos-industriais achariam qualquer chiqueiro de uma granja familiar um paraíso. Em algumas ocasiões se asfixiam pisoteando-se uns aos outros. Um animal doente contagia os demais facilmente.
“Em 1997, na Virginia, Estados Unidos, foi multada por 12,6 milhões de dólares por cometer 6 mil 900 violações à legislação federal de proteção à água (Clean Water Act). A sanção ambiental foi uma das mais elevadas na história desse país.
“Em três ocasiões (1997, 2000 e 2006) apareceu na lista que a revista Multi-national Monitor elabora para designar as piores empresas do ano. A primeira foi em 1997: pela contaminação ambi-ental. A segunda pelas práticas que utiliza para monopolizar a criação de porcos, deixando fora do mercado os pequenos produtores. A terceira por suas práticas trabalhistas, anti-sindicais.
“A empresa foi considerada culpada de violar a lei federal do trabalho, de fazer tramóias para baixar salários, fechando sucursais, espiando os filiados ao sindicato e agredindo a funcionários. Dos 58 mil 100 empregados que trabalham para a multinacional no mundo, só 28 mil 800 contam com contrato coletivo.
“A Smithfield cresceu mais de mil por cento entre 1990 e 2005. Seu processo de concentração foi possível graças a uma estratégia empresarial em que controla cada elo da cadeia de produção, desde o momento em que o porco nasce até que vai para o açougue. Monopolizando os mercados e quebrando todos os pequenos pecuaristas a sua volta.
“Os porcos geram, em média, três vezes mais matéria fecal que os seres humanos. O volume de excrementos que evacuam os animais da Granjas Carroll é superior ao produzido pelos habitantes das cidades de Guadalajara e Monterrey em conjunto. A diferença é que enquanto essas duas cidades possuem sistemas de drenagem e esgoto para o tratamento dos detritos, essas empresas não contam com nada disso.“Os detritos fecais provenientes das granjas-fábricas de porco estão cheios de substancias tóxicas.
“No caso da Granjas Carroll, as fezes dos porcos são depositadas em lagoas de oxidação a céu aberto distribuídas pelo vale de Perote. Muitos cientistas assinalam que são um foco de contaminação de água, solo e ar.
“A Smithfield fez nos EUA generosas doações às campanhas eleitorais de políticos buscando evitar que se regule a atividade. Segundo informa Jeff Tietz, em 1998 a associação de fazendas de porco de Carolina do Norte (onde a empresa tem um de seus principais bastiões) destinou um milhão de dólares para derrotar legisladores locais que queriam sanear as lagoas de oxidação a céu aberto.
“Parte dos trabalhadores das fazendas de porcos da Smithfield nos Estados Unidos são mexicanos. Em janeiro de 2007, 21 trabalhadores da subsidiária na Carolina do Norte foram tirados da linha de produção e presos por agentes migratórios. Os dirigentes sindicais denunciaram que se tratava de uma manobra para impedir a sindi-calização dos trabalhadores. Não seria raro que muitos desses trabalhadores ilegais tenham regressado ao México.
“A Smithfield está hoje no centro da tormenta. Cientistas e analistas têm determinado a probabilidade de que o recente surgimento de influenza suína se relacione com a Granjas Carroll”. ( HORA DO POVO, ed. 2763, 08.05.09 )

"Gripe suína é tão grave quanto gripe comum", diz infectologista do Emílio Ribas

Essa saiu na Folha, em 09 de Maio. Deveria resultar numa “pacificação” da mídia, que está chafurdando na paranóia que ela mesmo está alimentando, e adorando cada segundo. Três dias depois ( hoje, 12.05 ), eu vi ( foi num telenoticiário da Globo, não sei se na TV aberta ou paga ) que parece não ter mudado muito. Mapas-mundi, enumeração de casos país a país ( Israel tinha 7 casos, o Brasil 8 – “casos”, não “óbitos” – e os EUA – aí, sim, bastante – 2600 casos, sem contar o México, que contabiliza o maior número de óbitos, 58 ) onde tenham sido confirmados, e por aí vai. O especialista entrevistado, no caso, é CAIO ROSENTHAL, infectologista do Emílio Ribas.
Vale ser lida e até repassada, senhores. Só indico o link para a matéria. Em seguida eu reproduzo um texto publicado no Hora do Povo, onde se revela a possível origem “empresarial” desta suposta epidemia.
“Vírus da gripe suína não é mais grave que o de gripe comum”, diz especialista
Folha Online, 09.05.09
Multinacional onde começou gripe no México é contumaz agressora do ambiente nos EUA
“A Smithfield é a maior empresa processadora de suínos do mundo. Durante 2008 sacrificou mais de 31 milhões de porcos e empacotou cerca de 3 milhões de quilogramas de carne desse mamífero. Seu fatura-mento superou 11,3 bilhões de dólares. Controla 31% do mercado dos Estados Unidos”, assinala Luis Hernández Na-varro, colunista La Jornada, diário da Universidade Autônoma do México, em artigo que denuncia os crimes contra os trabalhadores, o meio ambiente e as condições doentias dos criatórios da multinacional, que teve uma subsidiária sua apontada como o primeiro foco do A/H1N1 no México.
“No México esta empresa é proprietária de 50% das ações da Granjas Carroll, em Puebla e Veracruz, e da Agro-industrial do Noroeste (Norson) em Sonora. Durante o ano de 2008, a Granjas Carroll, que têm 56 mil matrizes, produziu 950 mil animais, enquanto a Norton, com 35 mil matrizes, criou 467 mil porcos”, informa a matéria publicada em 5 de maio.
Navarro mostra que a empresa é também uma máquina de contaminação: “Cada ano gera toneladas de lixo que destrói rios, mata milhões de peixes e adoece pessoas. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, “amontoados em gaiolas pequenas e estreitas que impedem sua mobilidade, alimentados com resíduos de aves, respirando ar saturado em gases, sem ver a luz do sol, expostos a todo tipo de doenças e fungos, com seu sistema imunológico machucado, os porcos-industriais achariam qualquer chiqueiro de uma granja familiar um paraíso. Em algumas ocasiões se asfixiam pisoteando-se uns aos outros. Um animal doente contagia os demais facilmente.
“Em 1997, na Virginia, Estados Unidos, foi multada por 12,6 milhões de dólares por cometer 6 mil 900 violações à legislação federal de proteção à água (Clean Water Act). A sanção ambiental foi uma das mais elevadas na história desse país.
“Em três ocasiões (1997, 2000 e 2006) apareceu na lista que a revista Multi-national Monitor elabora para designar as piores empresas do ano. A primeira foi em 1997: pela contaminação ambi-ental. A segunda pelas práticas que utiliza para monopolizar a criação de porcos, deixando fora do mercado os pequenos produtores. A terceira por suas práticas trabalhistas, anti-sindicais.
“A empresa foi considerada culpada de violar a lei federal do trabalho, de fazer tramóias para baixar salários, fechando sucursais, espiando os filiados ao sindicato e agredindo a funcionários. Dos 58 mil 100 empregados que trabalham para a multinacional no mundo, só 28 mil 800 contam com contrato coletivo.
“A Smithfield cresceu mais de mil por cento entre 1990 e 2005. Seu processo de concentração foi possível graças a uma estratégia empresarial em que controla cada elo da cadeia de produção, desde o momento em que o porco nasce até que vai para o açougue. Monopolizando os mercados e quebrando todos os pequenos pecuaristas a sua volta.
“Os porcos geram, em média, três vezes mais matéria fecal que os seres humanos. O volume de excrementos que evacuam os animais da Granjas Carroll é superior ao produzido pelos habitantes das cidades de Guadalajara e Monterrey em conjunto. A diferença é que enquanto essas duas cidades possuem sistemas de drenagem e esgoto para o tratamento dos detritos, essas empresas não contam com nada disso.“Os detritos fecais provenientes das granjas-fábricas de porco estão cheios de substancias tóxicas.
“No caso da Granjas Carroll, as fezes dos porcos são depositadas em lagoas de oxidação a céu aberto distribuídas pelo vale de Perote. Muitos cientistas assinalam que são um foco de contaminação de água, solo e ar.
“A Smithfield fez nos EUA generosas doações às campanhas eleitorais de políticos buscando evitar que se regule a atividade. Segundo informa Jeff Tietz, em 1998 a associação de fazendas de porco de Carolina do Norte (onde a empresa tem um de seus principais bastiões) destinou um milhão de dólares para derrotar legisladores locais que queriam sanear as lagoas de oxidação a céu aberto.
“Parte dos trabalhadores das fazendas de porcos da Smithfield nos Estados Unidos são mexicanos. Em janeiro de 2007, 21 trabalhadores da subsidiária na Carolina do Norte foram tirados da linha de produção e presos por agentes migratórios. Os dirigentes sindicais denunciaram que se tratava de uma manobra para impedir a sindi-calização dos trabalhadores. Não seria raro que muitos desses trabalhadores ilegais tenham regressado ao México.
“A Smithfield está hoje no centro da tormenta. Cientistas e analistas têm determinado a probabilidade de que o recente surgimento de influenza suína se relacione com a Granjas Carroll”. ( HORA DO POVO, ed. 2763, 08.05.09 )

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